segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Desaparecidos em Combate / The Silence of the Lambs

Igreja de S. Pedro - Largo de S. Pedro - Amarante
Fotografias gentilmente cedidas

Desaparecidos em Combate / The Silence of the Lambs

Hoje vou-vos contar uma história da carochinha própria para embalar meninos e meninas de coro. Preparados(as)?

Era uma vez uma igreja antiga, barroca, muito linda e rica em talha dourada, que ficava mesmo mesmo no centro histórico de Amarante. Muitos enchiam o peito com ela, património para aqui, património para acolá... ai que beleza de património o nosso!
Era tão mas tão interessante... que foi classificada como Imóvel de Interesse Público através do Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982.

A igreja para lá esteve anos e anos a fio, sossegadita e sem perturbar fosse quem fosse. Até que, num feio dia/noite de tempo negro como breu, alguém resolveu meter-se com ela forte e feio e surripiar-lhe os dois belíssimos anjos tocheiros que não ficaram para contar a história do que foi estarem ali esticados, sempre na mesma posição, quais estátuas humanas modernas!, a ladear, vigilantes, a entrada da capela-mor da dita cuja igreja de património tão mas tão interessante! Os anjos tocheiros, sobreviventes das estuporadas invasões francesas e das suas tropelias... isto para ser meiga... não sobreviveram às mãos de quem os devia cuidar e foi... e foi... e foi... pois... pois foi um ar que se lhes deu e lá se escafederam duas peças únicas, património do estado, património de todos nós... desaparecidas em combate sob "the silence of the lambs".

domingo, 21 de outubro de 2018

Ainda os Três Mostrengos Brancos (Agora) Existentes no Interior da Igreja de S. Gonçalo

 

Ainda os Três Mostrengos Brancos (Agora) Existentes no Interior da Igreja de S. Gonçalo

O comunicado está afixado do lado direito para quem entra pela porta lateral da igreja de S. Gonçalo, precisamente aquela que está voltada para o Largo e partilho-o para que os meus leitores o possam ler e avaliar.
Devo dizer que não me sossega nem tranquiliza... até muito pelo contrário!
Não vou discutir a centralidade, que aqui se quer forçar, de um monumento cuja planta nada tem a ver com as igrejas de planta centralizada. De facto, a igreja de S. Gonçalo, de três naves, segue a planta herdeira da basílica romana a que foi dado o retoque do traçado em forma de cruz latina com o transepto que a cruza imediatamente antes da capela-mor.
O que está a deixar verdadeiramente estupefactos inúmeros amarantinos com quem já falei é mesmo a falta de humildade de quem coloca/manda colocar três verdadeiros mostrengos, com uma volumetria descabida de enormesca, que tudo apagam e esmagam à sua volta e que nos entram pela cabeça dentro, alojando-se no nosso cérebro, não saindo de lá. As três peças agridem-nos. Muito.
Se os mostrengos passarem a mármore, então, é infinitamente pior.

sábado, 20 de outubro de 2018

O GEOTA e o Tâmega no Público


O GEOTA e o Tâmega no Público

E dou de imediato a palavra a Daniel Demétrio, do GEOTA.
Nós, Amarantinos, só podemos agradecer que gente de Lisboa venha propositadamente a Amarante lutar por um rio que nos devia unir a todos na sua defesa... certo?
E... onde é que param mesmo os nossos políticos? Na linha da frente desta luta?! Pois... vou ali e já venho... vou continuar a lutar por um rio que é nosso.

"Enorme orgulho! O Geota - Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente, através do projeto Rios Livres, está hoje em grande destaque no Jornal Público online e numa página inteira na versão impressa. Também temos estado em grande destaque nos principais jornais nacionais no âmbito das ações da Caravana Pelo Tâmega 2018, que estamos a realizar em Amarante, contra a construção da barragem de Fridão." 👍👏👏"

A oposição à barragem para Fridão faz-se em nome da segurança de Amarante

Programa GEOTA


Programa GEOTA

Gente de Amarante e dos seus arredores próximos e longínquos: Apareçam pelas 15 horas junto à igreja de S. Gonçalo, não para ver a obra imaculadamente branca e aberrante que está dentro da igreja... mas para participar em todas as actividades que aí decorrerão, a cargo dos membros do GEOTA, sobre a problemática da barragem de Fridão.
Vá preparado com bóias... em caso de colapso, vai ter de nadar!

