quarta-feira, 21 de novembro de 2018

A Escola Portuguesa do Século XXI (?) no País do Web Summit


A Escola Portuguesa do Século XXI (?) no País do Web Summit 

Palhaços de políticos! E por agora é só isto.

"Computadores nas escolas públicas são cada vez menos e mais velhos A aposta nas salas de aula do futuro, com 40 destes espaços criados em 26 agrupamentos e escolas não agrupadas desde 2014, contrastam com o envelhecimento e redução do número de computadores disponíveis por aluno em todo o país. 
Segundo o CNE, em 2016-2017, com um total de 302.415 computadores, havia menos 134.445 computadores do que em 2014-2015 (436.870), "o que corresponde a uma quebra de 31%, sendo o sector público o mais afectado".     
Em 2016-2017 12% dos computadores disponíveis não tinham ainda ligação à internet e a grande maioria eram computadores de secretária e não portáteis."

Suspeita de Subornos na Parque Escolar?

Imagens retiradas da net


Suspeita de Subornos na Parque Escolar?

Confesso, nós, nas escolas, fomos completamente apanhados de surpresa! A sério! Nuuuuunca suspeitamos! Não no governo de Sócrates, não no consulado daquela pessoa hiperfofinha que eu não nomeio neste blogue.

Existe uma novela feia, sobre o tema Parque Escolar, que pode ser acompanhada se clicarem aqui.

Entretanto, o artigo saído hoje, no Observador, aponta para a existência de várias pessoas constituídas arguidas à conta de gente que parece que pagou subornos a gente que se deixou subornar. Parece!
É um fartar vilanagem que a teta do orçamento tudo permite excepto... pois, excepto honrar compromissos com quem trabalha a bom trabalhar.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

De Trapalhada em Trapalhada Até à Trapalhada Final?


De Trapalhada em Trapalhada Até à Trapalhada Final?

E é assim que este ministério/governo está a ser abandonado por todos... até pelos deputados do PS.
Agora foi na Madeira.
É caso para dizer que este ministério não acerta uma.

Madeira dá parecer desfavorável ao “apagar” do tempo de serviço dos professores

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Faltarão Professores Num Futuro Próximo?

 Leitura matinal - S. Pedro - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Faltarão Professores Num Futuro Próximo?

Hoje, a leitura matinal foi feita também de parangonas em torno da Educação.
O Alexandre Henriques já explicou tudo muito bem explicadinho, com recurso a gráficos e tudo, em post escrito no seu blog ComRegras.
Com efeito, a classe está muito envelhecida e, para constatar tal facto, basta apenas entrar numa qualquer sala de professores deste país. Prevê-se que, nos próximos quinze anos, 2/3 dos professores portugueses se reformem. Isto se os professores portugueses não decidirem abandonar o balanço em mar encapelado que os tem deixado, a muitos, à beira de um ataque de nervos... e à beira do vómito.

Faltarão Professores Num Futuro Próximo? Pois estou convencida que sim. Porque só alguém muito muito louco quererá ser professor hoje em dia.

Veja-se o meu caso, anos e anos a dar o litro, entusiasmada, pela minha profissão. É que nem mesmo a MLR me derrubou e, no entanto, hoje, sabendo o que sei hoje, se voltasse atrás, não tenho dúvidas, só se fosse muito muito louca escolheria ser professora.

A Palavra e a Acção ao S.TO.P


A Palavra e a Acção ao S.TO.P

Só posso subscrever a indignidade da lamentável e desprezível porc(t)aria de 3 de Agosto emanada de um ministério que devia ser o da Educação.
Força aí, S.TO.P! Impugnemos a porc(t)aria!

"Colegas, o S.TO.P. em junho/julho passado ousou FAZER O QUE AINDA NÃO TINHA SIDO FEITO pela classe docente, com uma greve às avaliações que só não foi vitoriosa porque o S.TO.P. esteve sozinho - quase sem logística/ sócios -, contra vários poderes instalados. 

CONTINUAMOS a querer fazer o que ainda não foi feito pela nossa classe docente, por isso trabalhámos e conseguimos uma parceria com um dos melhores escritórios de advogados do país na área do direito laboral (E. Garcia Pereira). 

Assim sendo, para além do processo conjunto contra o ME (e alguns diretores) - pelas ilegalidades cometidas em junho/julho -, depois de ter estudado a portaria de 3 de agosto, irá também avançar com uma IMPUGNAÇÃO À PORTARIA (a qual tenta mudar, de uma forma ignóbil, as regras de funcionamento dos Conselhos de Turma). 

A nossa classe merece um melhor sindicalismo (verdadeiramente democrático e independente) e os melhores advogados do país. 

Este sindicalismo para crescer, como NÃO RECEBE APOIOS DOS PARTIDOS, governos ou de empresas, precisa que mais professores se SINDICALIZEM para que, cada vez mais e melhor, possamos defender a Escola Pública e devolver à classe como esta verdadeiramente merece. 

JUNTOS SOMOS + FORTES"


Idiossincrasias Políticas Amarantinas

Quadro retirado daqui

Idiossincrasias Políticas Amarantinas

Hoje estive a consultar a estratégia municipal amarantina para as adaptações às alterações climáticas em https://www.cm-amarante.pt/pt/estrategia-municipal-para-as-adaptacoes-as-alteracoes-climaticas.
A estratégia está bonita e foi, confesso, um gosto lê-la e saber que o município está atento a estas questões que tanto apoquentam a Humanidade... ok, só não apoquentam o Trump e outros que tais que as negam, convictos... ceguinho seja eu!... ceguinhos sejamos nós!

E a estratégia municipal traça 6 objectivos nucleares que são, e passo a transcrever:

"• Reduzir a vulnerabilidade e aumentar a resiliência aos eventos decorrentes das alterações climáticas, em especial aos fenómenos extremos;
• Dotar o município de conhecimentos relativamente às alterações climáticas e à predisposição a eventos climáticos extremos, e respetivos impactos adversos sobre a segurança de pessoas e bens;
• Aumentar o nível de proteção, recuperação e valorização dos ecossistemas e melhorar o conhecimento sobre o ambiente;
• Definir formas de integração da adaptação nos instrumentos de gestão territorial de âmbito municipal;
• Sensibilizar para a mudança de comportamentos e divulgar as medidas adaptativas reforçando a participação pública;
• Melhorar a qualidade de vida da população amarantina."

