sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Amarante

Igreja de S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Amarante

Não me lixem o encanto. Sim?

Novas da Greve


Novas da Greve

Bom dia!
E a E. B. 2/3 de Amarante nem abriu.

O Treino Personalizado ou a Importância de Ter um PT

Aluno e Professora trasformados em Professor e Aluna
Fotografias de Aaela Matias de Magalhães

O Treino Personalizado ou a Importância de Ter um PT

Não sei se em todas as idades tem a mesma importância, mas sei que contratar um personal training quando se tem quase 30 anos em cada perna, como é o meu caso, é coisa deveras ajuizada principalmente quando não se adquiriu o hábito de praticar exercício físico de forma regular... nem tão pouco de forma esporádica, nem de forma nenhuma... excepto andar a pé para cima e para baixo na cidade de relevo difícil.
Assim, depois de um ano de inactividade quase total, que se reflectiu de imediato na minha "maravilhosa" forma física perdida, eis que me decidi e contratei um  personal training, para me manter de rédea muito curta no ginásio... espaço que nunca foi da minha predilecção, confesso, até agora.
Depois de uma avaliação inicial e de uma consulta de nutrição, é ver-me agora a cumprir os exercícios que decorrem de forma planeada e acompanhada, supervisionados por quem sabe e para isso estudou.
Não falho um treino, a não ser por força muito maior, de resto os meus treinos são coisa que virou sagrada na minha vida, vida essa que já foi bastante mais sedentária e feita de horas a fio a trabalhar, sentada, teclando em frente a um computador. Agora... vamos com calma. A idade está a avançar e é preciso cuidar do corpo e da mente com especial carinho, esperando chegar a uma idade avançada em relativo bom estado de conservação e restauro.
O treino supervisionado, importante para que eu faça os exercícios correctamente evitando lesões, é sempre pensado/realizado à minha medida, motivador e os resultados, positivos e visíveis, foram obtidos muito rapidamente. As reavaliações fazem-se periodicamente e, mesmo sem os resultados delas, notoriamente, sinto-me muitíssimo melhor, muito mais tonificada, muito mais enérgica, muito mais flexível... até ao nível dos neurónios... não esquecer os importantes neurónios... e a aprendizagem ainda agora começou.

Bom, mas a cereja no topo de bolo do meu treino personalizado é mesmo este rapaz sempre sorridente que me acompanha os treinos... que um dia se sentou na minha sala de aulas, era ele pequenino... e que agora reencontrei passados tantos anos, já crescidote, encarregando-se de inverter os papeis pois agora o prof é ele e eu ando a toque de caixa seguindo as suas carinhosas, experientes e enérgicas orientações.
E é isto. Eu bem digo que a vida é um toma lá, dá cá!

E sim, João Carvalho, vamos tentar chegar aos duzentos anos... saudáveis!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

A Importância da Independência do Poder Judicial


A Importância da Independência do Poder Judicial 

A independência do terceiro poder, ou poder judicial, é fundamental num Estado de Direito pois é garantia de sobrevivência do regime democrático.

E eis que o Supremo Tribunal Administrativo admitiu a intimação apresentada pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros Portugueses.
E eis que o governo tem 5 dias para apresentar as razões que o assistem... sendo que não vale estados de alma ou sequer vontades, muitas, de cilindrar a luta dos enfermeiros.
Joguem limpo, joguem limpinho, senhores governantes. Por muita vontade que sintam em jogar porco como já fizeram na luta dos professores iniciada a 4 de Junho de 2018 e só terminada no fim do mês de Julho em tantas e tantas escolas deste país.

Tribunal aceita intimação contra requisição civil dos enfermeiros

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

A Palavra a Mário Nogueira Sobre as Lutas para o 3.º Período


A Palavra a Mário Nogueira Sobre as Lutas para o 3.º Período

É agora! A luta vai ser feroz! Porque no ano passado a luta foi feita de cócoras. A da FENPROF e dos restantes sindicatos que integram a Plataforma de Sindicatos de Professores. É o que se subentende das palavras do grande líder.



E, entretanto, sei bem o que fizeste no Verão passado... ora se sei!

Greve Geral da Administração Pública


Greve Geral da Administração Pública

Começa amanhã. Termina depois de amanhã.

Quem se Mete Com o PS Leva?

PS a Cozer Portugueses em Lume Brando Há Décadas

Quem se Mete Com o PS Leva?

Há malta lá de dentro que afirma que sim... que leva. E pumbas, bloquearam o Paulo Guinote no Facebook!

O que eles não sabem é que o Paulo Guinote é bem capaz de lhes fazer mais estragos bloqueado do que por bloquear...

