quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

A Palavra a Laurinda Alves - Apaguem as Luzes de Carnaval

Iluminações de Natal - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

A Palavra a Laurinda Alves - Apaguem as Luzes de Carnaval

O texto que agora partilho é da Laurinda Alves e foi-me enviado por uma amiga... depois de ler a minha postagem de hoje. Partilhá-o porque tem tudo a ver com o que andei para aqui a escrever. A Laurinda escreveu sobre as iluminações de Lisboa e eu, aqui perdida nesta interioridade que pode ser sufocante, sobre as iluminações de Amarante. Ambos os textos são críticos porque a virose do novo-riquismo, salvaguardadas as escalas bem diferentes das duas cidades, é exactamente a mesma.
Aqui vai:

"Antigamente dava gosto atravessar as ruas e ver pais e filhos, avós e netos pela mão, a passearem devagar, com tempo para admirar as luzes de Natal. Agora é um desgosto percorrer as mesmas avenidas.

Abomináveis luzes estas, que espalharam pela cidade de Lisboa, quase todas frias, azuis, brancas, geladas, ou em combinações coloridas de tal maneira histriónicas que ficamos meio estonteados. Nas ruas da Baixa o carnaval é total e há laços e laçarotes pendurados entre prédios que parecem gigantescas mascarilhas venezianas. As colunas do Teatro Nacional D. Maria II foram recobertas de uma terliça toda branca florescente, em quadrados, e quando aquilo acende a fachada torna-se deslumbrante aos olhos de quem adora entradas de casino. Que moda esta, das luzes hiper coloridas, dos mantos eléctricos cheios de brilhos, das inconcebíveis teias de aranha iluminadas que nada têm a ver com a época, nem com a nossa cultura. Já nem falo dos ícones, porque deixou de haver anjinhos e até o pai Natal e as suas renas foram despedidos.
Não sei quem escolhe as luzes ano após ano, mas estão à vista as intenções e os propósitos. É um azar que no Natal se acendam luzes de Carnaval, mas se ao menos estas luzes de feira fossem menos azuis e mais douradas, ou encarnadas e quentes, a cidade brilharia de outra maneira. Assim parece tudo comprado na ‘loja do chinês’ (sem ofensa para os chineses, note-se, até porque conheço muitos, muito bons, e tenho grandes alunos na universidade que nasceram ou vieram da China e, até agora, não houve um único que não fosse inspirador para nós, professores!) e muitas ruas e avenidas parecem alamedas a dar entrada para uma gigantesca feira popular.
Antigamente dava gosto atravessar as ruas e ver pais e filhos, avós e netos pela mão, a passearem devagar, com tempo para admirar as luzes de Natal, mas agora é um desgosto percorrer as mesmas avenidas. Passamos e fugimos, a tentar não olhar. A fingir que não vemos, para não embaraçar ninguém. Deixou de ser um programa, pois ninguém se orgulha de ter parte da cidade iluminada com luzes verde-farmácia-choque, conjugadas com encarnados eléctricos e azuis metálicos, tudo muito feio e tudo muito triste. Ou então muito feérico, mas despropositado.
Há excepções, felizmente, mas são poucas. E nem sequer estão todas no perímetro do centro histórico da cidade. Muitos dos bairros mais antigos de Lisboa foram desfeados com estas luzes de marquise, todas néon, a brilhar como pedras falsas, num novo-riquismo desconcertante. Para cúmulo, não há harmonia entre luzes colocadas ou permitidas numa mesma praça. No Rossio, por exemplo, há de tudo. Árvores de troncos iluminados a encarnado e dourado (vá lá, valha o bom senso), mas descombinadas com um sem-número de enfeites aleatoriamente pendurados, que não condizem com nada, mais algumas lojas hiperbolicamente cobertas de prateados e azuis, a flashar sobre quem passa.
