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domingo, 6 de novembro de 2016

Os Portefólios de História, a Criatividade, os TPC



Portefólios de História - E.B. 2/3 de Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Os Portefólios de História, a Criatividade, os TPC

Os portefólios de História são construídos por cada um dos meus alunos segundo um guião, que pode ser consultado se clicarem aqui, guião este que pode, e até deve!, ser alterado e ajustado à medida do seu fabricador, à medida de cada aluno e eu tenho sempre o cuidado de avisar os alunos de 7º ano, que pela primeira vez me vêm parar à sala de aula, sobre aquilo que pretendo - e eu pretendo trabalho, por vezes "padronizado", por vezes tudo menos padronizado, é conforme, porque tudo tem o seu lugar e pode coexistir em perfeita harmonia.
Um portefólio deve ter uma pessoa dentro e, se a tiver, será absolutamente original, único e irrepetível, reflexo da individualidade de cada um e são exactamente estas características que o diferenciam de um mero caderno diário onde todos passam os sumários, todos fazem os exercícios de aula no caso de serem escritos durante as aulas, todos fazem os TPC, todos fazem as correcções dos testes... não estimulando, o caderno diário, a tal da criatividade que a escola deve cuidar.
Já os portefólios são espaços físicos também de liberdade mas que ajudam os alunos a organizarem-se pois cada separador funciona como uma gaveta no nosso armário de roupa, onde guardamos as camisolas em gavetas diferentes das gavetas onde arrumamos as cuecas. Sim, claro, podemos ter tudo ao molho e fé em deus e não morreremos por isso mas criar hábitos de arrumação e de ordenação ajuda a arrumar outras coisas ao longo da vida que vão precisar de ser arrumadas, organizadas, separadas e parece-me que, sem stresses, a Escola tem aqui um papel a desempenhar e os Professores podem, e devem!, ajudar a fomentar e estimular a organização, o asseio e o brio dos/aos seus alunos.
Sim, eu sei, há casos em que isto não funciona de todo mas também sei que muitos outros há em que os alunos levam a coisa seriamente e apresentam portefólios com trabalho constante, com reflexões sobre si próprios e sobre o que pretendem, até com trabalho não solicitado absolutamente extraordinário e que me deixam, amiúde, se sorriso rasgado de orelha a orelha.
Um dia não muito distante, dentro da Sala de Aula de História, ao leccionar a arte do Paleolítico, nomeadamente a pintura, falei-lhes de duas diferentes técnicas, que nos vêm desses tempos remotos, para pintar as mãos em positivo e em negativo... mãos dos nossos antepassados que chegaram até aos dias de hoje, até nós, que mais não somos do que os descendentes desses Homo sapiens sapiens que, pela primeira vez na história da humanidade, inventaram a arte. Emocionante poder olhar para elas.
Presumo que um dia, algures no futuro, estas mãos que hoje partilho pintadas em negativo e em positivo, que pertencem a alguém que agora se senta na minha sala de aulas, também serão olhadas com emoção... porque se transformarão em mãos adultas e firmas para depois declinarem, devagar, até chegarem a uma idade avançada... espero.
Se eu mandei os meus alunos fazerem este TPC? Não, não mandei. Mas houve quem o fizesse apenas porque lhe apeteceu. Leccionar é também provocar. E, tenho a certeza, quem fez este exercício, jamais trocará o que é uma mão representada em positivo pelo que é uma mão representada em negativo.
Partilho um exemplo. Pequenino, insignificante, mas que é ilustrativo da complexidade do desempenho da minha profissão, que envolve muito trabalho não medível, não quantificável, por vezes até oculto e que se prende com a Humanidade e que se prende com as Humanidades.

Nota - Com os meus agradecimentos à L... e às suas mãos.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Um "Exercício Curioso" Realizado a Partir dos Portefólios de História


Sol - Procissão do Corpo de Deus - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães
 
Um "Exercício Curioso" Realizado a Partir dos Portefólios de História

Em 16 de Julho de 2011, escrevi:

A Importância da Língua Portuguesa - Trabalho

A Língua Portuguesa é para nós, falantes dela, apenas basilar e estruturante de todo o pensamento e de todo o conhecimento. Pensamos em português, falamos em português, esta é a língua que utilizamos para comunicar desde que nascemos, ainda antes, para ser mais precisa, e é através dela que chegamos ao conhecimento seja do que for pois ela está sempre presente no nosso dia-a-dia, nas aprendizagens que fazemos no recato do nosso lar, nos espaços de convívio com os nossos pares e com os nossos ímpares também, na escola, obviamente, onde ela está omnipresente. É através dela que estruturamos o nosso pensamento e o nosso conhecimento, descodificamos e formulamos mensagens. Ou não.
Deparo-me, enquanto portuguesa, com um péssimo uso da Nossa Língua Materna e não me estou só a referir aos estratos sociais, económicos e culturais mais baixos da nossa sociedade. A cada passo, detecto erros ortográficos na legendagem de filmes, na "legendagem" dos noticiários, que mania de pôr aquela tira horrorosa que nos tapa o fundo do écran e nos dispersa a atenção para outras notícias que não a que está a ser dada!, até nos manuais escolares já para não falar nos pontapés de gramática dados por muitos dos nossos "governantes" que escrevem qualquer coisa que não português e cujo exemplar máximo é/foi, sem dúvida, a Directora Regional da Educação do Norte, Margarida Moreira de seu nome, que por certo todo o país fixou, dado o escândalo da coisa.
A Língua Portuguesa comanda-nos as aprendizagens em todas as áreas do Saber. Se eu não conseguir descodificar uma qualquer questão de Matemática ficarei por certo a olhá-la como um boi para um palácio. Se eu ler uma questão num teste de História e compreender o contrário do que me está a ser pedido está bom de ver qual vai ser o seu resultado final.
Por ter a consciência da importância da Língua Portuguesa e das debilidades sentidas pelos alunos neste domínio, quando estes me chegam à sala de aula no 7º ano de escolaridade, qual o papel que escolhi para mim, enquanto professora de História e de Língua Portuguesa?
Ficar somente a barafustar com os meus alunos porque os erros ortográficos assim e as construções frásicas assado e ai meus deuses, ai meus deuses que isto é inacreditável!?
Pois, também barafusto, mas, para além disso, exijo-lhes um português escorreito, frases completas nos exercícios e nos testes, portefólios, que já foram cadernos em tempos que já lá vão, ordenados e que são vistoriados por mim, de quando em vez, exaustivamente, fazendo a sinalização dos erros ortográficos que os alunos têm de corrigir dez vezes, das faltas de acentos, que os alunos têm de corrigir cinco vezes e a mesma coisa para os sumários inventados e que não correspondem minimamente ao que eu ditei e que, por vezes, me deixam verdadeiramente estupefacta perante a criatividade das criaturas.
Este meu trabalho enquanto docente, de portefólios à tiracolo que arrasto para a sala de professores ou mesmo para minha casa, num trabalho imenso que eu não sou obrigada a fazer mas faço por entender ser benéfico para os alunos, já foi alvo de gozos infindáveis por parte de outros meus colegas de profissão porque sim, eu ganho exactamente o mesmo que outros nas minhas circunstâncias e sim não tenho nada de mais interessante para fazer na vida e sim, contento-me muito e fico muito feliz quando mando os alunos, no início do 3º período, fazerem um exercício muito simples - contarem os erros dos seus portefólios no 1º e no 2º período que anotam no quadro em colunas separadas. No fim é só fazer o que o outro disse, é só fazer as contas e pedir aos alunos para encontrarem uma explicação para a tendência de os erros diminuírem, de um período para o outro, mais de dois terços. E sim, a cabeça deles também foi feita para pensar e lá me ensaiam explicações - Pois, professora, ficamos mais cuidadosos porque sabemos que a seguir temos de corrigir os erros! Pois, professora, mais vale estar mais atento e fazer logo bem à primeira! Pois, professora, não queremos o trabalho de corrigir os erros dez vezes.
É claro que eu podia simplesmente barafustar. É evidente que teria muiiiito menos trabalho com isso. É claro que também poderia fazer de conta que cumpro os critérios de avaliação dos alunos apenas a olhar de relance para os portefólios, tirando-lhes as medidas a olhómetro, ora deixa cá ver, sim senhora, está muito giro! A chatice é que acredito que esse é um péssimo caminho e que, por ser de tal qualidade, eu escolhi não ir por aí. Além de que o exemplo dado aos meus alunos seria o da desonestidade e eu também não admito ir por aí.
Ah! E as evidências deste meu trabalho, agora tão em moda, estão aqui.
E sim, tenho um saco deles, um Saco de Portefólios. Obrigada, Lai.
 