Blogue de Paulo Guinote bloqueado depois de críticas ao governo

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

A Palavra ao Professor Gabriel Vilas-Boas - Um Projecto Caro, Pouco Útil e Divisionista




A Palavra ao Professor Gabriel Vilas-Boas - Um Projecto Caro, Pouco Útil e Divisionista 

O post que se segue foi surripiado no blogue Sete Pecados (I)mortais
E é mais uma opinião discordante a somar às muitas já manifestadas.

A Câmara Municipal de Amarante encomendou ao arquiteto Souto Moura um projeto para requalificação do mercado municipal e uma intervenção na alameda Teixeira de Pascoaes. O renomado arquiteto apresentou o seu anteprojeto e a polémica instalou-se entre os amarantinos.
No meu entender, há neste processo e neste projeto alguns dados relevantes que deveriam ser tidos em conta, que levariam a parar o processo e, na minha opinião, a rejeitar o projeto.

1º O anteprojeto é muito polémico, havendo várias pessoas, que amam e pensam Amarante, que estão frontalmente contra. 
2º Um projeto desta envergadura e com este impacto não pode… não deve ter uma oposição técnica, social, histórica e económica tão forte… mas tem!
3º Manter o mercado municipal onde ele está, requalificando-o, não é a grande paixão da maioria dos amarantinos, que preferiam outra proposta para o espaço. 
4º Mais do que intervir no mercado, o projeto propõe-se “mexer” na Alameda, ou seja,  na face mais visível da cidade, mas não há projeções 3D, que permitam perceber, desde já, como ficará a cara da cidade quando o projeto for concluído. 
5º A proposta de uma larga escadaria ate ao rio é interessante, mas será uma mais valia económica, social e cultural para os amarantinos ou funcionará apenas como aporte estético? 
6º Tendo por garantido (?) este upgrade estético de uma das margens, como jogará ele com a imagem projetada do outro lado do rio? 
7º o projeto emagrece ainda mais a Alameda, tornando-a numa praça. É isso que os amarantinos querem? É isso que sonham para a cidade? Foi isso que o presidente da CMA pediu a Souto Moura?
8º O Mercado permanecerá no mesmo local, mas o trânsito terá forte restrições, e, no futuro, querer-se-á residual. Isto é plausível? Como se vai querer apertar o trânsito naquela zona, quando se investe fortemente num mercado que usa e abusa de carros, carrinhas, camionetas? Estão a ver as pessoas a transportar as compras, ao longo de centenas de metros, à mão, em dias de feira? Eu não. O que vejo é um Teixeira de Pascoaes ainda mais aturdido, às quartas-feiras, com o trânsito caótico à sua volta.
9º Não é o ideal em termos de mobilidade, mas a verdade é que os comerciantes e os moradores precisam que os carros passem na ponte de São Gonçalo. O projeto Souto Moura pressupõe que isso, a prazo, deixe de acontecer. É bem-intencionado, mas pouco exequível em termos sociais e económicos. E que diz Souto Moura sobre o assunto? Não quer saber, não é problema seu? E que diz o Presidente da Câmara de Amarante sobre o problema? Vai criar parques de estacionamento, nas redondezas. Se for com a rapidez e eficácia daqueles que servem a zona do Arquinho e a Rua 31 de Janeiro, podemos ficar descansados!
10º Nem a Câmara de Amarante nem Souto Moura disseram quanto irá custar a execução da obra (pelo menos um valor aproximado). O arquiteto é conhecido por gostar de trabalhar em obras / projetos “sem orçamento”.  Há vinte anos projetou o belo, o magnífico, o laureado Estádio AXA, em Braga, por 65 milhões de euros. Já custou 165 milhões e pode chegar aos 180 milhões e é frio, pouco confortável, longe da cidade e das pessoas, além de ter uma manutenção caríssima. Sabem quem pagou? Os bracarenses, ao longo de quinze anos. A edilidade minhota já teve as contas congeladas por causa do sumptuoso estádio de Souto Moura, e por causa da renda que teve (ainda tem) de pagar à banca, deixou de fazer importantes investimentos sociais e culturais. Ora, em Amarante, o executivo camarário já atingiu o limite razoável de endividamento bancário, mas propõe lançar-se numa obra cara (e sem preço final garantido), polémica, divisionista e criadora de problemas a quem vive e trabalha no centro da cidade. Não é sensato, não é equilibrado e pode causar danos irreversíveis, por muitos e longos anos. 

