quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

A Palavra à Senhora Bastonária da Ordem dos Nutricionistas


A Palavra à Senhora Bastonária da Ordem dos Nutricionistas

Hoje partilho um artigo de opinião saído no Público e aproveito para afirmar que subscrevo tudo o que escreveu a senhora bastonária da Ordem dos Nutricionistas, doutora Alexandra Bento, sabendo o quanto é polémica, ainda!, esta posição.
E aproveito para fazer um reparo. Continuo incrédula perante um ME que assobia para o lado permitindo a existência de autênticas "porcarias" nos bares das escolas, escolas estas onde há muito blá blá... nem sempre consistente. A bota tem que condizer com a perdigota... sob pena de transformamos a Educação numa fraude. Ou não é assim, senhor ministro da Educação?
Que sentido faz andarmos a fazer demonstrações da quantidade astronómica de gordura e de açúcar existente, por exemplo, num croissant... e mais não sei o quê sobre a importância de praticarmos uma alimentação saudável... se depois, na mesmíssima escola, são vendidos croissants aos miúdos?!

Liberdade individual nos bares do SNS

Muita tinta tem corrido sobre o recente despacho que limita a venda de doces e salgados nos bares, cafetarias e bufetes das instituições do Ministério da Saúde.
Falamos de produtos alimentares prejudiciais à saúde e o objetivo parece-nos claro: melhorar a oferta no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e promover uma alimentação saudável dentro destes espaços. Parece-nos igualmente claro que esta medida não pretende limitar a liberdade individual de cada um. Mas já lá iremos.
Recuemos a 2016 quando, em junho desse ano, é emitido um despacho que limita a disponibilização de produtos prejudiciais à saúde nas máquinas de venda automática existentes no SNS. Na altura, pouco foi o ruído que se fez sentir. Em vez disso, os concessionários aplaudiram a medida, adequaram a oferta alimentar e, veja-se, até mantiveram as vendas.
A iniciativa, muito positiva e que dava mais um passo na promoção de hábitos alimentares saudáveis, era, contudo, incompleta. Porque no SNS não existem apenas máquinas de venda automática. Há bares, cafetarias, bufetes. Por isso, e por uma questão de elementar congruência política e estratégica, era necessário uniformizar com as mesmas regras todos os locais que disponibilizam oferta alimentar no SNS. E foi exatamente isso que o Ministério da Saúde fez com o novo despacho, dando assim coerência à estratégia definida anteriormente. Simples, não é?
Depois, há um outro argumento que toda a gente compreenderá, já que, mais uma vez, tem a ver com uma questão de coerência. A questão é: faz sentido defendermos determinados padrões alimentares para depois, dentro do próprio SNS, praticarmos o seu contrário? O adágio popular “olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço” até pode ser engraçado, mas é uma péssima prática.
Enquanto profissionais de saúde, não podemos demitir-nos da responsabilidade de promover bons hábitos alimentares. Como sabemos, é mais eficaz promover a saúde que combater a doença. E é por isso que o Ministério da Saúde deve ser felicitado. Ordem dos Nutricionistas, Ordem dos Médicos e Organização Mundial da Saúde (OMS) já o fizeram, esta última destacando, inclusivamente, que “Portugal é um dos países europeus líderes” em matéria de políticas de promoção de hábitos alimentares saudáveis.
Estamos no bom caminho e devemos orgulhar-nos disso. Mas não somos os únicos nem estamos isolados do resto do mundo. Medidas similares já são adotadas noutros países, como o Reino Unido, por exemplo, onde as bebidas açucaradas foram banidas dos hospitais do National Health Service, ou como na cidade de Londres, onde os restaurantes de fast-food foram proibidos num raio de 400 metros das escolas.
São medidas apoiadas na evidência cientifica e que estão em linha com as recomendações da OMS, uma autoridade de saúde. Mas são também, e acima de tudo, medidas preventivas para a diminuição de doenças crónicas na população.
Talvez seja importante recordar que, em Portugal, temos sérios erros alimentares e que existe uma forte evidência que nos mostra que a alimentação é um dos principais fatores modificáveis que mais contribui para a mortalidade e morbilidade da população.
Somos dos países com maior prevalência de hipertensão arterial. 40% dos portugueses são hipertensos. Consumimos o dobro da quantidade de sal recomendada pela OMS. Ingerimos mais de dez gramas por dia, quando a OMS aponta para cinco gramas diárias.
Mais de metade da população tem excesso de peso, a obesidade entre os jovens de 15 anos cresceu quase 60% nos últimos anos, quase um terço das crianças ainda tem excesso de peso. Se nada fizermos, os nossos filhos viverão menos do que nós.
Ou seja: estamos a morrer de doenças que se relacionam com a alimentação. Por isso, é da responsabilidade de quem nos governa a adoção de medidas que tornem mais saudáveis os locais onde as pessoas escolhem e compram alimentos. Naturalmente que os locais com maior responsabilidade de serem bons exemplos nesta matéria são os que estão sobre alçada pública, como os hospitais, os centros de saúde ou os estabelecimentos de ensino.
Posto isto, o que a recente polémica veio colocar a descoberto foi a necessidade de estas medidas serem acompanhadas por programas de literacia alimentar e nutricional, de forma a informar e capacitar a população para escolhas alimentares mais saudáveis.
E voltemos ao início. O que está em causa não é a liberdade individual. É garantido: esta medida não pretende limitar o direito de escolha alimentar de cada um. Todos são livres de consumir os produtos que entendem. Com mais ou menos açúcar. Mais ou menos sal. Mais ou menos gordura. Não esperem é que se promova a comercialização de produtos prejudiciais à nossa saúde nos mesmos espaços onde se promove a saúde e se tratam as doenças que deles decorrem.
Urge agora o acompanhamento destas medidas com programas de aumento da literacia alimentar e nutricional, para informar e capacitar para escolhas alimentares mais saudáveis.

