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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Sonhar Uma Escola Pública Diferente


Sonhar Uma Escola Pública Diferente

Um dia sonhamos e metemos a mão na massa. Trabalhamos como loucos (quem trabalhou) pela transformação de uma Escola Pública completamente desfasada da realidade numa Escola Pública asseada, cuidada, transformadora, inclusiva, desafiadora, encorajadora, prenhe de criatividade sem nunca descurar os acontecimentos, os saberes, os conhecimentos.

Vim a descobrir que nada disto interessa e que tudo acabou por se transformar num verdadeiro pesadelo em que eu me recuso a voltar a entrar.

Não minto. Não actuo fora da lei. Nunca o farei.

Hoje encontrei um ex-aluno que foi meu nesta escola à qual ainda pertenço. Foi bonito escutá-lo... a professora era muito à frente e ajudou-nos muito a progredir... e... e...

E o que interessa isto? Nada mesmo. O que interessa é que apagando o meu rasto, ou tentando pois isso jamais acontecerá!, não provoco muita urticária dentro do sistema, pois não?

Tanto mas tanto trabalho esmerado, dedicado, criativo foi por aqui desenvolvido... sendo que o trabalho que aqui partilho, no link a vermelho, é só uma pequena amostra de todo o trabalho que desenvolvi em todos estes anos desde 2009, ano em que fui colocada no agora Agrupamento Teixeira de Pascoaes. 

Se hoje voltaria a ser professora? Sim, mas deveria ter batido com a porta com estrondo no tempo da ministra que eu me recuso a nomear neste blogue.  

  https://anabelapmatias.wixsite.com/historiaemmovimento

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Convite à Professora Desaparecida - Anabela Magalhães

Ice Land Girl
Fotografia de Miguel Matias de Magalhães

Convite à Professora Desaparecida - Anabela Magalhães

Enquanto na minha escola parecem não ter mais nada para fazer e parecem fazer de tudo para que eu desapareça do mapa/site desta ainda minha escola, ou seja, apagam todo e qualquer vestígio do trabalho por mim desenvolvido no agrupamento Teixeira de Pascoaes do site do agrupamento - podem confirmar aqui se encontram rasto dos projectos como o Projecto Ver para Querer ou do Projecto História em Movimento, este último ainda completamente activo - ou seja, e resumindo, enquanto por um lado parecem tentar anular-me, quiçá transformar-me num zero à esquerda enquanto Orgulhosa Professora que Fui, vou recebendo uns convites interessantes que, infelizmente, e por motivos de saúde, vejo-me obrigada a declinar e que vão em sentido absolutamente contrário.

Ou seja, estamos perante dois mundos opostos que não se cruzam. O primeiro... morreu de morte matada?

Nota 1 - Ao tentarem aniquilar qualquer rasto da minha pessoa esqueceram-se do Inovar com PET... eheheh... é que até para anular profissionais é preciso comnpetência, certo?

Nota 2 - Este trabalho até está giro, digo eu, e dirige-se aos alunos do 7.º ano de escolaridade. Aqui o deixo a quem interessar.

Nota 3 - Acho que devo estar a ficar mesmo amalucada. Constatadas estas, como dizer... "tentativas de homicídio profissional"... será uma expressão muito forte?!... já só me dá pena por uma escola onde eu já fui feliz.

"Exma. Senhora Profa. Anabela Magalhães,

No âmbito do projeto “Equity&PISA - Equidade Educativa através do PISA: Resultados e Discursos,” temos o prazer de a convidar para o seminário final do projeto. Este estudo é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (ref.ª PTDC/CED-EDG/2124/2020) e está a ser realizado pelo Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, sob a responsabilidade dos Professores Doutores Gil Nata e Tiago Neves.

O projeto “Equity&PISA” visa explorar a relação entre a participação dos países no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), da OCDE, e as alterações nos níveis de equidade educativa (relativa a questões socioeconómicas). Os principais objetivos incluem compreender se a participação no PISA contribuiu para melhorias na equidade educativa, avaliar o impacto das políticas educativas nacionais e analisar a perceção de intervenientes educativos sobre a relação entre o PISA e a equidade.

Neste seminário, além de apresentarmos os resultados finais ao público geral, contaremos com uma discussão de especialistas sobre os dados obtidos. Nesse sentido, convidamo-la a ser uma das oradoras, apresentando as suas opiniões e contribuições sobre os resultados, dado o seu papel significativo na media e na produção de conteúdos relacionados com a educação.  Para facilitar a preparação, enviaremos com antecedência uma súmula dos principais resultados do estudo, que permitirá uma visão abrangente e sucinta dos temas a discutir. O formato da participação de cada um dos peritos dependerá da respetiva disponibilidade. Idealmente, gostaríamos de realizar mesas redondas em que os peritos discutiriam entre si os resultados do projeto. Nos casos em que não fosse possível, a proposta passaria por uma apresentação individual.  

Antes de confirmarmos a data definitiva do evento, gostaríamos de verificar a sua disponibilidade, de forma a podermos agendar a data que permita a maior participação dos vários peritos que colaboraram com o projeto. Após a confirmação dos convidados, optaremos por realizar o evento presencialmente ou online, conforme as disponibilidades indicadas. Caso o evento ocorra presencialmente no Porto, na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, disponibilizaremos, se necessário, condições de transporte e estadia. (...)"

quinta-feira, 18 de abril de 2024

Gratidão - Alunos - "Só quero ver o jardim todo a florir."

Eu - Homenagem ao Mestre Costa Carvalho
Fotografia de Aluno Meu

Gratidão - Alunos - "Só quero ver o jardim todo a florir."

