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quinta-feira, 18 de abril de 2024

Gratidão - Alunos - "Só quero ver o jardim todo a florir."

Eu - Homenagem ao Mestre Costa Carvalho
Fotografia de Aluno Meu

Gratidão - Alunos - "Só quero ver o jardim todo a florir."

A todos os meus alunos, que o foram há poucos ou muitos anos, mas tantos anos que já tive o gosto e o prazer de ter os seus filhos nas minhas salas de aula, Alunos a quem sempre chamei os Meus Alunos Netos, agradeço um percurso de Escola que foi, segundo o meu prisma e sem falsas modéstias, tão gratificante e trabalhoso quanto eu consegui, a cada momento desta minha vida em grande parte dedicada de alma e coração aos Meus Alunos e à Escola Pública, que eu imaginei sempre escrita com letra maiúscula, povoada de Gente com letra maiúscula.

A escola hoje não é isto. Tornou-se um lugar de tirania mais ou menos disfarçada de democracia, um lugar tóxico, povoada de muitas situações impróprias para consumo, pelo menos para mim que jamais transporei as linhas vermelhas que para mim tracei ao longo de uma vida que já se dirige, a passos largos, para os setenta anos de idade. 

Esta fotografia chegou-me hoje, tirada por um Aluno Meu de há muitos anos atrás, que me reporta a uma Escola Humanista e Democrática, em tempos de Magalhães.

Não aguento a escola de hoje, escrita com letra muito minúscula, onde me querem obrigar a ficar diluída, violentada, humilhada, condenada, suspensa, amesquinhada, sem respostas... coisa que nem a um cão se faz, quanto mais a uma Professora que deu sempre tudo o que tinha para dar, dentro e fora das salas de aula, ao ponto de escutar a minha filha adolescente "Mãe, leva o colchão para a escola!"

Em dias de chumbo, como os que agora vivo, com um processo disciplinar às costas, uma condenação suspensa por 22 meses... seria o tempo da anterior legislatura?... e um recurso para o senhor ministro da Educação que, por agora, felizmente mudou, mas que ainda não obteve resposta, com uma queixa pendente sobre mim para o Ministério Público por parte da inspecção e com a concordância da senhora directora do Agrupamento Teixeira de Pascoaes... ai dr. Joaquim!!!... o que mais me passa pela cabeça é abandonar uma profissão que já foi a Minha Profissão mas que já não o é mais. Não assim.

E em dias de chumbo, como os que agora vivo eis que me chega esta fotografia, tirada por um Aluno Meu acompanhada por uma frase muito importante para mim:

"Só quero ver o jardim todo a florir."

Grata, Aluno meu! Grata Alunos Meus! Estarei sempre aqui para ti, para vós, enquanto os meus pés pisarem estas calçadas que calcorreio desde criança, até com os meus pés descalços.

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

À Atenção dos Meus Alunos - Sala de História/Centro de Recursos da Agora Escola Básica Teixeira de Pascoaes


Quando eu cheguei à escola... belos tectos!
Primeira etapa de intervenção na Sala de História


Sala de História - Antes, Durante, Depois
Fotografias de autorias variadas mas quase todas minhas

À Atenção dos Meus Eternos(as) Alunos(as) - Sala de História/Centro de Recursos da Escola Básica Teixeira de Pascoaes

Informo todos os meus alunos que esta específica sala, outrora a menina dos nossos olhos, tão bem cuidada por tantos de nós que deram o corpo ao manifesto para a converterem num espaço acolhedor e útil do ponto de vista físico e pedagógico, vai agora ser definitivamente desmantelada.

A gota de água que fez transbordar o meu copo, agora em definitivo, foi mais um ano consecutivo de aulas espalhadas por todas as indiferentes salas dos muitos pavilhões que percorro de novo este ano lectivo e que nada acrescentam à minha actividade pedagógica e que prejudicam até o meu trabalho em sala de aula já que me criam areias na minha engrenagem de Professora de História, prejudicando, consequentemente, também, as aprendizagens dos meus alunos, especialmente os do sétimo ano de escolaridade, pela destruição da magia do momento em que a chave dos dois armários rodava e abria aquelas portas de onde saíam peças tão importantes que lhes deixavam os olhos incrivelmente brilhantes e arregalados, prenhes de curiosidade.

