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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Exaustão de Final de Ano


Convívio - EB 2/3 de Amarante - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Exaustão de Final de Ano

Ele há dias assim. A exaustão de final de ano deu-me ontem e bateu-me forte e ontem pela noitinha senti-me pior que o chapéu de um pobre, de cérebro completamente fundido, fundido, liquefeito mesmo.
Ora quando assim é, nada como uma boa noite de sono reparador e regenerador e vai daí hoje levantei-me pronta para a luta, pronta para atacar os malfadados papéis, papeletes e papelões da minha direcção de turma e derretê-los a eles em vez de os deixar à rédea solta a derreterem-me o cérebro.
A reunião de avaliação foi hoje e tudo está agora sob controlo restando-me amanhã esfolar apenas uns rabitos de palha, coisa pouca, para depois atacar outros assuntos, outros relatórios, outras grelhas e grelhados, que o trabalho parece nascer nas escolas como ervas daninhas em campo estrumado e regado.
Hoje tivemos direito a pequeno lanche, coisa pouca, só para adoçarmos os dias que se escoam complicados que nós também somos gente e como gente gostamos de ser tratados.
Só um desabafo final - Ai a - era aqui que ficava bem uma asneira mas eu não gosto delas, carago! e por  isso retomo - Ai a Avaliação do Desempenho Doente!!!! Raios a parta que tantos estragos faz pelo caminho!

sábado, 2 de julho de 2011

Os Moinas



La Petite Porte Blue - Chefchaouen - Montanhas do Rif - Marrocos
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Os Moinas

Hoje volto aos moinas, tema recorrente neste blogue, apenas porque ao longo destes anos, que já são muitos de vida, os tenho observado aqui e ali e tenho ficado deveras impressionada com eles. Mal impressionada, está bom de ver.
Moina é a varredora da rua que faz que varre o espaço público, que também é dela, e deixa metade do lixo para trás. Moina é a funcionária a quem compete limpar determinado equipamento e queima o seu tempo olhando para ontem, encostada às paredes ou às grades. Moina é também o médico que se arrasta na urgência, passeando daqui para ali e dali para aqui, com muitas conversas de fait divers pelo meio, enquanto se vai encostando pelas paredes sabendo que há longas filas de pessoas, mais ou menos doentes, por atender. Moina é o deputado que dorme a bom dormir rompendo as cadeiras da Assembleia da República enquanto aguarda, serenamente e sem preocupação, que os dividendos lhe caiam do céu, pagos pelo Zé Pagode dos Mouros, dos Negros, ou até dos Galegos. Moina é, assim, a pessoa que vive pendurada no/do trabalho de tantos, fazendo o mínimo possível, e não merecendo, minimamente, o salário que ao fim do mês arrecada e que sai do bolso de todos nós.

Posto isto, considero a ADD doente que chegue, considero até que não precisaria de mais peçonha para além da peçonha destilada pelo ME.
Mas eis que chegamos a este ponto em que agora estamos, com a ADD a entrar na sua recta final e os sorrisos amarelos a surgirem aqui e ali, estampados no rosto, procurando disfarçar o incómodo. Sim, é verdade, todos teremos de preencher o malfadado documento de autoavaliação, sim, não há volta a dar, de facto as aulas assistidas são o menor dos males para quem tem o trabalho minimamente organizado e agora temos mesmo que reflectir sobre todo o trabalho desenvolvido durante dois longos e difíceis anos.
Tal como ontem, anteontem e antes de anteontem, porque toda a santa vida foi assim, há professores, em todas as escolas deste país, que vestem as camisolas com brio e dão o litro e tornam a dá-lo se necessário for... que seria das Escolas sem eles? E são muitos, os que mantêm a Escola Pública viva e com alguma saúde, procurando manter alguma normalidade para além da anormalidade muitas vezes imposta pelo poder central e pelos seus tentáculos. Toda a gente os conhece e sabe quem são, os Mouros, os Negros, os Galegos, e eu poderia enumerar tantos da minha escola... mas não o faço porque não quero correr o risco de me esquecer de algum, o que seria, no mínimo, imperdoável.
Depois há uma minoria, felizmente muito minoritária, que não quer saber de nada. Aliás, que não quer saber de nada de nada. A estes chamo-lhes os moinas, lá está!... e tal como os que constituem o grupo anterior também toda a gente sabe quem eles são e toda a gente os conhece.... e não, também não os vou enumerar aqui porque, apesar de poucos e em extinção, eu poderia esquecer-me de algum e isso podia ser do catano! Podia até dar motivo, quiçá, para zangas... e eu não estou para isso...
Que cada um fique, pois, com a sua consciência. Isto partindo do pressuposto de que todos a têm...
Posto isto, vamos à palhaçada?

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Relatório de Auto-Avaliação Docente

Relatório de Auto-Avaliação Docente

O mail que transcrevo chegou-me via MUP com pedido de divulgação do relatório de Auto-Avaliação Docente preenchido.
Aqui fica o link. Com uma constatação - a Avaliação do Desempenho Doente está mais doente que nunca.

RELATÓRIO DE AUTO-AVALIAÇÃO DOCENTE

Devido aos inúmeros pedidos aqui chegados, apresenta-se uma ficha de auto-avaliação preenchida.

Não nos responsabilizamos pela sua validade e conteúdo (que não é da nossa responsabilidade), na medida em que há escolas que têm modelos próprios, ainda que baseados na legislação em vigor.

