Balanço - EI1
Ontem terminei as minhas aulas de CMA com a turma dos meus electricistas. Tal facto, precoce, deve-se ao meu trabalho de formiguinha ao longo do ano em que substituí todos os meus colegas em falta que pude substituir. E foram muitos os que faltaram, principalmente à disciplina de Electricidade em que foi difícil acertar com um docente que não desistisse deles ao fim da primeira semana.
Para quem não sabe a mecânica dos CEFs, informo que lecciono a disciplina de Cidadania e Mundo Actual e que tenho, impreterivelmente, de leccionar 70 blocos, de 90 minutos cada, desde o início até ao final do ano. Como só tenho dois blocos por semana, não fora ter tido este cuidado, ao mesmo tempo poupando os meus colegas às substituições numa turma algo difícil, e acabaria as aulas lá para finais de Julho. Assim sendo acabei ontem.
Eu bem disse aos meus electricistas que eles haveriam de me agradecer o cuidado e a preocupação, lá para o final do ano, quando estivesse um calor de torrar e eles mortinhos por me verem pelas costas. Agradeceram. Agradeceram-me de sorriso rasgado e aliviado por poderem repor aulas no meu horário agora livre, de professores mais atrasados no cumprimento integral da coisa.
Ontem foi dia de balanço, pedido por escrito a cada um deles.
Hoje será dia de balanço neste blogue, depois de lidos os textos produzidos ontem mesmo por estes miúdos que têm dias, como dizer... do arco da velha!
Em primeiro lugar todos fizeram um balaço positivo das aulas por mim leccionadas e do trabalho por mim desenvolvido ao longo deste ano. Acharam as aulas fixes, aprenderam coisas que desconheciam por completo, alguns disseram mesmo que CMA era a sua disciplina preferida e acharam que as aulas os ajudou a crescer e a amadurecer interiormente. Fiquei feliz por me saber útil.
Gostaram especialmente das aulas em que trabalharam com os computadores portáteis, nos dois trabalhos em PowerPoint que elaboraram este ano lectivo; gostaram especialmente das aulas em que visionaram três documentários da série "O Século do Povo"; gostaram especialmente dos três filmes que viram e que foram "Inês de Portugal", "O Resgate do Soldado Ryan" e "A Lista de Schindler"; gostaram especialmente das aulas em que explorámos apresentações em PowerPoint.
Não gostaram das aulas em que tiveram de fazer castigos, especialmente daquela aula em que eu lhes apresentei, de castigo mesmo pelo péssimo comportamento da aula anterior, uma outra forma de "leccionar" matéria, e em que os alunos passaram todos os santos noventa minutos a escrever a matéria por mim ditada. Durante essa aula não se ouviu um pio e no final disse-lhes que a escolha era deles. Escolheram ter aulas "normais", pois então, e agora escreveram sobre isso e foram honestos. Não gostaram daquilo a que eu chamo "O Tratamento de Choque", mas acham que eu fui justa quando os castiguei daquela forma e que o castigo lhes foi útil e os ajudou a repensar o seu mau comportamento e os ajudou a crescer.
Confesso que gostei particularmente de ler esta apreciação. Estes meus alunos parecem-me até bem mais ajuizados do que muitos teóricos super especializados das pedagogias modernas que por aí andam, teóricos de tudo e de coisa nenhuma, em muitos casos completamente desfasados da realidade pura e dura de uma sala de aula. Ai se passa por aqui alguém das pedagogias bacocas... estou feita! E eles decerto também!
Alguns escreveram que gostaram de ser meus alunos, que eu por vezes conseguia acalmar-lhes os comportamentos menos próprios e que esperam que eu seja professora deles no próximo ano. O Rúben pediu-me mesmo "muito por favor" para continuar a ser sua professora, o que me deixou particularmente sensibilizada atendendo a que o pedido veio de quem veio!
Lá tive de lhes explicar que não sei se tal será possível por causa dos concursos... mas que uma coisa é certa, se por artes mágicas continuar na ESA no próximo ano lectivo, eles serão certamente meus, pelo menos no que depender de mim. E eles sabem isso.
Ah! E agradeceram-me por os ter aturado ao longo do ano! :)
Focaram ainda o trabalho dos professores deste Conselho de Turma, fixes no dizer de alguns, cinco estrelas no dizer de outros, e disseram mesmo que se sentiram muito apoiados por eles ao longo deste ano lectivo e que aprenderam muito.
Pronunciaram-se sobre a existência destes cursos e todos foram unânimes em dizer que estes cursos são importantíssimos para lhes abrir portas para o mercado de trabalho e que no ensino normal não teriam qualquer hipótese de concluir fosse o que fosse porque é um ensino demasiado teórico e acham-no maçador. Gostam do curso de electricidade por ter uma grande parte de componente prática que os prepara para uma profissão. Falaram-me quase todos nisto o que quer dizer que estão mais ou menos preocupados com o assunto, por certo por causa das notícias super desanimadoras que todos os dias nos entram casa adentro relativamente aos números do desemprego.
