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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Sonhar Uma Escola Pública Diferente


Sonhar Uma Escola Pública Diferente

Um dia sonhamos e metemos a mão na massa. Trabalhamos como loucos (quem trabalhou) pela transformação de uma Escola Pública completamente desfasada da realidade numa Escola Pública asseada, cuidada, transformadora, inclusiva, desafiadora, encorajadora, prenhe de criatividade sem nunca descurar os acontecimentos, os saberes, os conhecimentos.

Vim a descobrir que nada disto interessa e que tudo acabou por se transformar num verdadeiro pesadelo em que eu me recuso a voltar a entrar.

Não minto. Não actuo fora da lei. Nunca o farei.

Hoje encontrei um ex-aluno que foi meu nesta escola à qual ainda pertenço. Foi bonito escutá-lo... a professora era muito à frente e ajudou-nos muito a progredir... e... e...

E o que interessa isto? Nada mesmo. O que interessa é que apagando o meu rasto, ou tentando pois isso jamais acontecerá!, não provoco muita urticária dentro do sistema, pois não?

Tanto mas tanto trabalho esmerado, dedicado, criativo foi por aqui desenvolvido... sendo que o trabalho que aqui partilho, no link a vermelho, é só uma pequena amostra de todo o trabalho que desenvolvi em todos estes anos desde 2009, ano em que fui colocada no agora Agrupamento Teixeira de Pascoaes. 

Se hoje voltaria a ser professora? Sim, mas deveria ter batido com a porta com estrondo no tempo da ministra que eu me recuso a nomear neste blogue.  

  https://anabelapmatias.wixsite.com/historiaemmovimento

sexta-feira, 28 de junho de 2024

Apoio Vindo Nem Sei de Onde - Saboroso, Importante, Significativo, Carinhoso... e Anónimo








Flores - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Apoio Vindo Nem Sei de Onde - Saboroso, Importante, Significativo, Carinhoso... e Anónimo

Chegou-me um dia destes a casa, em caixa grande em que no exterior apenas estava escrito "A felicidade floresce de dentro", causando-me estranheza já que eu, por norma, nunca recebo encomendas.
Até comentei "deve ser para a minha filha ou para o meu marido" mas não, insistiu o entregador, a encomenda era mesmo para esta senhora que sou eu.
O enigma instalou-se dentro desta anonimidade, a única de que gosto e que aceitei de bom grado.
Presumi que não seria nada de grave vindo da escola a que pertenço... e abri, corajosamente o comprido caixote, bonito por fora e ainda mais belo por dentro... puras e bran cas flores salpicadas com um verde de eucalipto, um cheiro celestial, uns recados para tratamento do belíssimo ramo e um cartão, escrito sem qualquer assinatura.

Toda a gente sabe que a minha vida profissional foi virada do avesso com a instauração de um processo disciplinar e eu, passado todo este tempo, continuo a pensar que se havia pessoa que o não merecia era eu, uma trabalhadora incansável da e para a Escola Pública, para os Meus Alunos em particular, partilhadora, sempre pronta a ajudar quem de mim precisasse... e tanta gente ajudei ao longo da minha vida... e ainda por cima não é que o processo disciplinar é-me instaurado no final de um ano de trabalho em que tinha regressado à escola após prolongada ausência, por luto, após o falecimento do meu pai que me abalou até ao tutano... e ainda não completamente digerido neste momento em que escrevo?
Foi na mouche, parece que escolhido a dedo.
Pois não sei de onde chegaram-me flores e um cartão que assim reza:

"Anabela,
que esta flores a possam animar nestes dias cinzentos que têm persistido em se arrastar, dando-lhe esperança e ânimo. Admiro-a e sei que este gesto pouca diferença fará, mas acredite que a sua determinação, frontalidade e coerência dão força a outras.
Abraço sincero e grato desta sua colega."

Pois Colega Minha, que eu desconheço, nem imaginas tu a diferença que faz e fará um gesto destes na vida de uma pessoa votada quase completamente ao ostracismo dentro de uma escola onde sempre deu o litro nunca olhando para o relógio e trabalhou até ao esgotamento fazendo a minha filha afirmar, frequentemente, "Nem sei porque não levas o colchão para a Escola!".
Agradeço-te do coração este gesto tão carinhoso, empático, sensível, solidário, cuidadoso, enfim, humano... e como eu gosto destes atributos!
Estando em fase de poder vomitar se me cruzar com determinadas pessoas, este gesto alimentará a minha alma por dias e dias a fio... e isso é tão bom...

Tempos houve em que eu me alimentava muito de Escola Pública. Agora, o que já foi alimento, transborda em mar de toxicidade.
Daí este consolo chegar em momento certo, em momento de muita descrença... ajudando-me a recentrar, espero, na beleza dos meus, na beleza que persiste no Mundo, na beleza interior de gente anónima e não só espalhada por esta superfície que acolhe, temporariamente os nossos passos.
Que eles possam ser firmes, honestos, solidários, contribuidores de um mundo melhor onde parece qu8e parte da humanidade já anda completamente perdida.