Fica, no entanto, um pequeno contributo para aqueles que dele necessitarem, bastando copiar do blogue, adaptar ou completar.
A REENVIAR AOS(ÀS) AFLITOS(AS)!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A Profeneta



Pokemons inteiramente surripiados  ao Luís Costa do Blogue DaNação

A Profeneta
O Post que se segue foi inteiramente surripiado ao Luís Costa do blogue DaNação. Entrei lá a modos que normal e, confesso, saí de lá literamente a rebolar a rir com a colecção de cromos dos Pokemons, agora transformados em cromos das evidências que todos nós teremos de evidenciar caso esta malfadada Avaliação de Desempenho Doente se mantenha. Eu também prometo coleccionar umas quantas de se lhe tirar o chapéu pois daqui até Agosto não me faltará imaginação e ainda vou bem a tempo para me fazer rebolar a rir a mim própria com evidências mais do que evidentes que quase todos desconhecem lá pela escolinha até porque eu sou difícil de acompanhar dada a minha hiperactividade. A não ser que... que... que Nuno Crato acabe com a palhaçada a tempo da palhaçada se não cumprir.
Obrigada, Luís, pelo teu texto de puro humor negro... eheheh...   
!
"É evidente que já todos os meus leitores perceberam que tenho as evidências no ponto de mira. Evidentemente! Abriu a época de caça a estas coisas e há que aproveitar. Continuemos, pois, a queimar cartuchos nestas boas peças de pedagogia ilustrada.
Outro espécime que merece toda a consideração docente ― até porque é invenção do Professor Pardal ― é o Certificado de Participação. Nidifica e reproduz-se facilmente em qualquer habitat. E a sua diversidade é qualquer coisa assombrosa! Não é possível sentarmo-nos numa cadeira a ouvir um orador qualquer, nem sequer meter a cabeça para ver o que se está a passar numa biblioteca ou auditório, sem que nos venham logo entregar um certificado de participação naquela coisa. Aqui há dias, meti o nariz numa sala pejada de gente de gente muito bem vestida ― talvez para as fotos da praxe ― e acabei por sair de capinha na mão. No seu bojo, o bloco, a caneta e o… santificado certificado. Se não fosse o meu apuradíssimo pudor, teria saído dali aos pulos de contente como uma criança.


Por falar em crianças, acabo de ter uma ideia tão genial que deve ser aproveitada, em nome da… coiso! Nuno Crato bem poderia, à semelhança do que já têm os alunos, criar também a Caderneta do Professor. Bastaria então que os certificados fossem normalizados ― com as dimensões de um cartão de crédito ― e passassem a ser autocolantes, como os cromos. Os aficionados das evidências iriam fazendo a sua colecção. Quando preenchida a Profeneta, o seu habilitadíssimo titular teria direito, por exemplo, a um descongelamento temporário da sua progressão na carreira: de um dia, para metade da caderneta; de três dias, para quem completasse a colecção.


PS – Mas nada de cromos repetidos nem trocas e baldrocas!"
Luís Costa

segunda-feira, 28 de março de 2011

Novas de Cavaco

Novas de Cavaco


O Presidente da República promulgará as decisões da Assembleia no que à ADD diz respeito. Outra coisa eu não esperava. Neste caso a bota condiz completamente com a perdigota.

sexta-feira, 25 de março de 2011

quinta-feira, 24 de março de 2011

A ADD Cai?

A ADD Cai?

Cai? Cai a maldita Avaliação do Desempenho Doente? Cai a Mal Parida actual, herdeira da Mal Parida Maria de Lurdes Rodrigues?
Vai fazer Pum?
Vão estoirar foguetes por toda a blogosfera docente?
Leia aqui e aqui o que se pode tornar realidade já amanhã.

domingo, 20 de março de 2011

A Palhaçada da ADD

A Palhaçada da ADD

A mal parida ADD permite palhaçadas como a relatada pelo Octávio Gonçalves no seu blogue homónimo:

"Aconteceu esta semana numa escola e, para já, omito outros pormenores de dependências e incompatibilidades, tanto neste caso, como em outros:- uma professora pertencente ao 4º escalão, assessora da direcção, observa a aula e avalia a sua coordenadora, actualmente no 9º escalão. Se isto não é farsa, então é o quê?!..."

Esta situação relatada pelo Octávio constirui um dos motivos porque continuo contra esta Avaliação do Desemplenho Doente. Mas não é o único.
Aponto somente mais um, para não cansar muito os meus leitores, e que é o secretismo da avaliação.
Ora o secretismo de todo o processo incomoda-me de carago! De carago mesmo! O facto de só eu ter acesso à minha avaliação e não à dos meus pares cheira-me mal. Curiosamente, o seu contrário também me cheira muito mal. Cheira-me a possibilidade de maningância, cheira-me a possibilidade de compadrios, cheira-me a caminhos abertos para processos sujos, escuros, pouco sérios. É que tudo o que é secreto, tudo o que está fechado a sete chaves, sempre me cheirou a esturro e quem não deve, não teme, ensinaram-me os meus pais desde pequenina, princípio de vida fundamental que eu guardei na memória.
Escusado será dizer que a mal parida foi parida por esta gente que destrói tudo em que toca e que gosta destes procedimentos pouco claros, não sei quantas cadeiras feitas com um mesmo professor conhecido, licenciaturas feitas ao domingo e coisa e tal.
Não há dúvida, para além da minha costela espanhola, que sei ter, devo ter para aqui uma nórdica qualquer perdida em mim...

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Contestação ao Modelo de Analiação do Desempenho Doente

Contestação ao Modelo de Avaliação do Desempenho Doente

Pouca gente tem já dúvidas que o modelo, engendrado pela anterior equipa do Ministério da Educação, nasceu doente, muito doente. À época apontámos desacertos, aberrações, burrocracias excessivas, estrangulamentos artificialmente criados com as quotas, o desconforto de uma avaliação feita pelos pares todos parte interessada na verdadeira aberração chamada ADD.
Ora o modelo que está actualmente em vigor não corrigiu absolutamente nada ao anterior e, muito pelo contrário, até acentuou as aberrações.
A avaliação continua a ser feita entre pares, todos interessados na mesma coisa, mais graduados, menos graduados, do mesmo grupo, de grupos diferentes, amigos do peito a avaliarem amigos do peito, inimigos figadais a avaliarem inimigos figadais, gente decente a avaliar gente decente, gente indecente a avaliar gente decente e as variáveis continuam sem fim, que a coisa quer-se assim para o anárquico, provocando um mau-estar nas escolas que se tenta disfarçar, para sobreviver ao desconforto, mas que é incapaz de fazer apagar o nervosismo, que surge aqui e ali, de quem tem aulas assistidas, de quem vai assistir a aulas para avaliar colegas... por vezes tarefa bem mais espinhosa ainda, digo eu, que estou do outro lado da barricada e as tive já, às aulas assistidas.
Por outro lado a avaliação continua a ser extremamente burocrática, lá mais para o final do ano veremos a atrapalhação de tanta papelada para preencher que nos vai moer o juízo e nós já com ele tão sobrecarregado com os problemas de alunos infantis, que não se esforçam minimamente para conseguirem os melhores resultados possíveis, apesar de nós fazermos o pino por eles, estes sim, problemas reais de uma escola para onde toda a nossa energia deveria ser canalizada e, ao invés, se perde nas palhaçadas da ADD.
Por último os vários estrangulamentos engendrados pelo ME, agora ainda agravados relativamente ao modelito da avaliação do desempenho anterior, agora do 2º para o 3º escalão, do 4º para o 5º e algures no 7º também.
Não é de estranhar, pois, que as escolas vão tomando posições contra este modelo de avaliação. E são já muitas, perto da centena, espalhadas um pouco por todo o país, que fazem ouvir a sua voz e manifestaram o seu desacordo contra um modelo que só delapida energias ao sector e delapida verbas ao país. Sim, porque as brincadeiras deste e do anterior governo pagam-se caro e se dúvidas ainda houvesse bastaria estar minimamente atento à situação do país para o comprovar, nas várias áreas da (des)governação.