A todos os meus alunos, que o foram há poucos ou muitos anos, mas tantos anos que já tive o gosto e o prazer de ter os seus filhos nas minhas salas de aula, Alunos a quem sempre chamei os Meus Alunos Netos, agradeço um percurso de Escola que foi, segundo o meu prisma e sem falsas modéstias, tão gratificante e trabalhoso quanto eu consegui, a cada momento desta minha vida em grande parte dedicada de alma e coração aos Meus Alunos e à Escola Pública, que eu imaginei sempre escrita com letra maiúscula, povoada de Gente com letra maiúscula.

A escola hoje não é isto. Tornou-se um lugar de tirania mais ou menos disfarçada de democracia, um lugar tóxico, povoada de muitas situações impróprias para consumo, pelo menos para mim que jamais transporei as linhas vermelhas que para mim tracei ao longo de uma vida que já se dirige, a passos largos, para os setenta anos de idade. 

Esta fotografia chegou-me hoje, tirada por um Aluno Meu de há muitos anos atrás, que me reporta a uma Escola Humanista e Democrática, em tempos de Magalhães.

Não aguento a escola de hoje, escrita com letra muito minúscula, onde me querem obrigar a ficar diluída, violentada, humilhada, condenada, suspensa, amesquinhada, sem respostas... coisa que nem a um cão se faz, quanto mais a uma Professora que deu sempre tudo o que tinha para dar, dentro e fora das salas de aula, ao ponto de escutar a minha filha adolescente "Mãe, leva o colchão para a escola!"

Em dias de chumbo, como os que agora vivo, com um processo disciplinar às costas, uma condenação suspensa por 22 meses... seria o tempo da anterior legislatura?... e um recurso para o senhor ministro da Educação que, por agora, felizmente mudou, mas que ainda não obteve resposta, com uma queixa pendente sobre mim para o Ministério Público por parte da inspecção e com a concordância da senhora directora do Agrupamento Teixeira de Pascoaes... ai dr. Joaquim!!!... o que mais me passa pela cabeça é abandonar uma profissão que já foi a Minha Profissão mas que já não o é mais. Não assim.

E em dias de chumbo, como os que agora vivo eis que me chega esta fotografia, tirada por um Aluno Meu acompanhada por uma frase muito importante para mim:

"Só quero ver o jardim todo a florir."

Grata, Aluno meu! Grata Alunos Meus! Estarei sempre aqui para ti, para vós, enquanto os meus pés pisarem estas calçadas que calcorreio desde criança, até com os meus pés descalços.

domingo, 24 de março de 2024

Projecto Ver Para Querer


Projecto Ver Para Querer

Hoje recordo-o e, recordando-o, rapidamente espatifado, até me dá vontade de chorar por ter gasto tantas mas tantas horas, que jamais me serão pagas, em trabalho até altas horas da madrugada, que hoje vejo, ao olhar para trás, quase completamente inglório.

Vá lá que permaneceu até aos dias de hoje um espaço incomplaravelmente mais bonito e aprazível para a miudagem deste meu concelho. Quanto ao resto... escafedeu-se tudo pelo caminho...

Obrigada, Senhora Professora Doutora Alexandra Bento pelo acolhimento da ideia! Obrigada também à Professora Elisabete Silva por todo o apoio prestado sem o qual também nada disto seria possível.

Que sonho lindo...

De resto... mas quem te manda a ti, Anabela Maria, teres da Educação uma visão tão abrangente e holística que te leva a meter pés a caminho e mãos também, já agora, e a meter foice em ceara alheia?

Mas não te chegava a História?!!!!!

Para quem quiser saber mais é favor clicar aqui.

Nota - Irmão, ainda não fui despedida da função pública.

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

À Atenção dos Meus Alunos - Sala de História/Centro de Recursos da Agora Escola Básica Teixeira de Pascoaes


Quando eu cheguei à escola... belos tectos!
Primeira etapa de intervenção na Sala de História


Sala de História - Antes, Durante, Depois
Fotografias de autorias variadas mas quase todas minhas

À Atenção dos Meus Eternos(as) Alunos(as) - Sala de História/Centro de Recursos da Escola Básica Teixeira de Pascoaes

Informo todos os meus alunos que esta específica sala, outrora a menina dos nossos olhos, tão bem cuidada por tantos de nós que deram o corpo ao manifesto para a converterem num espaço acolhedor e útil do ponto de vista físico e pedagógico, vai agora ser definitivamente desmantelada.

A gota de água que fez transbordar o meu copo, agora em definitivo, foi mais um ano consecutivo de aulas espalhadas por todas as indiferentes salas dos muitos pavilhões que percorro de novo este ano lectivo e que nada acrescentam à minha actividade pedagógica e que prejudicam até o meu trabalho em sala de aula já que me criam areias na minha engrenagem de Professora de História, prejudicando, consequentemente, também, as aprendizagens dos meus alunos, especialmente os do sétimo ano de escolaridade, pela destruição da magia do momento em que a chave dos dois armários rodava e abria aquelas portas de onde saíam peças tão importantes que lhes deixavam os olhos incrivelmente brilhantes e arregalados, prenhes de curiosidade.

A gota de água foi também verificar que as maquetas, que deram tanto mas tanto trabalho a tantos alunos que me passaram pelas mãos ao longo dos anos, estão já em acentuado estado de degradação que eu não posso admitir. Antigamente aquela era a "minha" sala, a que eu vigiava, cuidava, acarinhava... a que servia para colocar em prática uma disciplina que à época não existia - Cidadania de seu nome - e que agora não passa de uma sala mono, sem dono, terra de ninguém, que nada acrescenta a quem devia acrescentar, num esbanjamento de recursos que me dói até à medula.

