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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Jantar de Natal - Grupo 400 - ESA

Jantar de Natal - Grupo 400 - ESA - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães



Jantar de Natal - Grupo 400 - ESA



E hoje, após a reunião do Grupo 400 da Escola Secundária de Amarante, juntei-me aos magníficos para o nosso costumeiro Jantar de Natal.
Feito! Siga!



E aí vão três...

terça-feira, 24 de março de 2015

Reencontro com a História - Atenas

Reencontro com a História - Atenas

Sim, Tsipras, nem todos os portugueses são Coelhos. Sim, Varoufakis, nem todas as portuguesas são Albuquerques...

Um dia destes, Αθήνα, aqui vamos nós...

domingo, 11 de maio de 2014

Reencontro com a História (Pequenino) - Porto

Turistada - Ribeira - Porto
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães
 
Reencontro com a História (Pequenino) - Porto

Ontem, a pretexto da apresentação dos livros de História do 8º e do 11º ano, da ASA - LEYA, realizada no museu privado interativo e parque temático World of Discoveries, acabado de inaugurar no Porto, mais concretamente em Miragaia, e onde não naufragou o "nosso querido líder"!, lá fomos para o Porto para um dia leve leve, feito de trabalho na sua parte da manhã e de lazer a partir da hora de almoço.
A Ribeira está irreconhecível de há uns anos a esta parte. Inundada de sol ou de chuva, a Ribeira apresenta-se agora sempre repleta de turistas de todas as nacionalidades desde que o Porto entrou, definitivamente, no mapa das cidades imperdíveis, no mapa das cidades a visitar, coisa que não aconteceu durante anos a fio e para o qual contribuiram as companhias aéreas low cost a operar no Porto e a empresa Douro Azul.
E o Porto, pressionado pelos visitantes e alimentado por estes fluxos de dinheiro vindos de múltiplas paragens, alinda-se e renova-se sem que para isso tenha de perder a sua identidade, o seu ar pitoresco de cidade burguesa e de povo muito que bota uns caragos a torto e a direito e que diz Puerto.... carago!
Que assim permaneça. Que os portuenses saibam preservar a sua galinha dos ovos de ouro feita a muitas mãos, única no mundo, especifica, original.

Nota - Um de nós foi apanhado disfarçado de Camões que, como todos se lembram, perdeu um olho por dois tostões...

terça-feira, 22 de abril de 2014

Ir a Roma e Ver o Papa

Nós e o Papa - Praça de S. Pedro - Estado do Vaticano
Fotografias de Zé Rui e de Anabela Matias de Magalhães
 
Ir a Roma e Ver o Papa

Vi eu, viste tu, viu ele, vimos nós, vistes vós, viram eles. E eles eram aos milhares.
Garanto-vos que é tudo verdade. E por ser verdade, aqui ficam as evidências.

sábado, 19 de abril de 2014

Reencontro com a História - Roma

Panteão - Roma
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães
 
Reencontro com a História - Roma

Foi o décimo quarto Reencontro com a História e foi cumprido com amor e carinho por entre as ruínas da capital do fabuloso Império Romano que haveria de se fragmentar às mãos, e também aos pés, dos inúmeros povos bárbaros que o liquidaram do ponto de vista político, económico e social, dando origem, assim, à estrutura política que ainda hoje mantemos e que é uma Europa de Nações. Os bárbaros esfrangalharam-no, ao Império Romano do Ocidente, é certo, mas a herança destes romanos loucos, deste império fascinante feito de ordem, grandeza e fausto mas também de muito sangue e miséria, perdura entre nós ainda hoje, viva e bem viva, atraindo multidões do canto mais ocidental ao ponto mais oriental deste Planeta partilhado que tem de ser a Terra/Casa de todos nós.
A nós atraiu-nos. E deixou-nos de boca aberta de espanto perante a extensão das ruínas do fórum, a dimensão de um Coliseu, a escala inacreditável da cúpula do Panteão, os arcos de triunfo de Constantino e de Tito teimando em relembrar feitos de outros tempos, as colunas historiadas de Trajano e de Marco Aurélio ainda quase intactas elevando-se desafiadoras pelo céu adentro, as portas de bronze originais e gigantescas, a frescura da água cristalina jorrada pelas fontes romanas que há milénios apazigua a sede aos transeuntes... e que apaziguou a minha.
Em Roma, sê romano, diz-se. E nós assim fomos. E fomos seis. Todos professores de História, de um grupo muito especial que se conheceu em terras de ESA. Dois deles já estão aposentados. Eu ainda estou no activo, mas fora da ESA desde 2009.
E depois? E depois continuámos a juntar-nos para calcorrear terras outras que temos desde sempre no coração.

