terça-feira, 30 de setembro de 2008



Relatório de Terça-Feira

Acabadinha de chegar da escola, a esta hora tão catita, ataquei uma sopita que estava quase a desfalecer de fraqueza. Não tive tempo para lanchar, só um copo de leite frio, bebido à pressa.
E o meu dia constou disto: entrei às 8:30 da manhã e saí às 11:50 das aulas. Fui à reprografia fotocopiar mais umas papeladas, à saída encontrei um moço duma minha turma dos Cef`s, encostado numa esquina, junto ao bar, com ar de preocupado, que se preparava para não almoçar porque a ementa era peixe e ele, sem experimentar, dizia que não gostava. Com meiguice lá o convenci a ir, que se não gostasse do peixe pelo menos comia o acompanhamento, e a salada, e a sopa, e a sobremesa, que não podia ficar na escola tanto tempo sem comer. Levei-o à cantina e só saí quando o vi integrado na fila, já de tabuleiro na mão, prestes a ser servido. Saí ao meio-dia e quinze. Intervalo para almoço e estava de novo na escola às 14:15. Tive aulas até às 16:40. Durante o intervalo combinei uma estratégia de actuação com a TM a propósito dum caso problemático da minha direcção de Turma. Lá bebi o copito de leite e às 5 horas estava em mais uma reunião intercalar. A reunião acabou às 18:45.
Pelas minhas contas 8 horas e 15 minutos de trabalho efectivo na escola.
Entre ontem e hoje já vou com dezassete horas e cinquenta minutos. Acho que hoje já não tenho coragem de fazer mais nadinha. A ver vamos. Estou com a minha cabeça que parece um melão. E começo a irritar-me solenemente. Só ouço na sala de professores "Tens de melhorar os resultados dos teus alunos não sei quantos por cento" E eu já só abro a boca de espanto. "Eu?!!!!!!!!! Eu tenho de melhorar os resultados deles?!!!!!! Por acaso não serão eles que os têm de melhorar, com a minha ajuda e empenho?!!!!!!!!!!!
Estará tudo bêbado? Será que o problema é meu?!!!!!!!! Será que eu não funciono bem da cabeça e só agora, quase aos cinquenta anos, estou a descobrir?!
Aleluia!!! Mário Nogueira Faz-se Ouvir

“Regressamos à rua em Outubro ou Novembro”

Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, falou ao CM sobre o sector da Educação.

Correio da Manhã – Pediram uma reunião de urgência com a ministra da Educação. O que pretendem discutir?
Mário Nogueira – A ministra andou a varrer o lixo para debaixo do tapete e não arrumou a casa. Existem vários pontos que estão a provocar uma insatisfação ainda maior nos professores, como os horários de trabalho ilegais, arbitrariedades e os procedimentos abusivos na avaliação de desempenho.
– Isso significa que vão voltar às jornadas de luta, com manifestações na rua?
– Se continuarmos como estamos, não será difícil prever que vamos regressar à rua. Nos próximos dias vamos sentir o pulsar dos professores, e o mais certo é regressarmos já em Outubro ou em Novembro.
– O facto de o aproveitamento dos alunos ter influência na avaliação e progressão dos professores não abre portas à falsificação de resultados?
– Não posso garantir que isso não vá acontecer, mas os professores são pessoas de bem e não vão abdicar nem colocar em causa valores éticos por causa dessa pressão do Governo.
– Que pressão é essa?
– A leitura feita pelos professores – e não só – é que há uma intenção de melhores taxas de sucesso e de aproveitamento escolar. Mais tarde, o Ministério da Educação e o Governo vão aproveitar números, dizendo que são resultado das suas políticas.
– A avaliação dos professores não era um assunto arrumado?
– Com o memorando de entendimento conseguimos que a maioria dos professores não fosse avaliada. Apenas cinco por cento o foi e mesmo neste pequeno grupo já temos centenas de queixas dos professores. Determinou-se que este seria um ano experimental, mas já se começou a perceber que se trata de um modelo pesado. Os professores ou passam o tempo a avaliarem-se uns aos outros ou a darem aulas.
André Pereira

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Para a FENPROF, o insustentável clima que se vive nas escolas exige reunião urgente com a Ministra da Educação

Nem as sucessivas iniciativas de propaganda que, pelo país, têm sido promovidas conseguem disfarçar o clima muito negativo que se vive nas escolas.
Horários de trabalho ilegais, arbitrariedades e procedimentos abusivos no âmbito da avaliação de desempenho (que acrescem ao próprio problema, gravíssimo, que é o modelo de avaliação imposto) e, ainda, a instalação do novo modelo de gestão são, apenas, três componentes de um contexto que tem feito aumentar o mal-estar, a insatisfação e o protesto dos professores, para além de estar a criar graves dificuldades ao normal funcionamento das escolas.
Neste momento de início de ano lectivo, em que os professores tanto necessitavam de se concentrar na sua actividade com os alunos, as pressões que recaem sobre eles são de tal ordem fortes que a sua disponibilidade, para o que seria fundamental, fica muito limitada.
A Ministra da Educação não pode continuar a ignorar esta situação e a fazer, apenas, o mais fácil que é envolver-se nos "shows" mediáticos montados pela máquina de propaganda do Governo e fingir que, de resto, tudo decorre dentro da normalidade.
A Ministra da Educação é a responsável política pela situação que se vive nas escolas, tanto mais que, no que concerne à avaliação, estamos perante um modelo apenas defendido por um Ministério que já começou a "sacudir" responsabilidades para os órgãos de gestão das escolas; no que respeita aos horários de trabalho, muitas das violações à lei, que foram registadas nas escolas, decorrem de orientações ilegais divulgadas pela DGRHE/ME em documento que se encontra na sua página electrónica.
É neste quadro tão negativo - em que se referem apenas alguns dos aspectos de maior relevo - que a FENPROF considera indispensável confrontar a Ministra da Educação no plano político e exigir medidas que permitam superar os problemas que afectam as escolas e os professores. Nesse sentido, foi entregue, hoje, no Ministério da Educação, um pedido de reunião com a Ministra a realizar com carácter de urgência. Seria uma irresponsabilidade a recusa desta reunião, ou o seu adiamento para mais tarde.

O Secretariado Nacional da FENPROF29/09/2008


Relatório de Segunda-Feira

Depois de ter trabalhado quase todos as noites até à uma hora da manhã durante a semana passada, da reunião com os pais, convocada para as 9 horas da manhã de sábado e que só terminou às 11:30, depois de ter ficado toda a minha tarde de sábado a tratar dados da minha direcção de turma por forma a poder fornecer uma caracterização na reunião intercalar que agora terminou, eis que relato o meu dia de hoje.
Aula das 10:20 às 11:50 a que se seguiu o intervalo de almoço. Reentrada às 13:30 até às 16:40. Como tinha reunião intercalar resolvi nem vir a casa. Aproveitei para continuar a trabalhar no PCT. Fui à secretaria tratar de assuntos relativos à minha DT, tirei fotocópias para entregar durante a reunião, analisei mais dois processos de alunos, alguns com referências desde que nasceram. Às 18:30 a reunião estava a começar e prolongou-se até às 20:40.
Cheguei agorinha mesmo a casa. Pelas minhas contas hoje trabalhei na escola 8 horas e 40 minutos com parte deste tempo a escoar-se às voltas com papéis. Estou exausta. E com o meu plafon de horas para trabalho de casa absolutamente esgotado. Trabalho para os alunos? Professores com tempo e vontade para encontrarem as melhores estratégias para as suas aulas que deveriam ser entusiasmadas, enérgicas e felizes? Who cares!

