quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

A Palavra ao Geógrafo Álvaro Domingues - "Ninhos de falcões e outras demolições"


A Palavra ao Geógrafo Álvaro Domingues - "Ninhos de falcões e outras demolições" 

"Em tempos de erosão do Estado e das coisas públicas, as políticas e o dinheiro de todos deviam aplicar-se em coisas realmente necessárias.
(...)
Fique pois a dita cidade. Faz-se de conta que a árvore é a floresta e toca de gastar à tripa forra, descriminando os espaços históricos (os outros estão fora da história) para que a lavoura imobiliária privada venha aproveitar mais-valias que o dinheiro público generosamente espargiu. Os outros que continuem nos seus lugares feios, com seus centros comerciais, armazéns, fábricas, estradas, casas e vias rápidas e tudo que é o normal da urbanização mais coisa menos coisa. Quando quisessem vir à cidade, a verdadeira, a civilizada, encontrariam as coisas belas, as ruas granitadas, as floreiras, os candeeiros, o ambiente sustentável e ciclável, as estátuas, as ruas de peões, melhor do que ir ao Portugal dos Pequenitos ou à Disneylândia.
(...)
O que eu queria dizer é que em tempos de erosão do Estado e das coisas públicas, as políticas e o dinheiro de todos se deviam aplicar em coisas realmente necessárias. A política urbanística fazia parte dessa res publica. Não haverá em Viana do Castelo onde gastá-lo? Já experimentaram ir visitar o hospital e ver em que condições funciona? Não era de aplicar lá uns trocos? Agora diz que o gabinete de arquitectura que tinha projectado o mercado que iria para o terreno do Coutinho (por sinal, profissionais premiados, estimados e apreciados pelas suas obras) foi despedido e trocado por outro (não se sabe porquê) para se aplicar intensamente em construir mais uma atracção para a disneylândia histórica.  Estou mais agoniado que a Senhora d’Agonia. Quero uma mordoma com os peitos ourados. Por falar nisso... e o Prédio Coutinho feito arte urbana com uns cordões, filigranas, rendas, riquezas de Viana para a selfie do turista?"

Nota - Pode ler este texto na íntegra, clicando aqui. Tem um ano, permanece mais actual do que nunca.

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