P.S. Souto Moura é um grande arquiteto, mas não temos de aceitar tudo o que ele propõe como se fosse divino. Para ele, isto é só mais um projeto, para Amarante pode ser um beijo de escorpião.

Gabriel Vilas Boas


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

A Jóia de Luz e a Passagem de Testemunho sobre Amarante


Jóia de Luz - Amarante - S. Gonçalo
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

A Jóia de Luz e a Passagem de Testemunho sobre Amarante

A passagem de testemunho sobre Amarante é coisa que se continua a fazer por aqui. De pais para filhos, de netos para avós, Amarante corre-nos no sangue desde que nascemos. Aprendemos a olhá-la, a respeitá-la, a valorizá-la. Passamos isso aos mais novos calcorreando a pé todo o centro histórico com eles ao colo, às cavalitas, pela mão ou soltos... conforme as calçadas estão mais ou menos tratadas ou são mais ou menos íngremes e difíceis.
Amarante nunca foi uma terra exposta, fácil, escarrapachada. Tem de se percorrer as suas artérias e, sobretudo, tem de se percorrer os seus capilares para apreender a sua essência. Claro que há quem nunca o consiga fazer olhando para ela com superficialidade. Mas Amarante não é, nunca foi e não será nunca superficial.
Nas nossas deambulações a cada passo temos de contornar a merda de cão nos passeios, a merda de pomba nas vielas... e nos passeios, o mijo fétido nas quelhas, o lixo espalhado aqui e ali feito garrafas, papéis, plásticos e afins. Mas Amarante aguenta tudo isto, aguentando até a incúria de quem tem como missão e é pago! para dela tratar com firmeza, carinho e asseio... enfim, o problema é muito velho e não afecta somente um partido político, nem tão pouco este particular mandato.
Mas Amarante, abstraindo tudo isto e mais algumas coisas, é uma terra do caraças, bela como o raio que a parta, impondo-se no nosso interior, aninhando-se, para não mais sair, espampanante, romântica, subtil, lânguida, abandonada, primorosa, com um je ne sais pas quoi de burguesia italiana, chique, distante, enigmática, encantada, relaxada, animada, sossegada, poética, gelada, acalorada, sufocante mesmo, verdejante ou em explosões de cores outonais que entram pelas nossas retinas e ficam, ficam, ficam...e ficam.
A sua atmosfera tão especial é captada com anos de treino, desde a nascença em casas voltadas para o rio e para o casario que desce encosta abaixo que o relevo por aqui é tudo menos fácil. Daqui não saímos. Daqui ninguém nos tira.
Assim somos nós. Não somos fáceis e não queremos ser fáceis.
Estes muros, que para uns podem ser assustadores e violentos, são, para nós identitários. Não nos agridem, antes aconchegam-nos nas descidas frequentes ao rio.

- Vovó, Amarante é muito bonita, não é?

domingo, 10 de fevereiro de 2019

A Palavra a Paulo Guinote - A Escalada Enfermeiros/Governo

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A Palavra a Paulo Guinote - A Escalada Enfermeiros/Governo

O texto que se segue foi surripiado por inteiro ao Paulo Guinote.
Subscrevo-o. Também por inteiro.