Evidência Romana

Auto-Retrato de Cúpula com Intrusos - S. Andrea della Valle - Roma
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães
 
Evidência Romana

Em Roma, fui romana.
Tenho dito.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Em Roma Sê Romano

Meninas de Letras - História - Queima das Fitas
Fotografia sei lá eu de quem...
 
Em Roma Sê Romano

Assim faço. Assim farei.
Assim faremos!

sábado, 7 de setembro de 2013

Tertúlia Histórica

Tertúlia Histórica - Café-Bar - Amarante
Fotografia de João Sardoeira
 
Tertúlia Histórica

A tertúlia, entre mim e o meu querido ex-delegado de História da ESA, Miguel Moreira de seu nome, é histórica e não só. No caso aqui retratado até versou ideias vagas sobre o nosso próximo "Reencontro com a História"... falhado que foi, por mim, o do ano lectivo de 20012/2013, por circunstâncias particulares minhas.
A tertúlia foi apanhada pelo João Sardoeira que, do Largo de S. Gonçalo, disparou a sua máquina fotográfica sobre nós, tirando esta "chapa" que aqui ficará registada para a posteridade, após manipulação minha.
Agradecida pelo presente, João Sardoeira!

E recupero um texto escrito um dia destes, mais concretamente em Janeiro de 2013...

Continuarei a escapulir-me para visitar os centros históricos das cidades, aqui e ali, os seus museus, as catedrais, as capelas e capelinhas, as ruas anónimas e as suas gentes. Preciso disso para crescer enquanto professora de História. Preciso de visitar os castros, passear-me pelas pontes romanas, sentar-me nos anfiteatros, penetrar nas pequenas igrejas visigóticas onde a luz é espartana, ou nas belas românicas, sentir a luz divina nas catedrais góticas, preciso do espanto do olhar perante o rendilhado do manuelino, preciso de percorrer as vielas das judiarias, sentir a emoção de uma procissão em dia de sexta-feira santa, em Granada, preciso de tocar os pequenos ladrilhos de azulejos árabes e sentir a sua frescura por debaixo das minhas mãos, preciso de fechar os olhos num pátio andaluz e escutar o borbulhar da água e os chilreios loucos da passarada, preciso da racionalidade do renascimento... preciso de reflectir e de me questionar... não, nem que eu vá a pé e de mochila às costas... a troika não me tirará tudo.
Reencontro com a História, aqui vou euuuuuuuuuuu...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Reencontro Com a História

Auto- Retrato - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Reencontro com a História

Quem frequenta este blogue sabe que esta é uma actividade do grupo de História da ESA que se cumpre todos os anos religiosamente. Esta actividade consta de três ou quatro dias passados numa qualquer cidade ou região e já se fez predominantemente em Portugal, posteriormente em Espanha... e agora começará a ser mais além, trocando a viagem de carro, por vezes já muito longa, por uma qualquer viagem a preço de saldo, de avião, com saída do Porto.
Aqui a menina já não faz parte do corpo docente da ESA e opera agora na escolinha ao lado mas, os rapazes, habituados ao tempo em que apenas eu tomava conta deles, continuam a não prescindir da minha companhia... de uns anos a esta parte reforçada em presenças femininas com a Nazaré em pessoa!
Yupi! Já somos duas!
E lá iremos. Mais uma vez. Em Julho. Ficou hoje decidido e já está registado em acta... só não sabemos ainda para onde nos levarão as viagens mais baratas e compradas com muita antecedência na low cost a operar ali na Invicta.