A autora escreve segundo o novo Acordo Ortográfico



segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Dia do Perfil do Aluno

Dia do Perfil do Aluno - E. B. 2/3 de Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Dia do Perfil do Aluno

Foi hoje e, devo assinalar, em tempo recorde, a escola organizou-se muitíssimo bem.
Os alunos foram agrupados por ordem alfabética, baralhados relativamente à faixa etária e ao confortável grupo turma formando improváveis "turmas". Aos professores competia-lhes apenas fazerem a recepção dos alunos que compunham cada grupo, apresentarem os respectivos líderes e abandonarem a sala porque o trabalho durante os dois primeiros tempos da manhã competia-lhes por inteiro.
Da parte dos alunos, todas as etapas foram cumpridas na maior das civilidades incluindo o fórum de apresentação das conclusões que decorreu das 14:30 às 16:15, durante o qual uma representante do 2.º Ciclo e um representante do 3.º Ciclo, ladeando uma aluna moderadora dos trabalhos, e que é a presidente da Associação de Estudantes, apresentaram uma súmula das opiniões dos nossos alunos sobre o que alterar na forma como a escola se organiza - espaços físicos, modo de funcionamento, materiais pedagógicos, aulas, horários, desenhos curriculares, visitas de estudo, clubes, cantina, apoio de técnicos especializados...
De notar que tudo decorreu dentro da normalidade... e foi até muito produtivo... excepto o que dependia do ME. Bem tentamos acompanhar em directo a conferência que decorria no espaço expositivo da Fundação Champalimaud... mas a imagem chegava aos soluços, intercalada com enormes períodos estáticos, impossibilitando a compreensão da coisa . É que isto de querer fazer omeletes sem ovos é, comprovadamente, coisa impossível. E depois não sei o quê do aluno do século XXI... mas, nos entretantos, as escolas continuam com equipamentos já obsoletos do/no século XX.
Mas a Catarina Furtado estava gira... estava gira que eu vi!

Post Quase Verdadeiramente Facebookiano

Chá das Cinco -S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Post Quase Verdadeiramente Facebookiano