O conflito entre os enfermeiros e o Governo assumiu uma faceta inédita entre nós nos últimos 40 anos. Com raríssimas excepções, a conflitualidade laboral foi enquadrada numa lógica herdada do marxismo, mais ou menos leninista, mas sempre com uma dose suficiente de boas maneiras e pragmatismo, mesmo quando o tom das declarações públicas parecia muito exaltado. No fundo, o esquema dicotómico com os mesmos actores e o mesmo tipo de acções dominou sempre a acção sindical, com os sindicatos a enquadrarem com punho firme qualquer tentativa de escapar à coreografia habitual, colaborando nesse aspecto com o poder político, independentemente das sucessivas inclinações políticas. Mais ou menos “radical” o nosso sindicalismo tem sido sempre convencional e conservador. Mesmo quando se afirma de linhagem revolucionária, tem horror a tudo o que perturbe a ordem dos autocarros e bandeirinhas.
O que a contestação dos professores não conseguiu levar adiante, para além desta ou aquela iniciativa mais heterodoxa, está a acontecer com os enfermeiros que, goste-se ou não, estão a levar a sua luta a sério, para além das conveniências dos acordos de cavalheiros de bastidores que sempre acabaram por resolver todas as disputas no passado mais ou menos recente. A exploração até aos limites da via jurídica é apenas um exemplo. Assim como a forma de se financiar uma greve entrou de forma decidida nos mecanismos disponíveis no século XXI, pois não me parece “ilegal” que qualquer cidadão se disponha a apoiar uma causa que considere justa.
Contra isso, mobilizou-se a apatia de uns e a militância de outros. A “Direita” perdeu a capacidade de apelar a qualquer tipo de espírito de “maria da fonte”, a menos que estejam em causa subsídios aos privados (na Educação ou Saúde) e a “Esquerda” revelou até que ponto define a sua aprovação política e moral das lutas laborais à conformidade com o seu guião.
É lastimável que o conflito tenha derrapado para uma campanha de maledicência pura e dura, como em outros tempos foi dirigida aos professores, com a conivência da tal “esquerda radical” que aproveitou para mostrar como ainda não desaprendeu das velhas tácticas de agit-prop. É embaraçoso ver representantes do PCP e do Bloco a dirigir críticas sem qualquer prova concreta a apoiá-las (seja a das “mortes” por causa das greves, seja a das tenebrosas fontes de “financiamento”, como se tivesse a mínima moralidade nesse aspecto quem por exemplo, não quer que se conheça quem financia as suas festas), a atacar uma classe a partir de este ou aquele “rosto” seleccionado para a demonizar e a ampliar uma estratégia de instrumentalização do aparelho de Estado por parte do Governo para combater uma classe profissional que não alinha em passeatas e cantorias à porta dos ministérios. Ainda não percebi se acham que os enfermeiros são uma cambada de idiotas instrumentalizados por uma teia de interesse privados tenebrosos, se o acesso à profissão é apenas permitido a quem seja de “extrema-direita”. Não são os enfermeiros que estão a degradar o SNS, como não foram os professores a degradar uma Escola Pública que, de excesso de oferta, passou a não ter professores disponíveis para os alunos que existem, em virtude da campanha desenvolvida para amesquinhar a profissão nos últimos 15 anos.
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No meio disto, o PR meteu a sua pata afectuosa na poça ao dizer algo sem qualquer sentido, ou seja, que as greves só podem ser financiadas por fundos dos sindicatos que as convocam e que não poderão ser apoiadas externamente, o que, de certa forma, significa que a “sociedade civil” não pode manifestar o seu apoio a uma dada causa. Ora… em tantos anos, tirando o aluguer de autocarros e distribuição de panfletos e bandeirinhas, nunca assisti a qualquer greve que, no caso dos professores, tenha tido qualquer apoio financeiro dos respectivos sindicatos. Os “fundos de greve” são dinamizados localmente, com sindicalizados ou não a contribuir por igual para uma repartição equitativa, independentemente de quotas pagas.
Sim, o “sistema” não vai ter quaisquer contemplações com os enfermeiros e a campanha irá tornar-se ainda mais negra/suja porque se percebe que, depois dos professores, é a vez dos enfermeiros serem domesticados. Com aqueles, a colaboração dos sindicatos tem sido preciosa, bastando ver como os façanhudos da Fenprof tiram o apoio a qualquer iniciativa independente para recuperar o tempo de serviço no Parlamento, centro da democracia representativa, com estes, parece-me que as coisas vão entrar mesmo num nível completamente novo, com as máquinas do governo e dos operacionais da geringonça unidas numa mesma luta para que os enfermeiros “percam o apoio da opinião pública”. Entre nós, as fake news são isso, notícias e boatos colocados a circular a partir de fontes oficiais que se escondem no anonimato. Ou são fake opinions como a do inimputável articulista do semanário do regime, que pode dizer todos os disparates e mentiras que ainda lhe dão palmadinhas nas costas.
Para que tudo continue como dantes.
Exp9Fev18

TPC para Hoje

Recorte retirado daqui.

TPC para Hoje

Repita comigo em voz muito alta:

Não há dinheiro! Não há dinheiro! Não há dinheiro! Não há dinheiro! Não há dinheiro! Não há dinheiro! Quinhentas vezes... Não há dinheiro! Não há dinheiro! Não há dinheiro! Não há dinheiro! Não há dinheiro! Não há dinheiro!... Mil vezes... Não há dinheiro! Não há dinheiro! Não há dinheiro! Não há dinheiro! Não há dinheiro! Não há dinheiro! Não há dinheiro! Não há dinheiro! Um milhão de vezes... Não há dinheiro! Não há dinheiro!... Mas o que é que ainda não percebeu?!

É por isso que sectores tão importantes quanto o da Saúde e o da Educação estão à míngua e só ainda não desmoronaram graças aos profissionais, exaustos, que aí trabalham.
Mas não há dinheiro... certo?

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Amarante, pelo Direito à Memória



Amarante, pelo Direito à Memória



Amarante, pelo direito à memória!..