Congratulo-me por verificar que, em inúmeras situações, os nossos políticos locais estão a trabalhar afincadamente na melhoria da nossa qualidade de vida, sempre atendendo às alterações climáticas previsíveis para os próximos anos.

Assim e apenas a título de exemplo:
  • Entrada pela Ínsua dos Frades adentro com máquinas que, abrindo uma  generosa clareira, em parte a esventraram. Fizeram bem porque a referida Ínsua nem é um dos locais dos mais críticos e dos mais frágeis que por Amarante existem (ver mais aqui);


  • Impermeabilização completíssima do Largo de S. Pedro com maravilhoso tapete granitado, o espaço público agora embelezado com simbologia católica paga pelo erário público (municipal) - perdoai-lhes, Senhor, que eles não sabem o que fazem, nem leram a Constituição de Portugal! - que configura uma medida supimpa para aumentar, de forma gigantesca!, a eficiência energética desta nossa cidade, aumentando a sua temperatura já explosiva... sempre útil num tempo em que os dias passam cada vez mais tórridos como pode ser comprovado em fotografia anexa, captada neste nosso centro histórico. Com efeito, se no Verão, já podíamos cozinhar ovos numa frigideira, em poucos minutos, na Praça de S. Gonçalo, agora temos não uma! mas duas! frigideiras gigantes, vá lá... com nomes de santos... vá lá, sejamos rigorosos... um é "apenas" beato! Ao mesmo tempo, a medida é o dois em um pois, para além de aumentar a temperatura do centro histórico de Amarante, aumenta ainda a concentração de radão com tanto granito aplicado de forma tão mas tão artística o que é sempre excelente para a saúde de todos nós! (ver mais aqui e aqui.)

  • Recolha de excrementos de pombo ao ar livre, amontoados em pleno passeio pedonal, na rua mais antiga da cidade, bem no coração do centro histórico. Quais pombais de Trás-os Montes, ponham-se a pau que não têm a mínima hipótese em qualquer concurso de beleza da coisa! Quando chove, e as chuvas serão cada vez mais raras mas violentas, é uma beleza ver as escorrências de merda amolecida, passeio abaixo e, quando está tempo tórrido, e será cada vez mais tórrido, é ver a merda ressequida, quiçá fossilizada, em processo altamente inovador e revolucionário porque parece que combate as alterações climáticas de modo altamente eficaz... dizem! Porque as alterações climáticas olham para o postal turístico, não gostam dele e fogem daqui a sete pés, alas que se faz tarde!  
  • Também dizem, mas eu não sei, que a concentração de urina pelas quelhas amarantinas é um poderoso meio de combate às alterações climáticas... por causa dos vapores que sobem, sobem e embriagam tudo com os seus odores, embriagando as próprias alterações climáticas, pois então elas, espertinhas, pensavam que se viam livres de tão exótico perfume... mas não! (ver mais aqui).
  • Por último, e para não vos maçar muito, a autarquia continua o seu combate contra as árvores, abatendo-as a torto e a direito, agora em frente ao cemitério, em frente ao café Conde... depois da beira rio, do Largo de S.Pedro e o mais que agora não lembro. Faz bem. As árvores impedem as vistinhas e a sua existência é altamente nociva provocando mesmo alterações climáticas brutais que se fazem sentir a nível planetário. (Um dia destes prometo que vou fotografar os tocos das árvores... )

A Palavra a Santana Castilho Sobre a Saga dos Professores Contratados


A Palavra a Santana Castilho Sobre a Saga dos Professores Contratados

"Garcia Pereira escreveu (Notícias Online do passado dia 8) sobre a outra face do crescimento do emprego. Sob o título “Trabalhadores ou Escravos?”, num texto sólido e bem documentado, Garcia Pereira citou factos colhidos de estatísticas oficiais: 28,1% dos trabalhadores portugueses têm um salário liquido mensal igual ou inferior a 599 euros; 31,5% ficam entre os 600 e os 899 euros; em 28 países da Europa, Portugal é o 4.º com horários de trabalho mais extensos; em 35 países estudados pela OCDE, Portugal é o 13.º com maior carga fiscal; 1,8 milhões de portugueses são pobres e 2,4 milhões estão em risco de pobreza.

É a este miserável pano de fundo que se soma a saga dos professores contratados, lesados nos descontos para a segurança social pela anarquia e pelo livre arbítrio das instituições (a mesma circunstância contratual dá azo a descontos diferentes, calculados por algoritmos errados, que variam de sítio para sítio).

Tentemos falar do factual, no contexto de um enorme emaranhado de normativos, que facilitam a pulsão kafkiana dos que mandam, no caso em apreço directores de agrupamentos e Instituto de Gestão Financeira da Educação. Com efeito, para entender de que se trata há que compulsar, pelo menos, entre outros normativos, a Lei n.º 110/2009, que estabelece o Código dos Regimes Contributivos do Sistema Previdencial de Segurança Social, o Decreto Regulamentar n.º 1-A/2011, que a regulamenta, e os seis diplomas que, sucessivamente, o foram alterando: Lei n.º 64-B/2011, Decreto Regulamentar n.º 50/2012, Decreto Regulamentar n.º 6/2013, Decreto Regulamentar n.º 2/2017, Decreto-Lei n.º 93/2017 e Decreto Regulamentar n.º 6/2018. Assim, de perder o fôlego!

O que está em causa é saber se um professor contratado com um horário lectivo incompleto pode ser considerado a tempo parcial e, por essa via, ver averbados, em sede de Segurança Social, menos do que 30 dias de trabalho em cada mês. E não pode. Com efeito, os professores contratados nesta circunstância são-no ao abrigo de um contrato resolutivo a termo certo e não em sede de contrato a tempo parcial, sendo que o n.º 2 do artigo 76.º do Estatuto da Carreira Docente reza assim:

“O horário semanal dos docentes integra uma componente lectiva e uma componente não lectiva e desenvolve-se em cinco dias de trabalho.”  Por outro lado, a Lei n.º 7/2009, que reviu o Código do Trabalho, estabelece como segue, nos artigos e números citados:  .“Artigo 150.º (noção de trabalho a tempo parcial).  3 - O trabalho a tempo parcial pode ser prestado apenas em alguns dias por semana, por mês ou por ano, devendo o número de dias de trabalho ser estabelecido por acordo.  Artigo 153.º (forma e conteúdo de contrato de trabalho a tempo parcial).

