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quinta-feira, 18 de abril de 2019

Um Dia no Circo... perdão, na Assembleia da República


Um Dia no Circo... Perdão, na Assembleia da República

A minha primeira experiência na Assembleia foi traumatizante, confesso, e deveu-se a uma indignidade chamada PACC que me fez meter pés a caminho desde Amarante até Lisboa, num já longínquo dia de Dezembro de 2013, tutelava Crato o ministério, estava no poder a coligação PSD/CDS .
No passado dia 16, cumpri o meu segundo dia traumatizante, confesso, a acompanhar os "trabalhos" na/da Assembleia da República à conta da ILC e de novo o mesmo circo, tutela agora Tiago Brandão Rodrigues o ministério, está no poder a geringonça PS apoiada pelo BE e PCP.
Sobre o que assistimos, de cima, das galerias do povo, dou a palavra à professora Susana Dias, destacando o momento de protesto maior dos professores - O ministro começou a falar e nós, professores, começamos a abandonar o hemiciclo. Precisávamos de ar mais fresco e despoluído. Precisávamos de vincar um divórcio. Precisávamos de o informar, de novo, que jamais desistiremos do que é nosso por direito - 9 anos, 4 meses e 2 dias - foi tempo efectivamente trabalhado, é tempo que deverá ser contabilizado para a nossa carreira. Ponto!

"Ontem, saí da Assembleia da República com um sabor amargo na minha consciência. Presenciei uma intenção burlesca de debate sobre as várias propostas de contagem do serviço dos professores. O mais risível foi ver os deputados trocarem galhardetes quando nenhum dos partidos pode lavar as mãos sobre o roubo do nosso tempo de serviço. A certa altura parecia que assistíamos a um circo burlesco onde as bocas ostensivas, os esgares, as mãos levantadas, as risadas escarninhas demonstraram o tom de paródia que o tema tinha ganho! É pá, senti revolta e asco ao assistir aquela cena de tasca de esquina, mais ainda quando o imberbe do ministro da educação tomou a palavra! Que falta de respeito! E levantei-me e saí da galeria. Afinal, era do meu tempo de serviço que se riam, foi tempo que eu dei à escola que transformaram em esgrima intelectualmente desonesta! O ministro imberbe ainda teve coragem de insinuar que a nossa saída devia estar combinada com o PSD!! Mas por acaso pensa que sou/somos paus mandados? Servis de partidos ou ideologias?! Talvez andem muit@s por aí, demasiad@s talvez, mas há muit@s que não hipotecam a sua liberdade intelectual a ninguém! Se for para hipotecar que a apólice seja de reconhecido mérito e dignidade! Se é desta forma que os deputados tratam os restantes assuntos de estado, vou ali e já venho! Desempenham muito mal o cargo para o qual lhe delegamos poder! Nas eleições, que nenhum professor esqueça o roubo do seu tempo de serviço!"

Nota - Pode ver aqui o filme dos acontecimentos contado pela RTP1, a partir do minuto 19.

ILC - A Palavra a Alexandre Henriques


ILC - A Palavra a Alexandre Henriques

Chegou hoje ao fim a vida da ILC, mas atrevo-me a dizer que a ILC ficará para sempre gravada na memória de todos os que acreditaram que era possível fazer mais do que desabafar na sala de professores. Confesso que fiquei surpreendido por apenas o PS ter votado contra, pois os restantes partidos apresentaram projetos próprios para a recuperação integral do tempo de serviço congelado.
Uma palavra para o Bloco de Esquerda e PAN, que votaram a favor da ILC, mostrando coerência com o que disseram ao longo destes meses.
Votos: contra do PS, abstenção do PSD, CDS, PCP e Verdes e votos a favor do BE e do PAN

Em modo de balanço permitam-me a seguinte reflexão…
  • Sempre tive a consciência que a ILC a passar seria um verdadeiro milagre democrático. A nossa jovem democracia ainda não amadureceu o suficiente para que a Assembleia da República veja com bons olhos iniciativas de cidadãos. A tendência para catalogar estes movimentos politicamente, mina logo à partida qualquer iniciativa que até tem uma visão equidistante a nível político. Além disso, a necessidade de ter 20 mil assinaturas, prova que a Assembleia da República não quer muitas destas iniciativas. Os problemas da plataforma mostraram também que a casa da democracia precisa de estar mais aberta e preparada para a voz do povo. Lamento a dificuldade que foi conquistar as 20 mil assinaturas. Num universo de 100 mil professores e sendo este um tema transversal à maioria dos docentes, o tempo e a resistência em conseguir as assinaturas foi uma surpresa desagradável. 
  • Esta dificuldade foi maior, em grande parte, pela aversão dos sindicatos (exceto o S.TO.P que sempre apoiou esta causa) em unir-se aos professores, curiosamente aqueles que representam. Muito foi dito e muito foi feito para prejudicar a ILC, algo que deveria envergonhar uma classe de sindicatos que revelou pouca tolerância para ações externas ao seu domínio. Confundiram claramente a intenção de um grupo de professores independentes, por esquemas e jogadas partidárias ou de roubo de protagonismo. Podiam ter dito que respeitavam a iniciativa e seguiam o seu caminho, infelizmente não foi assim… A ILC teve um adversário inesperado com meios que os professores organizadores nunca tiveram. 
  • A aposta de tudo ou nada e de uma só vez para a recuperação dos 9-4-2 não foi por acaso. Quando se parte para uma negociação, partimos com o objetivo máximo, mas cientes que a ILC seria sempre uma porta a outras propostas ou até a uma alteração no prazo da recuperação, embora que inferior ao que está a ser apresentado. Apresentar um número de anos para a recuperação do tempo de serviço seria contraproducente, até porque sabíamos que essa era uma matéria da competência dos sindicatos e nunca foi nosso intuito calcar os pés de ninguém. 
  • A ILC morreu, mas caiu de pé! Apesar das dificuldades, ficará para sempre a memória de que é possível praticar a democracia. 
  • Por fim, uma palavra de agradecimento a todos os meus colegas que tanto lutaram pela ILC, quer dentro da comissão, quer por esse país fora, provando que é possível unir a comunidade educativa. 
Alexandre Henriques  (este artigo é uma opinião pessoal e não vincula qualquer membro da comissão da ILC)