“Amarante corporiza-se-me, ganha forma e conteúdo. Multimoda, carregada de anos e feições, com artérias novas, pulsa ao ritmo da lenda, da história, dos costumes, das paisagens e dos homens”.
                                                                                                        in António Cardoso, 1979:12


Fernando Matos Rodrigues
(Antropólogo. Investigador no CICS.Nova_UM/ Director do Lahb)
Anabela Magalhães
(Licenciada História FLUP, Professora de História)

A zona da Alameda de Pascoaes, com a ponte antiga de Amarante, o largo do mosteiro, o lugar do mercado e a sua envolvente ao Tâmega, com os seus altos, fortes e robustos muros de um velho granito em redor do seu antigo mosteiro, são o traço pictórico que dão a esta antiga cidade um sentido artístico e cenográfico de profunda e rara beleza. Um lugar de memórias, de marcas fundas e sentidas, de momentos colectivos fundacionais, de heroísmos pátrios, de geografias físicas onde se inscrevem as marcas daqueles que construíram esta paisagem.
Cada um dos seus habitantes, naturais daqui ou dali, com as suas origens nesta terra ou noutra qualquer, vivendo aqui ou noutro lugar, com descendência amarantina ou não, encontram neste “topos” urbano um sentido de identidade comum, que lhes asseguram reconhecer-se nele e desta forma ser reconhecido por todos. O lugar fundado e construído abandona a fantasia da criação e transforma-se em território que liga, que protege, que dá sentido temporal e histórico a toda uma comunidade que nele procura a sua matriz identitária de referência cultural e simbólica. Estamos a falar de um lugar histórico, com dimensão espacial e temporal de longa duração, conjugando identidade e relação. Um lugar onde a magia e a história se cruzam e se ligam pelos braços de uma ponte sobre um rio, o Tâmega.
São os lugares de memória, no dizer de Pierre Nora, que se caracterizam por uma grande estabilidade sócio-espacial e paisagística, garante fundacional da memória colectiva, a imagem do que já fomos e daquilo que queremos ser. Estamos na presença de lugares que nos ensinam a apreender a nossa diferença, a nossa individualidade, que projectam a imagem do que somos desde os tempos da infância ao tempo do individuo que muda. A Cidade Histórica é consequência deste amplo e complexo processo, configurando os seus valores arquitectónicos e tipológicos numa rica diversidade de carácter cultural, económico, social e ambiental. Desta diversidade de carácter nasce um compromisso ético com as gerações futuras, porque entendemos o património como um recurso fundamental para a qualidade de vida.
O projecto de Eduardo Souto Moura para o centro da cidade de Amarante coloca-nos algumas dúvidas e levanta muitas contradições perante a possibilidade de uma radical transformação da paisagem e do ambiente urbano numa das zonas históricas do casco antigo da cidade de Amarante.
A primeira dúvida relaciona-se com a natureza e a função deste tipo de projectos e a sua validação na “renovação das cidades antigas”. Esta proposta insere-se na figura de modelo de “renovação/regeneração” de zonas degradadas e sem infra-estruturação pública. Zonas que se encontram degradadas do ponto de vista arquitectónico e urbanístico, desvalorizadas social e economicamente. O sítio da proposta de intervenção (Alameda de Pascoaes) não obedece a esta classificação, nem se encontra des-infraestruturado, nem abandonado. Aliás, é um dos lugares da cidade com mais consolidação urbana e arquitectónica, com mais vitalidade social e económica, portador de arquitectura classificada como histórica e monumental. Uma das zonas mais consolidadas e com mais estabilidade histórica e morfológica da cidade antiga. Onde se localiza o mercado da autoria do arquitecto Januário Godinho (1910-1990) classificado como monumento nacional.
O sítio da proposta de intervenção (Alameda de Pascoaes) não obedece a esta classificação, nem se encontra des-infraestruturado, nem abandonado. Aliás, é um dos lugares da cidade com mais consolidação urbana e arquitectónica, com mais vitalidade social e económica, portador de arquitectura classificada como histórica e monumental. Uma das zonas mais consolidadas e com mais estabilidade histórica e morfológica da cidade antiga. Onde se localiza o mercado da autoria do arquitecto Januário Godinho (1910-1990) classificado como monumento nacional.
Deste modo qualquer “renovação/regeneração” urbana nunca pode fazer deste belo e monumental sítio da cidade uma tábua rasa, como se o arquitecto fosse uma espécie de mão de deus a intervir num sítio aex novo. Lembramos a Carta Europeia do Património de 1975 na qual se estabeleceu como principio a conservação integrada da cidade, o que marca uma mudança na forma como se devem entender os processos de planeamento tendo em conta a conservação do património urbano. Estamos num dos locais mais espectaculares da cidade de Amarante, porque aqui se conjugam a paisagem, o rio, a arquitectura antiga e moderna, canónica e vernacular, o tempo e o espaço, a vontade e o coração dos amarantinos, que durante séculos, fabricaram este palimpsesto de grande complexidade e beleza cenográfica.
Nesta proposta de intervenção o arquitecto Souto de Moura não valoriza o sítio como património, nem dá sentido de monumento ao território da identidade e da diferença que aí foi construído, o muro. A intervenção vem simplificar, vem destruir património, vem limpar memórias, higienizar o espaço urbano para o devolver ao mosteiro na sua dimensão de ícone arquitectónico, o que não deixa de ser paradoxal e anacrónico. A destruição do muro, da sua monumentalidade, termina com a relação complexa que existe entre o alto e o baixo, a Alameda e o rio, a verticalidade e a dramaticidade, a cena e o número. O lugar perde a sua dramaticidade construtiva e domesticado e servil desce para o rio sem glória e sem chama.
Este projecto cria um novo espaço, uma nova identidade, uma nova morfologia, uma nova imagem de espaço urbano, uma nova relação com as cotas altas e baixas, uma relação mais geométrica e linear com o rio e com a outra cidade. Perdemos complexidade e poética, perdemos monumentalidade e drama, ganhamos uniformidade e funcionalidade, perspectiva e linearidade espacial. Com esta proposta o arquitecto uniformiza, banaliza e torna o lugar num não-lugar. Um não-lugar arquitectónico, porque repete a imagem e a cenografia de outros tantos lugares de matriz e concepção moderna, bem ao gosto da tradição do open space.
A destruição do lugar em benefício de outras cotas, de outros patamares, de outras ideologias de plano urbano, não contribuem para acrescentar mais-valias arquitectónicas à zona antiga de Amarante, a não ser a marca internacional Souto de Moura. O centro histórico de Amarante é muito mais que a simples marca de um arquitecto, por muito qualificado que ele o seja. Estamos perante uma proposta que destrói património, arrasa as marcas antropológicas e paisagísticas do lugar, desfigura a cenografia monumental da cidade baixa, introduz uma espécie de neurose contemporânea, que só conduz a uma prática política de perda, de simplificação e repetição de não-lugares. Construir de novo não significa nem pode implicar a eliminação das cidades antigas. Se assim for, estaremos a construir cidades vazias, sem referência e sem identidade, sem genealogia ambiental e sem uma arqueologia do habitat.
Mas o que está em causa não é só e exclusivamente a proposta do arquitecto, mas a decisão política que em nome de uma legitimidade legitimada, um presidente de câmara decide de forma exclusiva transformar e alterar de forma radical a imagem e a arquitectura de um lugar urbano classificado como património. Uma decisão unipessoal, porque não soube escutar todos aqueles que de uma forma ou de outra, estabelecem uma relação de uso e de apropriação com este sítio. O problema é essencialmente político, porque nasce de uma decisão política arbitrária que não soube ouvir e envolver a comunidade amarantina na discussão antes de passar para a decisão. O projecto aparece como facto consumado. A discussão pública aparece depois do projecto consumado, o que nos leva a concluir que é inapropriada e de mera cosmética. 