Hoje voltou a ser dia de fazer este exercício curioso de que já falei no post originalmente publicado em 2011. Mandei os alunos contarem os erros assinalados e por mim corrigidos a vermelho, para se ver bem!, nos seus portefólios, separados por períodos. Os resultados foram do agrado de todos e foi ver como portefólios de alunos com trinta erros no 1º período passaram para oito no 2º, dezoito para quatro e assim sucessivamente, nem um a fazer o movimento inverso, tudo a progredir no sentido da melhoria, do cuidado, do esmero, do respeito que devemos a esta língua que é a nossa.
Sem que eu seja uma expert de Língua Portuguesa, a verdade é que a vou dominando com relativa facilidade e grande respeito e vou fazendo o que está ao meu alcance para transmitir aos meus alunos um facto que nem sempre é muito claro para eles - O português que falamos e escrevemos é um dos cartões de visita mais importantes que podemos usar durante toda a nossa vida.

Capice?

Nota - Se eu gostei do exercício... eheheh... tenho a dizer-vos que os alunos não me ficaram atrás e foi vê-los a irromper em salvas de palmas sucessivas e sorrisos rasgados sempre que um deles apresentava os seus dados.

Valeu, Alunos Meus! As aprendizagens também têm de ser feitas com Alegria!

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Portefólios de História







Portefólio de História
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães



Portefólios de História



Os portefólios de História contam para a avaliação dos alunos que frequentam esta disciplina, no 3º Ciclo de Escolaridade, conforme os critérios de avaliação previamente definidos pelo respectivo grupo e aprovados, posteriormente, em Conselho Pedagógico, neste caso no Agrupamento de Escolas de Amarante.
A sua correcção dá-me uma enormidade de trabalho, porque os corrijo um a um, palavra a palavra, tentando detectar todos os erros ortográficos, todas as faltas de acentos, todos os sumários incompletos, errados... o que for. E em todos coloco uma apreciação escrita tentando motivar os alunos a melhorarem, se for caso disso, a continuarem a caminhada, se já estiver muito bem... e até já me aconteceu ter avaliado um portefólio, mais do que um portefólio, na verdade!, com um "X, eu já te disse que é um privilégio ser tua professora?"
Cada aluno constrói o seu portefólio a partir da segunda aula, aula esta reservada à explicitação do que esta professora pretende com isto e pretende, claro está!, ajudar os seus alunos a organizarem-se, a arrumarem as meias na gaveta das meias e as camisolas na gaveta das camisolas, ou seja, a arrumarem os sumários na secção dos sumários, os trabalhos de aula na secção dos trabalhos de aula, as palavras difíceis nas palavras difíceis, a apresentação da disciplina no sítio respectivo, os objectivos que os alunos pretendem alcançar na disciplina na gaveta dos objectivos... e por aí adiante conforme pode ser comprovado se clicarem aqui.
Um portefólio arruma-se como quem arruma a roupa em gavetas, como quem arruma postagens em etiquetas num blogue, enfim, arruma-se! Ou deve arrumar-se!
É claro que não há dois portefólios iguais, muito embora o esqueleto seja semelhante, o revestimento deste, a sua pele, as suas particularidades, os seus pêlos, os seus sinais... são únicos e irrepetíveis, e, como eu sempre lhes digo, os portefólios, tal como as pessoas, são todos diferentes, são todos iguais!
Este ano já iniciei a ronda. Por agora ainda não com o objectivo de os classificar mas apenas com o objectivo de ir fornecendo pistas de melhoria a cada aluno, a cada aluna que integra as minhas seis turmas que me tocaram neste ano lectivo de 2016/2017.
Este ano, já vi muitos portefólios muito interessantes, muito arrumadinhos, muito asseados, muito organizados, muito cuidados, a revelarem gente muito muito briosa por detrás deles. E, confesso-vos, gosto disto! Foi o caso deste que, com a devida autorização da sua autora, partilho aqui no blogue.
É um portefólio de uma aluna, em construção.
Darei novas.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Relatório de Auto-Avaliação Docente - Partilha

Auto-Retrato - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães
 
Relatório de Auto-Avaliação Docente - Partilha

Partilho o meu relatório de auto-avaliação de desempenho de 2013, que deu cumprimento à mísera ADD em vigor, aquela que nos levará a lado nenhum.
Sei lá, pode ser que seja útil a alguém... e se não for, ignorem!
Quanto à minha auto-avaliação deste ano... garanto-vos que perderei 5 minutos com ela.