Nota - Afinal ontem não resisti a trabalhar mais uma hora para a minha direcção de Turma o que fez a módica quantia de 9 horas e 40 minutos.
Quem me paga as horas extraordinárias?

domingo, 28 de setembro de 2008

Novos Links

Hoje resolvi fazer o que já devia ter feito há muito e não fiz por falta de tempo, de lembrança, de oportunidade, eu sei lá. Vai daí linkei o blogue da Tiza ao meu. A Tiza é uma escorpiona com uma piada que nem sabeis e que eu espero ver reflectida no seu blogue intitulado Olhares. Horas ao pé dela dão sempre direito a barrigadas sucessivas de riso. Professora empenhadíssima, interessada em progredir, aberta às novas tecnologias, lecciona aos mais pequeninos do 1º Ciclo sem nunca ter feito renda na escolinha! Sempre a inovar, vai daí abriu um blogue ainda novinho na blogosfera. E é minha compincha de actividade campestre. Cortaste mato hoje, Tiza? É que a minha Barca está a ficar um brinquinho!

http://beatrizmadureira.blogspot.com/

Outro link que já deveria ter feito é o da Fátima André, professora do Alentejo a leccionar não sei onde, com um blogue sempre muito recheado de postagens interessantes para a nossa actividade profissional. Recomendo-o aos meus leitores, especialmente aos professores que por aqui passam. Linkei-te Fátima, para que fiques mais próxima de mim.

http://revisitaraeducacao.blogspot.com/

E finalmente o link para o blogue da Secundária Campos Melo, Breves Online, onde se aloja a Elsa, minha amiga distante, amiga apesar de desconhecida fisicamente, pelas enormes afinidades encontradas entre nós através deste blogue. Enlacei-te, Elsa, para que estejas também tu mais próxima de mim, sentada à minha direita, que é onde os amigos devem estar.
Quanto ao blogue recomendo-o, sempre com notícias fresquinhas vindas directamente da Covilhã.

Beijoquinhas grandes para as três "stars".

http://brevescamposmelo.blogspot.com/

sexta-feira, 26 de setembro de 2008


Capas e Capinhas - Esa - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Um Exemplo de Burrice
Planificações Anuais

Vou concentrar-me neste exemplo da burrice que grassa nas escolas portuguesas, nestes dias que passam, esgotantes e caóticos. Podia dar outros, que exemplos não faltam, numa escola que se complica à medida que a tutela cria cargos dentro duma hierarquia que já foi bem mais simples, e que se complica à medida que, aspirando à organização extrema, lança o caos por tudo quanto é lugar.
Comecemos pelo meu grupo disciplinar, o 400, que até é bem pequeno, constituído que é por sete docentes de História. Este grupo é responsável pela elaboração da Planificação Anual para os vários níveis de escolaridade, do sétimo ao 12º ano, e a responsabilidade pela elaboração destas mesmas planificações é distribuída pelos professores que leccionam os respectivos níveis.
Eu e o M fizemos as planificações anuais para o 7º ano já que só nós leccionamos sétimos anos de História.
A planificação impressa ocupa 25 folhas. E eis que começa a burrice.
As cópias destas 25 folhas estão espalhadas por capinhas por todo o departamento, à esquerda e à direita, em armários assim e assado, sendo que o departamento é uma sala com cerca de 30 metros quadrados.
Para a Coordenadora de Departamento - 1 exemplar - 25 folhas;
Para a Coordenadora de Disciplina - 1 exemplar - 25 folhas;
Para o portefólio do M - 1 exemplar - 25 folhas;
Para mim - 1 exemplar - 25 folhas
Vamos pois em quatro cópias da mesma coisa, arquivadinhas em quatro capinhas diferentes, guardadinhas em armários diferentes, todas, todinhas, na tal de sala de departamento, que terá uns 30 metros quadrados. E já gastámos 200 folhas de papel para os mesmos documentos existirem em quadruplicado.
O meu grupo é muito pequeno, o que não é o caso de outros lá na escola. Há outros níveis, de outras disciplinas, leccionados por bem mais professores e assim sendo a papelada multiplica-se por cinco, seis, sete, enfim, o que calhar de cópias, nesta loucura colectiva que se abateu sobre a escola portuguesa.
Não bastaria um exemplar, na capinha da chefia máxima que é o Chefe de Departamento, arquivadinho num armário da sala de Departamento? Melhor ainda. Não faria sentido uma página digital por departamento que agregasse as páginas dos vários grupos e onde estaria centralizada toda a tralha? Não estaria na hora de simplificarmos em vez de complicarmos? É que todos nós temos os documentos em suporte digital e depois esbarramos na fotocópia.
Na ESA somos 170 professores. E, como dizia um "ilustre" da nossa praça, "É só fazer as contas."
E ainda não falei de planificações trimestrais ou por unidades didácticas. E ainda não falei das planificações de aula. E ainda não falei dos critérios de avaliação de cada disciplina. Outro filme! E ainda não falei dos relatórios exigidos para qualquer actividade, das actas necessárias para todas as reuniões, no caso dos Cef`s, semanais, dos planos de acompanhamento e recuperação para alunos com dificuldades, dos projectos curriculares de turma, quais testamentos!, da tralha que é necessária para a construção do portfólio individual do professor, dos contactos com os encarregados de educação, tudo escritinho, da legislação... tudo arquivadinho, quanto mais grelhadinho melhor.
No final, os grelhados somos nós, grelhados no meio de tanta burrice.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008



Cérebro de Professor Atrofiado
Esquema de não sei quem

Rankings e Xanax - Texto de Daniel Oliveira, no Expresso

"Esta semana evite a companhia de professores. Falar com qualquer um deles pode deixá-lo em mau estado. Vivem, nos dias que correm, em depressão colectiva. A sucessão de reformas, contra-reformas e contra-contra-reformas, a destruição do que se foi fazendo de bom - do ensino especial ao ensino artístico -, a incompetência desta equipa ministerial e o linchamento público de uma classe inteira tem os resultados à vista: as aulas recomeçam com professores tão motivados como um vegetariano perante um bife na pedra. Sabem que os espera apenas uma novidade: a avaliação do seu desempenho. E é, ao que parece, tudo o que interessa a toda a gente: a avaliação dos professores, a avaliação dos alunos, a avaliação das escolas, a avaliação do sistema educativo português. Tenho uma coisa um pouco fora do comum para dizer sobre o assunto: a escola serve para ensinar e aprender. Se isto falha, os exames, as avaliações e os "rankings" são irrelevantes. Talvez não fosse má ideia, enquanto se avaliam os professores, dar-lhes tempo para eles fazerem aquilo para que lhes pagamos em vez de os soterrar em burocracia. Enquanto se exigem mais e mais exames, garantir que os miúdos aprendem com algum gosto qualquer coisa entre cada um deles. Enquanto se fazem "rankings", conseguir que a escola seja um lugar de onde não se quer fugir. E enquanto se culpam os professores pelo atraso cultural do país, perder um segundo a ouvir o que eles têm para dizer. Agora que já os deixámos agarrados ao Xanax, acham que é possível gastar algumas energias a dar-lhes razões para gostarem do que fazem? Se não for por melhor razão, só para desanuviar o ambiente nos edifícios onde os nossos filhos passam uma boa parte do dia."
Obrigada, Tiza, por me dares a conhecer este texto.

Escola Portuguesa 2008
Esquema Simplificado de Avaliação de Desempenho - Autor Desconhecido

Já Vi Gente que... Já Vi Professores que...