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Ainda a Intervenção Horrorosa e Descabida na Igreja de S. Gonçalo


Ainda a Intervenção Horrorosa e Descabida na Igreja de S. Gonçalo

A notícia que eu gostaria de não ler, hoje, no JN, apresenta algumas incorreções que passo a esclarecer/desmontar:
  • O que está em causa não é somente a colocação de um novo ambão e cadeira "presidencial" (???) na igreja de S. Gonçalo mas também a substituição de um altar belíssimo e contextualizado no interior da referida igreja por um altar que nada tem a ver com a realidade circundante e que a desrespeita.
  • Eu nunca escrevi as palavras "Deus", "Ele", "Diabo", "Belzebu" e"pseudomodernidade" da forma como aparecem neste artigo. Por isso, senhores(as) jornalistas, se me querem "citar" agradeço que o façam respeitando a minha grafia.
Quero ainda lamentar, ou não, a citação escolhida. De todo o meu texto, a sério que acharam ser esta porção mais pertinente? Ok! Irónica e a raiar a provocação... parece que está a dar brado e, assim sendo, só tenho de me congratular por a ter escrito e por a ver (mal) citada, esparramada nas páginas 

Termino somente afirmando que nenhuma explicação, com origem na paróquia ou com qualquer outra origem, me serve de consolo e me sossega a inquietação e a perturbação sentida desde que me deparei com semelhante aberração estética dentro da Igreja de S. Gonçalo, que repito, é monumento nacional. 
É que a aberração continua lá, de pedra e cal, ou de madeira lacada... sei lá eu!... agredindo violentamente praticamente todos quantos, espantados, se deparam com aquele branco ainda mais branco que o branco mais branco.
Quem nos traz a "nossa" Igreja, harmoniosa, serena e tranquilizadora, de volta?

O Acórdão - A Palavra à FENPROF


O Acórdão - A Palavra à FENPROF

Tribunal da Relação de Lisboa declara ilegais serviços mínimos decretados em julho
Uma derrota para o Colégio Arbitral, uma lição para o Ministério da Educação e mais um impulso à luta dos Professores 
 
Afirma o acórdão (consultar aqui) do Tribunal da Relação de Lisboa que o direito à greve só deve ser sacrificado no mínimo indispensável. E é por isso que considera ilegal a obrigatoriedade de os professores terem de entregar previamente aos diretores de turma ou a quem os substitua os elementos de avaliação, pois isso esvaziaria o direito à greve. O Tribunal conclui, por isso, que, em julho passado, houve uma violação do princípio da proporcionalidade. 
Este acórdão vem ao encontro das posições das organizações sindicais e constitui uma derrota de um colégio arbitral cuja decisão, como as organizações sindicais afirmaram, violava o direito à greve. Porém, o colégio arbitral decidiu dar razão às pretensões do Ministério da Educação, um ministério que, já vem sendo hábito, não respeita a lei, quando se trata de pôr em causa os direitos dos professores, seja o direito à greve, seja o legítimo direito de ver contabilizado todo o tempo de serviço que foi prestado durante o congelamento das carreiras. 
Esta decisão do tribunal põe em causa o novo regime de realização dos conselhos de turma se os mesmos se realizarem em dia de greve dos professores, pois, nesse caso, ao contrário do que refere a portaria publicada, os professores que aderirem à greve não têm de entregar os elementos de avaliação, com antecedência, ao diretor de turma. 
A confirmar essa postura à margem da lei, o Ministério da Educação veio também pôr em causa o pré-aviso emitido pelas organizações sindicais para uma greve que se iniciaria em 15 de outubro. Alegou o não cumprimento de um período de 10 dias para entrega do pré-aviso, por, para o ME, estarem em causa necessidades sociais impreteríveis. Também em relação a esta NOTA do Ministério da Educação, as organizações sindicais irão contestá-la em tribunal e participar criminalmente contra Tiago Brandão Rodrigues cujo gabinete a emitiu. 
Começa a ser recorrente o Ministério da Educação ser derrotado na barra do tribunal. É natural, pois é dirigido por quem entende que o limite à sua arrogância é o céu e, há muito, deixou de agir com os pés na terra, ou seja, de acordo com as mais elementares normas do Estado de direito democrático. Isto para além de ter elevado os professores à qualidade de inimigos e lhes ter declarado guerra.     