Decididamente não tenho o espírito daquela matriz idealizada e negativa da "funcionária pública" que gosta de deixar andar e faz bastante por isso.

Assim, alunos e alunas que por lá mantêm as maquetas e materiais diversos realizados em vossas casas - usando os vossos materiais, correspondendo por inteiro aos desafios desta professora que um dia sonhou uma escola diferente e começou pela "sua" sala de aula - podem combinar comigo para que vos possa restituir os trabalhos antes que estes fiquem completamente espatifados.

Eu própria vou trazer para minha casa todos os materias que são meus e que, um dia, feita parva, ponderei deixar de oferta a esta escola a que já chamei Home mas que não o é mais, muito pelo contrário, apesar dos meus amores que reencontro sempre que abro as portas das salas de aula.

Recheada com materiais diversos e pertinentes para o ensino da História, muitos da minha propriedade e por mim adquiridos propositadamente ao longo de tantos anos, outros que me foram oferecidos por colegas de outras escolas próximas e até de escolas muito distantes, e outros realizados pelos alunos, tantas e belas maquetas só para relembrar um exemplo, a Sala de História tem agora como destino o seu desmantelamento, progressivo mas decidido e inabalável.

Relembro - entrem em contacto comigo caso queiram reaver os vossos materiais. Caso pretendam deixá-los onde agora se encontram saibam que a responsabilidade da sua degradação ou mesmo da sua destruição não será minha.

domingo, 22 de outubro de 2023

Profissão Professora


Profissão Professora

Ontem foi dia de receber uma das mais importantes medalhas da minha vida e confesso que já são incontáveis, agora que caminho a passos largos para a mais do que merecida reforma.
Evidentemente que a medalha recebida ontem, que não é material, só poderia ter vindo de um aluno, neste caso de uma aluna... vá, na verdade de uma ex-aluna.
Confesso que não a via desde o "nosso" 8.º ano de escolaridade, ano em que lhe leccionei História e a marquei para sempre, a acreditar nas suas palavras. Já foi professora, já andou de malas às costas pelo país do mais a norte ao mais a sul. Já mandou bugiar uma directora mandando com ela bugiar a tutela.
E fez bem. Deixou-me a sorrir por a ver feliz, senhora do seu nariz, indomável por um ministério que nos amarfanha directamente ou amarfanha através dos seus lacaios, directores ou directoras.
Algures no tempo reencontramo-nos através do facebook e ontem foi dia de tomarmos um café juntas, de conhecer as suas duas belas filhotas, de saber dela, da sua aventurosa vida... de lhe dizer que ela está impressionantemente igual, apenas mais crescida... eheheh... agora que caminha a passos largos para os 40 anos de idade. Encontrei-a preocupada comigo, com a minha situação inédita de alvo da instauração de um processo disciplinar colocado pela directora do agrupamento do qual faço parte, processo disciplinar acerca do qual não sei nadinha, apenas sabendo que por lá já andou uma inspectora a ouvir depoimentos de alguns dos meus colegas, mesmo se eu continuo sem saber do que sou acusada.
Pois é, a escola onde fui sua professora, em tempos de um director humano chamado Magalhães, não é mais a mesma e dá-se ao luxo de desbaratar o seu maior activo - a força de um corpo docente que, bem coordenado e dirigido poderia ser excepcional.
Aquela que já foi a minha Home não o é mais e jamais o voltará a ser.
Continuam a salvar-me os alunos... mas jamais esquecerei os berros, mal educados, recebidos com a idade de 61 anos: - Eu é que sou a directora! 

E? - pergunto eu.

Grata pelo teu exemplo, Vanessa! Grata por me dizeres que fiz a diferença na tua vida!

terça-feira, 5 de setembro de 2023

Ainda o Sigílio da Avaliação de Desempenho Docente - Bom... Bom, Neste Caso, Boa Mesmo!!!

 

Auto-Retrato - S. Gonçalo - Amarante

Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

O Sigílio da Avaliação de Desempenho Docente - Bom... Bom, Neste Caso, Boa Mesmo!!!

No dia 10 de Agosto publiquei um post neste blogue, que agora transcrevo, sobre a minha nota decorrente da ADD.

Aqui vai:

A professora irrequieta, a que já interveio na Escolinha, bem e mais do que muitos ramalhetes de professores juntos, aquela cuja avaliação de desempenho foi sempre um mísero Muito Bom, aquela que lutou como uma leoa pela Escola Pública durante todo o ano lectivo prestes a findar, na Escola e na Rua, soube, ontem, por fontes que nem pertencem ao meu agrupamento, uma informação absolutamente confidencial, absolutamente sigilosa - que foi avaliada com um reles Bom e que a sua/minha nota já caiu no domínio público, por certo de tão escandalosa.

Devo informar que é a primeira vez que tal me acontece... mas há sempre uma primeira vez para tudo, não é assim?

Devo igualmente informar que ainda nada sei de fonte oficial.

E esta... heim?

Ora, ontem fui tomar conhecimento sobre a minha já "conhecida" nota que me permitirá passar do 7.º para o 8.º escalão e que terá efeito a partir do próximo mês de Janeiro de 2024. 

E não é que tive uma surpresa surpreendente?! 

Aos 61 anos, sou uma zeca boa, carago!

Ao fim de toda uma vida profissional de dedicação intensa aos meus alunos e à Escola Pública, quantas vezes prejudicando a minha família, autora de trabalhos pedagógicos muitos, todos originais... eu sei, isto de ser original está fora de moda e o que está a dar é copiar tudo uns dos outros... ver caso do director da Abelheira... eis que tenho uma avaliação à minha altura!

