terça-feira, 14 de setembro de 2010

A Propósito do Meu Post "Sala de História"

A Propósito do Meu Post "Sala de História"

O meu post do passado Domingo deu origem a um comentário que entrou ontem neste blogue, que publiquei de imediato, e a que respondi logo de seguida.
O seu teor foi este, que agora transcrevo, apenas corrigindo umas gralhas dos meus comentários que foram escritos às escuras o que deu lugar a uma gataria sem fim de que eu não gosto mesmo nada.

carol disse...
Acredito piamente que seja uma boa profissional. Mas apetece dizer: "Sou boa, mas me gabo!"É que quem é bom não precisa de andar a apregoá-lo... Isto é um complexo dos professores.
13 de Setembro de 2010 22:18

Anabela Magalhães disse...
Procuro ser uma boa profissional, sem dúvida que procuro, e o meu trabalho, público e partilhado com quem não anda distraído, e que começou a ter mais visibilidade a partir de 2005, ano em que comecei a recorrer às novas tecnologias, é prova disso mesmo. O trabalho que eu acumulo no lombo é meu, fruto de horas e horas e mais horas de trabalho árduo e isolado e que não parará nunca apenas porque eu sou uma eterna insatisfeita e acho sempre que poderei fazer melhor da próxima vez. Mas atenção que eu jamais afirmei/afirmarei que sou boa. Apenas afirmo, e sem qualquer complexo porque apenas corresponde à verdade, que trabalho que me farto para a Escola Pública e que não admito ser tratada como professorzeca por uma qualquer política. Os professores não são todos iguais. Também os há moinas, é certo. Pois moina é coisa que eu não sou e se o ME me fosse a pagar todas as horas do meu trabalho estava eu rica com ele porque faço horas extraordinárias até dizer chega! E atenção! Não é de agora! Nada de confusões.O segredo, se o há, resume-se apenas a um enorme gosto em desempenhar as funções que ocupo, reles professora dentro de uma sala de aula, tudo o que eu sempre quis ser. Este post foi apenas parte do relato do meu Domingo, que não foi nada de especial porque muitas vezes os meus domingos são passados às voltas de coisas para a escola. E sei que não estou só. Muitos professores dão o litro neste país gozados pelos moinas que nada fazem e apenas se aproveitam do trabalho alheio não tendo nadica de nada para mostrar.De resto, para quem frequenta este blogue há mais tempo e já me conhece dos meus escritos, sabe que eu funciono assim e chamo os bois pelos nomes, sem papas na língua. Mesmo quando as coisas não me correm bem e não tenho êxito, aqui aparecem os posts, sem problemas, que eu não os tenho na hora de assumir os erros. E sim, há quem não aprecie o estilo.É a vida.
13 de Setembro de 2010 22:43

Anabela Magalhães disse...
E já agora, Carol, a ideia da Sala de História que tal lhe pareceu? Interessante? Uma porcaria? É que este post era sobre ela e não sobre mim... se bem que... pois... ela não aparece feita, toda catita, se eu estalar os dedos... pois não?
Pois. Vai daí...
13 de Setembro de 2010 22:50

A resposta ficou dada , é certo, mas ainda quero acrescentar meia dúzia de ideias para total esclarecimento da Carol, que não me conhece de lado nenhum e que por certo ainda não conhece nem uma pequeníssima parte do meu imenso trabalho que desenvolvo enquanto docente.