O pessoal que se passeia pelo facebook por certo já reparou que há postagens típicas que são partilhadas a torto e a direito pelo face de amigos, familiares e até de gente desconhecida que usa esta rede social. Sem fazer muito o meu género, as postagens de comidinhas assim e assado normalmente só entram no meu blogue por estas serem verdadeiramente excepcionais, ou porque são muito belas, ou porque são deveras divinais em sabor, ou até, o melhor! porque são excepcionais em ambos os parâmetros. Mas ainda há uma terceira categoria de que gosto particularmente, fora a comidinha da cantina da E. B. 2/3 de Amarante, e que é a doçaria tradicional, particularmente a amarantina, linda no seu género e maravilhosa para quem dela gosta.
Ontem comemorou-se a festa a S. Gonçalo - o seu dia foi a 10 de Janeiro mas calhando em dia de semana passa para o domingo seguinte - com a tradicional oferta de figos no final da missa das 11 horas e com o consumo dos tradicionais doces a esta festa associados.
Vai daí, ontem sequilhei-me ao lanche. E, de caminho, galhofei-me também com este doce a que chamam galhofas e que deve ser consumido com um golinho do prodigioso Vinho do Porto... ou um golinho de um bom vinho tinto. Tradicionalmente a covinha da galhofa servia até de recipiente da bebida que se bebia para depois comer o doce anteriormente transformado numa espécie de "copo".
Vai daí, Rosa Maria Fonseca... sequilhando e galhofando... estas foram as actividades desta tua amiga, ontem, ao lanche, usando a loiça da sua avó Luzia, avó que um dia também foi habitante desta rua que agora é minha e que igualmente a amava... até pintada nos pratos...

domingo, 14 de janeiro de 2018

Dia do Perfil dos Alunos


Dia do Perfil dos Alunos

O Dia do Perfil do Aluno...  assim dito até parece coisa de seita esquisita... está marcado para amanhã e será divulgado com pompa e circunstância em Conferência Nacional cujo programa pode ser consultado aqui.
Entretanto, pelas escolas, os alunos estarão divididos em grupos, na minha por ordem alfabética, tentando reflectir sobre "como organizar a escola e o ensino, com vista à concretização do Perfil dos Alunos no Final da Escolaridade Obrigatória" o que quer dizer que os alunos terão de conhecer o referido documento para já imposto pelo ME.
É um documento bastante complexo, de várias dezenas de páginas, relativamente recente, divulgado no final do ano lectivo anterior, e que, dirigindo-se também aos alunos, bem podia ter sido construído numa linguagem mais acessível e que bem podia ser mais sucinto para que pudesse ser mais facilmente lido, descodificado e apropriado por estes mesmos alunos. Ou não?
Quanto aos resultados práticos deste evento, amanhã veremos. No entanto, estou convencida que somos bem capazes de ter algumas surpresas. Ou não?

sábado, 13 de janeiro de 2018

Ministro da Educação - 0 / Ministro da Saúde - 1


 Ministro da Educação - 0 / Ministro da Saúde - 1

Reza o documento que traça o perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória que os alunos devem ser competentes em várias áreas, nomeadamente numa área intitulada Bem-estar, saúde e ambiente.
Passo a citar:
 "As competências na área de Bem-estar, saúde e ambiente dizem respeito à promoção, criação e transformação da qualidade de vida do indivíduo e da sociedade.
As competências associadas ao Bem-estar, saúde e ambiente implicam que os alunos sejam capazes de:

  • adotar comportamentos que promovem a saúde e o bem-estar, designadamente nos hábitos quotidianos, na alimentação, nos consumos, na prática de exercício físico, na sexualidade e nas suas relações com o ambiente e a sociedade;
  • (...)
Ora, o nosso ME mantém um comportamento disfuncional quando espera que os professores no terreno e outros técnicos ligados à saúde, nomeadamente os nutricionistas, desempenhem um papel de relevo na educação alimentar dos mais novos, educação alimentar essa que deve ser promotora de saúde e de bem-estar e depois permite que os bares das escolas... e, ainda pior, as máquinas!... funcionem com ofertas completamente erradas do ponto de vista nutricional e é ver as natinhas a rirem-se para os miúdos... e graúdos, e os lanches, e os queques, e os chocolates e os sumos e o diabo a quatro porque depois as receitas dos bares são das poucas fontes de rendimento próprias das escolas e é preciso facturar.
A proibição do fornecimento, em espaço escolar, de alimentos comprovadamente nefastos para a saúde e o crescimento saudável das nossas crianças, já há muito devia ter entrado em vigor, imposta por um ministério que se diz ser da Educação. Porque, depois da família, é na escola que muitos hábitos se moldam consolidados pelos conhecimentos que a miudagem vai adquirindo.
Mas a miudagem o que vê? Vê que a nossa bota não condiz com a nossa perdigota. Vê que a professora ou o técnico de saúde estão a falar para um lado mas depois nas escolas pode ser tudo ao contrário que ninguém se chateia.
Bom... ninguém se chateia também não é bem assim! Muitos de nós, que se preocupam com estes assuntos, chateiam-se e não é pouco...  enquanto esperam, sentados!, que o ME se digne olhar para este problema que é um problemão. E enquanto são ultrapassados, pela direita, pelo Ministério da Saúde... até quando?