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Programa para Dia 16-04-2019


Assembleia da República - Lisboa
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Programa para Dia 16-04-2019

Amanhã, a partir das 15 horas, estarei na Assembleia da República para assistir aos trabalhos dos senhores deputados que debaterão e votarão, em sessão plenária, a recuperação/contagem do tempo de serviço para efeito de progressão na carreira dos professores e que decorre dos quase dez anos de congelamento, 9A4M2D para ser mais exacta.
A ILC, Iniciativa Legislativa de Cidadãos, lá estará, atirada para as calendas gregas, numa de tudo ao molho e fé em deus. Relembro que o “Projeto de Lei n.º 944/XIII/3.ª (Cidadãos)” pugna pela “Consideração integral do tempo de serviço docente prestado durante as suspensões de contagem anteriores a 2018, para efeitos de progressão e valorização remuneratória”, contagem integral da qual nunca desistiremos.
Entretanto deixo-vos com o relato feito pelo Paulo Guinote, no Público, sobre as peripécias inacreditáveis da ILC desde que foi parida faz por estes dias um ano.

Quanto aos prognósticos, como dizia o outro, só depois do jogo. E o jogo tem fortes probabilidades de ser coisa indigna.

quinta-feira, 7 de março de 2019

ILC - A Palavra a Alexandre Henriques


ILC - A Palavra a Alexandre Henriques

Do ComRegras.

"A Iniciativa Legislativa de Cidadãos que recolheu perto de 22 mil assinaturas, para propor um Projeto de Lei que possibilita a recuperação integral dos 9 anos, 4 meses e 2 dias, teve um parecer favorável da Comissão da Educação da Assembleia da República.
Sobre o conteúdo, o deputado Porfírio Silva, relator do parecer,  não conseguiu tirar a capa do seu PS, fazendo copy paste das posições públicas do Primeiro-Ministro, alinhando na argumentação falsa da falta de verba quando, ao mesmo tempo, assistimos a baldes de dinheiro para a banca. O argumento de que a recuperação dos 9-4-2 não consta do mandato deste Governo é uma desculpa curta quando, no passado, um compromisso foi assinado para recuperar todo o tempo de serviço congelado. Aliás, quando a banca precisou, os défices foram esquecidos, portanto este (não) argumento não passa de pura tentativa de manipulação da opinião pública – tentativa lamentável de colocar a população contra os professores.
A ILC continua viva! Pessoalmente, pensei que o relator iria dar um parecer mais negativo, embora o senhor Porfírio entenda que esta iniciativa de cidadãos “não representa um contributo positivo”, mas mantém-se assim aberta a porta para que todos os partidos, incluindo o PS,  cumpram com a recomendação feita a este mesmo Governo: a recuperação de TODO o tempo de serviço. Aliás, foi essa mesma recomendação que agora está tão esquecida, que levou à génese da ILC.

P. S – Hoje foi dia de entrega de uma petição com 60 mil assinaturas. Notável sem dúvida! Só que enquanto uns fizeram petições, outros fizeram um Projeto de Lei, enquanto uns pedem ao Parlamento para resolver o problema, outros criaram as condições para que o Parlamento resolva o problema… As diferenças são evidentes e fica o lamento de não termos tido o apoio daqueles que agora pedem o que sempre defendemos. Que sirva de lição para futuras iniciativas e futuros líderes sindicais…"

quarta-feira, 6 de março de 2019

A ILC Vai Mesmo a Plenário!


A ILC Vai Mesmo a Plenário!

E dou quase de imediato a palavra ao Paulo Guinote que já postou exactamente sobre este facto mas não sem antes escrever... sim, é verdade, aqui vamos subindo degraus, contra muitas vontades, algumas até expressas sem um pingo de vergonha na cara, mas a ILC vai mesmo a plenário!

