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quinta-feira, 4 de julho de 2024

Mais do Mesmo - Professores, Polícias... Onde É que Eu Já Vi Isto?

Mais do Mesmo - Professores. Polícias...Onde É que Eu Já Vi Isto?

Por acaso a ver o directo que me chega via TV da Assembleia da República, lembrei-me desta longínqua cena passada em 2013 e que foi relatada neste blogue.

Muitos de nós, Professores que lutavam contra a vergonhosa PACC, de notar que eu já estava vinculada e nem tinha nada a ver directamente com o assunto, chegados de todas as partes do país, penamos e voltamos a penar com uma entrada mais do que lentíssima na Assembleia da República, Casa da Democracia, que foi notícia à época. 

Hoje, mais de dez anos passados, volta a ser notícia a demora da entrada mas desta vez de pessoas ligadas à segurança do país... o que é ainda mais preocupante. Mais preocupante também "ver" o silêncio das pessoas perante os microfones dos repórteres. Mais preocupante também a degradação de tudo o que se passa dentro do hemiciclo.

SEXTA-FEIRA, 6 DE DEZEMBRO DE 2013

Balanço de Uma Jornada de Luta

5 de Dezembro de 2013 - Assembleia da República - Lisboa
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães
 
Balanço de Uma Jornada de Luta

A chegada à Assembleia fez-se cedo, já que o almoço foi passado em claro e em claro ficou todo o dia. Que se lixe! Temos todos os outros dias para almoçar!
No espaço exterior esperava-nos um fortíssimo contingente policial, talvez à espera dos perigosos extremistas que chegavam de todo o país, de Norte a Sul, parabéns aos que enfrentaram uma longa viagem com procedência de Bragança! Há gente que luta e volta a lutar, sem desistir, sem vacilar, sem baixar os braços e é no meio destes que eu quero andar. Abomino cada vez mais os moinas e os traidores, os apáticos e os alheados, os que não mexem uma palha por coisa nenhuma na defesa de uma ideia, de um princípio, de um valor.
A fila, feita por quem queria entrar na Assembleia para assistir à discussão parlamentar sobre a PACC e outros assuntos de Educação, foi-se enchendo e enchendo e enchendo até ser uma coisa monumental.
O boicote de que fomos alvo, ontem, na entrada da Assembleia da República foi verdadeiramente vergonhoso. Nós, que tivemos o "privilégio de entrar depois de nos sujeitarmos a um processo de fiscalização e controlo demoradíssimo, em que até tivemos de dar o nome do pai e da mãe para registo, tivemos o desprazer de observar as galerias quase vazias, as superiores inteiramente vazias, quando centenas de professores desesperavam cá fora para entrar na "Casa do Povo", na Casa Deles, portanto!, que parece agora tomada por gente arrogante que se movimenta como sendo dona da pocilga em que parecem apostados em transformar o país.
Nós, que tivemos o "privilégio" de entrar, tivemos o desprazer de assistir a uma discussão surreal: o pê esse dê, que votou contra esta mesma prova quando estava na oposição ao tempo em que os socratinos desgovernavam o país e pariram o aborto, agora defende-a com unhas e dentes, socorrendo-se da muleta fornecida pela vergonhosa FNE; quanto ao pê esse, que a engendrou e pariu, e o que está mal aqui é o miolo da coisa e não os seus adereços, agora "defende com unhas e dentes" os professores e está contra a prova agora implementada.
Confuso? Sim, para quem não souber que lidamos com gente pouco escrupulosa, que se comporta de acordo com as suas conveniências e os interesses do partido que ali representa não representando povo algum.

Vergonha, foi o que eu senti ontem, assistindo ao nível do debate e ao nível da argumentação ali esgrimida. E não esquecerei, pê esse, que este caminho de desrespeito e de afrontamento a toda uma classe docente começou convosco, sendo agora aprofundado pelos cratinos pê esse dê no poder.
Espero que os professores não tenham memória curta.
Eu não tenho, garanto-vos! A luta continua!

sexta-feira, 16 de junho de 2023

A Intimidação Não Passará - A Luta por um País Onde Se Possa Respirar, Continua! Sem tréguas!

   
A Intimidação Não Passará - A Luta por um País Onde Se Possa Respirar, Continua! Sem tréguas!

Agência Lusa - CNN

"Branca Dias deu exemplos do que mudou no seu trabalho desde que passou a delegada sindical: “Se há um pequeno atraso porque vou à reprografia, marcam-me logo uma falta; sempre que faço greve, sou chamada à direção e gritam comigo; ameaçam mexer na minha matriz [curricular] para me tirarem carga horária se eu não conseguir cumprir as aprendizagens essenciais”.  

