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quinta-feira, 22 de julho de 2021

O Golpe - A Palavra a Santana Castilho


O Golpe - A Palavra a Santana Castilho 

A ver se nos entendemos - o que tínhamos era péssimo e uma salgalhada total pois trabalhávamos com programas, metas curriculares e aprendizagens essenciais, tudo ao molho e fé em deus numa obesidade escandalosa difícil de arrastar e de digerir. 

Deste ponto passamos para o seu oposto - a partir do próximo ano lectivo trabalharemos apenas, manda o ministério que deveria ser o da Educação, apenas com "aprendizagens essenciais" deixando-nos a todos anoréticos em termos programáticos. Na disciplina de História é dramático. Presumo que nas restantes também o seja.

Confesso que não gosto destes excessos - nem tanto ao mar, nem tanto à terra - e que tudo isto me está a enervar mais do que nunca e a saturar mais do que nunca. Estou mais velha, talvez por isso sinto-me cada vez mais paciente e estou nitidamente mais intolerante com a estupidez dos nossos governantes... e não só.

O Paulo Guinote também tem escrito excelentes textos sobre esta temática que podem consultar aqui. E deixo-vos o excelente texto do Professor Santana Castilho. Leiam tudo.

"O golpe 

Boa parte dos professores angustiados por não conhecerem onde trabalharão no próximo ano, pais e alunos presos a exames finais e o país alvoroçado e deprimido pela quarta vaga pandémica constituíram um contexto emocional propício à execução, de fininho, do “golpe” perpetrado por um simples despacho, o n.º 6605-A/2021. Assim, a partir do próximo dia 1 de Setembro, todos os programas até agora em vigor, do 1º ao 12º ano, serão substituídos por “aprendizagens essenciais”, eufemismo para designar a mediocridade assassina da desconstrução curricular iniciada em 2015. Acresce o absurdo dessas “aprendizagens essenciais” serem obviamente indissociáveis dos programas … que o despacho anulou. Nunca assisti a uma alteração curricular desta magnitude, feita desta maneira. O menor denominador comum, do qual seria expectável que tentássemos afastar todos os alunos, passa a ser o Santo Gral para que devemos conduzir todos. Eis o desígnio da “escola inclusiva”, caritativamente grátis para quem não puder pagar ensino privado. Eis o que os Costas (o António e o João) prescrevem para o futuro dos nossos jovens, se outra coisa não sobrar de nós, senão submissão e conformismo. 

A versão menos elaborada e mais redutora do paradigma ideológico chegou, autoritária, populista, para substituir a densidade dos vários saberes disciplinares pela superficialidade de uma cultura digital estupidificante e escravizante de professores e alunos, mas favorável ao império das multinacionais tecnológicas, que cada vez mais grudará os mais desfavorecidos às suas frágeis circunstâncias de partida. 

O caso do programa de Matemática, alvo de tratamento autónomo, é paradigmático, neste contexto. Em 2018, via as decantadas “aprendizagens essenciais”, viu-se amputado de um quinto dos seus conteúdos, alguns dos quais críticos para a compreensão do que restou. E agora retoma a metodologia do “ensino pela descoberta”. Ora as propostas construtivistas, ditas “compreensivas” e assentes na “descoberta”, informadas por teorias disruptivas, têm décadas e são fósseis pedagógicos, que nunca solucionaram problemas. Outrossim, sempre que foram ensaiadas, deram desastre e retrocesso.  

O que se está a construir é uma escola com cada vez menos conhecimento, conformada com medíocres “competências” e indigentes “aprendizagens essenciais”. Seja de esquerda ou de direita, algum cidadão racional e minimamente informado pode dar crédito a estes próceres da destruição da escola pública? Continuaremos a aceitar anúncios atrás de anúncios, que nada significam? Aceitaremos como pedagogia a simples alienação de docentes e discentes e obscenas intervenções administrativas, com o efeito imediato de dizer aos alunos que trabalhar, ler e estudar é simplesmente inútil? Permitiremos que se tome a igualdade de oportunidades por nivelamento por baixo, como se os pobres fossem estúpidos, enquanto os ricos fogem para as escolas privadas, das elites financeiras? 

Uma democracia não pode aceitar a prevaricação continuada por parte de políticos e de políticas irresponsáveis e sem seriedade, que substituem a verdade pela mentira e acham que a inclusão supõe a exclusão do rigor e do conhecimento. Sem pudor, o monolitismo “alunocentrista”, que aprova passagens de ano com meia dúzia de negativas, vem neocolonizando a independência profissional dos docentes e o futuro dos estudantes. 

O conhecimento, fruto do pensamento estruturado pelo estudo, que nunca dispensará na escola a intervenção presencial do professor, está a ser perigosamente subalternizado pela ideia reducionista de que pode ser substituído pelas torrentes de informação que jorram da Internet. Foi arrepiante ver (recente entrevista ao Expresso) como o próprio ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior ignora o elementar: uma aula teórica não serve para repetir a informação disponível em vários suportes; é antes uma fonte original de conhecimento, na medida em que analisa, questiona, problematiza e relativiza essa informação. Que nem sempre seja assim, é outra questão.  Já tínhamos vários e graves vazios provocados pela turbulência dos dois últimos anos lectivos. Junta-se-lhe, agora, uma autêntica terraplanagem de orientações curriculares estruturadas, servida pela subordinação mental provinciana a uma espécie de globalização digital da nossa Educação." 

In Público de 21.7.21

segunda-feira, 13 de julho de 2020

domingo, 12 de julho de 2020

A Minha Opinião Quanto à Semestralidade das Disciplinas em Contexto de Pandemia

Imagem retirada daqui.

