terça-feira, 19 de dezembro de 2023

À Atenção dos Meus Alunos - Sala de História/Centro de Recursos da Agora Escola Básica Teixeira de Pascoaes


Quando eu cheguei à escola... belos tectos!
Primeira etapa de intervenção na Sala de História


Sala de História - Antes, Durante, Depois
Fotografias de autorias variadas mas quase todas minhas

À Atenção dos Meus Eternos(as) Alunos(as) - Sala de História/Centro de Recursos da Escola Básica Teixeira de Pascoaes

Informo todos os meus alunos que esta específica sala, outrora a menina dos nossos olhos, tão bem cuidada por tantos de nós que deram o corpo ao manifesto para a converterem num espaço acolhedor e útil do ponto de vista físico e pedagógico, vai agora ser definitivamente desmantelada.

A gota de água que fez transbordar o meu copo, agora em definitivo, foi mais um ano consecutivo de aulas espalhadas por todas as indiferentes salas dos muitos pavilhões que percorro de novo este ano lectivo e que nada acrescentam à minha actividade pedagógica e que prejudicam até o meu trabalho em sala de aula já que me criam areias na minha engrenagem de Professora de História, prejudicando, consequentemente, também, as aprendizagens dos meus alunos, especialmente os do sétimo ano de escolaridade, pela destruição da magia do momento em que a chave dos dois armários rodava e abria aquelas portas de onde saíam peças tão importantes que lhes deixavam os olhos incrivelmente brilhantes e arregalados, prenhes de curiosidade.

A gota de água foi também verificar que as maquetas, que deram tanto mas tanto trabalho a tantos alunos que me passaram pelas mãos ao longo dos anos, estão já em acentuado estado de degradação que eu não posso admitir. Antigamente aquela era a "minha" sala, a que eu vigiava, cuidava, acarinhava... a que servia para colocar em prática uma disciplina que à época não existia - Cidadania de seu nome - e que agora não passa de uma sala mono, sem dono, terra de ninguém, que nada acrescenta a quem devia acrescentar, num esbanjamento de recursos que me dói até à medula.

Decididamente não tenho o espírito daquela matriz idealizada e negativa da "funcionária pública" que gosta de deixar andar e faz bastante por isso.

Assim, alunos e alunas que por lá mantêm as maquetas e materiais diversos realizados em vossas casas - usando os vossos materiais, correspondendo por inteiro aos desafios desta professora que um dia sonhou uma escola diferente e começou pela "sua" sala de aula - podem combinar comigo para que vos possa restituir os trabalhos antes que estes fiquem completamente espatifados.

Eu própria vou trazer para minha casa todos os materias que são meus e que, um dia, feita parva, ponderei deixar de oferta a esta escola a que já chamei Home mas que não o é mais, muito pelo contrário, apesar dos meus amores que reencontro sempre que abro as portas das salas de aula.

Recheada com materiais diversos e pertinentes para o ensino da História, muitos da minha propriedade e por mim adquiridos propositadamente ao longo de tantos anos, outros que me foram oferecidos por colegas de outras escolas próximas e até de escolas muito distantes, e outros realizados pelos alunos, tantas e belas maquetas só para relembrar um exemplo, a Sala de História tem agora como destino o seu desmantelamento, progressivo mas decidido e inabalável.

Relembro - entrem em contacto comigo caso queiram reaver os vossos materiais. Caso pretendam deixá-los onde agora se encontram saibam que a responsabilidade da sua degradação ou mesmo da sua destruição não será minha.

domingo, 17 de dezembro de 2023

Post Dedicado à Escola Pública Moribunda

 


Post Dedicado à Escola Pública Moribunda

Sem mais.