1. Prática letiva - 1 de setembro de 2012 a 31 de agosto de 2013
No ano letivo de 2012/2013 foram-me atribuídos 22 tempos na componente letiva, preenchidos por 3 turmas de 8º ano, B, C e D, a que lecionei História, e 2 turmas de CEF, de 2º ano, 2A e 2B, a que lecionei CIDMAC; 13 tempos de componente não letiva, distribuídos por Trabalho de Escola - Clube de História, TEP, Direção de Curso CEF, D T – e Trabalho Individual. Usufruí da redução de 2 tempos letivos ao abrigo do artigo 79. O número total de alunos abrangidos pela minha ação direta foi de 91.
Cumprimento do serviço lectivo - o meu objetivo é lecionar a totalidade das aulas previstas o que foi alcançado nas turmas de CEF mas não nas turmas do 8º ano pois não consegui repor a totalidade das aulas a que faltei por motivo de doença; as aulas a que faltei, ao serviço da Escola, acompanhando alunos em visitas de estudo, foram repostas. Fui sempre pontual e zelei pela pontualidade e assiduidade dos alunos quer enquanto professora quer enquanto Diretora de Turma de um CEF. Cumpri todos os conteúdos programáticos que constam nas planificações das diferentes disciplinas e cumpri as visitas de estudo que constam do Projeto História em Movimento, transpostas para as atividades do grupo de História do 3º Ciclo, planificadas para as turmas de 8º ano; participei em duas visitas de estudo especialmente dirigidas aos alunos de CEF das turmas 2A e 2B.
Mantenho-me informada, participativa e crítica face às políticas educativas, procuro novas estratégias e partilho-as. Construí e reformulei recursos pedagógicos, em PPT, e partilhei-os nas minhas páginas web. Procuro a inovação pedagógica, promovo ambientes de trabalho seguros, confortáveis, exigentes e estimulantes, que se refletem numa maior adesão e gosto pelas disciplinas que leciono por parte dos meus alunos. A minha responsabilidade profissional visa o sucesso e a qualidade das aprendizagens e o desenvolvimento integral de todos e valorizo os diferentes saberes e culturas dos alunos.
Para alcançar este elevado patamar de desempenho utilizei: quadro negro, manual, réplicas de peças significativas e materiais autênticos, enciclopédias, dicionários, manuais de diferentes editoras, leitor de DVD, Internet, apresentações em PPT, etc.
Participei de forma empenhada e responsável no trabalho pedagógico e na vida da Escola. Realizei, colaborativamente, a planificação anual, trimestral e por unidade temática de História; planifiquei individualmente a planificação modular para CMA, com pleno conhecimento e respeito científico-pedagógico-didático; participei na elaboração dos PCT, nos trabalhos que decorreram em reuniões diversas, reformulei as apresentações em PPT para o 8º ano; inventariei páginas web e vídeos pertinentes para apoio às matérias lecionadas que disponibilizei num blogue da minha autoria chamado “História 3º Ciclo”. Utilizei as minhas apresentações em PPT nas aulas de 90 minutos. As aulas de 45 minutos foram totalmente práticas, reservadas a exercícios, testes e suas correções. Promovi a realização de trabalhos de grupo em contexto de sala de aula. Monitorizei exaustivamente a evolução dos portefólios dos alunos. Cumpri e executei a avaliação diagnóstica, formativa e sumativa prevista. Todo o meu trabalho visou desenvolver, para além das competências previstas nas metas de aprendizagem, o gosto pelas disciplinas, a pesquisa, hábitos, método e rigor no trabalho, o espírito de observação, atitudes de solidariedade e de sociabilidade, a sensibilidade estética, a sensibilização para a importância da defesa do património, para a importância das TIC, para o abrir de novos horizontes. Promovi estratégias pedagógicas diferenciadas que tiveram como público-alvo os alunos mais fracos e os melhores num processo responsável e solidário de enriquecimento mútuo, a que chamo Tutoria de Pares, com resultados práticos apreciáveis de melhoria; promovi a articulação com LP através da monitorização do Portefólio e realizei atividades de enriquecimento através do projeto História em Movimento, nomeadamente uma aula sobre o Barroco, lecionada na Igreja de S. Domingos, Museu de Arte Sacra e Igreja de S. Gonçalo em interdisciplinaridade com a disciplina de Educação Musical e uma Reconstituição do Percurso das Invasões Francesas em Amarante, em articulação com o Museu Amadeo de Souza-Cardoso. Colaborei com a Rádio Ativa e o Jornal Escolar “O Abelhudo” e trabalhei em estreita ligação com a Direção, nomeadamente no que diz respeito aos meus alunos da minha DT.
O meu entendimento da prática letiva leva-me a defender, e a praticar, a inteira partilha de todos os materiais pedagógicos por mim construídos não podendo eu ser responsabilizada pela sua não consulta ou até pelo seu desconhecimento por parte dos meus pares.
Mantive uma atividade constante no meu blogue pessoal “Anabela Magalhães”, eleito como o terceiro melhor blogue nas categorias Educação e Atualidade Política, no único concurso de blogues existente em Portugal, promovido pelo Aventar; ainda no âmbito deste concurso, o meu blogue “História 3º Ciclo” foi eleito o melhor blog de Portugal, na categoria História.
A minha relação pedagógica com os alunos é de grande proximidade, quer pelas minhas características pessoais, quer pelo facto de disponibilizar todos os meus contactos de correio electrónico, redes sociais e blogs mantendo-me completamente disponível para o esclarecimento de quaisquer dúvidas via “chat” do facebook onde mantenho um espaço de esclarecimento imediata de dúvidas aos alunos. A relação pedagógica e humana que estabeleço com os meus alunos é excelente, baseada no respeito mútuo, educação, respeito, empenho, interesse, atenção, autoridade positiva, cumprimento de regras, profissionalismo, seriedade e honestidade no trabalho que executo de forma transparente e muito participado pelos alunos, potenciada pela interatividade, pelo conforto e mais-valia conseguidos pela utilização das TIC em contexto de sala de aula visando o seu desenvolvimento integral e harmonioso. Incorporo os contributos dos alunos, solicitados através de pequenos inquéritos e de texto livre no sentido de obter um feedback necessário para melhorar a minha atividade letiva. Comunico com rigor, sem descurar a promoção da criação de um ambiente de aprendizagem baseado no respeito mútuo e interação constante, em que o aluno é ator e participa na aquisição e apropriação do conhecimento. Como estímulo ao gosto pelo conhecimento, ao apuramento do sentido crítico e à capacidade de argumentação desenvolvi estratégias diversificadas ao promover e organizar debates e visitas de estudo, potenciadores da aquisição de valores, promotores de uma cidadania responsável, da aceitação do outro e da diferença, cumprido assim o Plano de Ação do PE, nomeadamente o ponto 5.
Mantenho como pontos fortes uma enorme capacidade de trabalho, inteira disponibilidade para o mesmo, uma experiência profissional diversificada – a lecionação desde o 2º Ciclo ao Secundário, passando pelo Ensino Profissional, CEF, Ensino Noturno e Educação de Adultos potenciaram a agilidade e destreza para a atividade letiva e contribuíram para a fácil e boa relação que estabeleço com as pessoas - a enorme capacidade de iniciativa, adaptação e disponibilidade para aceitar e incorporar a evolução e a mudança, o elevado sentido ético e profissional, o gosto e defesa intransigentes da partilha de recursos próprios, a facilidade em conceber, planificar e operacionalizar projetos que sejam uma mais-valia para a comunidade educativa, o domínio e o gosto pela incorporação das TIC nas minhas práticas letivas, a capacidade reflexiva e crítica sobre a minha prática pedagógica tentando construir outros caminhos, a prática do trabalho colaborativo, nem sempre possível devido a constrangimentos vários que urge superar.
2. Atividades promovidas
Continuei a dinamizar e a partilhar o projeto “História em Movimento”, orientado para a melhoria de qualidade da Escola que englobou o clube homónimo, o centro de recursos, as páginas Web” História em Movimento”, as páginas de recursos pedagógicos de História e de CIDMAC, o blog “História em Movimento” para partilha de experiências em texto e/ou fotografia das várias actividades e continuei a dinamizar o blog História 3º Ciclo que constitui um manual on-line ao dispor dos alunos e onde, para além das aulas lecionadas, partilho documentários que previamente seleciono na internet e links que considero pertinentes e enriquecedores para complementar as aprendizagens dos alunos. Promovi e organizei duas aulas/visitas de estudo, a saber: “O Barroco – Visita à Igreja de S. Domingos e Museu de Arte Sacra” e “Reconstituição do Percurso das Invasões Francesas em Amarante. Acompanhei os alunos dos CEF em duas visitas de estudo: Festival Internacional do Chocolate de Óbidos e Visita aos Ovos Moles de Aveiro e Pastéis de Tentúgal.
3. Análise dos resultados obtidos
Dei a conhecer os critérios de avaliação de História, a que se seguiu a avaliação diagnóstica. Monitorizei as aprendizagens, tendo em conta as metas a alcançar, utilizando instrumentos de registo da minha autoria ou por mim adaptados – testes diagnóstico, fichas de observação de aulas para monitorização da participação oral de cada aluno, aula a aula - as interacções verbais foram estimuladas com questões colocadas a partir da exploração das apresentações em PPT - fichas de monitorização de portefólios, exercícios formativos e de monitorização de observação de documentários, testes de avaliação, ficha de auto-avaliação, grelha de avaliação compreendendo o domínio cognitivo e de atitudes e valores. Efetuei um estudo comparativo que incidiu sobre os resultados obtidos pelos meus alunos no 1º período do 7º e 8ºs anos e em que verifiquei uma melhoria de7,52%, tal como consta em anexo da ata de departamento de dia 10 de Janeiro de 2013. Será realizado um balanço final, logo que o ano lectivo esteja encerrado em termos de reuniões de avaliação. Os momentos de auto e hetero-avaliação foram realizados com total transparência e decorreram de forma participada pelos alunos visando a sua responsabilização e incentivando a reflexão sobre os seus desempenhos, identificando erros como primeira etapa para a sua correção.
4. Contributo individual para os objetivos e metas do Agrupamento
Conheço o PE e transpus os seus objetivos para a minha prática letiva, a saber: Objectivos do PE: 5.4.1 – Melhorar as condições físicas e materiais – cumprido com a construção de materiais pedagógicos para uso em contexto de sala de aula e o enriquecimento do Centro de Recursos da Sala de História do 3º Ciclo; 5.4.2 – Melhorar as condições de ensino/aprendizagem – cumprido através das páginas de recursos pedagógicos da minha autoria, da manutenção do Centro de Recursos, do projecto “História em Movimento”, dos blogues História em Movimento e História 3º Ciclo; 5.4.3 – Melhorar a capacidade do aluno assumir atitudes e comportamentos contextualmente adequados – cumprido através do Projecto “História em Movimento”, através da colaboração dos alunos na realização do blogue “História em Movimento” e através do acompanhamento de alunos em visitas de estudo que promovi e que acompanhei. 5.4.4 – Melhorar as relações com o meio – cumprido através das parcerias com as instituições locais – Museu Amadeo de Souza-Cardoso e Museu de Arte Sacra de Amarante / Paróquia de S. Gonçalo - e através das páginas web e blogues; 5.4.5 – Melhorar a forma organizacional da escola – cumprido através da criação de documentos da minha autoria – grelha Excel operacionalizando os critérios de avaliação, grelha de monitorização de portefólios, grelha de observação de aulas, apresentação em PPT para a receção aos EE disponibilizada à CDT.
Exerci o cargo de DT com dedicação total a alunos e restante corpo docente, partilhando informações, promovendo o diálogo entre os pares, participando em todas as reuniões. Apoiei e colaborei com os encarregados de educação informando-os sobre o aproveitamento e integração na vida escolar dos educandos. Exerci plenamente a minha função enquanto membro do meu Departamento, lançando temas a discussão, como sejam a avaliação dos alunos e a operacionalização dos critérios de avaliação adotados na EB 2/3 de Amarante.
5. Formação realizada e o seu contributo para a melhoria da ação educativa
 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Aulas de História - Sala de História - Estratégias Pedagógicas