A Minha Opinião Quanto à Semestralidade das Disciplinas em Contexto de Pandemia

A semestralidade das disciplinas entrou, no meu agrupamento, no 3.º Ciclo, há dois anos, com as disciplinas de História e de Geografia. Estendeu-se, durante o ano lectivo que ainda decorre, às disciplinas de Físico-Química e de Ciências. Toda a gente, que leu este meu post escrito durante o primeiro semestre deste ano lectivo, sabe que eu gostei da experiência que me foi proporcionada pela tomada desta opção no meu agrupamento e que decorreu da elaboração e implementação de um Projecto de Inovação Pedagógica que a tutela aprovou para o meu agrupamento.
No entanto, e face à conjuntura actual de pandemia, que previsivelmente se vai agravar com a chegada dos próximos Outono e Inverno penso que seria de interromper a experiência face ao superior interesse dos alunos.
Vá que a miudagem, que este ano ficou quase sem aulas presenciais às disciplinas de História e de Físico-Química, ou às de Geografia e Ciências, ou ficou quase sem aulas presenciais a disciplinas decorrentes de uma qualquer outra combinação e, azar dos azares, tem de confinar, por período que nós agora não adivinhamos, exactamente num tempo em que estão a decorrer as aulas das disciplinas que agora, estes alunos, pouquíssimo conheceram em período presencial?
Pois... não correremos o risco de estarmos a prejudicar o percurso destes alunos limitando as suas escolhas em futuro não muito distante? Não correremos o risco de poder, hipoteticamente, penalizar os mesmos e às mesmas disciplinas, aprofundando, assim, a disrupção a estas disciplinas decorrente desta não resolvida pandemia? Não poderemos estar a condicionar, de forma insuportável, as escolhas futuras dos miúdos?
É que, por muito que saltem e corram, o ensino à distância nunca terá a qualidade de um ensino presencial e será sempre um remendo, um remedeio, que sim, é bem melhor do que nada, mas que não chega aos calcanhares da magia dos olhos nos olhos que acontece numa Sala de Aula.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Semestralidade - História



Oficina de Arqueologia Experimental de História
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Semestralidade - História

Ontem partilhei aqui o meu agrado relativamente à organização semestral do ano lectivo, que entrou em vigor pela primeira vez no meu agrupamento em Setembro de 2019.
Mas esta não foi a única semestralidade a entrar em vigor por aqui. Por decisão dos grupos disciplinares, que discutiram prós e contras da semestralidade das disciplinas, ficou decidido, e foi posteriormente aprovado, que História e Geografia passariam a disciplinas semestrais e o mesmo aconteceria com as disciplinas de Ciências e Físico-Química.
Assim, e pela primeira vez, tive de me adaptar a um ritmo muito mais acelerado de aulas e era ver-me em Dezembro a abordar a Idade Média com todo o vigor, o que, confesso, me pareceu um pouco estranho. Mas a semestralidade da História estranha-se e depois entranha-se, faltando-me apenas confirmar, dentro da minha sala de aula e no próximo ano lectivo, se existe um desfasamento muito notório/algo notório/ ou até nenhum desfasamento entre os conhecimentos adquiridos pelas turmas a quem leccionei História no primeiro semestre e a quem vou leccionar História no segundo semestre.
Evidentemente, a semestralidade das disciplinas não é compaginável com exames finais ou mesmo com provas de aferição realizados a esta disciplina sob pena de não se darem as mesmas oportunidades à totalidade dos alunos.
De resto, confesso que estou a gostar e que o feedback que me foi dado pelos meus alunos tem sido positivo.
Vejamos alguns pontos fortes para os miúdos:

  • Diminuição do número de disciplinas por semestre, que passam a ser menos duas, sendo que essas menos duas são sempre duas de peso, o que facilita/possibilita um maior investimento nas restantes pela menor dispersão possibilitada.
  • Menor carga transportada para a escola nas mochilas, carga essa constituída por manuais e afins... e a coluna das crianças agradece!
  • Ganho de tempos lectivos reservados para a disciplina de História, no 7.º ano de escolaridade, já que passamos a ter uma carga semanal de 50 m x 5 o que aumenta o contacto com a disciplina.
  • Maior e melhor contacto entre alunos e professor o que possibilita o aumento do conhecimento mútuo e a aumenta a proximidade entre alunos e professores.
Vejamos alguns pontos fortes para os professores:
  • Diminuição do número de turmas e de alunos -  se tinha 8 turmas no anterior modelo, na verdade já cheguei a ter 9!, passo agora, com este modelo, a ter 4 em cada semestre, o que é deveras agradável para quem já não tem o fôlego e resistência que tinha aos trinta anos e se no modelo antigo lidava com 200 alunos durante todo um ano lectivo, isto para dar um exemplo, agora passo a lidar com 100 em cada semestre. É bem diferente.
  • Muito menor carga "burrocrática" e menor stress associado ao facto de se ter metade das turmas e metade dos alunos em cada um dos semestres e, consequentemente, também menor número de reuniões.
  • Ganho de tempos lectivos reservados para a leccionação da disciplina de História, no 7.º ano de escolaridade, já que passamos a ter uma carga semanal de 50 m x 5 o que aumenta o contacto com a disciplina. Até aqui, para o ensino da História estavam destinados dois tempos semanais de 50 minutos durante todo o ano lectivo.
  • Maior disponibilidade para a organização de aulas/oficinas, visitas de estudo, enfim, de aulas com recurso a estratégias mais práticas e mais apetecíveis como sejam também as aulas com recurso às novas tecnologias.
  • Maior e melhor contacto entre o professor e os seus alunos o que possibilita o aumento do conhecimento mútuo e aumenta a proximidade afectiva, importante, entre alunos e professores.
Ponto fraco:
  • A descontinuidade maior das várias disciplinas que os alunos só frequentarão durante um semestre em cada ano lectivo.
E qual é o meu balanço, no final do primeiro semestre? Pois é muito positivo, sinto os alunos confortáveis, eu própria sinto-me muito confortável... veremos é se no próximo ano eles conseguem mobilizar conhecimentos adquiridos durante este ano lectivo...

