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sexta-feira, 28 de junho de 2024

Apoio Vindo Nem Sei de Onde - Saboroso, Importante, Significativo, Carinhoso... e Anónimo








Flores - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Apoio Vindo Nem Sei de Onde - Saboroso, Importante, Significativo, Carinhoso... e Anónimo

Chegou-me um dia destes a casa, em caixa grande em que no exterior apenas estava escrito "A felicidade floresce de dentro", causando-me estranheza já que eu, por norma, nunca recebo encomendas.
Até comentei "deve ser para a minha filha ou para o meu marido" mas não, insistiu o entregador, a encomenda era mesmo para esta senhora que sou eu.
O enigma instalou-se dentro desta anonimidade, a única de que gosto e que aceitei de bom grado.
Presumi que não seria nada de grave vindo da escola a que pertenço... e abri, corajosamente o comprido caixote, bonito por fora e ainda mais belo por dentro... puras e bran cas flores salpicadas com um verde de eucalipto, um cheiro celestial, uns recados para tratamento do belíssimo ramo e um cartão, escrito sem qualquer assinatura.

Toda a gente sabe que a minha vida profissional foi virada do avesso com a instauração de um processo disciplinar e eu, passado todo este tempo, continuo a pensar que se havia pessoa que o não merecia era eu, uma trabalhadora incansável da e para a Escola Pública, para os Meus Alunos em particular, partilhadora, sempre pronta a ajudar quem de mim precisasse... e tanta gente ajudei ao longo da minha vida... e ainda por cima não é que o processo disciplinar é-me instaurado no final de um ano de trabalho em que tinha regressado à escola após prolongada ausência, por luto, após o falecimento do meu pai que me abalou até ao tutano... e ainda não completamente digerido neste momento em que escrevo?
Foi na mouche, parece que escolhido a dedo.
Pois não sei de onde chegaram-me flores e um cartão que assim reza:

"Anabela,
que esta flores a possam animar nestes dias cinzentos que têm persistido em se arrastar, dando-lhe esperança e ânimo. Admiro-a e sei que este gesto pouca diferença fará, mas acredite que a sua determinação, frontalidade e coerência dão força a outras.
Abraço sincero e grato desta sua colega."

Pois Colega Minha, que eu desconheço, nem imaginas tu a diferença que faz e fará um gesto destes na vida de uma pessoa votada quase completamente ao ostracismo dentro de uma escola onde sempre deu o litro nunca olhando para o relógio e trabalhou até ao esgotamento fazendo a minha filha afirmar, frequentemente, "Nem sei porque não levas o colchão para a Escola!".
Agradeço-te do coração este gesto tão carinhoso, empático, sensível, solidário, cuidadoso, enfim, humano... e como eu gosto destes atributos!
Estando em fase de poder vomitar se me cruzar com determinadas pessoas, este gesto alimentará a minha alma por dias e dias a fio... e isso é tão bom...

Tempos houve em que eu me alimentava muito de Escola Pública. Agora, o que já foi alimento, transborda em mar de toxicidade.
Daí este consolo chegar em momento certo, em momento de muita descrença... ajudando-me a recentrar, espero, na beleza dos meus, na beleza que persiste no Mundo, na beleza interior de gente anónima e não só espalhada por esta superfície que acolhe, temporariamente os nossos passos.
Que eles possam ser firmes, honestos, solidários, contribuidores de um mundo melhor onde parece qu8e parte da humanidade já anda completamente perdida.

Obrigada do coração.

Anabela Magalhães

terça-feira, 5 de março de 2024

Apoios de Longe


Apoios de Longe 

Não me posso queixar de todo o apoio recebido, vindo de longe, ao longo deste angustiante processo disciplinar kafkiano de que tenho sido vítima. 

As missivas de teor semelhante a este que hoje me entrou no chat do facebook e que aproveito para divulgar com a respectiva autorização, vão muito no sentido de eu ser uma inspiração na luta dos professores, de eu ser uma inspiração para a luta dos professores ao longo destas já decadas de dar o corpo ao manifesto por um amanhã melhor. Afinal, não é por acaso que eu estudei na Escola Pública, que a minha filha estudou na Escola Pública e que os meus netos estudam na Escola Pública... não sabendo eu até quando face à deterioração das condições que vejo e observo a agravarem-se a cada dia que passa.