E alguns afirmaram mesmo gostar da Escola, o que me deixou particularmente feliz, porque sei que isto é caminho aberto para o sucesso deles. Para o sucesso deles e nosso!
Electricistas, a gente vê-se por aí!
E façam o favor de ser felizes... com educação, claro!
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terça-feira, 2 de junho de 2009
terça-feira, 26 de maio de 2009
Greve/CEFs

A Luta Continua - E.B 2,3 de Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães
Greve/CEFs
A greve passou quase despercebida na minha escola e a adesão foi, não tenho qualquer dúvida, insignificante, com a esmagadora maioria dos professores a manifestar a mais completa ignorância sobre o assunto.
Apesar de achar ridícula esta greve de 90 minutos, lá a fiz, porque tive mais uma oportunidade para manifestar o meu descontentamento, porque tive mais uma oportunidade para manifestar o meu mais profundo desagrado face às políticas deseducativas implementadas por esta governo e eu não perco uma oportunidade para continuar a dar o corpo ao manifesto na luta.
E, engraçado, mais uma vez fiz greve, tive falta, não vou ganhar o tempo, e vou ter de o leccionar na mesma porque faltei a uma turma de CEfs, no caso aos meus carpinteiros.
Os meus carpinteiros encontraram-me e quiseram saber porque faltava eu à aula se estava lá na ESA bem antes de tocar para dentro, que eles viram-me chegar.
E eu lhes expliquei que as pessoas devem ter posturas verticais e devem lutar por aquilo em que acreditam, que se não lutarmos por aquilo em que acreditamos num instantinho estarão a fazer de nós tapetes onde calmamente alguns limparão os pés.
"Se eu não lutar por aquilo em que acredito... quem lutará? O gato? O cão?"
"Pois", retorquiu um deles, "se não lutarmos pelos nossos interesses e deixarmos fazer tudo o que eles querem podemos correr o risco de acabar nos campos de morte!"
Pois. É verdade. Como tu já aprendeste a lição, João! Levado o exemplo ao extremo poderemos terminar todos nos campos de morte.
E, como sabes, já não seria a primeira vez.
domingo, 17 de maio de 2009
Fotografias de Família, PowerPoints, Prendas e CEFs

Fotografias de Família, PowerPoints, Prendas e CEFs
Hoje partilho uma fotografia que tem um triplo significado para mim. Em primeiro lugar porque se trata da fotografia de família, datada, mais antiga que eu mantenho na minha posse, em segundo porque retrata o meu bisavô, pai da minha avó Luzia, e em terceiro lugar porque, através dela, tenho acesso à escrita, diferente, deste meu antecessor que eu não conheci, vinda do já longínquo ano de 1896, vinda do já longínquo final do século XIX.
Esta fotografia está digitalizada e integra, com outras fotografias, um PowerPoint inacabado, mas bastante adiantado, sobre a família da minha filha Joana, que o receberá de prenda, um dia destes, a pretexto de um aniversário qualquer.
Costumo partilhar este PowerPoint inacabado com as minhas turmas de CEFs para motivar os alunos para a realização do PowerPoint intitulado "Quem sou eu?" integrado no módulo Empregabilidade I: Comunicação e Relações Interpessoais. O objectivo é que os alunos reflictam sobre si próprios, sobre o seu percurso de vida, se conheçam a si próprios e possam conhecer melhor os outros membros da turma. A estratégia costuma resultar em pleno e é ver os alunos atentos a questionarem-me sobre isto ou aquilo, curiosos de verem as fotografias tão antigas da família da professora de CMA. A todos alerto para o interesse e importância de iniciarem, sem mais demoras, um trabalho de pesquisa e registo junto dos seus familiares mais idosos, sob pena de perderem informações pertinentes e curiosas sobre os seus antecessores, sobre as suas origens. E eles lá avançam no terreno, procurando informação diversa, alguns contactando pela primeira vez com o programa PowerPoint, alguns avançando mais do que outros nas informações obtidas junto dos familiares.
Informações que eu irremediavelmente perdi, em grande número, ao não registar os dados que os meus avós, paternos e maternos, me passaram um dia.
Agora só me resta andar numa corrida contra o tempo confirmando dados, aqui e ali com os mais velhos da família, que cruzo com as informações obtidas através destas fotografias.
É certo que o meu bisavô paterno cumpriu serviço militar em terras lusas à época, na longínqua Índia então portuguesa, e que talvez eu tenha herdado deste senhor a andarilhice que me caracteriza.
sábado, 2 de maio de 2009
J, o Carpinteiro
Carpintaria - ESA - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães
J, o Carpinteiro
A história que hoje conto passou-se há algum tempo, no dia da visita guiada à Biblioteca Municipal Albano Sardoeira, que organizei para a minha turma de CEF - Carpinteiros de Limpos, integrada no módulo "Lusofonia", e ficou por contar à época, decerto porque a dona deste blogue andava ocupada com outras histórias, que elas nunca mais acabam, já que de histórias são feitos todos os nossos dias, mais ou menos preenchidos, mais ou menos ricos.
