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domingo, 13 de outubro de 2013

1ª Guerra Mundial - Frente Ocidental - Campos da Morte

Trincheiras - Arredores de Verdun - França
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães
 
1ª Guerra Mundial - Frente Ocidental - Campos da Morte

Já percorri esta Frente Ocidental para cima e para baixo, mais a norte e mais a sul, sendo que, durante a minha última peregrinação, andei pela Alsácia e pela Lorena não deixando de visitar a fustigada região de Verdun, palco de uma das mais sangrentas batalhas ocorridas durante esta guerra que, contra todas as expectativas, não foi rápida e se prolongou por quatro longos anos.
Esta guerra teve o seu início no Verão de 1914, após o assassinato do herdeiro do Império Austro-Húngaro, o arquiduque Francisco Fernando, no dia 28 de Junho, em Sarajevo, capital da Bósnia, cometido pelo sérvio Gavrilo Princip, membro de uma organização secreta chamada Mão Negra, tendo-se concretizado passado um mês deste fatídico acontecimento, no dia 28 de Julho, data da declaração de guerra da Áustria à Sérvia. Os acontecimentos precipitaram-se, imparáveis!,como se ganhassem vontade própria e a História se tornasse não dependente da vontade dos homens, sucedem-se as declarações de guerra e a 4 de Agosto a Bélgica, país neutral, foi invadida pelas tropas alemãs que pretendiam chegar rapidamente a Paris. Derrotadas e barradas pelos exércitos francês e inglês na Batalha do Marne, 5 a 12 de Setembro de 1914, os dois exércitos instalaram-se no terreno começando a abrir vastíssimas valas, as trincheiras, de um e de outro lado, pondo assim termo a uma primeira fase da guerra, rápida, conhecida por Guerra de Movimentos e inaugurando uma fase longa, que duraria até 1918, conhecida pela Guerra das Trincheiras. Ora, são estas trincheiras que ainda hoje rasgam, como uma ferida bucólica que permanece aberta mas não sangra, grande parte do território francês, teatro de guerra, à época, e frente de batalha aqui do lado ocidental. Estes são os "Campos da Morte" da 1ª Guerra Mundial, rasgados ainda pelas crateras das bombas... tantas!!!, rasgados ainda pelas trincheiras, aqui na região de Verdun onde se travaria uma das épicas batalhas ocorridas durante esta guerra, que duraria de 21 de Fevereiro a 18 de Dezembro de 1916 e que provocaria perto de um milhão de mortos de ambos os lados. Quase inimaginável...
Hoje, olhando-as, as trincheiras parecem até lindas, amostras do que foram um dia, serpenteando um território florestado no fim da guerra mas que era agricultado antes da desgraça se abater sobre esta região, desgraça sangrenta que varreu do mapa localidades inteiras e muitas das suas gentes, mas que varreu do mapa principalmente as tropas que serviram de carne para canhão numa guerra desajustada do ponto de vista estratégico face à modernidade e sofisticação das armas envolvidas em combate.
Hoje, olhando-as, quase nem conseguimos imaginar o sofrimento da gente de carne e osso que aqui combateu ao frio, à chuva, à neve, mal alimentada e de moral sabe deus, vivendo na imundice, partilhando o espaço com os ratos e as ratazanas... corpos servindo de alimento a pragas de piolhos, corpos desfeitos pelas bombas, pelos tiros automáticos das metralhadoras, aniquilados pelo armamento químico utilizado pela primeira vez nesta guerra.
Sim, esta foi uma guerra de muitas inovações. De muito sofrimento também. E estes são lugares de peregrinação para muitos de nós, conhecedores da importância da História por motivos profissionais... ou apenas porque sim...