Carago, sou gigante!

domingo, 28 de maio de 2023

Carta Aberta à Directora do Agrupamento Teixeira de Pascoaes


Carta Aberta à Directora do Agrupamento Teixeira de Pascoaes

Eu não sou, para o bem e para o mal, uma Professora anónima, muito menos uma Professora qualquer. Aliás, nascida e criada, e ainda a viver, no Centro Histórico de Amarante, de onde sairei na horizontal, também não sou, para o bem e para o mal, uma Amarantina anónima, muito menos uma Amarantina qualquer.

Levo muito a sério a Minha Profissão, profissão que livremente escolhi contra ventos e marés e tenho uma reputação que é a minha, construída ao longo de décadas e décadas de trabalho árduo, o mais das vezes solitário... porque a minha pedalada é, de facto, avassaladora e bem difícil de acompanhar. 

Com o tempo, e a imensa capacidade e prática de trabalho até às 3/4 horas da manhã, com aulas às 8:30, melhorei tanto, mas tanto!, as minhas skills que sou capaz, na boa, de estar a fazer várias coisas ao mesmo tempo sem me atrapalhar e fazendo tudo o que entendo dever fazer.

Assim, recordo que depois de sair da Escola Secundária do Marco de Canaveses, onde tive um imenso prazer e gosto em trabalhar, tive a honra de escutar o meu ex-director afirmar-me que se há professores que entram e saem de uma escola sem deixar rasto ou saudade tal não tinha sido o meu caso pois eu tinha deixado um imenso e sentido vazio naquela Escola que um dia foi Minha.

Recordo que depois de deixar a Escola onde hoje lecciono, com outro director evidentemente, rumo à ESA, e após três anos consecutivos de trabalho nesse mesmo estabelecimento, esse director, na primeira véspera do dia de Natal seguinte, surpreendeu-me aqui mesmo nesta minha casa, com um livro escolhido a dedo sobre a cultura árabe, que ele sabia ser especialmente do meu agrado, com uma delicada dedicatória em que me agradecia todo o trabalho que eu desenvolvi na Escola Pública onde ele exercia o cargo de Director. E recordo que, nos anos seguintes, continuou a fazer o mesmo.

Quando saí da Escola Secundária e regressei à Minha Home - exactamente a Escola dirigida há décadas por vossa excelência, e onde ainda hoje continuo a trabalhar, e onde permanecerei o tempo que me der na cabeça, até se pode dar o caso de permanecer até aos 70 só para meter nojo... ou não... - o director da ESA, com quem eu tive uma contenda armada por ele e que teve o feliz desfecho, para mim, no Acordão do Tribunal Central Administrativo Sul, afirmou-lhe que, com a minha saída, a Escola da qual ele era director ficava a perder e que a Escola para onde eu ia ficava a ganhar. 

E foi nestas circunstâncias que voltei para a agora Escola Teixeira de Pascoaes, onde fui quem sempre fui como Pessoa e como Professora: confiável, verdadeira, respeitadora, assumida, interventiva, criativa, resiliente, trabalhadora incansável muito para além das horas que me eram legalmente exigidas... aliás  escutei variadíssimas vezes, ao longo da minha "carreira" profissional, a minha filha a sugerir-me que levasse o colchão para a escola. (Desculpa, Filha!)

A minha relação com os Meus Alunos permanece à prova de bala e, frequentemente, permanece para a Vida. Eles sentem quem entra na sala de aula e deixa lá a pele e o resto.

A pele e o resto deixei eu a fazer isto, isto, isto, isto, isto, isto, isto., isto... e o mais que deixo por linkar para não maçar vossa excelência. Mas não deixo de lhe relembrar especificamente o Projecto História em Movimento, que acabei a implementar sozinha na Escola com a força de um furacão - grata a todos os Meus Alunos que nele acreditaram - e que desapareceu completamente do meu horário, sem qualquer explicação da vossa parte, na segunda alteração feita ao meu horário de trabalho durante este ano lectivo, e o Projecto Ver para Querer, numa parceria feliz com a Ordem dos Nutricionistas e que envolveu múltiplas entidades, e que vossa excelência ora apoiava, ora boicotava, ora não ligava, mas não se coibindo de aparecer em entrevista à TV quando a oportunidade surgiu. Relativamente a este projecto não posso deixar de agradecer o apoio incondicional da professora Elisabete Silva, sempre presente, sempre a apoiar e que vivenciou comigo algumas cenas deprimentes que volta e meia foram acontecendo ao longo dos anos em que este projecto se manteve activo.

E eis que chegamos a este atípico ano em que pode ter a certeza que continuarei a batalhar como uma leoa por uma Escola Pública de Qualidade, que a transcende a si enquanto directora de um Agrupamento da Cidade que é Minha e que me transcende a mim enquanto Professora deste mesmo Agrupamento.

Aproveito para lhe relembrar que a primeira vez que me deu ordem verbal de saída do espaço escolar, mandou-me mesmo para fora do portão da escola, já que eu estava em greve, eu informei-a que não iria sair e dirigi-me aos serviços administrativos onde, por escrito, a questionei sobre a fundamentação legal sobre tão estapafúrdia ordem. Até hoje não recebi qualquer resposta e, como vossa excelência sabe, um funcionário público, que é coisa que a senhora é, ocupando cargos de chefia, tem, por lei, leis a cumprir, nomeadamente quanto a prazos de resposta. Mas escolheu ignorar-me, portanto, e, ao fazer isso, escolheu ignorar as leis deste país.

Hoje encontro-me num outro patamar de indignidade, para vossa excelência... mas que não para mim.