"O deputado Silva, Porfírio de sua graça, não lhe encontrou inconstitucionalidades, embora me pareça no mínimo estranho, quiçá irregular e por certo pouco ético que um relator, depois de duplicar o seu tempo de intervenção na audição pública na Comissão de Educação, use a parte final de um relatório para fazer uma espécie de declaração política partidária sobre o tema sob a capa de “opinião”. Há gente com muito pouco decoro e  escasso sentido de Estado e do seu papel no Parlamento como relator, mas já esperava isso ou mesmo pior. Até final desta semana voltarei ao tema, porque há orelhas que precisam de arder mais, porque há passagens do relatório que omitem factos que são públicos.
Fica aqui o relatório: CE – Relatório Porfírio Silva "

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Texto de Abertura da CEC - Comissão Representativa da ILC


Texto de Abertura da CEC - Comissão Representativa da ILC


Ex.mo Senhor Presidente da Comissão
Senhoras e Senhores Deputados
Senhoras e Senhores Jornalistas
Começamos por saudar todos os presentes e desejar um excelente ano de 2019. Cremos que compreenderão a honra que temos em estar aqui, em nome dos cerca de 22 mil cidadãos que se juntaram à primeira iniciativa legislativa de cidadãos que foi tramitada no site do parlamento com base na nova lei que o permite.
Vamos aproveitar estes 10 minutos para tratar o seguinte:
1 - O conteúdo da Iniciativa Legislativa, a saber os seus 3 aspetos principais:
    1. A contagem integral, de forma célere, do tempo de serviço efetivamente prestado.
    2. Os efeitos da questão técnica que a redação da iniciativa salvaguarda: a existência de vagas para progressão em certos escalões (e de quotas) e que deve ser considerado por quem estude outras soluções mais criativas, sob pena da solução falhar para a maioria dos docentes, ou de os colocar em conflito pelas ultrapassagens em reposicionamentos que não consideram o tempo prestado por quem já estava em determinado escalão.
    3. A ideia de que o atraso e o faseamento na solução só agrava as injustiças. Os professores são credores. O Estado deve tempo de serviço aos professores. Deve, concretamente, 9 anos, 4 meses e 2 dias a cada um de nós. Por isso, a entrada em vigor de uma solução devia acontecer o mais rapidamente possível. Daí a nossa proposta de 1 janeiro de 2019.
2 - O processo burocrático atribulado e a forma como esta iniciativa foi tratada e organizada pelos Vossos serviços.
3 - O problema central de injustiça na forma como a opinião pública e os políticos encaram a situação dos professores. Um assunto que implica a intervenção do Parlamento e não o empurrar para rondas negociais, que os senhores deputados observam à distância e que não passam de simulacros.
Sobre o ponto 2, lamentamos o que passou no processo de recolha de assinaturas no site do parlamento, que nos faz estar aqui hoje, 6 meses depois do que era previsto. Nunca julgámos necessário explicar aos serviços do Parlamento de um país com instituições científicas de 1ª ordem o que era uma amostra aleatória ou como se aplicam, com rigor, as leis que este mesmo Parlamento faz. Por outro lado, ficamos com a certeza de que que as 20 017 assinaturas foram das mais rigorosamente controladas deste parlamento!
Sobre o ponto 3, estamos presos numa armadilha retórica em que comentadores de espaços de comentário na televisão pública, assumem de viva voz e ipsis verbis que não sabem realmente como funciona a carreira docente - que declaram ser complicada de entender - mas não se coíbem de gastar tempo de antena a discorrer sobre ela e os seus pretensos defeitos. Comentar sem conhecer, meus senhores, é muito pouco ético e imoral!
Sobre o ponto 1, todos os partidos aqui representados têm de pôr a mão na consciência perante aquilo que têm andado a fazer aos professores portugueses: o PS lançou a primeira suspensão, o PSD e o CDS seguiram-lhe o caminho no tempo da Troika, e 2 anos da continuidade dessa suspensão já são tempo aprovado do atual Governo. Por isso, não há inocentes na injustiça que se faz aos professores e educadores há 13 anos e meio.
Sobre as nossas motivações, o Preâmbulo da Iniciativa é muito claro:
“Os professores do ensino básico e secundário e os educadores portugueses são um grupo profissional essencial ao progresso e desenvolvimento do país.”
Cremos que nenhum português nega isso. Mesmo aqueles que acham que já somos muito bem pagos. Até os que se excedem nas ofensas, em público e nos media, reconhecem isto.
Prossegue o preâmbulo.
“Durante o período da crise económica e financeira, que resultou em restrições generalizadas de despesas no âmbito da administração pública, deram, à semelhança de outros cidadãos, um grande contributo à solução das dificuldades, sofrendo, sem grande contestação face ao quadro nacional, cortes e reduções salariais, aumento da carga fiscal, agravamento do horário de trabalho e degradação das condições materiais de trabalho resultantes dos efeitos sociais da crise nas escolas, das dificuldades materiais de funcionamento e da falta de recursos nas mesmas.”
A questão do tempo de serviço integral revertido imediatamente é essencial para que os professores não sintam que foram enganados vergonhosamente pelo Estado e que, mesmo tendo sido complacentes no sacrifício durante a crise, não foram ignorados no momento de reparar injustiças.
No meio dos números agregados que somam milhões, o Ministério das Finanças esquece as pessoas concretas. Com serenidade, em solidariedade ao todo nacional, em reação aos cortes, nunca julgámos que o objetivo fosse manter a espoliação, passada a tormenta. Na altura, falou-se em suspensão e não na destruição da carreira docente!
Diz-se que fazer justiça aos professores custa 600 milhões de euros por ano. Essas contas estão provadas e comprovadas? Ou serão antes um número redondo que deu jeito lançar, mesmo sem se conseguirem mostrar as parcelas?
Retomando o preâmbulo:
“Não é aceitável, que outros cidadãos, nas mesmas circunstâncias, tenham visto repostos os seus direitos, temporariamente suspensos e os professores não. Em causa está o desrespeito de Princípios Básicos e Fundamentais de um Estado de Direito Democrático, designadamente os Princípios da Universalidade e da Igualdade.”
Somos solidários com os Enfermeiros, os Médicos, os Oficiais de Justiça, Juízes, Técnicos de Diagnóstico e demais licenciados da administração pública que têm, na essência, o mesmo problema que nós: sendo especializados, custam mais do que o salário mínimo e podem ser sujeitos à demagogia de, num país em que se ganha mal, serem apresentados como uns exploradores que querem ganhar 2 salários mínimos ou até mais do que isso!
