sábado, 19 de março de 2016

À Atenção dos Professores de História - Oficina de Arqueologia Experimental - "Arqueólogo por Um Dia"

Oficina de Arqueologia Experimental - EB 2/3 de Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

À Atenção dos Professores de História - Oficina de Arqueologia Experimental - "Arqueólogo por Um Dia"

Confesso que só soube da possibilidade de fazermos esta oficina de arqueologia experimental quando a Directora Pedagógica da Escola Profissional de Arqueologia de Tongobriga, da área arqueológica do Freixo, Marco de Canaveses, minha colega e amiga de longa data, Júlia Manuela Sousa Silva, me entrou chat do facebook adentro e me desafiou a aceitar a sua proposta. O que fiz de imediato, tendo agendado uma visita às instalações da Escola de Arqueologia para combinarmos melhor a actividade... eheheh... confesso que foi mais pretexto para lhe apertar os ossos, a ela, que comigo se aventurou um dia pelo irreal deserto da Líbia, hoje terra de ninguém, hoje terra interdita.
Mas adiante. Acertada a data entre mim, os alunos da minha direcção de turma e o pessoal que se haveria de deslocar à EB 2/3 de Amarante, foi só aguardar calmamente a chegada de técnicos, a quem agradeço desse já a simpatia e o trabalho impecável, mais do que oleados no trabalho com esta gente jovem que demonstrou uma curiosidade e um gosto por este tipo de trabalho de campo que, muito embora simulado, cumpriu todos os requisitos básicos de uma verdadeira prospecção arqueológica.
A actividade decorreu, numa primeira fase, dentro de uma sala de aula, naquele dia particularmente informal e, posteriormente, no espaço exterior adjacente, propositadamente para nós inundado de um sol mais do que morno que nos aconchegou até ao tutano.
Os alunos foram divididos em quatro grupos e, para cada um, foi atribuída uma grande caixa que encerrava surpresas mais do que surpreendentes. Escolhidos os nomes de cada grupo, escolhidos os seus líderes, eis que meninos e meninas, super entusiasmados!, meteram literalmente a mão na massa e foi vê-los cumprir todos os procedimentos a que estão sujeitos os Indiana Jones deste mundo, a escavar os vários extractos, tomando notas, medindo, tratando o espólio, desenhando as peças, interpretando, apresentando hipóteses explicativas, tirando conclusões.
Os técnicos chegaram pelas 14 horas, a actividade teve o seu início pouco depois das 14:30 e terminou já depois das 16 horas. Pelo meio tivemos toques para intervalo mas... quem queria fazer intervalo numa actividade daquelas?! Pois ninguém! E quando a actividade acabou, todos nós, gente adulta envolvida naquela experiência, tivemos a certeza, e havia dúvidas?!, que este é um dos caminhos que a Escola, Pública, neste caso, deve trilhar, quando um aluno, o líder de um dos grupos, encerrada a actividade, olhou para a sua monitora e perguntou-lhe com os olhos a brilhar "Podemos escavar outra caixa?"

Nota 1 - Esta Oficina de Arqueologia Experimental caiu que nem ginja no meu Projecto História em Movimento que trato de executar na E.B. 2/3 de Amarante desde o ano lectivo de 2011/2012. A História quer-se uma disciplina amada pelos alunos, certo? E nós podemos fazer muito por isso, certo?
Nota 2 - Esta Oficina de Arqueologia Experimental não tem qualquer custo para a entidade de acolhimento, o que quer dizer que é inteiramente gratuita. O que não é de somenos importância nos dias que passam. Ah! E eles têm outras oficinas, igualmente interessantes, que experimentarei lá mais para o final do ano... assim eu consiga vencer o stresse das irrascíveis e inexequíveis metas curriculares ainda não revogadas pela tutela.
Nota 3 - Clique aqui para aceder à página da EPA no Facebook.

5 comentários:

  1. Ainda esta semana na Mostra UP, no pavilhão Rosa Mota no Porto, houve todos os dias (17,18,19, 20 de Março) a actividade de "simulação de escavação" organizada pelo curso de Arqueologia da FLUP. É muito positivo ver actividades destas! Parabéns!

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  2. Ainda esta semana na Mostra UP, no pavilhão Rosa Mota no Porto, houve todos os dias (17,18,19, 20 de Março) a actividade de "simulação de escavação" organizada pelo curso de Arqueologia da FLUP. É muito positivo ver actividades destas! Parabéns!

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  3. amiga
    em nome de todos os envolvidos neste projeto "muito obrigado" pelas palavras escritas; a educação patrimonial é um desafio que a escola acolhe com orgulho mas este projeto só pode ser concretizado com professores como tu que não acreditam numa escola com novas aprendizagens não se limitando ao treino compulsivo de exames e testes;
    ...e o deserto continua a ser uma paixão...
    bj Júlia

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  4. Obrigada, Ricardo Macedo! Nós, por aqui, continuaremos...

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  5. Partilhamos essa visão de Escola, Júlia! E estou-vos grata e os meus alunos também! De facto, eles adoraram. Ainda darei novas, ainda lhes darei a palavra, lá mais para a frente, quando nos aquietarmos um pouco na escolinha.
    Beijo enorme, minha amiga... e sim, o deserto continua a ser uma paixão...

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