Continuarei a escapulir-me para visitar os centros históricos das cidades, aqui e ali, os seus museus, as catedrais, as capelas e capelinhas, as ruas anónimas e as suas gentes. Preciso disso para crescer enquanto professora de História. Preciso de visitar os castros, passear-me pelas pontes romanas, sentar-me nos anfiteatros, penetrar nas pequenas igrejas visigóticas onde a luz é espartana, ou nas belas românicas, sentir a luz divina nas catedrais góticas, preciso do espanto do olhar perante o rendilhado do manuelino, preciso de percorrer as vielas das judiarias, sentir a emoção de uma procissão em dia de sexta-feira santa, em Granada, preciso de tocar os pequenos ladrilhos de azulejos árabes e sentir a sua frescura por debaixo das minhas mãos, preciso de fechar os olhos num pátio andaluz e escutar o borbulhar da água e os chilreios loucos da passarada, preciso da racionalidade do renascimento... preciso de reflectir e de me questionar... não, nem que eu vá a pé e de mochila às costas... a troika não me tirará tudo.
Reencontro com a História, aqui vou euuuuuuuuuuu...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Reencontro Com a História

Abóbadas -  De Arestas e de Berço - Santiago de Compostela
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Reencontro Com a História

A realização do último Reencontro na Páscoa deu nisto, na necessidade de realizarmos mais um Reencontro, agora durante o Verão, como manda a tradição.
O próximo evento, que terá só a duração de um dia, far-se-á de visita ao Mosteiro São Martinho de Tibães, almoço de andorinhas a ver o mar acompanhadas de canhas frescas e, para acabar o dia em beleza, visita ao Mosteiro de Bravães.
Como explicar o meu amor pela simplicidade e robustez do Românico?

sábado, 7 de abril de 2012

Reencontro com a História - Dia Quatro

Mesquita/Catedral de Córdova - Córdova - Espanha
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Reencontro com a História - Dia Quatro

O dia quatro foi preenchido com mais uma visita, desta vez rápida, ao centro histórico de Córdoba, uma demorada visita ao interior da belíssima Mesquita de Córdoba e a viagem até casa o que já não foi pouco para tão pouco dia!
Mas vamos por partes. O centro histórico de Córdoba é uma beleza de Património Mundial da Humanidade feito de cármenes com os seus característicos pátios floridos, ruas estreitas decoradas com sardinheiras nas paredes, nas varandas e nas janelas, restos de banhos árabes, vestígios da presença romana, nomeadamente na ponte que galga, ainda hoje, o Guadalquivir e, é claro, a imponente mesquita, a terceira em tamanho logo após a excepcional Mesquita de Casablanca e a inexcedível Mesquita de Meca.
Entrar na Mesquita de Córdoba é entrar num templo estranho porque feito de um misto de arte islâmica e de arte cristã que não funcionam muito bem juntas porque imbuídas de filosofias religiosas e estéticas bem diversas que as sustentam.
Por um lado é surpreendente a permanência dos elementos arquitectónicos puramente islâmicos presentes na sala hipóstila, a sala de orações verdadeira floresta de colunas que sustenta arcos em ferradura, de meio ponto, polilobados, entrecruzados, num jogo pleno de harmonia corrompido aqui e ali por uma ou outra intervenção posterior, cristã, a decoração exterior e interior, predominantemente islâmica, a parede da Kibla onde se ainda hoje se aninha um Mihrab intocado é motivo de admiração se atendermos que esta mesquita, iniciada no século VIII, foi mesquita somente até 1236, data da reconquista cristã da cidade e se atendermos que a conversão a templo cristão foi imediata. Por outro lado, com o passar do tempo, para além de intervenções pontuais que não interferiram no seu conjunto, foi impossível aos católicos resistir à marca que se abre como uma ferida na bela sala de orações original e rasgaram uma verdadeira catedral, que estranho vê-la aqui! bem no seu seio, ocupando esta o centro do anterior templo consagrado ao islamismo, qual corpo exótico rasgando a métrica compassada das colunas sustentando os arcos bicolores, vermelhos e beges, de inspiração síria.
Ou seja, se por um lado é estranha esta sobreposição de arte cristã sobre arte islâmica, nitidamente marcando o espaço, marca inconfundível de um poderio cristão sempre crescente na Península Ibérica medieval, por outro lado não deixa de nos espantar a permanência, até aos dias de hoje, de um templo marcadamente islâmico, desde a sua concepção e planta, aos elementos arquitectónicos, à decoração geométrica, floral e caligráfica omnipresente por todo o edifício.