Veja aqui as 99 escolas que contestam o modelo de avaliação do ministério.
Com a certeza de que amanhã serão mais.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Aula Assistida - Versão Dois - CEF


Museu Guggenheim -Bilbau - País Basco
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Aula Assistida - Versão Dois - CEF

Se a primeira foi uma aula mais teórica, esta foi uma aula eminentemente prática. A turma foi exactamente a mesma, o meu CEF de Pastelaria e Padaria, do qual sou Directora de Turma, e convém frisar que esta opção foi da minha exclusiva vontade e decorreu de uma escolha minha e só minha.
Já escrevi muitas vezes neste blogue sobre a minha paixão pelo desafio, seja ele de que tipo for, o que faz de mim uma pessoa assim para o destemida, a amar coisas excessivas e tarefas espinhosas.
É o caso dos meus queridos alunos de CEF. Rejeitados por muitos, dos que sempre puderam escolher níveis e horários, vieram parar às minhas mãos de professora de quadro de zona, um ano aqui e outro ali. Recebi-os de braços abertos e tarimbei com eles, mas como tarimbei com eles! acumulando uma experiência e um Saber Fazer que só se adquire passando pelas situações, algumas quase inacreditáveis, que eu já tive de vivenciar ao longo da minha vida profissional. No meu último ano de ESA só à minha conta tive cinco turmas destas e levei-as todas a bom porto, sem precisar de consultas de psiquiatria.
Ok! Eu sei que sou resistente.
Ora como manter a minha coerência entre o afirmado, escrito, praticado agora que esta miserável avaliação de desempenho mais do que doente aterrou, obrigatória, sobre a minha cabeça?
Pois, Anabela Maria, terás aulas assistidas na tua turma de CEF, para que a bota encaixe na perdigota e para que ninguém ouse sequer pensar seja o que for.
Gosto da transparência. Aliás não é por acaso que não uso cortinas nas minhas janelas transparentes por onde entra a luz, por vezes a rodos, dos raios de Sol que me aquecem a alma.
E assim foi. Hoje foi tempo de ter a segunda e última aula assistida duma avaliação de desempenho que não reconheço como aceitável, por muitas e variadas razões já expostas neste blogue. A aula decorreu de forma absolutamente normal, tal e qualmente como a esmagadora das aulas por mim leccionadas, com os alunos a trabalharem respeitosa e ordeiramente em pequenos grupos previamente definidos, com acesso à Internet nos seus PCs. Trabalharam afincadamente e de forma responsável, todos a saberem o que tinham que fazer, não houve idas a sites indevidos, não houve escapadelas ao Face nem ao HI5 e todos iniciaram já as suas apresentações em PowerPoint, sobre os países que compõem a CPLP, que serão posteriormente publicadas numa página web pessoal que todos aprenderão a construir no Google Sites, no âmbito de TIC.
Quem diz que os alunos de CEF não trabalham? Vão-me desculpar, mas os meus têm de ser retirados desse filme. E eu como professora também.

Nota - Parabéns alunos meus. Garanto-vos que se comportaram bem melhor do que muitos professores em formação prática.
Beijinhos!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Âmbar


Verso/Frente - A Cara e a Careta
Mãos Digitalizadas

Âmbar

Hoje dormi até acordar. É o que eu digo sempre que durmo até acordar sem toques, sem músicas, sem notícias.
E não é que acordei no meio de um dia repleto de sol radioso e de céu azul como já não o via faz tempo? É prenda, prenda minha chegando, o tempo uniu-se para me alegrar.
Ontem foi dia de entrar, de facto, em avaliação, com aula assistida e tudo. Ontem foi dia de perder a virgindade disto aos 49 anos de idade. É, há sempre uma primeira vez para tudo.
Assim, aqui deixo este âmbar. Porque o amo e porque hoje estou assim.
Pois... em muitos outros dias também... é a vida... e eu detestaria passar por ela...


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Professora em Avaliação - Aula Assistida


Caminhada em Frente Sobre Areia - Praia da Amoreira - Portugal
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Professora em Avaliação - Aula Assistida