Relembro que esta visita, contrariamente à dos electricistas, correu que foi um primor, com os meus rapazes, sem excepção, a comportarem-se como uns verdadeiros homenzinhos, quer pela rua abaixo, quer durante a visita propriamente dita, o que me deixou deveras orgulhosa deles.
O que relato que se segue passou-se já no regresso à escola, percurso sempre feito a pé, que a Biblioteca não fica assim tão longe, e no percurso dá sempre para trabalhar com estes alunos aprendizagens mais informais como comportamento em espaços públicos, o respeito pelo bem público, de todos nós, portanto, o respeito pelo outro sempre necessário, dentro e fora da sala de aulas.
Não assisti à cena. Não vi o telemóvel caído no chão mas este não passou despercebido ao meu J, que o apanhou e mo entregou logo de seguida, enquanto me punha ao corrente do sucedido. É certo que o J podia tê-lo metido ao bolso que eu jamais saberia de alguma coisa. Ao não o fazer, provou ser um rapaz bem formado, honesto, responsável e a quem eu tirei desde logo o meu chapéu.
Chegada à escola entreguei o grilinho na Direcção e daí entraram em contacto com um familiar que constava na lista telefónica do dito e assim o legítimo dono recuperou o seu telemóvel graças à honestidade do meu rapaz, aluno da minha turma de Carpintaria.
Hoje conto esta história exemplar, que andava para aqui no limbo, ora vindo ora indo, para ajudar a desmistificar a ideia pré-concebida e espalhada por este país e pelos seus arredores, de que todos os alunos de CEF são uns delinquentes pegados, o que está longe de corresponder à realidade de que são feitos os meus dias. São geralmente turmas mais complicadas e rebeldes, sem dúvida, mas daí a serem todos uns delinquentes vai uma grande distância.
Só assim se explica que eu esteja a sobreviver a cinco turmas deles durante este ano lectivo, mais uma direcção de turma que decerto me vai deixar de cabelos brancos na cabeça, e tudo isto sem que tenha de ir para consultas de psiquiatria. E não é porque eu seja a super-mulher-professora, sendo certo que eu sou apenas uma mulher-professora vulgar.
E termino constatando mais um facto. É que para mim é bem mais doloroso e difícil aturar o trio alojado na 5 de Outubro do que as minhas cinco turmas de CEF que me saíram na rifa durante este ano lectivo.
sábado, 31 de janeiro de 2009
Cefs - Portefólios
CEFs - Portefólios
Por norma, as minhas turmas de CEFs, as que pela primeira vez lecciono, dão-me trabalho mais do que acrescido durante os primeiros dois meses. É o tempo de travarmos conhecimento mútuo, de eu lhes tirar a pinta, e de eles me tirarem a pinta também.
E a minha pinta de professora tira-se facilmente. Exijo trabalho aula a aula sem parar, tudo a par de um grande respeito mútuo que, sempre que é quebrado por parte dos alunos, dá direito a castigo dentro da sala de aula, nos casos mais ligeiros, ou, quando o caso é mais grave, dá direito a expulsão da sala e visita ao Núcleo de Apoios Educativos para "reflexão".
Depois dos primeiros testes à minha resistência dentro da sala de aula, os alunos, mesmo os mais problemáticos, rendem-se à evidência e desistem de me "dobrar".
É que esta professora gosta mesmo de trabalhar com os seus alunos e gosta especialmente do desafio que constitui uma turma de alunos dos CEFs.
Uma das estratégias que melhor resulta com estes alunos, incomparavelmente mais problemáticos do que os alunos das turmas do básico dito normal, é o trabalho constante. Estes miúdos precisam de estar ocupados e tem de se lhes dar rédea curta dentro da sala de aula.
Com rédea curta não quero dizer cara de pau, antipatia, autoritarismo, muito pelo contrário. A melhor forma de lidar com eles é de sorriso nos lábios e firmeza na voz, sempre afectuosamente, e com um enorme respeito pelos seres humanos que eles são. Sem permitir abusos. E sempre que o abuso acontecer o sorriso suspende-se e, se for preciso, eleva-se a voz.
Dito isto, partilho hoje uma exigência que faço a todos os meus alunos, sem excepção. Quero portefólios arrumados, organizados, limpos, actualizados, a cada dia que passa.
Assim sendo, os meus alunos, os dos CEF`s incluídos, lá fazem os registos mais importantes e fundamentais das matérias por mim leccionadas.
Devo esclarecer, para quem não lecciona Cursos de Educação e Formação, que nós, professores a leccionar estes cursos, temos que nos desenrascar como podemos e sabemos, para leccionar os conteúdos constantes nos programas, devido à inexistência de manuais adaptados e adequados a estes cursos, o que se por um lado é bastante trabalhoso, por outro também é um desafio à nossa criatividade.
Por norma não entrego fotocópias aos meus alunos, a não ser em casos absolutamente necessários. Tenho para mim que estes alunos precisam, mais do que quaisquer outros, de escrever, de ler, de fazer. Ora o portefólio que eles constroem é para eles o registo da vida dentro da sala de aula na disciplina de Cidadania e Mundo Actual.
