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sexta-feira, 27 de abril de 2007

Praia


Praia de S. Filipe - Ilha do Fogo - Cabo Verde
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Praia

Adoro praia. Adoro caminhar lentamente pela praia molhando os pés. E se a praia estiver deserta e silenciosa tanto melhor.
O ruído é um dos males da nossa civilização e é cada vez mais insuportável. Para nós, professores, o silêncio, depois do ruído da escola, depois do ruído dos alunos, é uma necessidade, diria até uma urgência, para recuperar a energia e a paciência já gastas.
A fotografia que ilustra este "post" foi tirada num dia feliz, na capital da ilha do Fogo, S. Filipe. Estávamos cá em cima, na cidade, debruçados sobre a praia, quando nos deparámos com este barco fantástico em contraste com uma praia completamente negra. Descemos e passeámos pela praia mais incrível que vi até hoje. Uma praia silenciosa de gente, o que vai sendo cada vez mais difícil de encontrar neste nosso mundo caótico e infernal. A areia preta retinta está misturada com uns pequenos grãos que, sob acção do sol, reflectem e brilham parecendo minúsculas pepitas de ouro. Na praia só estávamos nós e os pescadores, e ouvíamos o barulho dos nossos passos sobre a água, e ouvíamos a brisa suave e leve, e ouvíamos o barulho das ondas que morriam na praia estranha e exótica. Incrível e só possível porque estávamos numa ilha que é toda ela um vulcão, e que tem um nome lindo de morrer... Fogo!

terça-feira, 24 de abril de 2007

Vulcões


Pico do Fogo e Pico 2 de Abril - Ilha do Fogo - Cabo Verde
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Fogo - Ilha do Fogo - Cabo Verde
Fotografia de Artur Matias de Magalhães
Pico do Fogo e Pico 2 de Abril - Ilha do Fogo - Cabo Verde
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Vulcões

Os vulcões são outra paixão da minha vida que me acompanha desde que me lembro de ver as suas erupções nos noticiários televisivos. Desde pequena que vibro com imagens de erupções violentas, em que as entranhas da terra vomitam rios incandescentes cor de sangue, e fico como que hipnotizada a ver as correntes vermelhas que arrasam tudo à sua passagem. E também fico hipnotizada ao ver as erupções piroclásticas em que nuvens densas se deslocam a velocidades vertiginosas, e tudo abraçam, num abraço escaldante de morte. Não perco a oportunidade de ver atentamente todos os documentários que passam na televisão sobre vulcões e não perco a oportunidade de os visitar e se possível entrar dentro deles. Foi o que aconteceu nas férias em que fui a Cabo Verde. A J ficou a estudar, o Sahel em casa do Helder C, e eu e o A mandamo-nos para a ilha do Sal, de mochilinha às costas para não apanharmos secas monumentais nos aeroportos à espera das bagagens. (Infelizmente, parece que esta forma de viajar se extinguiu, com as novas formas de segurança implementadas nos aeroportos devido aos ataques terroristas.)

As praias do Sal são espectaculares, com ondas altas num mar sem correntes e seguro, e a ilha não lhe fica atrás, árida, árida, num verdadeiro prolongamento do deserto do Sahara. Quais saltitões, saltitámos para a ilha de Santiago e depois para a tão ansiada ilha do Fogo. Ficámos alojados na Pensão Las Vegas, que eu rebaptizei de Pensão Estrelinha, último grito em pensões manhosas, mas o melhor que se pode arranjar em S. Filipe, a cidade colonial mais bonita de todo o arquipélago. A ilha é quase toda preta das escorrências das lavas que formam cordões estranhos e paisagens apaixonantes, porque excessivas na forma e na cor. E lá nos dirigimos ao interior do vulcão, à caldeira de vários quilómetros de diâmetro, e entrámos nela para a gozarmos na sua plenitude.
A paisagem é de cortar a respiração. O vulcão Pico do Fogo ergue-se a 2829 metros de altitude e lá está o cone lateral chamado Pico 2 de Abril, que surgiu aquando da última erupção de 2 de Abril de 1995, que eu acompanhei fascinada pela televisão. Este novo cone surgiu da base da enorme cratera que hoje em dia constitui o Parque Natural do Fogo e convém lembrar que, quando estamos dentro da cratera, estamos dentro de um monstro vivo e em actividade.
Nada melhor que a sensação de perigo controlado para libertar doses boas boas de adrenalina.
 
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