O Secretariado Nacional

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

O Acórdão e o Amanhã da Luta dos Professores


O Acórdão e o Amanhã da Luta dos Professores

O acórdão está aqui para quem o quiser ler por inteiro. Aconselho a sua leitura atenta, especialmente aos políticos que por agora ocupam um ministério que devia ser, sempre, o da Educação. Agradeço desde já o recurso, agora coroado de êxito, dos sindicatos que integram a Plataforma Sindical... nunca esquecendo a actuação vergonhosa de MN durante o Verão passado, contra professores em plena greve que não era a "dele".
Para os governantes, aqui fica uma mensagem que é minha mas que também é de muitos outros professores portugueses - Respeito, exige-se! Ouviram! E, se tivessem um pingo de vergonha na cara retiravam-se o mais rapidamente possível.
Para os sindicatos... exige-se a marcação de novas e duras greves! Certo?

Partilho, entretanto, a notícia saída no Expresso.

Tribunal diz que imposição de serviços mínimos sobre a greve dos professores “não foi razoável”

Última Hora - A Palavra ao Enorme S.TO.P


Última Hora - A Palavra ao Enorme S.TO.P

O meu profundo agradecimento a quem não desistiu de lutar pela legalidade e asseio de um país - os Professores que, contra tudo e contra (quase) todos, levaram a sua greve o mais longe que lhes foi possível.
A justiça tardou... mas chegou.
E passo a palavra ao S.TO.P, que subscrevo por inteiro.

"O recente acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa acaba de declarar os serviços mínimos “feridos de ilegalidade e inconstitucionalidade” (pág. 3), como noticiado, por exemplo, no Expresso (clicar para ler a notícia).
Naturalmente que a decisão peca por tardia, mas assume a maior das importâncias no domínio dos princípios, na medida em que se tratam de direitos fundamentais!
O tribunal, por fim e em suma, reconhece o direito à greve e, inclusive, à não entrega antecipada de propostas de classificação.
Como o S.TO.P. defendeu na referida audição “(…) as reuniões de avaliação ora em causa não são passíveis da aplicação do conceito, legal e constitucional, de serviços mínimos, não só porque não é legalmente possível uns professores darem as notas que competem a outros professores (…)”.
Ao longo dos meses de junho e julho assistimos a todo o tipo de ilegalidade e intimidações por parte da nossa tutela (Dgeste, inspetores, diretores), uma das maiores ofensivas de todos os tempos ao Estado de direito no setor da Educação.
As pressões chegaram mesmo ao ponto de ameaças (recolhemos inúmeros testemunhos) e instauração de processos disciplinares, onde se incluem vários membros da direção e associados do S.TO.P.
O S.TO.P convida todos os colegas que foram/são alvo de procedimentos disciplinares a este respeito (ou outras situações de maior gravidade), para entrarem em contato através do email: s.to.p.juridico@gmail.com
No email deverão indicar qual a escola/agrupamento, de forma a que o Sindicato de Todos os Professores possa enviar a matéria jurídica correspondente de forma oficial.
Juntos continuamos + Fortes!"


A Palavra ao Professor/Deputado Pedro Alves


A Palavra ao Professor/Deputado Pedro Alves

Certeira. A patranha já foi desmontada em blogues de professores e está aqui bem explicadinha, muito embora não esteja completa. De facto, falta a novela triste da ILC.

Mas, agora... o PSD vai fazer o quê mesmo?



Nota - Vídeo surripiado aqui.

