sábado, 15 de dezembro de 2007

Gonçalo Costa


Gonçalo Costa
Fotografia de Paulo Costa

Gonçalo Costa

O "post" de hoje é sobre um meu amigo, de seu nome Gonçalo Costa, que do alto dos seus doze anos vai emitindo as suas opiniões, ajuizadas, que em nada fazem lembrar o outro Gonçalo, brejeiro, brejeiro, que ficou conhecido pelo nome de S. Gonçalo.
Pois este Gonçalo, soube-o hoje, está um bocadito triste comigo. É que pelos vistos eu já falei em toda a sua família neste blogue e dele, até hoje, nada. Vai daí comentou com a mãe que decerto eu me esqueci dele, e que decerto ele não existe para mim, o que é redondamente falso. Por isso tenho que resolver rapidamente este imbróglio e redimir-me desta indelicadeza cometida inconscientemente. Ou seja, é imperativo que eu tire hoje mesmo o Gonçalo do limbo.
Ora este indivíduo, fotocópia física do pai Costa e a atirar para a mãe Costa (sim, já sei, não és Costa!) é um indivíduo que eu conheço desde o seu nascimento e que durante todos estes anos acompanhei, de quando em vez, nos nossos encontros no café-bar. Tinha ainda há bem pouco tempo um ar muito de bebé, que de repente perdeu, e palpita-me que não se passará muito tempo até que comece a fazer barba e bigode. É um miúdo meigo, doce, educado, bem disposto, responsável, que dá gosto conhecer. Bem acompanhado por uma mãe e um pai sempre presentes, crescerá como até aqui, sem problemas e de forma equilibrada.
Aluno do Colégio de S. Gonçalo disse-me hoje, a sorrir, que tirou muito boa nota no último teste de História e que adorou estudar a matéria pela net, pelas minhas apresentações em PowerPoint. "É fixe!"
O Gonçalo soube pois ser gentil comigo e deixou-me contente.
Tomara que este "post" o deixe contente também e que eu possa ser perdoada! :)
Beijocas grandes Gonçalinho!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Árvore de Natal



Árvore de Natal - S. Gonçalo - Amarante - Portugal
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Árvore de Natal

Hoje continuo a postar sobre a mesma temática do Natal, desta vez a propósito desta enorme árvore que paira sobre o jardim e sobre os trabalhos publicados e publicitados, ontem mesmo, neste blogue.
A árvore, feita a partir duma estrutura já antiga, fornecida pela Câmara Municipal de Amarante, todos os anos ganha novos contornos e novas roupagens.
Esta é a árvore vestida pelos meninos e meninas mais pequeninos, aqui do concelho de Amarante, que frequentam o pré-escolar e o 1º ciclo. Cada escolinha, das diferentes freguesias que compõem o concelho de Amarante, contribuiu com um enfeite para a árvore colectiva que este ano ficou uma verdadeira uma beleza.
Os enfeites só tinham de obedecer a um parâmetro - respeitar as cores vermelha e dourada - de resto a imaginação foi o limite.
Não é a enormesca árvore de Natal do Porto mas é, sem dúvida, uma árvore de Natal muito mais significativa e muito mais ecológica.
Feliz esta miudagem para quem o Natal tem ainda muito de magia.
Feliz esta miudagem para quem estes trabalhos escolares fizeram e fazem parte dessa magia.
Gostei de ver.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Natal Eco-Escolas





Natal Eco-Escolas - Amarante - Portugal
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Natal Eco-Escolas

O post de hoje é inteiramente dedicado à Helena, mulher de fibra e coragem, grande alma do programa Eco-Escolas, do Agrupamento Vertical a que pertence a escola E. B. 2/3 de Amarante, que está momentaneamente encostada às boxes, por motivos de força maior, mas que continua a pairar, em espírito, sobre os trabalhos desenvolvidos pelos miúdos no âmbito deste programa.

Do trabalho desenvolvido resultaram estas árvores de Natal, inteiramente feitas com materiais reciclados, e que ficaram esta beleza comprovada pelas fotografias que ilustram este post.
São árvores feitas de latas, de garrafas de plástico, de tampas de garrafas de plástico, de cd`s, de embalagens de Suissinhos, de pequenas pinhas, enfim, de materiais que assim puderam ser reutilizados e reaproveitados e que agora enfeitam um espaço importante da cidade.
São árvores feitas por alunos da escola E. B. 1 de S. Gonçalo e da escola E. B. 2/3 de Amarante que servem de motivação e alerta para a necessidade de reciclar e reutilizar materiais e produtos dos mais variados.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Natal



Árvore de Natal - Amarante - Portugal
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Natal

O Natal já se avizinha agora que nos vamos despedindo dos alunos com votos de boas férias, boas festas e um até para o ano sorridente.
O primeiro período lectivo, prestes a acabar, foi longo e cansativo, apesar do tempo soalheiro que se fez sentir praticamente durante todo o tempo. É pois chegado o tempo de parar um pouco. Os alunos, com final de período marcado para dia 14, e quanto a nós, professores, um pouquito mais adiante pararemos também.
Estes períodos de paragem são importantíssimos para alunos e professores e são, sempre que possível, aproveitados pelas partes para recarregar baterias, para renovar os espíritos, para retemperar forças, para acumular mais umas boas doses de paciência ... que uma boa dose só não chega.