Ponto um - Trabalho que me farto para a Escola Pública.
Ponto dois - Ninguém me pode acusar de ter começado a trabalhar fruto da famigerada Avaliação de Desempenho Docente parida pelo anterior governo e isto apenas porque não precisei dela para dar o litro pela minha profissão. Ao salário de um qualquer trabalhador tem sempre que corresponder trabalho esforçado e eu sou uma praticante convicta deste princípio.
Ponto três - Nunca estou satisfeita com o meu trabalho. Acho sempre que podia fazer melhor se o iniciasse no final e vai daí ando sempre a alterar procedimentos, estratégias, trabalhos e sim, é uma canseira do catano!
Ponto quatro - Não fecho o meu trabalho a sete chaves porque não sou egoísta e porque acredito piamente no valor da partilha, valor a que volto amiúde nos escritos que vou deixando neste blogue. Se todos partilhássemos estratégias por certo estaríamos num outro patamar de maturidade enquanto docentes.
Ponto cinco - Já não é a primeira vez que por aqui passa gente que confunde a partilha, quem partilha expõe-se, é certo, com armanço ou auto-elogio. Na verdade uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa e, embora ambas se possam sobrepor e misturar, a verdade é que ambas sobrevivem, muito bem, no meu caso, sem se tocarem. Faço o que faço e cabe-me a mim decidir o que partilho e o que não partilho. Se o faço mal ou bem, os meus leitores julgarão por si e não me cabe a mim estar para aqui a dizer eu é que sou boa, até porque todo o Professor consciente de o Ser sabe muito bem que em Educação não há receitas iguais para todos e também sabe uma premissa básica da nossa profissão - o que é válido hoje amanhã pode já não o ser.
Ponto seis - Não concordo nada com a sua última tirada acerca dos complexos dos professores e da atitude derivada deles de apregoarem que são bons. Muito pelo contrário, o que observei, durante os já quase 30 anos de carreira que acumulo, é que os professores trabalharam o mais das vezes isolados, sem partilharem nada de nada uns com os outros, senhores absolutos das suas práticas, boas, más, assim assim. E se não se expuseram aos pares muito menos o fizeram perante os ímpares. Daí que tenham deixado crescer e avolumar a ideia que os professores são todos uns sornas que vão à escola despachar umas horitas, poucas, de aulas e que o mais do tempo é gasto em cabeleireira, a ver futebóis, novelas e o mais que calhar e vier a reboque. Ora há muita gente na minha profissão que trabalha que se desunha e eu estou sem dúvida dentro desta categoria. Dizer o contrário não me é possível apenas porque não corresponde à verdade. Este blogue também se faz contra esta ideia enraizada já entre a população portuguesa de que os professores fazem muito pouco. Quem passa por aqui saberá sempre que eu faço muito e que o procuro fazer bem feito. Se o consigo, isso são outras histórias. Se esta atitude é reveladora de uma boa profissional não me compete a mim afirmá-lo muito embora garanto-lhe, como empregadora que também sou, bem que gostaria de ter entre os meus empregados(as) gente da estirpe de todos os daqui de casa, trabalhadores incansáveis que labutam no dia-a-dia sem a preocupação de olhar para o relógio.
Ponto sete - O bota abaixismo presente na sua intervenção não me espanta e amiúde cá emerge ele neste blogue, dando-lhe eu sempre destaque, porque lutadora incansável contra ele.
Nem uma palavra sobre a partilha dos materiais que são meus e que eu coloquei ao dispor da Escola, beneficiando assim as práticas de outros que não eu. Nem uma palavra sobre o benefício que da minha atitude poderá advir para outros alunos que não os meus. Nem uma palavra sobre uma inovação da minha Escola, e que eu desconheço em absoluto de todas por onde já passei, e que é a Sala de História. Nada de positivo na sua intervenção. Só o bota abaixismo costumeiro em que demasiados portugueses são especialistas.
Não contem comigo para este peditório. Garanto que tenho coisas bem mais interessantes para fazer.
Posto isto vou trabalhar.

5 comentários:

  1. Minha querida Anabela!
    Já estava à espera disto! Quando lhe disse que não duvidava que fosse uma boa profissional, não duvidava e não duvido MESMO! Fui professora durante 40 anos, tive todos os cargos que na escola se podem ter desde orientadora de estágio (tradicional) até muitos anos de presidente de direcção! Por isso tenho a pretensão de que conheço bem as pessoas (mesmo à distância...)
    Agora o que acho e sempre achei, é aquilo que já disse e repito: quando se é bom não temos de andar a apregoá-lo. Os outros, mesmo que não o digam, reconhecem-nos e pronto! A sua Sala de História - sua ou não sua - é um sucesso? Ainda bem! Os alunos bem necessitam das coisas boas que, com muito esforço e muitos prazer, também, vamos fazendo nas escolas. Mas um pouco de humildade fica-nos muito bem! Sabe porque é que a opinião pública não nos tolera? Não foi por causa da Mª de Lurdes Rodrigues ou por causa do Valter Lemos! Foi por causa da nossa arrogância! Nós, professores, (e faço questão de me incluir no n.º!) não podemos passar a ideia de que somos as pessoas que mais trabalham! Trabalhamos ao Domingo? É verdade. As minhas filhas sempre se queixaram disso! Mas podemos ter a 4ª feira de tarde livre! Ou trabalhamos pela noite dentro para gozar uma manhã e 2ª feira!
    Percebe a minha posição?! Tenho duas filhas: uma é professora como a mãe e a avó foram e outra é terapeuta da fala. Poi esta apregoa aos quatro ventos que os professores são as pessoas mais arrogantes que conhece! Porquê? Exactamente porque nos falta uma qualidade que, infelizmente, está muito esquecida entre os Portugueses: a humildade!
    Não se exalte comigo! Olhe que passei a ser sua seguidora porque a encontrei num bom blog de educação e fui espreitar. Sabe, é que, apesar de me ter reformado em Abrl, não sou capaz, nem quero, afastar-me dos assuntos da Escola.
    (Desculpe-me os eventuais lapsos de escrita, mas nunca releio o que escrevo - falta de humildade? Não! talvez preguiça...
    Muito gosto!
    Carol