A gota de água foi também verificar que as maquetas, que deram tanto mas tanto trabalho a tantos alunos que me passaram pelas mãos ao longo dos anos, estão já em acentuado estado de degradação que eu não posso admitir. Antigamente aquela era a "minha" sala, a que eu vigiava, cuidava, acarinhava... a que servia para colocar em prática uma disciplina que à época não existia - Cidadania de seu nome - e que agora não passa de uma sala mono, sem dono, terra de ninguém, que nada acrescenta a quem devia acrescentar, num esbanjamento de recursos que me dói até à medula.

Decididamente não tenho o espírito daquela matriz idealizada e negativa da "funcionária pública" que gosta de deixar andar e faz bastante por isso.

Assim, alunos e alunas que por lá mantêm as maquetas e materiais diversos realizados em vossas casas - usando os vossos materiais, correspondendo por inteiro aos desafios desta professora que um dia sonhou uma escola diferente e começou pela "sua" sala de aula - podem combinar comigo para que vos possa restituir os trabalhos antes que estes fiquem completamente espatifados.

Eu própria vou trazer para minha casa todos os materias que são meus e que, um dia, feita parva, ponderei deixar de oferta a esta escola a que já chamei Home mas que não o é mais, muito pelo contrário, apesar dos meus amores que reencontro sempre que abro as portas das salas de aula.

Recheada com materiais diversos e pertinentes para o ensino da História, muitos da minha propriedade e por mim adquiridos propositadamente ao longo de tantos anos, outros que me foram oferecidos por colegas de outras escolas próximas e até de escolas muito distantes, e outros realizados pelos alunos, tantas e belas maquetas só para relembrar um exemplo, a Sala de História tem agora como destino o seu desmantelamento, progressivo mas decidido e inabalável.

Relembro - entrem em contacto comigo caso queiram reaver os vossos materiais. Caso pretendam deixá-los onde agora se encontram saibam que a responsabilidade da sua degradação ou mesmo da sua destruição não será minha.

quarta-feira, 19 de abril de 2023

Trabalho - Profundo Agradecimento à Directora do Agrupamento de Escolas Teixeira de Pascoaes



Trabalho - Profundo Agradecimento à Directora do Agrupamento de Escolas Teixeira de Pascoaes

Toda a gente que me conhece sabe que eu sempre procurei ser uma profissional exemplar não só no trabalho que desenvolvi e desenvolvo dentro das salas de aula com os meus queridos alunos, como no trabalho que desenvolvi e desenvolvo para a melhoria do funcionamento da comunidade educativa a que pertenci e pertenço, como também na componente trabalho casa com noitadas até às duas e três da manhã por forma a construir um património profissional que é meu e que constitui a minha impressão digital profissional, e que ninguém ma rouba exactamente por não estar fechada a sete chaves e ser trabalho público.

Ao longo da minha vida sempre procurei ser correcta com toda a gente e sempre procurei manter a coerência entre o que digo e o que faço, tanto no campo estritamente pessoal como profissional.

Posto isto, pela primeira vez na minha vida sofri alterações no meu horário laboral a meio de um ano lectivo, mais concretamente a partir do dia 14-de Março de 2023, por e-mail, e sem receber qualquer justificação e/ou esclarecimento para coisa tão inaudita. 

As alterações a que me refiro são "apenas" estas - de um horário super arrumadinho passei a usufruir de um horário todo esfrangalhadinho, com furos e furinhos entre aulas e componente estabelecimento em que até me conseguiram arruinar a tarde livre de quarta-feira, tarde em que a esmagadora maioria dos alunos nem está na escola pois só ficam no recinto estabelecimento os alunos que frequentam o desporto-escolar, teatro e afins. Ah! E só à quinta-feira consigo ir a casa e comer descansada... o que é bom, pois ainda tenho pernas para correr bem depressinha para lá e para cá e comer mais depressa ainda.

Devo confessar que estou muito contente com as alterações pois sempre posso descontrair ou mesmo pastar nestas horas de burrice em que se procura deixar uma funcionária exemplar, eu, deveras agradada e que fico de cara à banda com uma gestão de recursos humanos deste calibre.