Este post é o resultado da contribuição de vários leitores deste blogue, que testemunharam diversos acontecimentos, estranhíssimos, durante as duas primeiras semanas de trabalho em algumas escolas portuguesas. As escolas caminham rapidamente para o pesadelo. E nós com elas!
1 - Já vi gente a perder as chaves do carro.
2 - Já vi gente na portinha (poente) da escola a trocar o tabaquinho por uma daquelas garrafas de verdasco tipo-gatão...!
3 - Já vi gente a espatifar a loiça e o seu conteúdo na sala de professores.
4 - Já vi gente a esquecer-se das aulas.
5 - Já vi gente que perdeu a pasta e foi para a aula só de carteira.
6 - Já vi gente a sacar do lenço de mão e saiu uma meia...
7 - Já vi gente a sair da porta do Colégio a pensar que as aulas tinham acabado e ainda faltavam os últimos 45 minutos...
8 - Já vi gente que não via nada à sua frente...
9 - Já vi gente a levar o livro de ponto até ao carro e ter de regressar à escola...
10 - Já vi gente a tentar abrir a porta da sua viatura, empunhando uma qualquer chave de sala de aula... preocupante...
11 - Já vi professores de lágrimas nos olhos.
12 - Já vi professores a chorar.
13 - Já vi funcionários passando por professores.
14 - Já vi professores transformados em funcionários.
15 - Já vi professores a desistirem de o ser.
16 - Já vi papelada viva - reivindicando identidade - saltitando nas capinhas de Lúcifer.
17 - Já vi professores em morte cerebral renunciando à identidade. É que o pacto consistiu no seguinte: por cada palavra (escrita, impressa) a mais; por cada vírgula, ponto final, ideia desarticulada....a alma e o corpo sobreviverão até à idade da mui nobre reforma. Certificado de garantia a longo prazo. Pacto de invalidez para todo o sempre!
18 - Já vi professores que se apresentaram na escola com politos do avesso... só não sei se foi coincidência ou se foi um protesto...
19 - Já vi uma professora que, ao tentar sentar-se apressadamente frente ao computador na cadeirinha com rodas, bateu co cu no chão!!!! ai.ai.aiiii.. foi mais a "burgônha" que a lesão!!!...
20 - Já vi gente a esquecer-se do dia do aniversário do seu casamento.
21 - E já vi gente a acordar às 6 da manhã, pensando em serviço, pensando na Teresa Mafalda :), olá Mafaldinha!!, e toca de se levantar, que já não há pachorra para dormir, nem tempo!, porque há muito para fazer.

Por ora compilei tudo o que sei. Se quiserem acrescentar mais novidades, estejam à vontade!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Avaliação de Desempenho de Professores

A Avaliação de Desempenho de Professores está a sufocar as escolas. Não fora eu ter tudo organizadinho para as aulas e já tinha claudicado. Sinto-me cada vez mais sufocada pelo sistema que exige papelada a torto e a direito, em triplicado, em quadruplicado, para aqui e para acolá. Não há tempo para mais nada que não seja a santa burrocracia. E santa burrocracia formatada, ainda por cima.
Haja paciência! E tirem-nos deste filme. Deste filme que é a Avaliação de Desempenho de Professores.

PROTESTO MARCADO DIA 30/9 3ª FEIRA ÀS 15 HORAS EM FRENTE AO ME
DIVULGA!! REENCAMINHA!!

Colegas

O protesto está marcado para dia 30/9 (terça-feira) às 15 horas. Fomos ao governo civil hoje e entregámos a comunicação! Isto é o tudo por tudo COLEGAS! Temos que dar o máximo! A comunicação social vai ser convocada! Se estiverem poucas pessoas a nossa luta é prejudicada! Consciencializemo-nos disso!
A presença de cada um de nós é fundamental! Contamos com a solidariedade de todos os colegas também!
Passem a palavra!

terça-feira, 23 de setembro de 2008



Festa - Postagem 1001
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Postagem 1001

Postagem 1001. O traje de gala, preto, que com preto nunca me comprometo. O presente. O bolo.
Uf! Uf! Não sei como consegui aqui chegar!
Obrigada.
Desert Rose - Sting e Cheb Mami

Com dedicatória ao Sahel, ao Mouftha, ao meu pide-guide favorito de seu nome Abdol e, já agora, ao Galego do Magreb, visitante assíduo deste blogue. E ainda ao Helder, meu acompanhante primeiro destas andanças na blogosfera. Ao Raul do sorriso generoso que encostou, espero que temporariamente, o seu blogue, à Carmito que anda meia desaparecida e nos deixa cheiiiinhos de saudades, às minhas companhias especiais, desconhecidas/próximas, Fátima e Elsa. À Elsa C, à Laurita, à Jonas, excelentes companhias aqui e na escola. Aos meus alunos que por vezes passam por aqui e deixam ou não rasto: Maria, Ana, Camões, Maracujá, Pi Pereira, Francisco, Dianita. Ao Nuno que aqui chegou nem sei como. À Passiflora de quem me aproximei através deste blogue descobrindo afinidades, cumplicidades e afectos. Ao Clap. O que dizer? O Clap é o Clap! À Susana e ao Pedro, o casal maravilha. :) À Raquel e ao Zé, que por vezes deixam um rasto vindo da Noruega. À Fátima que aqui chegou vinda do blogue do Antero e me tem deixado conselhos muito ajuizados. À Céu Costa que anda por aqui sem se manifestar ultimamente. À Flora e ao Zé que nunca por aqui deixaram rasto. À Professorinha que vai passando por aqui de quando em vez. À Tiza, escorpiona dum raio. Ao Ramiro Marques que fez o favor de classificar o meu blogue de "viciante". Às minhas queridas sobrinhas, Vera e Inês... e a todos os outros, conhecidos ou desconhecidos que vão lendo as minhas escritas ora doces, ora amargas, ora felizes ora tristonhas, ora descontraidas, ora preocupadas.
E por último à minha Joana, especial Joana, e ao seu João.
E ao AMM.
Esta foi a postagem mil.


segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Partilha Generosa

No passado dia 17 recebi uma mensagem no meu correio electrónico que me deixou orgulhosa e feliz.
Uma colega de História, de seu nome Vera Amaral, entrou em contacto comigo para me dar os parabéns pelo trabalho que tenho desenvolvido em PowerPoint para as minhas aulas do básico. Já não é a primeira vez, nem será por certo a última, que recebo e-mails de colegas a darem-me uma palavra de alento e encorajamento, mas este e-mail tocou-me particularmente pelo seu conteúdo, pela sua extensão, pela seu teor que me fez percepcionar que a minha interlocutora fala a minha linguagem. Vai daí senti muitas afinidades ao ler o seu texto. A Vera ama o seu trabalho, partilha a leccionação de Cursos de Educação e Formação comigo, partilha igualmente o desejo de melhorar as suas práticas lectivas com recurso às novas tecnologias que igualmente utiliza. Gosto de falar com quem me entende e fala a mesma linguagem, sabendo, na prática, do que estamos a falar.
Respondi-lhe agradecendo as suas amáveis e generosas palavras e disponibilizando-me para qualquer ajuda que possa dar.
E é mesmo aqui que quero chegar. À importância da partilha e à progressão que todos nós faremos através desta mesma partilha que, infelizmente, ainda não faz parte do dia-a-dia de muitos, mas que terá de fazer.
E o que recebi em troca? Mais partilha. A partilha generosa de um PowerPoint para uma aula de CEF`s. Confesso que me deixou sensibilizada e a pensar que as surpresas agradáveis vêm de onde menos se espera. Neste caso de longe, e de uma colega totalmente desconhecida.
Amei, Vera.
Aqui te deixo o meu agradecimento público.
E a constatação: estamos no bom caminho!

domingo, 21 de setembro de 2008




Debate

Aqui deixo a informação, para quem quiser e puder comparecer, do debate que ocorrerá no próximo dia 27 de Setembro, sobre a construção da malfadada barragem de Fridão. E volto a frisar que não tenho qualquer filiação partidária, nem simpatias especiais por este ou aquele partido político. Muito pelo contrário.
The Sahara

Vruumm... vruumm...


sábado, 20 de setembro de 2008

A Proposta de Avaliação "Simplificada" do SPGL

Estará tudo tolo? Os sindicalistas que elaboraram esta proposta saberão do que estão a falar ao afirmarem que todo o portefólio deverá ser actualizado todas as semanas? E que todas estas actualizações deverão ser acompanhadas de reflexões? Os sindicalistas que elaboraram esta proposta terão a noção de como o trabalho nas escolas aumentou de forma exponencial nos últimos anos?
Não falo à toa. Tenho portefólio e sei exactamente o trabalho que ele me dá. Muito. E nem de longe nem de perto lhe ponho a vista em cima semanalmente.
Estará tudo tolo?
Bolas, que não acertamos uma!
Obrigada, Ramiro, pelo alerta.