Nota - Se alguém quiser usar as fotografias, façam os favor de estar à vontade desde que não omitam a autoria das mesmas.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Oradour-sur-Glane

Fotografia, desfocada, sobre Notícia do DN de Hoje
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Oradour-sur-Glane

Escrevi um post sobre o massacre de Oradour-sur-Glane em finais da semana passada - este post pode ser lido aqui - e, nem de propósito, Oradour está hoje na imprensa nacional, mais concretamente no DN, com a notícia sobre esta importante cerimónia de reconciliação entre as partes - os presidentes francês e alemão entram de mãos dadas na Igreja da povoação que foi palco do mais grave massacre cometido sobre civis pelas tropas nazis, em solo francês, com um dos homens sobreviventes do massacre que ainda está vivo. Relembro que só escaparam seis pessoas, quatro homens, uma mulher e uma criança.
Quantas memórias dolorosas guarda Robert Hébras!

Nota - Pode ver mais fotografias desta importante cerimónia, que ajuda a afugentar fantasmas, clicando aqui.
E visionar uma pequeno filme da época, sobre este acontecimento, que eu agradeço à minha amiga Céu Teixeira.


sábado, 31 de agosto de 2013

Oradour-sur-Glane - A Memória de Uma Infâmia


Oradour -sur-Glane - Limousin - França
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães
  
Oradour-sur-Glane - A Memória de Uma Infâmia

A história de Oradour conta-se rapidamente se omitirmos as emoções e nos cinjirmos aos factos principais ocorridos naquele desgraçado e fatídico dia de 10 de Junho de 1944... o que não sei se será possível, aviso desde já...

Oradour era uma pacata vila francesa, daquelas que ainda hoje abundam França fora salpicando o campo tratado como um jardim entre cidades, entre florestas.
Oradour dista uns vinte km da cidade de Limoges e entrou na História, nesse malfadado dia, por uma sucessão de acontecimentos infames que qualquer pessoa, minimamente bem formada, gostaria que nunca tivessem ocorrido.

Por volta das 14 horas do dia 10 de Junho de 1944, exactamente quatro dias após o Dia D e o desembarque das tropas aliadas nas praias da Normandia, as tropas nazis entraram em Oradour sem que, inicialmente, provocassem o pânico entre os habitantes locais, naquele pacato dia Primaveril, um dia que parecia ser como tantos outros que o antecederam, como tantos outros que haveriam de vir.
As tropas alemãs das SS de Hitler cercaram a povoação e foram dando ordens de concentração de toda a população, sem excepções, na praça principal. E assim concentraram velhos, homens, mulheres, crianças. Já na praça, separaram homens para um lado, mulheres e crianças para outro. Este último grupo foi fechado na Igreja local. Seis jovens, mais do que azarados, cinco rapazes e uma rapariga, entraram entretanto na povoação num passeio de bicicleta de não escaparão, também eles, com vida.
Os homens foram sendo metralhados nas garagens e hangares existentes em Oradour, os corpos de mortos e de ainda vivos, porque "apenas" feridos, foram cobertos de palha e outros materiais de combustão rápida a que os soldados atearam o fogo que devorará mortos e vivos, numa cena dantesca difícil de imaginar.
As mulheres e as crianças foram assassinadas dentro da Igreja que lhes deveria conferir a protecção divina contra a barbárie daquelas tropas... enlouquecidas?! de cruéis nazis.
Primeiro foram lançadas granadas de gás, depois foi ateado fogo à igreja e ao seu conteúdo, mulheres e crianças tentando desesperadamente escapar do horror infligido arbitrariamente sobre uma população civil que não tinha nada a ver com exércitos e que prosseguia a sua vida dentro da normalidade possível num país ocupado pelo inimigo.

Tudo foi pilhado, a tudo foi pegado fogo, a todas as habitações, ao talho, à padaria, à farmácia, às escolas, às garagens, aos cadáveres na tentativa vã de apagar as provas da infâmia, felizmente tarefa não conseguida com êxito.
Em Oradour sur Glane foram assassinadas, naquele fatídico dia 10 de Junho de 1944, 642 pessoas, entre as quais 246 crianças. Da igreja só escapou uma mulher que conseguiu fugir com ferimentos depois de se atirar para o chão exterior, de uma altura de três metros, por um vitral partido. Do massacre perpetrado em Oradour só escapou uma criança do sexo masculino, um rapaz que desobedeceu às ordens da professora de encaminhamento para a praça de Oradour.
No pós-guerra, o governo de Charles de Gaulle decidiu-se pela preservação deste importante testemunho, desta infame memória do que a espécie humana, por vezes miserável, é capaz de levar a cabo.
Não, não esquecemos a ignomínia em Oradour-sur -Glane. E em Lidice, na Checoslováquia, exactamente dois anos antes. E também não esquecemos o resto.






