segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Continuo um Ent

Rasto de Ent em Terras Inóspitas que São Home
Fotografia de Artur Matias de Magalhães
Continuo um Ent

O texto que hoje partilho é maravilhoso e revisitá-lo diz muito da relação que volta e meia estabeleço com os meus alunos, os únicos que me têm segurado todos estes anos na profissão que escolhi e que se veio a tornar coisa de muito difícil digestão em Portugal.

Não é tarefa fãcil ser professora em terra própria e pequena, onde todos se conhecem, e construir uma reputação à prova de bala é ainda mais difícil. Eu, confesso, tenho tentado com unhas e dentes dignificar a profissão que escolhi, não ser uma troca-tintas, ter uma relação muito franca e honesta com os meus miúdos e os seus pais, defender as causas em que acredito... mesmo se, frequentemente, eu nem beneficiarei directamente dessas lutas mas nem me importa, acredito que lutando pelo bem comum poderemos todos beneficiar de um mundo mais limpo e mais asseado. 

Volto à história que aqui me traz. Reencontrei o aluno desta história aqui em Amarante, onde ele já não habita, e entre beijos e abraços, este médico informou-me: - "Professora, entrei na especialidade" ao que eu disparei um imediato - "Está calado. Não me digas em que especialidade entraste porque eu vou adivinhar. Entraste em neuro-cirurgia."

E entrou. Era o que ele me dizia que ia ser quando fosse grande e ainda era pequenino. Foi meu aluno do 7.º ao 9.º ano de escolaridade e partilhou comigo uma das histórias mais belas e complexas sobre a minha pessoa e que correspondem exactamente ao que sou.

Esperto puto! Inteligente puto! 

E eu, agora bem mais velha, passados todos estes anos sobre a escrita deste texto, faço uma repescagem desta história em um dos momentos-chave e mais complexos de toda a minha carreira profissional, o quarto, que eu tenho as indignidades todas numeradas, e que ainda não sei como terminarei, e que está a ter consequências no meu equilíbrio físico e mental que eu tanto prezo.

Uma coisa é certa, Pi Pereira, mais velha, quero aqui e agora assegurar-te, mesmo que agora não leias este texto ou que o descubras um dia, sei lá eu, perdido por aqui por esta net que eu amo:

 - Continuo a deixar rastos de Ent em terras inóspitas que são Home.

DOMINGO, 25 DE MAIO DE 2008

Sou Um Ent


Rasto de Ent em Terras Inóspitas que São Home
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Sou Um Ent!!!

Hoje descobri que se estivesse dentro do mundo criado por Tolkien seria um Ent. E descobri-o em conversa no msn com um dos meus alunos... de seu nome Pi Pereira.
A propósito da próxima visita à ESA de Mia Couto, que se concretizará no próximo dia 13, o Pi falou-me de Tolkien e de todo um mundo criado de raiz que o deixa fascinado e maravilhado pela criatividade do autor, pela capacidade de criação de todo um mundo inexistente, com personagens como os Ents, as Esposentes, os Elfos e os Hobbits. "Um enredo fantástico e fenomenal" para usar as suas palavras.
Vou confessar aqui a minha completa ignorância sobre o que era isto dos Ents. Vai daí perguntei-lhe quem eram esses seres já que ele afirmava que dentro daquela história eu seria um deles. Confesso que não esperava semelhante resposta.
Partilho-a, a seu pedido, identificando o seu autor já que ele não quis saber de anonimatos nem pseudónimos. Partilho a sua visão sobre mim que me deixou deveras comovida e emocionada.
Jamais me compararam a um Ent. Jamais me disseram que eu sou um "pastor de árvores". Partilho esta bela história de múltiplas leituras agradecendo ao Pi o ter-ma contado.

"Pois os Ents existem desde os primórdios e foram criados para serem pastores de árvores", disse-me ele, "para as guiarem, amarem e cuidarem. Os Ents são pastores de árvores que falam com elas e com os animais. Comem os frutos das árvores, bebem a água dos rios, são seres antigos, sábios, amantes da Natureza, extremamente pacientes, bondosos e saudosos. Os Ents são seres fantásticos que adoram dar longos passeios para terras inóspitas. São errantes que vivem sem lar. Às vezes sentam-se num monte e passam semanas somente a respirar e a ouvir o chilrear dos pássaros. São belos e imortais. São muito fortes, mas apesar disso só lutam quando se sentem ameaçados. Em suma são seres absolutamente fabulásticos" - concluiu o Pi.

E à minha pergunta curiosa "Pi, a tua mãe é um Ent?" obtive a resposta que eu já esperava "É a rainha deles!"

Vai daí fiz hoje duas importantes descobertas. Descobri que para o Pi Pereira sou um Ent. E descobri que tenho uma rainha, o que nestas circunstâncias é muito saboroso, rainha essa que vai gostar de ler esta história porque a desconhece, tal como eu a desconhecia até me ter sido contada. Ora a "minha rainha" curiosamente, ou talvez não!, é, como eu, um Escorpião.

Resta-me acrescentar que o Pi Pereira, dentro desta história, seria um Elfo, sendo que os Elfos são seres fantásticos, precisos, belos, sábios, moderados, perspicazes e instintivos.