"O docente deve actualizar o seu portefólio todas as semanas, incluir nele tudo o que considerar significativo no seu percurso o que não significa incluir todos os materiais e documentos produzidos. Deve acompanhar os elementos inclusos das respectivas reflexões que deverão ser pertinentes mas breves. A construção deste instrumento quer-se reflexiva e progressiva. O processo de elaboração do PRADD deve ser acompanhado e partilhado por todos os elementos de um departamento ou conselho de docentes que reunirão expressamente para o efeito (de acompanhamento/regulação) sempre que necessário e pelo menos uma vez por trimestre.

Proposta de menção:

Em final de escalão, o docente avaliado elabora proposta de menção fundamentada que inclui no PRADD e faz debate com o respectivo departamento/conselho de docentes no sentido deste elaborar o seu parecer.
O parecer do departamento/conselho de docentes acompanhará, sempre, a proposta do docente seja favorável ou não.
O parecer do departamento/conselho de docentes deve ser considerado pelo docente e pode levá-lo a alterar a sua proposta mas não é vinculativo podendo o professor assumir a sua proposta individualmente e fazê-la chegar à C.C.A.D.D. Em todo o caso, a proposta do docente é sempre acompanhada do parecer do departamento/conselho de docentes.
Cabe à C.C.A.D.D. o veredicto final, aceitando ou alterando por excesso ou defeito, de forma fundamentada, a proposta do docente."

In Proposta do Grupo de Trabalho do SPGL

Nota - Vale a pena ler o documento na íntegra.
Objectivos, Aqui Vou Eu!



Nota - Com os meus agradecimentos ao Antero, o meu caricaturista preferido.


Respeito

Exigimos respeito pelo nosso tempo de trabalho. Pelo outro também.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008


Monte - Aboboreira - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Diz que Disse, Diz que Foi

O A passou a semana a dizer-me "Vai mas é para o teu monte!" esticando-me o dedo, indicando-me o caminho como se eu precisasse de saber a direcção. E eu cheia de vontade de ir e não ouvir mais ninguém a afirmar-me de coisas contraditórias

A escola está a tornar-se pesada, impossível, reino do diz que disse e do diz que foi.
Diz que o portefólio pode ser digital. Diz que afinal o portefólio tem de estar na capinha, todo fotocopiadinho. Diz que o portefólio pode voltar a ser digital e diz que acabaram as fotocópias gratuitas para o mesmo.
Diz que temos de elaborar planificações para todas as aulas. Diz que afinal só precisamos de ter três planificações ao ano que correspondam às três aulas assistidas. Por causa das fotocópias.
Diz que temos que entregar os critérios de avaliação a todos os alunos da escola e diz que a reprografia quase colapsou e acabaram-se os critérios fotocopiados para os alunos.
Diz que temos de entregar os objectivos individuais do ano lectivo passado?! até ao final deste mês e os objectivos para este ano até meados de Dezembro. E afinal diz que não é bem assim...
E eu o que digo?
Digo que estou exausta de tanto diz que disse e diz que foi.
Bolas! Que bagunça de semana!

Razão tem o A. Vou mas é para o meu monte.

Serra da Aboboreira - Amarante - Portugal
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Serra da Aboboreira

Li com especial atenção, e confesso que com alguma desconfiança, cansada que estou de estudos sem consequências, que a serra da Aboboreira vai ser objecto de estudo e catalogação nas áreas do património cultural e natural. Se for mais um estudo para o molho dos papéis não servirá de nada. Se pelo contrário o estudo for seguido de intervenção correcta no terreno, será bem vindo.
A belíssima Aboboreira agradece.

«Baixo Tâmega: Estudo vai catalogar património cultural e natural da serra da Aboboreira

(Lusa) - A Associação de Municípios do Baixo Tâmega (AMBT) adjudicou a execução de um estudo para catalogar e cartografar o património cultural e natural da serra da Aboboreira, anunciou hoje fonte da AMBT.
A serra da Aboboreira, no extremo noroeste do distrito do Porto, estende-se pelos municípios de Amarante, Baião e Marco de Canaveses e é conhecida sobretudo por alojar um dos campos arqueológicos portugueses mais importantes, escavado e estudado desde 1978.
Os primeiros vestígios de ocupação humana conhecidos são do período neolítico (4500 anos a.C.) mas as escavações revelaram a existência de uma vasta necrópole megalítica, sendo o túmulo mais conhecido o de Chã de Parada (ou Anta da Aboboreira), monumento nacional desde 1910.
Segundo a AMBT, o estudo pretende avaliar "o interesse estratégico da criação de uma área classificada, enquanto factor de competitividade territorial".
O estudo de caracterização, que terá a duração de um ano, avaliará na primeira fase a totalidade da área dos três municípios, seleccionando uma área menor na segunda fase para a realização de estudos de pormenor."
O estudo contribuirá para uma gestão pró-activa de uma parte do território do Baixo Tâmega com grande significado patrimonial, potenciando a articulação entre projectos e iniciativas de valorização e promoção com incidência no território", preconiza a AMBT.
Para o presidente da Associação de Municípios do Baixo Tâmega, Manuel Moreira, o estudo de marketing que a associação de municípios elaborou recentemente veio revelar “que a falta de produção de conhecimento sobre o património do território" constitui "um constrangimento à organização de produtos de turismo".
O autarca do Marco de Canaveses considera importante desenvolver um programa abrangente para o território rural da Aboboreira, que conduza "à necessária valorização da sua paisagem cultural e natural".
Fonte da AMBT disse à Lusa que o estudo do património cultural da Aboboreira foi adjudicado à empresa Arqueologia e Património, enquanto a vertente natural será elaborada por equipas multidisciplinares de três instituições de ensino superior do norte do país.
Foram celebrados protocolos com a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, com o Instituto Politécnico de Viana do Castelo e com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).»
in http://www.expressofelgueiras.com/v2/noticia.asp?cod=1565

Nota - Obrigada, Helder, pela dica.


Prémio

O Raul Martins pregou-me mais uma partida e nomeou o meu bloguito para o prémio Dardos. Agradecendo-lhe a nomeação, que me deixou sensibilizada pelas palavras carinhosas que me reservou, informo que também eu vou subverter as regras do jogo e nomear apenas 6 dos 13 que deveria nomear.
Assim, o Prémio Dardos, que pretende homenagear a criatividade, a inteligência e a cultura na blogosfera, e que eu vou reservar aos sub 18 linkados no meu próprio blogue, vai para:

http://mc-omplicated.blogspot.com/, o mesmo é dizer para a minha Maria Carvalho, aluna de quem tive o prazer de ser professora do 7.º ao 9.º ano. Blogue que trata das complicações da adolescência de uma forma muito emotiva e sincera. A cada passo leio-a e relembro-me da minha própria adolescência, conturbada, complicada, como ela lhe chama..

http://ecstasyofcamoes.blogspot.com/, o mesmo é dizer para o meu Camões, aluno de quem tive o prazer de ser professora do 7.º ao 9.º ano e que vai pular de alegria. Finalmente!!!!! Blogue que trata de jogos de computadores e outras coisas que nem entendo :) e dos Metallica... ai os Metallica! Blogue muito arrumado e bonito na concepção e no grafismo.

http://bioespaco.blogspot.com/, o mesmo é dizer para o meu Ocix, Xico ou Francisco, aluno de quem tive o prazer de ser professora do 7.º ano ao 9.º ano. Blogue inteiramente dedicado ao ambiente e à vida animal que o seu dono está deveras preocupado com estes assuntos.

http://osilenciodamusica.blogspot.com/, o mesmo é dizer para o meu Maracujá e a minha DePrimeAbord, alunos de quem tive o prazer de ser professora do 7.º ao 9.º ano. Blogue com boa fotografia e superior poesia que aborda temas complexos da vida.

http://blogduestudante.blogspot.com/, o mesmo é dizer para o "meu" Nuno, aluno da ESA! :) de Anadia, que descobriu o meu blogue nem sei como e com isso fez-me descobrir o dele. Maduro, interessado, profundo, sem abandonar o humor.

http://veematias.blogspot.com/, o mesmo é dizer para a minha querida sobrinha Vera, aquela que me continua e espantar pelas explosões piroclásticas de emoções que me chegam do seu blogue, com uma escrita soberba.