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Trump Será Sempre Trump

Imagens retiradas da net

Trump Será Sempre Trump

Ou seja, será sempre vergonhoso.




Amarantinos Identificados


Amarantinos Identificados

Na Escola Primária de S. Pedro funcionavam as quatro classes que eram leccionadas, à data, pelos professores primários Pinheiro, Pereira (de Padronelo), Diniz e Vieira. Pelo que o meu pai me conta, a escola de S. Pedro também era frequentada por raparigas cujo recreio ficava situado na parte de trás da escola... de notar que eu ainda sou do tempo dos recreios separados por géneros, géneros estes que só se misturaram depois do 25 de Abril de 1974.
Esta rapaziada, fotografada no ano lectivo de 1940-1941, decorria a 2.ª Guerra Mundial, estava aqui em formação para a fotografia no recreio que era dela e, por detrás da lente da máquina que registou esta fotografia para sempre, está, por certo, o pai do futuro fotógrafo Eduardo Teixeira Pinto, aqui ainda muito criança, integrando a formação de figurantes.
No Largo de S. Pedro vê-se o telhado de uma cabine de electricidade que foi posteriormente demolida  e desmantelada e cujo equipamento haveria de ser embutido no interior do muro onde está o fontanário e onde permanece até aos dias de hoje.
Hoje partilho os miúdos que já foram identificados, agradecendo a todos quantos já colaboraram para que esta identificação fosse possível a cerca de 40 anos de distância.
E foi o que se conseguiu arranjar até agora. Mas, asseguro-vos, não ficaremos por aqui!

Nota 1 - Peço desde já desculpa pelos alcunhos...mas os mais antigos amarantinos, o meu pai por exemplo, falam escrevem assim: ai este é o não sei quantos Piça Negra, este é o não sei quantos Rei Preto, este é o não sei quantos Giga Mamas, aquele é o não sei quantos Pé Ôco, aquele pertence aos Escaravelhos, mais a não sei quantas que pertence às Garridas...  funcionando estes alcunhos como identificadores de famílias inteiras, o que não deixa de ser engraçado face aos nomes, alguns bem poderosos e obscenos, que se arrastam de geração em geração e que podem nem ser do agrado dos visados. Um dia escreverei sobre esta característica bem amarantina já que o meu pai compilou uma lista com centenas de alcunhos em uso nesta nossa Amarante bem-amada.
Nota 2 - Cliquem sobre as fotografias para terem acesso à sua totalidade. E se quiserem e puderem ajudar... todas as contribuições serão bem-vindas!

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Última Hora - Reposicionamento na Carreira Docente


Última Hora - Reposicionamento na Carreira Docente

O ponto de situação possível do mau andamento das negociações com o inenarrável ME.
Senhores sindicalistas, não estará na hora de iniciar uma luta a sério?


Reposicionamento na carreira docente
Nas escolas e na rua, Professores e Educadores responderão adequadamente à provocação do ME/Governo
A FENPROF fez hoje saber no Ministério da Educação/Governo que considera o projeto de portaria sobre reposicionamento na carreira docente uma verdadeira provocação aos professores. Aliás, se juntarmos este projeto às normas impostas sobre progressão aos 5.º e 7.º escalões, bem como a alguns indícios sobre o que poderá ser a proposta de recuperação do tempo de serviço, pode-se afirmar que está em curso uma estratégia de destruição da estrutura da carreira docente, recorrendo o Ministério da Educação/Governo a interpretações abusivas dos quadros legais vigentes para tentar impor as suas posições. Contudo, em muitos aspetos, a incoerência de tais posições não consegue disfarçar que o rei vai nu.
Relativamente ao reposicionamento dos professores que, tendo ingressado na carreira durante o período de congelamento, foram retidos no 1.º escalão, a FENPROF recorda que este processo se destina a colocar tais docentes no escalão em que se encontram os seus colegas que, com o mesmo tempo de serviço, já tinham ingressado na carreira antes de 2011.
Foi por essa razão que, no recente processo negocial que culminou com a assinatura de uma Declaração de Compromisso, o Governo aceitou que o reposicionamento tivesse lugar em 1 de janeiro de 2018 e não de forma faseada, como acontece com o descongelamento. O objetivo era permitir que os docentes a reposicionar estivessem em igualdade de condições com os seus colegas no momento de progredir na carreira. O projeto em negociação nega o espírito que presidiu a este processo de reposicionamento, o que significa que, de uma assentada, o ME/Governo viola o compromisso que assumiu e também os direitos de professores que, durante anos, já foram fortemente penalizados.