O coordenador nacional do Stop acrescentou que os responsáveis da escola “destratam [a professora] à frente de colegas e encarregados de educação, o que não acontecia antes de dezembro”, quando a docente passou a ser delegada sindical.  

André Pestana garantiu, contudo, que o caso de Branca Dias é apenas um entre vários que lhe são comunicados a partir “de todo o país”, mediante denúncias de “colegas que são intimidados para não aderirem às ações de luta do sindicato”.  

É o que está a acontecer na Escola EB 2/3 Teixeira Pascoaes, de Amarante, assim como na Escola Secundária Fonseca Benavides, de Lisboa, e na Escola Aver-o-Mar, da Póvoa de Varzim, diz André Pestana, sublinhando estar apenas a “citar as situações que os professores que lá representam o sindicato autorizam ser referidas”

sábado, 15 de outubro de 2022

Da Qualidade/Sensibilidade das Estruturas Intermédias Perante o "Capital" Humano Subalterno

Sala de História - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães e Cristina

Da Qualidade/Sensibilidade das Estruturas Intermédias Perante o "Capital" Humano Subalterno

Depois de um longo período de baixa médica, absolutamente necessário para recolocar a minha moleirinha nos carris, onde ela esteve desde sempre até me falhar, voltei finalmente ao trabalho e à escola, agora apenas de nome mudado para Agrupamento de Escolas Teixeira de Pascoaes. Olhai a responsabilidade do carrego de um nome absolutamente ímpar na cultura mundial, nacional e local, que o meu pai conheceu muito bem pelo nome de dr. Joaquim...

Confesso que necessitei deste afastamento não pelos meus alunos à época, muito menos pelos que já me apresentam, carinhosamente, os seus filhos, muito menos pelos alunos que tenho agora dentro das salas de aula que percorro todos os dias dentro de um mesmo pavilhão. Necessitei deste afastamento por razões pessoais, que se relacionam com perdas familiares muito duras de aceitar... mas que também resultam de uma acumulação e de uma saturação face a sacanices variadas e de gravidades muito diversas vindas de gente adulta que devia talvez voltar à meninice e refazer o seu Ser. 

Arrumado o andar de cima, voltei à "minha" sala de aula, mesmo se agora ando de sala em sala, de catacumba em catacumba, sem nunca colocar os pés na sala que fui construindo ao longo dos anos apoiada pelos meus alunos. 

A história da Sala de História dava um filme que deveria ser tranquilo, pacífico e tranquilizador tal e qual ela se apresenta a alunos e professores que por lá passam e me fazem questão de o referir deixando o meu coração pacificado, apesar de tudo. Alterar, mudar para melhor o "espaço" em que habito, arrastar gente para esta paixão, faz parte integrante de mim e é faceta minha que jamais descurarei.  

Fico até comovida por saber que a Sala de História é usualmente a escolhida entre todas as salas da escola para receber alunos e professores que aqui se deslocam em Programas de Erasmus e afins por ser uma das salas mais agradáveis de toda a Escola.

Fico até comovida sempre que alunos vêm ter comigo e me propõem fazer com outras salas de aula o que fizemos - eu e os meus alunos - com esta específica sala, como ainda aconteceu durante esta  semana que agora finda.

Vai daí, no meu regresso à minha escola de sempre, e após baixa psiquiátrica, registo que tenho no meu horário, durante todo o 1º semestre, zero aulas na Sala de História e apenas uma no 2º semestre, sala que pintei, embelezei e acarinhei com estas minhas irrequietas mãos em resultado de ter a funcionar os meus irrequietos neurónios e que, com a ajuda de outras mãos, a alteraram, facto que é representativo do cuidado, sensibilidade e apreço perante uma trabalhadora que, como afirma frequentemente o meu irmão, ainda vai ser despedida da função pública por trabalhar tanto. Vá lá que está a contribuir para a felicidade de outros...

E pronto. E é isto. E eu estou feliz... agora que voltei a ser quem era, talvez até mais acutilante e assertiva que nunca. 

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Previsões de Uma Reles Professora

Imagem retirada daqui.

Previsões de Uma Reles Professora 

A reabertura das escolas portuguesas, numa fase de crescimento exponencial da pandemia, sem se ensaiar sequer uma reabertura faseada, ensaiando assim as possíveis e previsíveis consequências, sem qualquer testagem a toda a população escolar, apanhando assim precocemente os assintomáticos antes de os lançar para dentro dos portões das escolas, sem se acautelarem todas as medidas de distanciamento social, e restantes, que de resto os peritos na matéria aconselham, dentro dos estabelecimentos escolares, vai dar m€%&@.