O Natal já se avizinha e é agora tempo de enfeitar pinheiros, fazer presépios, preparar frutos secos, folhear as receitas de rabanadas, sonhos, aletria, doce-creme, mexidos, e outras iguarias que tais, que nos fazem sempre engordar um quilo de cada lado, e em casos mais graves dois, mas que contribuem para o facto de estarmos de bem com a vida e de a vivermos de forma prazenteira.

Quanto a mim, sempre gostei do Natal e de todos os rituais a ele associados. Gosto de tudo desta e nesta época... até do frio que já se faz sentir por cá e que me remete para os Natais da minha infância, sem dúvida incomparavelmente mais mágicos do que estes que se vivem agora, em pleno século XXI. Natais em que as prendas, poucas, eram sempre abertas na manhã de dia 25, depois de uma noite mal dormida a magicarmos nos embrulhos. E que satisfação quando o desejado e o pedido correspondiam plenamente ao recebido. Magia pura. Magia pura a nossa infância e os nossos natais de meninas e meninos sortudos.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Competências



Andrew Bird - Capa de CD

Competências

Ontem postei sobre uma competência que domino na perfeição. Hoje, para equilibrar a coisa, posto sobre uma competência que não domino de todo.

Quando era miúda olhava com inveja para os rapazes que lançavam assobios afinadíssimos, a torto e a direito, e por dá cá aquela palha. A coroa de glória era um assobio, potente, feito com a ajuda dos dedos enfiados na boca. Eu ouvia aquilo extasiada. E não eram só os rapazes... a maioria das raparigas também sabia assobiar, melhor ou pior. Quanto a mim nem mais ou menos. Eu bem treinava, eles bem que me explicavam a técnica, mas tudo o que eu conseguia era fazer sair um som frouxo frouxo, muito próximo do inaudível. Xiiiii... um grande desgosto para uma maria-rapaz que, apesar de nunca ter desistido, nunca conseguiu dominar esta competência.
Entretanto cresci. Mas não desisti.
E ainda hoje continuo a insistir e a tentar, agora muito bem acompanhada por este rapaz, de seu nome Andrew Bird, que me veio relembrar esta lacuna no meu currículo. O Andrew Bird é somente o dono do assobio mais poderoso, afinado e melodioso que eu já ouvi em toda a minha vida. Eu sou somente aquela nódoa no que a assobios diz respeito.
Confesso que tenho treinado bastante com este rapaz, mas os resultados da coisa continuam a ser um completo fiasco. É que não consigo mesmo emitir um som que se aproxime e se assemelhe, nem de longe nem de perto, a um assobio.
Mas desistir?
Parafraseando um conhecido político da nossa praça... jamé!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Competências


Mala - S. Gonçalo - Amarante - Portugal
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Competências

Adquiri a competência de fazer malas faz muitos anos e, sejam malas para períodos de Inverno ou malas para períodos de Verão, para pouco ou para muito tempo, domino-a totalmente.
Por norma, começo a fazer a minha mala muito tempo antes de partir seja para onde for. Praticamente todos os meus amigos conhecem esta minha faceta e até gozam comigo. Um ou dois meses antes lá começam eles: "Anabela já começaste a fazer a mala?" E o engraçado é que quase invariavelmente a resposta é afirmativa e é dada entre gargalhadas, porque adoro saborear lentamente o supremo sabor da partida, do virar costas ao meu umbigo quando já estou saturada dele, e porque até eu acho piada à minha pachorra de começar uma mala, maleta ou mochila, com tanto tempo de antecedência, ainda por cima sabendo eu que a maioria dos meus amigos e amigas acham esta actividade uma valente seca.
Apesar do que ficou dito, faço uma mala em três tempos, com o conteúdo reduzido ao essencial e indispensável. Principalmente se as férias implicam viagens de avião há muito que uma pequena mala de mão ou uma mochilita me acompanha, para não perder tempo com malas nos aeroportos, para não perder malas nos aeroportos e, acima de tudo, para não ter desagradáveis surpresas com malas nos aeroportos, como a que tive há muitos anos atrás, estava eu a chegar não sei onde, quando vejo surgir no tapete rolante uma grande mala com os fechos completamente abertos, toda empandeiretada, a roupa toda remexida, cuequinhas e soutiens, nem de propósito, meios fora meios dentro a querer fugir o mais rapidamente dali para fora, o que me fez soltar uma exclamação misto de pena e solidariedade "Coitada da dona daquela mala!!!" Pois. A coitada era mesmo eu! E escusado será dizer que nunca mais me apanharam noutra. Agora viajo de avião com uma pequena mala ultra leve que me acompanha todo o tempo avião adentro inclusivé.
Na última viajem que fiz esmerei-me. Pedi instruções ao Agostinho, meu cunhado, e meu 112 na Agência Abreu, no que diz respeito a viagens, sobre as normas de segurança que vigoram agora nos aeroportos. "Cada pessoa pode levar uma mala com 5 kg para dentro da aeronave. Atenção aos frascos com líquidos. Só abaixo dos 100ml."
Ah é?
Pois consegui fazer uma mala que pesava 3 quilitos e que haveria de suprir todas as necessidades de roupa para duas pessoas, durante quatro dias.
Duas pessoas 10 kg?! Teríamos de ir um mês!

