quarta-feira, 9 de julho de 2008


S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Titularidades

Ontem foi feriado aqui em Amarante. Foi um feriado triste, como sempre são, desde que me lembro, os dias em que se comemora a "elevação", para utilizar um termo muito caro aos politiqueiros locais, de Amarante a cidade.
O gosto pelas titularidades dos portugueses nota-se nas mais pequenas coisas. No "concurso" aberrante para titulares onde apenas pouco mais de meia dúzia de professores, com condições para "ascender" a este título, se recusou participar nesta perfeita palhaçada montada pelo ME. Na preocupação e pressa política que certos politiqueiros locais tiveram para alterar a condição de Amarante. E assim Amarante mudou de condição. De excelente vila, que o era, passou a uma merda de cidade, que tem vindo a morrer aos poucos, ano após ano, sem que os politiqueiros locais actuem no sentido de inverter a situação. Permitiram, uma após outra, a construção de urbanizações que se estenderam cada vez mais para as periferias da cidade, onde as pessoas permanecem em casas confortáveis com piscina e máquina de café, a bem dizer resorts autosuficientes, isolando-se cada vez mais, perdendo a pouca urbanidade que tinham e que se ia notando nos passeios a pé pela vila maravilhosa, no hábito da tertúlia no café. E as casas do centro histórico, vazias de gente, degradando-se mais um pouco a cada ano que passa. Contradições de um povo que não respeita o legado dos seus antepassados. Contradições de um povo que ama as titularidades. Contradições de um povo com mentalidade de novo rico. Contradições de um povo, que é o meu, pobre de espírito, que valoriza o Ter, e acima de tudo o Parecer, em detrimento do Ser.
Assim sendo ontem foi mais um dia triste, com o meu café fechado, o Largo de S. Gonçalo despovoado, as ruas desertas.
E chegava-me aos ouvidos a música vinda da florestal, do almoço oferecido pela autarquia, a todos os amarantinos acima dos 65 anos, da terceira idade dizem eles.
Lembranças de Pão e Circo. Tantos séculos já volvidos e continuamos nisto!

4 comentários:

  1. Como diria D.M-Ferreira:
    " Nós temos cinco sentidos:
    são dois pares e meio de asas.
    - Como quereis o equilíbrio?"

    ResponderEliminar
  2. Sim, como quereis?!
    Clap, há novidades no tubes?
    E "As Paixões do Vicente?"

    ResponderEliminar
  3. Pesca-os nos tubos, Clap!
    Estamos todos à espera!

    ResponderEliminar