A viagem de regresso fez-se bem... muito embora nunca tenham tanto interesse como as viagens de ida...
Valeu a visita. As minhas apresentações em PowerPoint ficarão agradecidas, porque mais ricas.


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Reencontro com a História - Dia Três - Parte Dois

Procissões de Domingo de Ramos - Córdoba - Espanha
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Reencontro com a História - Dia Três - Parte Dois

A parte dois do dia três foi cumprida com a viagem de ligação entre Granada e Córdoba, onde chegámos a meio da tarde, ainda a tempo de percorrer a cidade e de assistir às muitas procissões das hermandades e confrarias que rasgam a cidade percorrendo-a desde manhã e se prolongam noite adentro em Domingo de Ramos feito de religiosidades mais ou menos genuínas. Impressionante  vê-las. Impressionante observar as bisarmas dos andores com imagens múltiplas ou singelas, super engalanadas, transportadas por rapazes jovens e possantes que se vão revezando continuamente ao longo do caminho, tal o peso dos andores gigantescos. Impressionante ver a entrada triunfal da iconografia católica em templo marcadamente islâmico, a antiga mesquita de Córdoba, agora ostensivamente cristã. Impossível não pensar em Jesus Cristo... se ali aterrasse... o Filho de Deus... o que faria ele com todo este folclore católico, com toda esta ostentação de riqueza e poder construída ao longo dos séculos?

Se quiser saber mais sobre as Hermandades de Córdoba clique aqui.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Reencontro com a História - Dia Três - Parte Um

Alhambra - Granada - Espanha
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Reencontro com a História - Dia Três - Parte Um

A planificação do dia três foi integralmente cumprida, primeiro numa Alhambra a acusar lotação esgotada seguida de viagem para Córdoba e visita do casco velho da cidade.
Mas vamos por partes. Primeiro a visita a uma Alhambra a esbordar de turistas de todas as nacionalidades, transformada em verdadeira Babel, onde entram trezentas pessoas de meia em meia hora, em grupos mais pequenos e espaçados ou não caberíamos lá dentro em algumas dependências, e já assim sabe deus!, seis mil por dia, dia após dia... não é por acaso que a Alhambra, "A Vermelha", em árabe Al Hamra ou  الحمراء , é o monumento mais visitado de toda a Espanha.
Declarada Património Mundial da Humanidade desde 1984, a Alhambra, medina que podia funcionar de forma independente da restante cidade de Granada, abrigava no interior das suas muralhas as dependências reais, as dependências dos funcionários e dos militares, mesquitas, madrassas, oficinas onde labutavam artesãos... deslumbra continuamente os seus visitantes espevitando-lhes os vários sentidos. Os palácios Nazaritas, que chegaram até nós, são compostos pelo Palácio Mexuar, mandado construir por Ismail I (1314-1325) e por Muhammad V (1362-1391), pelo Palácio Comares, mandado construir por Yusuf I (1333-1354) e Muhammad V, e finalmente o extraordinário Palácio dos Leões, mandado construir pelo mesmo Muhammad V.
O espaço exterior contrasta enormemente com o interior, à boa maneira árabe. Por fora as paredes lisas, em grande parte cegas, transmitem-nos uma mensagem de despojamento total que se opõe a um interior opulento de delicadeza filigranada presente em arabescos de estuque de uma beleza sem fim, em tectos de madeiras trabalhadas com mestria, em cúpulas de muqarnas que nos remetem para um ambiente de gruta cheia de estalactites, em azulejos alicatados, os famosos zeliges, de múltiplas cores e formas geométricas, em salas e pátios e mais salas e mais pátios onde pontua sempre a água, presença imprescindível para a reconstrução do paraíso aqui na terra, ora em grandes tanques onde se espelham as paredes dos palácios nazaritas, ora em taças mais pequenas, sempre centralizadas, cada qual a mais bela e onde mergulham passarinhos loucos que cantam doidos a alegria de poderem penetrar livremente em tão insólitos e belos espaços.
Há quem critique a arte islâmica catalogando-a de repetitiva. Pois é exactamente nesta repetição, até à exaustão, até à perfeição, de decoração floral, geométrica e caligráfica, magistralmente combinadas, que reside, para mim, a sua beleza transcendental de uma espiritualidade raramente alcançada em outros estilos artísticos.
De visita aos Palácios Nazaritas, passeando-me inebriada pelo ambiente das mil e uma noites do Pátio dos Leões, foi-me impossível não pensar no desgosto profundo e na humilhação do último rei mouro de Granada, ao entregar as chaves do seu coração, da Alhambra, no dia 2 de Janeiro de 1492, aos reis católicos vitoriosos Fernando e Isabel.
Impossível não pensar em Abu Abd Allah...