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Semestralidade do Ano Lectivo - Um Primeiro Balanço


Semestralidade do Ano Lectivo - Um Primeiro Balanço

Depois de vivermos toda uma vida profissional submetidos a três períodos lectivos eis que, em Setembro de 2019 e no Agrupamento de Escolas de Amarante, iniciámos um ano lectivo dividido em apenas dois semestres.
A formatação é deveras diferente e exige de nós capacidade de adaptação já que implica dois períodos de avaliação intermédia qualitativa - um a meio de cada semestre - e dois momentos de avaliação quantitativa no final de cada um dos semestres.
Assim, em Novembro de 2019, usufruímos de uma paragem lectiva de três dias, aproveitada pelos docentes para a realização das avaliações intermédias qualitativas e aproveitada pelos alunos para um merecido, pleno e retemperador descanso.
E as actividades lectivas terminaram no dia 20 de Dezembro para toda a comunidade educativa constituída por alunos e professores. Confesso que foi estranho. Mas não temos mesmo reuniões de avaliação?! Pois não. As reuniões destinadas à avaliação quantitativa estão agora a ser realizadas no meu agrupamento, nesta semana que já vai a meio e que volta a ser de interrupção lectiva para docentes e discentes, para os últimos aproveitada para um merecido, pleno e retemperador descanso, assim o espero!
E qual é o meu primeiro balanço?
Para alunos e professores, surgiram tempos de pausa estrategicamente colocados a meio deste primeiro semestre e com a duração de três dias, claro que com um período de paragem no Natal mais reduzido do que nas escolas que continuam a seguir o antigo figurino dos três períodos, mas que se revelaram muito benéficos e úteis para quebrar rotinas, aliviar trabalhos, retemperar forças de alunos e de professores.
Para mim foi surpreendente a sensação de stress hiper diminuído durante os períodos em que procedemos a avaliações, principalmente nesta semana que ainda vai a meio. É que a seguir não estou pressionada com tudo o que está associado ao Natal ou mesmo à Páscoa e, a partir da próxima semana, terei "apenas" aulas... as aulas que darão início a um segundo semestre de duração equilibrada, semelhante e equitativa ao que já vivenciámos de Setembro a Janeiro.
Tenho para mim que a semestralidade do ano lectivo poderá potenciar a melhoria do aproveitamento e do comportamento dos alunos pelos vários momentos de descanso estratégico que possibilita e pelo facto de, para alunos que se importam com os seus resultados escolares, ser mais fácil e imediata a percepção da possibilidade de melhoria num segundo semestre que será também o último.
Confesso que estou a gostar da experiência.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Está Aberta a Caixa de Pandora


Está Aberta a Caixa de Pandora

Sim, o ME que não acautele coisa alguma... sim, o ME que não continue a enfrentar o touro pelos cornos e que continue a não acautelar o futuro das Escola Pública Portuguesa.
Na verdade, quando o touro atacar desembestado, já o Tiaguinho não estará ao leme do ME... certo?
Por isso, quem vier a seguir, que feche a porta!
Hoje TIC, amanhã, quiçá, Matemática. A porta da ignomínia está já escancarada.

Professores de Informática: “Chegou o momento em que qualquer um pode leccionar qualquer coisa”

Ministério abre caminho à desqualificação dos docentes, alertam professores e pais

Melhoria da Internet nas escolas é prioridade. Só faltam equipamentos e professores

E ainda, mais uma pérola portuguesa - A Escola a Tempo Inteiro.
  
Escola a tempo inteiro “só com mais professores”, avisam os directores

sábado, 14 de setembro de 2019

"Não Matem a História"


"Não Matem a História"

Esta afirmação em concreto, que dá título a este meu post, não é minha... mas podia ser de tantas e tantas vezes que já referi este problema educativo nacional.
Todos os professores de História deste país conhecem a história das cargas horárias da disciplina que leccionam e como ela tem sido amputada ao longo dos anos, seguindo e segundo figurinos que vão variando com as modas, mais ou menos efémeras, mas que, regra geral, servem apenas para diminuir a disciplina e não para a respeitar.
Hoje, subscrevo a colega Maria José Gonçalves - "Não matem a História"!

Retirado daqui.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

O Massacre dos Alunos e dos Professores Portugueses

Imagens recolhidas na net

O Massacre dos Alunos e dos Professores Portugueses

A permanência/o massacre dos alunos e dos professores portugueses em aulas e mais aulas e mais aulas expressa-se assim:

1.º Ciclo

Portugal - 5.460 horas em aulas
Média da OCDE - 4.258 horas em aulas

2.º ciclo (5.º e 6.º anos)

Portugal - 8.214 horas em aulas
Média da OCDE - 7.260 horas em aulas

Ora, como sabemos, tudo o que é demais, enjoa... ou sobra.
Ora, como sabemos também, esta é a maneira mais fácil de assegurar que os pais destes filhos têm mais disponibilidade para dar o corpo ao manifesto, trabalhando de sol a sol. Afinal, os professores também aguentam trabalhar de sol a sol, não é assim? E os alunos... afinal, de pequenino se torce o pepino, certo?
E viva a escola a tempo inteiro! Tudo a tempo inteiro, até ao estouranço final!

Dados retirados daqui.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Flexibilização Curricular

Imagem retirada daqui

Flexibilização Curricular

Arranca no próximo ano lectivo como projecto-piloto, ao que parece em 140 escolas públicas e privadas, umas escolhidas pela tutela, outras que se ofereceram como voluntárias, depois do primeiro-ministro e do presidente da república terem travado uma reforma alargada à totalidade das escolas do país.
Nós, os restantes professores que não integram qualquer uma destas 190 escolas, teremos que aguardar para ver.
E veremos. Estaremos atentos à operacionalização de mais esta mudança que se segue a outras mudanças anteriores de sentido oposto.