E não adianta as reportagens andarem a passar imagens de salas de aula fofinhas e xpto, que são a excepção neste país e não são a regra.

Sim, há já reportagens a começarem a aparecer que parecem furar o bloqueio psicológico, encantamento... sei lá eu, de um país que se quer mostrar como acautelado e controlado quando esse país não corresponde minimamente à realidade.

Mas o SARS-CoV2 é real. E fará sempre o caminho que nós lhe abrirmos para fazer.

Daqui a oito dias falaremos dos números.

Daqui a quinze dias voltaremos ao mesmo. 

Ontem foram mais de setecentos, para ser mais exacta, ontem foram confirmados mais setecentos e setenta casos neste país.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Praia Jurássica de São Bento - Porto de Mós

Praia Jurássica - Porto de Mós
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Praia Jurássica de São Bento - Porto de Mós

A praia, Jazida de Equinodermes do Cabeço da Ladeira, do Jurássico, situada na Serra de Aire e Candeeiros, com uma datação aproximada de 170 milhões de anos, é uma raridade a nível mundial e parece que só tem paralelo numa outra encontrada na Suíça.
Não é muito fácil chegar até ela uma vez que, depois da primeira tabuleta encontrada, que indica a direcção da preciosidade, não voltamos a ver outra nem mesmo quando não era nada óbvia a direcção a seguir. Mas enfim, lá conseguimos chegar ao sítio, às apalpadelas. E o sítio revelou-se escandaloso pelo aparente (?) abandono a que está votado... não imagino desde quando.
A praia foi descoberta em 2003, muito embora tenha sido mais amplamente divulgada a sua existência apenas uma década depois. Não sei o que correu mal, entretanto, para a praia estar, aparentemente(?), literalmente (?) abandonada.
Existe de facto uma tabuleta, com indicações fotografias(?) e explicações mas que já conheceu muito melhores dias e que, com a incidência solar, se tornam quase ilegíveis e a praia, o fundo marinho, que pertenceu a um mar interior de baixa profundidade, situado, à época, perto do Equador, está já com ervas a crescer desenfreadas lá pelo meio. Quanto à protecção e vigilância, que seria suposto existir num local desta importância e raridade a nível mundial... confesso que não vi sinais de nada de nada - com efeito a praia está exposta à erosão, ao vento, à chuva, à geada, à neve, ao sol escaldante e às baixas temperaturas e a amplitudes térmicas que serão, seguramente, medonhas para o espólio em causa, para além do mais, de uma beleza muito rara. E, como se não bastasse, e para além deste problema, que já não é pequeno, a praia está para ali, abandonada (?), à mercê de actos de vandalismo.
A sério, não entendo isto.

Ou estaremos perante simples réplicas?!

Nota - Tanto quanto consegui apurar, alguns fósseis foram de facto retirados para estudo aprofundado, não sei se dois, se alguns mais, mas, no essencial, a praia jurássica mantém-se original.



Pode ler mais sobre esta praia, clicando sobre as hiperligações a vermelho.

https://zap.aeiou.pt/projeto-para-praia-jurassica-de-porto-de-mos-pronto-este-ano-32290

https://nationalgeographic.sapo.pt/historia/grandes-reportagens/287-uma-praia-jurassica-out2014

https://www.publico.pt/2014/01/17/local/noticia/autarquia-exige-contrapartidas-por-retirada-de-fosseis-em-porto-de-mos-1620037

https://www.municipio-portodemos.pt/pages/1291?news_id=279

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Escola Secundária de Felgueiras


Escola Secundária de Felgueiras

Apresento-vos uma Escola que não é a minha. Apresento-vos uma Escola onde não tenho a honra de trabalhar. E que, do ponto de vista das instalações, mete a minha num chinelo em três tempos. Sei-a exemplar. E, por isso, a partilho hoje. Relembrando que esta é uma situação injusta, com escolas de primeira e escolas de terceira num mesmo país. Relembrando ao ministério da Educação que deve, com urgência, colmatar estes desequilíbrios. Para que exista um mínimo de equidade, em termos de infraestruturas, na Escola Pública.