Obrigada do coração.

Anabela Magalhães

segunda-feira, 24 de junho de 2024

DN - "Mais de 46 Mil Professores Efetivos Querem Mudar de Escola"


DN "Mais de 46 Mil Professores Efetivos Querem Mudar de Escola"

O artigo saído no DN já tem uns dias mas só agora chamo a atenção para ele e para uma das suas passagens em particular assinando por baixo a opinião da Cristina Mota e não só. 

E angustiante é pouco!

"Cristina Mota, porta-voz do movimento Missão Escola Pública,   acredita que o modelo de gestão está por detrás desta realidade. “O ambiente nas escolas causado pela autocracia é angustiante”, afirma. Uma docente a lecionar numa zona de Braga, e que não quis identificar-se para não sofrer represálias, partilha a mesma visão. “Sou QE há 16 anos e concorri para sair. As direções das escolas estão muito incrustadas no posto. Na minha escola é a mesma pessoa há mais de 30 anos e o modelo de gestão é o mesmo há décadas. Foi isso que me motivou a tentar sair”, afirma. A docente acrescenta a retirada de poder de decisão aos professores. “Há 10 ou 12 anos os departamentos tinham voz. A nossa participação na escola agora é mais executar o que outros determinam e é muito desmotivante. Somos uns meros executores e guardadores de crianças. É preciso um abanão no sistema educativo. As pessoas andam a arrastar-se nas escolas. As escolas devem voltar ao seu papel de ensinar”, conclui."

Pode ler o artigo completo aqui.

Mais de 46 Mil Professores Efetivos Querem Mudar de Escola

sexta-feira, 3 de maio de 2024

Professores - Negociações


Professores - Negociações

Começaram hoje. E a ver vamos se toda uma página de ludibrianço, ilegalidades muitas, falsidades sem fim e intoxicação da opinião pública se alterou.

Os sinais, para já, são extremamente preocupantes.


terça-feira, 23 de abril de 2024

Os Perseguidos


Os Perseguidos

A História não se apaga, conta-se! E a verdade é que alguns de nós... quantos?... continuam a ser desrespeitados nos seus locais de trabalho e vítimas de processos disciplinares que mais parecem do tempo da antiga senhora.

Haja quem não se esquece de nós.

Obrigada!

Citação - O seu a seu dono:

"Assim se constrói Portugal, uns vão bem outros mal…

A democracia nas escolas tornou-se irrelevante. Os que mais se destacaram na valorização da classe são perseguidos." 

quinta-feira, 18 de abril de 2024

A Palavra à Missão Escola Pública - Cristina Mota


A Palavra à Missão Escola Pública - Cristina Mota

Orgulho é o que eu sinto pelo vosso incansável trabalho!

Obrigada!

Gratidão - Alunos - "Só quero ver o jardim todo a florir."

Eu - Homenagem ao Mestre Costa Carvalho
Fotografia de Aluno Meu

Gratidão - Alunos - "Só quero ver o jardim todo a florir."

A todos os meus alunos, que o foram há poucos ou muitos anos, mas tantos anos que já tive o gosto e o prazer de ter os seus filhos nas minhas salas de aula, Alunos a quem sempre chamei os Meus Alunos Netos, agradeço um percurso de Escola que foi, segundo o meu prisma e sem falsas modéstias, tão gratificante e trabalhoso quanto eu consegui, a cada momento desta minha vida em grande parte dedicada de alma e coração aos Meus Alunos e à Escola Pública, que eu imaginei sempre escrita com letra maiúscula, povoada de Gente com letra maiúscula.

A escola hoje não é isto. Tornou-se um lugar de tirania mais ou menos disfarçada de democracia, um lugar tóxico, povoada de muitas situações impróprias para consumo, pelo menos para mim que jamais transporei as linhas vermelhas que para mim tracei ao longo de uma vida que já se dirige, a passos largos, para os setenta anos de idade. 

Esta fotografia chegou-me hoje, tirada por um Aluno Meu de há muitos anos atrás, que me reporta a uma Escola Humanista e Democrática, em tempos de Magalhães.

Não aguento a escola de hoje, escrita com letra muito minúscula, onde me querem obrigar a ficar diluída, violentada, humilhada, condenada, suspensa, amesquinhada, sem respostas... coisa que nem a um cão se faz, quanto mais a uma Professora que deu sempre tudo o que tinha para dar, dentro e fora das salas de aula, ao ponto de escutar a minha filha adolescente "Mãe, leva o colchão para a escola!"

Em dias de chumbo, como os que agora vivo, com um processo disciplinar às costas, uma condenação suspensa por 22 meses... seria o tempo da anterior legislatura?... e um recurso para o senhor ministro da Educação que, por agora, felizmente mudou, mas que ainda não obteve resposta, com uma queixa pendente sobre mim para o Ministério Público por parte da inspecção e com a concordância da senhora directora do Agrupamento Teixeira de Pascoaes... ai dr. Joaquim!!!... o que mais me passa pela cabeça é abandonar uma profissão que já foi a Minha Profissão mas que já não o é mais. Não assim.