Na quarta-feira passada, dia 24 de Maio, foi-me dada nova ordem de saída por parte de vossa excelência, aos berros e publicamente, da sala do secretariado das provas de aferição, já que, supostamente, eu estaria a fazer greve. Aproveito para lhe relembrar que um trabalhador só entra em greve a partir do momento em que entra em greve, ok? E também que nenhum dirigente superior tem o direito de se virar para os trabalhadores e questioná-los sobre se estão, ou não, a fazer greve já que isso pode configurar pressão ilegal sobre pessoas que estão a exercer um direito que é seu e que se encontra consagrado na Constituição Portuguesa. 

Como eu a informei, calmamente, que não iria sair do local em que me encontrava, vossa excelência, de cabeça perdida?!, desatou numa gritaria a afirmar que quem dava as ordens era vossa excelência, que vossa excelência é que era a directora - lembrei-me do Herman nos seus velhos tempos do "Eu é que sou o presidente da junta!!! - e ameaçou-me, alto e bom som, com um processo disciplinar. Nem me mexi e continuei a informá-la de que não iria sair da sala em que me encontrava. 

Decidiu ir para outra sala, para "não se chatear mais", no dizer de vossa excelência, e deu ordem a todos os outros professores para a seguirem, o que estes fizeram, e acabaram a reunir no corredor imediatamente a seguir à sala onde permaneci sozinha. Nada que me espante, apesar da indignidade da situação, apesar do ridículo da situação, a fazer-me equacionar se o meu local de trabalho é local de brincadeiras parvas e infantis, promovidas pela senhora diretora, enfim, de coisas sem jeito nem ponta por onde se lhe pegue.

Não escutei o que transmitiu aos meus colegas de viva voz mas, pelos vistos, excluiu-me, deliberadamente, de informação que eu também deveria ter recebido já que foi aí que os restantes professores foram informados que a prova de aferição não se realizaria devido à greve de dois professores coadjuvantes. Relembro-a - um trabalhador entra em greve quando entra em greve e eu, que cumpri a mais longa greve que realizei em toda a minha vida, desde o dia 9 de Dezembro até dia 12 de Maio, e que foi variando na forma, não entrei em greve no passado dia 24 de Maio "apenas" porque não me apeteceu.

Para finalizar, esteja à vontade para dar cabo do meu horário as vezes que lhe apetecer. Esburaque-o as vezes que lhe apetecer e o quanto lhe apetecer e tenha a certeza que aproveitarei todas as minhas horas livres da forma que me apetecer, da forma mais oportuna, mais relevante e mais importante para mim. 

Por exemplo, o furinho que me criou todas as terças-feiras ao terceiro tempo da manhã, a coberto de um chapéu gigantesco chamado interesse do serviço ou coisa que o valha, no dia 23 de Março foi por mim aproveitado para ir à GNR informar os senhores agentes que, se vossa excelência caísse na tentação, como outros directores, de mandar um professor substituir um outro professor em greve numa qualquer sala de aula eu iria, de imediato, chamar a GNR para que esta abrisse um auto de ocorrência, identificasse as testemunhas o o mais que fosse necessário pois, relembro-lhe, este país rege-se por Leis que não podem ser torcidas segundo as nossas conveniências.

Relembro-lhe ainda que, tal como eu afirmei alto e bom som à época, os serviços mínimos decretados pelo vergonhoso Colégio Arbitral foram ilegais e que agora isso está a ser afirmado pelo Tribunal da Relação e por senhores juízes.

Já agora aproveito também para lhe relembrar que durante cerca de duas semanas só eu, em todo o agrupamento, fui requisitada para serviços mínimos. 

Como assim? Sou assim tão especial?

E por agora termino, que esta carta aberta já vai muito longa. Da minha parte, asseguro-lhe que a minha postura enquanto docente continuará a ser exactamente a mesma. Conte com muito trabalho da minha parte, muita frontalidade e muita honestidade naquilo que faço. E que faço bem. 

E relembro-a que tenho 61 anos e que adoro brincar... mas é com os meus netos.

Atenciosamente, e com os meus melhores cumprimentos,

Professora Anabela Magalhães

quinta-feira, 27 de abril de 2023

quarta-feira, 19 de abril de 2023

Trabalho - Profundo Agradecimento à Directora do Agrupamento de Escolas Teixeira de Pascoaes



Trabalho - Profundo Agradecimento à Directora do Agrupamento de Escolas Teixeira de Pascoaes

Toda a gente que me conhece sabe que eu sempre procurei ser uma profissional exemplar não só no trabalho que desenvolvi e desenvolvo dentro das salas de aula com os meus queridos alunos, como no trabalho que desenvolvi e desenvolvo para a melhoria do funcionamento da comunidade educativa a que pertenci e pertenço, como também na componente trabalho casa com noitadas até às duas e três da manhã por forma a construir um património profissional que é meu e que constitui a minha impressão digital profissional, e que ninguém ma rouba exactamente por não estar fechada a sete chaves e ser trabalho público.

Ao longo da minha vida sempre procurei ser correcta com toda a gente e sempre procurei manter a coerência entre o que digo e o que faço, tanto no campo estritamente pessoal como profissional.

Posto isto, pela primeira vez na minha vida sofri alterações no meu horário laboral a meio de um ano lectivo, mais concretamente a partir do dia 14-de Março de 2023, por e-mail, e sem receber qualquer justificação e/ou esclarecimento para coisa tão inaudita. 

As alterações a que me refiro são "apenas" estas - de um horário super arrumadinho passei a usufruir de um horário todo esfrangalhadinho, com furos e furinhos entre aulas e componente estabelecimento em que até me conseguiram arruinar a tarde livre de quarta-feira, tarde em que a esmagadora maioria dos alunos nem está na escola pois só ficam no recinto estabelecimento os alunos que frequentam o desporto-escolar, teatro e afins. Ah! E só à quinta-feira consigo ir a casa e comer descansada... o que é bom, pois ainda tenho pernas para correr bem depressinha para lá e para cá e comer mais depressa ainda.