Além do mais esta escola tem uma particularidade. Fundada no mesmo dia e ano em que foi fundada a Escola Secundária de Amarante, comemorou 40 anos de existência enquanto a ESA já comemorou o seu cinquentenário.
E esta?!


sábado, 13 de agosto de 2016

Portugal - Incêndios e Eucaliptos - Uma Equação

Incêndios - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Portugal - Incêndios e Eucaliptos - Uma Equação

Sem comentários. Apenas a recomendação para que os meus leitores vejam um programa antigo. E, já agora, ouçam. E pensem. E exijam acções concretas, como eles dizem, no teatro das operações.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Do Envelhecimento dos Professores


Do Envelhecimento dos Professores

As políticas laborais seguidas pelos últimos governos, da direita à esquerda passando também pelo centro, no sector da Educação, trouxeram-nos aqui, ao local onde nos encontramos hoje e do qual foi captada uma fotografia de uma paisagem que só nos pode envergonhar enquanto país e que deve deixar preocupados todos os portugueses, independentemente de terem filhos a estudar ou não.
Acho que todos os professores que escrevem sobre assuntos relacionados com a Educação já chamaram a atenção para este gravíssimo problema que um dia destes, lá mais para a frente, rebentará nas mãos de um qualquer governo, de um qualquer ministro... logo se verá... por agora empurremos o problema com a barriga para um futuro que estará mais próximo do que muitos julgam, por agora empurremos o problema para a frente, pensarão, por certo, os nossos governantes, todos eles, independentemente do credo professado... que até pode ser que a batata quente estoure nas mãos dos "outros", daqueles que não têm a "nossa" cor política.
As salas de professores estão mais envelhecidas do que nunca e nunca antes assim estiveram. Esta afirmação, não é uma opinião, é um facto. Porque cada sala de professores neste país revela uma tendência e esta tendência já foi observada por todos quantos as habitam - a maioria dos professores já passou os cinquenta anos, existem professores no activo com mais de sessenta, na faixa dos quarenta já são bem menos... na faixa dos trinta são... um  fenómeno!
Quando comecei a leccionar, com vinte e poucos anos, à escola onde fui colocada chegaram outros e outras da minha faixa etária dando cumprimento a um processo de passagem de testemunho relativamente a outros que se iam aposentando que era absolutamente normal.
Em 2015 escrevi que a passagem de testemunho suave e natural, que já foi habitual um dia, não está a ser feita numa escala compatível com o que seria desejável e normal, porque há um fosso, um hiato, criado artificialmente pelo poder político que travou as saídas de professores o mais das vezes esgotados, muitas vezes demasiado exaustos e impediu o mais possível as entradas de sangue novo, gente com o sangue na guelra, disposta a agitar as instituições e tirá-las, se possível, de alguma letargia existente que se acentuará, por certo, à medida que todo um corpo docente envelhece.
Há gente no activo que acumula bem mais do que 40 anos de serviço... parece-vos justo?
E sendo que nós somos a frente que liga passado ao futuro, sendo que nós somos a profissão com mais responsabilidade relativamente à passagem de testemunho do que já é passado mas também ao despoletar da inovação, ao estimulo da criatividade, do movimento constante em direcção ao futuro, parece-vos decente que se mantenha um corpo docente que enferma do mal do envelhecimento físico... e, quantas vezes!, do envelhecimento mental?E escrevi já em 2016: Ora, deste facto, decorre que a passagem de testemunho, que antes se fazia de uma forma natural e não sobressaltada, é/será feita agora de forma abrupta e solavancada para não dizer mesmo à martelada. Por outro lado a plasticidade, a dinâmica e a capacidade de adaptação, até mesmo o optimismo, de um corpo docente envelhecido não são os mesmos se a média etária desta classe profissional se situa pelos 30, pelos 40 ou pelos 50... um dia destes rondará os 60 anos em Portugal se os políticos que nos governam não tomarem medidas drásticas que possibilitem o rejuvenescimento desta classe que lida, no seu dia-a-dia, paradoxalmente, com os mais jovens, ou seja, que lida com o futuro da Nação. E depois, quem chega é suposto trazer novas visões e estratégias e se quem chega vai trazendo mais do mesmo... pois, estamos conversados.
Acrescento que também não me parece ser perspectiva muito agradável, do ponto de vista dos alunos, verem chegar, sistematicamente, às suas salas de aula, professores com idade suficiente para serem seus avós. E acrescento ainda que também para mim não é perspectiva minimamente atractiva poder pensar numa situação futura em que chego à sala de aula e escuto uns ecos de "Lá vem mais uma velha!"

Hoje volto a insistir, a propósito de uma notícia saída ontem na imprensa portuguesa, neste que é um problema gravíssimo que afecta as escolas portuguesas.

E quando milhares e milhares e milhares de professores portugueses chegarem à idade da reforma... haverá contingente para os substituir? Não terão desistido já, de esperar por um lugar que parece não levar a lado nenhum, todos os aspirantes a professores deste país?