Princípios apresentados pela FENPROF
Nesta reunião, a FENPROF apresentou um conjunto de princípios que procurou consensualizar com o Ministério da Educação/Governo. Mas isso não foi possível, pois as posições reiteradas por ME/Governo negam quase todos estes princípios. Senão vejamos:
- Estes docentes são, mais uma vez, discriminados em relação aos seus colegas;
- A estes professores, o Governo pretende aplicar procedimentos que a lei estabelece para efeitos de progressão, mas não de reposicionamento;
- O ECD estabelece que só os portadores de habilitação profissional podem ingressar na carreira, mas prevê que todo o tempo de serviço prestado em funções docentes (sem distinguir os portadores de habilitação profissional dos demais) deverá relevar para efeitos de carreira. Apesar disso, ME/Governo, ilegalmente, quer apagar todo o tempo prestado antes da profissionalização;
- Mesmo após a profissionalização, o ME/Governo pretende apagar todo o tempo de serviço não avaliado, apesar de, nos termos da lei, durante vários anos, a avaliação só ter lugar quando os contratos eram de tempo superior a seis meses. Quer também eliminar, para efeitos de carreira, o tempo de serviço prestado no ensino particular e cooperativo, em IPSS, ou em outras funções docentes sujeitas a modelos diferentes de avaliação;
- O ME/Governo pretende dar por concluído o reposicionamento quando o docente atinge o 5.º escalão, ainda que alguns tenham tempo de serviço que permitiria ser posicionado em escalão superior;
- Qual cereja no topo do bolo, o ME/Governo coloca exigências não verificáveis: a atribuição da menção de Bom e a frequência de ações de formação após o ingresso na carreira, apesar de saber que, tendo este ocorrido durante o período de congelamento, nem uma nem outra das exigências se podem verificar.

12 perguntas que não obtiveram resposta
Para além dos princípios que defendeu, a FENPROF colocou diversos pedidos de esclarecimento ao ME:
1)  Se, segundo o artigo 2.º, número 1, alínea a) se refere que o reposicionamento se destina a docentes portadores de qualificação profissional que ingressaram na carreira, que outros há que também ingressaram?
2)  Pela alínea b) do mesmo número 1 pode depreender-se que quem, por exemplo, em 20 anos de serviço como contratado, teve uma avaliação de Regular, daí resultará a não contagem da totalidade desse tempo?
3)  Da alínea c) retira-se que quem se encontrar em período probatório (ingresso em 2017) não será abrangido pelo reposicionamento?
4)  Qual a fundamentação para não contar o tempo de serviço prestado em funções docentes antes da profissionalização (número 2 do artigo 2.º), quando o número 3 do artigo 36.º do ECD prevê que todo o tempo prestado em funções docentes seja contado?
5)  O tempo de serviço não avaliado inclui o que o ECD excecionava, como os contratos até 6 meses? E o tempo de serviço prestado em funções docentes para outras entidades empregadoras, que não o ME, e que até hoje nunca foi posto em causa?
6)  Que coerência existe na proposta de eliminação de 9 anos 4 meses e 2 dias quando, para efeitos de recuperação, o ME/Governo não reconhece mais que 7 anos?
7)  Se no artigo 3.º, o ME/Governo refere que o reposicionamento se fará “de acordo com os critérios gerais de progressão”, como pode, depois, pretender aplicar os “critérios específicos” (observação de aulas e vagas)?
8)  Como pode exigir-se (artigo 3.º, número 2, alínea a) a obtenção de Bom ou Muito Bom “na avaliação de desempenho na carreira”, se estes docentes ingressaram num período em que a conclusão dos ciclos avaliativos se encontrava suspensa? Quererá o ME, em 2018, manter todos os docentes no 1.º escalão para efetivar o reposicionamento, apenas, em ano eleitoral?
9)  Relativamente à alínea b) deste número, a questão é semelhante, só que em relação à formação contínua. Repare-se: para quem já se encontra na carreira, aos anos de congelamento não terão de corresponder horas de formação, contudo, a estes docentes, o ME/Governo exige 12,5 horas por ano de congelamento.
10)               Por que razão o ME/Governo considera concluído o reposicionamento quando for atingido o 5.º escalão quando muitos destes docentes, pelo seu tempo de serviço, deverão ser posicionados em escalão superior?
11)               Que igualdade poderá existir entre pares quando, até 2021, no mínimo, estes professores estarão em processo de reposicionamento e os seus colegas com o mesmo tempo de serviço, nesses anos, retomarão a progressão na carreira, alargando, ainda mais, o fosso entre professores com o mesmo tempo de serviço?
12)               Depois de ter divulgado publicamente que o processo de reposicionamento dos docentes custaria 18,3 milhões de euros, quanto, afinal, custaria tal processo, caso vingasse este projeto ministerial?
O Ministério da Educação/Governo não respondeu a estas questões, comprometendo-se, apenas, a apresentar novo projeto antes da próxima reunião, que terá lugar em 18 de janeiro, de manhã. A FENPROF ficará a aguardar essa nova versão, deixando, desde já, claro que, a manterem-se os aspetos negativos que se assinalam, irá apelar aos professores e educadores a vinda para a rua em defesa dos seus direitos. Isso será inevitável!