Lembrar-me-ei para sempre que para o Pi Pereira sou um Ent. E que isso constitui para mim uma responsabilidade acrescida. Espero, pois, conseguir manter-me assim, um "pastor de árvores", pelo resto dos meus dias e que daqui a muitos anos eu continue a ser um deles para o Pi Pereira. E já agora, para todos os outros também.
Texto retirado daqui.

domingo, 14 de fevereiro de 2021

"Desconfinados à Força"


Desconfinados à Força

O título "Desconfinados à Força", muito embora apareça sem aspas no artigo saído no Observador, é na verdade, e tanto quanto sei, do nosso colega Luís Braga, que o usou pela primeira vez à conta do seu caso pessoal, que, aliás, tem dado muito que falar e muito brado, ao relatar a sua saga diária às voltas com um mais do que obsoleto computador da sua escola a que chamou Isidoro.

O artigo é importante. Porque amplia a informação mil vezes repetidas na blogosfera e nas redes sociais de professores, e porque ao ampliar também extravasa delas.

"Quando olhamos para o estado da educação no nosso país é inevitável não pensarmos nas desigualdades que se vão acentuando no seio da comunidade estudantil. Ficamos legitimamente indignados, porque sabemos que tudo isto poderia ter sido certamente evitado, tivesse o Governo planeado com a devida antecedência um possível regresso ao ensino à distância que se tornava cada vez mais inadiável com a escalada no número de novos casos de Covid-19 registado diariamente no país. Mas, infelizmente, como se costuma dizer, uma desgraça nunca vem só e parece-me que ultimamente a comunicação social se tem esquecido, talvez até propositadamente, da peça essencial do ensino em Portugal: os professores.

Passa ao lado dos mais despercebidos que ainda há professores a deslocarem-se diariamente para as escolas para “teletrabalharem”. A expressão “teletrabalhar no trabalho” é de facto absurda e impensável, mas é seguramente uma realidade vivida por vários portugueses que se sentem ignorados. O meu pai é professor e cá em casa temos a sorte de dispormos de material tecnológico suficiente para todos estudarmos e trabalharmos em simultâneo, mas infelizmente não é assim na casa de todos os professores. Alguns destes heróis sem capa, que garantem o ensino dos jovens portugueses veem-se injustamente obrigados a dirigir-se todos os dias de casa para a escola e vice-versa, frequentando muitas vezes os transportes públicos que, por muito que neguem, são locais onde o risco de exposição ao vírus se agrava, para darem aulas síncronas, esclarecerem dúvidas virtualmente, prepararem materiais de ensino, etc., utilizando materiais que se encontram, múltiplas vezes, visivelmente obsoletos e dificilmente utilizáveis. Como se não bastasse, têm ainda de abdicar de auxiliar e acompanhar os seus filhos com o ensino online, saindo, mais uma vez, prejudicados. Serão estes portugueses cidadãos de segunda?"

(...)

Continuem a ler aqui, sim? Vão ver que vão gostar... ou não do retrato deprimente e insuportável a que chegamos.

sábado, 13 de fevereiro de 2021

Petição - Pelo fim das vagas no acesso ao 5.º e 7.º escalão da Carreira Docente


Petição - Pelo fim das vagas no acesso ao 5.º e 7.º escalão da Carreira Docente

Leia e se concordar assine aqui e dê a assinar aos seus familiares. Garanto-vos que é da mais elementar justiça. Grata, Arlindo!

Exmo. Sr. Presidente da Assembleia da República 

Exmo. Sr. Primeiro Ministro 

Exmo. Sr. Ministro da Educação  

O Decreto-Lei n.º 75/2010, de 23 de junho introduz pela primeira vez um mecanismo de vagas para acesso ao 5.º e 7.º escalões que tem continuidade no Decreto-Lei n.º 41/2012, de 21 de fevereiro. 

De acordo com o artigo 37.º 

“3 — A progressão aos 3.º, 5.º e 7.º escalões depende, além dos requisitos previstos no número anterior, do seguinte: 

a) Observação de aulas, no caso da progressão aos 3.º e 5.º escalões; 

b) Obtenção de vaga, no caso da progressão aos 5.º e 7.º escalões. 

4 — A obtenção das menções de Excelente e Muito bom no 4.º e 6.º escalões permite a progressão ao escalão seguinte, sem a observância do requisito relativo à existência de vagas. 

--- 

7 — A progressão aos 5.º e 7.º escalões, nos termos referidos na alínea b) do n.º 3, processa-se anualmente e havendo lugar à adição de um factor de compensação por cada ano suplementar de permanência nos 4.º ou 6.º escalões aos docentes que não obtiverem vaga, em termos a definir por portaria dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças, da Administração Pública e da educação. 

8 — A progressão ao escalão seguinte opera-se nos seguintes momentos: 

… 

b) A progressão aos 5.º e 7.º escalões opera-se na data em que o docente obteve vaga para progressão, desde que tenha cumprido os requisitos de avaliação do desempenho, incluindo observação de aulas quando obrigatório e formação contínua previstos nos números anteriores, sendo devido o direito à remuneração correspondente ao novo escalão a partir do 1.º dia do mês subsequente a esse momento e reportado também a essa data.”   

Este mecanismo apenas começou a ser aplicado em 2018 com a publicação da portaria n.º 29/2018, de 23 de janeiro e até 2020 teve as seguintes vagas: em 2018, 133 vagas para acesso ao 5.º escalão e 195 para o 7.º escalão; em 2019, 632 vagas para o 5.º escalão e 773 para o 7.º escalão; em 2020, 857 vagas para acesso ao 5.º escalão e 1050 para acesso ao 7.º escalão. 