sexta-feira, 27 de abril de 2012

Campo Francês

Campo/Jardim Francês - França
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Campo Francês

E agora, para algo realmente belo... o campo francês é, de facto, um jardim aprimorado.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Cultura Geral


Saint-Emilion - França
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Cultura Geral

E os primeiros quatro do turismo mundial em 2010 foram:

1º - França - recebeu 74,2 M turistas
2º - EUA - recebeu 60,8 M
3º - China - com 56 M
4º - Espanha com 53 M

De notar que a Espanha perdeu o 3º lugar para a China.
De notar também que não me espanta que a especial França seja o 1º destino mundial de turismo. De facto, não me espanta mesmo nada.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Deslumbramento


Alto Atlas a Caminho de Er-Rachidia - Marrocos

Campo Francês Visto do Templo Galo-Romano de Oiseau-le-Petit
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Deslumbramento

Quem passar por este blogue e ler os meus últimos posts sobre a França, ou ainda os mais antigos já devidamente etiquetados sobre o mesmo assunto, poderá rapidamente chegar à conclusão que eu sou uma deslumbrada por este país.
E sou? Sou?! Pois sou, não há que enganar!
Sinto pela França o mesmo encantamento que sinto por Marrocos, muito embora França e Marrocos sejam completamente diferentes entre si, partilhando apenas a extraordinária beleza física de paisagens moldadas pelo Homem ou pela Natureza e, claro está, a língua francesa, falada a torto e a direito também em Marrocos, herança dos tempos de colonialismo que se faz sentir ainda hoje. Felizmente para mim, que não falo o árabe.
Ambos são belíssimos, por vezes quase irreais, mas a França é doce, amena, tranquila, serena, domada, polida e cultivada, enquanto Marrocos é exótico, excessivo, misterioso, inquietante, irreverente, tumultuoso, arrepiante, imprevisível. Ambos acolhedores mas, se a França é um sorriso saboroso e convicto, Marrocos é um arrepio que me deixa a pele a doer.
São as duas faces do meu deslumbramento, em dois continentes muito diferentes, que continuarei a explorar sempre que possível, em viagens mais ou menos demoradas, sem nada marcado, ao sabor da ocasião, do apetite, do vento.

Invasão da Polónia



Cemitérios Alemão e Americano - Normandia - França
Fotografias de Artur Matias de Magalhães

Invasão da Polónia

Hoje, 1 de Setembro de 2009, cumprem-se setenta anos sobre a invasão da Polónia pela Alemanha nazi, facto que desencadearia a 2ª Guerra Mundial com a França e a Grã-Bretanha a declararem guerra à Alemanha e a mobilizarem as suas tropas logo de seguida.
Depois foi a página muito negra que todos conhecemos e que só seria voltada em 1945.
Entretanto muitos soldados, mobilizados para as frentes de combate não retornarão, jamais, a casa. Porque de ambos os lados a mortandade e a carnificina foi desmedida e de ambos os lados há gente sepultada em França, em cemitérios visitados com recato, de olhos turvos e voz embargada.
Encontrei muita gente no cemitério americano, caminhando devagar. Muitos olhando incrédulos aquela praia de Omaha, a Sangrenta, que se espraia quase deserta um pouco abaixo de nós. Há pessoas de quase todas as nacionalidades. Muitos americanos, o que é absolutamente natural já que se trata de um cemitério americano e, além do mais, os americanos representam, aqui, o lado bom e ganhador.
Vi famílias inteiras, desde os muito idosos aos mais pequenos, visitando este local tão belo, e simultaneamente tão triste, como quem faz uma peregrinação. E vi os mais velhos passarem o testemunho aos mais novitos, em conversas serenas, para que os mais novos não se esqueçam da barbárie, numa passagem de testemunho importante. E vi, ainda, visitas específicas, deposição de flores específicas, recolhimento específico frente à campa de... de alguém.
Pelo contrário, encontrei o cemitério alemão praticamente vazio de visitantes entre as campas rasas e cruzes agrupadas. Mas encontrei ramos frescos de flores vermelhas colocados aqui e ali. E encontrei um espaço bem diferente, igualmente belo, mas muito mais sombrio e ainda mais perturbador. São os ocupantes da França que ali estão, é o inimigo louco que ali repousa.
Os dados, lançados faz hoje setenta anos, por um político perturbado e perturbador, mudariam o curso da História Mundial para sempre. O balanço final foi o record da mortandade e do sofrimento e tudo isto entre a civilização civilizada.
Aqui fica assinalada esta data de má memória. Para não cair no esquecimento.