Uma luta que deverá envolver todos os docentes, em unidade, em defesa da sua carreira e do compromisso obtido em novembro
Como no início se refere, esta é uma luta que deverá envolver todos os professores e educadores, pois o que está em causa hoje é o reposicionamento, ontem era a progressão aos 5.º e 7.º escalões e amanhã (reunião em 24 de janeiro) será a recuperação do tempo de serviço roubado aos professores. Por esse motivo, a mobilização deverá ser geral, em defesa da atual estrutura da carreira docente, da sua recomposição e de um tratamento justo para todos os docentes, face a propostas que se encaminham no sentido da destruição dessa estrutura.
Acresce que o projeto de portaria apresentado por ME/Governo põe em causa o compromisso que assumiu em 18 de novembro, p.p.. Como tal, a FENPROF vai propor a todas as organizações sindicais signatárias da Declaração de Compromisso a realização de uma reunião, com o objetivo de avaliar os processos negociais sobre aspetos da carreira docente, o grau de cumprimento, pelo ME/Governo, dos compromissos que assumiu e o eventual desenvolvimento de formas de luta convergentes.

O Secretariado Nacional

12 Cidades a Visitar em 2018 - Amarante



12 Cidades a Visitar em 2018 - Amarante

Esta notícia data de ontem e quem possui facebook sabe bem o quanto foi divulgada localmente, por certo por amarantinos orgulhosos por verem a sua cidade a jogar taco a taco e a ombrear, nesta listagem, claro está!, com cidades como Nova Iorque ou Praga.
Sempre que sai uma qualquer notícia deste tipo, não posso deixar de sentir, enquanto amarantina, um misto de emoções que me invadem e que passam por alguma vaidade, orgulho e alegria por ver assim reconhecida, por outros, por exteriores, uma terra que é a minha e que eu sei ser de uma beleza sem igual. Por outro lado, a cada notícia elogiosa para a cidade de Amarante e para os seus habitantes, herdeiros deste património histórico único, penso sempre na responsabilidade amarantina que a cada dia é maior e que é uma responsabilidade partilhada entre cada um de nós, com especial relevo para os decisores políticos locais, que, relembro sempre, ocupam os cargos de poder de forma efémera com o fim último de servirem o bem comum, ou seja, de servirem os interesses de um colectivo que é formado por todos nós.
Vai daí, penso em problemas que se manifestam na cidade, alguns que se arrastam desde os tempos do ps no comando da autarquia, de segurança, por exemplo, e vem-me logo à memória a armadilha criada aos transeuntes, no Largo de S. Gonçalo, ou Praça da República, com o desnível que facilmente não se vê e que é responsável por tombos de meia-noite, principalmente para os visitantes da terra, que, não contando com terreno armadilhado, se espalham ao comprido obrigando a chamadas de INEM e idas para as urgências que não têm conta. Já escrevi variadíssimas vezes sobre este problema, penso que a última terá sido este post chamado, apropriadamente, S. Gonçalo Armadilhado. Vem isto a propósito de uma obra da responsabilidade do município, que arrancará nos tempos mais próximos, e que se destinará a corrigir o que nasceu torto e que eliminará, finalmente!, o desnível existente nesta praça e que eliminará, por sua vez, a armadilha até para as crianças que brincam descontraidamente no Largo. Já quanto às obras nas casas de banho públicas... espero para ver se desvirtuarão ainda mais o coração desta cidade que é nossa.
Outro problema, que é responsabilidade de todos nós e que é foleiro para todos quantos deambulam pelo centro histórico, autóctones ou não, é a existência de lixo que emporcalha a cidade e que nos deve deixar a todos envergonhados... principalmente a quem tem o dever, e que tem verba, para zelar pela limpeza das ruas e praças da cidade que, diga-se de passagem, são bem poucas... que o povoado é minúsculo até dizer chega! Ou seja, este problema já crónico é de bem fácil resolução, haja vontade política para atingir o objectivo de ter uma cidade limpa.
E por aí adiante, que a cidade enferma de problemas vários, ai o esvaziamento de gente no centro histórico!, uns mais graves do que outros. Grave parece-me a chamada de atenção, feita neste artigo, para um evento que foi descontinuado por opção de quem agora governa a cidade. Assim, que os visitantes da cidade não venham à procura dos diabos à solta pela cidade porque não os encontrarão. Nem em noite quente de Agosto... porque diabos mesmo... só o casal que está no museu Amadeo de Souza-Cardoso, musealizado, portanto!