Em 2020 constavam nas listas definitivas de acesso ao 5.º e ao 7.º escalão: 1530 docentes no 4.º escalão e 2398 no 6.º escalão. Assim, continuam de fora do acesso ao 5.º escalão 673 docentes e no acesso ao 7.º escalão 1348 docentes, totalizando 2021 docentes que ficam a aguardar vaga no ano seguinte. 

O sistema de vagas para acesso aos 5.º e 7.º escalões para além de injusto é único em toda a administração pública num sistema de carreira horizontal e é um mecanismo que entorpece e desvirtua o próprio sistema de avaliação do pessoal docente. 

Havendo a necessidade de obtenção de uma nota de mérito (Muito Bom ou Excelente) para acesso direto ao 5.º e ao 7.º escalão, impede em muitos casos que o mérito seja de facto reconhecido por quem dele merece, mas sim que o sistema funcione numa tentativa de atribuição dessas classificações a quem de facto precise dessa avaliação para superar a barreira imposta pela existência de vagas progressão.

Com a anulação das vagas de acesso ao 5.º e 7.º escalões a avaliação do desempenho docente tornar-se-á mais justa, não ficando sujeita à necessidade de artificialmente se produzir avaliações de mérito.  

Os peticionários vêm pedir de imediato:  

• Que as vagas de acesso ao 5.º e ao 7.º escalão em 2021 sejam idênticas ao número de docentes que irão integrar as listas de acesso nestes dois escalões.  

Também exigem, por iniciativa parlamentar ou por recomendação ao governo:  

• A revogação da alínea b) do n.º 3 do artigo 37.º do Estatuto da Carreira Docentes, assim como todos os restantes artigos que lhe estão associados; 

• A recuperação de todo o tempo de serviço dos docentes que estiveram presos nas listas de vagas, para efeitos da contagem do seu tempo de serviço na carreira docente.  

Face à desvalorização da carreira docente com mecanismos artificiais que impedem a progressão dos docentes e criam injustiças arbitrárias nessa progressão, é urgente que se comecem a dar passos no sentido de valorizar os docentes e atrair mais jovens para uma profissão cada vez mais secundarizada pelos jovens estudantes.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Educação


Educação

Há dias em que sinto uma profunda vergonha por fazer parte de uma engrenagem que, a cada passo, me enoja.

Auto-Retrato - Eu - I Can Do It!

Auto-Retratos e não só - Variados

Auto-Retrato - Eu - I Can Do It! 

Eu. A trepar paredes e a ultrapassar obstáculos desde que me conheço. Apenas domável pela razão. E sempre de coluna vertebral intacta. 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Agenda - Debate - Quando as Escolas Fecharam: Cadernos da Pandemia

 



Agenda - Debate - Quando as Escolas Fecharam: Cadernos da Pandemia

A quem interessar, sim, teremos novo livro do Paulo Guinote. 

Darei novas.

A Palavra a Quem Sabe - Manuel do Carmo Gomes - Infarmed - 9/02/2021


A Palavra a Quem Sabe - Manuel do Carmo Gomes - Infarmed - 9/02/2021

É claro que há gente que continua a acreditar e, mais grave ainda, a defender com unhas e dentes, que as escolas ainda hoje deveriam estar abertas. E também há professores neste lote.

E garanto-vos que também é verdade que o meu neto ainda acredita no Pai-Natal.





segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

E@D - Dia 1 - AFC - "Preservar o Património Ambiental e Cultural de Amarante”

Aula 1 - E@D - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

E@D - Dia 1 - AFC - "Preservar o Património Ambiental e Cultural de Amarante”

Iniciei a segunda vaga de E@D com duas aulas com duas diferentes turmas de 8.º ano e quase sem constrangimentos informáticos - umas falhas muito temporárias de sinal por parte de dois alunos - mas todos conectados à hora prevista, tudo a desligar os microfones quando iniciei a explicação de um trabalho de grupo em que todos trabalharão, em diferentes grupos, o Barroco em Amarante. 

Reencontrei alunos sem máscara... que esquisito mas lindo foi poder ver de novo os seus rostos jovens, serenos e sorridentes... mesmo se à distância e separados pelos écrans dos computadores e mesmo se por breves momentos. 

Confesso que tinha saudades destas aulas seguras e descontraídas que o SARS-CoV-2 nos roubou desde Março de 2020 e que não sei a quando regressaremos. Melhor seriam se fossem presenciais... mas, por agora, teremos estas aulas síncronas que nos manterão em contacto e que hoje serviram para relembrar procedimentos e para orientação de um trabalho colaborativo que já estava previsto mesmo se continuássemos em regime presencial. Agora, depois das orientações fornecidas, segue-se, para eles, trabalho autónomo com a certeza que eu estou por aqui, completamente acessível para os ajudar a resolver alguma dificuldade.

E sim, tal como falámos hoje, o pontapé de saída para este trabalho está dado e colocará professores e alunos a trabalharem de forma colaborativa - professores com professores, professores com alunos, alunos com professores, alunos com alunos. Confesso que gosto disto.

E, entretanto, estamos quase quase a acabar o primeiros semestre... quase quase...

Nota - A salinha de aula virtual foi apenas um mimo para alunos que são meus e que terão de construir as suas próprias escapes rooms lá para o final do ano lectivo.

É que o tempo não me chega para tudo, muito embora eu seja veloz, mas este ano já está por conta do 7.º ano de escolaridade... aqui...