Foi hoje ao último tempo da manhã. A turma escolhida para a minha aula assistida foi a minha direcção de turma, uma turma de CEF, alunos por quem eu nutro um amor assolapado, pelo desafio colocado, ano após ano. Já as tive, às turmas, do piorio, assim-assim, com dias assim e dias assado, já as tive não diferentes das turmas ditas normais, enfim, já tive de tudo um pouco, mais heterogéneas e mais homogéneas
A deste ano não é uma turma particularmente difícil, tem evoluído positivamente desde o primeiro dia de aulas, já levaram chás de 90 minutos, dados por mim, e saíram a agradecer os ditos, porque, segundo eles, foram muito produtivos. Assim se cresce, assim se aprende a Ser e a Estar e esta aprendizagem é uma aprendizagem contínua, que não pára nunca e que é posta à prova em cada situação nova, quantas vezes inesperada, que nos aparece ao longo das nossas vidas, das vidas de cada um de nós, porque aqui não há ninguém especial.
A aula estava meticulosamente preparada, tal como todas as outras, da aula de apresentação até à aula de despedida, da primeira aula do 7º ano até à última aula do 9º.
É assim que eu trabalho, é assim que eu sei ser.
A planificação foi integralmente cumprida, tudo a bater certinho, competências específicas todas desenvolvidas sem falhas, objectivos integralmente cumpridos, conceitos novos explorados, as estratégias pedagógicas todas cumpridas, ou não fosse uma aula já testada em muitas outras turmas antes desta, turmas igualmente de CEF.
Toda a aula é da minha autoria, não esquecer que nós, professores dos CEF, trabalhamos sem rede, isto é, sem manuais, e não há ali copy-past, que eu abomino o dito, desde a estrutura do PowerPoint, ao design, às fotografias da minha autoria, aos textos por mim criados, às citações por mim escolhidas criteriosamente. E os alunos completamente controlados, ou eu não fosse a professora coronel! Mas sempre sempre de sorriso na cara e de gargalhada fácil.
Hoje não consegui deixar de me recordar do Manuel, o meu aluno bombeiro hiperactivo carpinteiro que um dia, depois da minha primeira aula do ano, leccionada em PowerPoint, me perguntou se todas as minhas aulas seriam assim e que à minha pergunta do porquê da questão me respondeu todo lampeiro "é que se forem eu nunca vou faltar às suas aulas".
Pois os meus alunos adoraram a aula. Disseram mesmo que foi a que mais gostaram até hoje. Sorte a minha, que foi uma das aulas avaliadas. Mas presumo que outras virão de que ainda gostarão mais... aguardem as aulas do módulo de Património... ai ai ai... tenho a certeza de que as vão amar, tanto quanto eu o amo e que acabarão o módulo sentindo um respeito imenso pelo Património Local.
Posto isto, como avalio a minha aula assistida, eu pondo-me do lado de lá, na pele da avaliadora?
Pois numa escala de zero a 20 teria de me dar 20 ... uma vez que não há 25.
Sim, eu sei, há quem confunda franqueza e honestidade com arrogância e petulância e mesmo com exibicionismo. Mas são os riscos que se correm. É a vida. E a vida assim vivida tem uma grande vantagem pois afastamos as pessoas lixo de nós, afastamos aquelas que não nos interessam de todo mas é que nem para companhia num carrocel, muito menos num circo, neste caso no circo da vida.
Posto isto, continuo contra a avaliação de desempenho doente? Mas é claro. A minha opinião sobre ela não mudou nem um milímetro. Burrocrática como o raio que a parta, prejudica o trabalho nas Escolas, retirando energias que deveriam ser canalizadas para os alunos.
Quando é a próxima greve? Quando é a próxima manif?
E sim, continuarei a zurzir contra ela, porque ela é mesmo doente de tão burrocrática.
E o que aprendi hoje, enquanto docente, enquanto ser humano, durante a minha aula assistida? Pois aprendi zero. Assim sendo para que é que ela me serviu? Para rigorosamente nada.
Entretanto consumi recursos ao país e perdi tempo a tirar fotocópias da planificação do módulo, da aula, da apresentação em PowerPoint utilizada e da ficha formativa distribuída por cada um deles. Porca miséria!

Nota 1 - Estava a pensar ir fazer uma permanente, quiçá pintar o cabelo de cenoura, fazer uma massagem de relaxamento, talvez pintar a unhata de vermelho e colocar nos pés uns tacões... mas... que sequilhe, não tive tempo, nem por ser dona do Aquacool e ter tudo isto de borla!

Nota 2 - Pena que não tenhas conseguido ir, Gabriel. Sei que terias gostado particularmente desta aula sobre Lusofonia pois o tema, sei-o bem, é bem caro para ti...

Nota 3 - Assim comprovo perante os meus pares, e os meus ímpares também, que o que me move contra este modelo de avaliação não é o não querer ser avaliada de todo. Porque uma coisa é ser avaliada seriamente, com um modelo simples, eficaz e escorreito, outra é ser avaliada por esta coisa engendrada por gente incompetente que não sabe o que anda a fazer. Avaliados e avaliadores a concorrerem às mesmas quotas?????!!!! Mas onde já se viu semelhante idiotice?

Nota 4 - Propositadamente deixada para o fim - Obrigada, alunos meus! Portaram-se como uns/umas cavalheiros(as)... eheheh

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Avaliação de Desempenho Doente


Quero - Salamanca - Espanha
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Avaliação de Desempenho Doente

Já escrevi e mais que escrevi porque estive contra a anterior avaliação de desempenho docente. Sendo que esta é herdeira directa da outra e, em alguns aspectos até a agrava, obrigada sindicalistas!, não poderei estar de acordo com o novo modelo parido.
As minhas críticas são simples e rápidas e centradas apenas no fundamental:
1- Este modelo de avaliação, feita pelos pares, que são amigos de infância, amigos do peito, inimigos figadais ou mesmo de estimação, parentes afastados ou próximos, em alguns casos até muito próximos, enferma desta maleita da falta de distanciamento permeabilizando a avaliação a juízos pré-concebidos, a vontades de não prejudicar, até a vontades, deliberadas, de prejudicar.
2 - Este modelo de avaliação determina avaliadores aos molhos que, sem qualquer preparação para o serem, o vão ser, contrariando a conversa da própria tutela de que tudo será feito assegurando competências adquiridas em formação disponibilizada para o efeito e seriedade nos procedimentos. Ora nós sabemos que das palavras aos actos vai um passo de gigante.
3 - Depois mantemos a questão das quotas. Dou de barato que elas tenham de existir e que nem todos os 140 ou 150 mil professores portugueses possam chegar ao topo da carreira, estrangulada por quotas. Não me repugna esta ideia. Dentro de uma farmácia nem todos os farmacêuticos chegarão a Director Técnico da mesma, por falta de vagas, lá está. Aceito este princípio pacificamente e convivo muito bem com ele. Já não posso aceitar que sendo eu uma professora excelente tenha que gramar uma nota chapada no meu currículo de muito bom, ou mesmo de bom, apenas porque não há vagas para as outras avaliações. Seria lindo se avaliássemos assim os nosso alunos! Promovemos assim a mentira, a aldrabice, aquilo que parece mas não é, a bota que não corresponde à perdigota.
4 - E volto aos avaliadores e avaliados que concorrem exactamente às mesmas quotas decididas pela tutela. Está bom de ver a pouca vergonhice e aberração à solta nas escolas do país. E nem vou deter-me mais neste ponto porque não me quero irritar muito logo pela manhã. Só dizer que aguardo informação do meu sindicato sobre este ponto da avaliação de desempenho docente, e doente, porque quero saber o que está a ser feito, em concreto, para resolver este conflito de interesses que é ilegal, sendo apenas legal para este (des)governo que já provou à exaustão ser capaz de tudo. É que como não admito o princípio, a meu ver subversivo, e ele me causa asco, asco este de impossível digestão, estou disposta a actuar em conformidade nem que esteja sozinha.
5 - Este modelo, colocando uns a avaliar os outros, sendo que avaliados e avaliadores são iguais entre si, ou seja todos são professores, promove o que de mais baixo tem um povo e que é a inveja, a dor de cotovelo, a má língua, o egoísmo e a falta de partilha porque se eu partilhar o que sei e tenho, as minhas estratégias e os meus projectos, as minhas planificações, os meus materiais construídos, os meus instrumentos de avaliação, as minhas reflexões, estou a colocar um trampolim por debaixo dos pés do outro que me pode, no futuro, fazer frente na ocupação das quotas.

