quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Presépio e Árvore de Natal - Ciências

Presépio e Árvore de Natal - Ciências 3.º Ciclo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Presépio e Árvore de Natal - Ciências

Este é, por certo, o presépio mais original da E. B. 2/3 de Amarante.
E esta é, por certo, a árvore de Natal mais original da E. B. 2/3 de Amarante.
Realizados com belas folhas outonais, rochas e minerais, dão o mote mesmo à entrada da Sala de Ciências da E. B. 2/3 de Amarante.
Parabéns, Alunos! Parabéns, Professora Maria João Balça!

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

O Clube História em Movimento, os Sócios, a Sala de História e o Natal


Sala de História do 3.º Ciclo - Natal de 2018 - E. B 2/3 de Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

O Clube História em Movimento, os Sócios, a Sala de História e o Natal

Terminamos hoje, em beleza, as sessões do Clube História em Movimento, agora cruzado com Cidadania... activa.
Durante este primeiro período ultimamos algumas pinturas de pormenores ainda em falta na Sala de História e hoje reservamos o nosso tempo para as decorações de Natal, feitas com rolos de papel higiénico que, como já toda a gente sabe, nunca se devem deitar fora pois servem para múltiplos fins, reduzindo assim a nossa pegada ecológica no planeta.
As nossas decorações natalícias resultaram muito bem, contrastando com o fundo branco dos estores, e a condizerem com o vermelho sanguíneo da pintura dos canos do aquecimento, que percorrem a sala de lés a lés, dando-lhe um certo ar industrial.
Obrigada a todos os(as) alunos(as) que hoje se juntaram nesta nossa sala tão especial!
Como eles dizem "Assim até valorizamos e estimamos mais o espaço!"





Porque Não Há Rua Como Esta

Jantar de Natal - Rua da Cadeia - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Sara Pinto

Porque Não Há Rua Como Esta

Brindemos pois... meninos e meninas, tchim, tchim!

Ouviu, menino Costa Carvalho?

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

O Melhor do Natal Amarantino?

O Realizador de Sonhos - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

O Melhor do Natal Amarantino?

Decididamente, o Realizador de Sonhos, que, por estes dias, embeleza as montras cá da cidade, já de si muito belas e alindadas com especial carinho e cuidado para o Natal.
O projeto chama-se "Pinta a tua cidade" e o tema é um "Especial Calendário do Advento".
O artista é o José Pinto, a quem endereço a minha admiração e o meu obrigada por deixar a nossa cidade mais bela. Já agora, obrigada também a todas as lojas que souberam e puderam aderir a este tão interessante projecto! Formaram uma equipa perfeita!

Nota - Lista dos comerciantes participantes.
1 - Casa Ferreira da Cunha ( Arquinho)
2 - Cuca shoes & fashion ( Avenida primeiro de maio)
3 - Cegonha Colorida ( Avenida primeiro de maio)
4 - Moinho Centro Histórico ( Rua 31 de Janeiro)
5 - Opticalia ( Rua Miguel Pinto Martins )
6 - Multiopticas ( Rua Cândido dos Reis )
7 - Imagem Crescente (Rua Dr. Mário Monterroso)
8 - Relojoaria Freitas ( Rua 31 de Janeiro)
9 - Amarlook (st. Luzia)
10 - Hostel des arts ( Rua Cândido dos Reis )
11 - Casa das Malas ( Rua 31 de Janeiro)
12 - Talho David ( Rua Cândido dos Reis )
13 - Lailai ( Rua 31 de Janeiro)
14 - Trapinhos d' amor ( Rua Cândido dos Reis )
15 - Bio Place ( Rua Cândido dos Reis )
16 - Pepperosso ( Rua Cândido dos Reis )
17 - Padaria Nova Lusa ( Rua 31 de Janeiro)
18 - 100 Sabores ( Rua Cândido dos Reis )
19 - Livraria Zé ( Avenida Joaquim Leite de Carvalho)
20 - Ruantiga ( Rua Miguel Bombarda)
21 - Moda Intima ( Rua Cândido dos Reis )
22 - Cúpula Store ( st. Luzia)
23 - Surviaria ( Arquinho)
24 - Pomar da cidade ( Rua Cândido dos Reis )