As luzes de natal não são uma futilidade, nem se acendem e apagam de um dia para o outro, muito pelo contrário! Há procedimentos complexos, as montagens são demoradas e tudo obedece a preceitos camarários. E se assim é, pergunto mais uma vez quem se encarrega de escolher as luzes? E quem aprova estas e não outras? E quem assina os recibos e paga as facturas? Será que escolhem tudo isto num catálogo? Será que compram online? Será que confiam demais nos fornecedores e aprovam de olhos fechados, sem ver o efeito final? Sinceramente não sei, mas custa-me acreditar que ninguém veja o que está à vista, pois todos sabemos que é também graças às luzes de Natal que o comércio floresce nesta época. Os comerciantes sabem isso e as autoridades camarárias idem. Então, se assim é, porque não escolher melhor e com mais critério?
E porque não tentar manter as luzes que Lisboa sempre teve nos bons tempos, quando eram todas muito mais bonitas, bem desenhadas e cuidadas? Há uns anos as luzes eram quentes, douradas, encarnadas e prateadas. Havia luzes verde-escuro, lindas e bem conjugadas, não havia este verde-falsete, hiper brilhante, todo plástico e sem graça. Custa imenso ir de mal em pior. Ninguém gosta de sentir que passa de cavalo para burro, mas na verdade é o que acontece em matéria de luzes de Natal. E não só, infelizmente.
Claro que há coisas muito mais graves e prioritárias, sei isso muito bem, não precisam de me lembrar, mas há um tempo para tudo e cada coisa tem o seu lugar. Estas luzes feias ferem os olhos e a sensibilidade, é impossível deixar de o dizer. Pode ser que não esteja sozinha, nesta minha desolação, e se assim for, pode ser que no próximo ano substituam quem fez estas encomendas. Ou mudem de fornecedores, se for caso disso. Se calhar eles nem têm culpa e até mostram catálogos com coisas bonitas. Talvez não fosse pior pagar uma viagem low-cost aos encarregados das luzes de Natal para verem como se faz noutras cidades da Europa, onde os pontos de luz são fabulosamente simples e enchem árvores, ruas e avenidas de beleza e alma.
Enfim, numa altura em que Lisboa ainda está caótica e cheia de estaleiros, em que as filas de trânsito são cada vez mais densas e as horas de pára-arranca nos fazem perder tempo e revirar os olhos de impaciência, num tempo em que há cada vez menos lugares de estacionamento e menos carruagens no Metro, em que muitos transportes públicos demoram eternidades a chegar, é impossível não nos determos nas luzes de Natal sem nos indignarmos com estes ponchos sul americanos postos em oblíquo a todo o comprido do Príncipe Real, bem como com os fios que caem tristemente das árvores, quais guias a precisarem de ser podadas imediatamente.
Perante a escolha deste ano, preferia apagar quase tudo o que se acendeu e guardar para o Carnaval. Gostava de voltar a ter a minha cidade com a sua habitual dignidade. Lisboa como era antes, com enfeites de Natal tradicional. Ou, então, como se vê em Londres e Nova Iorque, onde todos os anos as árvores e ruas se enchem de pontos de luzes natalícias. Também sem ícones e sem referências religiosas, mas muito simples e muito bonitas. Acima de tudo despretensiosas. Passamos a vida a tentar recuperar tradições e a dar lustro ao que é antigo, mas desta vez Lisboa parece Las Vegas."