Ministério  quer 140 escolas a testar reforma curricular

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Entrevista - João Costa - Secretário de Estado da Educação


Entrevista - João Costa - Secretário de Estado da Educação

A entrevista dada à Visão pelo senhor secretário de estado da Educação, João Costa, está aqui e agradeço a sua partilha integral ao Paulo Guinote.
A entrevista é importante e aconselho todos os meus leitores a lerem as suas palavras atentamente. Garanto-vos que me é impossível não concordar com este conteúdo. E que, se este enunciado passar, de facto!, das palavras aos actos, vem aí, de novo!, uma pequena/grande revolução.
Com a qual eu concordo nestes princípios enunciados. Depois... pois veremos! Porque das palavras aos actos costuma ir uma diferença enormesca... e gato escaldado, da água fria tem medo.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Temas em Vez de Disciplinas?


Temas em Vez de Disciplinas?

Em termos de reformas curriculares andamos de experimentação em experimentação... até à experimentação final?
Por agora só quero frisar que ou o ministério da Educação prepara esta reforma cuidadosamente, diria até muito cuidadosamente!, ou prevejo um falhanço de reforma em toda a linha.
E pronto. Por agora é só mesmo isto.

Currículos: O que vai mudar nas escolas?

terça-feira, 14 de março de 2017

Parecer da FENPROF sobre o Perfil dos Alunos


Parecer da FENPROF sobre o Perfil dos Alunos

“PERFIL DOS ALUNOS À SAÍDA DA ESCOLARIDADE OBRIGATÓRIA” 
PARECER DA FENPROF 

A merecida valorização do documento O Grupo de Trabalho criado pelo Ministério da Educação para elaborar o “Perfil dos alunos à saída da Escolaridade Obrigatória”, presidido pelo Dr. Guilherme d’Oliveira Martins, apresentou no decorrer do mês de fevereiro o resultado final do seu trabalho. A FENPROF faz uma apreciação bastante positiva do ”Perfil”, porque este, rompendo com o legado da equipa de Nuno Crato, diverge de forma frontal das soluções neoliberais que têm pautado a política educativa no nosso país nas últimas décadas, nomeadamente ao nível da organização curricular e pedagógica. O documento assenta numa visão humanista da Educação, em clara oposição à postura tecnoburocrática até aqui prevalecente; regista o conceito de complementaridades no que toca aos saberes e recusa a visão hierarquizada destes, que teve o seu apogeu com o último governo da direita; sedimenta uma perspetiva de inclusão, por oposição a visões elitistas e excludentes implementadas no nosso país pelos arautos do neoliberalismo em educação. Logo no Prefácio, opondo-se à visão redutora e autoritária da aquisição de competências dirigidas à entrada no mercado de trabalho, é referido que o “aprender a conhecer, o aprender a fazer, o aprender a viver juntos e a viver com os outros e o aprender a ser constituem elementos que devem ser vistos nas suas diversas relações e implicações”. O Grupo de Trabalho considera que “isto mesmo obriga a colocar a educação durante toda a vida no coração da sociedade”. Esta referência merece algum realce porque a essência das propostas agora feitas coloca a educação ao longo da vida bem para além das lógicas da chamada educação de segunda oportunidade. Prefigura, isso sim, uma valorização do saber que dota os alunos, ao fim de doze anos de escolaridade, de uma genuína vontade de continuar a aprender durante toda a vida, seja qual for a opção de futuro que venham a adotar. Tudo isto, ali é dito, destinado a “pensar e a criar um destino comum humanamente emancipador”. O apelo à “necessidade de preparar os jovens para uma vida em constante e rápida mudança” obriga, tal como estabelece o documento em apreço, a uma construção integradora das competências-chave apresentadas. A FENPROF concorda com esta mudança de paradigma. F-052/2017 Rua Fialho de Almeida, nº 3 – 1070-128 LISBOA – Telef. 213819190; Fax. 213819198; E.mail: fenprof@fenprof.pt www.fenprof.pt 2 Um bom documento não garante, por si só, as mudanças necessárias A apreciação do documento não faz esquecer, em momento algum, que diferentes aspetos positivos nele contidos estão, no entanto, sujeitos a barreiras e constrangimentos que impedem e ou condicionam o desenvolvimento, nas escolas, do perfil dos alunos ora apontado. As dez competências valorizadas no “Perfil dos alunos para o século XXI” serão esvaziadas de conteúdo se não forem tomadas medidas ao nível da avaliação. O modelo de avaliação dos alunos privilegia as competências relativas às áreas curriculares e disciplinares concomitantes com o Português e a Matemática. A alteração do modelo de avaliação, a alteração do currículo, e não apenas a sua flexibilização, são pressupostos para que se possam desenvolver as competências descritas para os alunos, ao fim de 12 anos de escolaridade. Caso contrário, mais uma vez, esgotar-se-ão os interesses e energias das escolas sem que se efetive qualquer mudança substancial e estaremos, também mais uma vez, perante um mero artificialismo de carácter teórico. Sendo os docentes sujeitos indispensáveis na implementação de quaisquer medidas de política educativa nas escolas, situações extremamente insatisfatórias vividas diariamente por estes profissionais, tais como carreiras congeladas e desvalorizadas, turmas superlotadas, tensão na relação com alunos, escassos recursos materiais e didáticos, indisciplina na sala de aula, excesso de carga horária, inexistente participação nas políticas e no planeamento institucional, cerceamento da autonomia profissional, as constantes mudanças – muitas delas de caráter regressivo – ocorridas no sistema público de educação, a precariedade e a falta de rejuvenescimento do corpo docente são contraditórias com o enunciado do “Perfil”. Reforcese: a FENPROF entende que a manutenção daquele quadro é radicalmente incompatível com o desenvolvimento do perfil do aluno proposto. Prosseguindo, centre-se, por agora, a atenção nas formas de organização impostas hoje às escolas. Ao longo de todo