Mas quem diz que os alunos dos CEFs não trabalham nunca?
Mas quem diz que os alunos dos CEFs não trabalham?
Os meus alunos trabalham e até estão a trabalhar muito bem, salvo uma ou outra excepção em cinco turmas bem diferentes entre si.
Os portefólios que ilustram este post foram fotografados em contexto de sala de aula, o que os deixou perplexos e orgulhosos, e pertencem a alunos da turma EI1, de Electricidade, e CL1, de Carpintaria, e servem como exemplo de uma estratégia bem simples e algo "antiquada" mas que para mim permanece absolutamente actual e eficaz.
Escusado será dizer que os seus portefólios andam "debaixo de olho" por parte desta professora que os obriga a corrigir cada erro, cada falta de acento, cada sumário em falta!
É a vida... é a nossa vida de trabalho... mas... também damos as nossas gargalhadas!
Nota - Estou com problemas no carregamento das fotografias. Logo que ultrapassados posto as ditas.
Por norma, as minhas turmas de CEFs, as que pela primeira vez lecciono, dão-me trabalho mais do que acrescido durante os primeiros dois meses. É o tempo de travarmos conhecimento mútuo, de eu lhes tirar a pinta, e de eles me tirarem a pinta também.
E a minha pinta de professora tira-se facilmente. Exijo trabalho aula a aula sem parar, tudo a par de um grande respeito mútuo que, sempre que é quebrado por parte dos alunos, dá direito a castigo dentro da sala de aula, nos casos mais ligeiros, ou, quando o caso é mais grave, dá direito a expulsão da sala e visita ao Núcleo de Apoios Educativos para "reflexão".
Depois dos primeiros testes à minha resistência dentro da sala de aula, os alunos, mesmo os mais problemáticos, rendem-se à evidência e desistem de me "dobrar".
É que esta professora gosta mesmo de trabalhar com os seus alunos e gosta especialmente do desafio que constitui uma turma de alunos dos CEFs.
Uma das estratégias que melhor resulta com estes alunos, incomparavelmente mais problemáticos do que os alunos das turmas do básico dito normal, é o trabalho constante. Estes miúdos precisam de estar ocupados e tem de se lhes dar rédea curta dentro da sala de aula.
Com rédea curta não quero dizer cara de pau, antipatia, autoritarismo, muito pelo contrário. A melhor forma de lidar com eles é de sorriso nos lábios e firmeza na voz, sempre afectuosamente, e com um enorme respeito pelos seres humanos que eles são. Sem permitir abusos. E sempre que o abuso acontecer o sorriso suspende-se e, se for preciso, eleva-se a voz.
Dito isto, partilho hoje uma exigência que faço a todos os meus alunos, sem excepção. Quero portefólios arrumados, organizados, limpos, actualizados, a cada dia que passa.
Assim sendo, os meus alunos, os dos CEF`s incluídos, lá fazem os registos mais importantes e fundamentais das matérias por mim leccionadas.
Devo esclarecer, para quem não lecciona Cursos de Educação e Formação, que nós, professores a leccionar estes cursos, temos que nos desenrascar como podemos e sabemos, para leccionar os conteúdos constantes nos programas, devido à inexistência de manuais adaptados e adequados a estes cursos, o que se por um lado é bastante trabalhoso, por outro também é um desafio à nossa criatividade.
Por norma não entrego fotocópias aos meus alunos, a não ser em casos absolutamente necessários. Tenho para mim que estes alunos precisam, mais do que quaisquer outros, de escrever, de ler, de fazer. Ora o portefólio que eles constroem é para eles o registo da vida dentro da sala de aula na disciplina de Cidadania e Mundo Actual.
Mas quem diz que os alunos dos CEFs não trabalham nunca?
Mas quem diz que os alunos dos CEFs não trabalham?
Os meus alunos trabalham e até estão a trabalhar muito bem, salvo uma ou outra excepção em cinco turmas bem diferentes entre si.
Os portefólios que ilustram este post foram fotografados em contexto de sala de aula, o que os deixou perplexos e orgulhosos, e pertencem a alunos da turma EI1, de Electricidade, e CL1, de Carpintaria, e servem como exemplo de uma estratégia bem simples e algo "antiquada" mas que para mim permanece absolutamente actual e eficaz.
Escusado será dizer que os seus portefólios andam "debaixo de olho" por parte desta professora que os obriga a corrigir cada erro, cada falta de acento, cada sumário em falta!
É a vida... é a nossa vida de trabalho... mas... também damos as nossas gargalhadas!
Nota - Estou com problemas no carregamento das fotografias. Logo que ultrapassados posto as ditas.
sábado, 27 de dezembro de 2008
CEF - Levantamento de Problemas I
CEF - Levantamento de Problemas I
Os Cursos de Educação e Formação funcionam na ESA há muitos anos e, antes destes, funcionavam os antigos 15/18, daí que a experiência acumulada nesta escola seja já digna de nota relativamente a estes alunos, por norma, mais complicados e difíceis.