Quanto Vale Uma Árvore? (Em Amarante)

Árvores Abatidas - Amarante
Fotografias de Artur Freitas

Quanto Vale Uma Árvore? (Em Amarante)

Parece uma epidemia que atacou Portugal de lés a lés e Amarante não escapou a esta sede de abate que parece não ter fim. Pelo caminho justifica-se o abate com doenças, perigos vários, até ordenação  longe do científico e ainda pela necessidade de poupança de água.
Valham-nos os deuses todos que isto já não vai lá só com um!

O post que hoje partilho foi surripiado inteiramente no mural do senhor coronel Artur Freitas, a quem agradeço se já a cortesia.

EXPRESSO Economia à Sexta 
07.12.2018 às 22h15

QUANTO VALE UMA ÁRVORE? 

Sandra Maximiano 

Em Portugal, nas cidades, abatem-se árvores como se cortam ervas daninhas. Algumas mesmo centenárias e autóctones, mas “irrelevantes” para projetos de reabilitação das cidades, muitos dos quais se cingem a espaços de estacionamento. Destroem-se pequenos jardins, ora porque há insetos, ora porque há mais alergias. Em Lisboa, desde 30 de novembro de 2017 que está em vigor o regulamento municipal do arvoredo. No entanto, continuam a acontecer situações que desrespeitam este regulamento. Por exemplo, em várias zonas da cidade, as caldeiras das árvores são calcetadas, comprometendo a sobrevivência das mesmas.
Gosto muito de árvores, respeito-as pela sua longevidade, imponência, capacidade de sobrevivência e até pela sua “estranha” forma de comunicação. São poucos os dias em que não olhe para as vicissitudes de um tronco e que não lhe passe a mão para sentir a textura. Depois, há ainda o cheiro e as cores, e as folhas de árvores caducas que me marcam o passo e me servem de agenda. Poderia encher páginas de razões para tal amor, mas tenho consciência que há assuntos para os quais o amor de uns dificilmente se sobreporá à indiferença de outros. Por isso, escrevo antes sobre racionalidade económica e dinheiro, e sobre a falsa dicotomia entre economia e meio ambiente.
É inegável que as árvores nos espaços urbanos têm custos de manutenção e ocupam um espaço que é, cada vez mais, milimetricamente valioso. Mas não é menos verdade que as árvores criam bastante valor. Os benefícios, no entanto, tendem a ser subestimados e até negligenciados, porque não são facilmente calculados como o são as despesas com jardineiros, produtos e máquinas. Os espaços verdes são essenciais para a saúde física e mental e para a criação de comunidades mais inclusivas e coesas através da partilha do espaço comum. As árvores contribuem para a redução do ruído, para a purificação do ar e para a minimização do risco de inundações. Por exemplo, uma árvore adulta, grande, pode conseguir absorver cerca de 150kg de dióxido de carbono por ano, filtrar pequenas partículas poluentes e absorver cerca de 5000 litros de água por ano. Mais, as árvores permitem reduzir os custos energéticos. De acordo com estimativas do gabinete Urban and Peri-urban Forestry das Nações Unidas, as árvores têm a capacidade de reduzir a temperatura atmosférica entre 2 a 8 graus centigrados. Se forem plantadas perto de edifícios, podem reduzir o uso de ar condicionado em 30% e o uso de aquecimento entre 20 e 50%.
Algumas cidades norte-americanas, Portland, Nova Iorque, Tampa, Milwaukee e Atlanta, quantificaram o valor de árvores urbanas, como pinheiros, palmeiras, oliveiras e carvalhos. Por exemplo, o departamento de parques da cidade de Nova Iorque estimou os benefícios em cerca de 120 milhões de dólares por ano, sendo os custos anuais cerca de 22 milhões de dólares. Entre os benefícios, calculou-se 28 milhões de dólares em poupança de energia, 5 milhões de dólares em melhoria da qualidade do ar e 36 milhões em poupança de custos com inundações causadas por tempestades.