As missivas chegam-me de Norte a Sul do país, passando também pelo centro, vindas de gente que conheço pessoalmente e mesmo de gente que desconheço por completo.

Do interior da ainda minha escola o que mais recebo é um silêncio constrangedor e confrangedor, salvo raras excepções por quem eu sinto um enorme apreço e amizade nesta hora de difícil processamento da minha situação de condenada que nunca baixará os braços, nunca imobilizará as pernas e nunca calará a sua voz, falada e muito menos escrita.

Estarei sempre grata do coração por este apoio que rebenta completamente com um possível sentimento de desamparo e de solidão a que pudesse sucumbir.

Estou aqui. Ainda estou aqui. Apesar de tudo.

"Cara Anabela, 

peço desculpa pela ousadia, mas não posso deixar de lhe dirigir algumas palavras de conforto. 

Não desista! 

Também não estou a atravessar uma boa fase na minha escola, mas não podemos baixar os braços. Se nos tentam calar é porque fazemos alguma diferença.

Tenho muita admiração por si, e acredito que muitos colegas sintam o mesmo. 

Da minha parte, é a Anabela que me faz continuar a falar, a enfrentar e não desistir das minhas convicções e valores.

 É uma inspiração nesta luta, por vezes desigual. 

Não está sozinha. 

Força, colega!"

segunda-feira, 4 de abril de 2022

Elisabete

 

Elisabete - Feira Medieval - E.B. 2/3 de Amarante 

Fotografia de Lucinda Leite 

Elisabete 

No dia 21 de Julho de 2007, estando eu colocada na ESA, escrevi um texto neste blogue intitulado "Elisabete" e que passo a transcrever:

"O meu relacionamento com a Elisabete começou no ano lectivo de 2001/2002 aquando da minha colocação na E.B. 2/3 de Amarante. Claro que já a conhecia daqui de Amarante, que isto é uma terra pequena, e também já tinha trabalhado com ela nesta mesma escola, mas o meu relacionamento/conhecimento com esta escorpiona interessante vem só, volto a frisar, de 2001. 

Aprendi a observar e a admirar o seu trabalho, na direcção da E.B. 2/3, onde desempenhou os cargos de braço direito e esquerdo do Magalhães, chefe máximo dessa escola. Todos estes anos a vi ocupando o seu posto, dando o litro por uma Escola com um ambiente por vezes nada fácil... e eu sei do que estou a falar pois "vivi" lá três anos da minha vida. E devo confessar aqui, publicamente, que vivi lá três anos de pura felicidade profissional e que a Elisabete também contribuiu para isso. A E.B. 2/3 de Amarante foi a minha segunda casa e nunca me furtei ao trabalho que se estendia, por vezes, muito para além do serviço lectivo. O ambiente familiar que lá encontrei e que contrastava enormemente com o ambiente frio e até hostil que deixara para trás, na Escola Secundária de Amarante, deixaram-me surpreendida e senti-me aconchegada numa das escolas por onde passei como estudante e onde estava agora como docente. Essa tranquilidade e aconchego profissional encontrei-o na Elisabete (também no Magalhães, mas agora não vou falar dele) sempre disponível para quem chegasse, sempre disponível para encontrar a melhor solução para a "sua" Escola. 

Admiro-a muito pela sua capacidade de trabalho, pela sua generosidade, pela sua correcção, pelo seu respeito pelos outros e falo assim dela porque não só a conheço profissionalmente como também particularmente e porque sei do que falo. 

Por tudo isto estarei sempre em dívida com ela, e agora que ela está de saída da direcção da E.B. 2/3, e nesta hora da "derrota", aqui lhe deixo a minha admiração e aqui lhe tiro o meu chapéu!  

É agora, Elisabete, que vais ter tempo para construir blogues e páginas web e tudo aquilo que desejares... e vamos ter mais tempo para nos encontrarmos e para pormos a escrita em dia. E eu estou sempre aqui para o que precisares. 

Obrigada pelo teu exemplo e beijão muito grande duma escorpiona para outra!" 