Parabéns, meus queridos. Um grande Muuuuuuaaaah.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008


O Monstro - Portugal
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

O Monstro

O Monstro está no terreno, invadiu a escola, insinua-se e penetra em tudo quanto é sítio. Ninguém lhe escapa, ninguém lhe está imune. O Monstro tem nome, chama-se Avaliação de Desempenho de Professores, e já está à solta por tudo quanto é espaço escolar deste país.
Tive a percepção do Monstro que o ME estava a parir e lutei contra ele de todas as formas que pude. Escrevi e publiquei a minha indignação face a medidas atabalhoadas que se decidem à pressa e depois logo se vê. Protestei publicamente fazendo ouvir a minha voz em várias manifestações que se foram fazendo no decurso da luta. Não me furtei dela. Da luta. Incomodei-me. Voltei a incomodar-me. Assisti aos solavancos protagonizados por uma legislação trapalhona que foi saindo. Assisti ao recuo do ministério ao concordar não implementar o modelo complex durante o ano lectivo que findou. Palpita-me que a escola portuguesa teria implodido se o ministério não tivesse recuado e hoje pergunto-me se não teria sido melhor. Adiante. Assisti ao entendimento entre o ME e os Sindicatos e concordei com ele.
Posto isto, qual é a minha posição face ao Monstro?
Implementá-lo o melhor que posso e sei, procurando não fazer batota. Exigindo que não façam batota. Comprovar no terreno o que não é exequível. Criticar. Exigir alterações e simplificações ao Monstro.
O Monstro foi largado. E, à largada, quero registar o que penso, para voltar a este assunto durante e no final deste ano lectivo, fazendo um ponto da situação e um balanço das consequências desta largada.
À largada, penso que o Monstro reduziria de obesidade com uma periodicidade de avaliações que abrangessem quatro anos de actividade lectiva e classificações no final deste período. Reduziria o stress e dar-nos-ia tempo para amadurecer, reflectir, preparar, ponderar as melhores estratégias, não esquecer os alunos.
Penso que as aulas assistidas não trazem qualquer vantagem para o processo de ensino-aprendizagem, pelo contrário, são potenciadoras de tensões e conflitos entre pares, absolutamente indesejáveis no seio duma comunidade escolar. Basta ler alguns testemunhos de reitores do Estado Novo que eu, em tempo oportuno, publiquei neste blogue. Penso que as aulas assistidas deveriam ficar reservadas aos casos em que o professor sente sérias dificuldades no exercício da sua profissão, e está em risco de ter uma avaliação negativa. Estas observações deveriam ser potenciadoras de novas e melhores práticas e saberes. Com um cariz formativo, portanto, e não punitivo. Não punitivo à partida, que o sistema também tem de saber expurgar a balda. E as energias dos avaliadores deveriam ser canalizadas para estes docentes que precisam, verdadeiramente, de ajuda, e não dispersas por três aulas assistidas por ano, feitas de forma indiscriminada, a torto e a direito. Cento e sessenta professores vezes três aulas, dá a módica quantia de quase quinhentas aulas assistidas por ano, na minha escola, o que do meu ponto de vista é a loucura total em desgaste físico e psicológico de avaliadores e avaliados. O Monstro ficaria menos obeso com esta simplificação.
Penso ainda que o cálculo percentual de objectivos para o sucesso escolar dos alunos e para a taxa de abandono é um enooooooorme e completo disparate. Não estamos a ensacar chouriços ou salpicões numa linha de montagem. O sucesso e abandono dos nossos alunos está condicionado por variáveis que nós não controlamos: económicas, sociais, políticas, culturais. Que nós façamos tudo o que está ao nosso alcance para que se verifiquem taxas de sucesso de cem por cento e de abandono de zero por cento, concordo. Nada mais do que isto. De resto, o ME quando quiser acabar com as taxas de insucesso pode fazê-lo em três tempos, de uma forma mais limpa e cristalina, e honesta, e eficaz, do que esta pressão doida sobre os professores amarrando a sua própria avaliação ao sucesso dos seus alunos. O que se passa é tal e qual como se fizessem depender a avaliação dos juízes do número de réus que absolvem. Era bonito, não era? E o ministério tem uma maneira tão simples de resolver isto! Decreta a passagem administrativa. Simples, barato... só não dá milhões!
E por aqui me fico, que já disse exactamente o que queria dizer, aqui e agora.

terça-feira, 16 de setembro de 2008


Sob Protesto - ESA - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Sob Protesto

É sob protesto que fotocopio centenas de documentos para o meu portefólio. Tenho-o digital, e protesto por me obrigarem a regredir para uma época onde eu não quero estar, da fotocopiazinha e do gasto desmesurado de papel. Pois se o meu portefólio está à distância de um clique, disponível de qualquer sítio, da escola, da praia, de casa, do café, a qualquer hora e a qualquer momento, por que carga de água tenho eu de o fotocopiar para colocar ao pó na sala de departamento? Já só penso nas árvores e no ambiente que levarão um rude golpe durante este ano lectivo. Centenas de fotocópias vezes 140 000 professores!!! Tirem-me deste filme!
E mais.
Como já iniciei o meu portefólio em Fevereiro deste ano sei do que falo por experiência própria e é nesta qualidade que eu gosto de falar. E é nesta qualidade que afirmo: um portefólio não é um amontoado de papéis! Um portefólio exige reflexão e muito tempo para a sua construção. Não é coisa para se fazer assim do pé para a mão, com esta pressa toda, porque tem de ser avaliado.
Porra! Que stress!

Ao Rubro - ESA - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Ao Rubro

A minha escola já está ao rubro e ainda agora começamos. É grupos de trabalho para aqui e grupos de trabalho para ali. É grelhas e grelhados por tudo quanto é lado. É dossiers, capas e capinhas até onde a vista alcança. A reprografia não consegue dar resposta a tanta solicitação de fotocópia e as próprias máquinas, acusando este desgaste, entraram já em stress e a cada passo recusam-se a fazer o serviço. Na sala de professores há dois computadores, permanentemente ocupados, que nós somos cerca de 160. As conversas giram invariavelmente em torno de fotocópias para o dossier de Direcção de Turma, de fotocópias para o Portefólio que todo o professor deve construir, das planificações, ai as planificações!, de marcação de reuniões disto e daquilo, de burocracias a torto e a direito. Não se fala de alunos, de estratégias para os cativar dentro duma sala de aula e eu fico a pensar que se a escola anterior, um pouco adormecida pelas rotinas, não correspondia à minha aspiração de escola, esta também não corresponde à escola que sonhei. Extraordinariamente burocrática, onde tudo tem de estar no papel, planificado, relatado, devidamente avaliado, e onde os professores se sentem presos em autênticas camisas de força.
A ver vamos por quanto tempo nos conseguiremos rir.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008




Prémio Blogue Brilhante

Mandam as regras do prémio Blogue Brilhante que nomeie outros sete blogues que considere interessantes. Não sou mais consumidora de blogues por manifesta falta de tempo, e os que frequento diariamente, poucos, estão linkados na barra da direita do meu blogue. Sem mais demoras passo o prémio de Blogue Brilhante a:

"Quem puxo esse papel na porta?" que é o mesmo que dizer ao Rui, que é o responsável pelas minhas leituras em galego, língua do meu bisavô materno, pelas gargalhadas que me faz dar, pelas interrogações que me coloca, pela qualidade da sua escrita, pelos temas que aborda que reflectem a vida. Gosto disto.

"Piruetas de avó", da Carmo, que anda ultimamente muito preguiçosa, e me tem privado do prazer de ler a sua escrita correcta, optimista e entusiasmada. Adoro ela!