sábado, 29 de agosto de 2009

Enigma


Honfleur - Normandia - França
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Enigma

O meu enigma de hoje prende-se com a França e com a minha completa perplexidade por ainda não ter conseguido encontrar Quarteiras ou Benidorms, ou mesmo Póvoas do Varzim, na costa francesa. Bem sei que ainda não a percorri toda, faltando-me toda a costa Sul, mas quanto ao resto está bastante bem calcorreado e ainda não consegui descortinar nada que se assemelhe a tais estâncias balneares. Já fiz inúmeras incursões na costa Sudoeste de França e praticamente toda a costa Norte foi investigada. Fora as grandes cidades costeiras, que são grandes cidades e se comportam como tal, as estâncias balneares dos franceses têm um charme que nos remete para os tempos áureos da Granja, de Espinho, de Albufeira quando aquilo Era.
Será que eles não têm especulação imobiliária que justifique, pela ganância, o espatifar do "Velho" para construir o "Novo"?
Confesso que ia com bastante expectativa relativamente à costa próximo de Paris, mas o que encontrei foi mais do mesmo, ou seja, povoações bem conservadas apesar de super "habitadas" de Verão.
Porque ainda poderia pensar que tal se deveria ao relativo abandono, sei lá, ao facto destas povoações não estarem na moda! Mas não! Há gente por todo o lado, saboreando, presumo eu, uma arquitectura que vem detrás, mas que resistiu a essa mesma passagem do tempo.
E isto para mim constitui um enigma.
A fotografia que escolhi para ilustrar este post foi tirada em Honfleur, cidade plantada na foz do rio Sena e situada "pertíssimo" de Paris. As casas de cinco ou seis andares rodeiam o Vieux Bassin a abarrotar de veleiros. A turistada movimenta-se aos magotes, mas o ambiente é calmo e descontraído, e eu volto a olhar para o perfil daquelas casas alinhadas ao longo do porto e fico perplexa por não encontrar nada fora do sítio. Não se arrasou tudo para se fazer resorts com piscinas e muito menos para construir prédios de appartements de vinte andares para alugar ao centímetro quadrado.
Dou o exemplo de Honfleur. Mas podia dar muitos outros, assim e assado, porque nem sempre as povoações têm este aspecto e por vezes as casas e casitas individuais vão mesmo até ao mar.
E esta costa, extensíssima, belíssima apesar de Agosto, levanta-me uma questão/enigma.
Como é que os franceses conseguem ser assim?

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Do Respeito. E da Falta Dele!


Respeito - St-Cyprien - Dordogne - França
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Do Respeito. E da Falta Dele!