o documento e, em particular, no ponto intitulado “Visão”, enfatiza-se a necessidade de que a Escola cumpra a sua função social na promoção de processos educativos que formem cidadãs e cidadãos críticos e atuantes e no desenvolvimento de uma pedagogia participativa e democrática. Em contraposição a esta visão, hoje apresentase aos alunos, como modelo ou referencial nas escolas, um paradigma de organização social excessivamente estratificado e hierarquizado, em que impera um estilo de comando e controlo apertado e centralizador, o qual favorece relações assimétricas de poder, numa lógica centralista em que um órgão unipessoal se apropria e detém o poder de posição oficial, o poder de especialista, o poder pessoal, o poder de controlo das recompensas e o poder coercivo. No documento em apreço, no entanto, aponta-se um modelo que visa simultaneamente “a qualificação individual e a cidadania democrática”, o qual pressupõe um paradigma democrático, promotor de participação, empenho, sentido crítico e responsabilidade. Ora, na prática, o modelo de gestão dos estabelecimentos de ensino portugueses perdeu os últimos laivos de democracia com a substituição do órgão de gestão colegial por um unipessoal, com a escolha de um diretor por um pequeno grupo de intervenientes em detrimento da eleição pela comunidade escolar, com a desvalorização do conselho pedagógico, órgão que passou a ser composto por elementos nomeados sem que representem, verdadeiramente, as estruturas de coordenação e supervisão pedagógica e orientação educativa das escolas e esvaziando-o de competências de decisão. Por sua vez, o modelo democrático imanente da Revolução do 25 de Abril de 1974 assenta numa lógica mais colaborativa e cooperativa, aberta ao diálogo, características diretamente relacionadas com as práticas de gestão colegiais e F-052/2017 Rua Fialho de Almeida, nº 3 – 1070-128 LISBOA – Telef. 213819190; Fax. 213819198; E.mail: fenprof@fenprof.pt www.fenprof.pt 3 descentralizadas, sem estereótipos elitistas, exigências privilegiadas nas organizações do hoje e do amanhã e em que estão pressupostos três princípios fundamentais da democracia, a saber: eleição, colegialidade, participação na decisão. O perfil dos alunos para o século XXI pressupõe uma verdadeira autonomia das escolas. No entanto, a proposta de lei-quadro para a transferência de competências na área setorial da educação para as autarquias locais conduzirá à perpetuação de uma autonomia decretada e cada vez mais restritiva das escolas e da liberdade pedagógica e profissional dos profissionais da educação, professores e trabalhadores não docentes, podendo ainda pôr em causa o caráter universalista da educação pública e, mesmo, em alguns casos, a sua matriz democrática. A FENPROF faz uma avaliação positiva do documento, mas salienta que uma visão holística e humanista da educação não se compadece com a continuidade de políticas educativas de cariz marcadamente neoliberal. Promover e garantir o envolvimento e a participação dos docentes O perfil do aluno pretendido à saída da escolaridade obrigatória aponta para uma mudança de paradigma na educação. Esta mudança implica alteração, também, nas práticas pedagógicas dos docentes e, como “não se muda por decreto”, há que garantir as condições necessárias para que o professor sinta necessidade de mudar a sua atuação. Para dar resposta ao perfil do aluno apresentado, os docentes necessitam de tempo para refletir sobre as suas próprias práticas, discutidas em ambiente escolar, com os seus pares, despertando assim o interesse pela mudança na prática educativa. São necessários espaços de diálogo para os professores terem condições para trocar experiências e para repensar e adequar as suas práticas às exigências de um novo conceito de aluno: um aluno crítico, com vontade de aprender e continuar a aprender ao longo de toda a sua vida, com competências assentes em conhecimentos, capacidades e atitudes nas diversas áreas de desenvolvimento e aquisição de competências-chave; um cidadão à saída da escolaridade obrigatória com uma perspetiva humanista e inclusiva, assentando toda a sua ação, de forma reflexiva, mas sempre sustentada num conhecimento efetivo. Cidadãos autónomos, que pensam por si e que estabelecem relações com os outros. Esta é a principal função social da escola: preparar o aluno para a vida numa sociedade em constante transformação. Esta mudança só pode acontecer se os professores forem envolvidos na discussão, na construção e na implementação destas alterações, em termos de uma participação ativa em todo o processo. Professores como autores e atores da sua prática pedagógica, em constante partilha de saberes e experiências com os seus pares. O que, manifestamente, diverge da situação para que a profissão docente tem sido remetida pelas políticas de diferentes governos. Não podem ser aqui menorizadas dimensões incontornáveis que têm a ver com a formação dos docentes, inicial, contínua e especializada, e, de cariz diferente mas absolutamente determinante, a resolução dos magnos problemas do desgaste e do envelhecimento do corpo docente, agravados de forma brutal com as políticas dos últimos largos anos. A FENPROF considera indispensável a organização de espaços de debate e reflexão nas escolas, envolvendo todos os professores, numa perspetiva construtiva de uma ação coerente F-052/2017 Rua Fialho de Almeida, nº 3 – 1070-128 LISBOA – Telef. 213819190; Fax. 213819198; E.mail: fenprof@fenprof.pt www.fenprof.pt 4 com as conceções que se pretende que os alunos apresentem no final da escolaridade obrigatória. A mudança que se perspetiva neste documento é importante e urgente, mas “ninguém muda por decreto”! Sem a criação, intencional e generosa, de condições de envolvimento dos docentes, tornando-os participantes interessados, ativos e respeitados neste processo, o perfil do aluno agora proposto não passaria de mais um exercício especulativo – ou de propaganda – no campo da educação e do ensino.