Mas atenção que há, efetivamente, uma dívida! Uma dívida assumida pelo próprio 1.º Ministro quando afirmou nesta casa, “Não há dinheiro para pagar aos professores!” Nunca disse que nada se deve aos professores. Claro que o país deve vencimentos cortados e congelados! Mas ninguém está a exigir isso! Exigimos o tempo trabalhado! E que esse tempo se reflita, de forma imediata, nos nossos salários! Não podemos consentir que se faça desaparecer cerca de ¼ da nossa carreira com as consequências negativas que advêm daí!
Há uma lei emanada deste parlamento: o Estatuto da Carreira Docente. O estado de exceção a essa lei já leva 13 anos, e o Parlamento decidiu, com a miragem de umas negociações, prolongá-lo mais um ano.
Há também uma recomendação feita por Vossas Excelências, a Resolução da Assembleia da República n.º 1/2018 que não teve nenhum voto contra!
Enquanto cidadãos, não votámos em sindicalistas! Votámos em deputados para que os senhores exerçam o seu poder soberano e façam escolhas!
O Parlamento existe para fazer Leis e não apenas meras recomendações sem qualquer caráter vinculativo!
Muita coisa se tem escrito sobre a comparação entre as exigências “absurdas” dos professores e o ”desgraçado setor privado”. Fizeram-nos o favor de colocar a circular rumores diversos sobre comparações com outras carreiras - que nada têm a ver com a nossa, na função, na estrutura e nas condicionantes. O Governo insiste em dizer que nos está a “dar”, o que deu aos outros. Uma mentira indigna de quem saiba a tabuada. Mentira despudorada que vem sendo usada, como prática rotineira, há mais de uma década, contra nós, devia ser penalizada politicamente numa democracia que não estivesse disfuncional. E uma mentira, ou inverdade, tantas vezes repetida, até parece que é verdade. Mas não é!
Como somos muitos, fazer-nos justiça custa muito dinheiro. E só isso explica toda esta energia em negar-nos justiça. Não queremos retroativos! Ponto! Nunca pedimos o dinheiro que nos foi tirado. Só pedimos que, quando o tempo começasse a contar, não contasse atrasado mais de 9 anos - neste momento mais de 10. Os relógios acertam-se na hora certa e não nove ou dez anos atrasados!
As nossas organizações sindicais aceitaram negociar, para além do que nos parece aceitável: desde sempre falaram em faseamento, solução que é, na base, sempre injusta para os que ainda têm muito tempo pela frente, e é construída, se o faseamento for uniforme - como aliás, o desconto reposto em tempo para reforma - a pensar mais nos escalões finais do que naqueles que andam nos 40/50 anos de idade.
Um faseamento até 2023 significa que só estaremos no escalão, que nos é devido desde 2018, daqui a 5 anos. Ou seja, continuaremos em perda mais 5 anos!
Comparar o que não é comparável é sempre um meio de manipular e turvar o que devia ser claro. Por isso, as decisões sobre os professores nada têm a ver com o facto de a nossa carreira ser avaliada por módulos de 4 anos. Na verdade, se fosse por pontos, como no SIADAP, neste momento já estávamos todos no sítio certo… Só que não pode ser por pontos. Quem perceba um mínimo disto sabe que não pode ser - mas fala-se muito do que não se sabe e mais ainda do que dá jeito para turvar os debates.
Por isso, não é aceitável que nos digam que a nossa carreira é deixar passar o tempo. Fomos avaliados, tivemos aulas observadas, fizemos centenas de horas de formação e trabalhámos 22/25 horas letivas semanais. Trabalhamos para escola entre 42 a 45 horas semanais. Estamos atolados em burocracia que se agrava todos os anos.
Os compromissos europeus incluem limites ao aumento da massa salarial em cada orçamento, sobre os quais pouco se fala. Caberia aos senhores deputados falarem mais claro sobre isso, em vez de se atacarem os professores, e evitarem encenações orçamentais que já sabem condicionadas. Os professores são pessoas informadas!  
A questão que estamos aqui a discutir não é moral, mas é de justiça e de direito!
Os mais de 9 anos retirados aos professores na sua carreira têm de ser considerados por inteiro, o mais depressa possível. Qualquer faseamento é por si só uma injustiça e se a negociação o trouxer significa atrasar a justiça. Por isso, propusemos reposição total em janeiro de 2019.
E não pode acontecer que, com habilidades administrativas, como vagas para acesso a escalões e avaliações posteriores à prestação do tempo -já avaliado quando foi prestado - se possa chegar ao ponto de ainda atrasar mais o que já está atrasado.
É isto que vimos aqui dizer. É diferente dos sindicatos? Pois é! É por isso que em Portugal não temos um regime corporativo e a nossa Lei Fundamental permite a grupos de cidadãos propor leis aos órgãos de soberania.
Lamentamos que alguns partidos e sindicatos, que muito proclamam as virtudes da participação e da cidadania, tenham feito de tudo para boicotar esta iniciativa até ainda na fase de recolha de assinaturas. Os cerca de 40 cidadãos de todas as cores políticas e feitios, que a lançaram, orgulham-se muito de terem provocado tantos comunicados e terem ultrapassado a barreira comunicacional que foi construída contra eles. Estamos hoje aqui, com uma proposta concreta, e usámos os mecanismos da lei! Fizemos o sistema funcionar!
Aos senhores deputados restam 2 caminhos: continuar este jogo do empurra e adiar, ficando-se pelas recomendações; ou tomar medidas que reponham a justiça, para o que têm poder.
Não são deputados eleitos pelo Povo para entregar a outros as soluções dos problemas, mas para proporem leis que resolvam os problemas!
Mesmo que não aceitem e chumbem a proposta que fizemos, abrimos caminho para outras melhores. O processo legislativo está aberto e, mesmo com negociações a decorrer, podem apresentar outras propostas melhores, mesmo chumbando esta.
A frase não é nossa: A História vos julgará!
Os eleitores brevemente também! Não acreditamos que os portugueses queiram tanto mal aos seus professores como se faz crer na opinião publicada e nas palavras de alguns políticos. Os eleitores respeitam os professores. Acreditamos que, como na frase atribuída a um antigo reitor da Universidade de Harvard, que formou Centeno, sabem bem que quem acha que a Educação é cara, deve experimentar a ignorância!
Que fique bem claro que defender a carreira docente é defender a qualidade da escola pública e da educação! Essa é a razão fundamental de estarmos aqui hoje!
Por isso, aguardámos e lutámos muito para que possam chegar a analisar e votar esta proposta. Esperamos que não a chumbem apenas por comodidade, oportunidade ou abstenção. Se a chumbarem, que seja porque têm uma alternativa melhor que possam votar e aprovar! E não deixem os professores e educadores portugueses à espera, mais um ano, do que é seu por justiça e por direito!
Muito obrigada e muito boa tarde, meus senhores!