Farta de políticos, políticas e afins, hoje falo do respeito das gerações mais novas relativamente a todo um património construído e herdado das gerações anteriores. E da falta dele.
A regra, pelas bandas onde habito, é o mais completo desrespeito por este património edificado, quantas vezes com tanto esforço, pelos nossos antepassados. É até uma dor de alma andar à noite pelos centros históricos da maioria das cidades portuguesas onde não nos escapa o quase completo abandono e degradação em que se encontra a maioria do património construído.
Amarante, muito embora seja uma cidade pequeníssima, que até devia ser uma vila, não foge a esta regra, e o abandono sente-se em cada esquina da cidade, onde a maioria das pessoas já não habita.
Não sei explicar como fazem em França. Não sei se foi pela destruição causada pela Segunda Guerra Mundial que os terá marcado enormemente em termos de perda completa ou parcial de património construído, se têm subsídios do Estado, se parte da generalidade das pessoas e da sua sensibilidade, se se explica pelo muito maior poder de compra relativamente aos portugueses, ou se é apenas civilizacional, educacional e cultural...
Decididamente não sei. O que sei é que se sente, por quase todo o lado, seja aldeia, vila ou cidade, um cuidado imenso e um carinho muito especial por este património herdado e construído por múltiplas e diferentes gerações já mortas mas que continuam vivas nos inúmeros testemunhos de edifícios em excelente estado de conservação.
As aldeias perfeitamente conservadas abundam, estão habitadas, e os centros históricos, vivos, também não são uma excepção.
E o respeito e amor pelos edifícios nota-se na trepadeira que embeleza uma porta, na roseira que sobe até ao telhado, nas sardinheiras floridas nas janelas, nas pequenas hortas embelezando jardins, nos telhados feitos de pedra, de xisto, até de colmo.
Uso uma fotografia quase ao acaso, tirada numa povoação no vale do rio Dordogne, que ilustra bem o que acabo de afirmar. Poderiam ser muitas outras, que as tenho aos magotes, porque o país é uma beleza em exemplos destes.
Gostaria de ver e sentir este cuidado neste Portugal à beira mar plantado. Mas não sinto.
Aqui o respeito é a excepção e não a regra. Em França passa-se exactamente o contrário.
Estaremos a construir um país inviável? Porque a cada de dia que passa mais se complica a vida dos portugueses com a construção de infra-estruturas que chegam cada vez mais longe e que custam balúrdios ao país e, paradoxo dos paradoxos, convivendo paredes-meias e alegremente com centros históricos votados ao mais completo abandono.
Sorry! Algo não está bem por aqui.
Sorry! Acabei por falar de política!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Jean Nouvel e o Instituto do Mundo Árabe

Jean Nouvel e o Instituto do Mundo Árabe

Este arquitecto e este edifício estão referenciados muito lá atrás neste blogue, em http://anabelapmatias.blogspot.com/2007/03/instituto-do-mundo-rabe-paris.html, quando eu dava os primeiros passos, ainda hesitantes, como blogger, e quando recebia apenas a visita diária do Helder Barros. :)
Jean Nouvel é um dos muitos arquitectos contemporâneos que eu amo e este edifício foi o primeiro que eu procurei em Paris, de tal forma fiquei impressionada com o dito quando o vi fotografado algures nos longínquos anos oitenta.
O edifício é deveras extraordinário e aconselho vivamente a sua visita a quem se desloque à Cidade Luz. Asseguro que vale a pena ir a Paris só para o ver, só para penetrar naqueles espaços de luz extraordinária que nos remetem para paisagens e paragens das mil e uma noites, que nos remetem para as gentes calorosas e hospitaleiras do deserto.
Hoje partilho de novo este edifício, partilho de novo este arquitecto extraordinariamente sensível e respeitador do outro, e partilho ainda uma citação de Walter Gropius, outro monstro divino da arquitectura, que tem tudo a ver com esta postagem e o diálogo permanente que deve ser mantido entre civilizações.