Para além dos benefícios públicos, as árvores e os espaços verdes têm um impacto positivo sobre os valores das propriedades residenciais e comerciais. A maioria dos estudos, norte-americanos e europeus, foca-se na variação de preços de venda das propriedades em relação a determinadas variáveis como a localização, dimensão da propriedade, características da zona, acesso a transportes, espaços desportivos, espaços verdes, etc. Estes estudos têm, consistentemente, desde os anos 70, mostrado que a presença de árvores e arbustos aumentam os preços de venda das casas em cerca de 6 a 9%. Dependendo do valor das casas, esta percentagem pode contribuir significativamente para as receitas de impostos sobre propriedades.
Geoffrey Donovan e David Butry, investigadores do departamento de Agricultura dos Estados Unidos, têm conduzido vários estudos de quantificação dos efeitos de árvores urbanas. Por exemplo, o impacto da presença de árvores no preço dos arrendamentos foi estimado em cerca de 1000 casas em Portland e verificou-se que a existência de uma árvore nas proximidades pode aumentar o preço da renda entre 5 a 21 dólares dependendo da localização da árvore. Mais, um outro estudo, também com dados de Portland, mostrou que a acessibilidade a espaços comerciais aumenta em média o valor das casas em 3500 dólares numa zona sem árvores e cerca de 22000 dólares numa zona com árvores. Estes estudos têm contribuído para que, em alguns casos de abates de árvores levados a tribunais norte-americanos, hajam compensações monetárias aos proprietários por perda de valor das casas.
Estudos na área da neurociência têm mostrado que a visualização de espaços verdes, aciona uma zona no nosso cérebro relacionado com a empatia e o altruísmo. Mais, um estudo realizado em Chicago por Frances Kuo e William Sullivan da Universidade de Illinois mostrou que residentes em zonas mais verdes exibem menos tendências agressivas, menos violência e menos fadiga mental. Este estudo, controlou para possíveis efeitos de seleção porque baseou-se numa experiência de campo, onde os residentes foram distribuídos aleatoriamente por casas sociais, semelhantes, em bairros em tudo muito parecidos, exceto que algumas casas estavam em zonas mais verdes.
No que respeita aos efeitos na saúde, há vários estudos que mostram os efeitos positivos da existência de mais espaços verdes e até a capacidade destes espaços minimizarem os problemas de saúde relacionados com a pobreza. Mas viver em zonas verdes, com árvores, oferece não só vantagens reais, mas também percecionadas. Por exemplo, um estudo de Marc Berman, atualmente professor na Universidade de Chicago, mostrou que ter 10 ou mais árvores numa determinada área residencial em Toronto aumenta a perceção de saúde e bem-estar. Mais precisamente, o efeito de ter 10 ou mais árvores foi estimado ser equivalente a ter mais 10000 libras no rendimento anual.
Dado o valor económico que uma árvore tem, quer a nível público, quer privado, é de certa forma surpreendente que grupos cívicos como o Fórum Cidadania Lx e a Plataforma em Defesa das Árvores não consigam mobilizar muitos mais cidadãos para que se evitem abates catastróficos de árvores. Sinceramente, penso que mais do que apelar a consciências ecológicas e éticas, e juntar apaixonados incondicionais por árvores, estas plataformas podem ganhar mais dimensão, enquanto grupos de interesse e de pressão, quanto mais passarem a mensagem que defender uma árvore urbana, no fundo, é um investimento lucrativo.