domingo, 9 de dezembro de 2007

Ane Brun - The Dancer

Ane Brun - The Dancer

Hoje posto mais uma norueguesa, nascida em 1976, de seu nome Ane Brunvol, e a viver actualmente em Estocolmo, na Suécia. Um excelente som para uma excelente voz.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Quelhas

 
 
  
 
Quelhas - S. Gonçalo - Amarante - Portugal
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Quelhas

Hoje continuo a postar as quelhas de S. Gonçalo. Não sendo a única freguesia aqui do centro com quelhas, S. Gonçalo possui, sem dúvida, o maior número delas.
As fotos acima postadas são da Quelha da Levada, ou dos Eirados, ou Quelha da Generosa Faria, e ainda do Largo e da Viela dos Eirados, que integram uma zona já muito alta da cidade que não fez muito parte dos meus percursos de infância, muito embora por aqui tenha passado, uma ou outra vez, com a minha avó Luzia. É uma zona que não difere muito das outras quelhas cá do burgo, marcada por uma ou outra casa recuperada, bastantes mais casas degradadas, algumas até completamente abandonadas e a caírem literalmente aos pedaços. Se esta zona não fez muito parte dos meus percursos infantis está hoje perfeitamente integrada nos meus passeios a pé pela cidade. Porque gosto destes percursos sinuosos, onde a luz por vezes mal penetra, porque gosto destes recantos irregulares, destas portas que se abrem e fecham deixando percepcionar o interior das casas, porque gosto destes portões que dão para jardins e pátios inesperados.
Gostaria de as ver de melhor saúde. Gostaria de as ver mais limpas. Acima de tudo gostaria de as ver mais vivas.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

A Cobra e o Pirilampo

A Cobra e o Pirilampo

Era uma vez uma cobra que começou a perseguir um pirilampo.
Ele fugia com medo da feroz predadora, mas a cobra não desistia.
Um dia, já sem forças, o pirilampo parou e disse à cobra:
- Posso fazer três perguntas?
- Podes. Não costumo abrir esse precedente, mas já que te vou comer, podes perguntar.
- Pertenço à tua cadeia alimentar?
- Não.
- Fiz-te alguma coisa?
- Não.
- Então porque é que me queres comer?
- PORQUE NÃO SUPORTO VER-TE BRILHAR!!!

Nota - Desconheço a autoria deste texto sobre a feia inveja, que me chegou via e-mail. Subcrevo-o, com um pedido... deixemos brilhar os pequeninos e lindos pirilampos!

Publicidade

Publicidade

Gosto muito de apreciar um bom anúncio publicitário, não só pelo poder da imagem, reduzida que está, frequentemente, à elementaridade, à simplicidade e à grande qualidade estética, mas também por reconhecer o desafio que é fazer passar uma mensagem, num curtíssimo espaço de tempo, ao maior número possível de pessoas. Ora estas extraordinárias qualidades, felizmente, estão presentes em muitos dos anúncios que se vão produzindo a nível mundial. É o caso deste "Stop Guns". Imagens excepcionalmente belas, de destruição, a chamar-nos a atenção para o problema da proliferação de armas, que potencia a agressividade e a violência, em sociedades onde o porte de armas é coisa banal.


quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Khaddafi


O Guia da Revolução - Trípoli - Líbia
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