Todos pelo Tâmega - Todos Contra a Barragem de Fridão


Todos pelo Tâmega - Todos Contra a Barragem de Fridão

Ontem foi dia e noite de troca de informações sobre a possível construção de uma barragem, que se situará(?), se for construída, em Fridão. O sítio escolhido não podia ser melhor, prevista que está para uma falha tectónica comprovadamente activa, e que, em caso de colapso da referida estrutura, nos deixará com 13 minutos para salvar o couro já que vivemos numa cidade cujo centro histórico será completamente destruído pela onda de cheia que tudo engolirá à sua passagem. Vivemos pois na zona que os técnicos consideram referem como zona de auto-salvamento.
Em 13 minutos, de facto, não se evacua uma cidade e não há planos de salvamento, por melhores que eles sejam, capazes de salvar a totalidade ou mesmo a maioria dos amarantinos... ou dos azarados turistas que por aqui andassem nesse hipotético malfadado dia.
Este é um assunto sério, que, penso, deveria mobilizar todos os amarantinos sem excepção, a começar nos nossos autarcas... ou a acabar neles que tanto me faz desde que o resultado seja o mesmo, a não construção da barragem de Fridão, porque os problemas de segurança e os problemas ambientais que a sua construção acarretará serão deveras complicados de reverter num futuro mais ou menos próximo. Mas, não é isso que vejo, mais uma vez e a verdade é que este governo, se não cair até Abril do próximo ano, tomará a decisão de construir, ou de não construir, mais uma barragem herdada do malfadado governo de Sócrates e de Manuel Pinho... sim, esses mesmos a contas com a justiça também pelas relações manhosas com os donos disto tudo... Manuel Pinho recebia até uma... vamos chamar-lhe mesada?... da EDP enquanto, calmamente, se sentava na sua poltrona de ministro.
Assim, aqui fica o convite do Geota - Rios Livres - para aparecerem no próximo sábado, em S. Gonçalo, segundo o convite anexo.
Vamos falar sobre esta calamidade projectada para cima da nossa cabeça?
Vamos fazer alguma coisa pelo nosso Tâmega?

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Madeira - Recuperação Total do Tempo de Serviço dos Professores


Madeira - Recuperação Total do Tempo de Serviço dos Professores 

Pode parecer impossível, dentro de um mesmo país e dentro de uma classe profissional que é exactamente a mesma... mas não é. Na Madeira foi conseguido o que no continente não foi.
Acho melhor irmos todos para lá. Ainda por cima o clima é mais ameno.

Recuperação integral do tempo de serviço dos professores na Madeira começa a 1 de Janeiro

Tomai e Bebei Todos: Isto É o Vosso Corpo Entregue Por Vós


Tomai e Bebei Todos: Isto É o Vosso Corpo Entregue Por Vós

E, por agora, é só isto. E já não é pouco. Como diz o primeiro-ministro, é uma questão de opções.

Surripiado aqui.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Geota - Caravana pelo Tâmega


Geota - Caravana pelo Tâmega 

Outra luta. Ainda pelo nosso património, neste caso natural.
O Tâmega, que nos define a cidade e a nós próprios desde que nascemos, merece  a nossa atenção e cuidado.
E dou a palavra aos membros do projeto Rios Livres, do Geota, que, na próxima quarta-feira, estarão na minha escola a falar sobre a absurda barragem de Fridão.

"A Caravana Pelo Tâmega 2018 está de volta à estrada!
O nosso propósito é claro: sensibilizar a população local para o grave problema que poderá cair sobre a cidade de Amarante, a construção da barragem de Fridão.
Uma barragem que pouco produziria mas muito poderá destruir!  Vamos ter atividades de participação livre e gratuita durante todo o sábado, dia 20 de Outubro de 2018, em Amarante.
Consulta o programa completo e vem participar! 💪😉  Uma iniciativa organizada pelo Geota - Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente, através do projeto Rios Livres"

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

A Palavra, Ajuizada, à Conferência Episcopal Portuguesa

Igreja de S. Gonçalo - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

A Palavra, Ajuizada, à Conferência Episcopal Portuguesa

Agradeço a partilha deste precioso texto ao senhor coronel Artur Freitas que o partilhou na sua página do Facebook.

E pergunto, e se a bota dissesse com a perdigota?

Nota - Os sublinhados são meus. E atenção à (não) balaustrada... pois, é isso, também se escafedeu...