E é assim que me sinto, muiiiito agradada, pela competência de liderança de excelência demonstrada, pois sempre posso aproveitar este tempo de pastagem para escrever neste blogue ou, quiçá, fazer alongamentos, pilates de parede ou até dança de varão num qualquer varão dos passadiços desta escola.

Gratíssima, Senhora Directora! E, já sei, com sorte, mesmo mesmo com sorte, para o ano estou habilitada a ir para o Marão! 

Ou, quiçá, mais longe ainda?

Adenda - Ah... foi por conveniência de serviço... eheheh

sábado, 15 de outubro de 2022

Da Qualidade/Sensibilidade das Estruturas Intermédias Perante o "Capital" Humano Subalterno

Sala de História - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães e Cristina

Da Qualidade/Sensibilidade das Estruturas Intermédias Perante o "Capital" Humano Subalterno

Depois de um longo período de baixa médica, absolutamente necessário para recolocar a minha moleirinha nos carris, onde ela esteve desde sempre até me falhar, voltei finalmente ao trabalho e à escola, agora apenas de nome mudado para Agrupamento de Escolas Teixeira de Pascoaes. Olhai a responsabilidade do carrego de um nome absolutamente ímpar na cultura mundial, nacional e local, que o meu pai conheceu muito bem pelo nome de dr. Joaquim...

Confesso que necessitei deste afastamento não pelos meus alunos à época, muito menos pelos que já me apresentam, carinhosamente, os seus filhos, muito menos pelos alunos que tenho agora dentro das salas de aula que percorro todos os dias dentro de um mesmo pavilhão. Necessitei deste afastamento por razões pessoais, que se relacionam com perdas familiares muito duras de aceitar... mas que também resultam de uma acumulação e de uma saturação face a sacanices variadas e de gravidades muito diversas vindas de gente adulta que devia talvez voltar à meninice e refazer o seu Ser. 

Arrumado o andar de cima, voltei à "minha" sala de aula, mesmo se agora ando de sala em sala, de catacumba em catacumba, sem nunca colocar os pés na sala que fui construindo ao longo dos anos apoiada pelos meus alunos. 

A história da Sala de História dava um filme que deveria ser tranquilo, pacífico e tranquilizador tal e qual ela se apresenta a alunos e professores que por lá passam e me fazem questão de o referir deixando o meu coração pacificado, apesar de tudo. Alterar, mudar para melhor o "espaço" em que habito, arrastar gente para esta paixão, faz parte integrante de mim e é faceta minha que jamais descurarei.  

Fico até comovida por saber que a Sala de História é usualmente a escolhida entre todas as salas da escola para receber alunos e professores que aqui se deslocam em Programas de Erasmus e afins por ser uma das salas mais agradáveis de toda a Escola.

Fico até comovida sempre que alunos vêm ter comigo e me propõem fazer com outras salas de aula o que fizemos - eu e os meus alunos - com esta específica sala, como ainda aconteceu durante esta  semana que agora finda.

Vai daí, no meu regresso à minha escola de sempre, e após baixa psiquiátrica, registo que tenho no meu horário, durante todo o 1º semestre, zero aulas na Sala de História e apenas uma no 2º semestre, sala que pintei, embelezei e acarinhei com estas minhas irrequietas mãos em resultado de ter a funcionar os meus irrequietos neurónios e que, com a ajuda de outras mãos, a alteraram, facto que é representativo do cuidado, sensibilidade e apreço perante uma trabalhadora que, como afirma frequentemente o meu irmão, ainda vai ser despedida da função pública por trabalhar tanto. Vá lá que está a contribuir para a felicidade de outros...

E pronto. E é isto. E eu estou feliz... agora que voltei a ser quem era, talvez até mais acutilante e assertiva que nunca. 

domingo, 18 de setembro de 2022

Regresso à Escola



Regresso à Escola

Depois de um amplo interregno durante o qual estive impedida de exercer a profissão que escolhi para mim, por razões de saúde, eis que regressarei na próxima semana aos afazeres típicos de uma vida profissional docente e que eu exijo a mim mesma que seja decente.