Recursos Pedagógicos de História - Sala de História
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Aulas de História - Sala de História - Estratégias Pedagógicas

Quem acompanha este blogue desde os seus primórdios, este blogue foi criado algures num dia de Fevereiro de 2006, cedo tomou contacto com o meu trabalho em sala de aula, muito inovador à época, tendo por base um trabalho previamente feito a partir do ano lectivo de 2004/2005, integralmente pensado, concebido e realizado por mim num maravilhoso programa chamado PowerPoint.... daí eu ter sido mesmo "baptizada" com o cognome, de que me orgulho, de Miss PowerPoint.
É claro que estou a falar de um tempo em que trabalhei sem rede, sem modelos previamente observados, ajustando os meus PPT às estratégias que, aula a aula, vou concebendo e utilizando e que vão variando ao longo dos anos porque as vou aperfeiçoando, porque eu sou irrequieta e insatisfeita e trabalhadora como o raio que me parta.
Passados todos estes anos, a base das minhas aulas continua a ser constituída pelas minhas apresentações em PPT, agora descodificadas e partilhadas na minha página de recursos, que já é a segunda e está agora com um template mais apelativo... mas nunca fugindo do preto, do branco, do vermelho, do verde e do azul, as cores que são a imagem de marca de grande parte do meu trabalho que partilho de forma graciosa, descomprometida, desinteressada, entusiasmada mesmo que já não tenho idade para falsos pruridos que, de resto, nunca fizeram o meu género, esperando, em última análise poder ser útil a alguém que neste trabalho veja utilidade.
O texto que a seguir transcrevo tem mais de uma década mas continuo a subscrever cada palavra por mim escrita, lá atrás no tempo:
As apresentações em PowerPoint não são panaceia para coisíssima nenhuma pois não são, nem nunca serão, os recursos/ferramentas, utilizados dentro da sala de aula, que determinam a qualidade dessa mesma aula, mas sim a abordagem desses mesmos recursos/ferramentas. Sei, por experiência própria, que esta ferramenta/recurso, utilizada em contexto de sala de aula, possibilita uma interactividade incrível entre professores e alunos, muito embora esteja espalhada a ideia, errada, de que é uma ferramenta muito estática, o que se deve, por certo, à utilização completamente errada e lamentável, porque apenas lida, que vulgarmente se faz da apresentação em PowerPoint. Sei também, fruto da experiência acumulada, que em Educação não há receitas e que a boa aula é a aula que resulta. E ponto final. E que a sua qualidade/êxito depende da sua preparação, das características do professor e dos seus alunos, da felicidade do professor e dos seus alunos, até do tempo, da chuva que nos entristece ou do sol que nos enche de energia, das condições de saúde, física e mental, do professor e dos seus alunos... 
E eis que chego aqui, ao dia de hoje, a iniciar a Pré-História com duas novas turmas do sétimo ano de escolaridade já que esta disciplina se tornou semestral no agrupamento onde trabalho. E andamos às voltas com um problema velho como o planeta e que é o problema das alterações climáticas e ainda com as adaptações daí decorrentes para toda a fauna e flora e andamos também às voltas com o conceito de economia de recolecção e de caça e do consequente nomadismo.
Aqui chegados jamais lhes dou a lista dos materiais que a Natureza colocava ao dispor desses nossos antepassados, já que não quero neurónios preguiçosos dentro da minha sala de aula, pelo contrário, exijo neurónios plásticos e irrequietos e cada aluno lá foi ao quadro escrever um material existente com utilidade para o Homem.
Rochas... madeiras... fibras... ossos... peles... chifres... dentes... tutano... resina... cera de abelha... penas... marfim... pelos... tripas... conchas... raízes... e eu lá ia tirando exemplares do armário da Sala de História que guarda um espólio muito considerável de recursos que, amiúde, uso nas minhas aulas.
Os alunos estavam espantados.
- É tudo verdadeiro, professora?
- Mas é claro que sim! Por exemplo, os ossos que estão a ver são os ossos de um maravilhoso frango assado que eu comi um dia destes e que guardei e tratei até ficarem limpinhos e poderem integrar o espólio do Centro de Recursos da Sala de História. E o dente... é mesmo um dente de tubarão fossilizado e que tem milhões de anos...e... e...
Ou seja, e resumindo, uma aula de História do século XXI pode ser um mix entre um PPT e a materialização das matérias abordadas nesse PPT... sem esquecer que os meus alunos devem ler, previamente e em voz alta, em casa, no manual, a matéria que vai ser abordada na aula seguinte, sem esquecer também que, posteriormente, os alunos terão de construir, aula a aula, os seus portefólios digitais.
É um facto que uma aula de História pode ser isto. Mas também é um facto que uma aula de História pode não ser nada disto e continuar a ser interessante, certo?