Conferência Episcopal Portuguesa

2. O PATRIMÓNIO HISTÓRICO-CULTURAL DA IGREJA

2.1 – Não é, todavia, do património histórico-cultural no seu conjunto que agora directamente nos ocupamos, mas tão só daquele que pertence à Igreja, por isso adiante designado apenas património da Igreja ou património eclesiástico. É constituído pelos bens e valores materiais ou imateriais, tangíveis ou intangíveis, nos quais se consubstancia um legado precioso da comunidade de salvação que é a Igreja Católica. Posto ao serviço da missão desta, por natureza universal, esse legado também serve potencialmente a humanidade toda; são bens e obras, ideias e valores que a todos interessam. O património eclesiástico é muito mais que um simples objecto de exercício do direito de propriedade. Para a Igreja representa um instrumento necessário, mesmo indispensável, ao exercício da sua missão.
Património histórico-cultural da Igreja
Nem sempre o exercício das funções dos responsáveis eclesiásticos relativamente ao património cultural terá sido impecável, em termos de estética, e bom gosto e de valorização.  Além de representar uma regra sã de ordenação da sociedade, conforme a Igreja sempre tem ensinado, tal norma abre campo à liberdade e iniciativa das pessoas, das comunidades e dos grupos.  
A pluralidade de iniciativas gera sempre mais energias, favorece a busca inteligente de soluções e proporciona melhor qualidade na satisfação de necessidades sociais, do que a sua concentração. 

5. COOPERAÇÃO DA IGREJA E SOCIEDADE CIVIL NO QUE RESPEITA AO PATRIMÓNIO ECLESIÁSTICO

6.5 – A vastidão destas acções implica uma série de desafios novos, que, sendo de toda a Igreja, não são exclusivamente dos sacerdotes e religiosos, mas de quantos dela fazem parte, muito particularmente os leigos, entre os quais bastantes há versados nestas matérias e com vocação para elas. Muito resta, todavia, por fazer. É preciso, por conseguinte, que os leigos cristãos assumam, nas paróquias e nas dioceses, bem como no plano nacional, uma participação activa na defesa do património cultural, vencendo uma certa passividade ou a errada ideia de que esta matéria seria estranha às suas preocupações fundamentais.  
Solicitamos-lhes também a necessária ajuda aos párocos e comunidades que se propõem construir ou remodelar uma igreja; e lembramos, a propósito, que se presta um bom serviço quando, muito antes da fase de apreciação do projecto, se indicam os caminhos a seguir, começando pela elucidação litúrgica do arquitecto e da comunidade e passando aos trâmites burocráticos para a contratação e a aprovação. A educação dos diocesanos para o apreço do património eclesiástico, de que já tanto se disse, é tarefa prioritária que também confiamos às Comissões de Arte Sacra, acrescentando aqui o pedido de que elas promovam novamente encontros de sensibilização e esclarecimento técnico, destinados não só ao clero mas igualmente aos sacristães e zeladores locais de igrejas, capelas e altares. Situados ainda no âmbito de cada diocese, expressamos o nosso desejo de impulsionar a criação de museus, se necessários, e de arquivos diocesanos, onde eles até agora não tenham existência; contamos, para isso, com a prestimosa colaboração de pessoas e entidades públicas competentes.
Diversas cautelas deveríamos ainda apontar, mas só outra juntamos aqui, porventura das mais prementes: a prudência, o respeito e o cumprimento das normas estabelecidas, sempre que seja necessário proceder a restauros e melhoramentos.  Esta é uma das ocasiões que originam maior perca de património; este é também um dos momentos em que mais se evidencia o senso, o bom gosto e a cultura de um pastor.

20. Os responsáveis diocesanos pelo património e mais ainda os encarregados locais respondem pelos espaços destinados ao culto, conservando-os limpos, reservados para os seus fins, aptos para uma liturgia renovada, abertos ao público com segurança e horário conhecido.

21. Em todas as circunstâncias e particularmente na realização de obras, devem respeitar-se os elementos decorativos e integrantes do edifício que tenham notável valor artístico ou histórico, como talhas, pinturas ou azulejos.

domingo, 14 de outubro de 2018

Antero de Alda


Antero de Alda

Penso muito nele. Sinto-lhe a presença do outro lado do pavilhão 4 mas ele não está mais lá... fisicamente. De quando em vez meto o nariz numa sala que já foi inteiramente dele... e que dele continua povoada... mas ele não está mais lá... fisicamente.
Penso frequentemente que, sem o Antero Pereira/de Alda, a minha/nossa escola não será, nunca mais, a mesma. Pelo menos não para mim, genuinamente sua amiga, genuinamente admiradora do seu trabalho que continua a poder ser visitado virtualmente em https://www.anterodealda.com/.