E em dias de chumbo, como os que agora vivo eis que me chega esta fotografia, tirada por um Aluno Meu acompanhada por uma frase muito importante para mim:

"Só quero ver o jardim todo a florir."

Grata, Aluno meu! Grata Alunos Meus! Estarei sempre aqui para ti, para vós, enquanto os meus pés pisarem estas calçadas que calcorreio desde criança, até com os meus pés descalços.

domingo, 24 de março de 2024

Projecto Ver Para Querer


Projecto Ver Para Querer

Hoje recordo-o e, recordando-o, rapidamente espatifado, até me dá vontade de chorar por ter gasto tantas mas tantas horas, que jamais me serão pagas, em trabalho até altas horas da madrugada, que hoje vejo, ao olhar para trás, quase completamente inglório.

Vá lá que permaneceu até aos dias de hoje um espaço incomplaravelmente mais bonito e aprazível para a miudagem deste meu concelho. Quanto ao resto... escafedeu-se tudo pelo caminho...

Obrigada, Senhora Professora Doutora Alexandra Bento pelo acolhimento da ideia! Obrigada também à Professora Elisabete Silva por todo o apoio prestado sem o qual também nada disto seria possível.

Que sonho lindo...

De resto... mas quem te manda a ti, Anabela Maria, teres da Educação uma visão tão abrangente e holística que te leva a meter pés a caminho e mãos também, já agora, e a meter foice em ceara alheia?

Mas não te chegava a História?!!!!!

Para quem quiser saber mais é favor clicar aqui.

Nota - Irmão, ainda não fui despedida da função pública.

domingo, 21 de janeiro de 2024

Há Quem Lhes Chame Cata-Ventos...

Também Neva em Amarante
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Há Quem Lhes Chame Cata-Ventos...

... ou troca tintas... ou o mais que for possível chamar a esta estirpe de "pessoas" que é capaz de renegar a sua própria sombra.

Não confiáveis, bom será que as pessoas minimamente escaldadas por esta estirpe de gente só comuniquem com eles à distância ou, melhor ainda, na presença de um advogado.

Se se apanham em cargos onde podem exercer algum poder, incham tanto tanto que mais parecem balões voadores... e que bom seria se voassem para bem longe daqui, subindo cada vez mais alto, mais alto e ainda mais alto, quiçá rebentando em pleno espaço sideral de tanto inchaço.

Escondem, por vezes, uma incompetência confrangedora a coberto do/no desmando da boiada que lhes respalda as fraquezas e inseguranças, contribuindo, assim, para o estado a que isto chegou.

Se é triste? 

É! Por amor da santa... se é!!!! 

E eu, qual mulher das neves, abomino estes cata-ventos troca tintas capazes de negar o que acabaram de afirmar, capazes de afirmar o contrário do que acabaram de afirmar, capazes de negar até as suas próprias sombras.

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Missão Escola Pública


Missão Escola Pública

Fazem um trabalho notável a dissecar as baboseiras que muitos "especialistas" em matéria de educação arrotam por aí.

Aqui vos deixo mais um vídeo, com os meus agradecimentos a todos quantos ainda não desistiram de lutar por uma Escola Pública escrita com maiúsculas.

domingo, 7 de janeiro de 2024

Sim, Almada Negreiros, Fazes Falta!

 


Sim, Almada Negreiros, Fazes Falta!

QUARTA-FEIRA, 30 DE MAIO DE 2007

Almada Negreiros e o Manifesto da Exposição de Amadeo de Souza-Cardoso

Almada Negreiros e o Manifesto da Exposição de Amadeo de Souza-Cardoso

Tive contacto com este manifesto de Almada Negreiros aquando da realização do 1º Curso Livre de História da Arte, realizado na Biblioteca Municipal de Amarante e bem orientado pelo Professor Doutor António Cardoso.
Só posso dizer que este manifesto é, certamente, um dos textos mais escorreitos e belos escrito em português. E premonitório. Ainda por cima, a propósito do meu ilustre conterrâneo Amadeo de Souza-Cardoso.
Mas as pessoas não sabem escutar com ouvidos de ouvir, não sabem ver com olhos de ver, estão sempre muito ocupadas com outros afazeres, distraídas na tralha que nos rodeia, e que não é o que realmente importa. Daí advém a frustração de um país inteiro que, arre, não aprende!
Ah, como eu gosto de gente que não se refugia nos enredos do português e que chama os bois pelos nomes!