1 - O contrato de trabalho a tempo parcial está sujeito a forma escrita e deve conter:
b) Indicação do período normal de trabalho diário e semanal, com referência comparativa a trabalho a tempo completo.
2 - Na falta da indicação referida na alínea b) do número anterior, presume-se que o contrato é celebrado a tempo completo.”
Termos em que, no caso dos professores, um horário lectivo incompleto não pode ser considerado como trabalho a tempo parcial
O que supra escrevi acompanha, no essencial, a sentença do Tribunal Administrativo e Fiscal de Sintra, produzida a 29 de Maio transacto, na sequência de uma acção administrativa interposta por um professor. O docente reclamou a contabilização de 30 dias de trabalho em cada mês, para efeitos de prestações à Segurança Social, durante o decurso do contrato a termo, com horário lectivo incompleto, que havia celebrado com um agrupamento de escolas. O tribunal deu-lhe razão.

Sobre o contencioso descrito, que se arrasta há anos e tem prejudicado muitos milhares de professores, houve recentemente três projectos de resolução apresentados na AR (PCP, BE e PSD), tendo sido rejeitados os do PCP e BE e aprovado o do PSD. Em todos, o PS votou contra, significativamente exibindo, uma vez mais, o seu militante desprezo pelos docentes e a sua profunda perfídia política."

sábado, 17 de novembro de 2018

Confesso, o Ministério da Educação Mete-me Nojo


Confesso, o Ministério da Educação Mete-me Nojo

Porque se chama da Educação e não tem decência. Porque tutela os professores mas os professores portugueses, por certo, são por ele vistos como carne para canhão ou como uma escumalha mais escumalha das escumalhas de alvo a abater.
Não saberá esta gente que os professores são gente? Filhos de alguém, pais de alguém... ?

De resto, gosto em ver-vos em acção, caríssimos professores de História, Armando e Pedro! E parabéns ao S.TO.P por não ter desistido de se fazer ouvir, batendo-se pela Justiça.

Professores com horários incompletos contestam "anarquia" nos descontos para a Segurança Social

É Um Pássaro? É Um Avião? Não... É Mesmo a Cidadania, Estúpido!

Cartoon de Paulo Serra

É Um Pássaro? É Um Avião? Não... É Mesmo a Cidadania, Estúpido!

É um pássaro? É um avião? Não, é mesmo um ovni chamado ILC, que paira e volta a pairar e que até rodopia, nos céus deste país tão dado a muito falar e a pouco praticar.
É um pássaro? É um avião? Não, é mesmo a cidadania, estúpido! Sim, aquela coisa de que muita gente fala... e que até já virou nova disciplina, mas... mas... mas... mas fosga-se!

A Palavra a Paulo Guinote - A Cidadania no Parlamento


A Palavra a Paulo Guinote - A Cidadania no Parlamento

Hoje partilho um excelente artigo de Paulo Guinote, publicado no Público.
Para mim, é igualmente motivo de satisfação maior olhar para trás e saber que passei "para além da enunciação do que deve ser uma Cidadania Activa", ainda para mais em tão distinta companhia.
Obrigada!