(imagens da RAZIA EM AMARANTE)

Coletes Amarelos - Portugal


Coletes Amarelos - Portugal

Assistimos a um divórcio cada vez mais profundo entre eleitos e eleitores e o abismo que se cava e aprofunda todos os dias entre uns e outros fica a dever-se exclusivamente aos primeiros.
Eleitos para servirem o povo, servem-se do povo e comem-no de cebolada através d taxas, taxinhas e taxonas, como se não houvesse amanhã. Pelo caminho, vão proletarizando a classe média, empobrecendo professores, enfermeiros, médicos... enquanto os fazem trabalhar cada vez mais.

Os franceses deram o pontapé de saída... ou não fossem eles os autores da Revolução Francesa, aquela que virou uma sociedade inteirinha do avesso e que fez abrir a boca de espanto face à violência empregue...

E os tugas? Aí vamos nós? Ou aguentamos os desaforos mais um bocadinho?
E partilho só duas pérolas dos nossos caríssimos deputados... 

Tribunal de Contas: Risco de fraude nas viagens dos deputados é "elevado"

Apoios e subsídios quase duplicam o salario de deputados

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Natal - Bricolage - Reciclagem

Bolas de Natal - Bricolage
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Natal - Bricolage - Reciclagem

Sempre me dei bem com os trabalhos manuais para os quais, sem falsas modéstias, tenho algum jeito e, muito de longe a longe, lá vou partilhando uma ou outra ideia e obra aqui no blogue, como foi o caso dos enfeites de Natal, feitos a partir de rolos de papel higiénico.
Confesso que ainda não estou a 100% da mão direita mas, a verdade é que já estou suficientemente bem para usar uma tesoura e o mais que me apetecer, desde que não por muito tempo seguido.
Hoje foi dia de atacar bolas de Natal, feitas com simples bolas de esferovite, restinhos de tecidos muito mas muito antigos e fitas e fitinhas que eu sou a mulher que, em plena noite de abertura de prendas na noite que se aproxima, quando todos se encarregam de esbodegar os embrulhos, lá vou eu à cata de uma flor aqui e de uma fita acolá, antes que tudo vá parar ao caixote do lixo e que guarda tudo pensando " Um dia isto ainda me vai dar jeito!

Pois foi hoje. Os paninhos e as fitinhas, que não dariam para nada mais do que isto, resultaram em enfeites com alguma piada que continuarei, com a ajuda da minha Jóia de Luz que delira à palavra mágica de "Missão"!
"Jóia de Luz, temos uma missão!"
E temos. E por certo temos também umas costelas francesas... e árabes... eu e ele...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Conto de Natal - O Meu Presépio


Conto de Natal - O Meu Presépio

Hoje republico este maravilhoso conto de Natal, da autoria do jornalista Costa Carvalho. De notar que a rua dele é também a minha rua e que o presépio dele foi também o meu durante muitos e muitos anos, amparando-me uma infância muito feliz.
O presépio, entretanto, escafedeu-se, tal como se escafederam os anjos tocheiros da Igreja de S. Pedro que Amarante é terra de fenómenos dignos do Entroncamento.
Vá lá que já existia fotografia e hoje podemos admirá-lo a preto e branco, em registo de João Sardoeira... acho eu.
Sei que ele sobrevive nas memórias de tanta mas tanta gente hoje já adulta de várias gerações que continua por aqui a rapiocar... e a recordar.

Agradeço o mimo contido nesta dedicatória que tanto me orgulha. Somos desta rua, partilhamos um presépio, não é/foi assim, caríssimo conterrâneo?


"Volto a publicar o meu BOM DIA/jn, de 9/12/1970,
dedicando-o novamente a ANABELA MAGALHÃES,
até para que, como acontece com a Rua da Cadeia, não
ande para aí dizer que também o "meu presépio" é dela!