Mas a vida prossegue, é certo... e agora é o tempo das homenagens a um ser humano/professor/artista complexo e multifacetado que nos faz muita falta. Desta vez, a homenagem fez-se/faz-se na Galiza.

O Antero de Alda viajou até à Galiza pela mão do Xosé Luis Mosqueira Camba, até uma livraria de Betanzos, chamada Biblos, onde se podem ver e apreciar fotografias de um mundo, com gente dentro, em vias de rápida e completa extinção. O Antero preocupava-se com este (outro) mundo.
A exposição permanecerá na Biblos até ao próximo dia 30 de Outubro.
Aqui fica o convite. Se puderem, visitem-na ao mesmo tempo revisitando a obra fotográfica do Antero de Alda. Podem ainda visitar os seus blogues "Os dias todos iguais esses assassinos" e "Câmara Antiga".

Betanzos acoge la primera muestra en España del artista portugués Antero de Alda

Igreja de S. Gonçalo - Primeiro Estranha-se

Igreja de S. Gonçalo - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Igreja de S. Gonçalo - Primeiro Estranha-se

Depois, depois continua a estranhar-se e a estranhar-se e a não se entranhar.
Volta harmonia, volta! Volta Barroco, volta que até tu estás perdoado!

sábado, 13 de outubro de 2018

O Escarro/Vómito na Igreja de S. Gonçalo

Igreja de S. Gonçalo - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

O Escarro/Vómito na Igreja de S. Gonçalo

Não sendo crente, sou, no entanto, uma acérrima defensora do respeito por um património local, nacional, mundial, que foi sendo acumulado ao longo dos milénios, dos séculos, dos anos e que nos foi legado por quem nos antecedeu nestes espaços que hoje são calcorreados por nós, mas que, não tarda nada, serão percorridos e apropriados por outros, nossos descendentes.
Neste meu gosto pelo património, de múltiplas tipologias, e não podia deixar de ser de outra forma, está incluído o património religioso que é mesmo dos primeiros que eu procuro nas minhas deambulações por terras estranhas à minha. E, dentro de um património religioso, confesso que amo sentar-me, em recolhimento quantas vezes extasiado, perante a beleza, a harmonia, o equilíbrio, a luz... independentemente do estilo do património edificado e decorado que está perante os meus olhos. Ora os edifícios/equipamentos são muito despojados, ora são um espavento de rebuscados e excessivos, ora a luz é ténue e filtrada, ora entra a rodos, em todos os casos aquecendo-me as entranhas, aquecendo-me o coração.
Volto a frisar, não sou crente... mas podia ser e se calhar sou mesmo mais crente do que muitos que mecanicamente respondem que o são. Não acredito em deus, qualquer que ele seja, nem, confesso, acreditava seu antagónico diabo... até que hoje entrei na "minha" igreja de S. Gonçalo e a vi profundamente profanada com uma pseudo "modernidade" que só pode ser obra dele, do chifrudo, do rabudo, do belzebu.
Que fique bem claro, adoro a modernidade das linhas simples, o despojamento em que a tralha nem existe, o branco luminoso e repousante... ao invés, o barroco nem sequer é a minha praia, não gosto da filosofia por detrás deste estilo, do esmagamento dos crentes pelo excesso, pelo luxo ostentatório, pelo rebuscado, mas tudo se quer contextualizado e a tralha de um branco imaculadamente gélido, que parece atirada ao acaso para o transepto da Igreja de S. Gonçalo,  não passa disso mesmo, de tralha foleira que perturba a visão de um interior globalmente barroco, que antes tinha equilíbrio, harmonia e onde se respirava uma paz acolhedora e doce. Hoje, o que fica é a aberração, a perturbação, o rompimento com o equilíbrio, a demência, a arrogância e o desrespeito por um edifício que está classificado e que é património nacional, ou seja, que é património de todos nós.
Não acreditava no diabo mas, confesso, esta intervenção, que eu só espero seja uma instalação de mau gosto muito efémera, só pode ser obra dele.
Saí. A Igreja de S. Gonçalo está, para mim, altamente perturbadora. Não crente, interrogo-me... os crentes conseguirão ali rezar?