معمر القذافي

Muammar Abu Minyar al-Khaddafi está entre nós. Chegou pela manhã a Lisboa, com o espalhafato do costume, para a tão esperada cimeira UE-África, e montou, literalmente, tenda entre nós. Nascido no Grande Sahara, Khaddafi continua fiel às suas origens nómadas, recusando os costumeiros palácios presidenciais, tão comuns em todos os continentes. Vai daí, Khaddafi continua a montar tendas, para si e para o seu séquito, quer seja na Líbia, quer seja fora dela. Lisboa não foi, por isso, excepção e as tendas foram montadas no Forte de S. Julião da Barra, aqui sem o famoso sirocco ou, como lhe chamam na Líbia, o ghibli, o vento quente e seco que, não raras vezes, se faz sentir no deserto. Com ou sem vento, as tendas propiciarão todo o conforto a um dos líderes mais curiosos e originais a nível mundial.
No poder desde 1969, o que faz dele um dos líderes mundiais há mais tempo no poder, e o mais antigo de todo o continente africano, é Presidente do Conselho da Revolução e dirige a Grande Jamahiriyah Socialista Popular da Líbia Árabe com mão de ferro desde os seus vinte e sete anos. Devo dizer que aquando da minha visita à Líbia, em 2004, pensava encontrar um país onde o culto à personalidade deste personagem estivesse omnipresente e, surpreendentemente, a realidade não correspondeu à minha expectativa. Um ou outro cartaz de Khadafi em Trípoli e, nas outras localidades por onde andei, nem rasto dele. Pensava encontrar um estado hiper-policiado e também aqui me enganei. Controlo policial à entrada e saída das povoações e nada mais. E em Trípoli vi apenas um polícia de trânsito. Não sei se andarão disfarçados de pessoas normais, não sei se andarão infiltrados, mas pensava encontrar um país ostensivamente policiado como Marrocos, e um culto à personalidade como o que vigorava com Hassan II, cuja presença se fazia sentir em cada passo dado, em cada esquina dobrada, em cada porta flanqueada.
Durante a minha estadia na Líbia pouco contacto tive com a população local, embrenhada que andei pelo deserto, mas recordo um, surpreendente, com um grupo de professoras e os seus alunos, numa espécie de colónia de férias. Assim que elas souberam que estavam por ali estrangeiros, nomeadamente professoras portuguesas, procuraram-nos e, curiosas de tudo, bombardearam-nos com as suas questões. Uma curiosidade imensa da parte de uma população que durante tantos anos estivera com os contactos completamente vedados com o exterior. O mais surpreendente para nós foi o aspecto daquelas mulheres árabes, professoras. Havia-as vestidas de forma tradicional, com lenço cobrindo a cabeça, sem lenço na cabeça, vestidas de forma perfeitamente ocidentalizada, em qualquer dos casos absolutamente todas de cara destapada. Recordo uma em particular, com quem falei durante mais tempo, uma mulher belíssima e sorridente, muito bem maquilhada, cabeça completamente descoberta com longos cabelos pelas costas, culta e informada e que me fez recordar Khaddafi por uma razão muito simples. De todas as curiosidades à volta de Khaddafi esta é aquela pela qual eu nutro mais simpatia - Khaddafi é feminista, e as mulheres do seu país a ele lhe devem o papel que desempenham dentro de um país secular, mas muçulmano, onde as mulheres podem desempenhar os mais altos cargos, vestir-se da forma que entendem, conduzir automóvel ou até avião se para aí estiverem viradas. Sou sensível a isto. E confesso que quando vejo aquele folclore da sua guarda pessoal, composta por mulheres, mulheres em quem ele confia a sua segurança, não consigo deixar de sorrir. De contentamento.
E a propósito do seu país disse Seif al-Islam, filho segundo de Khaddafi e o seu mais provável sucessor: “Nos últimos 50 anos, passámos de uma sociedade tribal a uma colónia, de colónia a reino, e de reino a uma república revolucionária. Tenha paciência”.
De facto. Sejamos pacientes. Nem tudo está errado na Líbia.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Perspectivas Improváveis



Perspectivas Improváveis - Amarante - Portugal
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Perspectivas Improváveis

Hoje é tempo de postar meia dúzia de imagens representativas de um tipo de fotografias a que eu chamo de "perspectivas improváveis". Neste caso, meia dúzia de perspectivas improváveis de Amarante.
Assim sendo, e como o nome indica, são fotografias que estão um pouco longe do estereótipo da Ponte e do Mosteiro. Gosto de fotografar perspectivas não muito exploradas, não muito divulgadas. A minha amiga Céu dizia-me ontem mesmo, através do msn, que já tinha visto as minhas postagens sobre Amarante e disse-me ainda "Nem parece Amarante. Parecem fotografias do estrangeiro!"
Ora estas observações deixaram-me a pensar.
Envolvidos que estamos no nosso corre corre diário, tendemos a ser cada vez menos observadores daquilo que nos rodeia. Passamos pelas ruas e nem as vemos, olhamos as formas e as cores e nem as interiorizamos, olhamos o rio e nem o absorvemos.
Eu confesso que procuro remar contra a maré. Contra esta maré de pressa voraz, e de superficialidade, características dos dias que correm, características da nossa civilização. Detenho-me, em momentos de silêncio, e observo, interiorizo, absorvo, como uma esponja, tudo o que me rodeia, com a firme certeza de que, se assim não fosse, eu seria uma pessoa infinitamente mais pobre.
E insisto e volto a insistir na atitude, perfeitamente consciente e propositada, de fazer de mim própria, a cada dia que passa, uma pessoa mais observadora. Porque está tudo aqui, à nossa volta, na rua ou na viela, no alto da torre ou no empedrado do largo, no voo das pombas sobre o mosteiro ou na curva do rio que passa. Não inventei nada. Está tudo aqui.
E eu não quero andar distraída!

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Zelliges





Zelliges - Mesquita Hassan II - Casablanca - Marrocos
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Zelliges