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Reencontro com a História - Dia Dois - Granada

Cúpula da Catedral de Granada - Espanha
Generalife - Granada - Espanha
Casa de Tapeo - Granada - Espanha
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Reencontro com a História - Dia Dois - Granada 

O dia dois foi integralmente consagrado a Granada.
Logo pela manhã visitámos a belíssima catedral gótica/renascentista de Granada, cuja construção foi iniciada em 1523, por ordem dos Reis Católicos. Tudo se paga por terras de Espanha, visitas às catedrais incluídas, e os "oiros" saem-nos dos bolsos a uma velocidade bem diferente da portuguesa. Os túmulos dos reis católicos Fernando e Isabel e os da filha, Joana a Louca e de seu marido Filipe o Formoso, de mármore de Carrara, estão à parte na Capela Real, e, mais uma vez, toca a pagar para entrar em tão reservado lugar onde é proibido tirar fotografias... proibição que não cumpri pois fotografei os ditos à socapa, à laia de protesto fotográfico.
A visita à cidade continuou por velhos mercados mouriscos, espreitadelas às cármenes, igrejas renascentistas e barrocas, vestígios da presença islâmica aqui e ali, montras cheias de salero traduzido em leques, travessas altas, castanholas e vestidos às bolinhas cheios de folhos e folhinhos a que apenas faltavam uns recheios de corpos dentro para saltarem das montras e dançar um verdadeiro flamenco!
A tarde seria reservada ao Generalife, a belíssima casa de campo dos reis Nasrid e aos jardins e ainda ao palácio Carlos V, o palácio renascentista que eu queria muito ver fora dali, implantado que foi no coração do espiritual Alhambra.
O Generalife, ou Yannat al Arif, talvez "o jardim do alto do paraíso", é, de facto, um jardim do alto do paraíso e por isso eu guardo esta interpretação entre as muitas possíveis para o significado da palavra Generalife que designa um edifício muito belo, voltado para o interior, o interior é sempre o mais importante segundo a mentalidade árabe tradicional e com a qual eu concordo plenamente, aberto em pátios e mais pátios, ora quadrangulares ora rectangulares, onde a água está sempre presente em murmúrios sem fim por onde a passarada esvoaça louca louca por entre a vegetação florida e odorífica das laranjeiras omnipresentes.
E nada melhor do que acabar o dia já de noite, imitando os espanhóis, porque em Roma sê romano, à volta de umas tapas deliciosas onde nunca poderia faltar o jamón serrano e o queso manchego...

terça-feira, 3 de abril de 2012

Reencontro com a História - Dia Um

Alhambra e Granada Vistos do Miradouro de San Nicolás - Espanha
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães 