Posto isto vou ser claríssima. Se não estivesse num escalão que me obriga a ter aulas assistidas não as pediria. Avaliar, honestamente, o trabalho nas aulas de um qualquer professor, obrigaria a um acompanhamento constante, da primeira à última aula do ano lectivo porque só assim se estará certo que há um fio condutor, uma finalidade prosseguida, objectivos alcançados.
Ter duas aulas assistidas pode ser o mesmo que zero. Já assisti a cenas lamentáveis de professores que sempre zurziram contra o PowerPoint e se gabaram da sua não utilização, da sua recusa de aprendizagem de manuseamento e construção, do que quer que fosse e eis que surge a aula assistida, e toca de pedir aos amigos do peito "fazes-me um PowerPoint para a aula assistida?"
Que show... off! Lamentável de falta de seriedade, de honestidade, de rectidão, de verticalidade.
Mas são duas as aulas assistidas previstas, poderão ser três, no máximo, e o modelito previsto presta-se à aldrabice e à trapaça.
A minha primeira aula assistida ocorrerá amanhã. Escolhi a minha Direcção de Turma, a minha turma de CEF de Padaria/Pastelaria porque quem não deve não teme e eu sempre gostei de caminhos que me dão luta. A aula será a de iniciação ao módulo Lusofonia: A Língua Portuguesa para além de Portugal. A planificação do módulo está aqui há uns anos que eu não gosto de andar a chover no molhado e prefiro organizar de uma vez, para depois ser só dar pequenos retoques.
A planificação da aula foi feita em três tempos a partir da planificação do módulo, que isto já é quase mecânico e é mais papel, menos papel, mais grelhado, menos grelhado.
Única alteração aos meus procedimentos normais será o facto de distribuir uma fotocópia com exercícios. Não que eles não os façam regularmente, que fazem, aliás estes alunos têm de estar sempre ocupados sob pena da coisa virar uma feira, só que eu tenho preocupações ecológicas, para além de pedagógicas e económicas e obrigo os meus alunos a terem portefólios organizados, onde registam tudo tudinho, obrigando-os a escrever, excelente exercício que parece estar a ficar fora de moda, poupando assim verbas ao Estado, poupando recursos ao país, contribuindo para a manutenção das florestas... mas as evidências, as evidências... e reter portefólios não sei se será correcto para mostar o trabalho feito, por mim e pelos meus alunos, ao longo de todo um ano lectivo. De resto utilizarei esta apresentação em PowerPoint que está feita há vinte mil anos... parece-me... e que foi só cortar pela abordagem da CPLP a que não chegarei numa aula.

Vou ainda concretizar mais a minha posição - confesso que não pediria aulas assistidas se confiasse nesta gente que detém o poder. Mesmo estando no 4º escalão a passar... deixa-me rir... para o 5º em Fevereiro próximo. Mas não confio. Sei lá se estes não serão os primeiros a ter problemas mesmo se não está agora prevista qualquer sanção?! Não me quero ver nesta situação que não controlo, muito embora perspective a minha saída do Ensino, que eu amo, exactamente por isso mesmo, porque, a acontecer, deverá ser fruto de uma decisão minha, ponderada, que rumina volta e meia na minha cabeça, fruto da exaustão, por precisar de digerir a anormalidade e não o estar a conseguir muito bem, porque muito do que se passa colide com a minha estrutura de ser humano, com a minha matriz, da qual não abdico, apesar das minhas contradições, próprias de qualquer ser humano que pensa.
Vai daí observo. E registo. Principalmente dentro da minha cabeça.

Nota final - Não apresentei objectivos individuais. São facultativos, pois são?
Pois então...

sábado, 13 de novembro de 2010

Fenprof Sai da Letargia

Fenprof Sai da Letargia

E vai recorrer aos tribunais contra a Mal Parida.
Finalmente parece que tudo se encaminha para a saída do torpor.
Em Janeiro terão tomado algo que lhes toldou os movimentos, algo com efeitos prolongados no tempo, efeitos que agora se diluem?
Daqui.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Sobre a Mal Parida ADD


Excerto de Portefólio Corrigido e Digitalizado

Sobre a Mal Parida ADD

A situação que relato neste post, que não se passou durante este ano lectivo, é demonstrativa do mal estar que esta ADD veio provocar entre nós.
Fui inúmeras vezes gozada, em tempos que já lá vão, muito antes de ser parida a Mal Parida e muito antes deste aborto ter entrado em gestação, por corrigir os cadernos/portefólios dos alunos, de fio a pavio, assinalando erros e faltas de acentos, sumários mal passados e invenções diversas que a imaginação dos alunos não tem fim e esta professora gosta de lhes dar rédea curta no assassinato, mais ou menos frequente, da nossa maravilhosa Língua Portuguesa e nem os portefólios dos meus alunos de CEF escapam a esta inspecção.
Pois, de facto eu devia ser parva, mas quem me pagava tal serviço? Mas que mau exemplo estava eu a prestar à comunidade educativa, trabalhando feita louca, corrigindo páginas e mais páginas, todos os períodos a multiplicar por 100, 120, 150 alunos e o mais que já me calhou na rifa fruto do jogo/azar que sempre foram os horários por mim recebidos.
Ora agora, curiosamente, a conversa mudou.
Eu continuo a mesma, a atitude mantém-se, continuo a passarinhar-me com portefólios que corrijo na Escola ou trago para casa para executar um trabalho que me consome muitas e muitas horas da minha vida, mas que tem resultados práticos bem visíveis que eu já me dei ao trabalho de fazer um estudo estatístico da coisa e a coisa melhora depois de eles terem que corrigir 10 vezes cada erro, cinco vezes cada falta de acento, escrever cinco vezes cada sumário em falta ou inventado e o que mais apanho de estranho por aquelas páginas adiante.
Curioso é que entretanto a conversa mudou.
Agora é mais tipo "Aaaah! Vais ser avaliaaaada!"
Ao que respondo, invariavelmente, com um sorriso, ok! ok!, amarelo, estampado na cara... tipo...
"Olha que não. Vou apenas avaliar."
É que o caderno/portefólio vale 10% da avaliação dos meus alunos no final dos períodos e no final do ano e eu não ando a brincar às avaliações.
Não é a primeira vez que tentam fazer de mim parva. Mas aviso desde já que será tempo perdido.
Tenho dito.