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Razões para Grevar

 
 Razões para Grevar

O discurso político ameaçador e condicionador sobre os professores que pretendem fazer greve anda a deixar-me perfeitamente irritada com o desplante das insinuações e das associações que ficam a pairar no ar - com que então os professores que pretendem fazer greve são uns inconscientes, uns irresponsáveis, a bem dizer uns terroristas que se estão a marimbar nos seus alunos, a bem dizer uns mercenários da Educação?!

Pois serei tudo isto.

E por isso passo a listar algum do meu trabalho/património enquanto docente:
  • Só falto às aulas se não me conseguir arrastar para a Escola por razões de saúde, porque conseguindo... arrasto-me! E todos os meus alunos são testemunhas disto. É claro que devo ser parva por prejudicar assim o meu bem mais precioso...
  • Lecciono os programas na sua totalidade, tal como o MEC ordena, apesar da exiguidade do tempo lectivo a que o próprio MEC me obriga.
  • Procuro leccionar cada aula de forma enérgica, não enfadonha, entusiasmada, tentando entusiasmar alunos, tentando que o tempo de aulas lhes pareça o mais leve e agradável possível.
  • As minhas aulas são todas pensadas por mim, de fio a pavio, e eu construo os meus próprios materiais pedagógicos que uso em contexto de sala de aula, quer sejam as apresentações em Powerpoint que eu procuro que sejam os mais originais possíveis, enriquecendo-as com fotografias da minha autoria que previamente capto, conjugando descanso e trabalho, ou em forma de manual on-line, no blogue aberto ao mundo chamado História 3º Ciclo, blogue que já ganhou dois primeiros prémios na categoria História, no concurso elaborado pelo blogue Aventar e onde coloco vídeos ou links que eu considero pertinentes para complementar e consolidar as matérias previamente leccionadas e que me fazem "queimar" muito do meu tempo em pesquisas na net, nomeadamente no tubes... está tudo no tubes... 
  • Concebi e coloquei em prática um projecto chamado História em Movimento com um objectivo maior entre tantos outros grandes: dar cada vez mais visibilidade à disciplina que eu lecciono e que se chama História, disciplina deveras incómoda nos dias que correm. O projecto pode ser consultado aqui e graças a esta intervenção foi criado, pela primeira vez na minha Escola, um Clube de História justamente chamado História em Movimento, um Centro de Recursos de História na Sala de História, que reencontrei em estado demasiado degradado para o meu gosto para permanecer a olhá-la feita pasmada, e que foi recheada com património que é meu mas também com património que eu consegui metendo pés ao caminho e solicitando-o ao Presidente da Câmara de Amarante; graças a este projecto foi criada uma nova dinâmica que privilegia o contacto com a História e o Património Local, ecos aqui, aqui, aqui e aqui, as exposições e as palestras que vou promovendo amiúde, num respeito imenso pelas outras disciplinas, com as quais evito interferir; de notar que este projecto também está associado a um blogue chamado História em Movimento e que eu, em exclusivo, alimento desde a sua criação.
  • Colaboro regularmente com o jornal escolar O Abelhudo dando eco de algumas das actividades que vou concebendo e implementando ao longo dos anos lectivos relativas ao Projecto História em Movimento.
  • Corrijo, praticamente de fio a pavio, os portefólios de todos os meus alunos, de CEF incluídos!, assinalando erros ortográficos, faltas de acentos, faltas de sumários, o que for...
  • Sempre me orgulhei de entregar, o mais das vezes, os testes corrigidos na aula logo a seguir à sua realização... este último demorou-me para aí três semanas, um recorde de má memória que eu registei na minha. 
  • Tenho um serviço de explicações on-line, via facebook ou via e-mail, e esclareço todos os alunos que me colocam dúvidas, sejam meus alunos, não sejam, mesmo sendo alunos perfeitamente desconhecidos, de cá ou de lá do Atlântico que eu só mesmo se não souber e não puder é que não ajudo.
  • Tenho quarenta e cinco minutos semanais de atendimento aos encarregados de educação que se prolongam sempre que os encarregados de educação precisam, seja mesmo fins-de-semana adentro... sim, devo ser mesmo parvinha... 

  • E ando exausta... este ano já com muito mais dificuldade em cumprir integralmente a minha missão... porque ser Professor/a não é chegar à Escola, despejar umas tretas na sala de aula, reunir para umas tretas, voltar a reunir para mais umas tretas e adeus viola que eu já me vou... sem TPC... como a maioria dos funcionários públicos que fecha o escritório e o escritório fica mesmo fechado.
Eu sou esta. Sou esta e muito mais porque muito ficou por dizer que eu não caibo, profissionalmente, muito menos pessoalmente!, nestas linhas, mesmo se já vão longas.

Orgulho-me do trabalho feito e desenvolvido do qual os meus alunos são os principais beneficiários... sim, eu sei, há sempre quem não queira saber, não queira aproveitar, não queira progredir... mas é minha/nossa obrigação reduzir ao máximo o seu número.

E é esta pessoa, orgulhosa Professora da Escola Pública, que aqui declara alto e bom som que fará todas as greves e mais algumas a avaliações e a exames exactamente porque exige poder continuar a desenvolver o seu trabalho com Dignidade.

Senhores políticos, tenham vergonha!
Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, tenham vergonha é da vossa acção demolidora e destruidora da Escola Pública!
Acharíeis mesmo que nós iríamos permanecer de braços cruzados a assistir ao seu enterro?!

Nota - Por acaso a minha filha já não tem idade para estar a fazer exames de 12º ano mas, caso tivesse, a sua mãe seria grevista. Porque isto está para além do nosso quintal e dos nossos prejuízos imediatos.
Porque, se estas políticas avançarem, os prejuízos serão irreparáveis e a Escola Pública, tal como a conhecemos, deixará de existir e transformar-se-á em "coisas" fragmentadas, unidades fabris mecanizadas, proletarizadas, com professores escravizados e alunos reduzidos a números.

domingo, 20 de novembro de 2016

Portefólios de História e Memória


Portefólios de História - Estratégias - E. B. 2/3 de Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Portefólios de História e Memória

