sexta-feira, 16 de maio de 2008




Ainda o Congresso

Ontem deixei aqui uma constatação/lamento sobre a falta de público ao II Congresso Histórico de Amarante. Hoje volto a registar esta notória falta de público, com conferências com doze pessoas na assistência. Da parte da manhã ainda a sala esteve composta, mas foi pura ilusão de óptica porque os senhores conferencistas presentes naquela assistência eram numerosos. E vá lá que a minha querida colega Rosa Maria Fonseca levou uma turma de Secundário do Colégio de S. Gonçalo de Amarante.
Registo a grande ausência do segmento profissional que seria expectável estar a assistir em peso. Registo a grande ausência dos professores. De facto a nossa vida profissional complicou-se de tal forma que chegamos a isto. Indisponibilidade quase total, impossibilidade quase total para assistir seja ao que for mesmo que à partida as temáticas nos despertem interesse.
O meu dia de hoje foi de loucos. Uma aula com o meu 9º H pela manhã e, logo que tocou para fora, mais concretamente às 10 horas, alas que se faz tarde, desce escadas, sobe escadas, arrastando comigo uns bons 8 kg de peso entre livros, computador portátil e projector. E corro ESA adiante, meto-me no carro e dirijo-me rapidamente à Biblioteca num esforço para não chegar atrasada. Cheguei.
Durante este tempo deveria estar na escola, em Departamento, mas previamente pedi autorização superior para trocar estes noventa minutos e dá-los-ei durante a próxima semana, numa ânsia de conciliar o mais possível duas actividades que em parte se sobrepõem.
Pude assim assistir às conferências até ao intervalo e eis que são já 11:45 e eu tenho de voltar à escola numa correria desenfreada para voltar a fazer o percurso inverso do vai buscar projector e computador portátil, e já toca para dentro!, e eu tenho mais 90 minutos de aula com o meu 9º G!
Felizmente a aula correu lindamente com alunos atentos e interessados e a colaborarem activamente nas tarefas propostas. Quem os viu no sétimo ano e quem os vê hoje em dia dentro duma sala de aulas! Uma beleza!
1:30 e eis que toca para fora e eu tenho de ir para casa numa corrida, almoçar numa corrida, voltar à escola numa corrida para uma reunião para preenchimento de tralha que não interessa nem ao menino Jesus! E volto para o Congresso por volta das 3 horas da tarde. Neste corre corre perdi uma das conferências a que gostaria imenso de ter assistido intitulada "Cartofilia Amarantina: o Bilhete Postal Ilustrado nos primeiros anos do século XX. Lamento Pedro, por mim, que certamente ficaria mais rica depois de te escutar.
Acabadas as conferências foi tempo de pegar no carro e ir até ao Mosteiro de Travanca para uma breve visita guiada a que se seguiu uma ida à Casa Museu Acácio Lino.
Entre encontros e conversas com antigos colegas de curso e com antigos professores da faculdade que eu não via faz anos, assentei arraiais em casa já passava das 21 horas. Uf! Uf! Que cansaço!
E amanhã há mais.

6 comentários:

Raul Martins disse...

E li hoje no "Destak" Isabel Stilwell: "Sem entendermos quem somos, e de onde vimos, estamos feitos... Portugal é um país cheio de sorte, tem história em todos os cantos, dos locais mais recônditos às colinas mais altas das suas cidades, onde invariavelmente um "castelo altaneiro" não deixa esquecer que já outros ali estiveram antes de nós... olhando para trás, ser capaz de construir um futuro melhor."
Carpe diem!

Anabela Magalhães disse...

Claro, Raul, estamos feitos mesmo.
Tudo o que está para trás explica o que somos hoje enquanto seres individuais e enquanto entidade colectiva.
"... olhando para trás, ser capaz de construir um futuro melhor."

Maria do Carmo Cruz disse...

Bom dia, Amigos todos! Deixem-me acrescentar uma reflexão: tudo o que está para trás explica muita coisa e talvez explique também por que somos tão profundamente individualistas. Por exemplo, em competições internacionais, muitas medalhas ganhamos! Mas em modalidades individuais!
Gosto, amo, a ideia de mostrarmos aos nossos filhos e netos as nossas belezas presentes e as marcas das nossas glórias passadas.
DEVIA SER OBRIGATÓRIO! Mas não para ficarmos a olhar para elas! Mas sim para aumentarmos a nossa auto-estima pessoal e colectiva! Cada vez que leio, nesta nossa teia, uma sugestão para uma união de esforços, a minha alma rejubila!
E façam o favor de ser felizes. Vamos até tentar ainda um bocadinho mais felizes porque hoje é Sábado. Vamos ser felizes por e com a Teresa. Um beijo da Carmo

EMD disse...

Olhar o passado, reflectir sobre o presente, construir o futuro (Onde é que eu já vi isto?... Ah, pois... o lema da ESCM!). ;-)
Esta é uma das razões por que me fascinam aquelas histórias antigas.
Quanto à ausência de professores: isolados, embrutecidos, mangas de alpaca, parece que é assim que nos querem. A resistência também passa por aqui.
Beijo e Bfs

Anabela Magalhães disse...

A teia vai-se tecendo com esforços grandes ou pequenos e acima de tudo com partilhas.
Partilhar experiências ajuda na progressão do colectivo.
Quanto à História a minha grande preocupação no ensino básico é que as gerações que me vão passando pelas salas de aula não rejeitem liminarmente o conhecimento do passado, passado este que é importante conhecer para entender o presente, que é importante conhecer para construirmos um futuro melhor.
Alerto constantemente os meus alunos para isto fazendo a ponte entre o passado e o presente.
Boa estadia por terras do nosso ventre.
Bjs, Carmo.

Anabela Magalhães disse...

Concordo completamente, Elsa. Querem-nos mangas de alpaca afogados em papelinhos, em tralha, executores sem qualquer espírito crítico, peças de uma engrenagem, embrutecidos a abanar a cabeça perante os iluminados.
Mas a gente esperneia e esbraceja, e faz ouvir a sua voz, através desta ferramenta maravilhosa.
A blogosfera é um espaço de partilha que nos ajudará a crescer a todos enquanto pessoas, enquanto professores.
Resistiremos... espero!!!

 
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