Entretanto os anos passaram, voltei a conviver com a Elisabete Professora e, posteriormente, e de novo, com a Elisabete Membro Insubstituível da Direcção. Agora, na hora do seu mais do que merecido repouso da arena em que se transformou a Escola Pública, repito, ponderando muito bem as palavras e agora por escrito e com tudo o que elas encerram e com tudo o que está implícito nesta aparente singela frase: 

"Não sei o que vai ser de nós sem ti"

sábado, 13 de março de 2021

ComRegras - Fim


ComRegras - Fim

Foi com grande tristeza, mas não com espanto absoluto, que recebi a notícia em primeira mão - O Alexandre Henriques ia fechar o ComRegras.

Habituei-me a vê-lo sempre por lá, diariamente e, mesmo se ultimamente não o acompanhei muito assiduamente, também eu um pouco saturada com muita coisa que se passa e com muita coisa que não se passa neste país e principalmente no mundo da Educação, a verdade é que o ComRegras existia e era um dos principais blogues de Educação deste país, um espaço de reflexão, de partilha e de troca de opiniões, interventivo, reflexo do seu dono que tão generosamente partilhou o seu espaço dando voz a alunos, funcionários das escolas, professores vários e que até partilhou comigo a administração desse seu espaço, não o esqueço, a desconhecida que ele nunca viu fisicamente mas que a dada altura possuiu a chave da sua casa virtual porque ele lha entregou, confiando-lha plenamente.

Tenho a agradecer-lhe muito. Até o ter-me convidado para colaborar no seu espaço o que fiz durante algum tempo. Mas hoje quero agradecer-lhe específica e publicamente o ter sido o pai da ideia da ILC, uma das iniciativas de professores das quais eu mais me orgulho de ter feito parte integrante. 

Até sempre, Alexandre Henriques. Que espero seja um até breve, quiçá em um outro espaço. Até lá, se e quando te apetecer escrever sobre Educação, já sabes, a minha casa é a tua casa.

Um Agradecimento aos Professores com Origem na Federação Portuguesa de Futebol

 




Um Agradecimento aos Professores com Origem na Federação Portuguesa de Futebol

Eu nunca me cansarei de agradecer aos Professores que foram meus umm dia, com a consciência, plena, que, sem eles, eu hoje não seria o que sou.

Obrigada, Professores Meus!


quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Os Professores - A Palavra à Professora Isabel Costa


Os Professores - A Palavra à Professora Isabel Costa

"Fica por saber se os professores são dotados ou se tornam dotes. Sei que vasos, são, com terra fértil, com raízes que acabam a dedilhar no mundo, imensas!  

Às vezes os professores crescem como embondeiros, reservas liquidas num corpo sólido, tão forte e obstinado como se em troncos milenares se alicerçassem. Outras, reservam-se tranquilos e moles perante o pasmo, perante a sofreguidão dos livros e da liberdade, das alegrias e dos males. São gente. 

O tempo dos professores conta-se pelos seus dedos em forma de estrela, mede-se pelos seus cabelos em tons de chuva, molda-se pelo rubro dos seus lábios e pelo seu rubor quando se sentem lá longe, quando não se alcançam. 

Perdoe-se aos professores as despedidas pois sei que, quando se despedem, à tardinha, nunca dizem adeus." 

Isabel Costa

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Irmãos de Samuel - A História Importa!

 


Irmãos de Samuel - A História Importa!

Hoje cumpre-se uma semana sobre o dia 16 de Outubro de 2020.
Nesse dia, em Conflans de Sainte Honorine, França, o Professor Samuel Paty foi barbaramente assassinado à saída da Escola, alegadamente por ter mostrado caricaturas de Maomé durante uma aula em que abordou a Liberdade de Expressão.

A História Importa.

Samuel Paty era Professor de História. Samuel Paty era um de nós.

Irmãos de Samuel - A História Importa - O Meu Quintal

Somos Todos Irmãos do Samuel - ComRegras

A História Não se Apaga - A Liberdade de Expressão Importa  - BlogdeArLindo

A História Importa! - Escola Portuguesa

A História Importa - Samuel Paty - Correntes

Nota - Alterei o início do post.

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

APH - Homenagem - Samuel Paty


APH - Homenagem - Samuel Paty
 

Hoje recorro às palavras sentidas que estão partilhadas na página da Associação de Professores de História. Faço-as minhas numa hora em que as minhas emudecem perante a barbárie. 