E@D em Debate




E@D em Debate

Acompanhe aqui. Garanto-vos que está a ser muito interessante.

domingo, 7 de fevereiro de 2021

COVID-19 - O Fecho das Escolas e o Controlo da Pandemia


COVID-19 - O Fecho das Escolas e o Controlo da Pandemia

"O fecho das escolas foi o Canadair que se enviou para apagar os incêndios descontrolados."

sábado, 6 de fevereiro de 2021

Hoje Era Noite de Serão de Webinar


Hoje Era Noite de Serão de Webinar

E lá estávamos a postos para escutar o senhor secretário de estado João Costa e a directora do Agrupamento de Escolas de Amarante, Dina Sanches, a convite da JS local, mas a net estava sempre a falhar e apenas captamos uns soluços, diria até uns solavancos.

A coisa deu bronca. Não sei se isto foi premonitório do que acontecerá já a partir da próxima segunda-feira quando todos, ao mesmo tempo, nos ligarmos.

O webinar ficou adiado para o próximo sábado, pelas 21:30. Vá lá que ainda tive tempo de por lá deixar uma pergunta ao senhor secretário de estado, com o respectivo enquadramento. Veremos se de hoje a oito dias receberei resposta.

Darei novas.

Boa noite a todos. 

Penso que estaremos todos de acordo quanto a dois princípios básicos - o E@D não é um substituto de um ensino presencial, muito mais rico e envolvente, e o E@D aprofunda desigualdades e penaliza incomparavelmente mais os mais frágeis e desprotegidos da sociedade. 

Para não me alongar, e partindo deste princípio, queria perguntar ao senhor secretário de Estado como explica, quase um ano após o primeiro confinamento, que a grande maioria das escolas, e dos alunos carenciados deste país, esteja exactamente no mesmo ponto em que estava em Março de 2020, alguns até estarão pior, isto depois das promessas do senhor primeiro ministro, datadas de Abril, e do próprio ministro da Educação se ter comprometido a apetrechar os alunos/escolas, em termos tecnológicos, durante o 1.º período. 

Mais uma vez falharam com quem nunca poderiam ter falhado - os mais fracos, os mais frágeis, os mais desprotegidos da comunidade educativa. São sempre eles, sempre os mesmos, os que nunca ficam esquecidos no vosso discurso mas raramente são contemplados pelas vossas práticas. 

Nós conhecemos-lhes as caras, lidamos com eles todos os dias, para nós, Professores no terreno, nunca serão números. 

Assim, iniciarmos o E@D nestas condições, é uma falta de respeito pelos alunos, pelas famílias e pelos professores passado quase um ano sobre a cena primeira de um confinamento que foi, até certo ponto, inesperado. Este segundo confinamento, desculpem-me, só pode ter sido inesperado para os muito distraídos ou para os totós. Agradeço os esclarecimentos.

Recado aos Políticos - Vamos Salvar o Carnaval?

 




Eu em Fotografias de várias autorias

Recado aos Políticos - Vamos Salvar o Carnaval?

Assim todos malucos, todos aos molhos e fé nos deuses? 
Sim?
Que me dizeis? 
Eu, pelo sim pelo não, como sou uma rapariga previdente, já estou a preparar o disfarce.

Pandemia - Cuidados a Ter no Desconfinamento


Pandemia - Cuidados a Ter no Desconfinamento

Os máximos. O país não aguenta uma quarta vaga de COVID-19.

O Fecho das Escolas Teve o Efeito Brutal na Queda da Curva dos Novos Contágios


O Fecho das Escolas Teve o Efeito Brutal na Queda da Curva dos Novos Contágios

Hoje dou a palavra a Adalberto Campos Fernandes, ex-ministro da Saúde.

E acrescento, pois se foi assim exactamente na primeira vaga por que raio haveria agora de ser diferente?

E acrescento que também eu gostaria de esquecer tanto disparate escutado em declarações que nem vou rebobinar para não me incomodar ainda mais, nomeadamente da parte do nosso ministro que dizem ser cientista e pelo qual me sinto, enquanto Professora, envergonhada.

E como respeitar quem não se dá ao respeito?

Nota - Se eu queria voltar ao E@D? Era mesmo a última coisa que eu queria para os meus alunos e mesmo para mim e tudo fiz, individualmente, para não chegarmos a esta situação.

Isidoro - Acompanhe as Aventuras de Um Professor do Século XXI a Trabalhar Com Uma Carroça de Um Computador do Século XX

Isidoro - 
Fotografia de Luís Sottomaior Braga

Isidoro - Acompanhe as Aventuras de Um Professor do Século XXI a Trabalhar Com Uma Carroça de Um Computador do Século XX 

Excelente texto do Professor Luís Braga que retrata a realidade de muitas e muitas escolas portuguesas deste país e que tem tudo para se transformar num verdadeiro bestseller.
Quem ocupa o ministério, que deveria ser o da Educação, devia ter vergonha na cara.
Só mais uma coisa, a minha escola também está cheia de "Isidoros", obsoletos como o raio que os parta, sem som e sem câmara.
E, desculpem, outra final - leiam a caixa de comentários a este texto no facebook do próprio clicando aqui. Garanto-vos que dá um tratado.