Reencontro com a História - Dia Um

O dia um do Reencontro com a História fez-se de uma viagem de mais de mil quilómetros que me levou de Amarante a Granada, tendo por companheiros de route os já históricos Miguel, Zé Maria, Toninho, Zé Rui e Nazaré... para além da minha pessoa, claro está!
A saída fez-se bem cedinho, mais concretamente pelas 6 horas da manhã, e a viagem contemplou várias paragens técnicas para os costumeiros cafés, esticanços de pernas e o mais que foi calhando, almoço já em terras de Espanha, em Zafra, e alas que se faz tarde para a bela Granada, cidade onde não colocava os pés há vinte e sete anos, feitos este passado Carnaval.
O hotel reservado ficava bem localizado, no centro da cidade, que é o que se quer nestas andanças e depois de uma breve passeata para sentir a cidade e de uns tapeos restava-nos ainda um programa que nos levaria já noite dentro ao bairro típico do Albaicín, o bairro onde a influência moura é mais visível nas ruas estreitas e nas cármenes, casas típicas onde não podem faltar os pátios, grandes ou pequenos de notória influência mouriscas. Impossível não visitar o Mirador de San Nicolás onde nos detivemos por momentos apreciando a silhueta inconfundível do Alhambra, belíssimamente iluminado, num incentivo claro à contemplação e de bónus ainda contemplámos uma Granada literalmente deitada aos nossos pés.
Depois destas passeatas noturnas, nada melhor do que acabar a noite já sábado adentro, numa cueva gitana de Sacromonte, encosta perfurada por cuevas e mais cuevas que serviram em tempos de habitações aos ciganos que aí se instalaram após a conquista de Granada, em 1492, pelos Reis Católicos Fernando e Isabel, assistindo a um típico espectáculo de garra gitana traduzida em Flamengo.
O dia um do reencontro estava agora cumprido! Havia somente que descançar o corpo e aquietar a alma... Alhambra, Alhambra, aqui vou eu!

quinta-feira, 29 de março de 2012

Granada

Granada

Vinte e sete anos depois, dando cumprimento a uma actividade que mantenho vivinha da silva chamada "Reencontro com a História", voltarei a Granada. Não dá créditos, é certo, mas nem sempre o que dá créditos é o mais enriquecedor para a nossa actividade docente sendo que, por vezes, o mais enriquecedor são mesmo as nossas ausências... da Escolinha... que se reflectem posteriormente em energias renovadas, em entusiasmos genuínos, em partilhas generosas perante/com os nossos alunos.
Será certamente o caso. Chegarei a tempo de aperfeiçoar as minhas apresentações em PowerPoint com milhares de fotografias novas captadas num tempo em que a fotografia se fez fácil e de custo quase reduzido a zero, depois de um tempo em que a fotografia já foi coisa muito rara e cara.
Faz, desfaz, constrói, destrói... para depois voltar a construir... numa procura de Alhambra que jamais conseguirei alcançar... sim, eu sei.
Mas também já aprendi que, frequentemente, o mais importante é o caminho percorrido, um gozo!, e não a meta alcançada.
O meu caminho é então feito de Alhambras...