Não chegam a 500 os professores com menos de 30 anos no ensino público

domingo, 24 de julho de 2016

A Propósito das Touradas e do Seu Financiamento - Vergonha


A Propósito das Touradas e do seu Financiamento - Vergonha

Sejamos claros. Muitas pessoas comem animais e dão-se muito bem com tal costume. Aliás, a Humanidade pulou e avançou à conta deste consumo iniciado pelos hominídeos que primeiro introduziram pequenos animais na sua alimentação e depois animais de grande porte como mamutes e afins. Muitos milhões de anos passaram entretanto sobre esses tempos remotos que ficaram por certo gravados no nosso ADN colectivo e que não nos afastaram completamente do prazer da caça, da perseguição e da luta... mesmo se hoje em dia normalmente tão desequilibrada entre peça de caça e caçador.
Confesso que não sou fundamentalista nesta coisa do consumo de animais e gosto mesmo da carne de frango, de cabrito, de leitão, de codorniz, de javali, de boi, de cavalo e até de dromedário e eu sei lá mais o quê que já me foi dado a provar nas minhas andanças pelo mundo. E também gosto de peixe, acho que de todo... e adoro mesmo aquele camarão pequenino chamado da costa. Espero, como é óbvio, que na hora de matar qualquer animal que vai ser consumido pelo homem, este não tenha comportamentos sádicos e inflija sofrimento desnecessário aos desgraçados dos bichos que acabarão no meu prato. Quem diz no meu, diz também no vosso, gente que integra esta bicheza na sua dieta alimentar. Mas isto é uma coisa completamente distinta daquilo que se passa nas touradas e diria mesmo que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.
O espectáculo a que chamam tourada é tão nojento quanto qualquer outro espectáculo em que se inflige sofrimento propositado a um animal para gáudio de uma multidão, como chamar-lhe... insensível?... retrógrada?... bárbara?... talvez sedenta de sangue?
E que esse espectáculo nojento e bárbaro, onde se pratica uma violência gratuita sobre um animal, seja financiado com o dinheiro que é nosso, com dinheiros públicos, com o dinheiro de cada português contribuinte é, no mínimo, um asco de atitude de que todo o político se deveria afastar, deveria saber evitar e da qual deveria fugir a sete pés. E... no entanto... o projecto de lei que pretendia pôr cobro ao financiamento público das touradas não passou na nossa Assembleia da República, no dia 20 de julho de 2016. Sim, leu bem, não estamos algures no império romano no ano 16 e sim, é certo, já passaram dois mil anos sobre esse ano, muita água passou igualmente sob os arcos da Pont du Gard... e sim, já tivemos tempo para nos tornarmos mais humanos e menos asquerosos.
Bem sei, a coisa mexe com muitos interesses instalados, mexe com verbas obscenas que interessa manter a circular e vai daí há que não afrontar a coisa.
Assim, foi ver deputados do PCP, do PS, do PSD e do CDS a chumbarem um projecto lei mais do que justo, diria até maduro de Humanidade. Para todos eles, sem excepção, para todos quantos votaram contra - e bem sei que alguns deputados do PS votaram a favor do projecto lei -, argumentando com a tradição, os interesses económicos, os interesses turísticos e eu sei lá mais o quê, o meu maior e veemente vómito.

Assim, sem mais.

Parlamento chumba projetos de lei para acabar com financiamento público das touradas

Parlamento chumba proibição de menores nas touradas

E de sinal contrário.

Europa aprova fim dos subsídios para as touradas


terça-feira, 12 de julho de 2016

Ainda Sobre a Bola e os Portugueses


Ainda Sobre a Bola e os Portugueses

Hoje abri um jornal diário, no caso o JN e constatei que meio jornal, e não estou a exagerar, foi dedicado ao feito alcançado pela selecção portuguesa de futebol que é agora a melhor da Europa, conquistado que foi o título de Campeão Europeu de Futebol, com a vitória na final contra a França.
E lembrei-me de um país que, muito bem, saiu à rua eufórico e encheu praças e ruas e avenidas e esplanadas e vibrou e sofreu e vitoriou uma equipa de futebol que, pela primeira vez na sua história, conquistou o título de campeã de futebol da Europa.
E lembrei-me dos noticiários quase integralmente preenchidos com o futebol para cima e para baixo, o que comeram os jogadores, o que treinaram, o que passearam, o que vestiram os jogadores, o que comeram... acho que até quantos arrotos deram cada jogador... que exagero!... e foi ainda tempo de me lembrar que desejava um país mais equilibrado e ainda mais grandioso. Porque se os portugueses acompanhassem o que se passa na vida política, económica e financeira e mesmo educativa e cultural com o mesmo sentido de pertença com que acompanham o que se passa no futebol... e se saíssem assim à rua para lutar contra quem os deixa a pão e água para alimentar meia dúzia de falcatrueiros...  pois é isso... outro galo nos cantaria, mais afinado, aqui neste rectângulo à beira mar plantado.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