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

A Próxima Greve dos Professores e as Faltas Injustificadas


A Próxima Greve dos Professores e as Faltas Injustificadas 

Podem argumentar que não se pode ter qualquer falta a serviço que ultrapassa o nosso horário legal mas... é assim que estamos, foi aqui que chegamos e, sem dúvida, perante o aviso da DGESTE, é certo e sabido que muitos de nós teriam faltas injustificadas mal se atrevessem a faltar.
Conheço o filme das faltas (mal) injustificadas. Estive envolvida num caso destes que foi até ao tribunal administrativo porque me recusei a ficar com uma falta (mal) injustificada pelo meu director à época.

Ufa! Foram seis longos anos da minha vida às voltas com este filme para chegar aqui e ganhar o processo.

Professores vão ter faltas injustificadas se fizerem greve a partir da próxima semana

E a Greve Decretada Pela Plataforma É...


Recortes surripiados aqui.

E a Greve Decretada Pela Plataforma É...

... ilegal?!

Ah ah ah... desculpem... mas estou a recordar-me de uma certa greve de Junho e de Julho, não decretada por estes experientes donos da luta dos professores... com que então essa é que era ilegal?! Aquela tal do S.TO.P e dos professores traidores que a cumpriram durante mais de um mês e meio...
Pois a DGESTE afirma que ilegal é esta vossa.
É caso para exclamar "Caramba!"
Ou então "Fosga-se" mesmo!
E agora, MN?
Não acertamos mesmo mesmo mesmo... nem uma?!

"E Ainda Há Quem Tenha Cara de Gozar Com Quem Andou A Recolher Mais de 20.000 Assinaturas?"


"E Ainda Há Quem Tenha Cara de Gozar Com Quem Andou A Recolher Mais de 20.000 Assinaturas?"

O post que se segue é da autoria do Paulo Guinote e foi surripiado ao seu quintal. A sério, isto parece uma anedota... triste.
E por falar na ILC... já a assinou? É que ainda vai a tempo. Veja como o pode fazer clicando aqui.

"Só precisam de 4000 assinaturas, levam quase um ano, e deixam o essencial de fora?
Não lhes “passava pela cabeça”?
A sério? Não foram mais do que avisados? 
Este tipo de resposta só pode significar uma de duas coisas (e nenhuma é boa): 


  • Foram enganados a valer. 
  • Andaram a enganar-nos a valer. 


Não há tempo de serviço na petição da Fenprof que vai ser debatida hoje no Parlamento

Dirigente da Federação Nacional de Professores diz que quando a petição foi lançada, há um ano, não lhes “passava pela cabeça que o tempo de serviço não ia ser contado”.

 (já se percebe porque a ILC lhes faz tanta comichão e causa azia…)

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Professora Portuguesa Prepara-se para a Flexibilização

Professora a Cada Dia Mais Flexível - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Professora Portuguesa Prepara-se para a Flexibilização

Dizem que temos de ser flexíveis para cumprirmos a flexibilização curricular. Ora, garanto-vos que estou a levar a coisa muito a sério e a preparar-me, desde já!, para o próximo ano lectivo.

Sala de História - Orgulho - Mas Nunca se Agrada a Gregos e a Troianos

Sala de História do 3.º iclo da E. B. 2/3 de Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Sala de História - Orgulho - Mas Nunca se Agrada a Gregos e a Troianos