Audição na CEC da Comissão Representativa da Iniciativa Legislativa de Cidadãos


Audição na CEC da Comissão Representativa da Iniciativa Legislativa de Cidadãos

Ontem, chegamos onde queríamos chegar, chegamos a quem queríamos chegar, dissemos exactamente o que queríamos dizer, escutamos as belas palavras de apoio à causa da contagem integral do tempo de serviço dos professores, vindas de todas as bancadas parlamentares, excepto do PS, não interrompemos quem quer que fosse, pelo contrário, fomos nós os interrompidos... pelo PS, seguimos os tempos protocolares à risca, nem um minuto a mais, nem um minuto a menos e tivemos que "gramar" um deputado relator do PS a misturar duas funções, a de deputado e a de relator, a exceder-se no tempo, a falar o dobro do tempo do previamente estipulado e a falar chamando a si as suas duas posições sendo que não estava sequer prevista qualquer intervenção para o relator numa clara  subversão das regras democráticas, que não foram elaboradas por nós e foram elaboradas por eles.
Foi uma honra poder, ontem, estar presente na Assembleia da República Portuguesa, na Casa da Democracia desta nossa Nação, numa comissão chamada Comissão da Educação e Ciência, representando mais de 22 mil cidadãos que confiaram na nossa iniciativa e que a apoiaram com actos, neste caso com as respectivas assinaturas.
Não é de somenos importância frisar este facto - Nós representamos milhares de pessoas, milhares de professores, bem mais do que muitos sindicatos de professores todos somados mas atrelados a uma Plataforma Sindical que, apostando tudo na via negocial... ah ah ah... que via negocial?!!!!!... nos trouxe ao sítio onde nós estamos hoje, em que temos belas palavras de apoio de quase todas as bancadas parlamentares e uma mão cheia de nada para mostrar.

Ontem foi o meu momento mais alto enquanto cidadã activa, participante e crítica deste país. Tenho a noção, e assumo, que pertenço a uma elite intelectual deste país que, frequentemente, se demite do exercício da Cidadania, o que também nos traz ao ponto em que estamos hoje. A Cidadania não deve ser uma disciplina imposta e inventada pelo ministério da Educação para ser leccionada meramente nas escolas portuguesas. A Cidadania pratica-se e só assim há verdadeira Cidadania. Pratica-se através das palavras ditas e escritas, pratica-se através das posições assumidas e defendidas, pratica-se através da acção, acção esta que tem de ser exemplar.

Ontem, em plena  Comissão de Educação e Ciência, senti orgulho ao olhar para o lado, para os meus colegas de profissão que esta luta aproximou, de todo o país, e em poder ver-me em tão excelente companhia.
Ontem, em plena  Comissão de Educação e Ciência, senti orgulho pelos restantes três membros desta comissão que não puderam estar presentes mas que nunca, em momento algum, foram por nós esquecidos.
Ontem, em plena  Comissão de Educação e Ciência, senti orgulho por todos os apoios generosamente prestados a esta causa que diz respeito a mais de 120 mil professores, cerca de 80% mulheres, e às suas famílias e que chegaram não só de professores mas também da sociedade civil... por exemplo de pais de alunos que já foram nossos um dia. Nunca o esquecerei! Nunca o esqueceremos!
Ontem, sentada em plena Comissão de Educação e Ciência, senti orgulho em mim própria, nas lutas que já travei, nesta luta que coerentemente ainda travo e que, por certo, será das últimas, será talvez mesmo a última que travarei no que diz respeito à minha profissão.