As turmas que integram estes cursos são constituídas por alunos que, no geral, não gostam da escola dita normal, porque demasiado teórica, oriundos quantas vezes de famílias disfuncionais, de baixos recursos económicos, de baixo nível cultural, alunos com problemas afectivos e comportamentais que não sabem, frequentemente, refrear e moderar as suas reacções, o que nos coloca problemas suplementares a que devemos dar resposta dentro e, quantas vezes, fora da sala de aula.
De notar que considero que não compete à escola albergar tudo no seu seio e que os delinquentes, caso existam, deverão ser encaminhados para outras instituições que não a Escola.
Feito este parentesis levanto hoje um problema pouco falado e assumido entre nós, professores.
Para que estes cursos funcionem sem se aumentar e potenciar os problemas e riscos de indisciplina, inerentes a alunos com estas características, é necessário um corpo docente experiente que alie autoridade, paciência, firmeza, afectividade, características que devem andar enlaçadas com uma enorme dose de bom senso e capacidade de reacção pronta, e que não contemporize com momentos de laxismo dentro da sala de aula, sob pena das turmas ficarem sem rei nem roque e se perder, por completo, o controlo da situação.
Reconheço que a atitude da esmagadora maioria dos professores mais experientes, que compõem os corpos docentes das escolas, é fugir destas turmas como o diabo foge da cruz e o que se passa na ESA não foge a esta tendência. Vai daí ser raro o professor mais velho e mais experiente, agora promovido a titular de coisa nenhuma, solicitar turmas de CEF para integrarem o seu horário lectivo. Daí advém, a meu ver, um dos problemas que afectam o funcionamento destes cursos, neste país, pois estas turmas, difíceis, às vezes muito difíceis, ficam para quem é mais novo e menos experiente, para quem não tem outra hipótese, para quem não tem outra escolha, e para quem, muitas vezes, as lecciona não querendo, não gostando, leccionando absolutamente contrariado e inadaptado, contando os dias que faltam para chegar ao fim de tal calvário.
Considero tal facto injusto e expressa, a meu ver, uma enorme falta de solidariedade entre pares que, sinceramente, não sei como resolver, porque se a esmagadora maioria dos titulares escolhe não ter turmas de CEF é porque não quer estes alunos e, provavelmente, se fossem obrigados a escolhê-los também iriam leccioná-los contando os dias para o final de tal calvário...
Ora esta atitude, a existir de forma mais ou menos generalizada, potencia, a meu ver, os problemas nestas turmas.
E o que é que eu, como professora de cinco turmas de CEF, posso adiantar? E ainda por cima com uma direcção de turma de um CEF?
Pois não posso deixar de considerar abusivo o meu horário e já tive oportunidade de o afirmar ao meu Director, muito embora escolha CEF todos os anos pois gosto do desafio das coisas difíceis. Continuo a gostar de muros, de os contornar, de os saltar e uma turma bem comportada e com excelentes resultados não me coloca desafios por aí além enquanto docente, enquanto a esmagadora maioria destas turmas coloca-me desafios a cada aula que passa e eu gosto desta adrenalina. Cá em casa chamam-me masoquista... serei. Mas a verdade é que quando consigo colocar um aluno destes a dizer "Afinal até gosto de CMA!" é para mim motivo de alegria maior e saboreio cada palavra, lentamente, sentindo que tenho de continuar a fazer mais e melhor enquanto docente.
E, embora considere que a ESA abusou no meu horário, e tenha dias em que saio da Escola absolutamente exausta, ainda assim não considero que esteja a percorrer um calvário.
Bem sei que a resistência faz parte das minhas características enquanto pessoa e enquanto docente mas, a verdade, é que, para mim, o facto de eu conseguir leccionar cinco turmas de CEF sem soçobrar só vem comprovar aquilo que afirmo há muito tempo - há CEFs e há CEFs.
E que quem os mete a todos no mesmo saco da delinquência está a cometer um erro grave de generalização que não deveria, a meu ver, ser cometido entre educadores.
Os Cursos de Educação e Formação funcionam na ESA há muitos anos e, antes destes, funcionavam os antigos 15/18, daí que a experiência acumulada nesta escola seja já digna de nota relativamente a estes alunos, por norma, mais complicados e difíceis.
As turmas que integram estes cursos são constituídas por alunos que, no geral, não gostam da escola dita normal, porque demasiado teórica, oriundos quantas vezes de famílias disfuncionais, de baixos recursos económicos, de baixo nível cultural, alunos com problemas afectivos e comportamentais que não sabem, frequentemente, refrear e moderar as suas reacções, o que nos coloca problemas suplementares a que devemos dar resposta dentro e, quantas vezes, fora da sala de aula.
De notar que considero que não compete à escola albergar tudo no seu seio e que os delinquentes, caso existam, deverão ser encaminhados para outras instituições que não a Escola.
Feito este parentesis levanto hoje um problema pouco falado e assumido entre nós, professores.
Para que estes cursos funcionem sem se aumentar e potenciar os problemas e riscos de indisciplina, inerentes a alunos com estas características, é necessário um corpo docente experiente que alie autoridade, paciência, firmeza, afectividade, características que devem andar enlaçadas com uma enorme dose de bom senso e capacidade de reacção pronta, e que não contemporize com momentos de laxismo dentro da sala de aula, sob pena das turmas ficarem sem rei nem roque e se perder, por completo, o controlo da situação.