"Apresento o Isidoro.
Vai ser o meu companheiro de trabalho na docência, enquanto durar o ensino à distância.
O Isidoro foi batizado por mim com carinho. Vou estar com ele em aulas síncronas, assíncronas e trabalho não letivo.
Quem me quiser ver, nas próximas semanas, vai ser à frente dele. De máscara, porque irei dar aulas num edifício público, onde é obrigatório estar de máscara.
Até porque parece que o #ficaremcasa não abrange alunos a quem o Estado se esqueceu de arranjar computador para estarem em casa.
O Isidoro é um belo exemplar com uns 13 anos de bons e efetivos serviços. Intel inside, etc e tal e não entremos em intimidades das suas entranhas que ele é velhote e tem pudor que se revelem as vergonhas.
O Isidoro está cansado. Corre o Windows 7. A plataforma Teams não pode ser instalada como aplicação e só funciona na versão online.
O Isidoro faz as coisas pausadamente. Hoje, demorou 8 minutos a ligar.
O micro e câmara visível tem de estar fisicamente desligados no arranque, porque de outra forma, não funcionam. Depois de estar no teams é que se pode ligar.
A câmara do Isidoro está com a vista cansada. Numa reunião de hoje, houve colegas que acharam que eu devia não estar muito bem, porque os meus olhos tinham olheiras. Não tenho mais que o costume. Os olhos do Isidoro é que estão cheios de sombras e cataratas.
O Isidoro esforçou-se muito hoje. Tive 2 reuniões. Na primeira, parecia que o micro não funcionava. Fazia barulho e ninguém me percebia.
Desistimos e fui para o chat dizer de minha justiça. Ninguém ligou muito. E por cortesia tentei ajudar os colegas, para acelerar a coisa, ligando pelo meu telemóvel.
Dava o meu recado e despachávamos o assunto. Houve um colega, que não gostou do recado, daqueles que têm muita moralidade para apontar as incoerências dos outros, que me disse que eu tinha dito que só usava o material da escola.
O meu Ex.mo fiscal da coerência tem razão e, por isso, agora vai ser só o Isidoro sem exceções de cortesia e, se avariar ou crashar, vou chamar alguém para arranjar.
Voltei ao chat e a coisa prolongou-se porque o teclado do Isidoro tem teclas que não funcionam.
Na reunião seguinte, uma colega de música explicou que, do outro lado, ouviam sons do micro, mas o problema é que, como estou numa sala vazia, faz tanto eco que não se ouve.
Quase senti que o Isidoro se comoveu por se ver que o problema não era ele.
A meio da reunião, o Isidoro crashou, quando abri, ao mesmo tempo, um site para consultar uma lei.
Tive que desligar e voltar a ligar (o Isidoro foi despachadinho...8 minutos para estar em condições de entrar no Teams).
No chat, o atraso entre escrever e ser lido era um ou dois minutos.
Não correu mal, certo?
Já me estava a afeiçoar ao Isidoro, mas acho que me vou separar dele para a semana. Alguém vai ter de arranjar alternativa. Estão a ver como serão as aulas?
E acho que hoje tê-lo batizado de Isidoro ajudou...
Santo Isidoro de Sevilha é o santo padroeiro da Internet.
Deve ter sido milagre do santo, pelo menos ter parecido que estava nas reuniões.
E não digam mal do Isidoro. Ele esforça-se. Não tem culpa que quem governa não cumpra a lei."

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

O Fecho das Escolas Foi Essencial


Telejornal - RTP1
Fotografia de Anabela Magalhães

O Fecho das Escolas Foi Essencial

Nas Escolas Não Há COVID

Denunciei a falácia do "Nas Escolas não há COVID" vezes sem conta neste blogue sendo que, nas escolas, o que não existiu, na generalidade, desde Setembro e até Janeiro, foi testagem para que não se soubesse a real situação da coisa. 

Nos últimos tempos o que aconteceu foi até giro - em estrela vão todos os próximos para casa para confinamento, perante um caso comprovadamente positivo de proximidade... e, giro, ou não eram testados de todo e regressavam à escola ou, cerca de dez dias depois lá iam eles fazer teste o que, não sendo eu perita na matéria mas sabendo que a miudagem tem, por norma, sintomas ligeiríssimos ou são mesmo assintomáticos e recupera bem rápido, me parece mesmo mesmo adequado para não apanhar sinais do estuporado que, nos entretantos, se escafedeu para outra/s pessoa/s e para oiutras paragens, silenciosamente ... até dar sinais de vida.

Também pedi o fecho das escolas mais precocemente do que aquele que acabou por se verificar apenas porque estava perfeitamente consciente que, fazendo movimentar diariamente cerca de 1/4 da população portuguesa, não havia, de todo, a possibilidade de controlar uma pandemia que já provou ser capaz de nos virar a vida do avesso.

Assim, não sei como o ministro da educação, que bateu o pé e tornou a bater o pé contra o fecho das escolas ou mesmo o nosso primeiro, que só as fecharam in extremis e debaixo de uma pressão insuportável e com a situação já perfeitamente descontrolada, conseguem dormir sob o martelar do peso dos números dos mortos que, diariamente, nos interpelam.

Eu não conseguiria. O que é que andamos a fazer aqui?

E assim chegamos à brilhante conclusão já retirada aquando da primeira vaga - o fecho das escolas foi/está a ser determinante para o controlo da pandemia.