Nota - O texto saiu hoje no Observador.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A Especificidade de Amarante e da Sua Árvore de Natal

Árvore de Natal - Parque Florestal - Amarante
Árvore de Natal - Alameda Teixeira de Pascoaes - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

A Especificidade de Amarante, dos Amarantinos e da Sua Árvore de Natal

Amarante é uma terra muito específica e muito particular no contexto regional, nacional e até mundial. E assim são os amarantinos... ou, pelo menos, alguns amarantinos. Haverá quem, depois de ler esta minha introdução, até por aqui por Amarante, pense de imediato que eu estou a exagerar e que, afinal, Amarante é uma terra como as outras e que os amarantinos são gente exactamente igual a toda a outra gente dos arredores mais próximos aos arredores mais longínquos. Só que... não é. Só que... não são... e é preciso ser-se muito pato bravo para não reconhecer que só uma terra muito especial, feita de gente de cepa muito especial, daria à luz um centro histórico com a qualidade deste maltratado centro, mas isso é outra história!, e pessoas tão especiais quanto um Amadeo de Souza-Cardoso, um Barros Basto, um Teixeira de Pascoaes, uma Agustina Bessa-Luís, um António Carneiro, um Acácio Lino, um António Cândido, um Eduardo Teixeira Pinto...  e nem cito mais individualidades que é para não maçar muito os meus leitores.
E vamos agora à árvore de Natal de Amarante.
Durante anos e anos a Árvore de Natal por excelência de Amarante foi específica desta terra e terra alguma teve Árvore de Natal igual. A Árvore era sempre feita em suporte natural e vivo, aproveitando a árvore mais alta existente no Parque Florestal situado na margem esquerda do rio e ficou no imaginário de muitas crianças que entretanto cresceram e são já adultas, muitas pais e mães de filhos e que ainda hoje me falam da magia desta árvore.
Bom, está lá. A Árvore de Natal de Amarante está lá, linda, imponente, específica, única, elegante, discreta, mágica... e fotografei-a uma noite destas em fotografia que não saiu lá grande coisa mas que dá para ilustrar este post e o meu ponto de vista.
E o meu ponto de vista é simples - Terra única e específica deve ser tratada de acordo com a sua condição. Todas as terras têm árvores de natal feitas de ferros ao alto que, se de noite podem resultar em coisas mais ou menos belas ou mais ou menos pirosas consoante o enquadramento, de dia resultam num horror sem fim que ainda fotografarei
Em Amarante o caso é ainda pior porque a árvore de natal, colocada na Alameda Teixeira de Pascoaes, igual às árvores de Natal de todas as outras terras dos arredores mais próximos aos mais distantes, para além de muito vistosa... vou ficar-me por este adjectivo, é gigante para o espaço em que se encontra e parece ter sido ali metida à martelada ainda por cima arruinando lugares de estacionamento tão preciosos para a quadra que se aproxima a passos largos.
Ou seja e resumindo - Amarante não é igual. É diferente. E isso deveria ser visível em tudo, das mais pequenas intervenções às intervenções mais encorpadas e significativas... deveria até ser visível na sua Árvore de Natal.
Tantas árvores naturais maravilhosas existem na Alameda e que dariam para iluminar nesta quadra festiva... tão bela a Árvore de Natal do Parque Florestal de Amarante...

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Este Povo (de Cem Soldos)


Este Povo (de Cem Soldos)

É já amanhã, pelas 21:30, na Porta do Costume, na Gatilho, pois então!
Apareçam! O pessoal, muito dinâmico, da Gatilho, agradece!

Nota - Lindo cartaz!

As Árvores de Natal Perfeitas - Amarante

Árvores de Natal Perfeitas - Alameda Teixeira de Pascoaes - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

As Árvores de Natal Perfeitas - Amarante

As árvores de natal perfeitas são estas, as que esbracejam em múltiplas direcções, com múltiplos braços despidos, nus, descarnados, mas elegantemente iluminados com luzinhas amarelas que lhes contornam e acentuam as formas curvilíneas, decididas, arrojadas e que nos remetem para sensuais aconchegos abandonados nestes braços descarnados mas quentes.
As árvores de natal perfeitas acompanharam-nos a vida na quadra natalícia amarantina durante anos a fio e era sempre com uma emoção contida que aguardávamos a sua fiel chegada que nunca falhava.
Atenta mais ou menos a tudo o que se vai passando na minha cidade, para o bem e para o mal, registei-as aqui, no longínquo ano de 2007.
Entretanto, morreram. Não as árvores, claro, mas a imagem que delas tínhamos. No ano passado morreram asfixiadas às mãos de umas mangueiras de luz branca, geladíssima, que eu, confesso, não tive a coragem de registar com medo que a minha lente partisse com semelhante horror.
Este ano estão para lá, perdidas, com umas estrelas penduradas numa confusão de alameda.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Oficina de Arqueologia Experimental do Paleolítico

Oficina de Arqueologia Experimental do Paleolítico
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Oficina de Arqueologia Experimental do Paleolítico

A oficina, inscrita no Plano Anual de Actividades do 
Agrupamento de Escolas de Amarante, e dirigida a todos 
os alunos que integram as cinco turmas do 7.º ano de 
escolaridade que frequentam a E. B. 2/3 de Amarante, 
decorreu hoje mesmo, desde o primeiro tempo da manhã 
até ao segundo da tarde e foi, como sempre, um êxito.