Reconheço que a atitude da esmagadora maioria dos professores mais experientes, que compõem os corpos docentes das escolas, é fugir destas turmas como o diabo foge da cruz e o que se passa na ESA não foge a esta tendência. Vai daí ser raro o professor mais velho e mais experiente, agora promovido a titular de coisa nenhuma, solicitar turmas de CEF para integrarem o seu horário lectivo. Daí advém, a meu ver, um dos problemas que afectam o funcionamento destes cursos, neste país, pois estas turmas, difíceis, às vezes muito difíceis, ficam para quem é mais novo e menos experiente, para quem não tem outra hipótese, para quem não tem outra escolha, e para quem, muitas vezes, as lecciona não querendo, não gostando, leccionando absolutamente contrariado e inadaptado, contando os dias que faltam para chegar ao fim de tal calvário.
Considero tal facto injusto e expressa, a meu ver, uma enorme falta de solidariedade entre pares que, sinceramente, não sei como resolver, porque se a esmagadora maioria dos titulares escolhe não ter turmas de CEF é porque não quer estes alunos e, provavelmente, se fossem obrigados a escolhê-los também iriam leccioná-los contando os dias para o final de tal calvário...
Ora esta atitude, a existir de forma mais ou menos generalizada, potencia, a meu ver, os problemas nestas turmas.
E o que é que eu, como professora de cinco turmas de CEF, posso adiantar? E ainda por cima com uma direcção de turma de um CEF?
Pois não posso deixar de considerar abusivo o meu horário e já tive oportunidade de o afirmar ao meu Director, muito embora escolha CEF todos os anos pois gosto do desafio das coisas difíceis. Continuo a gostar de muros, de os contornar, de os saltar e uma turma bem comportada e com excelentes resultados não me coloca desafios por aí além enquanto docente, enquanto a esmagadora maioria destas turmas coloca-me desafios a cada aula que passa e eu gosto desta adrenalina. Cá em casa chamam-me masoquista... serei. Mas a verdade é que quando consigo colocar um aluno destes a dizer "Afinal até gosto de CMA!" é para mim motivo de alegria maior e saboreio cada palavra, lentamente, sentindo que tenho de continuar a fazer mais e melhor enquanto docente.
E, embora considere que a ESA abusou no meu horário, e tenha dias em que saio da Escola absolutamente exausta, ainda assim não considero que esteja a percorrer um calvário.
Bem sei que a resistência faz parte das minhas características enquanto pessoa e enquanto docente mas, a verdade, é que, para mim, o facto de eu conseguir leccionar cinco turmas de CEF sem soçobrar só vem comprovar aquilo que afirmo há muito tempo - há CEFs e há CEFs.
E que quem os mete a todos no mesmo saco da delinquência está a cometer um erro grave de generalização que não deveria, a meu ver, ser cometido entre educadores.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Doçaria de Natal
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães
Doçaria de Natal
Antecipando a quadra que se avizinha, partilho com os meus leitores o meu pecado mortal, já assumido neste blogue, da gula.
Estas são as fotografias de algumas iguarias confeccionadas pelos meus Empregados de Mesa que têm direito a postagem específica.
Provei de tudo... ai ai ai... e tudo estava óptimo.
Gostei particularmente das rabanadas com molho e aconselhei-as a toda a gente que comigo se cruzou, porque me pareceram simplesmente divinais.
Manhã para não repetir com frequência, sob pena de crescer para os lados em ritmo acelerado!
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Portefólios

Portefólios
Ufa! Acabei a correcção dos portefólios dos meus alunos! Ufa! Faltam-me apenas meia dúzia de residuais que ainda não corrigi porque os alunos se esqueceram, porque lhes faltava não sei o quê, mas que corrigirei esta semana, sob pena de terem um zerinho na avaliação dos mesmos.
A correcção dos portefólios é tarefa que me consome horas e horas do meu trabalho. Nem contabilizo quantas que é para não me chatear ainda mais com um ministério que sabe lá o que é ser professor!
Não contabilizei as horas mas, por mera curiosidade, deu-me para contabilizar as páginas corrigidas e a minha contabilidade deu nisto:
calculei uma média de 20 páginas por aluno, corrigidas conceito por conceito, palavra por palavra, erro por erro. Há alunos que escreveram mais páginas, outros menos, dependendo do tamanho da letra, dos espaços deixados entre matérias, do espaço ocupado pelos trabalhos, por isso a média de 20 páginas por aluno parece-me bem.
Tenho 133 alunos e por isso, grosso modo, acabei este Domingo, dia santo de descanso, de corrigir 2 660 páginas de alguns disparates e muito mais coisas acertadas.
Daí eu não ter mesmo tempo para a fantochada da Avaliação do Desempenho que o ministério engendrou. Se eu não tivesse nada mais para fazer até que podia esbanjar horas e horas da minha vida profissional com semelhante disparate! Mas tenho mais que fazer. Os meus alunos consomem-me muitas horas do meu trabalho e pretendo que esta situação se mantenha.