"O presente ano lectivo iniciou-se com mais uma reforma curricular, apresentada com uma retórica que sublinha a importância de reforçar as competências associadas à formação dos futuros cidadãos do século XXI, sendo traçado um “perfil” onde abundam as referências à “cidadania”, à “participação” e aos “valores” que devem ser promovidos nos alunos. Ousa-se mesmo entrar pelo domínio da ética, declarando-se que “os valores são, assim, entendidos como os elementos e as características éticas, expressos através da forma como as pessoas atuam e justificam o seu modo de estar e agir” (Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, 2017, p. 9).
Foi mesmo criada uma nova disciplina no currículo com a designação de “Cidadania e Desenvolvimento” com temas de abordagem obrigatória como “Instituições e participação democrática” e a orientação explícita de que “os professores têm como missão preparar os alunos para a vida, para serem cidadãos democráticos, participativos e humanistas” (Cidadania e Desenvolvimento, DGE, p. 4). Os professores têm procurado fazê-lo, não como peças numa engrenagem de doutrinação forçada, mas como cidadãos que desejam que os seus alunos se transformem em indivíduos conscientes, informados, participativos e mobilizados para o aprofundamento de uma sociedade que não comprometa os princípios às conveniências ou confunda interesses particulares com um “bem comum” definido em gabinetes. Sempre que possível, gosto, enquanto professor, de os introduzir pelo exemplo no que é a vida democrática e o respeito pelos outros, demonstrando o que enuncio.
O ano lectivo também se iniciou com mais uma fase do longo conflito entre a classe docente e o poder político em torno da reivindicação da consideração de todo o tempo de serviço prestado por educadores e professores para a sua progressão na carreira de acordo com as regras do seu estatuto profissional. Em paralelo a outras formas de luta, patrocinadas pelas organizações sindicais, um grupo de professores de que faço parte decidiu, numa lógica de participação cívica activa, apresentar uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC) à Assembleia da República, visando a votação em plenário de uma proposta de lei destinada à “consideração integral do tempo de serviço docente prestado durante as suspensões de contagem anteriores a 2018, para efeitos de progressão e valorização remuneratória”. Cumprindo as exigências legais, sem qualquer apoio organizacional das associações sindicais, essa iniciativa legislativa deu entrada nos serviços do Parlamento com mais de 20.500 assinaturas na plataforma digital existente para o efeito, no dia 12 de Julho de 2018, após diversas atribulações resultantes da incapacidade da plataforma em causa se manter em funcionamento contínuo e inviabilizar o completamento de muitas assinaturas. Ao mesmo tempo que a iniciativa se transformava no Projecto de Lei 944/XIII, foi iniciado um processo de verificação da autenticidade das assinaturas por parte do Instituto de Registos e Notariado, através de um método de amostra, cujos critérios não foram previamente enviados à Comissão. Ao longo desse processo, foram detectadas irregularidades como a grafia do nome inserido, espaços mal colocados no número do cartão de cidadão ou no do cartão de eleitor, entre outras falhas mais relevantes. Extrapolando os casos encontrados, sem que fosse dada a possibilidade de correcção dos dados apresentados como irregulares, foram solicitadas mais cerca de 3500 assinaturas à Comissão Representativa, a apresentar em 90 dias, a partir de 8 de Agosto.
Mais confuso, no dia 11 de Outubro de 2018, a Divisão de Apoio ao Plenário contactou os elementos da Comissão Representativa comunicando que “a Lei n.º 47/2018, de 13 de agosto, procedeu a alterações ao regime jurídico do recenseamento eleitoral, aprovado pela Lei n.º 13/99, de 22 de março, abolindo o número de eleitor”, pelo que “vimos por este meio informar que, na identificação dos proponentes que subscrevem a iniciativa acima mencionada, este elemento não carece de ser mencionado”. Ou seja, um dos elementos usados para não aceitar um número indeterminado de assinaturas deixava de ser considerado. Sem que fosse dada à Comissão Representativa a possibilidade de saber quantas, quais ou sequer de proceder à correcção dos erros existentes, mas pura e simplesmente de apresentar mais assinaturas. O que foi feito dentro do prazo, recorrendo a novas assinaturas digitais e outras em papel, atingindo-se agora um total a rondar as 21.800 assinaturas. Ainda dentro do prazo em que está a ser discutido o orçamento para 2019. Ao longo de todos estes meses foram estabelecidos múltiplos contactos com vários serviços do Parlamento e com os grupos parlamentares, constatando-se alguma impreparação dos primeiros para lidar com esta nova modalidade de participação dos cidadãos no processo legislativo e um quase total desconhecimento dos procedimentos a ultrapassar por parte dos segundos.
Pessoalmente, como cidadão e professor, sinto orgulho no trabalho desenvolvido pela Comissão Representativa desta ILC e por todos os que com ela colaboraram, independentemente do destino que venha a ter nas próximas semanas. Claro que cedo se percebeu que o interesse dos grupos parlamentares foi, na melhor das hipóteses, de mera cortesia e “compreensão” para com o desagrado e “insatisfação” dos docentes nesta questão, mas sempre sem qualquer compromisso em apoiar esta ILC com o seu voto, no caso de ir a plenário. Claro que já se percebeu que os serviços têm feito todos os possíveis por não agilizar o processo, por requerer a correcção e rigor no mais pequeno detalhe, da maiúscula em falta ao hífen mal colocado, e o ir bloqueando, até se esgotar o tempo útil da sua validade, pois o projecto de lei deixará de o ser quando 2018 terminar.
Pessoalmente, estou consciente de que, salvo algum milagre pré-natalício, esta ILC, a primeira a ser apresentada nos moldes actuais, está destinada a ser “queimada” antes de chegar a debate no Parlamento. Mas terá cumprido parte dos seus objectivos: demonstrar que é possível aos cidadãos mobilizarem-se por uma causa, participando no processo legislativo de acordo com as regras legisladas em democracia, apesar das suas imperfeições; e abrir o caminho para outras iniciativas deste tipo. Como professor, sinto-me duplamente satisfeito por ter ido além da enunciação do que deve ser uma Cidadania Activa. Sinto-me mais capacitado para ensinar aos meus alunos as vantagens e limites da “participação democrática” para além da formalidade quadrienal do voto.
Terei mais dificuldades em explicar-lhes que o mesmo Parlamento que exige todos os rigores a uma iniciativa de cidadãos seja complacente com a conduta de deputados que partilham palavras-passe para assinalar presenças virtuais ou declarações absolutamente inaceitáveis de “representantes do povo” que se julgam acima de qualquer escrutínio e ajudam à progressiva erosão, com a sua acção, do sistema democrático de que deveriam ser os maiores defensores."

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

O Tempo de Serviço Não Se Apaga, Conta-se!


O Tempo de Serviço Não Se Apaga, Conta-se!

Só foi pena que não apoiassem, pelo contrário, a ILC e a histórica greve dos Professores no Verão passado. É que talvez este problema da contagem do tempo de serviço já estivesse resolvido a contento... e é temos tantos outros a resolver, não é assim?

De resto, agora, só me resta apoiar todas as iniciativas que tragam o assunto para a ribalta e que não o deixem passar ao esquecimento. Venham elas de onde vierem.

Ainda a Municipalização da Educação


Ainda a Municipalização da Educação

Ia voltar ao Botswana do Tâmega pegando nas afirmações invertidas de Fernando Alexandre quando me deparei com o post do meu querido colega de turma e de profissão. E pedi-lho.
Aqui vai ele, porque não é preciso acrescentar mais nada. Obrigada, Eugénio!

"Esta desigualdade na qualificação dos recursos humanos é um risco para a nossa economia, entende Fernando Alexandre, coordenador do estudo "Assimetrias e Convergência Regional", elaborado por uma equipa de investigadores da Universidade do Minho para a Associação Comercial do Porto. O especialista, que estuda a economia portuguesa há dez anos, defende uma maior participação dos autarcas na escolha dos diretores das escolas, responsabilizando, também, os municípios pela qualidade do ensino público.

Como é que um Doutorado em Economia por Birkbeck College, Universidade de Londres, afirma tamanha falácia!!!! Que economista é este? É exatamente o contrário: É a nossa economia, tutelada por incompetentes, que é um risco para a qualificação dos recursos humanos, criando desigualdades."

Eugénio Mourão, professor da Escola Secundária de Amarante, Tâmega

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Municipalização da Educação


Municipalização da Educação 

Vale a pena ler a totalidade do artigo que hoje convosco partilho.
Convém relembrar que primeiro dividiram-nos para reinar, fatiando-nos a bom fatiar, promovendo ultrapassagens ora de uns, ora de outros. Depois proletarizaram-nos com o intuito de nos fazerem perder poder reivindicativo e independência económica e mental.
A estocada final será esta, a estocada final será dada com a municipalização da Educação, colocando toda uma comunidade educativa a andar a toque de caixa, dançando ao som de uma música tocada por miseráveis políticos... e que me desculpem os asseados, por certo poucos, que por aí andam perdidos na maralha.

No dia em que tal acontecer, asseguro que não ficarei por dentro do sistema a colaborar, já não num velório, mas no funeral mesmo, de facto, de uma Escola habitada por professores independentes e livres, que já começou a morrer perante os nossos olhos há mais de 10 anos mas que ainda não está, neste momento, completamente enterrada.
Mas já soa a finados... os sinos já tocam a finados...