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Reencontro Com a História

Kibla e Mihrab - Mesquita de Córdova - Córdova
Fotografia de Cláudia Montenegro

Reencontro Com a História

Já falei inúmeras vezes neste blogue desta actividade que, ao tempo em que eu leccionava na Escola Secundária de Amarante, integrava o Plano Anual de Actividades do grupo de História daquela escola e que desde que abri este Anabela Magalhães tem etiqueta própria e pode ser consultada em Reencontro com a História. Saída da ESA e vinda para a EB 2/3 de Amarante esta é uma das actividades que continuo a cumprir religiosamente, desde que tal me seja possível, e é mesmo uma das actividades mais produtivas para a minha actividade lectiva pois o que faço durante os normalmente três dias em que estou rodeada pelos meus pares profs de História são autênticos safaris fotográficos pelo país ou por terras de nuestros hermanos.
Por norma cumprimos o calendário da actividade entre finais de Julho e Agosto... mas ir se para Toledo em Agosto é realmente um toledo e para Zamora idem aspas aspas, arrancar para Granada e Córdova em pleno Verão seria certamente de loucos, e de esborrachar qualquer cristão, e vai daí partiremos na interrupção lectiva da Páscoa, com calma, na minha carrinha voadora tão, mas tão! familiarizada com terras do Sul.
A distância é considerável, cerca de mil quilómetros, e este Reencontro terá a duração de quatro dias que serão cheios e que me permitirão voltar a Granada, onde não vou há 27 anos, e conhecer, finalmente!, Córdova, ainda a tempo de chegar e reciclar e posteriormente usar a minha apresentação em PowerPoint onde abordo estas matérias das mil e uma noites... eheheh... fascinantes, pelo menos para mim, de tempos de Reino de Granada, civilizado e evoluído até dizer chega, de um tempo em que os árabes davam ainda cartas pela Península Ibérica...
Por hoje cumprimos a primeira reunião em café aqui do burgo e a planificação mental será grelhada nos próximos dias, em grelhado xpto próprio, pelo felizardo que entretanto se reformou e que igualmente fará a acta da dita... porque não é impunemente que esta gente vai para a reforma... é necessário atribuir-lhes afazeres, para eles não esquecerem como elas mordem... eheheh... atribuir-lhes, por exemplo, estas actividades gostosas que qualquer professor no activo ama fazer...

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Reencontro Com a História - Dia Três

Centro Histórico de Cáceres - Espanha
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Reencontro Com a História - Dia Três

Este post é a continuidade deste outro e tenho mesmo de o escrever, sob pena de o ignorar por completo, deixar o Reencontro a meio e ainda me arriscar a levar nas orelhas...

E ao terceiro dia o Reencontro cumpriu-se feito de visita demorada ao bem delimitado casco histórico de Cáceres que se estende a partir da Plaza Mayor. O Centro Histórico é uma verdadeira beleza e não é por acaso que faz parte da restrita lista de sítios Património Cultural da Humanidade. Entrando nele, ainda podemos perder no Bairro Judeu ou nas ruas e vielas pejadas de marcas do passado, muitas torres, muitas janelas esbeltas e de rara elegância, muitas de influência mourisca.
De Cáceres seguimos para Plasência, a merecer completamente a visita, e alas que se faz tarde para a Plaza Mayor de Ciudad Rodrigo onde, como manda a tradição, canhamos. É que dali teríamos ainda de percorrer uns quantos quilómetros até ao regresso ao lar.
Para o ano há mais. Olá, se há!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Reencontro com a História - Dia Dois

Teatro Romano - Mérida - Estremadura Espanhola
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães
O Guadiana Encanado - Estremadura Espanhola
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães
Mosteiro da Virgem de Guadalupe - Guadalupe - Espanha
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães
Trujillo - Estremadura Espanhola - Espanha
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Reencontro com a História - Dia Dois