Ver aqui.
In Jornal Sol

Amarante, pelo Direito à Memória - Amarante no SOL


Amarante, pelo Direito à Memória - Amarante no Sol

Infelizmente, não pelas melhores razões!

Grata pelo envio do recorte, M!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Amarante, Princesa do Tâmega

Amarante, Princesa do Tâmega
Fotografia de Agostinho Mike 

Amarante, Princesa do Tâmega

Ao fundo o muro que, se o estudo prévio de Souto Moura fosse avante, seria em parte demolido para ser recuado e reerguido mais atrás, criando assim dois muros e duas plataformas - a primeira já existente, a da Alameda Teixeira de Pascoaes, que se apresentaria aos nossos olhos diminuída e minguada como uma camisola de lã lavada em programa de água muito quente; a outra, à cota mais baixa do mercado, inundável pelo imprevisível Tâmega, qual eira sem eira nem beira!, retirando a Amarante esta bela patine e este encanto que só a passagem do tempo e a preservação da memória lhe dá.
Ora porra! Amarante precisa duma idiotice política deste calibre?

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

A Palavra a Paulo Guinote - Por Amarante


A Palavra a Paulo Guinote - Por Amarante

"Porque o desrespeito pelo Património e pela Memória Colectiva se tornou uma marca d’água de intervenções “modernizantes” e “inovadoras”, bem pagas a nomes sonantes e com negócios chorudos com o pato-bravismo nacional."