"A vida é uma magnólia", blogue feito a seis mãos, das quais só conheço duas, enérgicas, decididas, lutadoras. Pelo que me é dado ler, as outras quatro têm igualmente estas características e, em conjunto, produzem um blogue elegante e de qualidade, pela beleza das imagens seleccionadas, e pela qualidade dos textos. Confesso que sou grande apreciadora da poesia da Passi e até já lhe pedi um ou outro poema para elevar o meu blogue.

"ClapClapClap! ClapClapClap! ClapClapClap! ClapClapClap!" do meu queridíssimo colega António Abreu, que tem uma criatividade imensa, e partilha alguma neste seu blogue divertido e inteligente, onde eu e outras "caímos como abelhas no mel", porque é uma lufada de ar fresco no cinzentismo amarantino, nacional e mundial.

"Por um Mundo Melhor" do desconhecido próximo Raul Martins, pelas interrogações que levanta, pelos temas que aborda, pela sua preocupação com os outros, pelo optimismo que transborda no sorriso que eu conheço e ele escondeu. :)

"Vera Matias" da própria Vera Matias, minha querida sobrinha, pelo assombro com que leio a sua escrita explosiva de emoção. Sempre que a leio, espanto-me com a qualidade superior da sua prosa, quantas vezes poética e pelo manejamento que faz das palavras para melhor exprimir sentimentos e emoções.

"Maracujá e DePrimeAbord" de dois alunos meus, ok, ex-alunos meus, que se lançam hoje mesmo em mais altos voos iniciando o décimo ano. É um blogue de poesia superior que aborda temas profundos e complexos sem receios ou medos. Continuo à espera de receber no meu msn "Professora, tenho outro para si..."

"ProfAvaliação", de Ramiro Marques, pela abordagem que faz de toda a mudança que ocorreu no ensino em Portugal e que nos colocou a todos à beira de um ataque de nervos. Veremos o que a mudança produzirá este ano. Nem sempre estou de acordo com as opiniões do autor, mas essa é mais uma razão para a minha preferência.

Aos outros, que frequento, peço desculpa pela não nomeação... mas é como se estivessem todos nomeados, já que as minhas visitas são diárias e prazenteiras.

Um gosto ler-vos.

domingo, 14 de setembro de 2008



Para Rir

A fotografia é minha. Mas garanto que não fui eu a autora da brincadeira que me chegou via e-mail, de autor desconhecido.

Como já me fartei de rir, que a brincadeira resultou engraçada e não ofensiva, partilho-a com os meus leitores.

Sonhadores - Essaouira - Marrocos

Sonhadores de um Freud agastado ou o Triângulo dos três P

Com os meus agradecimentos à minha amiga Rosinha, companheira de profissão e de estrada, de angústias e alegrias, de fracassos e vitórias, de dúvidas e certezas, que me enviou este belíssimo texto sobre a nobre arte de Ser Professor.

“Para se ser professor em Portugal, das três uma: ou se é “puro”, ou se é “poeta”, ou se é “pendura”.
Dos últimos não rezará a História. Vendedores de aulas em saldo, mercantilistas da ignorância, não arriscam o sono, nem o investimento pessoal. Seguem os manuais que nunca leram e saltam as matérias que não entendem. Agentes reprodutores das faltas de castigo, atingem performances imbatíveis na média diária de alunos que expulsam das aulas.
Directivos e intolerantes, defensores acérrimos das parcas teorias académicas recentemente adquiridas, desprezam com arrogância"o saber de experiências feito".
Militantes da autoridade e do autoritarismo, escondem fisgas na algibeira, sempre prontos a atirar pedras, derrubando tordos que se atreveram a cantar como rouxinóis.
Destes não rezará a História. Não são “puros” nem “poetas” e muito menos professores.
Dos “puros”, talvez já reze a História…
Cordas vocais desgastadas pelo tempo, cumpridores e dedicados, carregam aos ombros a responsabilidade eterna de ensinar. Meticulosos com o programa, solidários com a obrigação, sabem a matéria de cor e recusam-se a acrescentar uma vírgula. Reconfortada a consciência nos parâmetros do dever, não reivindicam, não reclamam, não se insinuam. São professores, sempre o foram, sempre ensinaram, antes com sucesso, agora com insucesso.
Nem mesmo assim se questionam. Para quê? A reforma já não tarda e a casa fica tão perto…
Estes, pelo menos, mereciam uma estátua, ou um monumento “ao Professor Desconhecido”. Valem tanto como o soldado, só que as batalhas são de outra guerra.
Dos “poetas”, desses sim, rezará a História.
São tão ingénuos como os outros, tão mal pagos como os outros, tão assíduos como os outros, mas tão loucos como os outros não são. É essa a sua principal virtude. Vingam-se da própria condição e do próprio estatuto, transformando o acto de ensinar num sabor de gelado no Verão ou de chocolate quente no Inverno. Apaixonam-se logo pelas coisas, emocionam-se com as pessoas, reivindicam dos poderes divinos, para, logo a seguir, esquecerem as guerras, porque se tornam incómodas.
A aula é um gosto por si só, com matéria estabelecida ou sem ela, e ser professor é uma interacção de linguagens. Vibram com o entusiasmo e provocam-no. São líderes nas viagens que proporcionam através do imaginário…
Saltam janelas e grades, mergulham na vida e a aula ilumina-se e transfigura-se. Não há pausas nem compassos, porque todos os minutos têm o mesmo sentido de cumplicidade e de risco, o mesmo prazer de estar: em ironia, em tristeza, em transparência, em descoberta, em alegria, em aventura. E durante todos os momentos se processa o ensino/aprendizagem, na sua maior dimensão. Estes são os verdadeiros professores, aqueles que os alunos não esquecem e que conquistam quase sempre um lugar nas páginas dos seus diários. Extravasam a escola e permanecem na memória, porque têm a coragem de incentivar o acto de viver.”

In Balancho, Maria José,”Motivar os alunos”

sábado, 13 de setembro de 2008

Gotan Project em Portugal




Recebi esta informação via minha mui querida sobrinha Mina, que já teve direito a post neste blogue, algures lá muito atrás no tempo.
Fã de música, assídua nos concertos é normalmente por ela que sei das novidades a tempo de comprar bilhetes. Foi assim com o saudoso e extraordinário concerto do meu assobiador preferido, Andrew Bird. Estava em Marrocos quando soube do seu concerto no Teatro Circo, em Braga. Não falhei. E não me esqueci que com ele passei a Anabella! Acho que a versão mais chique de mim.
Não falharei este também. Espero. E a ver vamos o que me espera.
Deliro com o som dos Gotan Project e vai daí oferecerei uma prenda de Natal a mim mesma e aos meus, perfeitamente consumista, mas de um consumismo cultural que é aquele que eu mais aprecio.
E aqui deixo transcrita a informação que me chegou via Mina, uma das três manas Silveirinhas.