Finalmente, ontem, sentada lado a lado com as senhoras deputadas e os senhores deputados da Nação, de todos os quadrantes políticos, não pude deixar de pensar que, se não fôssemos nós, eles nunca chegariam ali e que nós somos seus credores duplamente - devem-nos a sua condição e devem-nos 9 anos, 4 meses e 2 dias do tempo de serviço que efectivamente trabalhamos e do qual jamais abdicaremos.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Comissão da ILC Vai Ser Recebida pelo Grupo Parlamentar do PSD


Comissão da ILC Vai Ser Recebida pelo Grupo Parlamentar do PSD

Será amanhã, pelas 15 horas.
Estamos prontos. Continuamos a lutar pelo que é nosso e nos pretendem subtrair. E não acreditamos em simulacros de negociações.

Ora vejamos o que diz Tiago:

Negociar com professores? O Governo tem o seu “próprio calendário"

É caso para dizer... Senhores sindicalistas, fiem-se na virgem e não corram!

No seguimento do pedido de audiência realizado ao Grupo Parlamentar do PSD, cumpre informar da disponibilidade para a realizar cerca das 15h00 (depois da audição na 8ª Comissão), na direção do GP PSD, no edifício principal da Assembleia de República.

Algum tema que surja, não hesite por favor em contactar-nos.
Carla Grou

Carla Grou
Assessora
Gabinete do Cidadão do Grupo Parlamentar do PSD
Tel. 213 917 532 (Ext. 13282) | Tlm. 917 825 479
Palácio de S. Bento – Edifício Novo | 1249-068 Lisboa

ILC - Em Consulta Pública até 14 de Fevereiro de 2019


ILC - Em Consulta Pública até 14 de Fevereiro de 2019

Estamos prontos!

A ILC em Apreciação Pública

Exmos Membros da
Comissão Representativa da iniciativa legislativa de cidadãos – Projeto de Lei n.º 944/XIII, “Consideração integral do tempo de serviço docente prestado durante as suspensões de contagem anteriores a 2018, para efeitos de progressão e valorização remuneratória”.

Informa-se que o Projeto de Lei n.º 944/XIII/3.ª (ILC) já se encontra em apreciação pública, pelo período de 15 de janeiro a 14 de fevereiro de 2019, conforme separata 105 que se anexa.

Aproveita-se para juntar a publicação do aviso em dois jornais nacionais (Público e Jornal de Notícias).

Com os melhores cumprimentos,
A Equipa de Apoio à 8.ª Comissão
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Comissão de Educação e Ciência | Divisão de Apoio às Comissões
Palácio de S. Bento | 1249-068 Lisboa, Portugal
Tel.: +351 21 391 96 54
Anexo: separata 105

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

ILC - Em Directo no Canal Parlamento no Dia 16-1-2019


ILC - Em Directo no Canal Parlamento no Dia 16-1-2019

No próximo dia 16 de Janeiro, estaremos por lá defendendo o tempo de serviço que é nosso.

Pode acompanhar clicando aqui.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Novas da ILC


Novas da ILC 

O prazo para assinar a Iniciativa Legislativa de Cidadãos acaba no dia 16 de Julho.
Neste momento, e para aí com uma semana de pifanço da plataforma de uma das instituições que mais custa ao erário público, a ILC conta com 68% das assinaturas necessárias, que, como já todos sabem, são 20 mil.
Seria bom que a ILC entrasse com 50 mil ou, melhor ainda!, com 100 mil assinaturas ou mais já que, quanto maior for o seu número, maior é a nossa capacidade persuasiva naquela casa que devia legislar tendo em conta os direitos dos cidadãos, neste caso dos professores e não a sua sonegação.

E dizem que não há dinheiro... para quem é assalariado, claro!