Assistimos todos, alunos e esta professora que agora 
escreve este breve balanço da actividade, à Oficina de 
Arqueologia Experimental do Paleolítico, que nos deixou 
lá atrás no tempo, no Paleolítico, numa maravilhosa viagem 
em que fomos conduzidos pelos "nossos" arqueólogos por 
um dia, dr. Jorge Sampaio e dr.ª Carla Magalhães, do 
Parque Arqueológico do Côa, que, para além de 
especialistas nestas andanças, são já velhos amigos deste 

Agrupamento.

Recupero parte do post que escrevi há um ano, logo após a 
realização destas mesmas oficinas e que somente adaptarei 
para as específicas circunstâncias de hoje.


A viagem levou-nos à fase final do Paleolítico Superior para 
acompanharmos a luta pela sobrevivência de um pequeno 
grupo de caçadores-recolectores. E a recriação desta 
história desenrolou-se à volta da fundamental arte da caça e 
da realização das armas necessárias para esta perigosa 
actividade, nomeadamente de uma azagaia que exigia o 
talhamento do quartzito e do quartzo, os tipos de rocha de 
longe mais utilizados pelas populações ancestrais que um dia 
habitaram a região do Côa, mas de propriedades não tão 
espectaculares como o magnífico sílex, de dureza, durabilidade
 e eficácia incomparavelmente superiores e que também foi 
utilizado, muito embora só marginalmente pelas populações do 
Côa, já que apenas cerca de 1% dos instrumentos líticos aí 
encontrados são em sílex; exigia também o afeiçoamento de um 
pau comprido e fino que servisse de suporte à ponta de lança e 
ainda a feitura de corda a partir de crinas de cavalos, de 
tendões ou de peles de animais, de raízes, de cascas de árvore, 
de tripas de animais e que, por incrível que pareça, davam cordas 
super resistentes testadas com toda a força pelos alunos; e 
passámos à feitura da cola a partir de uma mistura de resina e 
hematite triturada que, sob acção do fogo, misturaram-se e 
deram origem a uma super-cola muito ecológica e reversível, 
para além de muito eficaz. Por fim, a azagaia necessitava 
apenas dos estabilizadores, penas de pássaros, pois então!, 
que permitiam à arma planar em linha recta, eficazmente em 
direcção ao alvo.

Sempre guiados pela mão dos nossos magníficos cicerones, 
foi tempo de passarmos ao fabrico do fogo através dos dois 
métodos usados em tempos paleolíticos - por choque ou 
percussão de duas pedras e este ano tivemos mesmo direito 
ao seu fabrico aparadas que foram as faíscas mais gordinhas 
naquele verdadeiro cogumelo mágico, conhecido como casco 
de cavalo, que não só servia para o aparar e alimentar nos 
primeiros segundos de vida, mas também servia para o 
transportar, e ainda por fricção, usando dois pedaços de 
madeira de diferentes durezas, a mais macia, que fica fixa, 
e a mais dura que gira rapidamente sobre a outra.
Falamos ainda do uso do fogo em fogueiras, em alguns casos 
enormes, de dois ou três metros de diâmetro, que serviam de 
grelhadores gigantes. Entretanto os alunos olhavam 
espantados para a água a ferver à conta de pedras muito 
quentes deitadas dentro da água guardada numa "panela" de 
pele... sim, era possível fazer um chá paleolítico... quem diria!

E os arqueólogos abordaram a arte - como se conseguiam os 
pigmentos na Natureza para a fabrico das tintas, como se 
faziam os pincéis, como se pintavam, através de um aerógrafo 
primitivo, as mãos em negativo nas paredes das grutas, cavernas, 
abrigos... e nada melhor do que exemplificar... agora, no século XXI, 
sobre uma folha branca de papel e foi assim que alguns alunos 
tiveram direito à sua mão pintada em negativo, que ficará arquivada 
no 
Portefólio de História

Tal como já escrevi num outro post sobre a mesma temática - 
Dever cumprido! 

A História quer-se coisa entusiasmante e esta aula, tenho a
certeza!, foi entusiasmante.