"Já viste isto?
É melhor ires ver!
Gotan Project despedem-se de Portugal.
Última tournée mundial passa por Lisboa a 20 de Dezembro. Os Gotan Project, uma das mais populares bandas em Portugal nos últimos anos, actuam no Campo Pequeno, em Lisboa, a 20 de Dezembro. Esta será a última digressão mundial da banda de La Revancha del Tango, passando por França, Inglaterra, Holanda, Espanha e Portugal, garante o comunicado de imprensa. Os bilhetes, à venda nos locais habituais, custam entre 27,50 euros e 32,50 euros."

sexta-feira, 12 de setembro de 2008







ESA - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Dia do Diploma II

Foi cumprido. Com elegância. Confesso que me pareceu excessiva a passadeira vermelha. Mas pode ser embirrância minha que as acho parolas e pirosas e que não encontro melhor do que pisar um pavimento nu.
De resto foram os discursos de circunstância do costume. Toda a gente a enganar-se. A gaffe da tarde a ir direitinha para o nosso Presidente da Câmara que chamou, à ministra da Educação, ministra da Saúde, engano que levou à risota geral. Aliás tenho que fazer uma correcção. Os dois alunos que falaram, Raquel e Simão, respectivamente a melhor aluna do 12º ano e o melhor aluno dos cursos tecnológicos, que foram meus um dia, não se deixaram intimidar pela solenidade do acto e protagonizaram os melhores discursos da tarde. Sem enganos. Curtos e incisivos.
Apesar da politização do acto, inevitável, gostei da cerimónia que ficará para todo o sempre gravada na memória de cada um que, perante os seus pares, professores, pais e individualidades presentes, subiu ao palco, e recebeu publicamente o seu prémio de mérito pelo esforço desenvolvido. Gosto que se faça este reconhecimento. E sim, fazia-se também no tempo da outra senhora, mas está na altura de nos descomplexizarmos relativamente a esse tempo e caminharmos em frente, recuperando e incorporando o que for benéfico para o nosso presente e para o nosso futuro.
Sei que a minha posição vai contra outras existentes neste país. Mas penso "Não foi isto que eu fiz ao educar a minha filha? Premiar quando estava bem, chamar à atenção quando estava mal? Ou até castigar? Foi. E não me arrependo. Porque a vida não pode ser uma balda e lá fora nada se conquista sem esforço. Nada nos é dado. É nossa obrigação, enquanto educadores dar-lhes os sinais certos na hora certa. E do meu ponto de vista assim foi feito. Foi o dia deles. E eu estive lá. Integralmente de preto marcando bem a minha posição porque jamais esquecerei o ano de caos e desalento que findou. E a ver vamos como será este, que não augura nada de bom, atulhados que estamos já em papéis..
Deixo uma palavra para os grandes ausentes da tarde, os professores.
Estaria igualmente ausente se outros valores mais altos se não tivessem atravessado no meu caminho.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008




Prémio

Fui apanhada de surpresa. A Fátima André, do blogue Revisitar a Educação, deixou um comentário na minha última postagem em que me pedia para ir ver o sorriso que me tinha deixado na sua sala de aula. Para me animar neste início de ano lectivo, disse ela.
Sorri com a ideia do sorriso à minha espera. Mas não é que à entrada da sua sala, onde entro sem bater, tenho um prémio dedicado a esta casa que é minha?!
Confesso a minha surpresa total. Até porque, apesar de pressentir a presença da Fátima neste blogue, a verdade é que ela pouco rasto deixa por aqui, mantendo uma postura discreta que nem sei. Foi por isso com total surpresa que recebi o prémio das suas mãos, dentro da sua sala de aula. A distinção é a de Blogue Brilhante e agora cabe-me passar este prémio a outros sete blogues por mim considerados especiais.
Ficarei a pensar neste assunto de sorriso rasgado na face.
Obrigada pela consideração, Fátima.
11 de Setembro

Porque hoje é 11 de Setembro e mal ficaria se aqui não fosse assinalado, transcrevo uma frase de Mahatma Ghandi que "roubei" de casa do Raul. E coloco-a a verde. Porque o verde é a cor associada à esperança.


Não há um caminho para a paz.
A paz é o caminho.



Dia do Diploma

O Dia do Diploma é já amanhã o que quer dizer que dia 12 será dia de cerimónias, mais ou menos elaboradas, mais ou menos interessantes, em todas as escolas deste país à beira mar plantado.
Instituído pelo Ministério da Educação, veio a reboque de práticas já enraizadas em muitas escolas portuguesas e este foi apenas mais um exemplo de como o ME, apesar da ligeireza legislativa de que tem dado provas nos últimos anos, é um organismo obeso que muitas vezes vai simplesmente atrás daquilo que se passa no terreno.
Na minha escola, tal como previsto, a cerimónia contará com a presença da ministra da Educação, ela própria, ao vivo e a cores.
E há folha de inscrição para os professores que queiram assistir à cerimónia onde, desde ontem, consta o meu nome assinado por moi même. Cada professor é um caso, porque pessoa, porque cabeça pensante, e tomará as decisões que entender face a este problema. Porque não tenhamos ilusões. A vinda da ministra à minha escola não será motivo, para a maioria dos professores da ESA, de júbilo e satisfação, como seria natural se as circunstâncias fossem outras. Presumo que a lista ficará muito, mas muito aquém do número total de professores. Presumo que a maioria não se dará ao incómodo da visão desagradável. Eu própria não me daria se... e o se são os meus alunos, que pesam na minha balança bem mais do que uma ministra que será substituída um destes dias, mais cedo ou mais tarde, por alguém melhor ou pior, que em política corremos sempre sérios riscos de ter o que parecia impossível.
E colocaram-se-me as questões de "Como não estar presente no dia em que os meus melhores alunos de 9º ano recebem o prémio daquilo que são? Como ignorar isto? Como me colocar nesta posição ingrata de ter os meus alunos no msn a perguntarem-me "Professora porque não esteve presente?" sem ter uma desculpa mesmo mesmo válida de impossibilidade?
Quero ver o meu Ricardo, o meu Pi, o meu Zé Diogo, o meu Zé Pedro, o meu Mário, na sua hora de recompensa pelo esforço, pelo trabalho desenvolvido durante três anos consecutivos. Eu, que me farto de os chamar à atenção para a necessidade de elevarmos os níveis de exigência e de esforço voltaria agora as costas ao problema? Não faz parte da minha natureza. Sou escorpião, não faz parte da minha natureza voltar as costas ao que me incomoda.
Assim sendo a minha decisão está absolutamente tomada. Irei. Vestida de preto integral, em protesto contra uma política que colocou os professores portugueses à beira de um ataque de nervos. E não é à beira de um ataque de nervos que nós conseguimos dar o melhor de nós próprios. Este é um princípio elementar.
Mas, mesmo assim, irei.
Sentindo incómodo, mas também muita felicidade por estes alunos que jamais serão meus outra vez e que partem agora para voos muito, mas mesmo muito, mais elevados.
Aqui lhes deixo os meus mais sinceros parabéns. O dia é deles.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008


ESA - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Recepção aos Alunos

Hoje foi um dia especial na minha escola. Dia de recepção aos alunos de 7º e 8º e aos alunos dos CEF`s é, sem dúvida, um dia muito especial. Se alguns alunos já conhecem a escola do ano passado, outros mal lhe puseram ainda a vista em cima, e é preciso dar alguns esclarecimentos prévios, a cargo do Director da ESA, sobre comportamento, disciplina, regime de faltas, exigência e rigor que cada um de nós, seja professor, funcionário, elemento da direcção, espera deles.
Posteriormente, os alunos deslocaram-se para as salas, que serão deles ao longo de todo o próximo ano lectivo, para conhecerem um ou outro professor da turma, e para conhecerem, especialmente, os seus directores de turma.
Sou directora de turma. De um CEF. Aliás de sete turmas que me foram atribuídas duas são de 7.º ano e cinco, sim cinco!, há quem chore só com uma!, são turmas de CEF`s. Vá lá que os meus empregados de mesa me pareceram gente pacata. A ver vamos se não terei umas revelações ao longo do ano. E a ver vamos como me aguentarei, com esta dose cavalar de CEF`s a juntar a mais um ano que se avizinha problemático, e mais trabalhoso ainda que o costume, porque mais burocrático.
Atendendo ao meu horário, fico a pensar que ao mesmo tempo que me testam os limites eu aproveito e faço o mesmo. :)
Um pouco desgastada pelo trabalho com três turmas de CEF`s durante os dois últimos anos, já para nem falar dos CEF`s dos anos anteriores, gostaria idealmente de ter todos os sétimos anos da escola, mais umas Áreas de Projecto ou Estudo Acompanhado para completar o horário e descansar um anito destes alunos, por vezes muito problemáticos, que os colegas mais velhos quase nunca querem. Muito embora não sendo muito nova em idade, a verdade é que sou a penúltima do meu grupo em termos etários, o que quer dizer que quando chega a minha vez de "escolher" já não escolho grande coisa. Mas tudo bem. São as regras do meu jogo e com elas jogo. E, mesmo assim, tenho umas surpresas. Contava com quatro Cef`s e uma Área de Projecto, segundo o acordado em reunião. Saíram-me cinco CEF`s e uma direcção de turma. Mas tudo bem. Aproveito e testo os meus limites de resistência.
Aproveito e escapo-me para o deserto! Somente para poder resistir.