Assina a ILC - https://participacao.parlamento.pt/register

domingo, 27 de maio de 2018

ILC - A Palavra a Cassilda Coimbra


ILC - A Palavra a Cassilda Coimbra

"Eu subscrevo e assinei a ILC porque … 

- Não aceito que usurpem o meu trabalho! Tenho servido para subsidiar a imoralidade, a corrupção e o enriquecimento ilícito de alguns, e após me ter sacrificado durante esta última década, não posso conceber que me estejam a oferecer uma esmola repartida no tempo.
- Não usufruí de nenhum perdão fiscal, nem sou acionista de nenhuma grande empresa.
- Não sou, nem nunca fui deputada, não tenho direito a reforma vitalícia, a despesas de representação e outras mordomias.
- Nunca me pagaram um cêntimo para estar em reuniões, em eventos, visitas de estudo, apresentações de projetos (…) fora do meu horário de trabalho.
- Pago os meus impostos e ainda pago muito do meu material para trabalhar.
- Estou cansada de ser manipulada, do desrespeito do ME e dos sucessivos governos.
- Não tenho medo de ninguém, mas tenho medo de um dia só aguentar trabalhar medicada, de andar a arrastar-me pela escola, de ser enxovalhada ou agredida porque não terei a mesma força de agora.
- Não sou licenciada em direito, mas pertenço a uma classe instruída e sei interpretar o que leio: o artigo 19º da Lei do Orçamento é para inglês ver, a Resolução da Assembleia da República n.º 1/2018 serviu para acalmar os ânimos e a proposta posterior de dois anos e uns trocos é indecorosa
- A minha dignidade e valorização profissional não andam ao sabor de agendas políticas!
- O meu voto não é moeda de troca para migalhas em campanha de legislativas
- Está mais do que na hora de mudarmos de atitude. Eu não sou saco de pancada.
- Eu provavelmente não preciso, mas como posso pactuar com a injustiça relativamente a outros tantos colegas?
- Todos nós já passamos por injustiças, não resolve nada continuarmos a chorar sobre o leite derramado. - Estou cansada que permitamos que nos dividam, enfraqueçam e fragilizem.
- Tem de acabar esta mentalidade instituída de professor QE/QA/QZP, Contratado. Somos todos professores.
- Espero que o legado às gerações seguintes não seja uma profissão reduzida à insignificância e ao desprezo coletivo.
- Não decorei meia dúzia de conteúdos, que os meus alunos podem aprender sozinhos no Google. Faço parte de uma classe inteligente, capaz, resiliente.
- Muitos de nós podemos estudar e trabalhar graças ao sacrifício de quem nos educou e formou.
- Respeito o trabalho de quem nos representa, mas não me demito de exercer o meu papel de cidadão e de lutar por mim.
- Não estou à espera que lutem por mim, não me conformo, não assobio para o lado, não permito que me digam o que devo ou não pensar e fazer.
- Sinto orgulho deste ato de cidadania coletivo inesperado, e indesejado por quem nos governa, mas que demonstra, de forma inequívoca, porque somos um modelo para tantas crianças e jovens que educamos."

A ILC Omnipresente

Coabitação Entre Rancho Folclórico e ILC - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães 

A ILC Omnipresente

Assina a ILC - https://participacao.parlamento.pt/initiatives/76

Comigo a ILC vai sempre atrás. E é assim que, em reuniões preparatórias para a Festa Amarantina, ou na esplanada do Café-Bar, em S. Gonçalo, consigo fazer o chamado três em um: divirto-me convivendo com quem gosto, escuto música erudita ou popular e explico o que está por detrás da feitura da ILC e o que levou oito professores, todos zecos, eu incluída, a meterem-se nesta empreitada como se não tivessem mais nada para fazer. Todos somos professores ocupadíssimos, é certo, alguns com presença diária na blogosfera, todos com muitíssimos afazeres, típicos desta altura do ano. Mas o que não somos, nunca fomos e nunca seremos é desistentes. E, por isso, vamos à luta!
Não prometemos nada. Mas, se nada conseguirmos, não ficaremos pior do que estamos neste momento com o ME a só nos querer restituir, do que é nosso por direito porque foi tempo de trabalho cumprido, pouco mais de dois anos de um total de 9 anos, 4 meses e 2 dias e com os sindicatos, unidos em plataforma sindical, irredutíveis, e bem!, na exigência da contagem integral do tempo de serviço. Exigimos o mesmo. Mas como a via negocial, ao fim de dois anos de reuniões, se salda por uma mão vazia e outra cheia de coisa nenhuma, é nossa obrigação tentar uma outra via, a via onde tudo se pode decidir e que detém, por excelência, o poder legislativo deste país.
De relembrar que PS, B e PCP já votaram favoravelmente uma recomendação ao governo no final de 2017 que diz, em última análise, tal como o nosso projecto de decreto-lei - Conte-se integralmente o tempo de serviço dos professores.
Atenção que não estamos a exigir retroactivos dos quase 10 anos em que permanecemos congelados. Já dissemos adeus aos patrocínios forçados, muitos forçados, diga-se de passagem!, para que espíritos santos, sócrates, bavas, mexias, limas, PPPs múltiplas e variadas, duplicações de subsídios de deslocações ou lá o que é do forró em que está transformada a Casa da Democracia Portuguesa... e fico-me por aqui porque o post ficaria demasiado extenso!... para que toda esta gente andasse radiante por um pouco mais de tempo. Só que, agora, dizemos BASTA. Não admitiremos sermos roubados até morrermos. Não admitiremos que um governo dito de esquerda se prepare para nos roubar todos os dias das nossas vidas, num prejuízo intolerável para cada professor e respectiva família.Ou seja, num óbvio prejuízo para o país!

Nota - A partir de um razoável telemóvel é possível assinar a ILC em três tempos! Façam-no! Se concordarem com a justeza da causa.

sábado, 26 de maio de 2018

ILC - Contagem Decrescente


ILC - Contagem Decrescente

https://participacao.parlamento.pt/initiatives/76

Assinaram a ILC, até este momento, 13261! Vou usar o slogan da FENPROF: o tempo de serviço não se negoceia, conta-se!
Tenho dito!

A Festa da Parque Escolar e a ILC


A Festa da Parque Escolar e a ILC

https://participacao.parlamento.pt/initiatives/76

Sim, foi uma Festa! E estou apenas a citar a sua obreira principal! Foi uma Festa e, curioso!, a Festa continua. Ora espreite aqui e abra a boca de espanto.

