
Christine em Acção - Aquacool - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães
Nem Sempre o Que Parece É, Nem Sempre o Que É Parece
Hoje vou tratar um estereótipo/preconceito que me incomoda solenemente e que ataca sobretudo gente tacanha.
Não é a primeira vez que trato este tema, sob múltiplas formas, seja sob a forma de um riad numa viela decadente, seja sob a forma de uns lábios marcados no pescoço do A., que por acaso são meus.
Hoje abordo um preconceito com que me deparo amiúde, colado à pele de inúmeras pessoas, por aqui pela província, desconhecendo eu se nas grandes cidades isto também se cola à pele desta gente triste.
O preconceito é - Tudo o que tem bom aspecto, seja em comércio ou serviços, é muito caro e inacessível, e o melhor é a gente nem entrar para ver se assim é ou não!
Pois nada mais falso. As generalizações continuam a ser estúpidas porque se é certo que por vezes assim é, a verdade é que é igualmente certo que por vezes assim não é. De todo.
Sei do que falo e falo do que sei, porque já tive de lidar de perto com este preconceito no meu dia a dia, enquanto possuidora da Duplo M, uma loja aberta ao público aqui em Amarante que, enquanto esteve aberta, teve que sobreviver a este passa palavra do "Lá é tudo caríssimo!" sem que a maioria das pessoas que assim passava a palavra soubesse o que estava a dizer.
E era?
Era, nalguns casos era, porque tive o atrevimento de trazer para Amarante marcas estrangeiras que tanto se vendiam aqui como em Nova Iorque, Paris ou Milão, e que são autênticas referências do Design a nível internacional, e nas quais eu não tinha qualquer interferência no preço de venda a público, sendo que os preços, por isso, eram os mesmos em Amarante, Nova Iorque ou Milão, com a agravante dos portugueses ganharem incomparavelmente menos que os nossos congéneres estrangeiros.
Mas só tinha estas marcas?
Não, nem pensar. Exactamente por ter a noção que nem todas as bolsas podiam aspirar a tais objectos, a tais peças de mobiliário, passei muitos dos meus fins-de-semana enfiada em feiras seleccionando, aqui e ali, objectos, mobiliário e artigos diversos, lindos de morrer, com óptimo aspecto e ainda melhor preço. Confesso que foi uma preocupação constante enquanto tive a Duplo M aberta.
E agora pergunto eu... e a esmagadora maioria da gente tacanha usufruiu desta minha preocupação?
Que nada! A maioria jamais colocou sequer um pé dentro da loja, pelo menos para poder ver como era, para depois poder contar como foi.
Vem isto a propósito duma conversa que a minha Fadinha do Lar teve comigo um dia destes.
Pois parece que a minha empregada doméstica se encontrou com uma amiga. E veio à baila o Aquacool. Pelos vistos o marido dessa senhora disse-lhe que lhe oferecia uma massagem e ela estava muito enrascada, não só pelo aspecto das instalações, muito chiques, dizia ela, mas porque, obviamente, de tão chiques tão chiques só podiam implicar a prática de preços proibitivos.
Respondeu-lhe a minha fadinha do lar que já tinha ido experimentar a cabeleireira, que as instalações eram muito sóbrias, bonitas e confortáveis, que a cabeleireira era competente e simpática e que, surpresa das surpresas, tinha pago menos do que na sua cabeleireira de sempre.
E qual foi o resultado desta conjugação feliz de instalações óptimas, pessoal competente e preços agradáveis?
Pois a minha Fadinha do Lar, uma pessoa chiquérrima que nem sei, mudou de cabeleireira.
De notar que não a condicionei nesta opção. Não é a minha forma de estar na vida. Apenas lhe disse o que digo a toda a gente, válido para o Aquacool ou para outro sítio qualquer, desde que não haja bilhete cobrado à entrada -"Vá lá e experimente. Consulte os preços que estão disponíveis no balcão. Se lhe agradar o serviço e quiser voltar, volte. Se não lhe agradar, e não gostar, corte a direito."
É assim que eu funciono. E não me parece que funcione mal.
É assim que a minha Fadinha do Lar funciona e também não me parece que funcione mal.
Mas, é claro, a minha Fadinha do Lar é tudo menos uma pessoa tacanha.