O que Dizem os "Pulhíticos"


O que Dizem os "Pulhíticos"

A coisa raia a maluqueira e acredito mesmo que seja uma qualquer manifestação com contornos patológicos. Porque as sanções por défice excessivo, a existirem, recairão sobre o exercício de 2015, estava em funções...  isso mesmo!... ela mesma! Maria Luís Albuquerque, ministra das finanças que hoje afirma, com uma lata planetária, que, se ainda fosse ministra, Portugal não teria sanções.

E uma pessoa qualquer, com apenas um neurónio, lê e nem acredita...

Maria Luís: "Se eu fosse ministra", Portugal não sofreria sanções

É caso para dizer - Maria Luís, olé! - Maria Luís, olé!

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Novas do Largo Muito Mais do que Medonho

Antigo Largo de S. Pedro - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Novas do Largo Muito Mais do que Medonho

Já é um folhetim local e, se há gente que acha que eu sou insistente em demasia num assunto que já foi quase escalpelizado, outra há que sente a falta das minhas postagens diárias da novela "Uma fotografia por dia, não sabe o mal que lhe faria".
Hoje não me vou alongar. Quero apenas informar os meus leitores que o Largo Agora Muito Mais do que Medonho... meteu água.

Ahhh... e Christo passou por aqui? Se passou... please please please... não desembrulhem os bancos!
E atenção! Isto não é uma piada política.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

O Envelhecimento dos Professores


O Envelhecimento dos Professores

Se nada for feito para contrariar a tendência, um dia destes o problema vai estourar com enorme estrondo e estardalhaço na cara dos nossos governantes. E, por arrasto, na de nós todos.
E vai ser dramático.

No concurso de professores só há 13 candidatos com 22 anos de idade

sábado, 11 de junho de 2016

O Tempo dos Profes


O Tempo dos Profes

Quando eu era estudante, os professores preparavam e leccionavam as suas aulas, elaboravam os seus testes e corrigiam-nos, faziam reuniões gerais, de grupo, de avaliação e elaboravam as respectivas actas, faziam vigilâncias a exames, corrigiam-nos, e eram pagos por isso, exerciam cargos de direcção de turma, de delegados de disciplina, alguns poucos exerciam funções na direcção da escola que era eleita mesmo democraticamente, ou seja, sem qualquer interferência partidária... e ponto final.
Quando deixei de ser estudante e passei a assumir a condição de professora, em meados dos anos oitenta, no final do meu primeiro ano de actividade docente fui surpreendida com uma ordem que, à época, considerei bizarra - tinha de tratar das matrículas dos alunos de uma qualquer turma.
Refilona, ainda esbocei um protesto - Mas a que propósito é que são os professores a tratar de um assunto meramente administrativo se nas escolas existe pessoal administrativo que recebeu formação adequada para as funções?
Tenho a dizer-vos que o refilanço não serviu de coisa nenhuma e lá matriculei os jovens, eu e todos os outros professores destacados para o efeito, à módica quantia de dois por turma.
Este episódio que agora partilho foi só o começo de uma longa jornada que ainda hoje continua, em que a burrocracia se agigantou e em que as funções de um professor passaram a ser tudo e mais alguma coisa numa acumulação de funções que chega a raiar a obscenidade.
O tempo dos profes foi sendo sequestrado a mando de diferentes governos, a mando de diferentes ministros da educação que foram passando pelas instalações da 5 de Outubro até se tornar aquilo que é hoje, um tempo que às vezes mais parece de doidos. Este sequestro do tempo do professores foi nitidamente agravado com a passagem daquela ministra que eu continuo a não nomear neste blogue e tal como existe um tempo antes de Cristo e um tempo depois de Cristo também existe um tempo antes dela e depois dela... mas pelas piores razões.
Todos os bloggers portugueses que escrevem sobre Educação já reflectiram sobre esta temática e trataram este tema inúmeras vezes nestes últimos anos. Um dia destes o CNE constatou uma evidência que nos atormenta todos e que nos atormenta todos os dias das nossas vidas de profes - falta-nos tempo para o essencial - os alunos.
Quem nos acode?