Obrigada, dr. Jorge Sampaio e dr. Carla Magalhães pela ajuda 

inestimável, pelo entusiasmo, pelo contributo ímpar e pela 
clareza da aula, tão do agrado de todos os presentes.
Continuaremos...

Nota 1- Não deixa de ser curioso ver alunos, que agora 
frequentam o 9º ano, bater à porta da Sala de História para 
nos dizerem que se lembram muito bem da actividade que para 
eles foi feita um dia. 
Nota 2 - Este post foi originalmente escrito para o blogue História 
em Movimento que pode ser consultado aqui.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Amarante e as Iluminações de Natal

Iluminações de Natal - Ano de 2008 - Amarante
Fotografias  Anabela Matias de Magalhães

Amarante e as Iluminações de Natal

Quando temos a sorte e a fortuna de habitar uma cidade extraordinariamente bela, e que é uma pequena/enorme jóia, o que devemos fazer com ela?
Devemos, acima de tudo, tratá-la com o máximo de respeito e, logo de seguida, apenas valorizá-la intervindo somente o necessário para potenciar uma perspectiva, um recanto, um pormenor, por forma a que essa intervenção não se torne sufocante e que, desse sufoco, resulte o esmagamento, o afogamento, a destruição da jóia.
Quando as iluminações de Natal nos fazem lembrar um catálogo de iluminações, sem qualquer rumo, sem qualquer coerência, sem qualquer fio condutor, umas assim e outras assado numa palhaçada hipercolorida que nos remete para uma qualquer romaria indistinta onde só faltam barracas de farturas, a cidade de Amarante só pode sair desvalorizada deste exercício de pimbalhada extremada que eu gostaria de não ver por aqui.
Amarante merece melhor. Merece, acima de tudo, não de uma intervenção em quantidade feita de luzes e mais luzes numa barafunda doentia e incoerente, não sei se barata ou cara, mas sim de uma intervenção cirúrgica, de uma intervenção apenas norteada pela qualidade.
E este princípio é válido não só em termos de iluminação.
Sobriedade, elegância, simplicidade são adjectivos que eu gostaria de estar hoje a usar para caracterizar a iluminação de Natal de Amarante, neste ano de 2016 que em breve finda.
Só que, é impossível.
Assim sendo, hoje partilho iluminações respeitadoras da beleza e da especificidade desta cidade para as dar como exemplo do que anteriormente afirmo.
Infelizmente são as do longínquo ano de 2008, partilhadas, um dia, neste mesmo blogue.
E como ainda nem tive coragem para fotografar as iluminações que este ano "adornam" a minha cidade, deixo-vos com o vídeo oficial e promocional, garantindo-vos que ao vivo a palhaçada consegue ser pior do que aqui aparenta.

Nota - É claro que esta é apenas uma opinião. Mas... será apenas uma?

Iluminações - Rua da Cadeia

Iluminações - Rua da Cadeia - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Iluminações - Rua da Cadeia

Aos poucos, a coisa vai... e as decorações/iluminações de Natal lá vão aparecendo aqui e ali, de noite em modo pisca pisca, adornando as varandas mais belas de Amarante, sinalizando casas habitadas com gente dentro. Porque na Rua vive e trabalha gente que se importa com ela e que não quer que ela passe ao lado desta quadra natalícia, logo numa rua que é, tradicionalmente, ostracizada pelo poder local no que a iluminações natalícias diz respeito. O que nem é mau de todo. Porque assim é só deixar cair a noite e as nossas iluminações brilham, discretas mas muito belas, acentuando a profundidade e o mistério de uma rua que se entranha na nossa pele, na nossa carne e que penetra até ao tutano da gente para lá se alojar em modo perpétuo.
Aos poucos, a coisa vai...