Metáfora - A Palavra a Uma Aluna de Sétimo Ano

 

Metáfora - A Palavra a Uma Aluna de Sétimo Ano

Toda a gente que acompanha este blogue há mais tempo sabe que os meus alunos já fizeram portefólios físicos e que, no ano de 2017/2018, esta professora, preocupada com o peso que os seus alunos carregavam às costas (pesei as mochilas e cheguei aos 10 kg em costas frágeis de alunos de 7.º ano) resolvi desmaterializar os portefólios e transformá-los em portefólios digitais, realizados sempre na APP Adobe Spark, que os alunos vão construindo paulatinamente, aula a aula, transformando-os em autênticos diários de bordo que refletem os seus autores, os trabalhos dos seus autores e que não deixam de reflectir o trabalho desta professora que sem tornar as novas tecnologias o centro das suas aulas, porque eu nunca me desvio da História muito embora por vezes até pareça, as vai embrulhando em papéis que são muito do agrado da generalidade dos alunos. 

A história dos portefólios de História dá, por si só, uma saga que pode ser acompanhada, em parte, aqui. Talvez um dia, estando eu viva e reformada e, muito importante, ainda escorreita da minha cabeça, venha a escrever a parte negra de um trabalho muito árduo mas que me dá um gozo do caraças e que faz parte integrante do que eu penso fazer parte da minha profissão.

Confesso que gosto de lançar desafios aos meus alunos e vá lá, tenho tido a sorte de, uns mais, outros menos, claro está, mas também uns muitos - sou uma professora amiúde feliz dentro da sala de aula - corresponderem bastante bem na generalidade dos casos aos desejos lançados, às sugestões de trabalhos que muitas vezes nem passam pela obrigatoriedade e passam mais por um "Olhem vocês até podiam fazer..." e eles fazem!

Vem tudo isto a propósito desta reflexão muito bela que uma aluna de sétimo ano deixou no seu portefólio digital e que, com a devida autorização aqui publico.

"Resumo da Aula:

Na primeira aula deste ano letivo, 2020/2021, abordamos algumas regras gerais sobre esta disciplina, no entanto, vimos também algumas das matérias que iremos estudar. A professora falou-nos sobre as Dunas do Deserto e do que a nossa vida tinha a ver com elas. Primeiro não percebemos o porquê das dunas, mas ao longo da aula fomo-nos habituando à ideia que as dunas significavam etapas e que sempre que começávamos uma nova etapa na nossa vida era como começar a subir uma duna. Assim, sempre que acabássemos de a subir tínhamos outros desafios à nossa frente, outras dunas a superar."

Só uma nota final - A miúda que empurra a pedra com toda a sua força montanha acima é ela, a escolher o caminho mais trabalhoso mas também mais gratificante.

Muito grata, Aluna Minha, pelas tuas sábias palavras tão bem compreendidas! A Vida... também é muito isto!



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Carta aberta dos professores desconfinados à força, ao ministro em funções da Educação


Carta aberta dos professores desconfinados à força, ao ministro em funções da Educação 
 

Ex. mo Senhor Secretário de Estado da Educação Doutor João Costa 

As cartas abertas são normalmente documentos muito longos, cheios de considerandos. Esta vai ser curta. E centrada em perguntas que urge que o Governo responda.  

Todos sabemos que o ministro da educação formal tem nula capacidade de ação política e, tendo sido desmentido em público pelo Primeiro Ministro, não teve a percepção do que isso significa na dimensão pública do exercício do poder. 

O "ministro em funções" é assim V. Exa., como é visível há anos. Os considerandos não fazem falta para que conheça o problema que V. Exa. domina bem.  A lei, que o governo de que faz parte, publicou e impôs e que vincula todos os trabalhadores, diz que os meios para o teletrabalho, obrigatório em virtude do confinamento obrigatório, são fornecidos pelo empregador. 

O ministério da educação não está a cumprir, tal lei em relação aos professores, que estão a ser coagidos a ceder os seus equipamentos, para poder trabalhar e ficar em casa, sem que o ministério peça o seu consentimento, como a lei exige ou sequer compense tal uso coativo.  

A coação concretiza-se na imposição, para um trabalho que pode ser feito em teletrabalho, da deslocação ao local de trabalho. 

Sentados em salas de aula, em frente a câmaras e equipamentos decrépitos, os professores sem computador vão realizar "teletrabalho no local de trabalho",  um absurdo linguístico, além de um absurdo sanitário.  

Ficam então as perguntas que exigem resposta: 

1. Se o melhor para a saúde é ficar em casa, porque manda o ministério da educação centenas de trabalhadores seus, dito de forma simples, "apanhar covid", só porque não tem para ceder, ou se recusam a ceder, gratuitamente computadores e outros equipamentos para ficarem em casa a trabalhar?

2.São os professores cidadãos de segunda?  

3.E tanta preocupação com a desigualdade e, no caso dos professores com filhos (ou que só têm recursos para 1 computador para a família toda, para continuarem a trabalhar) porque é que o seu "patrão" não cumpre a lei e não lhes entrega material para trabalhar, para que não tenham de escolher entre o estudo dos filhos e o trabalho?  

A pandemia coloca muitas questões ao futuro. Neste caso resumem-se em mais  quatro e bem simples, que no meio da confusão noticiosa o Governo tenta ocultar, porque talvez as respostas nos digam muito sobre o estado a que deixamos  como comunidade política, chegar o pais: 

1. Porque não cumpre o Governo a lei que fez para os privados e restante setor público?  

2. São os professores trabalhadores de segunda, para quem "ficar em casa" não interessa, porque a sua saúde vale menos que a dos outros cidadãos?  

3. Se algum dos professores desconfinados à força aparecer doente com covid quem assume a responsabilidade? Ou, como em tudo o resto, a culpa vai ser dos próprios?  