Passo a citar:

"Em Portugal existe uma única opinião sobre Arte e abrange uma tão colossal maioria que receio que ela impere por esmagamento. Essa opinião é a do Ex.mo Sr. Dr. José de Figueiredo (gago do governo).
Não é porque este senhor tenha opinião nem que este senhor seja da igualha do resto de Portugal mas o resto de Portugal e este senhor em matéria de opinião são da mesma igualha. Um dia um senhor grisalho disse-me em meia hora os seus conhecimentos sobre Arte. Quando acabou a meia hora descobri que os conhecimentos do senhor grisalho sobre Arte eram os mesmos que o Ex.mo Sr. Dr. José de Figueiredo usava para me pedir um tostão (1). Pensa o leitor que faço a anedota? Antes fosse: mas a verdade é que estou muito triste com esta fúria de incompetência com que Portugal participa na Guerra Europeia. E que horror, caros compatriotas, deduzir experimentalmente que de todas as nossas Conquistas e Descobertas apenas tenha sobrevivido a Imbecilidade. E daqui a indiferença espartilhada da família portuguesa a convalescer à beira-mar.
Algumas das raras energias mal comportadas que ainda assomam à tona d`água pertencem alucinadamente a séculos que já não existem e quando Um Português, genialmente do século XX, desce da Europa, condoído da pátria entrevada, para lhe dar o Parto da sua Inteligência, a indiferença espartilhada da família portuguesa ainda não deslaça as mãos de cima da barriga. Pois, senhores, a Exposição de Amadeo de Souza-Cardoso na Liga Naval de Lisboa é o documento da Raça Portuguesa no século XX.
A Raça Portuguesa não precisa de reabilitar-se, como pretendem pensar os tradicionalistas desprevenidos; precisa é de nascer p século em que vive a Terra. A Descoberta do Caminho prà Índia já não nos pertence porque não participamos deste feito fisicamente e mais do que a Portugal este feito pertence ao século XV.
Nós, os futuristas, não sabemos história só conhecemos da Vida que passa por Nós. Eles têm a Cultura. Nós temos a experiência - e não trocamos!
Mais do que isto ainda Amadeo de Souza-Cardoso pertence à Guarda Avançada na maior da lutas que é o Pensamento Universal.
Amadeo de Souza-Cardoso é a primeira descoberta de Portugal na Europa do século XX.
O limite da descoberta é infinito porque o sentido da Descoberta muda de substância e cresce em interesse - por isso que a Descoberta do Caminho Marítimo prà Índia é menos importante que a Exposição de Amadeo de Souza-Cardoso na Liga Naval de Lisboa.
Felizmente para ti, leitor, eu não sou crítico, razão porque te não chateio com elucidações da Arte de que estás tão longinquamente desprevenido; mas amanhã, quando souberes que o valor de Amadeo de Souza-Cardoso é o que te digo aqui, terás remorsos de o não teres sabido ontem. Portanto, começa já hoje, vai à Exposição na Liga Naval de Lisboa, tapa os ouvidos, deixa correr os olhos e diz lá que a Vida não é assim?
Não esperes, porém, que os quadros venham ter contigo, não! eles têm um prego atrás a prendê-los. Tu é que irás ter com eles. Isto leva 30 dias, dois meses, um ano mas, se tem prazo, vale a pena seres persistente porque depois saberás onde está a Felicidade.

Lisboa, 12 de Dezembro de 1916
José de Almada Negreiros
Poeta futurista
(1) Rectifico: O Ex.mo Sr. dr. José de Figueiredo veio substituir no original um Em.mo senhor que tem por hábito pedir-me tostões.

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

À Atenção dos Meus Alunos - Sala de História/Centro de Recursos da Agora Escola Básica Teixeira de Pascoaes


Quando eu cheguei à escola... belos tectos!
Primeira etapa de intervenção na Sala de História


Sala de História - Antes, Durante, Depois
Fotografias de autorias variadas mas quase todas minhas

À Atenção dos Meus Eternos(as) Alunos(as) - Sala de História/Centro de Recursos da Escola Básica Teixeira de Pascoaes

Informo todos os meus alunos que esta específica sala, outrora a menina dos nossos olhos, tão bem cuidada por tantos de nós que deram o corpo ao manifesto para a converterem num espaço acolhedor e útil do ponto de vista físico e pedagógico, vai agora ser definitivamente desmantelada.

A gota de água que fez transbordar o meu copo, agora em definitivo, foi mais um ano consecutivo de aulas espalhadas por todas as indiferentes salas dos muitos pavilhões que percorro de novo este ano lectivo e que nada acrescentam à minha actividade pedagógica e que prejudicam até o meu trabalho em sala de aula já que me criam areias na minha engrenagem de Professora de História, prejudicando, consequentemente, também, as aprendizagens dos meus alunos, especialmente os do sétimo ano de escolaridade, pela destruição da magia do momento em que a chave dos dois armários rodava e abria aquelas portas de onde saíam peças tão importantes que lhes deixavam os olhos incrivelmente brilhantes e arregalados, prenhes de curiosidade.