Nota - Este post liga-se intimamenmte a este outro, escrito lá mais atrás quando eu era professora na ESA.

Sobre a Mal Parida ADD

Sobre a Mal Parida ADD

A opinião de Ana Paula da Silva Correia e José Rodrigues Ribeiro

Uma avaliação de desempenho muito pior que a anterior

O anterior modelo de avaliação expunha com excessiva clareza os seus objectivos – impedir a maioria dos professores de progredir na carreira e moldá-los para a submissão aos políticos locais, a quem as escolas vão ser entregues. Mais, baseava-se numa rígida e artificial divisão dos professores da cada escola entre titulares e não titulares, de longe a categoria mais numerosa. Assim, atraiu rapidamente a justa contestação dos professores e teve os seus dias contados.
O modelo actual veio com pezinhos de lã. Não houve crispação entre Ministério e sindicatos – as negociações foram até bastante pacíficas e culminaram num acordo. A tutela aprendeu com os erros cometidos e, à estratégia de afrontamento público seguida pela anterior equipa, sucedeu uma postura discreta e dialogante, quase poderíamos dizer de sedução dos professores. Não houve também concurso público nacional (como o de titulares, em 2007) para escolher quem vai avaliar (a opção pela inócua designação de relatores foi também tudo menos inocente) e quem vai ser avaliado – a selecção teve lugar, recatadamente e sem fazer ondas, no seio de cada escola. Houve ainda o cuidado de tornar facultativas para a maioria (por enquanto…) algumas das obrigações mais contestadas: aulas assistidas e objectivos individuais. E, não menos importante, instalou-se o tabu em torno do tema, quase ausente dos discursos dos responsáveis políticos e sindicais, mas também da imprensa, dos blogues … e das salas dos professores. Ninguém fala da avaliação do desempenho!
Contudo, o modelo de 2010 persegue exactamente os mesmos objectivos para os quais foi criado o tão contestado modelo de 2007. Pior, é-lhe superior nas consequências perversas e ruinosas para a qualidade do ensino e para a dignidade dos profissionais da educação que a sua implementação irá trazer. O bonito papel de embrulho não consegue esconder que as suas premissas são ainda mais insustentáveis do que as da versão produzida pela equipa de Maria de Lourdes Rodrigues. Vejamos porquê:
1. Avaliadores e avaliados são concorrentes na mesma carreira profissional, o que fere inapelavelmente as garantias de imparcialidade.
As perspectivas de progressão na carreira de cada professor dependem, não apenas da sua própria classificação, como também da que os outros professores da mesma escola tiverem. Ora, avaliados e avaliadores pertencem à mesma escola e são muitas vezes concorrentes aos mesmos escalões da carreira, o que (por si só) constitui um forte motivo de impedimento.
E, mesmo quando pertencem a escalões diferentes, é óbvio que o avaliador tem interesse directo nas classificações atribuídas ao seu avaliado: se estiver posicionado em escalão superior, só terá a perder com a subida de escalão daquele, pois tornar-se-á concorrente directo numa futura transição de carreira, aumentando ainda as hipóteses de o poder vir a substituir como avaliador; se, o que a lei permite em determinados casos, o avaliador pertencer a um escalão de carreira inferior ao do seu avaliado, é-lhe oferecida a possibilidade de, através da classificação que atribuir, o fazer marcar passo na carreira e poder alcançá-lo, conferindo assim solidez ao seu recém-adquirido estatuto de avaliador.
Independentemente dos incontornáveis impedimentos legais, dificilmente se poderia conceber um esquema mais maquiavélico de “avaliação entre pares”, que só poderá ter como resultado a degradação do clima de trabalho nas escolas. Quanto ao princípio da imparcialidade, foi feito em pedaços.
2. A divisão entre professores e professores titulares não acabou. Foi substituída pela divisão entre avaliadores e avaliados.
Embora o Estatuto de 2010 tivesse retomado (em teoria) a carreira única, o novo modelo de avaliação reintroduziu (na prática) a divisão dos professores em duas categorias. Com a agravante de a actual divisão conseguir ser ainda mais artificial e arbitrária que a anterior. Mais artificial, porque relatores e avaliados, como pertencem à mesma carreira profissional e desempenham a mesma (e nobre) função de ensinar, não faz qualquer sentido a separação das suas competências em matéria de avaliação, isto já sem falar nos impedimentos daí decorrentes, a que atrás se aludiu. Mais arbitrária, porque se o concurso dos titulares foi feito em obediência a regras que – embora muito discutíveis e nem sempre respeitadas – apresentavam ainda assim alguma objectividade e universalidade, na selecção dos relatores prevalecem a ambiguidade e a falta de transparência, como adiante se verá.
Acresce que, para consolidar o estatuto (e conquistar a adesão) dos novos “professores de primeira”, foram-lhes prometidas para breve acções de formação a eles em exclusivo destinadas. Numa época de contenção, em que não há dinheiro para os salários dos professores …
3. Na escolha dos avaliadores não preside o mérito, mas apenas a vontade dos directores e dos coordenadores de departamento.
A pirâmide dos avaliadores é encimada pelo director da Escola que nomeia e avalia os coordenadores de departamento. Estes escolhem e avaliam os relatores que vão, por sua vez, avaliar o restante corpo docente.
A legislação estabelece que o relator deve (mas o sempre que possível dá pano para mangas) pertencer ao mesmo grupo disciplinar que os seus avaliados e ter maior ou igual posicionamento na carreira e grau académico do que estes, mencionando ainda uma hipotética “formação especializada em avaliação do desempenho” que não se sabe bem o que significa. É porém completamente omissa quando ao modo como estes diferentes critérios são ponderados e compatibilizados.
Mas a ambiguidade não fica por aqui. A lei diz também que, no caso de o docente com maior posicionamento na carreira não ser escolhido como relator (é curioso que esta eventualidade tenha merecido destaque), o coordenador pode escolher como seu relator um docente com uma posição na carreira que lhe seja inferior. Por outras palavras, o posicionamento na carreira poderá não valer rigorosamente nada.
O mesmo se passa com o exercício de outras funções. Como conceber que um coordenador de grupo disciplinar, com competências no âmbito da orientação cientifica e pedagógica de todos os docentes do seu grupo, tenha as suas aulas assistidas e seja orientado por um desses docentes, no caso deste ser nomeado relator?
E outras situações não menos absurdas são igualmente possíveis e até comuns. Apenas a talhe de foice, refira-se que (não sabemos se por iniciativa das escolas ou da tutela, mas sem dúvida para criar uma sólida base de apoio ao modelo) parece existir tendência para haver o maior número possível de relatores – chegam a existir três relatores por grupo disciplinar, sendo os avaliados repartidos entre eles sabe-se lá com que critério. Dividir para reinar?