O MEU PRESÉPIO

FUI baptizado à capucha, aos oito dias de vida, na igreja de S. Gonçalo de Amarante. Setembro ia a meio e o sino grande da torre do convento havia muito que badalara a boca da noite. Por nada deste mundo eu pegava no peito de minha mãe e era um pele e osso. Os facultativos olhavam para mim e, como não acertassem com a medicina, desenganaram os meus pais. Do mal o menos: se não viam jeito para coisa melhor, ainda podia dar um bom anjinho. Foi quando saíram comigo de casa a correr para a igreja. Entre a cruz e a caldeirinha deixei que o padre Costa carregasse na dose do sal da Sabedoria. Estava por tudo! E quando o reverendo, derramando por três vezes a água benta sobre a minha moleirinha, perguntou "Joseph vis baptizari?", nem eu nem os padrinhos, amarfanhados pela lugubridade do momento, atinámos com a resposta à latinidade.
- VOLO! - emendou a tempo a voz mortiça do sacristão, cosido na penumbra do baptistério. - O padrinho diz: VOLO!
Os sinos não repicaram de alegria, pois já tinham dado as trindades.
Levaram-me para casa e eu fiquei de papo para o ar, na alcofa, à espera da morte. E a madraça que faltou ao encontro!
Por mais outra duas vezes me aguentei nas gâmbias magras que nem caniços. Quando as tíbias cresceram, dei em galfarro, cirandando pelo Largo de S. Gonçalo.
Teatro e cinema já havia disso em Amarante e eram no claustro do convento que as sessões se realizavam. Uma noite, a sala pegou fogo e, depois, eu ia espreitar pelo buraco da porta o madeiramento calcinado.
A gingar dentro dos calções, atravessava o transepto, fazia uma finta de corpo e garatujos na cara, ao passar pelo altar do Santíssimo, e a correr muito enfiava pela porta dos claustros. Aí chegado, estacava. Debaixo dum dos arcos, escabichando bocados de madeira com o canivete de duas folhas, estava o sr. Aires, o sacristão. Via-lhe a careca e recuava. Mas aquela porta enegrecida pelo fumo do incêndio que devorara o teatro, o chafariz sem água alagando de sol o centro do claustro, eram tentações a que não podia resistir.
Levava à perna o Zeca Pedro, depois de termos jogado uma partida de bilhar russo, no café do pai. Com muita algazarra!
- Vai lá! - dizia-me o galdério.
Eu fincava os pés no chão, medroso e teimoso que nem burro, e era preciso o Zeca Pedro empurrar-me à traição pelas costas. Galgava os degraus entrando pelos claustros dentro a dobrar pelas pernas.
O sr. Aires espiava-nos por cima das lunetas com aros de tartaruga, suspendendo a chanfradura.
- Olá, menino! Já rezou ao Santíssimo?
O sorriso do sr. Aires auxiliava-me a mentir. Enquanto isso, o Zeca Pedro ficava com o caminho aberto. Muito a medo, ia encostar-se a mim e os dois ficávamos a ver o sacristão a abrir com paciência e jeito um janela numa tábua de caixote.
- É p'ró presépio, sr. Aires? - perguntava eu.
- Se Deus quiser, menino! É o castelo do rei Herodes. Só falta esta parte...
O Zeca Pedro beliscava-me as costas e eu percebia para quê.
- Podemos brincar, sr. Aires? - pedia, com receio.
- Pois claro, meninos! Mas não façam barulho! Lembrem-se de que Nosso Senhor está ali!
Desatávamos a correr às voltas aos claustros, jogando ao esconde. E só quando ouvíamos o sr. Aires a martelar é que voltávamos a abeirar-nos dele.
- Por hoje, graças a Deus, é tudo! Agora, vou à torre tocar o sino.
- Também podemos ir?
O sr. Aires entrava na sacristia, punha a opa vermelha, pegava num molho de chaves e até chegarmos lá cima era um cantar de portas de ferro gemendo nos gonzos.
Ficávamos a ofegar no último degrau, vendo o sr. Aires tomar em cada mão as cordas das sinetas e, depois, assentar o pé direito no arame que prendia o badalo do sino mãe.
O repique ressoava no granito e eu e o Zeca Pedro, aturdidos, tapávamos os ouvidos com as mãozitas.
- Ainda me lembro que o menino não teve disto, quando foi baptizado - recordava o sr. Aires, fechando grades sobre grades , no regresso aos claustros..
O Zeca Pedro beliscava-me as costas duvidava do bom velhote, perguntando-me ao ouvido:
- Foi isso que ele diz?
- Sei lá!
E o sr. Aires a precisar ideias;
- Foi no ano em que comecei a fazer o presépio. O sr. padre Morais está aqui que não me deixa mentir!
Agradava-me a revelação. E quando a noite me entrava pelo quarto dentro com o coaxar das rãs pendurado nos bicos das estrelas que se banhavam no Tâmega, eu ansiava pelo Inverno, pelo amanhecer dos dias enfarinhados pelas brancuras do Marão. Tinha pressa em chegar a Dezembro, em arruar com a banda o "Hino da Restauração" - Ó homem da pêra branca! Que é lá isso?
Já a D. Maria Eduarda contava com a minha vozita de tenorino para os cânticos de Natal. Nós, atrás do órgão, a encaixarmos as letras nas músicas, e o sr. Aires, na nave lateral a armar o presépio, martelando tábuas de mansinho, com a licença e a curiosidade de Nosso Senhor.
Acabados os ensaios, baixávamos do coro e íamos ver aquela maravilha de presépio, trémulos de espanto. Cinco metros de comprimento por quatro de fundo, castelos iluminados, rios de prata serpenteando por entre o musgo tosado por carneiros de barro, zagais dobrando os joelhos na contemplação do Menino, Reis Magos, ricos como Cresos, guiados para Belém pela estrela do Oriente, pontes, moinhos, soldadesca. anjos e arcanjos em revoadas de sonho, a Virgem, o Esposo. e Ele, muito rechonchudo, todo nu em cima das palhas da manjedoura, braços no ar e a dizer à minha imaginação de infante:
- Aqui me tens! O meu presépio é teu!
E eu, atrevido - ou Ele não fosse da mesma igualha! - a replicar:
- Já sabia! O sr. Aires fê-lo quando eu nasci. Táqui o Zeca Pedro que não me deixa mentir!
E que bem eu dormia nesse tempo, colchão da cama atestado com o folhelho das ilusões"