"O abjeto assassinato do professor de História da escola de Le-Bois-d’Aulne em Conflans-Sainte-Honorine vem lembrar-nos a triste realidade que temos de encarar e viver no quotidiano: as erupções do terrorismo que reivindica ser islâmico, uma feroz pandemia mundial que faz vítimas de todas as idades, condições e convicções… 

Devemos combater com todas as nossas forças esse inimigo, que encarna o ódio, a barbárie, o terror e a covardia, que condenamos com todo o vigor. 

Conhecemos o inimigo: é um totalitarismo que se esconde por detrás de um vocabulário muçulmano. Estes terroristas são assassinos que, da religião, só tem slogans e cujos atos encarnam a traição de tudo o que é sagrado, incluindo a vida humana." 

Mohammed Moussaoui, presidente do Conselho francês do culto muçulmano (CFCM). Tradução do original, em francês. O texto original pode ser lido em https://www.cfcm-officiel.fr/2020/10/18/ensemble-nous-vaincrons-lobscurantisme-par-mohammed-moussaoui-president-du-cfcm/  

Com este texto homenageamos o nosso colega francês, Samuel Paty, professor de História como nós, barbaramente assassinado pelo delito de ensinar…  

Num Estado laico e livre a blasfémia não existe como delito punível. Samuel Paty não foi, ao longo da História da profissão, o único professor perseguido e martirizado por exercer a missão que escolheu. E, pela natureza dos temas, os professores de História têm sido dos mais visados por perseguições e ataques… Mais uma vez, o pior aconteceu.  

Estudar História é uma forma de aprender a valorizar a Democracia e a Liberdade, nomeadamente a de expressão. 

Que a sociedade e o Estado percebam e preservem o valor do estudo da História na escola, num ambiente livre e crítico!  

Samuel Paty foi ignobilmente assassinado a defender esses valores.  Aqui fica o registo de homenagem de professores portugueses de História que, num ambiente menos agreste, perfilham a sua motivação e recordarão o seu exemplo.     

Um associado da APH, que hoje adota o nome Samuel.

Audição de Peticionários Sobre a Alteração dos Intervalos a Concurso dos Docentes.

 


Audição de Peticionários Sobre a Alteração dos Intervalos a Concurso dos Docentes.

Nunca me esqueço que fui demasiados anos contratada. 

Grata Professores Vera Escaleira e Ricardo Pereira. Por nos honrarem a todos.

domingo, 6 de setembro de 2020

Ricardo Pereira

 


Ricardo Pereira

Arregaça as mangas e mete pés ao caminho tentando tornar a condição de professor contratado um pouquinho mais digna já que se constata que os políticos, eleitos para nos representarem, cuidam frequentemente de interesses muito divergentes dos interesses da restante população, professores incluídos.

Admiro-o e tenho por ele muita estima, mesmo se não o conheço pessoalmente. Acompanhei de perto a sua última luta, por vezes quase desesperada, para conseguir umas míseras quatro mil e tal assinaturas num universo de mais de cem mil professores e quero aqui deixar referido que nunca, por mais anos que viva, conseguirei compreender e aceitar a apatia de uma classe profissional que devia ser farol intelectual e que devia ser especialmente activa, atenta, crítica, interveniente, informada, solidária, lutadora... pois ajuda a formar as novas gerações de portugueses que deveriam ser tudo menos gente acomodada, demitida, alheada. 

O Ricardo Pereira já entrou há muito na categoria de Professores Muito Especiais que eu fui construindo aos longo dos anos nesta minha actividade de blogger e hoje faço questão de lhe tirar o meu chapéu, com uma enorme vénia, por ver que ele conseguiu atingir os objectivos impostos pelas leis deste país e que irá lutar por uma acusa que é dele, que é dos professores contratados e que é de todos nós, professores dos quadros e mesmo de gente comum que nada tem a ver com a profissão, pela elementar justiça que se impõe recuperar para os mais desprotegidos e vergonhosamente explorados pelo Ministério da Educação que faz deles, literalmente, carne para canhão.

Grata pelo teu magnífico exemplo, Ricardo Pereira

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Orgulho!

Cantina Escola Básica de Amarante - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Orgulho!