E depois, relembre as festas que nos arruinaram enquanto país e serviram de justificação para nos roubarem o produto do nosso trabalho tão duramente conseguido.

Assim, assina a ILC! Porque o tempo de serviço de um trabalhador/professor não se negoceia. Conta-se!

quinta-feira, 24 de maio de 2018

"Até Que Ponto Vale a Pena?"


"Até Que Ponto Vale a Pena?"

Hoje dou a palavra ao meu querido colega Paulo Guinote. Certeira. Limpa e cristalina sobre o que se passa há muitos anos na sala de professores.

"Defender os direitos de quem aparece para o cafézinho das 10 ou o cigarrito do meio dia? Que se queixa e tem imensas opiniões, mas intervenção nula na resolução de problemas concretos? De quem ocupa cargos para se sentir bem, mas não para se responsabilizar pelo que falha?"

E eu acrescentaria - Defender os direitos de quem mente com quantos dentes tem na boca só para ficar bem na fotografia da comunidade educativa ou mesmo para te despachar? De quem é tão egoísta tão egoísta que é incapaz de ver para além do seu próprio umbigo e pensar que nós somos um colectivo e não um particular?

E continua o Paulo Guinote e eu faço minhas as suas sábias palavras porque muito embora ele esteja a Sul e eu esteja aqui, bem plantada neste meu Norte, as nossas realidades tocam-se de tal maneira que até impressiona.

"Sim, há dias em que se duvida do esforço colocado em animar uma iniciativa para que todos possam recuperar uma carreira. Incluindo quem espera que os outros façam, que os outros resolvam, que os outros saibam e expliquem. Há quem o mereça, mas há quem nem por isso.
Mas, pelo menos, recuperando os quase dez anos de serviço, pode ser que algumas pessoas possam ir à sua vida, com um mínimo de dignidade material. E deixem de ocupar espaço, atrapalhar, fazer parte do problema, abster-se de intervir deixando tudo a quem ainda acha que há serviços mínimos de funcionamento (mesmo que seja para ouvir bocas).
Sim, há dias em que apetece descrever o quotidiano real, contra as reservas sempre colocadas em relação a esse tipo de diário. Mas, de petizada descontrolada por completo desnorte parental, e que por isso acha que tudo pode fazer, a malta com pós-graduação em conversa de esplanada ou doutoramento em chá e bolachinhas, há dias em que apetece mesmo fazer o retrato de certas criaturas que, se não se mexem, ao menos não atrapalhem."

É isso, gente, pelo menos não atrapalhem! E, por favor, podem crer que, se esta iniciativa tiver êxito, o tempo de serviço não é todo para mim e para os outros cavaleiros e cavaleiras promotores desta ILC. Eu, eles e muitos outros, a quem já se juntou inclusivamente uma encarregada de educação de um (ex)aluno meu que tem lutado pela ILC como muitos milhares de professores não o fazem, estamos mesmo a pensar num colectivo de uma classe, esquisito, é verdade!, que tem no seu seio verdadeiros mortos-vivos... ou será que são vivos-mortos? (E agora estou a pensar muiiiiiiiito para além da ILC... talvez um dia, mais tarde, por certo, conte aqui umas histórias deprimentes que não são nada de encantar.
Ok?

Nota - Adoro ler o Guinote porque conhecendo-o há muitos anos e nem sempre concordando com o que ele pensa e escreve sei-o honestíssimo na sua escrita. No quintal dele, não contem com fretes.

domingo, 20 de maio de 2018

Manif - 19 de Maio de 2018


Manif - 19 de Maio de 2018 - Lisboa
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Manif - 19 de Maio de 2018

Desde o tempo daquela ministra da educação, cujo nome eu não nomeio neste blogue por motivos sanitários, que fui praticamente a todas as acções de luta decretadas por sindicatos, movimentos de professores - Bom rever-te ontem, Ilídio Trindade! - grupos de professores "amarelos" lutando pela defesa do par pedagógico de EVT, vigílias pela noite fora pela mesma causa, lutas contra a PACC com idas para a DREN e para o Parlamento e eu sei lá mais o quê. Nestas lutas incluem-se, como não podia deixar de ser, as manifestações.
Não sei se a manifestação de professores de ontem se situa na terceira maior em número de manifestantes ou se ocupará a quarta posição no ranking das maiores em que participei em toda a minha vida mas, uma coisa é certa, a manifestação de ontem foi gigantesca atendendo a que já não somos 120 mil professores, atendendo a que o corpo docente está incomparavelmente mais velho do que há dez anos atrás, atendendo às "novelas" tristes que parecem interessar a cada vez mais pessoas, professores incluídos, alienando-as do que é realmente importante para si próprios e para o colectivo e que é a defesa dos seus direitos, tão durantente connseguidos, com unhas e dentes.
Posto isto, asseguro-vos que a manifestação de ontem foi uma das maiores em que participei em toda a minha vida.
Agora, sinto orgulho por ter participado em mais esta jornada de luta que, para mim, se faz nestas ocasiões e em todas as outras, quer seja saindo à rua pelo meu pé, quer seja saindo à rua pelo meu teclado.
A luta continua. Assina a ILC. Aqui.
 
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