13 de março de 2017
O Secretariado Nacional

Parecer retirado daqui.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Novas Sobre os Currículos e Novo Desenho Curricular


Novas Sobre os Currículos e Novo Desenho Curricular

Um currículo mais equilibrado, mais tempo para as disciplinas de História, Geografia e Educação Física? Boa! Só posso aplaudir!
Regresso da Formação Cívica? Regresso da Área de Projeto? Boa! Só posso aplaudir!
Vem aí uma revolução para as escolas? Se for boa, só posso aplaudir!
Vem aí uma outra forma de organização e de trabalho para e nas escolas? Só posso aplaudir!
É que como está, não está bem! Notoriamente, não está bem. E muita da culpa é do anterior ministro da Educação, Nuno Crato de seu nome, com a imposição de turmas gigantescas para as características dos nossos alunos, com a imposição de metas curriculares inexequíveis, com um desenho curricular desequilibrado que divide disciplinas de primeira categoria - Português e Matemática - de disciplinas de segunda categoria e que são todas as outras.
Vamos em frente. Decididamente caminhando em pleno século XXI... espero!

"O secretário de Estado da Educação admite reduzir os tempos de aulas de algumas disciplinas nos curriculos escolares, para aumentar os de História, Geografia e Educação Física. Ao Expresso, João Costa diz também que as escolas serão convidadas a desenvolver projetos que envolvam várias disciplinas e anuncia o regresso da Educação para a Cidadania."

Veja aqui a reportagem.

Nota - Chamam-lhe geringonça. Mas, por vezes, parece acertar.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Novas do CNE por David Justino


Novas do CNE por David Justino

Não sei como é que o CNE chegou aos valores que hoje anunciou David Justino para a redução de alunos por turma. O que sei é que o país teria a ganhar com a constituição de turmas mais pequenas pois pouparia, por certo!, em problemas disciplinares que, quantas vezes! levam os professores às doenças psiquiátricas com reflexos na falta de produtividade e no absentismo e pouparia, igualmente por certo!, pela diminuição das retenções de alunos que provocaria esta medida pois só quem não é professor é que não sabe o quanto é diferente o funcionamento de uma turma com 20 ou com 30 alunos dentro de uma sala de aula. As retenções custam-nos 380 milhões por ano? Talvez só com esta medida, da redução de alunos por turma, fosse possível obter alguns ganhos também aqui. E depois, o país também pouparia em subsídios que deixaria de pagar, baixava ao mesmo tempo a taxa de desemprego, colocava mais gente no activo, mais gente ficava com algum dinheiro no bolso para consumir levando a uma maior circulação de moeda... sei lá, de repente isto até se revelava um bom saltito na economia geral.
Digo eu. Mas também digo que, para além de tudo isto, talvez fosse interessante, por uma vez, deixarmos de atirar o barro à parede com números de muitos milhões para impressionar o zé povinho e centrarmos a discussão mais no plano pedagógico... não?
É que toda a despesa com Educação não é um gasto. É um investimento.

Menos alunos por turma defendidos por PCP, BE e Verdes custam entre 500 e 700 ME - CNE

Quanto a esta notícia, só posso subscrever as palavras de David Justino.

Turmas com alunos de vários anos de escolaridade são uma "chaga social", afirma presidente do CNE


sábado, 11 de fevereiro de 2017

Currículos Flexíveis


Currículos Flexíveis

E aí estão eles a chegar o que nos permitirá flexibilizar os currículos. Como? Como será isto operacionalizado nas escolas? Pois veremos já a partir do próximo ano lectivo.
De notar que o título desta notícia deveria ser "Currículos flexíveis nos anos iniciais de ciclos já no próximo ano".

Currículos flexíveis nos ciclos iniciais de ensino já no próximo ano

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Indisciplina - Estudo do Alexandre Henriques - ComRegras


Indisciplina - Estudo do Alexandre Henriques - ComRegras

Ontem o Alexandre Henriques, dono do blogue ComRegras, publicou o 2.º Estudo Sobre Indisciplina em Portugal Com Dados das Escolas. Os dados deste importantíssimo estudo podem ser consultados aqui. Olhem para eles. Analisem os dados. E vejam como a indisciplina está a aumentar.
Um ano após a publicação do 1.º estudo sobre indisciplina em Portugal, igualmente da autoria do Alexandre Henriques, não posso deixar de registar a inércia da tutela perante este problema que mina tantas e tantas aulas neste país e que é o responsável por tanto desespero sentido pelos professores e que conduz, inúmeras vezes, à ruptura e à doença do foro psicológico ou mesmo psiquiátrico.
Hoje partilho parte de um post surripiado ao Alexandre Henriques, do blogue ComRegras que nos dá conta dos ecos saídos hoje na imprensa nacional do seu estudo sobre indisciplina nas escolas. E agradeço-lhe, publicamente, o gigantesco trabalho manifestando o meu orgulho por também pertencer a esta casa ComRegras.
Quanto ao ministério da Educação... é caso para perguntar "Onde está?" Encerrou para balanço?

Mais de 11 mil expulsões da sala de aula apenas em 47 agrupamentos

(Expresso)
Alexandre Henriques lamenta a forma “negligente” como se lida com a indisciplina e violência escolar e que considera “potenciadora do seu agravamento”. O problema começa logo na inexistência de uma recolha sistemática e uniforme dos registos disciplinares nas escolas e que deveriam ser transmitidos ao Ministério da Educação. Neste momento, a única ‘ocorrência’ que tem obrigatoriamente de ser comunicada pelas escolas ao Ministério prende-se com comportamentos mais graves e que são punidos com a transferência de escola (dados em baixo).

Indisciplina está a aumentar nas escolas

(JN)
Alexandre Henriques, autor do inquérito, revelado esta segunda-feira, garante que estes dados “são a ponta do icebergue”, e que esta é uma realidade a crescer. “Se extrapolássemos para a totalidade dos agrupamentos, as participações chegariam a 206.055″, afirma. No ano passado, o levantamento contou com 38 agrupamentos e quando se fez esta extrapolação, as queixas ficavam nas 200 mil”, garante.