E sim, eles andam aí...

"Os autarcas devem participar na escolha dos diretores das escolas, com vista à redução das desigualdades regionais na qualificação dos trabalhadores. O investigador Fernando Alexandre, que coordenou o estudo "Assimetrias e Convergência Regional", defende uma maior intervenção dos municípios, alertando que a escolaridade média no Ave e no Tâmega e Sousa é inferior à do Botswana."
(...)
"Quais são os instrumentos que os autarcas têm para garantir que as crianças que frequentam as escolas do seu município têm acesso à melhor educação possível? Do ponto de vista das competências, nenhum. A verdade é que, do ponto de vista das competências, a descentralização em curso é para gerir edifícios. Faz sentido, mas é preciso ir além disso. Os autarcas têm que ter mais presença nos órgãos da escola e na escolha dos diretores para serem responsabilizados. O diretor de uma escola é um fator fundamental no desempenho da escola. Se não há bons resultados, o autarca tem que ter capacidade para perguntar e saber por quê", argumentou, esta terça-feira, Fernando Alexandre na sessão de apresentação do estudo "Assimetrias e Convergência Regional", no Palácio da Bolsa, no Porto.  O investigador não defende a mudança do currículo nem o fim dos concursos nacionais de colocação de professores. A intervenção dos autarcas deve ser ao nível da gestão das escolas, com uma "palavra a dizer na escolha da direção da escola", o que não sucede hoje. Uma posição partilhada pelo presidente da Associação Comercial do Porto. Nuno Botelho lamenta que a Educação tenha um "lóbi muito difícil e muito sindicalizado, que está mais preocupado em discutir as regalais dos professores", do que em debater os níveis de escolaridade. "Este estudo mostra que há regiões esquecidas em Portugal, como o Ave e o Tâmega e Sousa".

Aniversário Muito Especial


Aniversário Muito Especial

Não sei se por Amarante e pelos seus arredores haverá pessoa com mais idade do que ela.
Ela é a avó de algumas das minhas sobrinhas, que por sua vez já a encheram de bisnetos e bisnetas e que hoje completa uma soma de anos maravilhosa composta por três algarismos mágicos. De facto, 105 anos de idade não é para todos, não!
Conheço-a desde os meus 14 anos, quase a totalidade da minha vida, e hoje relembro as idas a sua casa, os lanches, as compotas, o pão, as conversas à volta da mesa na cozinha, o café, o tanque de água fresca no Verão, os baloiços partilhados com as suas netas...
A fotografia é antiga, como se pode ver pelas velas que assinalam "apenas" 103 anos... mas dá para apreciar umas mãos ainda muito mimosas.
Muitos parabéns do coração, dona Maria! Que a vida continue leve leve...

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

A Saga da Contagem Integral do Tempo de Serviço dos Professores Não Tem Fim


A Saga da Contagem do Tempo de Serviço dos Professores Não Tem Fim

Ora porra! Não há quem aguente isto. Pararão quando lhes/nos aparecer um Bolsonaro pela frente?!

O presidente do PSD não garante que o partido se junte ao CDS, PCP e Bloco para anular o diploma sobre a contagem do tempo de serviço dos professores.


A Saga da Contagem do Tempo de Serviço dos Professores Não Tem Fim


A Saga da Contagem do Tempo de Serviço dos Professores Não Tem Fim

O sentido do voto, agora anunciado pelo PSD, é da mais elementar justiça. Porque o tempo de serviço de um trabalhador conta-se e ponto final. Não tem ses nem mas.

E ainda temos a ILC a espernear, certo?

domingo, 11 de novembro de 2018

11.11.1918 - 11.11.2018

Cemitério de Douaumont ma Proximidade de Verdun - França
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

11.11.1918 - 11.11.2018

Hoje cumprem-se 100 anos do Armistício de Compiègne que poria fim à 1.ª Guerra Mundial, também conhecida por Grande Guerra.

Hoje relembro os despojos da mesma, assinalando os milhões de mortos e de feridos que o rasto desta guerra deixou atrás de si. Todos filhos de alguém, convém não esquecer, independentemente do lado em que combateram. Nunca o mundo assistira a um conflito com tão gigantescas proporções e, no entanto, faltariam apenas 21 anos para que um novo conflito, de proporções incrivelmente mais gigantescas, deflagrasse nesta velha e anafada Europa.

Hoje, ao assistir ao recrudescer das animosidades entre tantas nações, é caso para destacar o que parece óbvio - a humanidade não aprende mesmo... ou aprende?

Hoje, destaco o importante papel da História para que as memórias não se percam e se possa aprender alguma coisa com elas.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Kristallnacht - 80 Anos


Kristallnacht - - 80 Anos

Tenho dificuldade, confesso, em comentar a barbárie à solta, que se viveu numa noite como esta... faz precisamente esta noite apenas 80 anos.
Hoje, compete-nos recordar este momento muito negro da história europeia, momento que abriria caminho ainda a mais negritude.
Como foi possível?!



Não Sei Se Ria, Não Sei Chore


Não Sei Se Ria, Não Sei Chore

"Deputada do PSD Emília Cerqueira assume que marcou presenças de José Silvano"

"Digam-me, srs. jornalistas, quem de vós partilhou nunca partilhou uma 'password', quem nunca partilhou que diga, seja deputado, jornalista, uma secretária, normalmente temos alguém e se alguém não tem é uma exceção à regra no mundo do trabalho e das organizações" 

"Tenho a password de vários colegas como eles têm a minha, como em qualquer organização" (...) é impossível estarmos em todo o lado e não partilhar ficheiros de trabalho."

"Lamento profundamente que isto tenha acontecido. Uma prática corrente em todas as organizações e, agora, toda a gente se preocupa, como um bando de virgens ofendidas - desculpem a expressão, mas eu sou do Alto Minho -, numa terra onde não há virgens. Como se nunca em momento algum na vida de trabalho que todos temos nunca tivéssemos partilhado ficheiros com um colega"

Pois por cá, a gente, que trabalha também dentro de organizações, no caso um agrupamento de escolas, aprendeu, em formações frequentadas no século passado, que não se partilham passwords com quer quer que seja, nem com colegas, nem mesmo com filhos, nem com maridos, mas é que nem que esse alguém seja um novo Jesus Cristo!!!... sim, senhora deputada?