Durante todo este período de interregno, absolutamente essencial e crucial para mim, tive tempo para reflectir, amadurecer, ruminar, decidir, hesitar, pensar... e, acima de tudo, de me questionar frequentemente "Anabela Maria, o que andas a fazer nesta vida, com a tua vida?"

As conclusões que tirei, por agora, ficarão para mim. Hoje apenas quero deixar aqui registado que fico contente por ter saído de um agrupamento chamado Agrupamento de Escolas de Amarante e de voltar agora ao activo a um agrupamento chamado Agrupamento de Escolas Teixeira de Pascoaes, diferente, portanto, e que, por certo, jamais me exigirá contratar advogados especializados em direito de trabalho para que, em actas de reuniões em que estive presente e não muda, fique escrito o que eu disse e que eu disse que exigia que ficasse escrito.

Sim, o silêncio é cumplicidade.

Regresso, assim, protegida com a minha carapaça endurecida por múltiplas camadas, nunca desviando o olhar, seguindo sobretudo em frente, de olhos bem abertos, ouvidos desobstruídos... escancarando portas e janelas à minha passagem, pronta para trabalhar até com mortos.

domingo, 28 de novembro de 2021

Receita de Reaproveitamento de Crochet

Almofada de Crochet - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Receita de Reaproveitamento de Crochet

Pegue carinhosamente num conjunto de três peças de crochet feito pelas mãos delicadíssimas da sua... neste caso da minha mãe.

É certo, estas três peças nunca tiveram nem nunca terão vida útil nos poucos móveis que vestem os interiores da maioria das casas da actualidade, mais práticas e mais descomplicadas: não tenho nem nunca tive mesa de sala de jantar para a peça mais comprida, muito menos dois aparadores para as peças mais curtas, todas a acabar em froquinhos.

Vai daí juntei as peças, desfiz o que foi necessário desfazer, refiz o crochet com o maior respeito por quem o criou e dei-lhes uma nova vida que agora me aconchega os dias na Serra da Aboboreira.

Et c`est tout! Por agora. Apenas uma partilha de manualidades terapêuticas... minhas.

domingo, 24 de janeiro de 2021

Formação - Webinar - Google Slides




Formação - Webinar - Google Slides

Confesso-me fã destas salinhas de aula virtuais ou escape rooms que construo à minha imagem e semelhança e à imagem e semelhança das minhas aulas.

E as minhas aulas são construídas tijolo a tijolo fabricados e empilhados pelas minhas mãos que obedecem aos meus neurónios, partes do meu corpo com que tenho relações deveras especiais.

Assim sendo, aqui vos deixo a informação para quem a quiser aproveitar - Dia 27 de Janeiro quer aprender a construir uma escape room?

Clique aqui. Garanto-lhe que não dói nada!


sábado, 31 de outubro de 2020

A Luta (Caótica) Contra a COVID-19


A Luta (Caótica) Contra a COVID-19

Por aqui está uma balda e não há como dourar a pílula quando tens pessoas próximas a quem já aconteceu de tudo.

Desde médicos deixados completamente ao deus dará quando tiveram contactos muito próximos com casos positivos, até crianças a viverem com pais positivos que são mandadas para as escolas porque testaram negativo, tudo é possível.

Uma medida que também está a ajudar muito à festa é não mandarem testar seja quem for dentro das escolas, mesmo que almocem ou lanchem juntinhos, mesmo que se sentem ao ladinho tardes inteiras, só com um intervalinho de 10 minutos durante toda a tarde.

Ou seja, há pelo menos dois países - o dos políticos que vão para a televisão contar camas e ventiladores e onde os serviços parecem esticar até ao infinito e tudo parece estar sob controlo, a acreditar nas suas palavras, e um outro, o real, que está a falhar em toda a linha na luta contra a COVID-19. 

Tenho dito.