Juro Que Tentei, Todos os Dias da Minha Vida, Fazer da Minha Escola/Agrupamento Um Local Melhor


SEXTA-FEIRA, 13 DE SETEMBRO DE 2019



Juro Que Tentei, Todos os Dias da Minha Vida, Fazer da Minha Escola/Agrupamento Um Local Melhor 

O que acima afirmo pode ser comprovado pelo muito trabalho realizado a desoras tendo sempre na mira os "Meus" Alunos e, pelo caminho, os alunos dos outros também.
Juro que "quase"consegui alterar uma Escola Pública com que não me identifico por ser terra de ninguém, terra sem alma, portanto, e que tentei fazer mais e, acima de tudo, tentei afincadamente fazer melhor.
Juro que repetia tudo. 
Ao longo da minha vida construí uma reputação à prova de bala. Nascida em Amarante, a leccionar há décadas em Amarante, o meu zelo e o meu profissionalismo continuam a falar por mim junto dos meus alunos e dos familiares dos meus alunos, dos filhos dos juízes, dos filhos dos sapateiros, dos filhos dos professores, dos filhos dos operários da construção civil, dos filhos dos médicos, dos filhos dos comerciantes... que me foram passando dentro da Sala de Aula ao longo de todos estes anos. Abrigo-me neles e no cuidado e carinho que me demonstram, especialmente em contexto de perda gigantesca - a de um Pai Sempre Presente... abrigo-me em quem me importa e nunca saiu de ao pé de mim, nos carinhos demonstrados, nas preocupações sentidas e verbalizadas junto da minha pessoa, na indignação sentida por terceiros que me levam a crer que não, eu não estou louca... quase quase a colocar um ponto final nesta profissão que continuo a amar desalmadamente porque a escolhi em consciència... sendo que podia ter sido outra coisa qualquer...  
Dei o corpo ao manifesto. Pelos Alunos e pela Escola Pública que só entendo e aceito de qualidade máxima.
Já recebi o meu prémio de mérito - um processo disciplinar que se continuará a desenrolar em quadra natalícia... porque eu mereço.

https://anabelapmatias.wixsite.com/historiaemmovimento
https://historia7anabelamagalhaes.blogspot.com/
https://padlet.com/anabelapmatias/hist-ria-aulas-7-ano-escola-b-sica-de-amarante-jc0vfg5txx5o
https://anabelapmatias.blogspot.com/search?q=sala+de+hist%C3%B3ria
https://anabelapmatias.blogspot.com/2014/07/sala-de-historia-contextualizacaoagrade.html
https://anabelapmatias.blogspot.com/search?q=pavilh%C3%A3o+4

E hoje recupero um texto antigo, em tempos partilhado neste blogue, mas que continua actual. 
Chama-se "Educação e Vida"