terça-feira, 9 de setembro de 2008


WC - Amarante - Portugal
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

WC e Limpeza

Confesso que valorizo o WC exactamente da mesma forma que valorizo uma cozinha, um quarto, um pátio interior, uma sala de estar, um anfiteatro. E confesso igualmente que qualquer tipo de desvalorização, depreciativa, relativamente a este equipamento, quer na sua concepção, quer na sua manutenção e limpeza, não faz, para mim, qualquer espécie de sentido.
Assim sendo, mantenho-me extraordinariamente atenta a este tipo de equipamento que frequento com assiduidade. Privados ou públicos, os WC`s lá estão à minha espera, sujeitos ao meu olhar perscrutador e quantas vezes reprovador.
O WC é mesmo tão importante para mim que até já aqui confessei, em postagens anteriores, a falta que me fazem uns quantos nas minhas andanças pelo deserto e também já confessei que não há como lhes sentir a falta na pele, durante uns quantos dias seguidos, de improviso, para dar o devido valor a um bom WC.
Aqui, ali e acolá já experimentei de tudo. Já falei nos imundos e deprimentes, em que entrei nos anos noventa, em Marrocos. E também em postagem anterior já falei da grande evolução em termos de melhoramento de instalações e limpeza dos ditos, verificada nos últimos anos. De facto, a evolução foi impressionante e deixa-me agradavelmente expectante relativamente ao futuro. Ao futuro deles.
Quanto ao nosso futuro, e relativamente a este assunto, acho que temos obrigação de fazer bem melhor do que aquilo que fotografei há bem pouco tempo, aqui mesmo em Amarante, num equipamento cultural público da nossa praça. A concepção do espaço, pelo arquitecto de renome que o projectou, até resultou catita. Catita o espaço, catitas os materiais e o WC até está "clean" e minimalista, mesmo como eu gosto. O pior é que o seu uso, manutenção e limpeza, é tudo menos "clean". E lá está, a bota não tem nada a ver com a perdigota!
Continuo a sentir-me envergonhada sempre que entro num espaço público destes, que desejo e espero encontrar como a sala de estar de minha casa, e encontro numa imundice deprimente.
Porque é de imundice que se trata. Imundice deprimente em país "dito" civilizado.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008



Formação Contínua

Continuo a fazer formação contínua seguindo a lógica do que me parece relevante para a minha actividade profissional.
Vai daí inscrevi-me na acção de formação, que desde hoje frequento, intitulada "Planificação de Experiências de Aprendizagem para o Desenvolvimento de Competências em História", ministrada pela formadora Marília Gago, da Associação de Professores de História.
A acção, a decorrer no Colégio de S. Gonçalo, veio mesmo a calhar em termos da gestão do meu tempo. Hoje e amanhã duas sessões presenciais de dia inteiro, mais sessões autónomas para trabalho com os meus alunos que terão de perfazer mais 25 horas, e para finalizar duas sessões presenciais em dois sábados de maratonas, igualmente de dias inteiros. Total de 50 horas com possibilidade de obter dois créditos em formação específica na minha área. A acção não me colide com aulas, o que é bom, e não é no fim de extenuantes dias de trabalho lectivo, o que é óptimo. E é já de rajada, em período de muito trabalho, sim, de preparação do ano lectivo, mas ainda não de esgotamento como talvez se venha a verificar este ano lectivo, envolvidos que seremos em tralha associada à avaliação de desempenho.
A modalidade da acção é a modalidade oficina, o que quer dizer que nós, formandos, não somos meros agentes passivos, tal e qual como os nossos alunos dentro da sala de aula não devem ser.
Hoje foi a primeira sessão. Excelente.
Fiquei a pensar na formação a que já assisti ao longo da minha vida profissional e a fazer um balanço mental.
Formação ministrada por pessoal da DREN, uma vergonha.
Formação ministrada por pessoal dos Centros de Formação, da vergonha à excelência.
Formação ministrada por pessoal de várias editoras, nomeadamente da ASA e da Porto Editora, e da Associação de Professores de História, excelentes na sua esmagadora maioria.
E fico a pensar o que seria de nós, professores, entregues à "bicharada" duma DREN!
Safa! Livra!

domingo, 7 de setembro de 2008




Caminhos - Barca - Aboboreira - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Rapariga com Sorte

Sem dúvida que sou uma rapariga com sorte.
Atrapalhada que andava com falta de pedra para os meus caminhos, o que é que me aconteceu?
Encontrei "somente" aquilo a que chamo uma "mina de pedras". Pois alguém que não eu andou a juntar pedras soltas num canto do agora meu terreno agrícola e o sítio perdeu-se no tempo, com terra e folhagens a taparem a "mina". A "mina" é de uma fertilidade a toda a prova e basta-me cavar um pouco, assim como quem tira batatas, e lá vêm elas, as pedras, aos molhos, de tamanhos diversos, mesmo como eu necessito, para os meus caminhos da Barca.
Ontem fiz a descoberta, intrigada com aquele desnível num dos cantos do meu campo. E ontem e hoje foram dias de grande avanço no calcetamento das pedras que compõem os meus caminhos doces/rudes da Barca. A "mina", tem-se revelado dum caudal impressionante e já de lá colhi carretas e carretas de pedras que depois, pacientemente, coloco no seu leito ondulante, monte acima, monte abaixo.
Trabalho de quase três décadas, para continuar pelo menos por outras três. Kakakakaka...
É por isso que sou uma rapariga com sorte.
Diria até que sou duplamente sortuda.
O trabalho não se me acaba. Os projectos também não.

sábado, 6 de setembro de 2008







Jardins - Aqui e Ali - França
Fotografias de Anabela e Artur Matias de Magalhães

França - Inveja

A inveja, um dos sete pecados mortais segundo a religião católica, é um sentimento que eu experimento de quando em vez. Safa-me o facto de não ser católica e de, por isso, a experimentar sem arrependimentos nem constrangimentos. A inveja que eu sinto também é uma inveja que posso englobar na categoria de inveja salutar. Vejamos.
Pois deu-me para invejar a agricultura francesa. Depois de percorridas tantas regiões de França, a fugir a sete pés de vias rápidas, auto-estradas e grandes centros urbanos, só me resta tirar o chapéu aos franceses. Se me fosse pedida uma palavra para classificar este país, a palavra que eu escolheria seria jardim. Com efeito a França é um jardim onde dá gosto caminhar, que dá gosto percorrer, inteiramente cultivado, com campos enormescos de girassóis, vinhas a perder de vista, alcachofras em vários estádios de desenvolvimento, campos e campos de cereais diversos, prados onde pastam rebanhos e manadas, campos extensos de couves, entrecortados, aqui e ali, por pequenas zonas de floresta.
É uma organização do espaço rural que já pouco tem a ver com a nossa organização, excepto nalgumas poucas regiões, uma vez que o que o característico do nosso campo, aqui no nosso interior, é mesmo o abandono, a tristeza, a desolação dos silvados e giestais que crescem sem controlo absolutamente nenhum.
Deliciei-me nestas férias a olhar o campo. A absorver uma paleta de cores diversa e atractiva, numa França com um relevo pouco acidentado.
A juntar a tudo isto as hortas, muitas a confundirem-se e a misturarem-se, literalmente, com os jardins. Fila de dálias, fila de tomates, fila de roseiras, fila de favas, fila de malmequeres, fila de alface, fila de rosmaninho..., intercalando horta e jardim numa mistura atractiva e saborosa. Sábios franceses que, das classes mais baixas às mais altas, andam ao ar livre a gozar a natureza, a tratar da horta, do jardim. Vi-os eu, por todo o lado, cuidando dos seus jardins.
E senti inveja do jardim deles.
 
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