Nota - Prometo descer a rua uma noite destas fotografando fachadas, varandas, decorações e iluminações de Natal. Afinal, Amarante não é por estes dias uma Cidade Presépio?

sábado, 3 de dezembro de 2016

Bravio

Imagem surripiada ao Bravio

Bravio

Hoje é, para mim, um dia triste.
Porque o Bravio está com fim anunciado e porque o Bravio não é um Bravio qualquer sendo que é distinto de todos os outros blogues escritos por professores, pelo menos dos que eu conheço e, amiúde, frequento.
A escrita do Luís Costa é livre, limpa, assertiva, provocadora, inconformada, lutadora, implicada, inteligente, sagaz, coerente, profunda, opinativa, inquietante. A escrita do Luís Costa é, assim, uma verdadeira extensão do seu tratador que assim permanece contra ventos e marés.
Se há ainda blogosfera docente, o Luís Costa vai deixar nela um buracão.
E assim vamos ficando infinitamente mais pobres porque menos diversos e menos plurais. E também menos combativos.... ainda menos combativos...

Obrigada pela tua caminhada única e ímpar, Luís Costa! Agradeço-ta sentidamente.

Aurora

Imagem surripiada na Net

Aurora

Nascida a 15 de Junho, na Noruega, esta miúda é uma miúda. Portentosa!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Zumba - E. B. 2/3 de Amarante

Zumba - E. B. 2/3 de Amarante
Fotografias de Anabela Matias  Magalhães

Zumba - E. B. 2/3 de Amarante

Alimento do corpo. E da mente também.
Ahhhh... gargalhadas boas!

Pôr-do-Sol - Serra da Aboboreira

Pôr-do-Sol - Serra da Aboboreira - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Pôr-do-Sol - Serra da Aboboreira 

Alimento da mente.

O Rebanho e o Seu Pastor

O rebanho e o seu pastor - Serra da Aboboreira - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

O Rebanho e o Seu Pastor

O rebanho não é grande - apesar de contar com dois novos membros de pernas ainda muito frágeis - mas acompanha diária e obedientemente o seu pastor, um velho amigo aqui da Je.

Um dia, estava já eu entrada nos quarenta, pergunta-me o senhor Joaquim:
- Quantos anos é que a senhora tem?
- Quantos me dá, senhor Joaquim? - retorqui eu à espera de resposta mais ou menos agradável... eh eh eh... sou sincera.
O pastor mirou-me de alto a baixo, concentrou-se na minha cara e disparou:
- A senhora... a senhora tem 27 anos!

Escusado será dizer que o pastor ficou meu amigo para a vida e, desde aí, faça sol ou faça chuva, sempre que passo pelo senhor Joaquim desço pelo menos o vidro para o cumprimentar enquanto subo ou desço, devagar, a Serra. Por vezes paro para uma conversa:
- Então, vai com o rebanho para as Lagoas? Vamos aproveitar que a tarde está linda!

Moral da História - A vida, muito bela, não se faz só de Internetes, blogosferas e redes sociais e convém, com frequência, mergulhar as mãos na terra... só para lhe sentir a textura, o gosto, o sabor... enquanto nos deslumbramos olhando um pequeno rebanho.

Ateliê de Natal - Natal com Amadeo


Ateliê de Natal - Natal com Amadeo

Aqui deixo a informação sobre este ateliê de Natal, organizado pelo pessoal do Museu Amadeo de Souza-Cardoso, que decorrerá entre os dias 19 e 23 de Dezembro e que se destina a miúdos dos 6 aos 12 anos de idade.
A Jóia  Luz ainda vai ter de esperar...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

1.º de Dezembro ou o Dia da Restauração Restaurado


1.º de Dezembro ou o Dia da Restauração Restaurado

Faz hoje exactamente um ano que escrevi, aqui mesmo neste blogue, que a minha Pátria estava de luto. E estava de luto porque um governo deste país resolveu fazer desaparecer um dos feriados mais importantes desta/para esta Nação.
Hoje relembro esta Vergonha e escrevo esta palavra com letra maiúscula tal a indignidade do acto. E relembro que este roubo, de identidade também, foi cometido pelo XIX Governo Constitucional que resultou de uma coligação entre dois partidos políticos - pê esse dê e cê dê esse.

É tão simples quanto isto - sem este dia, do ano de 1640, que pôs fim à Dinastia Filipina e à União Ibérica, que restaurou a independência nacional e abriu caminho para a 4. ª Dinastia ou Dinastia de Bragança com a subida ao trono de D. João IV, Portugal seria hoje, provavelmente, uma das províncias de Espanha. O que seria bem diferente, não?
É que há feriados e feriados. E este é mais sagrado do que qualquer um dos religiosos do nosso calendário.