Carta ao Menino Jesus

Igreja de S. Gonçalo - Antes e Depois - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Carta ao Menino Jesus

Menino Jesus, durante este ano que agora está prestes a findar portei-me bastante bem.
Trabalhei como uma mula na escolinha, lutei como uma leoa para que o governo do meu país não me continue a roubar escandalosamente todos os dias da minha vida e estive atenta para não engolir engodos... que não engoli... tanto quanto sei.
Este ano peço-te somente uma coisita de caca mas que para mim é muito importante. Verdade, tu bem sabes que de entre todos os estilos artísticos que conheço, se me deres a escolher entre um minimalismo e um barroco, à partida, escolho o minimalismo.
Mas que diacho, e olha-me esta ironia... eu que considero toda a filosofia estética que suporta o Barroco uma bacoquice e que, bem o sei, se cá viesses a esta terra, agora quase a fazer dois mil anos depois de nos teres deixado, espatifavas estes templos que alguns, abusivamente, erigiram em teu nome... mas que diacho, estou eu para aqui a pensar em voz alta... e olha-me a ironia de eu estar a defender um estilo que me arrepia a alma de tão afastado que está dos teus ensinamentos e que verdadeiramente está nos antípodas de ti... mas... mas... está lá, a obra de arte está lá, forma um conjunto, consigo distinguir-lhe a harmonia, o equilíbrio dentro do excesso, a serenidade que me chega da patine dada por todo um tempo que já passou... quer-se dizer, conseguia! Conseguia porque agora não consigo mais à conta de uns estuporados móveis que caíram para lá aos trambolhões... e sim, já percebeste que estou a falar da Igreja de S. Gonçalo, em Amarante, da igreja e dos seus três mamarrachos, brancos como a cal.
Mas a conversa já vai longa e ainda não formulei o meu pedido.
Este Natal não quero bens materiais. Na verdade, o mundo já tem poluição que chegue. Desejo apenas que faças desaparecer, como num passe de mágica, os três mamarrachos da igreja. Em alternativa, chama uma camioneta e manda-os para a reciclagem, sim?
Ah! E sem querer abusar, restitui à Igreja o altar antigo... certo?