Muitos parabéns a todos os envolvidos pelo projecto em causa que, sei-o bem, não é nada fácil de implementar na(s) escola(s).
Muitos parabéns em particular a uma Professora, que conheço e admiro, Joana Costa​, que um dia povoou a minha sala de aula nesta minha escola onde agora sou professora residente.
E sim, tudo o que pudermos fazer no sentido de melhorar a alimentação das nossas crianças e adolescentes, em idade escolar, devemos fazê-lo. E quando escrevo devemos fazê-lo estou a referir-me a toda a comunidade educativa. Porque os miúdos são entregues a uma instituição de educação e é obrigação dessa instituição supervisionar a vida alimentar destes miúdos, pelo menos do que, todos os dias, almoçam na cantina.
De uma alimentação feita de quantidade e de qualidade q.b., desde que estamos no ventre materno, dependente a nossa saúde física, psicológica e o nosso desenvolvimento cognitivo.
Como poderemos ter/querer alunos concentrados nas nossas salas de aula se eles, por exemplo, se baldarem ao almoço na cantina, passando pelos pingos da chuva?!
Quem me dera  ainda poder trabalhar contigo, Joana Costa, nesta escola que, um dia, não tenho qualquer dúvida, te receberá de braços abertos!

Escola transforma cantina no "melhor restaurante da região"

sábado, 28 de setembro de 2019

A Propósito de Uma Homenagem a Uma Professora


A Propósito de Uma Homenagem a Uma Professora

A Professora chama-se Ausonia Donato e a homenagem que lhe prepararam, sem que ela desconfiasse sequer, é deveras emotiva e levanta-nos questões que nos devem preocupar a todos durante o exercício desta profissão tão importante mas também tão desvalorizada, aqui e do outro lado do oceano, neste nosso país irmão que é o Brasil.
Vejam e escutem. Tanta questão para pensar... tanta aproximação...



E agora para conhecer melhor o percurso desta especial Professora, aqui vos deixo um outro vídeo. Não deixem de o ver que vale muito a pena.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

História - Parceria Público-Privada

Parceria Público-Privada . S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Miguel

História - Parceria Público-Privada

Somos um par de orgulhosas e felizes Professoras de História. Uma está na Escola Pública desde sempre, a outra já por lá passou mas encontra-se há décadas a leccionar no Privado.
Estabelecemos uma excelente parceria público-privada, o mais das vezes a trabalhar neste escritório que é nosso e sempre à volta de umas quantas chávenas de café... para mim sempre curto.
Trabalho com ela como se o trabalho saísse de um próprio deus a trabalhar com os anjos. Falamos a mesma linguagem, falamos do mesmo modo dos nossos alunos, das nossas aulas, trocando sempre estratégias que vamos descobrindo juntas ou em separado e que reunimos num enriquecimento mútuo que não tem preço.
Hoje andamos às voltas com o Paleolítico. E ela diz-me que somos Paleolíticas mas que somos lindas. E eu, confesso, estou tentada a concordar com ela.
Quem me dera ter-te na minha escolinha, minha Amiga!

Adenda - Ela é amanhecer e eu sou anoitecer. Ela é claridade e eu sou escuridão. Ela é loira e eu sou morena. Ela é floral e eu sou terra bravia. Ela é coquette e eu sou básica. Ela é doce e eu sou picante. Ela é paz e eu sou tempestade. Ela é anjo e eu sou demónio.
Acho que nos completamos.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Obrigada, Professor Santana Castilho!


Obrigada, Professor Santana Castilho!