Não faltará gente, por certo, que, ao ler o título deste post, pense de imediato que o orgulho é um dos sete pecados mortais... isto para quem acredita neles. Garanto-vos que, o orgulho por mim sentido ao entrar na Sala de História do 3.º Ciclo, da E. B. 2/3 de Amarante, é um orgulho bom, um orgulho de quem tem a consciência tranquila perante um trabalho que saiu do pelo dos meus alunos e que saiu também do meu próprio pelo.
Durante o ano transacto, muitas foram as vezes em que falei, interna e externamente, em departamento também, da necessidade imperiosa de refrescar salas de aula, de "iluminar" salas de aula, de alterar salas de aula, que são, na minha opinião, e já agora também na opinião dos meus alunos, sítios escuríssimos e não adaptados ao fim a que se destinam, fim este que é, nem mais nem menos, a nobre actividade em que se pratica o ensino/aprendizagem, tarefa que reclama um ambiente acolhedor, repousante, tranquilizador, feito de um ambiente claro, coisa que se consegue, está já provado, sem que seja necessário despejar rios de dinheiro nestes edifícios construídos há décadas mas ainda de estrutura excelente. Ok, ainda falta mudar o chão... já para não falar da urgência da substituição das coberturas, com amianto, das caixilharias e da canalização dos pavilhões que já cumpriram 40 anos de idade e que, obviamente, acusam o passar dos anos consecutivos sem obras de vulto para além de umas remendices aqui e ali. Mas, essas intervenções, já não serão para nós.
Nem mesmo intervenções "pequenas" como estas que hoje partilho serão para mim, num futuro mais ou menos próximo. Aliás, devo confessar que, se fosse hoje, não mexeria uma palhinha por esta Sala de História, não a remodelaria de todo, remodelação esta iniciada no ano lectivo de 2009/2010, com o apoio, sempre, nem poderia ser de outro modo!, da direcção da Escola. E por uma razão muito simples e que se chama, isso!, Ministério da Educação.
Remetida a uma equivalência forçada a funcionária administrativa, que fique bem claro que nada tenho contra eles, bem pelo contrário! mas que eu não sou!, confesso-vos que temo que jamais conseguirei digerir o que considero ser a afronta mais deplorável que tive de acomodar em toda a minha vida profissional. Mas, como a Sala de História já estava bem adiantada, pesados os prós e os contras, até o meu cara metade me disse categoricamente "É claro que tens de acabar a Sala de História!", decidi voltar atrás com a minha decisão de acabar com esta sala diferenciada, diferenciada de História e, ao invés de acabar com ela, tratei de a terminar pelo menos de modo a estar apresentável aquando do regresso dos alunos. O que foi feito. O que está a ser feito. Ainda faltam pequenos pormenores, sim alunos, ainda temos trabalho a executar, mas a sala está já airosa e os/as miúdos/as gostam genuinamente de ter aulas por aqui.
Depois, quando dermos por terminado este trabalho, enriquecedor e pleno de cidadania activa para todos os/as alunos/as que nele estiveram envolvidos, esta professora dará por concluída esta tarefa e não mais se envolverá em nada semelhante, não enquanto o ME não respeitar verdadeiramente a minha profissão, com actos e não com palavras... até de defesa furiosa por parte da tutela, palavras que não passam de verbos de encher, de tão ocas que são!
Ora este relambório todo destina-se a enquadrar o orgulho que senti quando uma colega, colocada pela primeira vez nesta escola, mas que aqui foi aluna, exclamou, em plena reunião de departamento, "Nem parece que estou numa sala de aula! Parece que estou em casa!"; ou o orgulho que senti quando um colega, de novo colocado na E. B. 2/3 de Amarante, entrou na Sala de História e partilhou comigo o efeito, bom, que esta sala teve sobre a sua pessoa e como ele a achou airosa e luminosa e adequada ao fim a que se destina; ou ainda o orgulho que senti quando vários funcionários me deram os parabéns pelas alterações introduzidas numa sala que eles encontraram "espectacular", para usar as suas palavras, e que agora sai da caixa das restantes salas da E. B. 2/3 de Amarante... mas talvez não por muito tempo, assim o espero... porque gostaria, genuinamente, que as salas de aula da E. B. 2/3 de Amarante fossem melhoradas por uma simples razão - a miudagem merece e nós, seus professores, que igualmente as habitamos, também merecemos. E podia continuar...
Evidentemente, nunca se agrada a gregos e a troianos e a Sala de História não é coisa de que toda a gente goste... mas, claro está, este é um risco assumido por quem pretende intervir, e intervém!, no meio que o rodeia, tentando melhorá-lo... um bocadinho que seja.

Atenção, e volto a repetir - Se fosse hoje, depois do que a tutela nos fez durante o Verão passado, imperdoável a meu ver, a minha actuação jamais seria esta e a Sala de História só existiria, talvez!, em alguma obra de ficção científica.

Nota - A palavra História está ainda sem acento pois este terá de ser feito, talvez já na próxima semana, no Clube de História. Certo, Alunos Meus?
 
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