Nesta época do ano, por Espanha, as visitas ao ar livre a centros históricos, monumentos, o que seja, devem ser feitas logo pela manhã, aproveitando a fresca possível, já que grande parte do território espanhol é fustigado por altas temperaturas durante todo o Verão. Já foi assim em reencontros anteriores, foi assim neste reencontro, onde as temperaturas rondaram os 40º à sombra.
Assim, grande parte da manhã do segundo dia foi passada em Mérida a visitar o anfiteatro e o teatro do período romano, edifícios excelentemente preservados, e onde ainda hoje se realizam espectáculos e festivais de teatro que me fizeram relembrar as minhas incursões a Sabratha e Leptis Magna, ambas no Norte da Líbia, ambas de pés banhados pelo Mediterrâneo, ambas Património Mundial da Humanidade, tal e qual Mérida.
E ainda antes de almoço partimos em direcção a Guadalupe e ao seu famoso mosteiro que alberga a muito venerada Virgem de Guadalupe.
A viagem revelar-se-ia atribulada. Sem mapas, sem GPS, metemo-nos em trabalhos por caminhos rurais que nos permitiram observar com espanto as fabulosas obras hidráulicas que os nossos vizinhos construíram para poderem regar campos e mais campos, a perder de vista, de arroz. Não admira que o Guadiana chegue cá tão sequinho à quantidade de água que por lá corre, em canais gigantescos cheios de um caudal tormentoso e rápido.
O Mosteiro de Guadalupe, fundado em 1340, é digno de visita demorada. Guiados pelo guia mais monocórdico e chato que me foi dado contactar, lá fomos de sala em sala, observando fabulosos manuscritos iluminados e enormescos, realizados pelos monges de Guadalupe, trajes da Virgem de uma riqueza de deixar qualquer um de cara à banda, relicários fabulosos e o mais que há para ver, sem possibilidade de fotografar, no interior das salas transformadas em museu.
No fim, a cereja  no topo do bolo, fomos convidados por um monge franciscano a visitar a Virgem, negra do fumo das velas que agora não ardem mais e que se encontra num local reservado, sobranceiro à igreja que ela protege. O ritual é feito para criar clima e emoção e foi-me dado observar lágrimas a cair e olhos marejados delas pela emoção de A ver.
E ala que se faz tarde para Trujillo, a pequena localidade preciosa, terra natal do grande conquistador do Peru, Francisco Pizarro.
Razão tem o meu amigo P. F. que me fala de Trujillo desde que por lá ficou aquando de um congresso ligado às biologias - a terra é mesmo uma pequena jóia, com a sua maravilhosa Plaza Mayor, com os seus palácios, alguns ligados à família Pizarro, o seu castelo de origem árabe, caído no ano de 1232 perante a superioridade dos exércitos cristãos, liderados por Fernando III... a medieval Trujillo vale bem uma visita.
E acabámos o dia em Cáceres, a canhar e a jantar num restaurante no casco histórico, numa pequena pracita antes mesmo da enorme Praça Maior, que visitámos iluminada pela luz artificial, mas bela, que dá um encantamento muito especial à cidade.
A visita a Cáceres teria de ficar para o dia três...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Reencontro com a História - Dia Um


Reencontro com a História - Mérida - Espanha
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães 

Reencontro com a História - Dia Um

Escrevo depois de mais um Reencontro com a História cumprido e que desta vez nos levou à exploração da Estremadura Espanhola.
A saída fez-se pelas 8 horas da manhã, bem cedinho que tínhamos muito caminho pela frente. Ao volante, como manda a tradição, vai o Miguel que nos conduz em marcha certinha e segura até Elvas, onde parámos para almoçar, que nós somos todos bons garfos e não perdoámos a cozinha alentejana.
Comecei com açorda alentejana, pois então!, ai meus deuses como eu amo isto! e acabei com sericaia cheia e completamente besuntada de doce de Ameixa de Elvas, ai meus deuses, ai meus deuses como eu cresceria para os lados se por aqui vivesse...
Ó Elvas, ó Elvas, visitado o castelo e o centro da cidade, Badajoz à vista... e num pulinho estávamos instalados num dois estrelas de Mérida, bem  pertinho do Museo Nacional de Arte Romana do galardoado com o prémio Prizker, Rafael Moneo, e bem pertinho do Anfiteatro e Teatro da antiga Augusta Emerita, fundada em 25 a.C., capital da Lusitânia nos seus dias de ouro. Ainda fomos a tempo de visitar o excelente museu, o Templo de Diana, do século I d.C., de observar a fabulosa ponte romana sobre o leito do Guadiana e alas que se faz tarde para o tapeo! Hummm... hum... muito eu gosto de ser romana em Roma...
Hoje, o interesse da cidade de Mérida reside exactamente na quantidade e qualidade das ruínas e dos objectos encontrados em escavações que já se prolongam por mais de um século e que fazem deste património Património da Humanidade. De resto a cidade não tem, do ponto de vista urbanístico e arquitectónico, qualquer interesse, de incaracterística que é.
Confesso, enquanto caminhava por aquelas ruas olhando os seus desinteressantes prédios, lembrei-me do Marco de Canavezes aqui mesmo ao lado, exemplo exemplar do que não se deve fazer em termos urbanos e arquitectónicos e caso de estudo, pelas piores razões, nas faculdades de arquitectura portuguesas...
Mérida saiu-me uma valente mérida! Apenas salva pelos romanos...

 
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