A memória é fundamental para a compreensão e para a aprendizagem e todos nós já tivemos de memorizar, ao longo das nossas vidas mais ou menos curtas ou mais ou menos longas, gestos, palavras, números, conceitos, regras... cada vez mais complexos.
A memória treina-se. Seja em que disciplina for, o recurso à memória não pode ser posto completamente de lado até porque, se não a exercitarmos, ela pode tornar-se preguiçosa e até traiçoeira... podendo até perder-se para sempre. Mesmo se temos o nosso bom amigo Google sempre à mão de semear e à distância de um clique.
Há memorização que decorre da compreensão de um assunto e há compreensão que decorre de uma ou mais memorizações prévias. Adquirir competências não é coisa isolada da memória. Claro que também pode existir memorização pura e dura... memorização esta muito musculada no meu tempo de estudante em que nós papagueávamos o que os nossos professores ordenavam e ponto final.
Como sabemos, existem vários tipos de memória. Por exemplo, eu sempre tive muito boa memória auditiva e visual. E, por certo, este é um tipo de memória que está presente em quem realizou este portefólio do qual partilho convosco uma fotografia.
Confesso que gosto disto, deste caminho que se percorre de forma colectiva mas que não abafa características individuais que têm de ter o seu espaço para respirar.
E respiram. Associar um pequeno desenho de uma pequena tocha a arder a Homo erectus é uma excelente estratégia de memorização. Revela criatividade, empenho, iniciativa, dedicação, asseio, brio, estratégia, inteligência.
Confesso que gosto disto.

sábado, 24 de março de 2018

Portefólios Digitais - História


Portefólios Digitais - História

O Portefólio de História sempre foi, e continua a ser, uma construção pessoal e personalizada de cada um dos meus alunos... pelo menos de todos os que cumprem com as minhas directrizes transmitidas logo no início do ano lectivo.
Antigamente eram físicos, de realização manual, manuscritos e assim tiveram existência até ao ano passado. Este ano, impulsionada pelo facto dos alunos carregarem demasiado peso nas mochilas e pelo facto de estar lesionada da minha mão direita com umas tenossinovites mais do que chatas e peçonhentas, metemos todos pés ao caminho, eu e eles, e inauguramos portefólios digitais que permitem incorporar coisas tão maravilhosas como prezis, vídeos, esquemas, árvores genealógicas, pequenas biografias, fotografias, todas elas com identificação da fonte, pesquisas sobre este ou aquele assunto considerados pelas autoras como mais interessantes ou pertinentes, páginas Wix, folhetos construídos na aplicação Canva... e o mais que se verá e que será realizado durante o 3.º período.
Claro que nem todos os portefólios digitais revelam o trabalho monumental dos dois que convosco hoje partilho... mas sempre foi assim, sempre existiu um número muito residual de alunos que teimou em não fazer nada de nada, ou quase nada de nada... sendo que a esmagadora maioria dos meus alunos sempre se preocupou em apresentar portefólios minimamente asseados e trabalhados.
Convém referir que estes portefólios digitais não teriam sido possíveis de realizar sem a preciosa colaboração da disciplina de TIC e da professora que a lecciona no meu agrupamento, a Professora Ana Osório, que foi orientando os nossos alunos para as produções de folhetos trabalhados no Canva e que versaram uma personalidade, à escolha, do Renascimento, de prezis, alguns fabulosos, que se subordinaram à temática da Expansão Portuguesa... resultando tudo isto de um trabalho colaborativo e interdisciplinar entre duas mulheres, professoras, que falam a mesma linguagem profissional, não remando uma para a frente e outra para trás... ou uma para a esquerda e outra para a direita.
Os portefólios que hoje vos apresento são brutais! Brutais em esforço, dedicação, alegria no trabalho, asseio, superação, interesse, criatividade, resiliência, organização. Revelam gente focada, madura, com uma capacidade de trabalho incrível, com muito gosto e empenho na vida escolar. Ainda precisarão de uma ou outra correcção, que será feita a seu tempo, mas nada de muito relevante atendendo a que estamos a falar de gente com 13 anos.
Deixo-vos com um primeiro exemplar, da L, que pode ser visto se clicarem aqui.
E, de seguida, dou a palavra à R., dona deste portefólio.
Ai se todos os nossos alunos assim valorizassem a Escola e tudo o que ela lhes pode dar!

"Sempre gostei de História pois fascina-me saber "coisas" sobre os nossos antepassados: como e onde viveram, como evoluíram... Para mim, a escola é uma segunda casa, pois é aqui que passo grande parte do meu tempo. A escola dá-me instrumentos que vão servir para me orientar no futuro, para poder tirar um curso, ser uma pessoa educada, culta e também para me ajudar a viver em sociedade, respeitando sempre os outros.
O meu grande desejo neste momento é passar de ano, quero fazer tudo o que tenho vindo a fazer, ser uma boa aluna para não desiludir os meus pais e professores, mas para isso tenho de me esforçar muito. Tenho dois sonhos que gostaria de realizar logo que possa: ser pediatra e viajar para a Ásia Oriental e China, admiro a sua cultura e os seus costumes, considero-os muito interessantes."

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Correcção de Portefólios

Portefólios de História - Trabalho E.B 2/3 de Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Correcção de Portefólios

Procuro corrigi-los de fio a pavio. É, aliás, uma imagem de marca minha, a minha deslocação de casa para a Escola, da Escola para casa e mesmo dentro da Escola, adornada de uma molhada de portefólios permanentemente em trânsito. Às vezes os portefólios dos meus alunos acompanham-me para o café e fazem-me companhia durante uma manhã, passada numa esplanada do centro da cidade, se o tempo estiver de feição. Para uma pessoa hiperactiva como eu, nada melhor do que trabalhar com a sensação... sei lá... que estou a apanhar banhos de sol num qualquer país a Sul plantado.
São estratégias minhas para tornar o meu trabalho mais leve leve... sendo que este é extraordinariamente pesado. Extraordinariamente pesado. Este ano tenho seis turmas, mas já até tive mais em anos anteriores... estou-me a lembrar particularmente de um ano muito duro, feito de cinco turmas de CEF, mais duas e mais uma direcção de turma do CEF mais complicado que tive nesse ano.
Mas depois os miúdos são tão pequenos ainda no sétimo anos e dão, por vezes, tantos mas tantos erros que até dói! E alguns escrevem um português sem cabeça, tronco e membros num caos absolutamente ilegível que é necessário ajudar a arrumar... e toca de corrigir tudo, se possível tudinho numa tentativa de os ajudar a progredir nesta nossa língua tão bela.
Já faço este trabalho há muitos muitos anos. Constato que, no geral, os portefólios mais bonitos, mais organizados, mais asseados, mais tudo... são propriedade de raparigas. Provavelmente terá também a ver com a genética... mas, será só isso?

Escrevi eu em 2011:

Por ter a consciência da importância da Língua Portuguesa e das debilidades sentidas pelos alunos neste domínio, quando estes me chegam à sala de aula no 7º ano de escolaridade, qual o papel que escolhi para mim, enquanto professora de História e de Língua Portuguesa?Ficar somente a barafustar com os meus alunos porque os erros ortográficos assim e as construções frásicas assado e ai meus deuses, ai meus deuses que isto é inacreditável!? Pois, também barafusto, mas, para além disso, exijo-lhes um português escorreito, frases completas nos exercícios e nos testes, portefólios, que já foram cadernos em tempos que já lá vão, ordenados e que são vistoriados por mim, de quando em vez, exaustivamente, fazendo a sinalização dos erros ortográficos que os alunos têm de corrigir dez vezes, das faltas de acentos, que os alunos têm de corrigir cinco vezes e a mesma coisa para os sumários inventados e que não correspondem minimamente ao que eu ditei e que, por vezes, me deixam verdadeiramente estupefacta perante a criatividade das criaturas.

Mantenho.