Resta acrescentar que, em virtude da ausência de critérios objectivos de selecção e atendendo ao facto do coordenador não apenas ter a faculdade de o escolher, mas também de o classificar, os relatores têm tudo a ganhar em atribuir as classificações dos seus avaliados em sintonia com a opinião dos coordenadores e, em última análise, do próprio director, dado que este é quem nomeia e avalia os coordenadores e preside ao júri que aprecia as propostas de avaliação dos relatores.
4. Não existe objectividade nos instrumentos e métodos de avaliação a utilizar.
Outro aspecto não menos gravoso, por acentuar o impacto da falta de imparcialidade no processo de avaliação, é a ausência completa de padrões e metas de avaliação minimamente objectivos, bem como de instrumentos de avaliação fiáveis e precisos.
Nas fichas de avaliação do modelo antigo, aspectos como a assiduidade às aulas e ao restante serviço docente ou as classificações obtidas em acções de formação eram traduzidos de forma objectiva em classificações a atribuir aos respectivos parâmetros.
Agora, acabam de aparecer uns “padrões de desempenho docente”, que supostamente irão servir para a definição dos instrumentos de avaliação a utilizar em cada escola. Embora repletos de vacuidades, expõem ad nauseam um certo número de orientações que traduzem claramente a opção ideológica de quem os elaborou, bem como às fichas de avaliação global.
Basta atentar nalguns dos indicadores e descritores escolhidos para a avaliação do trabalho dos professores: reconhecimento da relevância do trabalho colaborativo na prática profissional, reconhecimento da importância da dimensão comunitária na acção educativa, planificação com os pares, participação em projectos de trabalho colaborativo na escola, envolvimento em projectos que visam o desenvolvimento para a comunidade, etc., etc. Até a formação profissional docente é subordinada à partilha de conhecimentos com os pares e ao trabalho dito colaborativo. O irónico nisto tudo é que vai ser o próprio clima de competição desenfreada criado por este modelo a liquidar quaisquer veleidades de partilha de conhecimentos ou de trabalho colaborativo entre pares que pudessem subsistir.
A subvalorização da competência científica e pedagógica do professor e do seu trabalho com os alunos torna-se também evidente quando dimensões como a “vertente profissional, social e ética” ou a “participação na escola e relação com a comunidade educativa” têm na classificação de cada professor um peso praticamente equivalente (em certos casos, até pode ser superior) à dimensão “desenvolvimento do ensino e da aprendizagem”.
Vem a talhe de foice referir que a manutenção do carácter rigorosamente confidencial das classificações finais de cada professor revela a convicção da tutela dos efeitos arrasadores que poderiam advir do conhecimento de quem foi contemplado com os ambicionados Muito Bons e Excelentes. Com estes padrões do desempenho docente, até nem admira …
5. As garantias de defesa contra classificações injustas são, se possível, ainda menores.
Foi mantida a farsa da entrevista individual entre avaliado e relator, que apenas serve dois propósitos: limitar as possibilidades de defesa do avaliado, já que este, se tiver relutância em ficar frente a frente com o seu relator ou falhar a entrevista, não terá outro remédio senão aceitar a classificação que lhe foi atribuída; permitir ao relator fundamentar melhor (sem mudar a nota, bem entendido) a sua proposta, antecipando nela a resposta aos argumentos do avaliado, se este vier posteriormente a reclamar.
Quer tenha ou não havido antes entrevista individual, os relatores apresentam as propostas de classificação a um júri de avaliação, presidido pelo director e em cuja composição entram, além do relator em questão, três membros docentes do Conselho Pedagógico. É este júri que toma a decisão final.
Tendo em conta que os professores do Conselho Pedagógico são nomeados pelo director e que o próprio relator foi escolhido por um coordenador nomeado pelo director, é inquestionável que será este último (em boa verdade) a decidir qual a classificação que cada professor recebe. É caso para perguntar se não seria melhor que a entrevista individual fosse com o próprio director?
De qualquer modo, e ao contrário do que sucedia com o modelo de 2007, quando o avaliado recebe a ficha de avaliação global de desempenho, esta já não traduz apenas a opinião isolada do seu relator, mas transporta consigo toda uma chancela institucional.
Por outro lado, enquanto no anterior modelo, o avaliado inconformado com a classificação podia reclamar, sendo o avaliador obrigado a pedir um parecer vinculativo à comissão de coordenação de avaliação de desempenho, entidade que (em princípio) nada tinha a ver com a decisão, agora a apreciação da reclamação cabe unicamente aos mesmos que tomaram a decisão reclamada.
Mas ainda há mais … Se a classificação for mantida (e alguém duvida que o seja?), o avaliado tem ainda obviamente a possibilidade de recorrer. No modelo anterior, a apreciação do recurso cabia ao respectivo director regional de educação, hierarquicamente superior ao director da escola. Agora, aparece um júri de três membros, presidido por elemento designado pela direcção regional de educação (é evidente que esta pedirá ao director que sugira alguém) e dele fazendo parte o próprio relator (não é engano!). Como pode alguém decidir o recurso que recaiu sobre a sua própria decisão?
Talvez para disfarçar, é concedida ao recorrente a possibilidade (resta saber se o vai conseguir …) de indicar um outro professor, de uma escola do mesmo concelho ou de concelho limítrofe. Esta engenhosa disposição sugere também que possa não haver nenhum docente da própria escola que queira correr o risco de representar o recorrente.
Em todo o caso e para além do desenlace do recurso ser por demais evidente – até porque classificação, reclamação e recurso são decididos no interior do mesmo círculo de pessoas e provavelmente no mesmo lugar – mais uma vez é patente o desprezo de quem elaborou estas normas, pelas leis gerais que regulam os princípios da justiça, da transparência e da imparcialidade que devem presidir a todos os actos de um Estado de Direito.
Não cremos que esta enumeração dos aspectos mais sinistros do actual modelo tenha sido exaustiva. Esperamos contudo que possa ter servido para levar muitos professores a relançar a discussão. Se em 2008 a luta foi inevitável, mesmo para aqueles que inicialmente não se tinham apercebido das ameaças sobre a nossa dignidade profissional, sobejam agora razões para travar esta versão ainda mais perversa da avaliação do desempenho. Antes que se consolide. Antes que seja tarde demais …