"O cérebro humano é como um chapéu-de-chuva: funciona melhor quando aberto."

domingo, 2 de setembro de 2007

Cuisine Française




Cuisine Française - L`Hopital St Blaise - França
Fotografias de Anabela e Artur Matias de Magalhães



Auberge du Lausset - L`Hopital St Blaise - França
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Cuisine Française

Pois. Estava prometido um "post" sobre a maravilhosa papinha que nos deram num qualquer restaurante duma pequena aldeia francesa, chamada L`Hôpital-Saint-Blaise, situada nos Pirenéus Atlânticos, e que faz parte dos Caminhos de Santiago franceses.
Devo dizer desde já que o almoço foi no mínimo surpreendente.
Fomos a essa aldeia à conta das minhas apresentações em PowerPoint. Para variar. É que eu queria fotografar a igreja, caso único em França, românica, de inspiração hispano-mourisca, que está classificada como Património Mundial da Humanidade.
Horas de almoço e ali mesmo ao lado um albergue/restaurante de aspecto pouco mais do que banal a rir-se para nós. Aproveitámos o convite, sentamo-nos, olhámos o menu e escolhemos um pouco às cegas, sabendo que eu escolhi um prato de carne, mais concretamente de pato, e o A. um de peixe, e que o dito se chamava St Jacques.
Passo então a transcrever os nomes dos respectivos pratos escolhidos:
"Magret de canard grillé, sauce à l`orange, fondue de poivrons et polenta crémeuse aux noisettes" e "Noix de St Jacques à la plancha, sauce aux pignos de pin et purée au pistou".
E ficámos a aguardar, calmamente, o que nos iria sair na rifa de nomes tão pomposos e complicados.
E o que nos saiu foi surpreendente. Surpreendente pela beleza, pela qualidade estética de cada prato e pela qualidade da substância porque cada prato se revelou de sabores divinais. E eu posso falar dos dois porque a meio não resistimos a trocar de pratos e a continuar a saborear aqueles sabores que delicadamente se misturavam na boca sem anular qualquer deles. Divinal.
Eu já não consegui pedir sobremesa mas piquei a do Artur...Hum!!! Simplesmente maravilhosa. Aquela "Panna cotta caramel balsamique, chutney de fraises et sorbet rhubarbe" fecharia com chave de ouro qualquer refeição. Fiquei com pena de já não ter barriga para pedir uma outra coisa qualquer que por certo me iria surpreender esteticamente e que iria saborear lentamente como devem ser saboreadas todas as coisas deliciosas da vida.
O mais surpreendente de tudo foi o sítio de onde nos saiu uma cozinha primorosa como esta. À primeira vista nada faria prever que tivéssemos direito a uma refeição com este requinte de preparação, de apresentação e de degustação!
Mas assim foi. Foi a França, no seu melhor!
Ainda bem que a podemos saborear!

sábado, 1 de setembro de 2007

Hotel des Thermes - Dax




Hotel des Thermes - Dax - França
Fotografias de Artur Matias de Magalhães





Hotel des Thermes - Dax - França
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Hotel des Thermes - Dax