E agora sou eu a pensar em voz alta... acharão, porventura, que a população portuguesa é toda totó e desmiolada?!

Julie Gautier


Julie Gautier

Parce que j'adore...


quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Greve Feminista - Portugal - 8 de Março de 2019


Greve Feminista - Portugal - 8 de Março de 2019

O movimento feminista que luta pela igualdade das mulheres organizou uma primeira greve mundial, feminista, em 2017. Desde aí está num crescendo imparável.
Agora é o tempo de preparação/organização da greve feminista portuguesa para o próximo dia 8 de Março, de 2019.
Se quer fazer parte da história, pode informar-se amanhã, pelas 21 horas, na Casa da Juventude de Amarante

Barragem de Fridão - Que Futuro?



Tragédia no Tâmega
Fotografias de Anabela Matias  Magalhães

Barragem de Fridão - Que Futuro?

E se desmantelassem a barragem do Torrão?
Grata a todos quantos lutam pelo Tâmega e por Amarante.

E a Lista dos Docentes Dispensados ao Abrigo da Lei Sindical, Pá?



E a Lista dos Docentes Dispensados ao Abrigo da Lei Sindical, Pá?

A palavra, certeira, a Luís Braga. Assumo desde já que é uma honra trabalhar com Professores que não se vergam e que se recusam a fazer-se de mentecaptos, deixando escoar os dias educativos, em grande parte podres, que vamos vivendo.
Força aí, Luís Braga! Estamos solidários nessa e noutras lutas e se chegares à fase do crowdfounding já sabes que podes contar comigo.
Exigimos transparência. Isto é assim tão complicado de entender?

From: Luís Sottomaior Braga <*****@gmail.com>
Date: qua, 7 de nov de 2018 às 22:31
Subject: Ofício B18061894P – pedido de revisão da decisão comunicada (ponderando o RGPD com fundamento na LADA)
To: geral@dgae.mec.pt <geral@dgae.mec.pt>