Ana Paula da Silva Correia e José Rodrigues Ribeiro (Esposende)

Post retirado daqui.

domingo, 18 de abril de 2010

A Luta Continua

A Luta Continua

E se fôssemos todos para a rua?

Teimosia do Governo no concurso valerá o regresso dos Professores à rua e aos tribunais

A FENPROF avançará para os tribunais caso não seja encontrada uma solução política (pelo Governo ou Assembleia da República) para resolver uma das mais graves injustiças alguma vez cometidas pelo Ministério da Educação no âmbito dos concursos de docentes: a imposição da avaliação de desempenho como factor de cálculo da graduação profissional (“nota” considerada para a ordenação dos candidatos que concorrem a uma colocação). Independentemente da posição que se tenha sobre a consideração da avaliação para este efeito (como se sabe, a FENPROF discorda), manda o bom-senso que, no concurso que decorre, ela não se considere, dada a forma desigual e, em alguns aspectos, caótica como decorreu o ciclo de avaliação anterior.
Devido à teimosia do Governo, já tornada pública pela ministra Isabel Veiga, muitos professores terão de se candidatar a um concurso público prestando declarações falsas, o que é crime, sob pena de não poderem concorrer. De facto:
- Todos os professores avaliados quantitativamente com 8 ou mais valores são obrigados a inscrever no formulário electrónico uma “nota” compreendida entre 6,5 e 7,9;
- Já os que, nas regiões autónomas, foram apenas avaliados qualitativamente, são obrigados a colocar um valor quantitativo que não lhes foi atribuído, mas, se o não fizerem, ficam impedidos de concorrer;
- Se, por outro lado, trabalharam nas actividades de enriquecimento curricular ou em qualquer outra situação em que não foram avaliados (por exemplo, os docentes cedidos a escolas profissionais de hotelaria), ou vêem esse tempo perdido ou terão de referir uma avaliação que não obtiveram;
Por fim, terão as escolas de optar entre validar candidaturas que contêm elementos falsos e invalidar, pelo menos, os dados falsos, pondo em causa toda a candidatura. Estes são apenas alguns dos problemas, a que acrescem outros como o impedimento de os docentes em exercício nas regiões autónomas poderem ser candidatos a “destacamentos por condições específicas”, ou a atribuição de menções qualitativas que correspondem, não à qualidade do desempenho do docente, mas ao facto de o formulário da avaliação ter “arredondado” por excesso as classificações.
Inaceitável
Estas são razões suficientemente fortes para que a FENPROF, não havendo uma solução política que se conheça até final de segunda-feira (as soluções técnicas existem), recorra aos tribunais, o que deverá acontecer na quarta-feira, pois é absolutamente inaceitável que o governo, perante um concurso público, como é o caso deste, imponha procedimentos que lhe retiram transparência, objectividade e equidade, princípios que deverão, obrigatoriamente, ser respeitados.
Caso o Governo, apenas por teimosia, decida manter a sua decisão, a FENPROF mobilizará os professores para lutarem contra ela, remetendo para o seu Congresso, que reunirá já na próxima semana, a decisão sobre o tipo de acções a desenvolver.

O Secretariado Nacionanl da FENPROF
17/04/2010

Daqui.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Relatório da OCDE sobre a ADD - Última Hora!

Relatório da OCDE sobre a ADD - Última Hora!

OCDE defende alteração do sistema de avaliação de professores
Hoje às 14:55

A OCDE defende a necessidade de alterar o sistema de avaliação de professores em Portugal. Num relatório feito a pedido do Ministério da Educação, a organização considera que o actual modelo causa focos de tensão e deve funcionar como futura base de trabalho.

A OCDE defende a continuação da avaliação de professores, mas considera legítimas as preocupações e dificuldades dos professores.
O relatório sobre a avaliação identifica vários elementos problemáticos no actual modelo, defendendo, por isso, ajustamentos.
Paulo Santiago, um dos autores do relatório, destaca os focos de tensão que têm de ser ultrapassados.
«O objectivo da melhoria está a tentar ser alcançado através de um modelo que tem consequências para uma carreira. O facto de fazer dessa maneira pode pôr em perigo a tal função de melhoria - essa é a primeira tensão», explicou.
A segunda tensão, sublinhou, «é o problema de ter uma avaliação ao nível da escola com consequências a nível nacional».
Questionado sobre o relatório da OCDE, a ministra da Educação disse tratar-se de mais um contributo técnico para a melhoria do modelo de avaliação.
Ouvido pela TSF, João Dias da Silva, da FNE, considera que este relatório é mais uma prova de que, em matéria de avaliação de professores, Maria de Lurdes Rodrigues está sozinha.
No entanto, o secretário de Estado da Educação rejeita estas críticas, afirmando que a FNE não entendeu o conteúdo do relatório.
Sobre as sugestões da OCDE, Jorge Pedreira escusou-se a fazer qualquer comentário, remetendo uma opinião para a reunião de amanhã com os sindicatos dos professores.
Leia e ouça a notícia aqui.
Leia o relatório aqui.

Só um aparte. Não precisavam ir tão longe... mas o que é que nós andamos a dizer há anos a esta parte?
Curiosa a reacção da ministra que, com o tempo, quer avaliar também o relatório.
Maníaca das avaliações que tal começar por fazer a sua?
 
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