O tempo dos professores deve ser ocupado no processo de ensino e não em burocracias

terça-feira, 24 de maio de 2016

A Palavra a Daniel Oliveira


A Palavra a Daniel Oliveira

Que eu subscrevo por inteiro.

Daniel Oliveira
52 min
O Colégio Didálvi é um dos que não vão abrir novas turmas em início de ciclo subsidiadas pelos contribuintes por ter oferta pública perto. Para o Estado, será uma poupança de uns milhões. Muitos dos seus alunos irão à manifestação e os pais explicarão as enormes dificuldades que a escola vai viver. A exibição de luxo neste vídeo de apresentação (que não quer dizer qualidade de ensino, apesar de ser apelativo dar aos filhos a sensação de riqueza) contrasta com o estado de muitas escolas públicas, como o Camões, um excelente liceu a cair aos bocados por falta de financiamento. O proprietário e director da escola, João Alvarenga (que tem direito a busto à entrada e a um invejável culto da personalidade) foi, até há poucos meses, presidente da Associação de Estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo (organização que lidera os protestos) e é o actual presidente da Confederação Nacional da Educação e Formação, que, com a Associação Escolas Profissionais, é um grupo de pressão para a subsidiação pública das escolas privadas (nome de código: "liberdade de escolha"). Dizia João Alvarenga na SIC Notícias, quando foram distribuídos computadores Magalhães em escolas públicas: “Não é despejando dinheiro sobre o sistema, não é despejando computadores sobre o sistema que se vai fazer com que ele funcione.” Em princípio, concordo com a afirmação genérica. O dinheiro não chega e é por isso que as imagens deste vídeo não me impressionam. Mas depois explicava, claro está, que em vez de “despejar dinheiro” na escola o importante era garantir a "liberdade de escolha". Traduzido: em vez de dar condições à escola pública era preciso subsidiar a dele, para que a dele tivesse computadores e a pública ficasse com a ardósia. Penso que é altura de fazer um favor ao “Dr. João Alvarenga” e não despejar mais dinheiro nos seus campos de golfe e de ténis. Talvez voltar ao básico: ter escolas públicas decentes, inteiras e com professores motivados. Discutir como a podemos melhorar - e há muito para melhorar. Resolver os problemas das escolas que são de todos e para todos e deixar os doutores alvarengas deste país tratarem, com o seu dinheiro, dos seus negócios. Se João Alvarenga está preocupado com a liberdade de escolha, talvez se reduzir o luxo desnecessário dê para, como se fazem em algumas escolas, garantir bolsas de estudo com ensino gratuito para alunos mais pobres. Isso sim, era de valor. O resto é o que conhecemos há muito neste país. Das PPP às rendas da EDP. Voltarei a este caso em texto mais completo.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Uma Fotografia Por Dia, Nem Sabe o Mal Que Lhe Fazia

O Largo Medonho - São Pedro - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Uma Fotografia Por Dia, Nem Sabe o Mal Que Lhe Fazia

Asseguro-vos que vou fotografar este Largo Medonho pelo menos uma vez ao dia. Para vos dar conta do andamento da medonhice, a cada dia pior, porque a obra vai sendo aprimorada com mais este ou aquele arrebique a cada hora que passa e eu não vos quero privar da evolução a coisa. Gramo com ela, com a Praça Medonha, várias vezes ao dia, nas minhas deslocações para baixo  para cima, na cidade. Hoje partilho não uma mas duas fotografias, uma na vertical e outra na horizontal, que ficarão como testemunho da falta de respeito pelo património público e da destruição de uma praça... pelo poder político actualmente a dirigir a autarquia?
Estes são os símbolos religiosos que pertencem a São Pedro e que, transpostos que foram para um pavimento profano, sujeitam-se a receber merda de cão a torto e a direito tal e qual como esta rua onde habito. Não sendo católica, confesso-me espantada com semelhante falta de respeito e de dignidade. E por hoje, tenho dito.
Amanhã há mais. Porque Uma Fotografia Por Dia, Nem Sabe o Mal Que Lhe Fazia.
E então se forem duas... nem se fala!

Nota - As chaves de São Pedro também se podem agora chamar de Plano Inclinado. Porque estão inclinadas. Para a rua. Para escoarem as águas. Das chuvas, digo eu.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

TAP - Objecto Voador Não Identificado


TAP - Objecto Voador Não Identificado

É caso para dizer "Quem vai à guerra, dá e leva." E para perguntar "De braços abertos para quem?"
A TAP primeiro deu, agora levou. E levou estalada forte com luvas de pelica.
Bravo, Rui Moreira!