"Para os Professores, com estima

Não vejam nostalgia (embora por vezes vá parecer). Vejam o galope (que a escrita não traduz) a que o meu cérebro põe o meu coração, quando pensa no ano penoso que se inicia para tantos professores.
Poderia começar por recordar à sociedade desinteressada pelos seus professores números apurados por Raquel Varela: 22.000 usam medicação em demasia; 85% manifestam sinais de despersonalização; 47,8% apresentam sintomas preocupantes de exaustão emocional; 91% consideram que baixou o prestígio da profissão; 31% expressam desmotivação para ensinar; 85% referem que o Ministério da Educação não valoriza o seu trabalho; 80% sentem que diminuiu a sua autonomia e o seu poder de decisão.
Poderia perguntar a todos os políticos, que se aprestam a ir a votos, como conciliam a desconsideração e a exaustão assim expressas com as promessas que sempre fazem. Poderia detalhar o perfil profissional oculto dos que deviam simplesmente ensinar e acabam psicólogos, assistentes sociais, funcionários administrativos, instrutores de processos disciplinares, mediadores parentais, vigilantes de recreios, socorristas e tudo o mais que um escabroso assédio laboral e moral lhes despeja em cima.
Poderia referir-me aos pequenos monstros saudosistas e populistas, que odeiam os professores e que vão saindo detrás das pedras onde se acocoraram há 45 anos.
Poderia falar de António Costa, para quem professor é “capital humano” que se arruma ano a ano, e do seu bem-sucedido esforço para limitar o direito à greve de várias classes profissionais, que teve nos professores o primeiro ensaio, num processo onde se ameaçou, impôs e proibiu, com artimanhas para causar medo e desmobilizar, tudo com a conivência de uma sociedade que se deixou manipular e virar contra aqueles a quem entrega os filhos durante mais tempo do que passa com eles.
Poderia citar o aumento do centralismo do Estado, promovido por um ministério que planta plataformas informáticas a eito, para vigiar e impor uma estranha quanto pérfida autonomia pedagógica.
Poderia dissertar sobre as decisões cruciais que têm vindo a ser tomadas por políticos pedagogistas, adolescentes e caprichosos, que dominam uma classe proletarizada, anestesiada e entretida com doutrinas que se sobrepõem facilmente à razão profunda.
Poderia narrar o trabalho obrigatório a que os professores estão sujeitos para decifrar e cumprir torrentes de solicitações asfixiantes, sob nomes pomposamente modernos mas substantivamente inúteis.
Poderia recordar os insultos e as agressões a que alguns pais e alunos sujeitam os professores, a coberto da passividade protectora do bom nome das instituições.
Poderia trazer-vos às lágrimas contando histórias (que um dia escreverei se sobreviver aos seus protagonistas) de professores-heróis que, generosa e silenciosamente, arrancaram pedaços de si para resgatar alunos perdidos por intermináveis desamparos de pais e do Estado.
Poderia traçar-vos perfis diferentes de tantos professores com quem me cruzei ao longo da vida: o professor-filósofo, o professor-mestre, o professor-rebelde, todos professores-professores, caracterizados pelo amor aos seus alunos.
Poderia, para homenagear todos, vivos e mortos, meus e de todos, evocar dois dos meus professores, já falecidos: ele, professor-família, que foi o primeiro de tantos que me ensinaram a ser professor; ela, professora-amor proibido, que transformou a minha adolescência, fadada para ser pobremente limitada, numa adolescência vivida sem limites.
Poderia perguntar-vos, olhos nos olhos e de coração apertado, que outros profissionais partem todos os anos para longe dos próprios filhos, para cuidar dos filhos dos outros, por pouco mais de mil euros de salário.
Este condicional repetido foi tão-só a figura retórica que me ocorreu para dizer a quem me ler porque abraço hoje, estreitamente, todos os professores que, pelo país fora e por estes dias, vão acolhendo com abraços as crianças e os jovens que retornam às escolas.
Dito isto, queridos professores, levantem-se do chão. Retomem a independência intelectual necessária para impedir que o acto pedagógico se transforme em prática administrativa ou obediência doutrinária e não confundam a verdadeira autonomia com uma dissimulada ditadura de metodologias, por mais “activas”, “democráticas” ou “de projecto” que se digam."

In “Público

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Furando a Cortina de Ferro - A Palavra a Paulo Guinote


Furando a Cortina de Ferro - A Palavra a Paulo Guinote

A desmontagem das aldrabices e mentiras em que este país está atolado, desta vez feita por Paulo Guinote, no Jornal I.