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Novas das Negociações com o ME - Reposicionamento na Carreira


Novas das Negociações com o ME - Reposicionamento na Carreira

A palavra a Mário Nogueira sobre a vergonha completa e absoluta por parte do ME em relação aos docentes portugueses. É caso para perguntar - Qual carreira?
Por mim, a melhor opção de luta será sempre a greve por tempo indeterminado. Porque para grandes males, grandes remédios. E porque estou fartinha de ser roubada para que o estado desvie o dinheiro de todos nós para falcatruas de bancos e afins.

Aula de História - Mimo


Aula de História - Mimo

A cena passou-se no final da aula de História, já depois do toque para fora, estavam os alunos a arrumar os seus materiais nas respectivas mochilas. Foi a última aula do dia, para eles e para mim.
A aula andou à volta "apenas" destes sete diapositivos acima partilhados, e retirados da minha apresentação em PowerPoint intitulada Renascimento, acerca dos quais muito há para dizer e muita pergunta há para fazer e os meus alunos não se coibiram, como de costume, de as formular, de as colocar. E a aula passou ainda por um rápido desenho no quadro representando a península Itálica para que os alunos se relembrassem da localização e da importância de Roma, antiga capital do vastíssimo Império Romano e que guarda preciosidades desta época, e para que se relembrassem do território do sul desta península, que antes de ser romano foi grego e constituía parte da Magna Grécia... sim, ainda hoje com ruínas gregas maravilhosas e aos molhos.
Foi uma aula simples. E eis que no fim da aula o A comenta virado para os seus colegas, e de sorriso rasgado de orelha a orelha, diz entusiasmado "Esta foi a melhor aula do dia!"
Ora esta observação deixou-me, também a mim, de sorriso rasgado de orelha a orelha. Registei.
Obrigada, Aluno Meu!

Nota - Será que esta minha aula também já está emigrada no Brasil e no nome da "professora" Márcia Fabiani?

Dia de S. Gonçalo - ?

Falo de S. Gonçalo - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Dia de S. Gonçalo - ?

Há quem lhes chame, pudicamente, Doces  S. Gonçalo. Há quem lhes chame Falos de S. Gonçalo. Também há quem lhes chame Coisos de S. Gonçalo. Há ainda quem lhes chame Ferramentas ou Instrumentos de S. Gonçalo. O povo conhece-os vulgarmente por Quilhões ou Colhões de S. Gonçalo... 
De qualquer forma, são comiddos a bom comer. E a gente brinca com eles.
Eu, por mim, estou grata a este santo que é somente beato e que é doce e matreiro p´ra caramba! 
Obrigada, S. Gonçalo!
Honras à Vida!

Dia de S. Gonçalo - Sequilhos

Sequilhos em dia de S. Gonçalo - Amarante
Fotografias  Anabela Matias  Magalhães

Dia de S. Gonçalo - Sequilhos

Hoje é dia de S. Gonçalo. Vai daí, hoje também é dia de sequilhos.
Eu já me sequilhei. E vocês? Sequilharam-se? Sequilham-se? Vão-se sequilhar?