Devo confessar que estou muito contente com as alterações pois sempre posso descontrair ou mesmo pastar nestas horas de burrice em que se procura deixar uma funcionária exemplar, eu, deveras agradada e que fico de cara à banda com uma gestão de recursos humanos deste calibre.

E é assim que me sinto, muiiiito agradada, pela competência de liderança de excelência demonstrada, pois sempre posso aproveitar este tempo de pastagem para escrever neste blogue ou, quiçá, fazer alongamentos, pilates de parede ou até dança de varão num qualquer varão dos passadiços desta escola.

Gratíssima, Senhora Directora! E, já sei, com sorte, mesmo mesmo com sorte, para o ano estou habilitada a ir para o Marão! 

Ou, quiçá, mais longe ainda?

Adenda - Ah... foi por conveniência de serviço... eheheh

sábado, 15 de outubro de 2022

Da Qualidade/Sensibilidade das Estruturas Intermédias Perante o "Capital" Humano Subalterno

Sala de História - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães e Cristina

Da Qualidade/Sensibilidade das Estruturas Intermédias Perante o "Capital" Humano Subalterno

Depois de um longo período de baixa médica, absolutamente necessário para recolocar a minha moleirinha nos carris, onde ela esteve desde sempre até me falhar, voltei finalmente ao trabalho e à escola, agora apenas de nome mudado para Agrupamento de Escolas Teixeira de Pascoaes. Olhai a responsabilidade do carrego de um nome absolutamente ímpar na cultura mundial, nacional e local, que o meu pai conheceu muito bem pelo nome de dr. Joaquim...

Confesso que necessitei deste afastamento não pelos meus alunos à época, muito menos pelos que já me apresentam, carinhosamente, os seus filhos, muito menos pelos alunos que tenho agora dentro das salas de aula que percorro todos os dias dentro de um mesmo pavilhão. Necessitei deste afastamento por razões pessoais, que se relacionam com perdas familiares muito duras de aceitar... mas que também resultam de uma acumulação e de uma saturação face a sacanices variadas e de gravidades muito diversas vindas de gente adulta que devia talvez voltar à meninice e refazer o seu Ser. 

Arrumado o andar de cima, voltei à "minha" sala de aula, mesmo se agora ando de sala em sala, de catacumba em catacumba, sem nunca colocar os pés na sala que fui construindo ao longo dos anos apoiada pelos meus alunos. 

A história da Sala de História dava um filme que deveria ser tranquilo, pacífico e tranquilizador tal e qual ela se apresenta a alunos e professores que por lá passam e me fazem questão de o referir deixando o meu coração pacificado, apesar de tudo. Alterar, mudar para melhor o "espaço" em que habito, arrastar gente para esta paixão, faz parte integrante de mim e é faceta minha que jamais descurarei.  

Fico até comovida por saber que a Sala de História é usualmente a escolhida entre todas as salas da escola para receber alunos e professores que aqui se deslocam em Programas de Erasmus e afins por ser uma das salas mais agradáveis de toda a Escola.

Fico até comovida sempre que alunos vêm ter comigo e me propõem fazer com outras salas de aula o que fizemos - eu e os meus alunos - com esta específica sala, como ainda aconteceu durante esta  semana que agora finda.

Vai daí, no meu regresso à minha escola de sempre, e após baixa psiquiátrica, registo que tenho no meu horário, durante todo o 1º semestre, zero aulas na Sala de História e apenas uma no 2º semestre, sala que pintei, embelezei e acarinhei com estas minhas irrequietas mãos em resultado de ter a funcionar os meus irrequietos neurónios e que, com a ajuda de outras mãos, a alteraram, facto que é representativo do cuidado, sensibilidade e apreço perante uma trabalhadora que, como afirma frequentemente o meu irmão, ainda vai ser despedida da função pública por trabalhar tanto. Vá lá que está a contribuir para a felicidade de outros...

E pronto. E é isto. E eu estou feliz... agora que voltei a ser quem era, talvez até mais acutilante e assertiva que nunca. 

domingo, 18 de setembro de 2022

Regresso à Escola



Regresso à Escola

Depois de um amplo interregno durante o qual estive impedida de exercer a profissão que escolhi para mim, por razões de saúde, eis que regressarei na próxima semana aos afazeres típicos de uma vida profissional docente e que eu exijo a mim mesma que seja decente.

Durante todo este período de interregno, absolutamente essencial e crucial para mim, tive tempo para reflectir, amadurecer, ruminar, decidir, hesitar, pensar... e, acima de tudo, de me questionar frequentemente "Anabela Maria, o que andas a fazer nesta vida, com a tua vida?"

As conclusões que tirei, por agora, ficarão para mim. Hoje apenas quero deixar aqui registado que fico contente por ter saído de um agrupamento chamado Agrupamento de Escolas de Amarante e de voltar agora ao activo a um agrupamento chamado Agrupamento de Escolas Teixeira de Pascoaes, diferente, portanto, e que, por certo, jamais me exigirá contratar advogados especializados em direito de trabalho para que, em actas de reuniões em que estive presente e não muda, fique escrito o que eu disse e que eu disse que exigia que ficasse escrito.

Sim, o silêncio é cumplicidade.