Os zelliges, utilizados a torto e a direito nos solos, em paredes, fontes, fontanários e colunas, fazem parte integrante da arquitectura marroquina, e é impossível dissociar estas duas entidades, já que a arquitectura marroquina seria obrigatoriamente outra sem este elemento decorativo, quase sempre presente, quer seja em mesquitas, palácios, ou casas de habitação mais ou menos modestas.
Os zelliges são mosaicos feitos de forma inteiramente manual, quase invariável desde a Idade Média, desde a preparação da argila de Fez, até ao produto final, extremamente texturado e belo, dos zelliges multicolores. O mosaico, vulgarmente 10x10, sofre dois processos de cozedura em que inicialmente se coze a argila e depois se fixam as cores. Depois, o mosaico, de cores primárias com nuances belíssimas, fica pronto para ser desenhado, a lápis, com as formas e tamanhos pretendidos, para depois serem cortados um a um em pequenas unidades, que seguem a forma previamente estabelecida pelo risco. O trabalho é de paciência, e as várias peças que compõem um motivo decorativo, vulgarmente geométrico, por vezes floral ou caligráfico, são, frequentemente, pouco mais do que minúsculas, como se pode ver nas fotografias acima postadas. Já vi os artesãos trabalharem nas várias fases de fabrico dos zelliges, em Fez, e é sempre surpreendente observar aquele puzzle de peças que, depois de montadas às avessas, e fixadas com argamassa, dão origem a painéis de uma beleza ímpar, que se usam por todo o lado, em Marrocos.
Devo confessar que, quando visito Marrocos, dou comigo frequentemente a afagar paredes, colunas, fontes e afins só para sentir a textura irregular, só para sentir a frescura deste elemento decorativo, que eu amo, e que é tão diferente do nosso azulejo.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Ainda a Tal de Overdose


Dióspiros - S. Gonçalo - Amarante - Portugal
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Ainda a Tal de Overdose

Sim, continuo a correr sérios riscos de sofrer a tal de overdose de dióspiros. É que eles estavam mesmo a acabar, mas eis que o Helder me larga, literalmente, aqui na entrada, mais uma sacada deles, lindos e gloriosos, cor-de-laranja forte, mesmo mesmo da cor da moda, agora que outras cores estão a ficar cada vez mais demodés!
Eu até podia assumir a minha culpa, no caso da tal de overdose acontecer... mas não, decididamente, não, não tenho nada a ver com este filme. Como é que eu consigo resistir aos dióspiros, a rirem-se para mim, sempre que entro na cozinha?!
Por isso, menino Helder, se eu tiver a tal de overdose, a culpa é mesmo tua pois o meu pai também já não tem nada a ver com este filme.

Mouftha


Moufta e Companhia - Akakus - Líbia
Fotografia de Artur Matias de Matias

Moufta

A minha postagem de hoje é sobre um personagem inesquecível que conheci aquando da minha visita à Líbia, na Páscoa de 2004.
O Moufta foi o motorista do Jeep Toyota que nos calhou na rifa, em Sebha, a cidade em pleno deserto de onde partimos para nos embrenhar no Grande Sahara durante cinco longos dias.
Apercebemo-nos desde logo que o Moufta não falava outra língua que não a dele, ou seja, o árabe, e que de inglês conhecia o "yes"e o "no" e que, quando havia problemas, de atascanço, por exemplo, abria os braços e dizia "caput". E quanto a nós não falávamos árabe, a não ser uma meia dúzia de míseras palavras como obrigada, de nada, bom dia, mais ou menos, oxalá e pouco mais. Cinco dias de intimidade com uma pessoa com quem era quase impossível a comunicação seriam talvez um pouco maçadores e monótonos... mas não foram. Não sei que chispa disparou ou acendeu entre nós que nos conectou a todos numa comunhão difícil de explicar. No fim do primeiro dia de viagem, por aquele deserto imaculado e sem fim, já comunicávamos com um simples olhar, um sorriso cúmplice, um empiscar de olhos, um abanar de cabeça, um gesto, uma meiguice. E não falo só por mim. Não posso falar só por mim. Falo pelo Artur, pela Joana, pela minha sobrinha Mel. Uma comunhão estranhíssima entre perfeitos desconhecidos, nós e ele, gente de diferentes culturas, que é raro acontecer, e que, quando acontece, deve ser saboreada como merece ser saboreada qualquer coisa difícil e rara. E assim fizemos. Saboreámos a grandeza e a imensidão do Moufta durante cinco longos dias de partilha intensa. E ele partilhou connosco o seu magnífico Toyota, que conduzia pelo deserto adiante de forma estranha - rodava o volante com o dedo indicador direito, travava com o dedo grande do pé esquerdo, acelerava com o direito e deixou-nos a pensar que ele e a sua máquina eram uma só entidade. E não me esqueço que colocou a minha filha ao volante daquela bizarma e ela, franzina, acusando a responsabilidade, dominou a máquina como uma leoa, conduzindo-nos deserto adentro em absoluta segurança seguindo as ordens gestuais do Moufta. E partilhou connosco a sua bondade, simpatia, sensibilidade, generosidade. E atirou-nos contra autênticas paredes de areia, difíceis de descrever, pondo-nos a trepar e a cavalgar estas dunas gigantescas que só existem neste mar de areia, rindo e gargalhando de contentamento.
Os cinco dias de deserto, longos, passaram que voaram. Soubemos pelo Sahel que o Moufta era pai recente dum rapazito de poucos meses. Soubemos pelo Sahel que a alcunha do Moufta era "Chorão", por ser um indivíduo muito sensível e emotivo. Mas afinal isto já nós sabíamos, isto já nós tínhamos descoberto nos dias e noites passados na areia quente e multicolor do deserto.
Felizmente, a despedida, à porta do aeroporto de Sebha, foi feita a correr, no meio dum enorme stresse. E digo felizmente porque não nos deixou tempo para nada, nem mesmo para abrirmos as barragens em que estavam transformados os nossos olhos prestes a largar todas as lágrimas acumuladas, já de saudades, dum indíviduo que foi um gosto conhecer e que nos enriqueceu a todos com a sua simplicidade.
Continuo a perguntar ao Sahel pelo Moufta e pela sua família. Continua em Sebha e sei que está bem. E continuo a mandar-lhe cumprimentos, e a desejar-lhe tudo de bom, por uma razão muito simples - ele merece.
Independentemente de ser muçulmano, árabe, tuaregue, escuro, claro, ou seja lá o que for.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Ainda a Greve - José Pacheco Pereira