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Dia dos Namorados - Violência no Namoro


Dia dos Namorados/Dia Europeu da Disfunção Eréctil - Violência no Namoro

Parece que hoje é Dia de São Valentim, ou seja, hoje é o Dia dos Namorados por excelência.
Confesso que, vinda de um tempo mais espartano, em que só se comemorava o Dia da Mãe e o Dia do Pai, este leque infindável de dias para tudo e para mais alguma coisa não me diz nada e não sinto que os deva comemorar com programas xpto, sexys quem sabe, apimentados talvez, com data marcada e imposta pelo calendário que me levem até a partilhar corações vermelhos entrelaçados, frases meladas, pares de namorados em beijos mais ou menos profundos, olhares mais ou menos arrepiantes e transtornados perante o outro ou a outra amado(a).
Hoje é também o Dia Europeu da Disfunção Eréctil... não sei se propositadamente marcado para ser coincidente com o Dia de São Valentim... menos falado, menos atractivo, menos comercial, por certo.
Mas vou avançar para o que me interessa focar, hoje, em dia tão tão meloso, e que é a violência no namoro, que se agiganta? entre os mais jovens. E, pergunto eu, está a crescer ou estamos apenas mais atentos e temos mais informação sobre este problema gravíssimo que afecta todas as classes sociais, todas as faixas etárias, de fio a pavio?
Numa notícia saída no passado dia 12, no Expresso, dava-se conta que "Quase um terço dos rapazes acha legítima a violência sexual no namoro".
E outra, de ontem, rezava assim "Violência no namoro aumentou 44 por cento em 2015"

E pronto. Hoje queria só deixar estes sublinhados, estes alertas, sem grandes considerações. A não ser uma certeza: é que quem te ama, não te agride. E desculpem lá qualquer coisinha...

Ouviram, meninas e meninos?





Ver página da APAV no facebook clicando aqui. Obrigada pela lembrança, Lara Torres da Costa!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Vergonha - Educação - Portugal no Seu Pior


Vergonha - Educação - Portugal no Seu Pior

As conclusões agora apresentadas por este estudo não me espantam. Só quem nunca teve turmas de CEF, agora de Vocacional, entretanto já descontinuados, é que pode estar alheado desta realidade... e, mesmo assim, só se andou/anda muito distraído. De facto, estas turmas foram sendo constituídas com os alunos mais problemáticos e carenciados, a todos os níveis, emocional incluído, existentes numa determinada escola e a acumularem retenções nos seus percursos escolares. Claro que existiram sempre honrosas excepções de miúdos e miúdas que, com carências económicas, tinham uma retaguarda minimamente segura e firme apesar das dificuldades. Mas, a maioria, não a tinha, de facto. Foram sempre turmas difíceis. Incomparavelmente mais difíceis do que as turmas do ensino regular. Tive-as por mais de uma década, acumulando sempre uma direcção de turma de uma destas turmas, digamos, muito desafiantes e, fruto desta experiência acumulada no terreno, sei bem do que estou a falar.
Posto isto, a grande conclusão que  é possível tirar face a este estudo é que a Escola Pública Portuguesa está a falhar enquanto promotora e possibilitadora da desejável mobilidade/ascensão social.
Mas será que era possível fazer mais e melhor com a escassez de meios que são alocados a esta mesma Escola Pública? Será que era possível fazer mais e melhor sem uma intervenção/acompanhamento precoces das famílias desde a concepção da criança e depois desde o nascimento da criança? Muitas vezes paridas depois de gestações mal acompanhadas, depois mal nutridas, mal cuidadas, sem acesso aos cuidados básicos, criadas ao deus dará, sem os estímulos nas horas certas, sem os afagos e os aconchegos para que o crescimento se faça de forma harmoniosa, sem rastreios adequados, sem doenças diagnosticadas na hora certa... como é que a Escola Pública consegue fazer ultrapassar, pelo menos minorar, estas lacunas tão graves?
Será que esta é a situação para a qual andaram a trabalhar os anteriores ministros das Finanças? E os anteriores ministros da Educação? Especialmente Nuno Crato?
Aqui ficam as perguntas. Propositadamente sem respostas.

Nove em cada 10 alunos que Chumbam são de famílias mais carenciadas

Nota - Este post foi inicialmente publicado no blogue ComRegras.

Portugal Miserável


Portugal Miserável

Confirmo a miséria abominável de tão mesquinha e pequenina. A mim, andaram a descer-me as notas para que a soma delas não desse excelente. E não foi por causa das quotas. Foi por combinação mesmo. E por acharem que esta fotografia não ficaria registada para todo o sempre como uma nódoa.

Ter mérito no trabalho conta muito pouco em Portugal

 
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