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quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Pamukkale





Pamukkale - Turquia
Fotografias de Artur Matias de Magalhães

Pamukkale

Declarado Património Mundial da Humanidade pela Unesco, em 1988, Pamukkale é, sem dúvida, um local único no mundo.
Visitei este local aquando da minha viagem à Turquia, integrada num grupo da Agência Abreu. Muito embora não tenha por hábito fazer viagens integrada em rebanho de turistas que não conheço de lado nenhum, tenho de reconhecer que, para quem não tem muito tempo disponível, o recurso a uma viagem organizada por uma agência é talvez a melhor maneira de, em pouco tempo, ter uma visão razoável de um país. Pode ser pois uma opção estratégica. Foi o caso. Em oito dias percorremos muitos quilómetros de autocarro, fizemos viagens de barco, gastamos muitas solas a subir a acrópoles, a visitar mesquitas e mais mesquitas, cada uma mais bela que a anterior, a ver museus, a visitar o famoso Grande Bazar de Istambul, a Capadócia... e Pamukkale.
Confesso que a expectativa era enorme, face a um local que eu conhecia bem de fotografias e de ouvir falar amigos e familiares que anteriormente tinham visitado o local.
A palavra turca Pamukkale traduz-se literalmente por Castelo de Algodão e esta formação começa a ver-se à distância tal a sua dimensão. Trata-se de toda uma encosta feita de bacias e mais bacias calcárias formadas pelas nascentes de água quente termal que abundam na região e que foram aproveitadas desde a Antiguidade, por gregos e romanos, e que ainda hoje continuam a ser utilizadas para banhos e tratamentos termais.
A aproximação é lenta, até porque temos de subir toda a encosta, mas quando por fim podemos entrar dentro destas pequenas piscinas de água quente, que se sucedem umas atrás das outras perante um horizonte inacreditavelmente belo, tenho vontade de me beliscar para me certificar que o que estou a ver é real. E é real. E eu fui uma das privilegiadas que captou e registou para sempre este pôr-do-sol único, esta luz de poente que banhava os degraus branquinhos branquinhos dando-lhes tonalidades cálidas e inesperadas.

A última vez que soube novas de Pamukkale foi no passado mês de Outubro por uns amigos que visitaram o local. Disseram-me que Pamukkale está hoje muito degradado, que muitas das bacias estão já secas por acção de um turismo desenfreado e incontrolado. É pena. Melhor seria proibir totalmente a entrada nestas piscinas naturais dando-lhes o tempo necessário para a sua recuperação. Se é que isso ainda é possível.
A vida é feita de equilíbrios quantas vezes instáveis e precários.
A Natureza também.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Mix



Alunos Turcos - Turquia
Fotografias de Artur Matias de Magalhães

Mix

A Turquia é um país maioritariamente islâmico. Ser islâmico não é o mesmo que ser árabe. O islamismo é uma religião, que por acaso, ou não, associamos de imediato aos árabes, mas que não é monopólio desta população. Os turcos não são árabes, são turcos, e são maioritariamente islâmicos. Os iranianos não são árabes, são persas, e são maioritariamente islâmicos. Os mauritanos não são árabes, são mouros e negros e são maioritariamente islâmicos ou muçulmanos...e podia continuar, pois ainda não falei da Indonésia, do Paquistão, das Maldivas, de todo o norte de África e das populações berberes que não são de todo árabes!
Posto isto, volto à Turquia, um país maioritariamente muçulmano, mas onde reina a separação entre estado e religião. A Turquia é uma república laica. E, para o bem e para o mal, é uma democracia. A Turquia está a passar um mau bocado. Como aliás todos os países islâmicos. Os Estados Unidos, com a sua política externa agressiva, não fizeram mais do que exacerbar os fundamentalismos que nunca andaram tão à solta nestes países. (Atentados na Indonésia, na Jordânia, em Marrocos, na Argélia, na Turquia, no Egipto, o Líbano como nós sabemos, o Iraque um atoleiro, o Afeganistão outro atoleiro. E podia continuar!) E onde as primeiras e principais vítimas são as populações locais.
A Turquia em 1994 era constituída por um caldo de populações que conviviam mais ou menos pacificamente. E digo mais ou menos pacificamente pois não me posso alhear do problema Curdo.
Mas a imagem que me fica de centenas e centenas de alunos, que visitavam o seu património histórico arquitectónico, é de uma população extraordinariamente misturada do mais branco e loiro ao mais tipicamente turco. Alunos muito alegres, alegria essa bem patente nas suas caritas abertas em sorrisos rasgados, alunos disciplinados, que quando entravam nos monumentos se recolhiam num silêncio respeitador. A democracia não tem que ser sinónimo de bandalheira. Tem que ser sinónimo de maturidade e responsabilidade.
Gostei de tudo neles, e da festa genuína que me fizeram quando souberam que eu era professora.
E só espero que a Turquia encontre o seu caminho e não caia no abismo... se a Turquia cai no abismo, o que será de nós?

Uma Viagem Inesperada



Istambul - Turquia
Fotografias de Artur Matias de Magalhães

Uma Viagem Inesperada

A viagem à Turquia foi inesperada... começou com uma brincadeira, num fim-de-semana de Setembro de 1994, e na semana seguinte já estávamos em terras turcas.
Pela primeira vez, desde que era professora, não tinha sido colocada nos mini-concursos de Setembro, estava super chateada e preocupada, e o A agarrou em mim e levou-me para terras islâmicas. Fui "comemorar/esquecer" a minha não colocação!
De viagem inesperada, a viagem à Turquia transformou-se em viagem inesquecível. O grupo era extraordinário. Mesmo para nós, que não gostámos de andar em rebanho de turistas, devo confessar que aquele grupo que viajava pela Agência Abreu funcionou.
Foram oito dias durante os quais visitámos um património mundial sem preço: grego, romano, bizantino, otomano...muitas das nossas raízes, das raízes da nossa civilização ocidental, estão lá.
Andámos por terras Hititas, na Anatólia central, berço de civilizações antigas.
Em Istambul, aliás, Constantinopla, aliás Bizâncio, como de resto em toda a Turquia actual, entrecruzam-se Europa e Ásia, civilização ocidental, civilização oriental, europeus, turcos, árabes.
Que possa continuar assim.
E quem me dera dizer "Gule gule" (que traduzido do turco quer dizer adeus para quem fica)
 
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