"O atual primeiro-ministro e o seu ministro das Finanças conseguiram consolidar no espaço mediático uma narrativa sobre a reposição do tempo de serviço dos professores que se baseia num conjunto de falsidades que não têm merecido o devido cotejo na comunicação social, antes sendo ampliadas por muitos comentadores que as tomam, de forma ingénua ou não, como factos verdadeiros.
A primeira mentira foi a de que a solução de repor 70% de sete anos de carreira é uma solução de “justiça e equidade” para com o que foi feito para as carreiras gerais. A afirmação é falsa, falaciosa e trunca a realidade pois oculta que o congelamento das carreiras não começou em 2011 e que as carreiras “gerais” e “especiais” têm essa designação porque têm, legalmente, estatutos específicos com sistemas de progressão diferentes. Ao reporem-se sete anos de carreira às carreiras gerais está a ser reposto todo o tempo que não foi contabilizado desde 2011, e não 70% dele. As carreiras “especiais” têm estatutos próprios, tendo o da carreira docente sido aprovado por um Governo onde estava António Costa. Ao decidir repor 70% do tempo de permanência num escalão, e não todo o tempo, como nas carreiras gerais, está-se a desrespeitar objetivamente uma lei em vigor de forma iníqua e injusta.
A segunda mentira é a das contas apresentadas quanto à “despesa” que implicaria a reposição integral do tempo congelado, porque isso seria “insustentável” para as finanças públicas por constituir um encargo permanente de centenas de milhões de euros. Só que essas contas se baseiam em “médias” de valores para progressões que contabilizam até quem não pode progredir. Apresenta-se o valor “médio” de 2,31 para as progressões, quando há 20 mil docentes que ou não podem progredir ou apenas podem subir um escalão. Além disso, oculta-se que o impacto orçamental é em parte compensado pelo aumento direto da receita fiscal e das contribuições sociais (e indiretamente pelo aumento do consumo) gerado pelos aumentos salariais. E mente-se quando se oculta que a TSU é uma despesa que se anula a si mesma, por ser receita do próprio Estado."

Pode continuar a lero artigo clicando aqui.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Antero de Alda - Exposição de Fotografia


Antero de Alda - Exposição de Fotografia

Aqui vos deixo o cartaz, o flyer e o convite para a inauguração da exposição de fotografia de Antero de Alda que ocorrerá no próximo dia 5 de Abril, na Fundação Vicente Risco, em Allariz, Ourense, Espanha.
A exposição estará patente ao público até ao dia 31 de Maio e será, sem dúvida, um excelente motivo para rumar a Norte, à vizinha Espanha.

Nota - A minha escola não é mais a mesma sem ele...

sexta-feira, 8 de março de 2019

Recordar a Sufragista Emily Davison


Recordar a Sufragista Emily Davison 

E, em mais um dia de greve, desta vez feminista e internacional, recordo a todos os meus leitores que a conquista de direitos, ao longo da História, fez-se de lutas muitas e que nada foi conquistado a jogar a feijões.
Assim, e para que as mulheres, em alguns países, possam hoje exercer o direito de voto em igualdade com os homens, muita gente, antes de nós, teve de lutar forte e feio, exigindo que tal facto passasse de uma impossibilidade ao seu contrário.
Hoje partilho convosco a luta de Emily Wilding Davison, uma Professora inglesa profundamente indignada com o estatuto de inferioridade da mulher no seu tempo, decorrente da mentalidade vigente na época, sufragista, e que, depois de muitas e variadas lutas, em que chegou a estar presa inúmeras vezes e a cumprir greve de fome, fez a sua luta mais radical, pagando-a com a própria vida.
No dia 4 de Junho de 1913, na grande corrida de cavalos de Epson, colocou-se à frente do cavalo do rei George V e pagou com a vida, depois de ter sido enviada para o hospital onde viria a ser declarada morta quatro dias depois. 
A cena, que tanta tinta já fez correr desde então, ficaria para a posteridade, gravada em filme.
Em 1918, as mulheres, com mais de 30 anos, puderam, finalmente, votar.
Na sua sepultura está gravado "Actos, não palavras".
E sim, a história desta e de outras sufragistas dava um filme. Aliás, já inspirou/deu um filme.
"Jamais se renda. Jamais desista da luta."
Ou seja, nada muda, até que muda. E é isto. 

Nota - Post somente adaptado de post mais antigo que escrevi um dia neste blogue.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Muitas Vidas Tem Um(a) Professor(a)


Muitas Vidas Tem Um(a) Professor(a) 

És grande, Luís!