Indisciplina na escola. Mais de 206 mil participações disciplinares num ano

(LUSA por DN)
“Não podemos olhar para estes números e pensar que se trata de um caso isolado”, alerta Alexandre Henriques, avisando que as escolas e os seus docentes e não docentes “precisam de ajuda”.
Para o autor do estudo, é “urgente reconhecer o problema, conhecê-lo por diferentes perspetivas e depois intervir de forma coletiva”, porque, argumenta, a tutela e as escolas têm mecanismos que permitem conhecer a dimensão e tipologia de indisciplina em contexto de sala de aula. “Basta apenas dar esse passo”, sugere.

Nas salas de aulas reina a “pequena indisciplina”

(Público)

Está a aumentar a indisciplina nas escolas

(TSF)

Discurso Direto – Indisciplina aumentou nas salas de aula

(TVI 24)

Os Alunos e o Peso (Brutal) das Mochilas

Imagem retirada da petição

Os Alunos e o Peso (Brutal) das Mochilas

O peso brutal que muitos dos alunos deste país transportam às costas volta a ser notícia hoje, no jornal Sol, pela mão de Ana Petronilho que nos dá conta do caminho já trilhado pela Petição contra o peso excessivo das mochilas escolares em Portugal e que conta já com mais de 32 mil assinaturas e será, por isso, obrigatoriamente discutida no Parlamento onde
A petição relembra-nos um estudo feito pela DECO/Proteste no ano de 2003 e os pedidos que daí decorreram endereçados ao Ministério da Educação, às escolas e às editoras para que este gravíssimo problema fosse ultrapassado com a ajuda de todas as partes.... mas todas as sugestões parece teren caído em saco roto porque o problema, ao invés de melhorar, agravou-se e muito, ultimamente pela alteração das aulas de 90 minutos para aulas de 50 ou 60 minutos em muitas escolas, alteração esta que faz com que os alunos somem mais disciplinas por dia e, consequentemente, somem mais peso nas mochilas por dia.
A petição relembra-nos ainda uma tese de mestrado realizada no âmbito do curso de Engenharia Humana da Universidade do Minho intitulada "Transporte de cargas em populações jovens: implicações posturais decorrentes da utilização de sacos escolares" que revela que quase dois terços dos alunos se queixavam de dores nas costas decorrentes do peso que carregavam. Relembra ainda campanhas e mais estudos que foram sendo realizados ao longo dos anos, todos a apontarem para os graves problemas de saúde que pesam sobre o presente e o futuro das nossas crianças, consequência do excessivo peso que carregam às costas.
Este problema arrasta-se, portanto, há anos e anos e nada de soluções que não sejam pontuais, marginais, excepcionais.
Já escrevi sobre este preocupante assunto neste mesmo blogue, em post publicado no dia 13 de Janeiro de 2016, depois de ter levado uma balança para a sala de aulas para, em Formação Cívica, pesar as mochilas dos meus alunos e constatar que algumas pesavam o escandaloso peso de 10 kg.
Ana Petronilho escreve :
"As mochilas dos alunos com quatro ou cinco quilos de peso e 12 manuais têm os dias contados. Os partidos com assento parlamentar vão apresentar na Assembleia da República recomendações e projetos-lei para evitar que os alunos do básico e secundário continuem a carregar todos os dias nas mochilas os manuais escolares, os livros de fichas, os cadernos, os estojos e o equipamento para as aulas de Educação Física.
O mote chegou com a petição pública contra "o peso excessivo das mochilas em Portugal" que, em menos de um mês, até ontem, à hora do fecho desta edição, tinha reunido mais de 22 mil assinaturas.
Está garantida assim a discussão obrigatória do assunto em plenário e a possibilidade de os peticionários apresentarem uma solução para o peso das mochilas. Será nessa altura que os partidos que dizem estar "preocupados" com o assunto vão avançar com soluções para o problema, sendo esta uma das queixas "mais recorrentes dos pais".
Seja como for, volto a escrever o que já escrevi em post anterior: Teremos de tentar arranjar uma forma de minorar este problema de saúde pública que terá, não tenhamos dúvidas, repercussões na saúde futura destes nossos miúdos e miúdas, alguns com aparência mais leve do que as próprias mochilas que carregam às costas com muita dificuldade. Nós, Instituições, famílias, Tutela, Editoras.
E volto a relembrar que os alunos não deveriam transportar/carregar mais do que 10% do seu peso.

Hoje também é notícia a crónica falta de obras nas escolas públicas e a igualmente crónica falta de funcionários não docentes.

Sol
Petição. Partidos vão fazer lei contra mochilas pesadas

ComRegras
Os alunos e o peso das mochilas

Petição
Petição contra o peso excessivo das mochilas escolares em Portugal

Sol
Ministro da Educação vai ao parlamento "com urgência" explicar falta de obras e de funcionários nas escolas

Nota - Post originalmente publicado no ComRegras

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Novas da FENPROF - Ponto de Situação