Surpresa das surpresas. Durante a nossa viagem pelo Norte, mais concretamente em Dax, fomos parar, absolutamente por acaso, a um hotel três estrelas que me deixou a olhar para ele, por me ser familiar dos livros de arquitectura, e a pensar "Onde é que eu já vi este edifício? Mas de quem é este edifício?"
Absolutamente por acaso fomos parar a um hotel projectado por um dos arquitectos franceses de que já falei neste blogue a propósito do IMA, ou Instituto do Mundo Árabe, e a propósito daquilo a que eu chamo arquitectura inteligente - Jean Nouvel.
Há coisas curiosas.
O Hotel, inaugurado em 15 de Outubro de 1992, é, como o nome indica, um hotel termal, situado no segundo maior centro termal francês. É um imenso edifício de planta rectangular onde o arquitecto Jean Nouvel utilizou o betão para a estrutura. Depois foi "só" fechá-lo ao exterior com um sistema de portadas em madeira que dão ao edifício um aspecto muito característico e acolhedor. Por dentro os pisos onde se desenvolvem os serviços e os quartos dão para um imenso pátio interior, rectangular, que ocupará cerca de dois quartos do espaço total disponível. No restante funciona uma piscina coberta, mas com uma cobertura transparente, deixando ver as pessoas logo pela manhã a fazerem os seus exercícios matinais. O espaço interior é muito amplo e arejado havendo até espaço para enormescas plantas que já quase se transformaram em árvores.
Os quartos são apartamentos, com mobiliário sólido e bem desenhado de alumínio. Pequena kitchenette completamente equipada com microondas, frigorífico, tábua de dar a ferro, loiça toda branca, enfim, tudo pronto a ser utilizado.
O wc está equipado com loiça sanitária muito bonita servindo o lavatório também como tanque para lavar uma ou outra peça de roupa. E a sanita propriamente dita tem direito a compartimento só para ela. Como eu gosto.
O quarto, generoso, bem equipado, é composto pelo quarto propriamente dito e sala onde pontua uma mesa redonda.
São por isso quartos confortáveis e práticos que se ajustam plenamente à sua função que é a de acolher casais que ali se instalam por temporadas para fazerem os seus tratamentos termais e é vê-los logo pela manhã a circularem pelas varandas interiores que circundam o generoso átrio de robe branco e chinelos a condizer nos pés.
Edifício bem esgalhado este, que cumpre plenamente a sua função. É por isso que eu continuo a falar daquilo a que chamo arquitectura inteligente. É que todo o edifício se comporta como se fosse um imenso e extenso balneário. E este conceito liga-se plenamente às cores utilizadas para o interior e que me fizeram lembrar da Barca... chão cinzento, paredes imaculadamente brancas, equipamentos cinzentos, brancos e azuis... tal e qual as cores que utilizei na Barca. E liga-se à iluminação escolhida, composta de simples lâmpadas brancas fluorescentes, cuja luz toma depois este tom de azul remetendo-nos para o elemento líquido que é o mar - azul.
Apeteceu-me ficar lá uns dias e experimentar aqueles tratamentos termais, aquelas piscinas de água quente, aquelas massagens xpto... apeteceu-me, a mim, que não sou nada dada a essas coisas. Aqui senti-me como um peixinho dentro de água.
Arquitectura inteligente esta!

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Sauveterre de Béarn - Pamplona










Pirenéus - França
Fotografias de Anabela e Artur Matias de Magalhães


Sauveterre de Béarn - França
Fotografias de Artur Matias de Magalhães
 
 
Sauveterre de Béarn - Pamplona

Bom pequeno almoço tomado na grande varanda do Manoir Théas. Bom pão. Boas compotas feitas pela dona da casa que, em conversa, nos contou que chove na região desde Março e que o tempo está um pouco louco por todo o lado.
Por isso tudo está verde como se estivéssemos no Inverno.
E a manhã inicia-se com um passeio por Sauveterre, depois do passeio de ontem à noite numa terra que parecia abandonada de gente. Mas dia 26, uma belíssima manhã de sol de Domingo, é ver os habitantes a circular pelas ruas de baguettes debaixo dos braços, vindos da missa dominical. Vilas pacatas e tranquilas estas. Aqui ninguém deve sofrer de stresse.
Mas são paisagens bonitas e bucólicas que não me interpelam e que não acrescentam muito aquilo que já vi e conheço.
O almoço sim, foi surpreendente, mas também reservarei um "post" inteirinho para ele. É que ele merece!
O país basco francês tem-se revelado, agora que percorremos o interior, muito bonito, salpicado de aldeias pitorescas e típicas onde os velhos de boinas bascas na cabeça conversam à sombra de uma qualquer árvore ou ramada.
Percorremos uma estrada terciária muito estreita, sinuosa e perigosa que segue pendurada pelos cumes dos Pirenéus deixando-nos desamparados ao lado de precipícios gigantescos e aterradores. São paisagens amplas que se abrem perante os nossos olhos fazendo-nos parar frequentemente para as fotografar, para fotografar os enormescos rebanhos de ovelhas, as vacas e os cavalos que pastam livremente onde isso é possível, e para fotografar as águias, que vimos muitas.
A estrada, arrepiante, continua a grande grande altitude, pendurada nas cristas de montanhas imponentes, deixando-nos uns horizontes largos para absorver a limpidez daquele ar, o verde a escorrer montanha abaixo, o céu azul azul com uma ou outra nuvem branca e esfarrapada.
Confesso que estas altitudes e este desamparo me põem inquieta e a dizer ao Artur "Vai devagar!" quando ele já vai devagar, e que saio sempre delas, e já fiz outras assim no Alto Atlas, com as mãos suadas e com uma sensação de nó na garganta e de desconforto provocado por um medo de cair por ali abaixo aos rebolões e de nem se safar a minha alma depois de semelhante queda! Mas também convém dizer que a repetir alguma estrada, percorrida nestas férias, seria esta, porque a mais excessiva, aquela que me inquieta e me dá calafrios, aquela que me põe a pensar como é possível haver casas isoladas lá nos fundos, como será o Inverno passado nestas paragens, como a capacidade de resistência humana é quase inesgotável!
Fantástico e inesquecível.
Continua sol e às seis da tarde estão mesmo 28º e muita humidade no ar.
E rumámos a Pamplona, terra dos toiros e das festas malucas a eles associadas de Los Sanfermines.