Tenho para mim que os alunos devem sentir esta rédea curta da professora, para saberem que isto da escola não é uma balda e que nada se conquista sem esforço. Tenho a pretensão de contribuir, tanto quanto possível, para que a organização dos meus alunos melhore, para que o seu gosto e brio aumente ao apresentarem portefólios cada vez mais cuidados. Promovo assim a atenção na sala de aula, até porque eles já sabem... erro apanhado, dez vezes corrigido, faltas de acentos, cinco vezes corrigidas, sumário mal passado, cinco vezes copiado... e por aí adiante que eu sou uma professora exigente sempre de sorriso nos lábios!
Sim, já sei, P, o meu êxito contigo foi mesmo para esquecer!!! Conversaremos sobre isso durante o próximo almoço de Natal. _:-/
De notar que este procedimento é válido para as minhas turmas de 7.º e igualmente para as minhas turmas dos CEF que, como eu costumo dizer, os alunos dos CEF também são filhos de deus!
E têm portefólios arrumados, organizados, bem apresentados, cuidados? Os alunos dos CEF?
Olá, se têm!!! Têm porque não têm outro remédio!
calculei uma média de 20 páginas por aluno, corrigidas conceito por conceito, palavra por palavra, erro por erro. Há alunos que escreveram mais páginas, outros menos, dependendo do tamanho da letra, dos espaços deixados entre matérias, do espaço ocupado pelos trabalhos, por isso a média de 20 páginas por aluno parece-me bem.
Tenho 133 alunos e por isso, grosso modo, acabei este Domingo, dia santo de descanso, de corrigir 2 660 páginas de alguns disparates e muito mais coisas acertadas.
Daí eu não ter mesmo tempo para a fantochada da Avaliação do Desempenho que o ministério engendrou. Se eu não tivesse nada mais para fazer até que podia esbanjar horas e horas da minha vida profissional com semelhante disparate! Mas tenho mais que fazer. Os meus alunos consomem-me muitas horas do meu trabalho e pretendo que esta situação se mantenha.
Tenho para mim que os alunos devem sentir esta rédea curta da professora, para saberem que isto da escola não é uma balda e que nada se conquista sem esforço. Tenho a pretensão de contribuir, tanto quanto possível, para que a organização dos meus alunos melhore, para que o seu gosto e brio aumente ao apresentarem portefólios cada vez mais cuidados. Promovo assim a atenção na sala de aula, até porque eles já sabem... erro apanhado, dez vezes corrigido, faltas de acentos, cinco vezes corrigidas, sumário mal passado, cinco vezes copiado... e por aí adiante que eu sou uma professora exigente sempre de sorriso nos lábios!
Sim, já sei, P, o meu êxito contigo foi mesmo para esquecer!!! Conversaremos sobre isso durante o próximo almoço de Natal. _:-/
De notar que este procedimento é válido para as minhas turmas de 7.º e igualmente para as minhas turmas dos CEF que, como eu costumo dizer, os alunos dos CEF também são filhos de deus!
E têm portefólios arrumados, organizados, bem apresentados, cuidados? Os alunos dos CEF?
Olá, se têm!!! Têm porque não têm outro remédio!
Sob pena de terem de passar tudo desde o início! :)
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Laureans - Conversa com um Poeta Louco

Auditório - Escola Secundária de Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães
Laureans - Conversa com um Poeta Louco
Hoje levei a minha turma de Electricistas de 2º ano, do Curso de Educação e Formação, ao auditório do Pavilhão B onde, conjuntamente com outros alunos de outras turmas, alguns até de Secundário, participaram numa conversa animada com Laureans, o poeta louco.
Laureans é um personagem muito pouco convencional, com um discurso muito filosófico, muito anarquista. Cativou de imediato os meus alunos que se iam rindo a bandeiras despregadas com algumas das afirmações feitas durante aquela conversa. E só para exemplificar:
"A vida é a única merda que vale a pena cheirar!" disse Laureans.
Pois os meus alunos deliraram com o personagem subversivo e provocador que encontraram pela frente e participaram activamente nos diálogos estabelecidos. À saída, de olhos a brilhar, diziam-me "Foi muito fixe!" "Pensei que ia ser uma seca!"
Fiquei contente por eles terem gostado. A Escola também tem de lhes mostrar os desalinhados, os que pensam e se exprimem de forma diferente.
E eu continuo de sorriso até às orelhas. Agora que estes meus CEFs se estão quase, quase a despedir de mim, e ao fim de dois anos a aturar-nos mutuamente, parece que estes meninos tiraram os dias para me alegrar a vida!
Ah, vida boa!
Aqui deixo, em jeito de provocação, uma das poesias de Laureans.
Procura-se
DEUS...
VERDADE...
FELICIDADE...
Mas, ao encontrarem-se...
Morre-se de tédio
Por não poder-se
Continuar
A procurar!...