"Tento sempre ver o copo meio cheio. Procuro não me queixar muito pelo que tenho. Se eu trabalhasse fechado num escritório, perto de casa, não via cores diferentes todos os dias, ora aquém do Tejo, ora além do Tejo.
Sinto-me privilegiado por ter alturas em que posso acordar à beira-mar, almoçar na charneca e fazer a sesta no montado.
Um dia também vou assentar. Ou talvez não."

Luís Grandson

Nota - E sim, Antero, muitas vidas tem S. Gonçalo... e nós com ele...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

A Palavra a Maria do Carmo Cruz - Se...


A Palavra a Maria do Carmo Cruz

SE…

Se és capaz de manter a tua calma quando,
Dizem que os professores não fazem nada
De crer em ti quando todos estão duvidando,
Sem, no entanto, resolveres as coisas à pancada.
Se és capaz de te levantares, cada manhã,
Dar um suspiro fundo e ir para a Escola,
E fazer de cada aula um amanhã
Para quem preferiria ir ver a bola…

Se és capaz de te esqueceres do ministério,
De pareceres, decretos, metas e perfis,
E trabalhares com os alunos que tiveres
E ainda assim te considerares feliz.
Se és capaz de ver as pessoas que se sentam
À tua frente, e as olhares como eles são,
Nem anjos, nem diabos, mesmo quando tentam
Ver se são capazes de te tirar a razão.
Se és capaz de ver qualquer oculta fome,
De pão, de carinho, de ternura
Ou uma angústia que tenha qualquer nome
E transformar em sorriso a amargura.
Se és capaz de te lembrar como eras
Rapaz ou rapariga de outro tempo
Recordar aquelas longínquas primaveras
Que afinal voaram como o vento.
Se és capaz de sorrir das tuas traquinices
E das partidas que pregaste aos professores
E pensares que eles estão no tempo das tolices,
Mas tu os ajudas a crescer e a ser maiores.
Se és capaz de dar aulas no inverno
Com o aquecimento central de todo o ano
Sem disso fazer um céu ou inferno
Antes cumprindo o teu dever quotidiano
Se és capaz de aceitar um horário aberrante
Ou dar apoio mesmo a quem não quer
Se és capaz de não diminuir o ignorante,
Mesmo se começaste a duvidar e a descrer
Se és capaz de tratar os impostores com desdém
Mas dar-lhes sempre nova oportunidade
Se consegues utilizar a justiça e o bem
Como moeda de troca da Verdade.
Se és capaz de estar disponível
Para aquela conversa quando ias descansar
E a ouves com a seriedade possível
Quer te dê vontade de rir ou de chorar.
Se és capaz de fazer o milagre, sem deslizes
De transformar a Escola onde andares
Num lugar onde todos sejam mais felizes,
Deixa falar os Júdices e os Tavares,
Alguns pais e os professores incréus
Porque vozes de burro nunca chegaram aos Céus.
Se estás disposto a começar nova jornada
Quando o Outono regressar suavemente
Deixar a família, os amigos ou a namorada
E ir para outra Escola novamente
Então, deixa falar os maldizentes
Sabendo que há quem conheça o teu valor.
Afinal, tu és Alguém entre outras gentes,
Tu és um Professor!
Maria do Carmo Cruz (2018)

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Antero de Alda e Gérard Fourel


Antero de Alda e Gérard Fourel

A exposição "História de uma bela humanidade: regresso ao Barroso", da autoria de Antero de Alda e Gérard Fourel, será inaugurada no próximo sábado, dia 23 de Junho, pelas 16 horas, na Casa da Granja.
Escutei inúmeras vezes o Antero a falar, com paixão, destes seus projetos. Este em particular, lamentavelmente, já não será realizado com a sua presença física porque o Antero já não se encontra entre nós, mas a família mais próxima - mulher e filhos que eu daqui abraço - e a Associação para a Criação do Museu Eduardo Teixeira Pinto encarregaram-se de encontrar a força necessária para não defraudar a memória deste Homem/Professor tão sabedor e tão complexo que um dia enriqueceu Amarante, que um dia enriqueceu a Escola onde todos os dias se movia.
Não tenho dúvida que a minha Escola, que também era a dele, comparecerá em peso nas pessoas que continuam a habitá-la e que lhe prestarão a merecida homenagem.
Até já, Antero! Por certo a exposição será imperdível!
E sim, precisamos de relembrar/celebrar esta nossa Humanidade.
 
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