Hoje fez bem o pê esse dê em não se fazer representar ao contrário de outros políticos que, com a maior cara de pau, por lá se pavonearam como se nada tivessem a ver com tal indignidade de roubo. Pelo menos os primeiros foram coerentes... na indignidade.

Aqui deixo os meus parabéns à Geringonça que, neste particular, esteve muitíssimo bem ao repor um feriado que é identitário para a Nação.

Nota 1 - Ai que a História faz tanta falta... principalmente a alguns que tiram licenciaturas aos tropeções e parecem nem saber de que terra são!

Nota 2 - Eu não vos digo que a História é importante, Alunos Meus?! Até para estarem de olho alerta face a políticos tentados a cometer indignidades.

Falcoaria Portuguesa - Património Cultural Imaterial da Humanidade

Imagem retirada daqui.

Falcoaria Portuguesa - Património Cultural Imaterial da Humanidade

A actividade já era reconhecida em 13 países a nível mundial  já estava sob protecção da UNESCO. A partir de hoje, Portugal junta-se à República Checa, à Mongólia, a Marrocos, ao Qatar, à Síria, à Arábia Saudita, a Espanha, aos Emiratos Árabes Unidos, à Bélgica, a França, à Coreia, à Austria e à Hungria.

Parabéns a todos quantos perpetuaram esta actividade milenar até aos dias de hoje!

Falcoaria portuguesa classificada pela UNESCO


Luaty Beirão - A "Pedagogia da Coragem" em "Tempos de Miséria Ideológica"


Luaty Beirão - A "Pedagogia da Coragem" em "Tempos de Miséria Ideológica"

Hoje, as minhas primeiras palavras escritas do dia vão para Luaty Beirão. Por nos recordar, mais uma vez, a importância do Não esclarecido em tempos de ignorância e, principalmente, em tempos de cobardia generalizada, em tempos de cobardia comprada com dinheiros públicos, distribuídos a rodos por aqui, por ali e por acolá... e não estou só a referir-me ao regime angolano.
Dou a palavra a Pacheco Pereira, a Daniel Oliveira e a Luaty Beirão agradecendo a este último o exemplo maior que deu ao Mundo e aos seus habitantes... assim estes o saibam apreciar.

"Nestes tempos de miséria ideológica, é muito importante que alguém se dê ao trabalho de resistir"

Pacheco Pereira

"A única coisa que eu queria fazer era agradecer ao Luaty e a todos os outros pela pedagogia da coragem - e, atenção, não falo de heroísmo, falo de coragem, de servirem como um exemplo de decência.
O dinheiro compra as cobardias, compra os silêncios (...)

Daniel Oliveira

"Eu não tenho ideia de formar um partido político, prefiro trabalhar com a sociedade civil, prefiro trabalhar no amadurecimento do cidadão: capacitar o cidadão para que ele sinta que é o agente da mudança"

Luaty Beirão

Luaty Beirão elogiado por "pedagogia da coragem" em "tempos de miséria ideológica"

A Neve do Marão

A Neve do Marão Vista da Aboboreira - Amarante
Fotografias de Anabela Matias e Magalhães

A Neve do Marão

A neve, que pinta todos os anos a Serra do Marão de um branco imaculado e faz as nossas delícias desde a mais tenra idade, já fez das suas a semana passada, caindo a bom cair... tanto que ainda hoje é visível nas cumeeiras mais altas.
Quando éramos pequenos, era ver-nos em peregrinação anual, subindo a serpenteante estrada feita de curvas e contra-curvas que ligava, e ainda liga em grande parte, Amarante a Vila Real, rasgando, mal, o imponente Marão. Era uma reviravolta certa para os estômagos mais frágeis... como era o caso do meu.
Este hábito, da peregrinação à neve, é passado por aqui de pais para filhos, de avós para netos, de tios para sobrinhos. Hoje repetimos gestos um dia feitos pelos nossos pais, pelos nossos avós.
As fotografias que agora partilho foram tirada hoje de tarde, captadas de uma serra para a outra. Que é como quem diz, captadas da Serra da Aboboreira para a Serra do Marão.
Belíssimas, as duas... belíssimas as duas...
 
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