A gota de água foi também verificar que as maquetas, que deram tanto mas tanto trabalho a tantos alunos que me passaram pelas mãos ao longo dos anos, estão já em acentuado estado de degradação que eu não posso admitir. Antigamente aquela era a "minha" sala, a que eu vigiava, cuidava, acarinhava... a que servia para colocar em prática uma disciplina que à época não existia - Cidadania de seu nome - e que agora não passa de uma sala mono, sem dono, terra de ninguém, que nada acrescenta a quem devia acrescentar, num esbanjamento de recursos que me dói até à medula.

Decididamente não tenho o espírito daquela matriz idealizada e negativa da "funcionária pública" que gosta de deixar andar e faz bastante por isso.

Assim, alunos e alunas que por lá mantêm as maquetas e materiais diversos realizados em vossas casas - usando os vossos materiais, correspondendo por inteiro aos desafios desta professora que um dia sonhou uma escola diferente e começou pela "sua" sala de aula - podem combinar comigo para que vos possa restituir os trabalhos antes que estes fiquem completamente espatifados.

Eu própria vou trazer para minha casa todos os materias que são meus e que, um dia, feita parva, ponderei deixar de oferta a esta escola a que já chamei Home mas que não o é mais, muito pelo contrário, apesar dos meus amores que reencontro sempre que abro as portas das salas de aula.

Recheada com materiais diversos e pertinentes para o ensino da História, muitos da minha propriedade e por mim adquiridos propositadamente ao longo de tantos anos, outros que me foram oferecidos por colegas de outras escolas próximas e até de escolas muito distantes, e outros realizados pelos alunos, tantas e belas maquetas só para relembrar um exemplo, a Sala de História tem agora como destino o seu desmantelamento, progressivo mas decidido e inabalável.

Relembro - entrem em contacto comigo caso queiram reaver os vossos materiais. Caso pretendam deixá-los onde agora se encontram saibam que a responsabilidade da sua degradação ou mesmo da sua destruição não será minha.

domingo, 17 de dezembro de 2023

Juro Que Tentei, Todos os Dias da Minha Vida, Fazer da Minha Escola/Agrupamento Um Local Melhor


SEXTA-FEIRA, 13 DE SETEMBRO DE 2019



Juro Que Tentei, Todos os Dias da Minha Vida, Fazer da Minha Escola/Agrupamento Um Local Melhor 

O que acima afirmo pode ser comprovado pelo muito trabalho realizado a desoras tendo sempre na mira os "Meus" Alunos e, pelo caminho, os alunos dos outros também.
Juro que "quase"consegui alterar uma Escola Pública com que não me identifico por ser terra de ninguém, terra sem alma, portanto, e que tentei fazer mais e, acima de tudo, tentei afincadamente fazer melhor.
Juro que repetia tudo. 
Ao longo da minha vida construí uma reputação à prova de bala. Nascida em Amarante, a leccionar há décadas em Amarante, o meu zelo e o meu profissionalismo continuam a falar por mim junto dos meus alunos e dos familiares dos meus alunos, dos filhos dos juízes, dos filhos dos sapateiros, dos filhos dos professores, dos filhos dos operários da construção civil, dos filhos dos médicos, dos filhos dos comerciantes... que me foram passando dentro da Sala de Aula ao longo de todos estes anos. Abrigo-me neles e no cuidado e carinho que me demonstram, especialmente em contexto de perda gigantesca - a de um Pai Sempre Presente... abrigo-me em quem me importa e nunca saiu de ao pé de mim, nos carinhos demonstrados, nas preocupações sentidas e verbalizadas junto da minha pessoa, na indignação sentida por terceiros que me levam a crer que não, eu não estou louca... quase quase a colocar um ponto final nesta profissão que continuo a amar desalmadamente porque a escolhi em consciència... sendo que podia ter sido outra coisa qualquer...  
Dei o corpo ao manifesto. Pelos Alunos e pela Escola Pública que só entendo e aceito de qualidade máxima.
Já recebi o meu prémio de mérito - um processo disciplinar que se continuará a desenrolar em quadra natalícia... porque eu mereço.

https://anabelapmatias.wixsite.com/historiaemmovimento
https://historia7anabelamagalhaes.blogspot.com/
https://padlet.com/anabelapmatias/hist-ria-aulas-7-ano-escola-b-sica-de-amarante-jc0vfg5txx5o
https://anabelapmatias.blogspot.com/search?q=sala+de+hist%C3%B3ria
https://anabelapmatias.blogspot.com/2014/07/sala-de-historia-contextualizacaoagrade.html
https://anabelapmatias.blogspot.com/search?q=pavilh%C3%A3o+4

E hoje recupero um texto antigo, em tempos partilhado neste blogue, mas que continua actual. 
Chama-se "Educação e Vida"