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  2. Olá Carol!
    Mais uma vez seja bem vinda a este blogue.
    Começo por discordar da posição que defende sobre a humildade e a arrogância porque acho que está a misturar duas coisas não misturáveis.
    Quando eu relato as minhas práticas lectivas não estou a apregoar que sou boa, nem estou a revelar arrogância, estou apenas a relatá-las e ao mesmo tempo a reflectir sobre elas, em primeiro lugar para mim própria, depois porque estou convicta que a minha experiência poderá ajudar outros, tal como a experiência de outros me poderá ajudar a mim. Acredito que é neste dar e receber que está, em grande parte, o segredo do nosso êxito profissional. É claro que eu podia fechar-me em copas, não partilhar nada do que faço, do que sou, fechar tudo a sete chaves e na hora H emergir na Escola com um olá, aqui estou eu! Vejam só o que eu andei a fazer em segredo sem mostrar nada a ninguém!
    Essa/esta postura não faz, de facto, parte da minha matriz educacional. Mas atenção, também não faço alarido e não ando com uma sineta pela escola a apregoar que fiz isto ou deixei de fazer aquilo. Aliás até sinto um certo constrangimento exactamente porque a partilha, pouco usual nas escolas portuguesas, pode muitas vezes ser confundida com arrogância e peneiras e eu, sinceramente, não estou para tal.
    Daí que a esmagadora maioria dos meus colegas desconheça quase por completo o meu trabalho para além do que vai emergindo aqui e ali, muito pouco, garanto-lhe, porque jamais alguém me verá montada do alto dos meus tacões, que de resto não uso, afirmando que eu é que sou o máximo, que eu é que sei, porque essa, sim, é uma atitude de arrogância que eu não tenho na vida, estando sempre aberta a assumir os meus erros, as minhas falhas, publicamente até, porque só não comete erros quem nada faz e eu sou uma fazedora, construtora de muita coisa que vai para além da minha vida estritamente profissional e portanto assumo, conscientemente, o risco de errar.
    Mas para quem tiver curiosidade em contactar mais de perto com o meu trabalho deixo-o bastante disponível e partilho-o bem mais do que muitos fazem, na esperança de poder ser útil a uma pessoa que seja.
    Quando o sou, quando entram em contacto comigo e me agradecem a partilha, aí confesso-lhe, fico um bocadinho orgulhosa da minha atitude perante a vida, que cultivo com unhas e dentes, apesar dos dissabores que por vezes isso implica.
    Também tenho uma filha. Desde pequena afirmou que jamais seria professora. Perante o ataque da tutela, que eu senti a escaldar-me na pele nos últimos anos - apelidada de professorzeca, espargueti que só resiste no molho, chantagista e outros mimos que tais - só posso estar feliz porque a minha filha cumpriu o prometido e não é professora.
    De resto não me zango e uma das coisas que mais aprecio é um contraditório civilizado onde se esgrimem somente argumentos.
    Muito gosto!
    Espero que a minha escrita a faça permanecer comigo...

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  3. No fim, se calhar, não estamos assim tão longe uma da outra. Obrigada pela(s) sua(s) resposta(s) que lhe deram tanto trabalho a escrever.
    Claro que vou continuar a vir cá "espreitar". Eu gosto mesmo destas coisas da Escola.
    Percebi que trabalha em Amarante. A 1ª pós-graduação que fiz foi em Aveiro ém 92-94 e tive por colega a Ana Alzira dái de Amarante. Se a conhecer, dê-lhe beijos meus. Sou de Leiria e contava, tal como ela, muitas anedotas nos intervalos das aulas.
    Beijo.

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  4. Se calhar não estamos mesmo...
    Foi um prazer! E eu escrevo rápido... :)
    Quanto à Ana Alzira não estou a ver quem seja...
    Fique bem!

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