Teatro Romano - Mérida - Estremadura Espanhola
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães
O Guadiana Encanado - Estremadura Espanhola
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães
Mosteiro da Virgem de Guadalupe - Guadalupe - Espanha
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães
Trujillo - Estremadura Espanhola - Espanha
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães
Reencontro com a História - Dia Dois
Nesta época do ano, por Espanha, as visitas ao ar livre a centros históricos, monumentos, o que seja, devem ser feitas logo pela manhã, aproveitando a fresca possível, já que grande parte do território espanhol é fustigado por altas temperaturas durante todo o Verão. Já foi assim em reencontros anteriores, foi assim neste reencontro, onde as temperaturas rondaram os 40º à sombra.
Assim, grande parte da manhã do segundo dia foi passada em Mérida a visitar o anfiteatro e o teatro do período romano, edifícios excelentemente preservados, e onde ainda hoje se realizam espectáculos e festivais de teatro que me fizeram relembrar as minhas incursões a Sabratha e Leptis Magna, ambas no Norte da Líbia, ambas de pés banhados pelo Mediterrâneo, ambas Património Mundial da Humanidade, tal e qual Mérida.
E ainda antes de almoço partimos em direcção a Guadalupe e ao seu famoso mosteiro que alberga a muito venerada Virgem de Guadalupe.
A viagem revelar-se-ia atribulada. Sem mapas, sem GPS, metemo-nos em trabalhos por caminhos rurais que nos permitiram observar com espanto as fabulosas obras hidráulicas que os nossos vizinhos construíram para poderem regar campos e mais campos, a perder de vista, de arroz. Não admira que o Guadiana chegue cá tão sequinho à quantidade de água que por lá corre, em canais gigantescos cheios de um caudal tormentoso e rápido.
O Mosteiro de Guadalupe, fundado em 1340, é digno de visita demorada. Guiados pelo guia mais monocórdico e chato que me foi dado contactar, lá fomos de sala em sala, observando fabulosos manuscritos iluminados e enormescos, realizados pelos monges de Guadalupe, trajes da Virgem de uma riqueza de deixar qualquer um de cara à banda, relicários fabulosos e o mais que há para ver, sem possibilidade de fotografar, no interior das salas transformadas em museu.
No fim, a cereja no topo do bolo, fomos convidados por um monge franciscano a visitar a Virgem, negra do fumo das velas que agora não ardem mais e que se encontra num local reservado, sobranceiro à igreja que ela protege. O ritual é feito para criar clima e emoção e foi-me dado observar lágrimas a cair e olhos marejados delas pela emoção de A ver.
E ala que se faz tarde para Trujillo, a pequena localidade preciosa, terra natal do grande conquistador do Peru, Francisco Pizarro.
Razão tem o meu amigo P. F. que me fala de Trujillo desde que por lá ficou aquando de um congresso ligado às biologias - a terra é mesmo uma pequena jóia, com a sua maravilhosa Plaza Mayor, com os seus palácios, alguns ligados à família Pizarro, o seu castelo de origem árabe, caído no ano de 1232 perante a superioridade dos exércitos cristãos, liderados por Fernando III... a medieval Trujillo vale bem uma visita.
E acabámos o dia em Cáceres, a canhar e a jantar num restaurante no casco histórico, numa pequena pracita antes mesmo da enorme Praça Maior, que visitámos iluminada pela luz artificial, mas bela, que dá um encantamento muito especial à cidade.
A visita a Cáceres teria de ficar para o dia três...