Amarante, Pelo Direito à Memória – Semanário Sol

Nota minha - Porque o respeito pelo nosso Património está intimamente ligado à nossa História Colectiva e à nossa Educação.

Amarante, Pelo Direito à Memória - Semanário Sol


Amarante, Pelo Direito à Memória - Semanário Sol

Porque Amarante é uma cidade importante no contexto nacional... não porque é enorme ou outra coisa qualquer que tenha a ver com tamanho mas porque tem um centro histórico muito belo, constituído por um conjunto edificado que é património urbano protegido, que tem/deve ser defendido com unhas e dentes pelos portugueses em geral e pelos amarantinos em particular, damos mais uma contribuição contra um atentado que, espero, se venha a concretizar tanto quanto o mapa-cor-de-rosa.
Porque estamos a falar da nossa cara, da nossa identidade, da nossa herança colectiva, da nossa memória, no próximo sábado, dia 9 de Fevereiro de 2019, sairá um artigo de opinião no semanário Sol, que é uma visão crítica do projecto do arquitecto Souto de Moura.
Intitulado AMARANTE, PELO DIREITO À MEMÓRIA!, tem autoria de Fernando Matos Rodrigues/Anabela Magalhães e Ilustrações, magníficas, diga-se de passagem!, de Nathalie Afonso.
Não o percam.
Continuaremos a defender Amarante e o seu património edificado único e inconfundível que a transformou na Princesa do Tâmega.
Quem se atreve a alterar a cara, tão bela!, desta princesa?!!!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

ILC - Uma Pedra no Sapato da FENPROF

Daqui.

ILC - Uma Pedra no Sapato da FENPROF

Que diz dela o que seria de esperar da parte de um inimigo.

Orgulho!

Ainda a Propósito de Uma Ideia para Amarante de Souto Moura - A Palavra ao Amarantino Costa Carvalho

Amarante Património Legado - S. Gonçalo - Amarante
Amarante Património Semiranis? Sim? Não?

Ainda a Propósito de Uma Ideia para Amarante de Souto Moura - A Palavra ao Amarantino Costa Carvalho 

AMARANTE PARA UMA IDEIA  E NÃO UMA IDEIA PARA AMARANTE!

Nos 210 anos da II Invasão Francesa, a Câmara Municipal de Amarante bem poderia aproveitar o anteprojecto do arqº Souto Moura, para alargar, uns bons metros, o tabuleiro da ponte de S. Gonçalo, junto ao mosteiro. Isso possibilitaria um mais desafogado acesso à Alameda Teixeira de Pascoaes e, concomitantemente, já agora, criar-se um outro babilónico "Jardim de Semiranis".  Então, sim, seria de pôr a tal cereja num biscoito retorcido que o Município ameaça querer fabricar e meter pelas goelas abaixo dos labregos. Porque o polvo é quem mais ordenha.

Nota - E por que não? Uma nova ponte que aponte para o futuro do presente, com muitos arcos e ganchetas?

O Que Seria de Um Professor Sem Alunas?

Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

O Que Seria de Um Professor Sem Alunas?

Professor não seria...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

A Palavra (Vergonhosa) à FENPROF Sobre a Apreciação do Projeto de Lei n.º 944/XIII/3.ª (Iniciativa Legislativa de Cidadãos) “Consideração Integral do Tempo de Serviço Docente"



A Palavra (Vergonhosa) à FENPROF Sobre a Apreciação do Projeto de Lei n.º 944/XIII/3.ª (Iniciativa Legislativa de Cidadãos) “Consideração Integral do Tempo de Serviço Docente" 

Por certo com medo de perderem o protagonismo na/da luta dos professores, por certo porque se consideram os donos da luta dos professores com ordens de:

- Desmobilizar!
- Mobilizar!
- Desmobilizar!
- Agora é que é!
- Afinal não...
- Agarrem-nos ou nós...
- Intervalo para férias!
- É agora malta!...

E pensam que os professores portugueses são um bando de cordeirinhos manipuláveis que estão eternamente à espera que lhes mexam nos cordéis para eles próprios acordarem... emitiram mais uma vergonha que me deixa extremamente envergonhada por ter integrado este sindicato de professores que só olha para o seu umbigo.
Clique aqui para a ler na íntegra.
Tenho dito!