Regresso, assim, protegida com a minha carapaça endurecida por múltiplas camadas, nunca desviando o olhar, seguindo sobretudo em frente, de olhos bem abertos, ouvidos desobstruídos... escancarando portas e janelas à minha passagem, pronta para trabalhar até com mortos.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

E@D - Dia 1 - AFC - "Preservar o Património Ambiental e Cultural de Amarante”

Aula 1 - E@D - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

E@D - Dia 1 - AFC - "Preservar o Património Ambiental e Cultural de Amarante”

Iniciei a segunda vaga de E@D com duas aulas com duas diferentes turmas de 8.º ano e quase sem constrangimentos informáticos - umas falhas muito temporárias de sinal por parte de dois alunos - mas todos conectados à hora prevista, tudo a desligar os microfones quando iniciei a explicação de um trabalho de grupo em que todos trabalharão, em diferentes grupos, o Barroco em Amarante. 

Reencontrei alunos sem máscara... que esquisito mas lindo foi poder ver de novo os seus rostos jovens, serenos e sorridentes... mesmo se à distância e separados pelos écrans dos computadores e mesmo se por breves momentos. 

Confesso que tinha saudades destas aulas seguras e descontraídas que o SARS-CoV-2 nos roubou desde Março de 2020 e que não sei a quando regressaremos. Melhor seriam se fossem presenciais... mas, por agora, teremos estas aulas síncronas que nos manterão em contacto e que hoje serviram para relembrar procedimentos e para orientação de um trabalho colaborativo que já estava previsto mesmo se continuássemos em regime presencial. Agora, depois das orientações fornecidas, segue-se, para eles, trabalho autónomo com a certeza que eu estou por aqui, completamente acessível para os ajudar a resolver alguma dificuldade.

E sim, tal como falámos hoje, o pontapé de saída para este trabalho está dado e colocará professores e alunos a trabalharem de forma colaborativa - professores com professores, professores com alunos, alunos com professores, alunos com alunos. Confesso que gosto disto.

E, entretanto, estamos quase quase a acabar o primeiros semestre... quase quase...

Nota - A salinha de aula virtual foi apenas um mimo para alunos que são meus e que terão de construir as suas próprias escapes rooms lá para o final do ano lectivo.

É que o tempo não me chega para tudo, muito embora eu seja veloz, mas este ano já está por conta do 7.º ano de escolaridade... aqui...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Metáfora - A Palavra a Uma Aluna de Sétimo Ano

 

Metáfora - A Palavra a Uma Aluna de Sétimo Ano

Toda a gente que acompanha este blogue há mais tempo sabe que os meus alunos já fizeram portefólios físicos e que, no ano de 2017/2018, esta professora, preocupada com o peso que os seus alunos carregavam às costas (pesei as mochilas e cheguei aos 10 kg em costas frágeis de alunos de 7.º ano) resolvi desmaterializar os portefólios e transformá-los em portefólios digitais, realizados sempre na APP Adobe Spark, que os alunos vão construindo paulatinamente, aula a aula, transformando-os em autênticos diários de bordo que refletem os seus autores, os trabalhos dos seus autores e que não deixam de reflectir o trabalho desta professora que sem tornar as novas tecnologias o centro das suas aulas, porque eu nunca me desvio da História muito embora por vezes até pareça, as vai embrulhando em papéis que são muito do agrado da generalidade dos alunos. 

A história dos portefólios de História dá, por si só, uma saga que pode ser acompanhada, em parte, aqui. Talvez um dia, estando eu viva e reformada e, muito importante, ainda escorreita da minha cabeça, venha a escrever a parte negra de um trabalho muito árduo mas que me dá um gozo do caraças e que faz parte integrante do que eu penso fazer parte da minha profissão.

Confesso que gosto de lançar desafios aos meus alunos e vá lá, tenho tido a sorte de, uns mais, outros menos, claro está, mas também uns muitos - sou uma professora amiúde feliz dentro da sala de aula - corresponderem bastante bem na generalidade dos casos aos desejos lançados, às sugestões de trabalhos que muitas vezes nem passam pela obrigatoriedade e passam mais por um "Olhem vocês até podiam fazer..." e eles fazem!

Vem tudo isto a propósito desta reflexão muito bela que uma aluna de sétimo ano deixou no seu portefólio digital e que, com a devida autorização aqui publico.

"Resumo da Aula:

Na primeira aula deste ano letivo, 2020/2021, abordamos algumas regras gerais sobre esta disciplina, no entanto, vimos também algumas das matérias que iremos estudar. A professora falou-nos sobre as Dunas do Deserto e do que a nossa vida tinha a ver com elas. Primeiro não percebemos o porquê das dunas, mas ao longo da aula fomo-nos habituando à ideia que as dunas significavam etapas e que sempre que começávamos uma nova etapa na nossa vida era como começar a subir uma duna. Assim, sempre que acabássemos de a subir tínhamos outros desafios à nossa frente, outras dunas a superar."

Só uma nota final - A miúda que empurra a pedra com toda a sua força montanha acima é ela, a escolher o caminho mais trabalhoso mas também mais gratificante.

Muito grata, Aluna Minha, pelas tuas sábias palavras tão bem compreendidas! A Vida... também é muito isto!



domingo, 20 de dezembro de 2020

Aulas na Semana do Natal

 


Aulas na Semana do Natal

Garanto-vos que, em mais de trinta anos de carreira dedicada à docência, nunca me aconteceram semelhantes coincidências e foram precisos vários acontecimentos, independentes e não relacionados uns com os outros - pandemia, semestralidade da disciplina, domínio destas salas de aula virtuais - para chegar à próxima semana, a do Natal, ainda com aulas a explorar, nomeadamente a última deste ano que será dedicada ao Cristianismo e ao seu papel disruptivo dentro de um Império Romano politeísta e que ainda está em fase de preparação.