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

O Presépio e a Jóia de Luz

Presépio 2018 - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

O Presépio e a Jóia de Luz

O presépio cá de casa é sempre feito à maneira de outros tempos, tal e qual como era feito no tempo em que eu era criança, com casinhas e ponte e muitas figuras de gente e de animais, estando, por isso, em rota de colisão com o presépio actual da igreja de S. Gonçalo que, temo, não fascinará ninguém, nem mesmo uma criancinha!
Este presépio é sempre feito por mim e pela Jóia de Luz que, chegado a esta época, fica em pulgas com as figurinhas que saem das caixas e dos papéis que as protegem das quebras.
A Jóia de Luz sabe que também tem de trabalhar e ajudar o seu bisavô a enriquecer este espólio que cresce, todos os anos, acompanhando o crescimento da própria Jóia de Luz.
Fotografei o presépio ainda inacabado... mas já adorado por um miúdo que dele usufrui e que ficará com memórias maravilhosas que lhe acompanharão os dias futuros, espero que até ser velhinho.

Do Horror - O (Novo) Presépio de S. Gonçalo


Do Horror - O (Novo) Presépio de S. Gonçalo

O presépio que agora partilho, na fotografia a preto e branco, foi o presépio que nos encantou e alimentou a alma durante toda a nossa infância e que deixava toda a miudagem em pulgas para ver aquela maravilha, que todos os anos, infalivelmente, nos era revelada e se mostrava em todo o seu esplendor.
Este presépio, que aqui partilho numa fotografia a preto e branco, todos os anos, por gerações, saía do seu esconderijo e mostrava-se aos crentes e aos não crentes e era ver todos os miúdos amarantinos, de olhos arregalados, à volta dele, tentando captar cada pormenor das figuras e das construções tão belas.
Pois este presépio escafedeu-se da igreja de S. Gonçalo. Dizem por aqui que umas peças foram sendo partidas e outras foram sendo surripiadas (?) até que não mais deixou de ser visto, assim, tal como foi fotografado nesta imagem a preto e branco.
Já aqui falei dele anteriormente. Nunca o esqueci e ele permanece em mim como uma maravilhosa memória da minha encantada infância por terras amarantinas.
Mas hoje, lamentavelmente, acrescento o horror de um presépio que adorna, neste momento, esta espécie de "altar" que, dizem, mais parece louça sanitária que conspurca e fere de morte um local de rara beleza como era o interior da Igreja de S. Gonçalo, em Amarante.

O espírito de Natal, o mistério que ele representa, em S. Gonçalo, morreu. Morreu rodeado do mais puro horror.
Meus deuses, até o presépio conseguiram apimbalhar!

domingo, 2 de dezembro de 2018

Revolução Francesa


Revolução Francesa

"Humanity should be put first, not money"

Quando se dá a ruptura entre governantes e governados, podem acontecer verdadeiras revoluções.
Em 1789 assim foi. Esticaram de tal modo a corda ao povo que a corda só podia romper. E rompeu. Numa violência desatada que espantou o mundo.

Hoje, aqui e ali, damos conta deste esticar de corda entre governantes e governados, entre políticos arrogantes e a população em geral, que pode acabar, mais uma vez, extremamente mal para os primeiros.

Quem lê os sinais?





 
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