E sobre esta novela minha podem clicar aqui a terão acesso a uma infinidade de posts aqui escritos por certo desde 2007, ano de abertura deste blogue.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Alunos e Portefólios

Portefólio de História - E. B. 2/3 de Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Alunos e Portefólios

Os portefólios de História construídos pelos meus alunos são objecto de avaliação segundo os critérios aprovados em grupo, departamento e pedagógico lá da minha escolinha. São construídos de forma totalmente manual e artesanal, são quase totalmente manuscritos e, tivesse eu mais tempo disponível para as aulas de História, desafiaria os meus alunos para a construção de portefólios digitais... não para anular os primeiros mas para os complementar e/ou acompanhar a par e passo fazendo um balanço de prós e contras no final do ano lectivo sobre as vantagens e desvantagens dos dois modelitos.
Construir um portefólio, seja ele de que tipo for, é assim como quem sobe à duna mais alta de um qualquer erg formado por dunas gigantescas. Sim, custa esforço. Sim, é preciso insistir, persistir, resistir e nunca desistir.
Hoje partilho esta lição de vida em forma de objectivos retirada de um portefólio de História...
Bonita, não?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Novas do Projecto "História em Movimento"


Centro de Recursos de História - Sala de História da EB 2/3 de Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Novas do Projecto "História em Movimento"

O projecto "História em Movimento" continua, tal como o nome indica, em contínuo movimento. Porque continuo a olhar com horror a mera perspectiva de estar parada. Porque continuo a gostar de actuar e de modificar aquilo que me envolve, quer seja aqui, em casa, quer seja na Escolinha. Porque tenho obrigação de fazer hoje melhor do que aquilo que fiz ontem. Porque gosto da profissão que abracei por via da Sala de Aulas e dos meus Alunos, apesar do triste, lamentável e deplorável ME que faz tropelias umas atrás das outras e põe o pessoal das escolas verdadeiramente de nervos em franja. Porque continuo a gostar de arriscar fazer, mesmo sabendo que corro o risco de errar.
Já o assumi muitas vezes neste blogue. Se me ocorre determinado objectivo, rapidamente pondero prós e contras e, por norma, às vezes mesmo contra ventos e marés, passo à acção. Mas é que o faço em três tempos, sem perda de tempo, sem ses e sem mas, que eu não me dou nada bem nesses registos. É aliás essa a principal razão de eu acumular um património por mim realizado ao longo de anos, absolutamente original e que pode ser visto, porque está on-line, que eu nunca fui invejosa, aqui, aqui, aqui e aqui.
Vinda do passado, vivo o presente construindo o futuro. É assim que me pretendo manter, numa Escola que me dá espaço para avançar, para ensaiar e trilhar novos caminhos, que eu amo percorrer, consciente dos riscos que corro ao desbravar as pedras que também me aparecem pelo caminho.
Mas que hei-de eu fazer se sempre as amei... às pedras?
Assim sendo, hoje partilho com os meus leitores uma pequena/grande conquista que enriquecerá o Centro de Recursos da Sala de História da EB 2/3 de Amarante e da qual se pode inteirar aqui.
Sim, é certo, quem não arrisca, não petisca e quem tem vergonha, passa mal, já o diz a sabedoria popular.
Arrisquei? Petisquei. Ficar parada, eu? Não, obrigada.
E sim, ainda tenho tempo para os blogues, para o esclarecimento de dúvidas até a alunos que não conheço de lado nenhum e que aproveitam as imensas potencialidades das novas tecnologias, ainda tenho tempo para reciclar as minhas apresentações em PowerPoint, para corrigir portefólios de fio a pavio, para fazer testes e corrigi-los, para leccionar seis turmas e ter uma direcção de turma de um CEF, para frequentar a acção de formação sobre quadros interactivos (confesso que esta me está a custar), para uma ou outra rara sesta, para tardes de tertúlia no café, para ir a concertos e a exposições... e para ter a cabecita sempre ocupada mantendo-me continuamente criativa... sob pena de soçobrar num mar de infelicidade por ver o meu país assim desgovernado...
Continuarei este esforço, positivo, que me leva a manter a cabeça fora do pântano onde parecem querer atolar a esmagadora maioria dos portugueses.
E recuso-o. Conscientemente.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Refúgio - Estratégia de Sobrevivência


Página Digitalizada de Portefólio de Aluno Muito Criativo

Refúgio - Estratégia de Sobrevivência

Uma das minhas estratégias de sobrevivência neste mundo cão, que não vai chegar apenas porque já chegou, é o refúgio no meu dever sagrado de trabalho para com os meus alunos.
Por eles procuro fazer o melhor que posso e sei, procuro dar o litro, trabalho que nem uma doida e, espanto dos espantos!, amo o que faço.
Estou na fase de correcção dos seus portefólios, para além dos testes, claro está!, que a avaliação dos alunos é complexa e exige muito trabalho. Um dos maiores, em tempo exigido para o seu cumprimento, é, sem dúvida esta da correcção dos portefólios, de fio a pavio, que eu não sei fazer de outra forma. Os portefólios valem 10% das avaliações de todos os alunos de História do 3º Ciclo da EB 2/3, os critérios de avaliação são públicos e podem ser consultados por quem o entender fazer e por mim são cumpridos escrupulosamente não conseguindo eu olhar para eles, para os portefólios, e atribuir uma nota assim a olhómetro... muito embora o meu olhómetro até funcione bem.
Pois ando na correcção dos portefólios e de novo deliciada com o que os meus alunos escrevem e, espanto dos espantos! muitos fazem questão de cumprir!
Neste mundo cão em que nos movemos, entre adultos baralhados, confusos, maldosos, desonestos, nojentos mesmo... basta escutar um noticiário qualquer, num qualquer dia da semana, em notícias que nos chegam daqui e do Mundo, para nos apercebermos que a palavra dita não tem qualquer valor e que já é considerado normal, por muitos, o desfasamentos entre o Verbo e a Acção, para estar consciente que trabalhar com os meus alunos, nas idades em que eles estão, é para mim uma bênção.
Pegar num portefólio e ter a oportunidade de ler isto e isto e isto é para mim tão mas tão gratificante no contexto em que hoje me movo que gostaria de aqui lhes deixar o meu agradecimento.
E é certo que, sem eles, eu não existiria profissionalmente falando...
Agradeço-vos a autorização para publicar os vossos textos no nosso blogue de trabalho, no História 7º Ano.
Obrigada, alunos meus! Estamos a crescer juntos. E daremos o máximo. Porque o mínimo é para os cobardes.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Aulas de História - Sebentas Manuscritas

Aula de História - sebentas manuscritas antes de correcção
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Aulas de História - Sebentas manuscritas

Os portefólios de História, que já foram físicos, são, hoje em dia, virtuais, realizados que são na APP Adobe Spark. Mas é claro que durante as aulas os alunos continuam a usar sebentas e a escrever manuscritos registando sumários, trabalhos de aula diversos, notas que lhes interessam...
A escrita, inventada na Mesopotâmia, é tão importante para a Humanidade que marca a divisão entre Pré-História e História, c. d. 3500 a.C., e seria lamentável que esta competência, maravilhosa e que também nos define, se perdesse à conta das tão sedutoras novas tecnologias.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Eliminar Papel, Melhorar o Ambiente e Melhorar a Saúde dos Meus Alunos

Portefólios de História - E. B. 2/3 de Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Eliminar Papel, Melhorar o Ambiente e Melhorar a Saúde dos Meus Alunos