4. Porque é que o governo coage os professores a uma exceção ao confinamento obrigatório?  

Aguardando as respostas, com alguma expetativa, como é normal em quem é obrigado, sem necessidade e contra a lei geral, a arriscar a saúde no meio de uma pandemia global,  

Apresentamos a V. Exa. os mais respeitosos cumprimentos.  

Um grupo de professores desconfinados à força

Nota - Carta Aberta retirada daqui.

Atenção! Temos Roteiro “Contributos para a implementação do Ensino a distância nas Escolas"

 


Atenção! Temos Roteiro “Contributos para a implementação do Ensino a distância nas Escolas"

Aconselho vivamente a leitura atenta do roteiro "“Contributos para a implementação do Ensino a distância nas Escolas”, datado de 2 de Fevereiro. É com ele que nos teremos de amanhar nos próximos tempos de E@D.

Reza assim;

"O roteiro “Contributos para a implementação do Ensino a distância nas Escolas” constitui-se como uma ferramenta de apoio às escolas na implementação do Ensino a Distância a partir de 8 de fevereiro de 2021. Complementarmente a este roteiro serão publicados recursos de apoio, como por exemplo, planificações semanais de trabalho, quer para alunos, quer para docentes. (3 de fevereiro de 2021)"

1. Contextualização 

A Resolução do Conselho de Ministros 53-D/2020, de 20 de julho de 2020, estabelece que, na preparação do regime não presencial, as escolas preparam os seus planos de E@D, devendo ser tidos em conta os equilíbrios necessários entre diferentes metodologias e diferentes momentos de trabalho. 

A gestão de tempos e metodologias, trabalhada na formação, conduzida pelo Ministério da Educação, através da Direção-Geral da Educação, e da Universidade Aberta, foi fruto da reflexão e aprofundamento dos momentos formativos sobre o roteiro “8 Princípios Orientadores para a Implementação do Ensino à Distância (E@D) nas Escolas”, acautelada nos Planos de E@D construídos por cada escola. 

Importa agora relembrar alguns aspetos essenciais. A gestão dos momentos síncronos e assíncronos deve acautelar: 

a) O tempo de atenção dos alunos e a fadiga de ecrã, variável em função das idades, estilos de aprendizagem e ritmos de diferentes turmas; 

b) A diversificação de metodologias ao longo de cada aula, estimulando-se a atenção, o trabalho individual e em pares e acautelando-se o recurso excessivo a métodos unidirecionais, seguindo-se as sugestões da UNESCO sobre a duração das unidades com base na capacidade dos alunos; 

c) O acompanhamento efetivo dos alunos nas aprendizagens desenvolvidas ao longo de cada semana; 

d) Uma constante monitorização pelas estruturas das escolas da eficácia das opções tomadas para a maximização das aprendizagens dos alunos.

Pode e deve continuar a ler o documento clicando aqui.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

A Jóia de Luz e a Demissão do Francisco Ramos

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Jóia de Luz - Serra da Aboboreira
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

A Jóia de Luz e a Demissão do Francisco Ramos

O meu neto tem sete anos feitos não há muito tempo mas, apesar da sua tenra idade, é muito atento ao que o rodeia, muito cumpridor nomeadamente com as regras de protecção que ele sabe que tem de manter e que para ele são como tomar o pequeno-almoço ou lavar os dentes a seguir. Nada de stresses, é o que tem de ser e ponto final e está tudo interiorizado desde o início.

É muito atento também a tudo o que vai escutando nomeadamente na TV, muito embora pareça concentrado nas suas brincadeiras, muitas com legos que ele adora.

Hoje, do nada, ao escutar a notícia da demissão do Francisco Ramos da Task Force que dirigia virou-se para a mãe e concluiu:

- Ahhhh... é uma espécie de comédia mascarada de notícia!

Subscrevo, J!, isto é mesmo tudo uma comédia mascarada de notícia e até tu já os percebeste.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

COVID-19 - Amarante - Ponto de Situação Possível

 



COVID-19 - Amarante

Em Amarante andamos em contraciclo. Pelo Norte, no geral, a curva dos novos contágios já começou a descer enquanto por aqui, no nosso maravilhoso concelho liderado por um excepcional timoneiro que vai ao lema da barcaça... pois, continuamos a subir, quiçá em direcção à Lua, a Marte, quiçá a Júpiter ou até ao mais longínquo Plutão.

Parece que foi motivo de muito orgulho a aprovação do maior orçamento de todos os tempos para o município de Amarante e para este ano que decorre em tempos de tormenta nunca vista e, só por  coincidência, em ano de eleições autárquicas. 

Maravilhoso! Estamos a fazer fabulosos investimentos em parques de estacionamento gigantescos chamados de multiusos, situados em terrenos maravilhosos que ladeiam o Tâmega e para que as margens não se peguem, que eu não estou esquecida dos combates entre os do Ferrinho de Cima e os do Ferrinho de Baixo, peguem lá um parque de estacionamento gigantesco para cada margem do rio, a acompanhar o seu leito com jeitinho, curvinha aqui, curvinha ali e vá lá que por aqui não temos meandros.

As restantes obras também vão a bom ritmo, muito betão se vai meter aqui no concelho, ele é o Solar dos Magalhães que se transformará em Casa da Memória depois de ele próprio ficar destruído como a única memória/ruína existente na cidade do tempo das Invasões Francesas, ele é... não vos vou maçar a enumerar tudo, mas apenas dizer-vos que esta rúbrica, betão, num orçamento camarário em ano de eleições, é sempre coisa fabulosa e digna de se ver e até vamos ter um elevador que nos levará do patamar da rua Cândido dos Reis ao parque de estacionamento à beira-rio, ou vice-versa porque parece que ele andará para baixo e para cima, que, presumo, deverá ficar revestido com folha de ouro espessa já que está orçamentado em quase meio milhão de euros. 