Hoje posto um vídeo belíssimo com fotografias de um dos fotógrafos que eu mais admiro a nível mundial, e que por diversas vezes já referenciei neste blogue - Gregory Colbert. O texto, em português do Brasil, é sem dúvida muito pertinente ao nível das práticas educativas que precisam, de facto, de novos paradigmas neste nosso século XXI.
Um é a partilha. A partilha do saber, do conhecimento, a partilha das práticas e da experiência, a partilha das emoções. Já falei sobre isto anteriormente e continua a fazer-me confusão a não saída, do que quer que seja, de dentro para fora da sala de aula. Apesar dos riscos envolvidos, eu que o diga que já os senti bem na pele, acredito que a melhoria do ensino passa obrigatoriamente por uma abertura que ainda só desponta aqui e ali, acredito que a melhoria do ensino passa obrigatoriamente por uma partilha generosa, desinteressada e madura que igualmente ainda mal desponta aqui e ali. Da partilha resultará uma enorme evolução profissional. Acredito nisto. Porque se uns fazem bem aqui, outros fazem bem acolá, e é deste contacto com práticas diferenciadas que nasce a inspiração colectiva. Acredito mesmo nisto. E por isso pratico a partilha.
Outro é o não ter medo perante os novos desafios que nos vão sendo colocados, a nós que já temos alguma idade, mas que não podemos estancar no tempo, porque estancar é ter direito ao nosso certificado de óbito precoce em todos os aspectos da vida. Vida profissional incluída. Também acredito nisto. Recuso-me a ser uma professora obsoleta. Mais, recuso-me a ser uma pessoa obsoleta.
O outro é o trabalho colaborativo. Confesso que neste campo as escolas em geral, a minha em particular, não promove este tipo de trabalho. Tanta hora se escoa em horas de Departamento e não há horários para trabalho com os pares, neste caso com o meu grupo de História, o que faz com que cada um trabalhe para si próprio, e para as suas turmas, no mais profundo isolamento. Também não há horários para trabalho entre diferentes departamentos o que faz com que os esforços a este nível sejam isolados, desgarrados e muitas vezes percam eficácia. Eu, pessoalmente, continuo a sentir enormes carências e falhas ao nível das novas tecnologias que vou tentando colmatar, como posso, recorrendo ao meu 112 informático, chamado Helder Barros, que me vai dando uma dicas sobre como fazer isto ou aquilo através do msn, ou mesmo lá na escola quando conseguimos conciliar disponibilidades. Obrigada Helder, obrigada por aturares a melguita! Ou seja, e para concluir, se eu sinto que progrediria muito mais, enquanto profissional e enquanto pessoa, com mais partilha entre nós e mais trabalho colaborativo, outros sentirão o mesmo, não? Aqui fica a pergunta.


Nota - Outras reflexões à volta desta temática da partilha, tão cara para mim, podem ser lidas se clicarem aqui.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Três em cada quatro professores dizem que já foram vítimas de assédio moral

 


Três em cada quatro professores dizem que já foram vítimas de assédio moral

O estudo data de 2003 e apresenta dados deveras preocupantes que pode consultar aqui

Hoje seria pior.

domingo, 10 de dezembro de 2023

Grão da Mesma Mó


Grão da Mesma Mó

Coloquem o som no máximo. Cantem. Dancem. Interiorizem. E é isto. Hoje dou a palavra ao Sérgio Godinho que é também a minha.


"Não sei se estão a ver aqueles dias 

Em que não acontece nada sem ser o que aconteceu e o que não aconteceu 

E do nada há uma luz que se acende 

Não se sabe se vem de fora ou se vem de dentro 

Apareceu  


E dentro da porção da tua vida, é a ti 

Que cabe o não trocar nenhum futuro pelo presente 

O fazer face a face que se teve até ali 

Ausente, presente  


Vê lá o que fazes, há tanto a fazer 

Fazes que fazes ou pões sementes a crescer? 

Precisas de água 

Terra também

Ventos cruzados e o sol e a chuva que os detém 

Vivida a planta 

Refeita a casa 

É o espaço em branco 

Tempo de o escrever e abrir asa 

E a linha funda, na palma da mão 

Desenha o tempo então 

Desenha o tempo então  


Mas há linhas de água que cruzas sem sequer notares 

E oh, estás no deserto 

E talvez no oásis, se o olhares 

E não há mal, e não há bem 

Que não te venha incomodar 

Vale esse valor? 

É para vender ou comprar?  


Mas hoje questões éticas? 

Agora? 

Por favor 

Que te iam prescrever 

A tal receita para a dor 

Vais ter que reciclar 

O muito frio e o muito quente 

Ausente 

Presente  


Vê lá o que fazes, há tanto a fazer 

Fazes que fazes 

Ou pões sementes a crescer? 

E a linha funda, na palma da mão 

Desenha o tempo então 

Desenha o tempo então  


Um curto espaço de tempo 

Vais preenchê-lo 

Com o frio da morte morrida 

Ou o calor da vida vivida? 

Não queiras ser nem um exemplo 

Nem um mau exemplo 

Por si só 

Há dias em que é grão da mesma mó  


E a senha já tirada 

Já tardia do doente 

Dez lugares atrás 

E pouco a pouco à frente 

E cada um falar-te das histórias da sua vida 

Feliz, dorida  

Vê lá o que fazes 

Há tanto a fazer 

Fazes que fazes 

Ou pões sementes a crescer? 