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

O Melhor Momento de Todas as Semanas deste Ano Lectivo

Auto-Retrato em Catedral Gótica - França
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

O Melhor Momento de Todas as Semanas deste Ano Lectivo

Chegar a casa, pelas 18 horas, depois de uma dura e intranquila semana de trabalho.
Entrar pela lavandaria, retirar a máscara da cara e colocá-la fechadinha no lixo, largar a mochila, que até aí esteve às costas, pendurá-la onde permanecerá até segunda-feira, cumprindo a quarentena; de seguida, despir a bata e colocá-la directamente na máquina de lavar, descalçar as sapatilhas que à entrada viram as suas solas serem esfregadas numa toalha com lexívia colocada por cima do tapete da entrada, despir a roupa e marchar para debaixo do chuveiro et voilá, eis que estou finalmente no melhor momento de todas as semanas desde que as aulas recomeçaram, deixando a água bem quente fazer o seu trabalho de relaxamento de que tanto preciso enquanto me lavo duas vezes dos pés à cabeça com a certeza que este ritual só voltará a ver a luz do dia na próxima segunda-feira.
Amanhã juro que vou apanhar castanhas.

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

A Colocação de Máquinas Automáticas de Distribuição de Bebidas e de Alimentos nas Escolas

 


A Colocação de Máquinas Automáticas de Distribuição de Bebidas e de Alimentos nas Escolas

A Colocação de Máquinas Automáticas de Distribuição de Bebidas e de Alimentos nas Escolas, em espaços onde antes se situavam os bares, entretanto encerrados, ou a sua manutenção, caso das pré-existentes, é uma fonte de contaminação incompreensível e desnecessária em tempos de SARS-CoV-2. 

Abandonadas, sem terem um funcionário em permanência que assegure a sua higienização após cada utilização, fonte de atracção de cabeças juntas e sem máscaras porque os alunos estão já a comer ou a beber quando lá vão tirar o que lhes falta ou mesmo o que lhes não falta mas lhes apetece, serão, se forem instaladas ou se forem mantidas, motivo de preocupações acrescidas, a somar a todas as outras, que já não são poucas em todos os recintos escolares deste país.

Acresce que, pelo abandono a que estão votadas, e só nos faltaria ter um funcionário a vigiá-las em permanência e a vigiar a sua utilização se nem para todo recinto escolar eles chegam!, corremos sérios riscos de ver pelas escolas a miudagem a tomar... sei lá... talvez café?!

sábado, 10 de outubro de 2020

Alguns Jovens Querem Ver as Escolas Fechadas?


Alguns Jovens Querem Ver as Escolas Fechadas?
 

Parecem querer. Ao amontoarem-se às molhadas sem qualquer protecção, ao adoptarem comportamentos de flagrante risco, pagarão a factura destes comportamentos mais cedo ou mais tarde e nós com eles.

Falo do que vejo e nem sempre vi isto. No início deste ano lectivo não era assim. Agora, nos dias que correm, a situação nas imediações das escolas Básica e Secundária de Amarante está a degradar-se a olhos vistos e a um ritmo alarmantemente acelerado e ou as autoridades locais põem cobro a isto ou o SARS-CoV-2 nos irá remeter à nossa insignificância. De uma maneira ou de outra.

Mas atenção! Que ninguém interprete mal as minhas palavras. A esmagadora maioria dos jovens com quem eu contacto tem comportamentos globalmente assertivos e até muito responsáveis. A alguns falta apenas limar pequenas arestas. E depois há uma pequena minoria. Que neste e em outros problemas sempre existiu nas escolas e fora delas também.

Há quem se considere indestrutível. Há até quem pense que nós, enquanto espécie, somos indestrutíveis.

Não é o meu caso. 

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

A Voz do Professor

 

A Voz do Professor

É um instrumento de trabalho poderosíssimo e inestimável para um/a professor/a.