Hoje posto um vídeo belíssimo com fotografias de um dos fotógrafos que eu mais admiro a nível mundial, e que por diversas vezes já referenciei neste blogue - Gregory Colbert. O texto, em português do Brasil, é sem dúvida muito pertinente ao nível das práticas educativas que precisam, de facto, de novos paradigmas neste nosso século XXI.
Um é a partilha. A partilha do saber, do conhecimento, a partilha das práticas e da experiência, a partilha das emoções. Já falei sobre isto anteriormente e continua a fazer-me confusão a não saída, do que quer que seja, de dentro para fora da sala de aula. Apesar dos riscos envolvidos, eu que o diga que já os senti bem na pele, acredito que a melhoria do ensino passa obrigatoriamente por uma abertura que ainda só desponta aqui e ali, acredito que a melhoria do ensino passa obrigatoriamente por uma partilha generosa, desinteressada e madura que igualmente ainda mal desponta aqui e ali. Da partilha resultará uma enorme evolução profissional. Acredito nisto. Porque se uns fazem bem aqui, outros fazem bem acolá, e é deste contacto com práticas diferenciadas que nasce a inspiração colectiva. Acredito mesmo nisto. E por isso pratico a partilha.
Outro é o não ter medo perante os novos desafios que nos vão sendo colocados, a nós que já temos alguma idade, mas que não podemos estancar no tempo, porque estancar é ter direito ao nosso certificado de óbito precoce em todos os aspectos da vida. Vida profissional incluída. Também acredito nisto. Recuso-me a ser uma professora obsoleta. Mais, recuso-me a ser uma pessoa obsoleta.
O outro é o trabalho colaborativo. Confesso que neste campo as escolas em geral, a minha em particular, não promove este tipo de trabalho. Tanta hora se escoa em horas de Departamento e não há horários para trabalho com os pares, neste caso com o meu grupo de História, o que faz com que cada um trabalhe para si próprio, e para as suas turmas, no mais profundo isolamento. Também não há horários para trabalho entre diferentes departamentos o que faz com que os esforços a este nível sejam isolados, desgarrados e muitas vezes percam eficácia. Eu, pessoalmente, continuo a sentir enormes carências e falhas ao nível das novas tecnologias que vou tentando colmatar, como posso, recorrendo ao meu 112 informático, chamado Helder Barros, que me vai dando uma dicas sobre como fazer isto ou aquilo através do msn, ou mesmo lá na escola quando conseguimos conciliar disponibilidades. Obrigada Helder, obrigada por aturares a melguita! Ou seja, e para concluir, se eu sinto que progrediria muito mais, enquanto profissional e enquanto pessoa, com mais partilha entre nós e mais trabalho colaborativo, outros sentirão o mesmo, não? Aqui fica a pergunta.


Nota - Outras reflexões à volta desta temática da partilha, tão cara para mim, podem ser lidas se clicarem aqui.

domingo, 10 de setembro de 2023

Como Explicar a Falta de Professores em Portugal (Sem Contar Com as Previsíveis Aposentações)


Como Explicar a Falta de Professores em Portugal (Sem Contar Com as Previsíveis Aposentações)

E, políticos e portugueses em geral, não se preocupem com a qualidade da Escola Pública e com a crescente falta de Professores! A carreira está tão mas tão atractiva que anda tudo a contar os anos para a reforma e a saltar para fora dela. Preocupem-se, ao invés, muito, com as greves que já vão começar. Para o ano, garanto-vos, a falta de professores vai piorar como nunca antes se viu em décadas.

Portantos... porreiro, pás!

"Com 50 anos, professora vive num quarto para poder dar aulas Ana Rita já é avó e vive sozinha num quarto alugado na Buraca, na Amadora, a 300 quilómetros de casa. Elisabete Rodrigues desistiu este ano e abandonou a profissão."  

Para ler tudo, clique em Lusa 10 de Setembro de 2023, 8:34

segunda-feira, 8 de maio de 2023

Greve do S.T.O.P. às Provas de Aferição


Greve do S.T.O.P. às Provas de Aferição

O Sindicato de Todos os Profissionais de Educação, ao qual orgulhosamente pertenço, convocou greve a todo o serviço relacionado com as provas de aferição, ou seja, greve às vigilâncias, greve ao secretariado de exames e greve às classificações das referidas provas.

Aqui vos deixo o esclarecimento, espero que cabal, a qualquer dúvida que possam ter sobre esta peculiar greve que, feita como deve ser, não implicará qualquer desconto no vosso/nosso vencimento.

domingo, 21 de março de 2021

Quinzena da Protecção Civil


Quinzena da Protecção Civil

O Webinar já aconteceu mas, felizmente, está agora disponível a sua gravação no Youtube.

A Direção–Geral da Educação, no passado dia 9 de Março, realizou em modo remoto o Webinar “Proteção Civil – Uma responsabilidade de todos”, integrado na Quinzena da Protecção Civil (1 a15).

A iniciativa, agora em vídeo à disposição de todos, foi produzida especialmente para a comunidade educativa, nomeadamente, docentes, alunos, técnicos, encarregados de educação e outros intervenientes. A actividade foi realizada com base na temática de um projecto em curso nas escolas do município do Marco de Canaveses e contou com a participação de elementos do Serviço Municipal de Proteção Civil (SMPC), da Escola Secundária do Marco de Canaveses, do Agrupamento de Escolas N.1 do Marco, e o Centro Escolar de Vila Boa do Bispo, do Agrupamento de Escolas de Alpendorada.