Ainda a Greve - José Pacheco Pereira

(...) "quando numa sociedade em que as dependências e a precariedade são tantas que poucas vozes são efectivamente livres, apoucar os grevistas de hoje é ser parte da pasmaceira colaboracionista em que nos atolamos. É que há mais dignidade cívica nos grevistas do que naqueles que se queixam por tudo o que é recanto discreto ou anónimo dos males da governação Sócrates e não têm coragem para alto e bom som dizer o que pensam e sofrer as consequências."
(No Público de 1 de Dezembro de 2007)

Quanto a mim só posso assinar por baixo. E assino por baixo porque fiz grande parte do meu percurso de vida em liberdade, podendo dizer abertamente o que pensava da religião, da política e até da politiquice. E saboreei cada palavra dita, cada ideia formulada. Conheço-lhe pois o sabor e agora é tarde para inverter o rumo. Assim, continuo a falar sem ter em conta o sítio em que me encontro, e com quem me encontro. Não sigo pois os conselhos de um membro do governo que ficou famoso por dar conselhos aos portugueses neste sentido. Por isso postei este excerto de um texto de JPP que vem ao encontro do que já escrevi, neste blogue, em "posts" anteriores.
Obrigada JPP. Não estamos todos acéfalos.

Kings of Convenience

Kings of Convenience

Insisto. Hoje insisto nos King of Convenience. Gosto mesmo desta banda e destes meninos escorpiões noruegueses. Gosto da imagem, e do look, a condizer com a música arejada.

I'D Rather Dance With You

I'd rather dance with you than talk with you
So why don't we just move into the other room
There's space for us to shake, and hey, I like this
tune

Even if I could hear what you said
I doubt my reply would be interesting for you to hear
Because I haven't read a single book all year
And the only film I saw, I didn't like it at all

I'd rather dance, I'd rather dance than talk with you
I'd rather dance, I'd rather dance than talk with you
I'd rather dance, I'd rather dance than talk with you

The music's too loud and the noise from the crowd
Increases the chance of misinterpretation
So let your hips do the talking
I'll make you laugh by acting like the guy who sings
And you'll make me smile by really getting into the
swing
Getting into the swing, getting into the swing
Getting into the swing, getting into the swing
Getting into the swing, getting into the swing
Getting into the swing, getting into the swing...
(Getting to the swing...)

I'd rather dance, I'd rather dance than talk with you
I'd rather dance, I'd rather dance than talk with you
I'd rather dance, I'd rather dance than talk with you
I'd rather dance, I'd rather dance than talk with you
I'd rather dance with you
I'd rather dance with you

sábado, 1 de dezembro de 2007

Kings of Convenience

Kings of Convenience

Banda norueguesa, composta por dois escorpiões chamados Erlend Oye e Eirik Glambek Boe, que se dedicam a compor e interpretar uma música folk-pop muito suave, calma, delicada e melodiosa, que me remete imediatamente para o som de Simon e Garfunkel.

Winning a battle, losing the war

Even though I'll never need her,
even though she's only giving me pain,
I'll be on my knees to feed her,
spend a day to make her smile again
Even though I'll never need her,
even though she's only giving me pain
As the world is soft around her,
leaving me with nothing to disdain.

Even though I'm not her minder,
even though she doesn't want me around,
I am on my feet to find her,
to make sure that she is safe and sound.
Even though I'm not her minder,
even though she doesn't want me around,
I am on my feet to find her,
to make sure that she is safe from harm.

The sun sets on the war,
the day breaks and everything is new...

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Ainda a Greve Geral

Ainda a Greve Geral

Contente. Estou muito contente.
A ESA, uma espécie de reduto socialista cá do sítio, encerrou portas a alunos por falta de funcionários.
De resto, é o espectáculo deprimente de sempre, com a guerra dos números habitual.
Não ouvi o noticiário, mas ouviu a Joana, e à pergunta "Como estão os números da greve?" ela lançou-me entre gargalhadas "Entre 20 e 80!"
Os números da greve serão então qualquer coisa entre 20 e 80% com a convicção e o desejo de que andarão mais próximo dos 80 do que dos 20, número este apresentado pelo governo, e ridículo, pela amostragem daqui de Amarante. A Escola da Sede encerrou portas, a ESA fechou logo pela manhã, a E.B. 2/3 encerrou para o período da tarde.
Não me lembro de um dia de greve tão participado aqui no burgo desde que aqui estou a leccionar.
Aproveitemos pois este maravilhoso dia de sol em que muitos de nós apresentam um cartão vermelho à actuação do governo.
E eu, grevista, confesso... tenho testes para corrigir e por isso vou trabalhar ... digamos que na minha componente não lectiva!!!!!
Se o governo me tivesse que pagar por cada hora de trabalho que dou, para além do horário estipulado por lei, muitas horas extraordinárias eu receberia!!!