Vejamos o meu caso que, desde pequenina, lidei com problemas a que chamo as minhas ites: as minhas "queridas" amigdalites foram-se sucedendo até meados da minha adolescência, altura em que lá se foram as amígdalas para o galheiro numa intervenção cirúrgica de má memória que me ficou na memória; e eis que, estripadas as ditas cujas, chegaram os tempos das faringites sem fim a que, com a idade, acrescentei rinites muitas e, ainda pior, sinusites mais bravas do que touros enraivecidos. 
Durante as crises disto e daquilo, sempre outonais e invernais, eu, professora de profissão, fui acumulando afonias em tempos de aula à média de uma ou duas por ano e os meus alunos por certo se lembrarão de uma professora de sonho a falar quase sem emitir som... rssssss... até ao início deste ano em que o meu querido otorrino me abriu umas autoestradas pelo interior do nariz, deixando-me a respirar melhor do que nunca e a nunca mais ter crises de ites assim ou assado.
Mas nunca nunquinha, em todos estes anos de consultas regulares em otorrinos, saí de uma consulta com medicação específica para o relaxamento das cordas vocais, extremamente tensas, comunicou-me ele e a fazer durante quinze dias a ver se resolvo a coisa.
Não está/é fácil trabalhar de máscara. A dicção tem de ser especialmente cuidada e a projecção da voz tem de ser eficaz. E o esforço é contínuo. 
O webinar que hoje partilho é pertinente no actual contexto, de pandemia e de uso generalizado de máscara, e chegou-me via Escola Virtual, que eu não uso. Intitula-se "A voz do professor: como sobreviver à pandemia" e será transmitido em ditecto via Youtube e no Facebook da Escola Virtual. 

Sobreviverão, sem grandes mazelas, as nossas vozes?
Veremos como.

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Ele Há Dias Assim

 

Dia de Treino - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Ele Há Dias Assim

Em que o cansaço se acumula e o treino... bom, o treino vai para o galheiro.



segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Arejamento das Salas de Aula

 


Arejamento das Salas de Aula

Primeira semana:

As janelas e as portas das salas de aula devem permanecer abertas para possibilitar, tanto quanto possível, uma boa ventilação destes espaços sobrelotados de gente.

Segunda semana:

As janelas e as portas das salas de aula devem permanecer abertas para possibilitar, tanto quanto possível, uma boa ventilação destes espaços sobrelotados de gente.

Terceira semana:

As janelas e as portas das salas de aula devem permanecer abertas para possibilitar, tanto quanto possível, uma boa ventilação destes espaços sobrelotados de gente.

Fim do primeiro dia da terceira semana:

Porra! Estou cansada!

sábado, 26 de setembro de 2020

Professora Feliz - A Cada Passo Mimo


Auto-Retrato - França
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Professora Feliz - A Cada Passo Mimo

Construir uma carreira de Professor, neste caso de Professora, dentro de uma cidade muito pequena como Amarante, onde todos ou quase todos - Alunos e Professores - nos continuamos a encontrar fisicamente, mesmo se já passaram décadas sobre o trabalho desenvolvido com aquela específica turma e sobre aquele trabalho com aqueles específicos alunos, neste caso vindos de um tempo de práticas lectivas ainda sem novas tecnologias, tem muito que se lhe diga. 

Sem acrescentar nada ao que devem ser as nossas práticas pedagógicas baseadas na lealdade, na confiança, na empatia, na verdade, na educação, no carinho, na compreensão, no afecto, no entusiasmo, mas também na firmeza, na exigência, no respeito, na responsabilidade, no profissionalismo, na correcção, na aceitação e incorporação da crítica, na correlação que deve existir sempre entre o verbo e o acto... e tudo o mais que faz da nossa profissão coisa tão, mas tão complexa, a verdade é que a cidade muito pequena faz com que muito mais amiúde, a cada esquina, a quase todas as horas do dia e da noite, nos deparemos com este e com esta, com aquela ou aquele que, um dia, se sentaram nas cadeiras das nossas salas de aula, povoando-as, humanizando-as. O que pode ser um "risco", para o bem ou para o mal.

Foi o caso de hoje, dia em que me cruzei com ex-aluna, hoje mais do que adulta mas que eu ainda vejo, pequenita mas muito senhora do seu nariz e de uma franqueza que eu amo, dentro da minha sala de aula, fila do meio, ao fundo da sala, do lado esquerdo na carteira, e que, ao cruzar-se comigo, acompanhada pela mãe, em plena rua, não deixou de me dizer qualquer coisa como "Estava agora mesmo a dizer à minha mãe que sempre gostei muito da professora..."