Precisas de água 

Terra também 

Ventos cruzados 

E o sol e a chuva que os detém 

Vivida a planta 

Refeita a casa 

E espaço em branco

Tempo de o escrever e abrir asa 

E a linha funda, na palma da mão 

Desenha o tempo então 

Desenha o tempo então  


E explicaram-te em botânica 

Uma espécie que não muda a flor do fatalismo 

Está feito 

E se até dá jeito alterar 

Só por hoje o amanhã 

Melhor é transfigurar o amanhã com todo o hoje 

E as palavras tornam-se esparsas 

Assumes 

Fazes que disfarças 

Escolhes paixões 

Ciúmes 

Tragédias e farsas 

E faças o que faças 

Por vales e cumes 

Encontras-te a sós, só 

Grão a grão 

Acompanhado e só 

Grão da mesma mó 

Grão da mesma mó 

Grão da mesma mó 

Grão da mesma mó"

Hoje Volto aos Direitos Humanos


Imagens surripiadas na net

Hoje Volto aos Direitos Humanos

E volto a postagem antiga mas sempre actual. Infelizmente.

SÁBADO, 10 DE DEZEMBRO DE 2016

Dia Internacional dos Direitos Humanos

Imagens surripiadas na net

Dia Internacional dos Direitos Humanos

Comemora-se hoje. Mas todos os dias deveriam ser de salvaguarda dos Direitos Humanos.
Volto sempre a este vídeo. Gostaria de ver estes princípios propagados pelo mundo como um vírus. Porque em dias de tanta incerteza mundial, em que se avistam tantas nuvens sombrias, urge... se urge!... voltar a estes princípios básicos que devem nortear a nossa passagem, sempre efémera, pela nossa casa comum - a Terra.

sábado, 2 de dezembro de 2023

A Palavra a Paulo Guinote e que Também É a Minha

 



A Palavra a Paulo Guinote e que Também É a Minha

E sim, isto mina o trabalho nas escolas. Todos os dias, sem parar.

Por isso, quando chegarem as comemorações do cinquentenário do 25 de Abril, estou inclinada a ir para a minha escolinha agarrada ao meu Salgueiro Maia e a gritar por socorro!

"(...) Uma questão em que quase ninguém toca, no plano político, é o da morte matada da Democracia nas Escolas, nas quais se quer que se transmitam aos alunos “valores e competências que lhes permitem intervir na vida e na história dos indivíduos e das sociedades, tomar decisões livres e fundamentadas sobre questões naturais, sociais e éticas, e dispor de uma capacidade de participação cívica, ativa, consciente e responsável” (Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória. Lisboa, ME/DGE, 2017, p. 10), mas onde a sua prática foi esmagada em nome de um modelo de gestão escolar único, fechado sobre si, rígido, hierárquico e que nega todos os princípios e ideais de trabalho colaborativo. 

Flexibilizar do modelo, abrindo-o a alternativas, como soluções colegiais de gestão ou a eleição livre das lideranças intermédias pelos pares seria um bom início.  “Alguns ambientes de trabalho encaram a liderança apenas em termos de autoridade posicional – a organização é liderada por chefias de alto nível e, quanto mais se desce na hierarquia, menos as pessoas são consideradas líderes. Essas organizações estão a desperdiçar 90% do seu poder intelectual. A liderança saudável tem menos a ver com pessoas sentadas no topo a tomar decisões isoladas e mais a ver com indivíduos em todos os níveis da organização ajudando-se a alcançar o sucesso”. (P. Gamwelle J. Daly, Teachers Are Fleeing: 5 Ways to Boost Retention, 19 de Abril de 2022) (...)"

Para ter acesso ao artigo por inteiro, clique aqui.

 
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