Eu cá por mim continuo na procura incessante de tudo isto. É que me recuso a morrer de tédio.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Uma Surpresa Surpreendente

Fotografias de Anabela Matias de Magalhães
Uma Surpresa Surpreendente
Hoje os meu três Cefs de 2º ano - carpinteiros, serralheiros, electricistas - estiveram presentes numa palestra sobre "Doenças Sexualmente Transmissíveis". A palestra foi orientada por alunos finalistas do curso de Ciências Farmacêuticas, da CESPU, que se deslocaram à ESA com a sua professora, a Mestre Áurea Lima, que pôde assim avaliar, in loco, o trabalho realizado e desenvolvido por estes alunos, quase, quase farmacêuticos.
Nem de propósito, pude comparar o comportamento, a postura, e o interesse demonstrados num assunto tão importante para estes adolescentes, como é este assunto da sexualidade e doenças a ela associadas, com o famigerado comportamento das minhas turmas de 9º ano e o que tenho a dizer é que os meus alunos de Cefs resolveram dar mil a zero aos meninos e meninas destas turmas e resolveram deixar-me a sorrir até ao final do ano.
Nem de propósito, pude comparar o comportamento, a postura, e o interesse demonstrados num assunto tão importante para estes adolescentes, como é este assunto da sexualidade e doenças a ela associadas, com o famigerado comportamento das minhas turmas de 9º ano e o que tenho a dizer é que os meus alunos de Cefs resolveram dar mil a zero aos meninos e meninas destas turmas e resolveram deixar-me a sorrir até ao final do ano.
Bem sei que ainda hoje de manhã lhes voltei a frisar da importância de estarem atentos, de aproveitarem o mais possível, de colocarem as dúvidas de forma educada e não grosseira, de aproveitarem, em suma, para aprender... porque mais tarde não nos vão ter a nós por perto, na hora da verdade, para os esclarecer sobre isto ou sobre aquilo! (risos deles) E chamei-os à atenção sobre a importância de deixarem uma boa imagem deles próprios, dos seus professores, da instituição, que também eles representam, perante aquelas pessoas estranhas à ESA.
Devo dizer que desta vez fui eu que fiquei de boca aberta até às orelhas... desta vez no bom sentido, claro está! Os meus Cefs portaram-se que nem estudantes universitários. Estiveram atentos, não perturbaram, não mandaram bocas, participaram quando deviam, numa postura absolutamente exemplar.
Por isso aqui deixo esta nota de louvor público a três turmas de Cefs que juntas, e perante um tema tão propício ao disparate, se souberam comportar impecavelmente.
Confesso que até eu, a optimista por natureza, depois da desagradável surpresa com os meus 9ºs anos, estava um pouco apreensiva. Quando a Joana me falou desta possibilidade eu agarrei-a com unhas e dentes, pensando nestes meus alunos que em breve se despedirão da escola. Mas também confesso... as três turmas de Cefs juntas!... É que, como eu costumo dizer, eles têm dias! E, para não facilitar, lá me coloquei eu na porta, tipo polícia sinaleira, relembrando "Não se esqueçam de deitar fora as pastilhas elásticas", "Tirem os phones dos ouvidos", "Tirem os bonés das cabeças".
Mas os meus receios verificar-se-iam totalmente infundados. Amanhã abordaremos o assunto nas aulas e não deixarei de lhes gabar, mais uma vez, o comportamento.
A palestra revelar-se-ia muito bem preparada e atractiva, dada de forma bastante motivadora o que, sem dúvida, contribuiu para o êxito da mesma.
Obrigada e parabéns aos intervenientes, de seus nomes Carlos Valério, Diogo Tavares, Miguela Duarte e Octávia Ramos, pelo excelente trabalho desenvolvido e pela desenvoltura demonstrada, por estes futuros farmacêuticos que continuam a rodear-me, como uma praga, boa!, e a surpreender-me pela positiva.
E para finalizar retomo a última mensagem deixada por este grupo simpático:
Sexo...
Com quem Eu gosto
Porque Eu quero
Quando Eu quero
MAS PREVENIDO!!!
quinta-feira, 28 de junho de 2007
Ainda os meus CEFs

Rosa Vermelha Digitalizada
Ainda os meus CEFs
Continuo a leccionar Cidadania e Mundo Actual aos meus serralheiros e aos meus electricistas. E a manhã de hoje não fugiu à regra... foi mais uma manhã de aulas.
Quanto aos meus carpinteiros, agora que já se viram livres de mim, rodeiam-me sempre que me vêem na escola, e enquanto me dirijo à sala de professores dizem-me que já estão com saudades minhas! Hoje dois deles fizeram mais. É que nem me deixaram sair do carro... abriram-me a porta, nas caras sorrisos escancarados, e ofereceram-me esta rosa vermelha que fica postada neste blogue, para sempre viva e viçosa.
Gargalhei logo pela manhã. Dia bom, este!
O relacionamento entre nós, professores, e estes alunos dos Cursos de Educação e Formação, passa muito pela afectividade e pelos laços de amizade que com eles conseguimos estabelecer.
Confirma-se... decididamente estamos no bom caminho!
Obrigada P. Obrigada T.
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