Aqui fica para memória futura.

Excelente trabalho e excelentes intervenções! 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Debate - "Quando as Escolas Fecharam" - Hoje pelas 21 horas


Debate - "Quando as Escolas Fecharam" - Hoje pelas 21 horas

Sei que o debate correu lindamente e que vou gostar de escutar qualquer um dos três. Sei também que muito gostaria de me ter juntado a este maravilhoso painel, todos à distância claro está, não fora ter-me dado mesmo um brutal ataque de nervos... 

Acompanhe clicando aqui.

"Quais são os prós e os contras do fecho das escolas durante o confinamento? E que respostas e desafios enfrentam os professores no ensino a distância? Um debate com Paulo Guinote, autor do livro «Quando as Escolas Fecharam» e os professores José Morgado e Paulo Prudêncio. A moderação é da jornalista Catarina Carvalho."

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Grão da Mesma Mó


Grão da Mesma Mó

Coloquem o som no máximo. Cantem. Dancem. Interiorizem. E é isto. Hoje dou a palavra ao Sérgio Godinho que é também a minha.


"Não sei se estão a ver aqueles dias 

Em que não acontece nada sem ser o que aconteceu e o que não aconteceu 

E do nada há uma luz que se acende 

Não se sabe se vem de fora ou se vem de dentro 

Apareceu  


E dentro da porção da tua vida, é a ti 

Que cabe o não trocar nenhum futuro pelo presente 

O fazer face a face que se teve até ali 

Ausente, presente  


Vê lá o que fazes, há tanto a fazer 

Fazes que fazes ou pões sementes a crescer? 

Precisas de água 

Terra também

Ventos cruzados e o sol e a chuva que os detém 

Vivida a planta 

Refeita a casa 

É o espaço em branco 

Tempo de o escrever e abrir asa 

E a linha funda, na palma da mão 

Desenha o tempo então 

Desenha o tempo então  


Mas há linhas de água que cruzas sem sequer notares 

E oh, estás no deserto 

E talvez no oásis, se o olhares 

E não há mal, e não há bem 

Que não te venha incomodar 

Vale esse valor? 

É para vender ou comprar?  


Mas hoje questões éticas? 

Agora? 

Por favor 

Que te iam prescrever 

A tal receita para a dor 

Vais ter que reciclar 

O muito frio e o muito quente 

Ausente 

Presente  


Vê lá o que fazes, há tanto a fazer 

Fazes que fazes 

Ou pões sementes a crescer? 

E a linha funda, na palma da mão 

Desenha o tempo então 

Desenha o tempo então  


Um curto espaço de tempo 

Vais preenchê-lo 

Com o frio da morte morrida 

Ou o calor da vida vivida? 

Não queiras ser nem um exemplo 

Nem um mau exemplo 

Por si só 

Há dias em que é grão da mesma mó  


E a senha já tirada 

Já tardia do doente 

Dez lugares atrás 

E pouco a pouco à frente 

E cada um falar-te das histórias da sua vida 

Feliz, dorida  

Vê lá o que fazes 

Há tanto a fazer 

Fazes que fazes 

Ou pões sementes a crescer? 

Precisas de água 

Terra também 

Ventos cruzados 

E o sol e a chuva que os detém 

Vivida a planta 

Refeita a casa 

E espaço em branco

Tempo de o escrever e abrir asa 

E a linha funda, na palma da mão 

Desenha o tempo então 

Desenha o tempo então  


E explicaram-te em botânica 

Uma espécie que não muda a flor do fatalismo 

Está feito 

E se até dá jeito alterar 

Só por hoje o amanhã 

Melhor é transfigurar o amanhã com todo o hoje 

E as palavras tornam-se esparsas 

Assumes 

Fazes que disfarças 

Escolhes paixões 

Ciúmes 

Tragédias e farsas 

E faças o que faças 

Por vales e cumes 

Encontras-te a sós, só 

Grão a grão 

Acompanhado e só 

Grão da mesma mó 

Grão da mesma mó 

Grão da mesma mó 

Grão da mesma mó"

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Continuo um Ent

Rasto de Ent em Terras Inóspitas que São Home
Fotografia de Artur Matias de Magalhães
Continuo um Ent

O texto que hoje partilho é maravilhoso e revisitá-lo diz muito da relação que volta e meia estabeleço com os meus alunos, os únicos que me têm segurado todos estes anos na profissão que escolhi e que se veio a tornar coisa de muito difícil digestão em Portugal.