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Estás Contente?






Estás Contente?

Se estás, não participes na greve geral, que vai realizar-se amanhã, dia 30 de Novembro.
E, se não participares na greve, faz-nos um favor a todos...
Cala-te!

Sinos de S. Gonçalo


Sinos - S. Gonçalo - Amarante - Portugal
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Sinos de S. Gonçalo

Estes são os famosos sinos de S. Gonçalo que assinalavam cada hora do tempo da minha infância badalando em troca do esforço físico de alguém. Na actualidade é um pouco diferente substituídos que foram os homens por mecanismos colocados no exterior dos sinos que se encarregam de todo o trabalho, sem falhas, noite e dia sem parar, numa cadência imutável no tempo, assinalando cada quarto de hora e cada hora que passa, assinalando a morte de homens e mulheres cá do burgo, lá do alto da Torre Sineira, assinalando as trindades, a cada sexta-feira, pelas três da tarde, em que desatam a pseudo-badalar loucamente. E parece até que também já serviram para assinalar um importante troféu, ganho pelo FCP, num qualquer campeonato, porque clubite e igreja, a cada passo, unem esforços a rondar quase os divinos.
Estes são pois os famosos sinos de S. Gonçalo, que dançavam e badalavam mesmo, no tempo da minha infância, puxados por um ou dois homens que ali punham à prova o seu cabedal e que nós, miúdos, observávamos de longe, do Largo, apreciando o esforço, apreciando a sinfonia imutável. Agora permanecem imóveis, mas não silenciosos, lá no alto. Problemático? Não. Se tocam a sério ou a brincar, para nós, amarantinos, tanto faz. Importa mesmo é que se ouçam os sinos a badalar e a repicar, o som saído lá do alto da Torre, como sempre, desde sempre. Quanto à forma como tocam é apenas sinal de que também os sinos se adaptaram à inevitável passagem do tempo.
E registo que, quando nos ausentámos da terra, sentimos a sua falta, e sentimos saudades desta marcação do tempo cadenciada que nos remete para o Largo, que nos remete para o nosso umbigo.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Life is not...

Life is not...

Obrigada, Mina.

Solidariedade


Solidariedade - Barca - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Solidariedade

Hoje posto sobre um valor que muito aprecio e que é inerente à nossa condição humana. Ou melhor, que deveria ser sempre inerente à nossa condição humana. Hoje posto sobre solidariedade, a propósito de um anúncio que expressa magnificamente este valor, porque um gesto vale mais do que mil palavras e este anúncio mostra-nos um gesto. Esse gesto. Solidário.
Não sou teórica de coisíssima nenhuma, nunca fui, jamais serei, pela simples razão de que não aprecio a teoria por si só. E tenho horror aos teóricos cheios de palavras rebuscadas e cheias de floreados, tenho horror a pessoas que batem com a mão no peito e são umas sacanas na sua acção, tenho horror a pessoas que dizem uma coisa e fazem o seu oposto. Pelo contrário, sou uma pessoa apreciadora de práticas e prática. E assim sendo, pratico. Pratico acções, e pratico valores. E prefiro reparar nas acções e nos gestos, pequenos ou grandes, simples ou complexos, a reparar no que as pessoas dizem e que, frequentemente, só serve para realçar a sua falta de coerência. Assim sendo, fico-me com a prática. Observo as práticas. E pratico. E gostaria de estar ao nível da simplicidade e complexidade deste gesto expresso neste corte de cabelo. E gostaria de ser capaz de estar à altura desta criança que, neste spot publicitário tão bem conseguido, nos alerta para a importância de se ser solidário com familiares, e acrescento, com amigos e até mesmo com desconhecidos. Foi uma das razões que me levou a ser dadora de sangue. Solidariedade. Até com desconhecidos.






terça-feira, 27 de novembro de 2007

Overdose



Dióspiros - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Overdose

A Joana saiu-se com esta graçola/ameaça/certeza este fim-de-semana. Vendo-me a comer dióspiros pela milésima vez, decretou alto e bom som "Vais ter uma overdose de dióspiros".
E eu estou com um palpite que a profecia da Joana tem boas pernas para andar e para se concretizar. É que continuo a comer vários ao dia, bem regados e temperados com canela.
Deliciosos. Simplesmente deliciosos.
Agora para variar um pouco, alterno com dióspiros maçã que, muito embora não sejam de fazer perder a cabeça como os originais, são um fruto bastante interessante e saboroso. Alterno... alterno???!!!
Não, de facto não alterno. Permaneço. Permaneço fiel aos dióspiros, até que estes acabem nas árvores, arriscando mesmo a tal de overdose!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

De Babá a Treinar para Vovó



João - S. Gonçalo - Amarante - Portugal
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