E entretanto, perguntam vocês... e o que está a ser feito localmente em termos de COVID já que Amarante é um dos sítios piores para se estar no planeta... ai jasus... e apanhar a estuporada? E isto não é de agora pois a situação já se arrasta há muito mas muito tempo.

Pois... perguntais bem. Como vós, meus leitores, sois de tantos lados, vá lá saber-se a razão de eu ter tantos leitores também vindos do estrangeiro, podeis sempre inteirar-vos aqui, na página de um município que anuncia cada espirro que dá.

Boas leituras!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

E@D à Vontade do Freguês... e da Freguesa...


E@D à Vontade do Freguês... e da Freguesa

Foi você que pediu 100% das suas aulas em regime presencial agora transformadas em 100% de aulas síncronas no E@D?

Foi você que pediu 100% das suas aulas em regime presencial agora transformadas em 75% de aulas síncronas e 25% de aulas assíncronas no E@D?

Foi você que pediu 100% das suas aulas em regime presencial agora transformadas em 50% de aulas síncronas e 50% de aulas assíncronas no E@D?

Foi você que pediu 100% das suas aulas em regime presencial agora transformadas em 1/3 de aulas síncronas e 2/3 de aulas assíncronas no E@D?

Olhem, pelo sim pelo não, como sou uma rapariga fashion, escolherei sempre as hesitações do Jean Paul Gaultier.

Oui? Non? Oui? Oui? Non? Oui? Non?  

Quem espreitar o vídeo saberá das minhas razões.

Nota - Vou já ali abrir um Porto Ferreira e beber à minha saúde mental. Sim?

Os Problemas Graves que nos Esperam no E@D Devido à Incompetência de Uma Tutela que Já Perdeu o Respeito de Quase Todos

 


Os Problemas Graves que nos Esperam no E@D Devido à Incompetência de Uma Tutela que Já Perdeu o Respeito de Quase Todos


Inicio este post com uma citação, transcrita no DN, do Arlindo Ferreira, Professor que há muitos anos conheço de inúmeras lutas comuns e que muito admiro por todo o trabalho que tem feito em torno da Educação e dos seus intermináveis problemas. 

Sobre o E@D, que se avizinha a passos largos, depois de quinze dias em que fomos proibidos pela tutela na pessoa do seu dirigente máximo, o ministro da educação, aqui propositadamente escrito com minúscula, afirmou Arlindo Ferreira:

"Vão reviver-se os mesmos problemas e as mesmas frustrações."  

E eu, lamento contradizer o Arlindo, mas não vamos reviver os mesmos problemas e as mesmas frustrações "apenas" porque serão agora, quase um ano passado sobre o arranque do primeiro E@D, infinitamente mais graves. 

Vejamos um real caso, de uma real turma minha, que eu conheço quase como as minhas mãos.

Família constituída por pais e três filhos, possuem um computador.

O filho mais velho está no ensino superior, tem aulas à distância em horário previamente marcado e, para além desse horário, tem horas e horas de trabalho autónomo no dito cujo.

Os dois mais novitos vão ter, cada um deles, um horário fixo que cumprirá obrigatoriamente 75% das aulas que teriam no regime de escola presencial.

Ora, no primeiro E@D, os horários foram sendo acertados caso a caso, turma a turma, grupo a grupo, muito foi mesmo trabalho autónomo dos alunos que o realizavam quando podiam, queriam ou o que fosse e que nós seguíamos dando feedback constante. Isto passou-se no meu agrupamento, onde as aulas foram predominantemente assíncronas mas em que também tivemos aulas síncronas e tudo correu pelo melhor já que, como nem tutela nem município nos cederam nem um computador para fornecer aos que ficariam completamente desligados da escola por falta de meios, nós, agrupamento, cedemos os computadores portáteis da sala do futuro, mais os fixos da sala de TIC e até chegamos aos fixos que foram  desmontados das secretárias dos professores, sala de aula a sala de aula. E lá conseguimos articular tudo bastante bem e alunos desaparecido do nosso radar devem contar-se pelos dedos de uma mão em todo o agrupamento.

Com horários fixos de 75% de aulas síncronas a falta de computadores será elevada a não sei quantos porque cada aluno, em princípio, precisará do seu computador e, já agora, de uma divisão da sala só para si... ou às tantas as casas transformam-se em autênticos manicómios.

Estão a ver o nó cego que aqui está arranjado pela incúria, incompetência, desleixo e eu nem sei bem mais o quê, deste governo que prometeu a todo um país, na pessoa do primeiro-ministro, ter tudo pronto em Setembro... de 2020?

Como diz o Paulo Guinote, vão-se catar!

À Atenção De Tiago Brandão Rodrigues - A Palavra a Santana Castilho - Como Pode Ser Ministro Alguém Tão Ignorante?

 

Recorte surripiado aqui.

À Atenção De Tiago Brandão Rodrigues - A Palavra a Santana Castilho - Como Pode Ser Ministro Alguém Tão Ignorante?

Muito grata, Professor Santana Castilho!
Está na hora de darmos uns bons murros na mesa.

Nota - Para ler com mais conforto clique sobre a primeira imagem.

 
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