Ex.mo Senhor Dr. Rui Miguel Soares

Encarregado de proteção de dados da Direção Geral da Administração Escolar

Em resposta ao ofício em epígrafe ,que V.Exa remeteu em nome da DGAE, organismo junto de quem realizou pedido de acesso a documentos, Luís Miguel Sottomaior Braga Baptista, já antes identificado, vem, por este meio, solicitar que reveja e decida em sentido contrário a posição sobre a  não entrega dos documentos solicitados, vertida nesse ofício.
Na verdade, pondo, obviamente, de parte a hipótese de nele se estar a gozar com um cidadão que exerce o seu direito de requerer informação nos termos da LADA (hipótese que, após a leitura do ofício se excluiu, imediatamente, por absurda, pelo profundo respeito que merecem ao signatário outros trabalhadores em funções públicas como V.Exa. que não consumiriam tempo de trabalho financiado pelo Estado em tais devaneios) não se logra descortinar outro fundamento para a resposta recebida que não seja um clamoroso lapso de que tenha sido V.Exa. vítima na compreensão do pedido.
A questão da proibição de tratamento dos dados solicitados, que invoca como fundamento da negação de acesso, é absolutamente deslocada e despropositada no caso concreto.
Na verdade, o que foi pedido, mais que dados a tratar, foram ofícios (com os dados já tratados) que existem (e se sabe que existem, até por se ter já uma cópia de um deles, fornecida por um sindicato) que incluem a listagem de dispensas a professores (trabalhadores em funções públicas) a quem o Estado, através da DGAE, confere dispensa, nos termos da lei sindical, a expensas do Orçamento do Estado, para o exercício de funções em sindicatos em representação dos outros docentes (em geral, e incluindo o signatário, dado os sindicatos terem poder de negociação coletiva, com efeitos na esfera jurídica dos representados e de todos os restantes incluídos na carreira).
Essa dispensa custa dinheiro público, na medida em que, não lecionando, têm de ser substituídos e os seus salários lhes são pagos. Dispor do seu tempo de trabalho constitui uma vantagem para as entidades associativas (não estatais), que são os sindicatos, equiparável a uma subvenção, e que só pode ser escrutinada pelos cidadãos (que a pagam) através do acesso aos documentos em que tal ato administrativo de concessão da dispensa é produzido, cujo direito de acesso é legal e constitucionalmente garantido.
O tratamento dos dados, não é suscitado pelo requerente e já está realizado desde que foi produzido, pelo menos, um ofício para cada sindicato a comunicar tal ato (que, no essencial, são os documentos que se solicitam).
Portanto, se como V.Exa. alega, o tratamento desses dados é ilegal (facto que se compreende mal, dado que não é ilegal a um departamento do Estado exercer as suas competências e produzir documentos para o fazer, já que, mesmo o relevantíssimo RGPD, não pode resultar em paralisia do Estado), a ilegalidade já existe há muito e até se tem algumas cópias dela (fornecidas por sindicatos). Por isso, chegados a esta constatação, poderia perguntar-se até que medidas, como encarregado de proteção de dados está V.Exa. a tomar para acabar com essa ilegalidade, que anuncia existir no procedimento cujos documentos se solicitam (pergunta que se revelaria retórica, dado que, para exercer as suas competências, a DGAE não pode deixar de tratar esses dados e produzir documentos com eles).
Por isso, toda a argumentação jurídica aduzida no 1º parágrafo da resposta de V.Exa. é relativamente irrelevante para o caso que, na verdade, se resume a esta questão básica a que V.Exa responde negativamente, indeferindo o acesso, sem fundamentar:
Pode um professor, incluído na carreira, por isso, com interesse legítimo, saber, através da leitura dos documentos em que a DGAE decide atribuir as dispensas a outros docentes para efeitos de trabalho sindical (fornecidos nos termos da LADA), a dimensão dessas dispensas e a sua distribuição pelos diversos sindicatos? (registe-se, por exemplo, que essas dispensas têm, entre outros efeitos, consequências em concursos a que o requerente concorre e na distribuição de serviço de escolas, em que surgem, ou não, vagas para concurso por causa delas).
O cidadão requerente invocou um interesse imediato e direto inquestionável. Os documentos existem (como já foi explicado a outro responsável dessa DGAE – que antes tentou responder, sem recorrer à nova e rebuscada teoria de que os documentos não existem por o tratamento ser ilegal – fornecendo-se-lhe então o nº de um dos ofícios para facilitar encontrar a série).
Se há problemas com a divulgação dos dados pessoais dos beneficiários das dispensas (que até já se sabe quem são, pois são dirigentes sindicais e publicitam essa condição), sempre poderia V.Exa. (ou o responsável pelo acesso a documentos, nos termos da LADA, o qual, aliás a DGAE não publicita, e não será, com certeza, por essa obrigação legal gerar “tratamento ilegal de dados”) solicitar parecer à CADA sobre como proceder, ou decidir expurgar o documento a fornecer dos dados pessoais e fornecê-los na parte acessível, nos termos legais.
Em termos sucintos, a fundamentação de V.Exa. para negar o acesso (e não se discute aqui, e por agora, a competência legal para ser V.Exa a fazê-lo, dado que invoca apenas na resposta a condição de encarregado de proteção de dados) não responde efetivamente ao pedido de forma fundamentada. Antes tenta lançar uma cortina nebulosa sobre uma questão que além do RGPD implica outra legislação.
Espera-se que V.Exa releve o tom pouco formal desta comunicação, porque, afinal, ambos sabemos que a questão concreta, embora revestida nos termos burocráticos “requerimento”, “queixa”, “acesso” ou outros, é essencialmente de natureza política e pode ser encarada com mais clareza de análise nesses termos.
Não é o requerente assim tão ingénuo que não saiba bem da inoportunidade de, neste momento concreto, serem fornecidos os dados dessas dispensas sindicais e eventual revelação pública dos seus custos e dimensão.
Não sendo ingénuo, mesmo assim, custa entender por que razão, tendo já o requerente evidenciado que não vai desistir, não atua o departamento governamental responsável encarando a realidade de que esconder esses dados, como vem fazendo, pode ter a final piores consequências.
Compreende-se que a argumentação jurídica frágil seja a última barreira possível para a questão política que a revelação desses dados sempre coloca: como podem pessoas que dependem do Ministério da Educação para receber um benefício, tão relevante em termos pessoais, que se traduz em vantagem de localização do trabalho ou redução potencial do trabalho letivo, negociar com liberdade total (e sem impedimentos éticos, morais e até legais) em representação pura dos seus colegas?
Mas essa aparente inoportunidade política do acesso aos documentos, a que se quer resposta, não pode ser resolvida, negando ao requerente um direito constitucional e legal de acesso individual a documentos e, para mais, o que se considera particularmente desagradável (para moderar os adjetivos), invocando, na resposta, a despropósito, para negar direitos fundamentais, a própria Constituição da República Portuguesa.
A mesma Constituição que prevê no seu artigo 268º o princípio da administração aberta, em consequência do qual e da sua concretização legal – a LADA- o requerente considera possuir e poder exercer, no caso concreto, o seu direito de acesso a documentos administrativos.
É tal direito fundamental e a sua adequada ponderação que não está a ser respeitado por V.Exa (mesmo face, por exemplo, aos eventuais direitos à proteção de dados pessoais em causa, cuja eventual relevância não se nega, mas que não têm, nem a sustentação, nem o impacto que V. Exa lhe atribui).
A face política do caso e a similitude evidente com a recente situação das listas de subvenções vitalícias de ex-titulares de cargos políticos, em que foi usada argumentação semelhante para negar acesso (embora até aí, sendo errónea, pudesse ser mais consistente) leva a remeter conhecimento desta comunicação ao Gabinete do Senhor Primeiro Ministro, aos Grupos Parlamentares da Assembleia da República e à Casa Civil de Sua Excelência o Senhor Presidente da República (último garante dos direitos fundamentais).
V. Exa. invoca a Constituição. É essa mesma Constituição e um direito fundamental, tão fundamental como a proteção de dados, que se considera que está em risco se vingar, no caso concreto e na prática administrativa geral, a perspetiva em que se sustenta para decidir.
Não se produz queixa à CADA por considerar que a responsabilidade de pedir o parecer prévio dessa entidade é de V.Exa (mesmo dando-se conhecimento a essa instituição desta comunicação para os efeitos que tal órgão entenda convenientes).
Além disso, decidiu-se que, em vez de seguir essa via da queixa (e dada a repetição e vulgarização do uso desta espantosa argumentação que faz cessar totalmente a transparência dos documentos não reservados ou secretos do Estado, em nome de virtuais e mal fundados problemas de proteção de dados), o assunto merece vir a ser sujeito a decisão judicial, para definir de forma mais certa o quadro jurídico do problema e do exercício do direito fundamental de acesso a documentos.
Como não tem o requerente meios financeiros para tal, pondera, se essa via tiver de ser usada, o recurso a crowdfounding para iniciar o processo, o que implica que, de forma curial, informe V.Exa. da provável larga divulgação pública da questão (já que terá de ser suscitada em público e com larga divulgação para obter os referidos meios de acesso à justiça). E como a questão é política e de limitações abusivas do exercício de direitos fundamentais tal é, com certeza, compreensível.
Daí instar V.Exa a rever a decisão, substituindo-a por outra que permita o acesso aos documentos solicitados mesmo expurgados, evitando-se tais canseiras e incómodos.
Deste pedido é dado conhecimento, por correio eletrónico, à Ex.ma Senhora Chefe de Gabinete do Ministro da Educação, considerando que não será necessário remeter cópia à Ex.ma Senhora Diretora Geral, para quem este assunto é sobejamente conhecido e que, se considera presuntivamente, é a responsável de acesso nos termos da LADA (e que apenas terá delegado a resposta em V.Exa.)
Com os melhores cumprimentos e disponível, no contacto telefónico já remetido, para qualquer esclarecimento adicional que permita desbloquear a situação,  
Luís Miguel Sottomaior Braga Baptista

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

A Nova Maleta Pedagógica de Uma Professora de História

Andando Indo - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

A Nova Maleta Pedagógica de Uma Professora de História

Atenta ao que se passa ao meu redor, próximo ou mesmo longínquo, continuo a esforçar-me, muito, para me modernizar, adaptando-me às constantes inovações que agora se operam à velocidade da luz e que têm reflexos na minha vida profissional. E, confesso, nunca deixarei de seguir os exemplos mais exemplares vindos de "cima".
Assim, hoje mesmo farei a minha maleta pedagógica de professora portuguesa do século XXI, que levarei logo pela manhã para a escolinha, e, claro está!, não me esquecerei do meu adorado verniz vermelho. É que os meus alunos responderão a umas questões-aula e eu, tenho a certeza!, nos entretantos, enquanto eles respondem às ditas cujas, terei tempo e mais que tempo de pintar as unhas dos pés... isto para ser um pouquito original...