Não é tarefa fãcil ser professora em terra própria e pequena, onde todos se conhecem, e construir uma reputação à prova de bala é ainda mais difícil. Eu, confesso, tenho tentado com unhas e dentes dignificar a profissão que escolhi, não ser uma troca-tintas, ter uma relação muito franca e honesta com os meus miúdos e os seus pais, defender as causas em que acredito... mesmo se, frequentemente, eu nem beneficiarei directamente dessas lutas mas nem me importa, acredito que lutando pelo bem comum poderemos todos beneficiar de um mundo mais limpo e mais asseado. 

Volto à história que aqui me traz. Reencontrei o aluno desta história aqui em Amarante, onde ele já não habita, e entre beijos e abraços, este médico informou-me: - "Professora, entrei na especialidade" ao que eu disparei um imediato - "Está calado. Não me digas em que especialidade entraste porque eu vou adivinhar. Entraste em neuro-cirurgia."

E entrou. Era o que ele me dizia que ia ser quando fosse grande e ainda era pequenino. Foi meu aluno do 7.º ao 9.º ano de escolaridade e partilhou comigo uma das histórias mais belas e complexas sobre a minha pessoa e que correspondem exactamente ao que sou.

Esperto puto! Inteligente puto! 

E eu, agora bem mais velha, passados todos estes anos sobre a escrita deste texto, faço uma repescagem desta história em um dos momentos-chave e mais complexos de toda a minha carreira profissional, o quarto, que eu tenho as indignidades todas numeradas, e que ainda não sei como terminarei, e que está a ter consequências no meu equilíbrio físico e mental que eu tanto prezo.

Uma coisa é certa, Pi Pereira, mais velha, quero aqui e agora assegurar-te, mesmo que agora não leias este texto ou que o descubras um dia, sei lá eu, perdido por aqui por esta net que eu amo:

 - Continuo a deixar rastos de Ent em terras inóspitas que são Home.

DOMINGO, 25 DE MAIO DE 2008

Sou Um Ent


Rasto de Ent em Terras Inóspitas que São Home
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Sou Um Ent!!!

Hoje descobri que se estivesse dentro do mundo criado por Tolkien seria um Ent. E descobri-o em conversa no msn com um dos meus alunos... de seu nome Pi Pereira.
A propósito da próxima visita à ESA de Mia Couto, que se concretizará no próximo dia 13, o Pi falou-me de Tolkien e de todo um mundo criado de raiz que o deixa fascinado e maravilhado pela criatividade do autor, pela capacidade de criação de todo um mundo inexistente, com personagens como os Ents, as Esposentes, os Elfos e os Hobbits. "Um enredo fantástico e fenomenal" para usar as suas palavras.
Vou confessar aqui a minha completa ignorância sobre o que era isto dos Ents. Vai daí perguntei-lhe quem eram esses seres já que ele afirmava que dentro daquela história eu seria um deles. Confesso que não esperava semelhante resposta.
Partilho-a, a seu pedido, identificando o seu autor já que ele não quis saber de anonimatos nem pseudónimos. Partilho a sua visão sobre mim que me deixou deveras comovida e emocionada.
Jamais me compararam a um Ent. Jamais me disseram que eu sou um "pastor de árvores". Partilho esta bela história de múltiplas leituras agradecendo ao Pi o ter-ma contado.

"Pois os Ents existem desde os primórdios e foram criados para serem pastores de árvores", disse-me ele, "para as guiarem, amarem e cuidarem. Os Ents são pastores de árvores que falam com elas e com os animais. Comem os frutos das árvores, bebem a água dos rios, são seres antigos, sábios, amantes da Natureza, extremamente pacientes, bondosos e saudosos. Os Ents são seres fantásticos que adoram dar longos passeios para terras inóspitas. São errantes que vivem sem lar. Às vezes sentam-se num monte e passam semanas somente a respirar e a ouvir o chilrear dos pássaros. São belos e imortais. São muito fortes, mas apesar disso só lutam quando se sentem ameaçados. Em suma são seres absolutamente fabulásticos" - concluiu o Pi.

E à minha pergunta curiosa "Pi, a tua mãe é um Ent?" obtive a resposta que eu já esperava "É a rainha deles!"

Vai daí fiz hoje duas importantes descobertas. Descobri que para o Pi Pereira sou um Ent. E descobri que tenho uma rainha, o que nestas circunstâncias é muito saboroso, rainha essa que vai gostar de ler esta história porque a desconhece, tal como eu a desconhecia até me ter sido contada. Ora a "minha rainha" curiosamente, ou talvez não!, é, como eu, um Escorpião.

Resta-me acrescentar que o Pi Pereira, dentro desta história, seria um Elfo, sendo que os Elfos são seres fantásticos, precisos, belos, sábios, moderados, perspicazes e instintivos.

Lembrar-me-ei para sempre que para o Pi Pereira sou um Ent. E que isso constitui para mim uma responsabilidade acrescida. Espero, pois, conseguir manter-me assim, um "pastor de árvores", pelo resto dos meus dias e que daqui a muitos anos eu continue a ser um deles para o Pi Pereira. E já agora, para todos os outros também.
Texto retirado daqui.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

 
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