Nota - O processo negocial é cá um êxito melhor que o deus me livre... não é?!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

A Palavra a Souto Moura - Uma Outra Ideia para Ampliação do Mercado de Amarante

Mercado de Bruges no Coração da Cidade
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

A Palavra a Souto Moura - Uma Outra Ideia para Ampliação do Mercado de Amarante que, Não Por Acaso, Também É a Minha

Na apresentação da sua ideia para a ampliação do Mercado de Amarante e consequente intervenção na Alameda Teixeira de Pascoaes, o arquitecto Eduardo Souto Moura, de quem sou admiradora por gostar, e muito!, de muita da sua obra, afirmou que não há muito a fazer na zona em que lhe pediram uma intervenção já que a zona está muitíssimo condicionada pela topografia existente, eu diria até, pela topografia impossível existente.
Mas o arquitecto Souto Moura apontou um outro caminho que não o da intervenção, de buldozer, termo meu já que a pretensão apresentada para a Alameda é, do meu ponto de vista, desrespeitadora do sítio, da memória e da identidade Amarantina ao pretender intervir em local que nunca incomodou quem quer que fosse por aqui e que é, pelo contrário, imagem de marca Amarantina, verdadeiro ex-libris, milhares e milhares de vezes fotografado por autóctones, nacionais e internacionais que, tanto quanto me consta!!!, nunca se sentiram incomodados pela volumetria do muro que sustenta a Alameda... nem pela volumetria do muro contíguo e que sustenta a Praça de S. Gonçalo... já agora!
Aliás, o que mais ouço - já que percorro o centro da cidade de lés a lés e a pé! - são exclamações de espanto em múltiplas línguas e múltiplos sotaques, face à beleza deste centro histórico que é, verdadeiramente, uma pequena/grande jóia,

Eduardo Souto Moura apresentou o exemplo do assumido Mercado de Verona que se realiza na principal praça de Verona e até apresentou fotografias suas do dito mercado em funcionamento.

E eu, farta de os ver funcionar, aos mercados, nas praças mais nucleares das cidades e vilas por essa Europa fora... para não falar de outros continentes!, vou apresentar-vos o exemplo do maravilhoso mercado de Bruges.
Para quem não sabe, Bruges é uma cidade belga, capital da província da Flandres Ocidental, também conhecida pelo cognome de Veneza do Norte, tal a quantidade de canais que sulcam a cidade medieval, classificada como Património Mundial pela UNESCO, dada a sua importância patrimonial e cultural no contexto belga, europeu, mundial.
Pois esta especialíssima cidade tem um mercado que acontece todas as quartas-feiras e que se realiza somente na sua principal praça, a Grote Markt, coração da cidade desde o século X e que é uma verdadeira pérola medieval. O mercado realiza-se às quartas-feiras e aí vendem-se frutas, comidas variadas, queijos e outros produtos que as gentes da terra assumem e negoceiam em barraquinhas atraentes e, presumo, organizadas pela câmara municipal local.
A praça, que eu conheço precisamente em dia de mercado, esta dica faz mesmo parte de qualquer roteiro turístico! - Visite Bruges preferencialmente às quartas que tem o bónus do mercado na Grote Markt - funciona que é uma beleza, com muita gente local e muitos turistas que deambulam e se encontram e compram! os produtos locais, e não só!, que por ali são vendidos.

O mercado de Amarante está a esbordar pelas costuras? Está! É preciso reorganizá-lo? É!
Sugiro então que escutem atentamente as palavras de Souto Moura, de caminho podem ler as minhas, copiem o que de bem se faz lá fora, e recuperem a feira de S. Gonçalo, realizada em pleno largo, tal como aliás já se faz, e bem!, com a de velharias.
Claro que não me ocorre passar para o Largo de S. Gonçalo as peixarias existentes no mercado... mas o pão tão variado que felizmente temos, os bolos e a doçaria típica, os enchidos, as flores, a cestaria tão típica da zona, a loiça de barro e afins... e fazerem uma campanha turística bem feita com a recuperação da feira que já existiu ali mesmo naquele espaço... é que era um golaço bem metido pela autarquia local! E, pelo caminho, os recursos públicos que eram poupados não eram, de todo! negligenciáveis!!! Ou eram/são?

Nota - Podia apresentar muitos outros exemplos mais, mas penso que um já chegará. É um dos muitos exemplos do que acabo de defender para Amarante que vi com os meus olhos e fotografei com a minha máquina por esse mundo fora... mesmo sem saber que um dia precisaria destes exemplos para combater um atentado patrimonial em gestação.
E claro, quem diz Largo de S. Gonçalo diz, depois das alterações adequadas, a Alameda Teixeira de Pascoaes, onde, de resto, a feira também já se realizou.
 
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