Da Falta de Ética ou da Falta de Vergonha nas Trombas?


Da Falta de Ética ou da Falta de Vergonha nas Trombas?

Deputados quase dobram salários com subsídios

Deputados cobram subsídios de deslocação mesmo vivendo em Lisboa

Ministério Público investiga fraudes nas moradas dos deputados

Anexo às 22:12 - PGR está a analisar caso de José Silvano

E, sobre este caso, comentou Rui Rio, aquele que pretende ser alternativa:

"Claro que mantenho a confiança política. O caso não é agradável, como é evidente, não é um caso positivo, mas acha que ter uma proposta para o país, discutir o país, debater o país pode ser anulado pelas pequenas questiúnculas que estão constantemente a surgir neste partido e nos outros partidos? Não pode ser, temos de estar um bocadinho acima disso"

E hoje, que lindo!, na poética e belamente chamada "Comissão Eventual para o Reforço da Transparência no Exercício de Funções Públicas", na Assembleia da República, que é aquele sítio onde se vai fazer muiiiita coisa e onde também se vai fazer a manicureSilvano assina presença, mas não assiste a reunião da Comissão da Transparência

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Grupo Ambientalista Avança com Ação Popular Contra a Construção da Barragem de Fridão

GEOTA - Caravana pelo Tâmega - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Grupo Ambientalista Avança com Ação Popular Contra a Construção da Barragem de Fridão

Com os meus agradecimentos à gente brava e não desistente que povoa o GEOTA.
Com os meus agradecimentos à gente brava e não desistente que continua a dar a cara pelo Tâmega e por Amarante.
Sem dúvida que a nossa existência se engrandece quando abraçamos causas nobres e justas.

Novas da ILC - ILC Regressa ao Parlamento Antes do Fim do Debate Orçamental


Novas da ILC - ILC Regressa ao Parlamento Antes do Fim do Debate Orçamental

Iniciativa legislativa de cidadãos para contagem do tempo de serviço dos professores regressa ao Parlamento antes do fim do debate orçamental 

Anda tanta gente preocupada com a qualidade de outras Democracias. Que tal verem dos problemas de qualidade e de respeito pela cidadania da nossa?

A Iniciativa Legislativa de Cidadãos para a contagem integral do tempo de serviço docente, já convertida em Projeto de lei com o número 944/XIII, volta amanhã a ser submetida para admissão a debate na Assembleia da República. Foi enviada por correio uma exposição ao Presidente da Assembleia da República, visando desbloquear o início do debate da ILC e remetendo mais assinaturas em papel.
Neste momento, a ILC reúne cerca de 21800 assinaturas, considerando as que foram recolhidas em suporte digital no site do Parlamento (em que foi a primeira ILC a usar essa possibilidade, estreando a plataforma eletrónica) e as que foram, entretanto, recolhidas em papel. Tem, portanto, mais cerca de 1800 assinaturas que o mínimo (20 mil) necessário para ser debatida no Parlamento como projeto de lei.
No momento da sua admissão, após um processo de verificação administrativa por amostragem, que a Comissão Representativa da ILC qualifica de incorreto, desrespeitador da lei e afetado por graves problemas de cientificidade, o Presidente da AR decidiu que deveriam ser recolhidas mais assinaturas do que as mais de 20 mil que já constavam do site do parlamento.
Essa decisão foi contestada pela Comissão Representativa que insiste na constatação de que o processo de verificação enfermou de graves problemas técnicos (a amostra de verificação, que baseou a decisão, não cumpriu critérios estatísticos e foram verificados aspetos que a lei não impõe e em que as deficiências de preenchimento pelos cidadãos resultam, quando existam, de problemas de construção e funcionamento do site do próprio Parlamento).
Assim, tendo tentado “corrigir” dados de assinaturas, contactando muitos dos cidadãos incluídos na amostra de assinaturas anuladas, verificou-se que muitos nada podiam corrigir, porque não tinham dados inválidos.
A exaustiva exposição dos nossos motivos foi objetivamente ignorada pelos serviços do Parlamento que mantiveram a sua posição burocrática e majestática de não contribuir para a correção dos problemas que alegam (por exemplo, contactando por si próprios os cidadãos cuja assinatura reputam de inválida, de quem tem os dados no seu site, onde estes se inscreveram).
Os deputados de todas as forças políticas e a Comissão de Educação receberam muita informação sobre o problema mas, além de acusarem a receção, pouca ou nenhuma atividade evidenciaram no sentido de o resolver (quer o do debate e dificuldades administrativas da ILC, quer a questão principal do tempo de serviço dos professores).
A Comissão Representativa que lançou a iniciativa fê-lo porque acredita na Democracia e nos seus processos essenciais.
Tem a satisfação de verificar que, apesar de ter sido muito criticada no lançamento da iniciativa, até por sindicatos, a relevância pública que a ILC atingiu abriu caminho à posição atual, que os sindicatos partilham, de que a solução do problema está na negociação e debate parlamentar. A atividade sindical, lançada há poucos dias, de apelar à escrita de mensagens aos deputados teria sido muito oportuna se tivesse sido lançada a tempo de promover o real debate de uma proposta de lei viável como era a ILC.
A ILC por existir valoriza o papel e imagem do Parlamento.
Lamenta-se que, num tempo de populismos e desconfiança dos processos democráticos, a Assembleia não se valorize a si própria e ignore a participação dos cidadãos, usando surpreendentes e mal sustentados subterfúgios burocráticos para evitar debater o incómodo que uma proposta de cidadãos causa às forças políticas.
Neste momento agradecemos a todos os que colaboraram connosco na recolha de assinaturas e, mesmo que o Parlamento persista na sua ideia de recusar debater o que 21800 pessoas lhe propõem, o grupo de proponentes não deixa de manifestar a sua confiança na Democracia, mesmo quando ela funciona mal e com lógicas de amanuense. A grande virtude que tem é que pode ser melhorada,  mesmo quando se lhe veem esses defeitos.

6 de novembro de 2018
A Comissão Representativa da ILC
 
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