E eu, moldada pelas minhas afectuosas Professoras... os meus professores que me desculpem mas não entram nesta minha equação até eu sair do burgo e entrar na faculdade, muitas das quais se continuam a cruzar comigo pelas ruas de Amarante, e com quem eu continuo a trocar mimos, só posso ficar feliz com este carinho amiúde recebido e do qual me alimento para continuar numa profissão desgastante, difícil, exigente, complexa, frustrante, humilhante quantas vezes... e tudo o mais que ela é.

Assim, a história repete-se... há quem diga que não mas eu não concordo. A história repete-se, com outros protagonistas, noutras circunstâncias, em outros lugares, em outros tempos... mas o sumo e o sabor continuam exactamente os mesmos e são maravilhosos.

Muito grata, Aluna Minha! Pelo teu carinho que, passados todos estes anos, continua intacto.

sábado, 5 de setembro de 2020

Ser (Ou Não) Desagradável

Auto-Retratos - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Ser (Ou Não) Desagradável

O texto que se segue é do Paulo Guinote. Mas podia ser meu. Neste início de ano lectivo "very" atípico, e depois da formulação do desejo de bom ano lectivo para todos, é mesmo isto que tenho para dizer. De forma escrita que é para eu não me esquecer de nada.

"Depende das perspectivas. Há situações em que ser-se desagradável é a única forma de fazer entender que certos comportamentos e atitudes não podem passar em claro. Há quem não goste. Em especial quando isso é mais do que justo. E tanto mais quanto maiores forem as responsabilidades (e os disparates ou mesmo flagrantes más práticas) de quem não merece que se dê a outra face ou se sorria para ver se tudo fica em claro. Não faz o meu género; prefiro ser tido como desagradável do que como complacente ou cúmplice. Até porque não acredito muito na justiça divina no Além, Aquilo já deve estar tão povoado que até quem seja omnisciente e omnipresente terá dificuldades em detectar tod@s as sacaninhas que lá dão entrada. Pelo que é muito importante que se comece a fazer o trabalho logo pelo Aquém."

Paulo Guinote


sábado, 25 de julho de 2020

Trabalho - Aula 4 - Economia e Habitat no Paleolítico


Trabalho  - Aula 4 - Economia e Habitat no Paleolítico

A aula não está concluída... mas está bem encaminhada.
A interactividade continua. Sempre organizada, claro está!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Guardar Tudo - O Céu, Crochetado, É o Limite

Mix de Lavores - Crochet, Bordados, Costura - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Guardar Tudo - O Céu, Crochetado, É o Limite

Usufrua de uma formação super antiquada - sem computadores, sem net e sem APPs - durante a segunda metade do século XX. Aprenda picotagem, desenho e lavores muito variados durante a infantil, frequentada em colégio católico. Abandone-o, muito aliviada, no final da primária para integrar o maravilhoso ensino público, mais concretamente o Ciclo Preparatório Teixeira de Pascoaes. Frequente uma disciplina importantíssima para a sua formação, que talvez se chamasse Trabalhos Manuais, e nunca mais se esqueça que fez um maravilhoso cordeirinho branco, com quatro perninhas e tudo!, em 3D, fofinho que nem sei... e que ainda hoje gostaria de possuir pois só lhe faltava fazer mé mé.
Junte uma mãe perfeccionista em todo o trabalho que executava, nomeadamente no trabalho em malha, crochet, costura. Aprenda com ela alguma coisinha. Pratique. Faça camisolas para si e para outros, casacos, calças, saias, vestidinhos, lençóis bordados e mantas para o enxoval da que seria a sua única filha ... e eu sei lá mais o quê que a moda do pronto a vestir ainda não tinha o peso que  tem hoje.
Junte uma mania sua - tudo pode ter utilidade - e amontoe fitas de embrulhos, restos de costuras diversas, botões, fivelas... e o mais que se lembrar, guardando tudo religiosamente para um dia... quem sabe?...
Herde maravilhosas lãs de diferentes texturas e cores de uma artista que era sua sogra e que fazia tapeçarias muito belas como quem pinta uma tela, de uma sensibilidade artística muito rara.
Misture tudo e produza alguma coisa como quem faz um PPT, uma página web, um quizizz, um blogue... e sim, o céu, crochetado, é o limite.
 
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