Novas da FENPROF - Ponto de Situação

A FENPROF apresentou hoje ao Ministro da Educação, em reunião em que o governante esteve presente, diversas propostas para as quais aguarda, agora, respostas, esperando que as mesmas sejam tão céleres quanto a dimensão de cada problema justifica. A saber:
- Assinatura de um protocolo negocial em torno de 3 grandes questões: combate ao desgaste e envelhecimento do corpo docente das escolas; criação de condições que garantam estabilidade no exercício da atividade docente; valorização do exercício profissional docente, também no plano das suas carreiras. Para a FENPROF, este protocolo destinar-se-á, não apenas, a identificar os problemas, como a encontrar soluções e a estabelecer os prazos para a resolução;
Com vista a serem consideradas no âmbito deste protocolo, a FENPROF adiantou já algumas propostas, dando ênfase às seguintes:
- Resolução dos problemas relacionados com a carreira docente, numa sequência de três momentos: i) regularização de todas as situações ilegais (janeiro de 2017), ii) descongelamento das progressões (julho de 2017), iii) início do processo de recuperação do tempo de serviço não contado (janeiro de 2018);
- Combate à situação de comprovado desgaste físico e psicológico dos docentes, através de uma reorganização dos horários de trabalho que contemple: i) uma clara definição do conteúdo de cada componente do horário, distinguindo, sem equívoco, o que é letivo do que não é letivo, ii) a integração das reduções por antiguidade (art.º 79.º do ECD), de novo, na componente não letiva individual dos professores, iii) antecipação da aplicação destas reduções;
- Rejuvenescimento do corpo docente das escolas através, por um lado, da criação de um regime especial de aposentação dos professores (tendo a FENPROF manifestado disponibilidade para encontrar soluções diversas de concretização deste regime), por outro lado, da criação de um regime de vinculação que integre nos quadros todos os que, em situação de precariedade, satisfazem necessidades permanentes das escolas e do sistema educativo.
Para além destas matérias, a FENPROF propôs ainda:
- O recurso à Procuradoria-Geral da República para arbitragem de divergências de ordem jurídica que FENPROF e ME mantêm em torno de aspetos relacionados com a interpretação de normativos legais que são incorretamente aplicados, penalizando fortemente docentes que continuam sem ser reposicionados na carreira, nos escalões em que se encontram os seus colegas com igual tempo de serviço;
- A criação de uma comissão conjunta que vise elaborar um diagnóstico da grave situação que se vive no 1.º Ciclo do Ensino Básico, com vista a atacar e resolver os problemas que afetam este setor, com prejuízos evidentes para a organização pedagógica das escolas, os alunos e os seus docentes;
- Que a gestão das escolas seja considerada matéria prioritária, a analisar e discutir ainda no presente ano letivo, no sentido de a democratizar e melhorar aspetos de ordem organizacional e de funcionamento das escolas. Nesse sentido, a FENPROF comprometeu-se a apresentar, na próxima reunião a realizar com o Ministro, uma proposta para a gestão democrática das escolas, que resultará da campanha de auscultação e debate que, a partir de janeiro, vai lançar em todo o país.
Relativamente a estas propostas, o Ministro da Educação afirmou que as teria em conta, quer analisando-as, quer encaminhando-as para as áreas adequadas da governação, pelo que a FENPROF fica, agora, a aguardar respostas concretas a cada uma delas, que espera receber em tempo breve.
Reconhecendo o conjunto de sinais positivos que foram dados no início de mandato – fim da PACC, das BCE, do PET/Cambridge, da requalificação e dos exames nos dois primeiros ciclos de escolaridade, entre outras medidas – é necessário, porém, que esses sinais deem lugar a mudanças significativas, sendo que, para os professores, relativamente às cinco grandes questões apresentadas (aposentação, vinculação, horários de trabalho, carreiras e gestão democrática), o tempo começa a justificar mais do que o reconhecimento dos problemas, exigindo que se tomem medidas que lhes ponham cobro.
A FENPROF está consciente de que não se pode fazer num dia o que foi desfeito em vários anos, mas os professores, que nunca deixaram de cumprir zelosamente os seus deveres, não aceitam continuar a ver desrespeitados os seus direitos. Com o objetivo de encontrar soluções para os problemas dos professores e das escolas, a FENPROF insiste na necessidade de um protocolo que calendarize os tempos para negociar e aprovar as medidas adequadas a essa resolução.

O Secretariado Nacional

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Novo Ranking de Escolas a Caminho e Outras Notícias do Dia


Novo Ranking a Caminho e Outras Notícias do Dia

Este post foi originalmente elaborado para o ComRegras.

A notícia do novo ranking que já se encontra a caminho está no DN de hoje. O novo indicador, apresentado pelo secretário de Estado da Educação João Costa, chama-se "Percursos diretos de sucesso", foi desenvolvido pela Direção-Geral de Estatística da Educação e Ciência (DGEEC) e procura ir mais além do polémico ranking anteriormente realizado pelo ME. Pretende comparar alunos comparáveis cruzando dados da avaliação interna e externa valorizando não os resultados obtidos, puros e duros de uma avaliação interna ou externa, mas a sua evolução.
Cito o secretário de Estado da Educação João Costa:

"Uma escola que recebe alunos de nível dez e os leva a 17 é uma escola muito melhor do que uma que recebe alunos de 15 e os leva a 17."

Nem mais, senhor secretário de Estado da Educação! E, muito embora ainda sem mais conhecimento da operacionalização desta nova metodologia, arrisco-me a afirmar que o país vai acordar um dia destes com algumas surpresas absolutamente surpreendentes e inesperadas para os mais desinformados e desatentos ou mal intencionados nestas coisas de Escolas que ministram um ensino de qualidade.
Veremos. Veremos quais são as escolas que mais ajudam os alunos a progredir e a melhorar o seu desempenho.

Entretanto a Fenprof não baixa os braços e reunirá já na próxima sexta-feira com o ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues para discutir a necessidade da devolução da gestão democrática às escolas.
Sem dados para o que vou escrever, arrisco-me a afirmar que esta é uma das exigências mais consensuais entre os professores.
Mas a Fenprof leva igualmente outras preocupações agendadas tais como: o desgaste e envelhecimento do corpo docente; a instabilidade e a precariedade na profissão; os horários de trabalho onde se confundem actividade lectiva e não lectiva; a burocracia; o congelamento das carreiras...

Por último, uma notícia de Clara Viana, saída no Público e que nos deve preocupar a todos:

"Novo indicador do desempenho das escolas vem confirmar que o nível de insucesso no secundário é elevado, mesmo nas escolas públicas que mais se destacam nos rankings feitos com base nas notas dos exames."

No DN
Novo "ranking" escolar combina aprovações e exames nacionais

No Notícias ao Minuto
Fenprof reúne com ministro "para devolver gestão democrática às escolas"

No Público
Nas escolas públicas de topo mais de metade dos alunos chumba pelo menos ums vez


 
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