Dax - Sauveterre de Béarn




Orthez - França
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Museu de Brassenpouy - França
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Gasconha - França
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Dax - Sauveterre de Béarn

À saída de Dax o destino era Arcachón. Por duas razões. Uma era aquela coisa de que eu nunca tinha ouvido falar e que é a maior da Europa e a outra era o sr Armand que já teve direito a "post" neste blogue. Pois a casa de praia do sr. Armand situa-se em Arcachón e, segundo as indicações por ele escritas no cartão de visitas que me entregou na Líbia, é aí que ele se encontra até meados de Setembro. Isto se não andar por sítios esquisitos do planeta que o último postal que recebi andava ele a fazer uma viagem de sete meses pela Ásia!
Tentámos chegar à costa acima de Biarritz, já para fugir desta mítica estância balnear, mas a tarefa revelou-se impossível tais as monumentais filas que iam direitinhas às praias. E tentámos chegar a Arcachón mas, a 80 km, desistimos. As áreas de serviço a esbordar e filas de 20 km nas férias???? Nãaao!!! Saímos e fomos por estradas secundárias, sem movimento, através de uma zona de França chamada Forêt des Landes que pelo nome prometia ser alguma coisa de jeito mas que se revelou ser uma coisa simplesmente horrorosa. Esta zona é tudo menos interessante. Absolutamente plana, com extensos pinhais onde se vêem casas degradadas de longe a longe, com anexos feitos de chapa de zinco. As construções com um aspecto desmazelado e abandonado, os anúncios de restaurantes a corresponderem a restaurantes fechados. Acabámos por ir parar a um restaurante super rasca e porco onde a patroa fumava atrás do balcão em vez de limpar as mesas imundas à nossa volta, casas de banho imundas, as unhas da patroa imundas. E para cúmulo mal educada. Confesso que esperava mais do Parc Naturel des Landes de Gascogne! Cheguei mesmo a pensar "Estarei em França?"
Saímos dali rapidamente e dirigimo-nos aos Pirenéus Franceses. Parou de chover. A paisagem vai mudando e em plena Gasconha muda mesmo e melhora. As quintas onde se criam gansos para fazer o famoso "fois gràs" sucedem-se umas às outras. As paisagens têm agora relevos interessantes e estão cultivadas e tratadas. Nos Pirenéus a mudança é mesmo radical. Visitámos Orthez, vila muito interessante, e dirigimo-nos a Sauveterre de Béarn onde acabamos por arranjar quarto já nos arredores, no Manoir Theas, onde nos esperava um simpático acolhimento por parte da Mme. Caroline Allspach. Aqui deixo o link http://www.manoir-theas.com/
E a coisa esteve difícil. É que não há tanto alojamento disponível como em Espanha e às sete da "noite" já não se vê vivalma. País esquisito este onde à uma e meia já é muito tarde para almoçar e às nove da noite corres o risco de ficar em jejum até de manhã!
 
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