quinta-feira, 27 de março de 2014

Emigração Assustadora

Imagem Poética para Contrabalançar o Pessimismo - França
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães
 
Emigração Assustadora

Já falei aqui neste blog desta dimensão assustadora da emigração que nos sangra o país de gente válida e na maior força da vida, gente nova acima dos vinte anos, já bem formada, licenciada, mestrada, doutorada, que volta costas, zangada, ao país indecente e à gente que o fez/faz indecente, com níveis de pobreza a alastrar como ervas daninhas em campo lavrado e bem estrumado num país agora muiiiiiito melhor, segundo as palavras dos obscenos.
Hoje vou falar de uma outra dimensão, igualmente medonha, aquela que leva os mais novos, que nos leva os alunos e os faz desaparecer de dentro das nossas salas de aulas, miúdos e miúdas em idade escolar que não completarão, jamais!, a escolaridade obrigatória na Pátria/Madrasta que os viu nascer.
Acabei de falar pelo facebook com a última a desaparecer-me da sala de aulas, agora no Luxemburgo. No primeiro período já me tinha desaparecido uma outra com destino a França. Durante o ano lectivo anterior este movimento também foi bem perceptível.
Comecei a leccionar aos 25 anos. Tenho agora 52 e nunca antes vi com os meus olhos semelhante sangria. A somar à baixíssima taxa de natalidade temo que a viabilidade do país esteja posta em causa.

1 comentário:

setepecados imortais disse...

A emigração de hoje é de sobrevivência como há 50 anos. Será diferente, no entanto, porque não haverá regresso. O sentimento de pertença não é tão forte, a família não é tão grande, quem emigra não é tão inculto. Aliás, não é inculto.
....
Claro que temos futuro enquanto povo. Provavelmente, não seremos nós a fazer esse futuro. E também por isso ficamos com a alma a sangrar.

 
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