De Babá a Treinar para Vovó

Este fim-de-semana último foi mais um em que me deliciei a tomar conta do meu sobrinho caçula e em que, fazendo de babá, estive a treinar para vovó.
O João continua uma delícia de menino, sem estranhar pessoas nem lugares. Os pais deixaram-no aqui, no sábado à tarde, e foram tirar a barriga de misérias na borga da noite transformada agora, a maior parte das vezes, em miragem longínqua, que ficou algures lá atrás, perdida no tempo.
Quanto ao João está incomparavelmente maior e faz já muitas habilidades. Rebola na cama com rapidez, levanta a cabeça com toda a facilidade, sorri a torto e a direito, ri às gargalhadas, emite sons estranhíssimos querendo já comunicar, come papas, sopa e maça cozida e passada, e está na fase das descobertas olhando e apalpando tudo o que lhe passa à frente dos olhos.
De resto continua um paz de alma que adormeceu por volta das vinte e duas horas, mamou um biberão de leite por volta da uma da madrugada, sem mesmo se dignar abrir os olhos, e acordou às sete da manhã a palrar e a rir, todo bem disposto, querendo companhia.
Um doce de menino. Agora, com cinco meses, continua o que sempre foi - um doce de menino, simpático, risonho, tranquilo, sossegado, em contraste completo e absoluto com a sua irmã, Ema, que é o terror lá de casa e dos arredores.

domingo, 25 de novembro de 2007

Novas Competências

Novas Competências

Conforme prometido aqui está um álbum de fotografias já inteiramente organizado e publicado por mim.
O Helder tinha-me dado as directrizes para a publicação de um álbum, através do msn, mas a meio dos procedimentos já eu estava completamente perdida sem saber o que estava a fazer. Desisti. Momentaneamente. Depois explicas-me lá na escola, disse-lhe eu.
Mas a verdade é que o rapaz, muito ocupado com as informáticas, não teve tempo de me explicar coisíssima nenhuma. Vai daí, informei-o que iria tentar sozinha.
Hoje resolvi experimentar e tentar a sério. Pensei... bolas, não deve ser assim tão complicado!!! Ataquei a sério o programa slideshare e lá consegui publicar o álbum, previamente organizado e minimizado, sem dificuldades de maior.
Assim sendo, adquiri uma nova competência nesta área fascinante das novas tecnologias, o que me deixa deveras contente e satisfeita comigo própria. É que se me tivessem dito, há coisa de um ano, que eu iria, em tão pouco tempo, desenrascar-me a fazer um blogue, uma página web e agora a fazer mais esta habilidade, eu teria dado uma boas gargalhadas porque não acreditaria que tal fosse possível.
Moral da história... Ser lançado às feras, ou ser trapezista sem rede, aguça o engenho, e não faz mal a ninguém.
Obrigada, Helder. Continuo a agradecer-te por me obrigares a progredir.

Casario Anónimo

Reflexos Humanos


Reflexos - Amarante - Portugal
Fotografia de João Pedro Fonseca

Reflexos Humanos

Continuo a postar reflexos, agora numa fotografia engraçada que o JP nos tirou às duas, aos três, aliás nem sei bem a quantos, com a minha máquina toda xpto, como ele chama à minha Canon digital. É que na fotografia, para além de aparecer a minha pessoa, aparece a Rosinha, o João Pedro e mais não sei quantas pessoas entre anónimos e pessoas conhecidas reflectidas no vidro o café.
Foi uma boa manhã de sábado, passada entre conversas, queques, gargalhadas e fotografias.
E amizade. Muita amizade.

sábado, 24 de novembro de 2007

Perpectivas Aéreas






Perspectivas Aéreas - S. Gonçalo - Amarante - Portugal
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Perspectivas Aéreas

Tinha planeado fotografar o nevoeiro, no rio, logo pela manhã, mas a verdade é que o nevoeiro encarregou-se de me alterar os planos. Denso, denso, cobria Amarante inteira, com um manto branco e opaco de nuvens mais do que rasando o rio. Vai daí, terei de esperar por um dia de nevoeiro farripado e lindo, para seguir a sugestão da minha amiga Rosinha, e descer a calçada, ainda antes das oito da manhã, e fotografar a beleza etérea do Tâmega, num amanhecer encantado e misterioso.
Por hoje, o excesso dele fez-me mudar de planos. E acabei a manhã a fotografar de novo o meu umbigo, agora numa perspectiva desconhecida de muitos amarantinos que, habitando o burgo desde que nasceram, nunca se dignaram subir à Varanda dos Reis ou, melhor ainda, à Torre Sineira.
Eu já subi as escadas estreitas inúmeras vezes e até já servi de cicerone aos meus amigos de cá e de fora, que comigo fizeram uma visita guiada ao museu, à biblioteca, e que comigo subiram pela primeira vez os degraus que nos levaram, e levam, aos famosos sinos de S. Gonçalo. E servi de cicerone ao Sahel aquando da sua estadia entre nós.
A subida é imperdível. O que de lá se avista também.
E S. Gonçalo é sempre lindo seja de que perspectiva for. O zimbório, o largo, a ponte, o rio, sempre presente, incontornável, rasgando a cidade em duas metades bem distintas e diferentes.
E Amarante é sempre um espectáculo, fotografada de baixo, de cima e palpita-me que até mesmo fotografada do avesso a cidade manterá a sua beleza inalterada.
Amarante será sempre um espectáculo, com cambiantes únicos, que nos embriagam os sentidos.
 
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