Assim sendo, aproveito para me adornar de Mãe Natal nesta que será mesmo a minha última aula deste ano de 2020, e que será partilhada num Padlet, deixando uns miminhos virtuais para os meus queridos alunos, de uma muito querida turma do 7.º ano de escolaridade, e que entrarão em férias no próximo dia 23. 

Darei novas.

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Os GIF(s) nas Aulas de História

NeoMam e Thisisrender para a Expedia

https://imgur.com/1Tm54OL

Os GIF(s) nas Aulas de História

Chamam-se Graphics Interchange Format mas são mais vulgarmente conhecidos por GIF(s) e eu uso-os, sempre que os encontro pertinentes e/ou engraçados, nas Salas de Aula Virtuais ou Escape Rooms onde até me podem servir apenas de suporte para a incorporação de um pequeno vídeo, ou o que for.

Gosto de lhes chamar "Imagens com Vida" e, para quem não está habituado a usá-los, e a procurá-los na net, asseguro-vos que os há para todos os gostos, desde mais adultos aos mais infantis, por certo utilizáveis em todas as disciplinas.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Trabalho - História - Salas de Aula Virtuais ou Escape Rooms


Trabalho - História - Salas de Aula Virtuais ou Escape Rooms

O meu trabalho, na vertente produção de materiais pedagógicos próprios, começou imediatamente a seguir à minha primeira colocação na extinta Educação de Adultos. Sem manuais, tinha de ir produzindo materiais à medida que deles necessitava, improvisando, por vezes martelando numa velhinha máquina de escrever, fotocopias para aqui e para ali, corta e cola, junta uns acetatos e junta uns slides et voilá! Eram os anos oitenta... ainda eu não sonhava que grande parte da minha vida profissional seria passada à frente de um computador, a teclar forte e feio, produzindo PPTs, páginas web, blogues profissionais e, mais ultimamente, salas de aula virtuais, tudo arrumadinho num Padlet, tudo organizado por ordem cronológica, como convém a quem é de História, e onde partilho todo o meu património feito de materiais pedagógicos, abertos e, portanto, não codificados, tudo à distancia de um clique nesta net que também consegue ser um espaço de partilha e que consegue ser coisa maravilhosa caso as pessoas estejam dispostas a fazer bom uso dela.

Por estes dias de paragem lectiva, andei às voltas com a reciclagem das minhas aulas sobre uma das fabulosas civilizações clássicas, neste caso a grega, da qual somos enormemente devedores. 

Duas estão já partilhadas. A última está a caminho.

Pode acompanhar o meu trabalho clicando aqui.

Nota - Ainda me falta colocar o meu bitmoji a falar... mas lá chegarei um dia!

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Escrita Hieroglífica

Escrita hieroglífica - Trabalhos de 7.º Ano
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães 

Escrita Hieroglífica

É muito bela e, volta e meia, quando falamos sobre ela em sala de aula, sugiro aos meus alunos que realizem uma pesquisa para, posteriormente, escreverem os seus nomes próprios, fazendo corresponder a cada particular letra do alfabeto o hieróglifo adequado.

Realizado este trabalho, os alunos só têm de o colocar nos seus portefólios digitais que constituem os diários de bordo de todo o trabalho desenvolvido em sala de aula, e fora dela também, no que à disciplina de História diz respeito.

Hoje resolvi fazer uma pequenina brincadeira com as duas imagens captadas durante a última aula e já que estamos a aproximar-nos a passos largos do Natal... acrescentei-lhes um efeito especial de neve!

E é isto. Porque a nossa vida profissional tem muitas variantes, lombas, buracos e múltiplas curvas de estrada que é necessário vencer.

sábado, 14 de novembro de 2020

Trabalho Docente e Decente


Trabalho Docente e Decente

O meu. Partilhado num Padlet organizado por ordem cronológica, sem ses e sem mas, primeiramente com/para os meus alunos e depois com/para quem o quiser apanhar. Porque já não tenho idade nem pachorra para fazer diferente... na verdade desde pequenina.

Sou, decididamente, uma professora do século XXI, adepta das maravilhosas APPs, que a cada passo surgem para nos alegrar os dias passados à volta de desafios empolgantes feitos de novas tecnologias, adepta das generosas partilhas que pratico desde que me conheço.

Assim sou eu e o meu Bitmoji.

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Aula de História - Caixa Paleolítica

Caixa Paleolítica - S. Gonçalo - Amarante

Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Aula de História - Caixa Paleolítica

Comecei a organizar esta Caixa Paleolítica há muitos e muitos anos, todos os anos enriquecendo a coisa, juntando uma peça aqui mais outra acolá, junta este fóssil, estes instrumentos líticos, mais umas amostras de peles, umas cordas feitas com tendões de vaca e com couro também, uns ossos, uns chifres, mais umas presas de javali, junta amostras de sílex, umas resinas e umas amostras de cera de abelha, uns raspadores, furadores e até uns bifaces... enfim, juntando tudo o que possa ter interesse para mostrar aos meus alunos de 7.º ano, concretizando-lhes e materializando-lhes o mais possível um período magnífico da nossa História comum a que os historiadores chamaram Pré-História.
Um dia destes tive de a carregar de casa para a sala de aula. Já não me acontecia há muitos anos andar com estes materiais/carregos para a frente e para trás, arrumadinhos que estavam dentro do armário da antiga Sala de História que, ao longo do presente ano lectivo, estará sem funcionar à conta do SARS-CoV-2. 
Esperemos que seja só este ano e que isto seja apenas um interregno. Esperemos que a Sala de História volte a funcionar e que o Projecto História em Movimento possa regressar em pleno pela minha enérgica mão.
 
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