Prémio-Óscar
Bom, lá tenho eu de contextualizar este Prémio-Ó
scar atribuído por um aluno que já foi meu um dia, era ele pequenito, e que entretanto cresceu e se encontra agora a estudar na faculdade.
Deixei-lhe excelentes recordações. Sem falsas
modéstias, que eu sou directa e objectiva - há quem não aprecie esta minha faceta e a confunda com outras coisas mas, francamente, tal nunca me tirou o sono.
Deixar excelentes recordações aos alunos que por mim passam é uma das minhas preocupações enquanto professora - por um lado ser ponderada, justa, equilibrada, exigente, simpática, acessível, presente, não abandonar o meu bom senso costumeiro à porta da sala de aula, por outro lado não pregar secas aos miúdos com uma História que pode facilmente ser transformada em coisa de pesadelo, mas que também pode estimular a curiosidade dos miúdos para mais e mais. Não terei êxito em 100% dos casos, porque há casos que por mais que um professor faça, dentro e fora da sala de aula, se revelam insolúveis, mas sei que estou próxima daí chegar.
Basófia minha?
Náaaaaa. Apenas realismo e trabalho afincado de preparação de aulas, de exigência sempre de sorriso nos lábios, para depois me poder aconchegar nas palavras de agora ex-alunos que dizem que eu sou um
Ent, ou que se abrem com outros professores confessando que sentem saudades das minhas aulas de História. Não é Lúcia? - Obrigada por me passares essa informação e por não a guardares para ti. - Ou que me vão deixando palavras de carinho no meu
HI5, ou que se abrem num sorriso, aberto e sincero, quando se cruzam comigo na rua e a atravessam, quantas vezes, para me
cumprimentarem e falarem um pouco comigo, sobre os seus percursos escolares ou mesmo
profissionais. Tal e qual como eu faço com os professores de quem amei ser aluna e me ficaram como referência para a minha vida
profissional, quase todos professores do Ciclo
Preparatório e do Liceu -
Lalinha, Emília Barros, Filomena Vieira, Francisca... saudades das vossas aulas sempre exigentes mas onde eu me sentia
At Home!
A exposição feita através de um
blogue que não seja anónimo, como é o caso deste, é um risco. Porque nós não agradamos a todos e porque nos passam centenas de alunos, todos os anos, pelas turmas que nos calham em rifa, por isto ou por aquilo. Esse é o nosso drama maior e eu tenho essa consciência. Mas também tenho a consciência tranquila no que diz respeito a dar o litro pelos meus alunos e essa ninguém ma tira. Nem
Milú, nem Sócrates, nem Pedreira, nem Walter. E esta é verdadeiramente a avaliação que me interessa e não a palhaçada engendrada por mentes medíocres que acham que nos podem avaliar como a um empregado fabril que produz um qualquer objecto. Ora nós lidamos com pessoas, com pessoas em formação e o nosso exemplo, tal como o da mãe, do pai, dos avós... é determinante no crescimento das nossas crianças.
Este Prémio-
Óscar foi-me atribuído pelo Ricardo, editor do
blogue C. P. G. Gondar. Foi meu aluno num tempo sem apresentações em PowerPoint, com aulas ainda leccionadas pelo livro, com recurso a acetatos, a
documentários e a
slides que era o que havia à época. Hoje estou mais à frente, mais
modernaça, que parar é morrer e eu já prometi à minha filha que quando morrer
páro, mas que não pararei antes disso.
Pois o Ricardo não se cala. E ainda tem a lata de dizer que aprendeu comigo! O prémio está giro, e provocou-me umas valentes gargalhadas quando o recebi. Era para ficar com ele aqui no recato do lar, mas o rapaz não se cala, diz que lhe deu tanto trabalho e que o quer partilhado com o mundo, e que
patati patatá, e que se não o publicar eu, publica-o ele e... hoje de manhã deu-me a estocada final...
Deixou-me nos comentários:
"Desculpe, mas eu tinha uma professora de história do 9.º ano que nos dizia entre perna cruzada, que nunca devíamos deixar de lutar pelas nossas convicções. Em parte esta minha frontalidade deve-se a essa grande senhora. Um beijinho para ela se passar por aqui!!!"
E pronto. A tua professora de História, frontal como o diabo que a carregue, passou por aqui.
Muito obrigada pelo Prémio-
Óscar. Sabes que amei. Amei particularmente a parte em que o Sócrates me entrega o Óscar. Quem é leitor deste
blogue entende muito bem esta minha satisfação e gargalhadas.
Lá imaginação não te falta, Ricardo! E criatividade também!
Obrigada e Beijinho