Enumerei, no título deste post, três grandes objectivos para este ano lectivo que decorrem da minha actividade docente e da reciclagem e adaptação permanente que todo o professor deve fazer ao longo da sua carreira profissional.
Curiosamente relembrei-me de imediato de uma outra arrumação, drástica, em que encostei às boxes acetatos maravilhosos que já não usava desde que comecei a utilizar as minhas apresentações em PowerPoint nas aulas, no longínquo ano de 2005/2006, depois de ter passado parte do Verão a virar esta ferramenta do avesso. Os alunos, que nesse ano frequentavam as minhas turmas de sétimo ano, foram as minhas cobaias experimentando os PPT ao vivo e a cores. E gostaram da experiência. E depois pediram-me que os partilhasse para que eles os pudessem consultar e daí nasceram as minhas páginas de recursos onde está alojado grande parte do meu trabalho ao longo de mais de uma década já que, eu, permanente insatisfeita, reciclo amiúde o trabalho que anteriormente dei por concluído e terminado.
Depois foi tempo de criar um manual on-line, em forma de blogue, e nasceu o História 3.º Ciclo, no ano de 2011 que já sofreu alterações devido à introdução das metas curriculares no tempo do ministro Nuno Crato. Pelo meio foram surgindo projectos vários, entre os quais o História em Movimento, o Clube História em Movimento e o blogue homónimo que deles decorre.
E eis que chego ao ano passado, ano em que pela primeira vez utilizei aplicações em contexto de sala de aula. Os alunos entraram-me literalmente a correr sala adentro, incapazes de esconder o entusiasmo perante uma aula de revisões e de preparação para o teste de avaliação que foi diferente e em que utilizei o Kahoot.
Entretanto fui para Florença durante uma semana, no âmbito de um Erasmus+ para professores e frequentei, no início de Agosto, uma formação em abordámos e explorámos inúmeras aplicações, as famosas APP, neste caso com aplicação em Educação, que nos ajudam a desmaterializar livros, cadernos, portefólios, testes, trabalhos de casa... e que muito contribuirão para a eliminação de resmas de papel gasto aos molhos todos os anos. Pelo caminho contribuiremos ainda para a melhoria do planeta... ai árvores, árvores!... e sei que contribuirei para a saúde dos meus alunos, poupando-lhes as costas do inacreditável peso que, dia após dia, transportam nas suas mochilas que lhes vergam as costas debaixo de pesos obscenos.
Mas, confesso, tal como tive saudades dos meus acetatos, também vou ter saudades dos portefólios físicos dos meus alunos...
C' est la vie...também não habito numa gruta, numa tenda ou num abrigo, nem tão pouco ando para aqui a produzir fogo chocando duas pedras entre si.
Certo?

sábado, 16 de julho de 2011

A Importância da Língua Portuguesa - Trabalho


Sol - Procissão do Corpo de deus - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

A Importância da Língua Portuguesa - Trabalho

A Língua Portuguesa é, para nós falantes dela, apenas basilar e estruturante de todo o pensamento e de todo o conhecimento. Pensamos em português, falamos em português, esta é a língua que utilizamos para comunicar desde que nascemos, ainda antes, para ser mais precisa, e é através dela que chegamos ao conhecimento seja do que for pois ela está sempre presente no nosso dia-a-dia, nas aprendizagens que fazemos no recato do nosso lar, nos espaços de convívio com os nossos pares e com os ímpares também, na escola, obviamente, onde ela está omnipresente. É através dela que estruturamos o nosso pensamento e o nosso conhecimento, descodificamos e formulamos mensagens. Ou não.
Deparo-me, enquanto portuguesa, com um péssimo uso da Nossa Língua Materna e não me estou só a referir aos estratos sociais, económicos e culturais mais baixos da nossa sociedade. A cada passo detecto erros ortográficos na legendagem de filmes, na "legendagem" dos noticiários, que mania de pôr aquela tira horrorosa que nos tapa o fundo do écran e nos dispersa a atenção para outras notícias que não a que está a ser dada!, até nos manuais escolares já para não falar nos pontapés de gramática dados por muitos dos nossos "governantes" que escrevem qualquer coisa que não português e cujo exemplar máximo é/foi, sem dúvida, a Directora Regional da Educação  do Norte, Margarida Moreira de seu nome, que por certo todo o país fixou, dado o escândalo da coisa.
A Língua Portuguesa comanda-nos as aprendizagens em todas as áreas do Saber. Se eu não conseguir descodificar uma qualquer questão de Matemática ficarei por certo a olhá-la como um boi para um palácio. Se eu ler uma questão num teste de História e compreender o contrário do que me está a ser pedido está bom de ver qual vai ser o resultado final.
Por ter a consciência da importância da Língua Portuguesa e das debilidades sentidas pelos alunos neste domínio, quando estes me chegam à sala de aula no 7º ano de escolaridade, qual o papel que escolhi para mim, enquanto professora de História e de Língua Portuguesa?
Ficar a barafustar com os meus alunos porque os erros ortográficos assim e as construções frásicas assado? Ai meus deuses, ai meus deuses que isto é inacreditável!
Pois, também barafusto mas, para além disso, exijo-lhes um português escorreito, frases completas nos exercícios e nos testes, portefólios, que já foram cadernos em tempos que já lá vão, ordenados e que são vistoriados por mim, de quando em vez, exaustivamente, fazendo a sinalização dos erros ortográficos que os alunos têm de corrigir dez vezes, das faltas de acentos, que os alunos têm de corrigir cinco vezes e a mesma coisa para os sumários inventados e que não correspondem minimamente ao que eu ditei e que por vezes me deixam verdadeiramente estupefacta perante a criatividade das criaturas.
Este meu trabalho enquanto docente, de portefólios à tiracolo que arrasto para  a sala de professores ou mesmo para minha casa, num trabalho imenso que eu não sou obrigada a fazer mas faço por entender ser benéfico para os alunos, já foi alvo de gozos infindáveis por parte de outros meus colegas de profissão porque sim, eu ganho exactamente o mesmo que outros nas minhas circunstâncias e sim não tenho nada de mais interessante para fazer na vida e sim, contento-me muito e fico muito feliz quando mando os alunos, no início do 3º período, fazerem um exercício muito simples - contarem os erros dos seus portefólios no 1º e no 2º período que anotam no quadro em colunas separadas. No fim é só fazer o que o outro disse, é só fazer as contas e pedir aos alunos para encontrarem uma explicação para a tendência de os erros diminuírem, de um período para o outro, mais de dois terços. E sim, a cabeça deles também foi feita para pensar e lá me ensaiam explicações - Pois, professora, ficamos mais cuidadosos porque sabemos que a seguir temos de corrigir os erros! Pois, professora, mais vale estar mais atento e fazer logo bem à primeira! Pois professora, não queremos o trabalho de corrigir os erros dez vezes.
É claro que eu podia simplesmente barafustar. É evidente que teria muiiiito menos trabalho com isso. É claro que também poderia fazer de conta que cumpro os critérios de avaliação dos alunos apenas a olhar de relance para os portefólios, tirando-lhes as medidas a olhómetro, ora deixa cá ver, sim senhora, está muito giro! A chatice é que acredito que esse é um péssimo caminho e que, por ser de tal qualidade, eu escolhi não ir por aí. Até porque o exemplo dado aos meus alunos seria o da desonestidade e eu também não admito ir por aí.
Ah! E as evidências deste meu trabalho, agora tão em moda, estão aqui.
E sim, tenho um saco deles, um Saco de Portefólios. Obrigada, Lai.

 
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