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Amarantinos



Amarantinos

Amarantinos ampliados. Usem as partes da fotografia original que quiserem para identificarem possíveis familiares. Decorria o ano lectivo de 1940-41, na Escola Primária de S. Pedro, Amarante.

Amarantinos


Amarantinos

Esta é uma fotografia preciosa que terá, por certo, cerca de 80 anos. Retrata a rapaziada desta rua, e dos seus arredores, e que frequentava, à época, a Escola Primária de S. Pedro, agora transformada em Junta de Freguesia da União de Freguesias de S. Gonçalo... e do resto.
Cheguei a esta fotografia por acaso, pelo pedido que me foi feito pelo jornalista amarantino Costa Carvalho de a solicitar ao pai de um meu grande amigo de infância, o sr. Joaquim Oliveira, presente também nesta fotografia.
Eu consegui de imediato identificar três dos miúdos presentes - o Costa Carvalho, o inconfundível sr. Eduardo Teixeira Pinto e o meu primo Luís Queirós. Mas o meu pai, mais novito que esta gente aqui retratada, já identificou mais uns quantos. A missão dos próximos dias é identificar o máximo de miúdos possível. Se estiver alguém desse lado que possa ajudar, agradeço desde já. Veremos quantos conseguiremos resgatar do anonimato.

Enigma - Que telhado é este que se vê no Largo de S. Pedro?

Nota - Para ampliar a fotografia, clique sobre ela.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Amarante, os Amarantinos e o Rio

Amarante, os Amarantinos e o Rio
Fotografia de Foto-Carneiro
(Este post data  de 2009 e baseia-se nas memórias amarantinas, não sei se já romanceadas, do meu pai.)

Amarante, os Amarantinos e o Rio

post que agora escrevo tem por base as palavras do meu pai e as suas memórias relacionadas com o Tâmega.
O meu pai nasceu em 1937 e, aquando do seu nascimento, já existiam velhos hábitos e costumes entre os amarantinos relacionados com o rio, como se pode ver na fotografia que ilustra este post, e onde é facilmente identificado o meu muito querido avô Rodrigo, segundo na foto, contando da direita para a esquerda, o primeiro encostadinho à barraca, ainda muito jovem e solteirinho da silva.
O rio foi património passado de pais para filhos e estas barracas de madeira listada, contemporâneas do meu avô, povoaram ainda a infância e adolescência do meu pai não tendo chegado, no entanto, a alimentar as minhas memórias de infância, ligadas ao rio, passada já nos Poços.
As barracas eram montadas anualmente e inauguravam a época balnear. Montadas sobre a corrente do rio num sítio chamado Gola, entre a Ínsua e o Areal, serviam não só para as pessoas mais modestas tomarem o seu banho de limpeza semanal, como também para as senhoras importantes e excêntricas de Amarante se refrescarem, a coberto dos olhares, curiosos e matreiros, da rapaziada que povoava o Tâmega à época. Mas a rapaziada parece que fintava as ditas senhoras e mergulhando nas águas outrora límpidas do rio espreitava-as, ai Jesus! Nuas!, tal qual tinham vindo ao mundo!
Durante a infância do meu pai era o senhor Adolfo Flores que ensinava a moçarada a nadar e foi com este senhor que o meu pai aprendeu a deslocar-se em meio líquido, nadando em segurança no rio. De cabaças debaixo dos braços, para não ir ao fundo, lá ia ganhando destreza e aperfeiçoando os movimentos até o senhor Adolfo o mandar fazer a prova final e que consistia em nadar, sem as ditas cabaças, desde a ponta da Ínsua até ao pilar da Ponte Velha, acompanhado pelo senhor Adolfo, que da sua Guiga, barco típico que ainda hoje povoa o rio misturado com umas ditas dumas gaivotas infestantes, ia vigiando a prova de superação de dificuldades acrescidas, num local de grande profundidade do rio. Dizia ele que se a moçarada conseguisse nadar aquela distância, sem parar, estava já apta a nadar em qualquer lugar e sem mais companhia, quer humana, quer a das ditas cabaças.
E a moçarada lá ia crescendo, no Verão sempre enfiada no rio, chapinhando e brincando, bebendo da sua água quando tinha sede, pescando as enguias que se movimentavam no fundo pedregoso do rio, com garfos, nadando até dizer chega, espreitando as senhoras nuas dentro das barracas.
Este foi um tempo anterior aos Poços, que pura e simplesmente não existiam enquanto praia, na infância e adolescência do meu pai.
 
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