quarta-feira, 7 de maio de 2008










Tâmega - S. Gonçalo - Amarante - Portugal
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Barragem de Fridão

Antes de mais nada peço aos meus leitores que leiam esta notícia do Marão online atentamente.
«A Câmara de Amarante decidiu hoje, por maioria, estudar a possibilidade de intentar uma providência cautelar contra a abertura do concurso para a barragem de Fridão, lançado pelo Ministério do Ambiente a 30 de Abril.
A decisão foi tomada na reunião camarária desta segunda-feira, tendo o executivo deliberado – por cinco votos a favor (PSD, MAA/Ferreira Torres e IND.) e dois contra (PS) – solicitar um parecer ao gabinete jurídico da autarquia acerca dos fundamentos da referida providência cautelar.
O vereador independente Carlos Silva apresentou uma proposta para o executivo aprovar a apresentação da providência cautelar, mas uma contra-proposta de Amadeu Magalhães acabou por levar à retirada da primeira, depois de ambas terem sido admitidas a discussão.
Carlos Silva defendia que se deve impugnar desde já o concurso, tendo acusado o presidente de "pouco ou nada ter feito para travar a construção da barragem".
Armindo Abreu, por seu lado, considerou que a proposta estava mal fundamentada, não expressando sequer "que acto do Governo deve ser impugnado e quais os fundamentos da impugnação".
"Só depois da barragem construída é que vai fazer alguma coisa?", perguntou Carlos Silva, num comentário às posições de Armindo Abreu.
Ferreira Torres também entrou na discussão: "Ele [presidente] não vai fazer nada, como no caso da maternidade. [Armindo Abreu] É uma peça do Governo".
O vereador Amadeu Magalhães (PSD) interveio para alertar "que [a barragem] é um assunto demasiado sério para haver clivagem no executivo", considerando, também, que a proposta de Carlos Silva, ao não fundamentar a impugnação, é "insensata".
Acabou por vingar a proposta do primeiro vereador do PSD: "Sou contra a barragem, mas uma providência cautelar deve ser um acto ponderado e a sua oportunidade [logo após o lançamento do concurso público] é questionável".
A proposta aprovada hoje determina que os serviços jurídicos da câmara avaliem as possibilidades de travar nos tribunais o concurso da construção da barragem de Fridão e apresentem um parecer no prazo de 15 dias.
Se o Município apresentar uma providência cautelar contra o concurso o processo desencadeado pelo Ministério do Ambiente pára imediatamente e, pelo menos, terá a vantagem, segundo alguns ambientalistas, para separar o caso de Fridão das outras nove barragens.
Recorde-se que a construção do aproveitamento hidroeléctrico de Fridão, a menos de uma dezena de quilómetros a montante da cidade, tem sido apresentado pelos movimentos ecologistas e de cidadãos como “um atentado ambiental” à região de Amarante.»

in Marão online.

Barragem de Fridão

Trata-se, então, de pôr trancas à porta depois da casa assaltada... e o curioso é que nem com o ladrão a entrar, mais uma vez, portas adentro de Amarante, os políticos de meia tigela se entendem. Ah, porque tu és deste partido e eu sou doutro... ah, porque eu não gosto de ti...ah, porque eu não gosto da tua família... ah, porque há vinte anos fizeste-me isto e aquilo... ah, porque há trinta anos tiveste uma opinião oposta à minha...

Evito falar desta politiquice local que me deixa deveras enjoada, enojada e decepcionada. É mesmo um assunto que me indispõe e me repugna. Mas desta vez vou falar e para colocar umas questões muito simples. Ó meus senhores, o que é que andaram a fazer com um assunto que tem pelo menos 14 anos? Então agora que é lançado o concurso para a construção da Barragem de Fridão é que os senhores se afligem? Se afligem, mas nem na aflição se entendem?

Haja paciência! Haja paciência para tanta politiquice de meia-tigela.

E o meu irmão que anda a falar e a escrever sobre isto há 14 anos? Não o escutaram? É uma voz incómoda? Devia ser silenciado? Por ser um dissidente do PS local?
De facto para vocês, e como dizia o outro "Só nos fazem falta os que estão de acordo".
É este o vosso sentido de democracia.

Devo dizer que aquando da construção da Barragem do Torrão, e alertada que fui para os problemas ambientais que daí resultariam para Amarante, pelo meu irmão, geógrafo, e amante, acima de tudo, de Amarante, tomei uma posição muito crítica.
E de facto, passados todos estes anos, os resultados estão à vista nas águas poluídas do Tâmega, nas águas cheias de algas que proliferam com o calor, na perda irreparável da nossa praia fluvial onde os amarantinos passavam o Verão sacudindo a canícula dentro da água fresca do Tâmega.

Confesso que agora fico ainda mais preocupada. Confesso que me preocupa ficar com um paredão de água, enormesco de 90 metros de altura, à distância de 6 km da minha cabeça, ainda para mais num vale estrutural sismo tectónico que resulta da evolução duma falha ainda activa, com todos os riscos que daí advêm. Confesso que o facto de estar omisso o tratamento dos impactes negativos a nível ambiental, paisagístico e histórico no documento que sustenta a construção desta barragem me deixa igualmente preocupada e aflita. Confesso que o facto da água ficar à cota 65, em Amarante, com a inevitável destruição dos passeios pedonais e do arvoredo junto ao rio me preocupa muitíssimo. Confesso que a destruição das ínsuas e da Ilha dos Amores me enerva.

Por isso assinei a petição que está em curso. Temo que já seja tarde, mas a esperança é a última coisa que se deve perder.

Vai daí aqui a deixo para os meus leitores que a queiram assinar.
Eu agradeço.
Amarante também.

6 comentários:

Raul Martins disse...

Já tens o meu contributo.
Lamento as politiquices.

Anabela Magalhães disse...

Obrigada em nome da munha terra, Raul, pelo teu contributo.
:)

Anabela Magalhães disse...

Minha, é claro!

Helder Barros disse...

É verdade, o teu irmão há muito que vem falando nisto, como pessoa bem informada e bem formada que é. Mas a politiquice leva a que hajam Amarantinos credíveis e menos credíveis... Agora há uma coisa, isto de amar o Rio devia ser comum a todos, mas temo que não o seja. Bem sei que o Rio não diz muito à nossa juventude, foram criados nas piscinas, nós não, fomos nos poços! Mas, basta olhar para as tuas fotografias que me emocionam, será que sabem o que vão fazer. Sei que não és de catolicismos, mas eu tenho que citar Cristo: "pai perdoa-lhes eles não sabem o que fazem!".
Isto de impedir que as fgerações futuras fruam das margens deste rio, dos passeios á beira Rio; isto é um crime de lesa património. Lembro-me há muito anos de ler um artigo de Emanuel Queirós que já então falava no risco da falha tectónica de Fridão: porque será que teimam em não ouvir as pessoas sérias e proficientes por causa da ... porcaria da politica! Excelente postagem, Blue Scorpion! Este Rio pertence-nos!

Anabela Magalhães disse...

Obrigada, Hélder, andava a sentir-me em falta com o meu rio.
Hoje ataquei-o, muito embora me custe sempre postar sobre estes assuntos. Como sabes abomino as políticas abaixo do nível da sarjeta que se preticam aqui no burgo. Xô políticos... vá de retro Satanás!!!!!!!!!!
Acho que vou postar umas maias/giestas no meu blogue...

Anabela Magalhães disse...

E é praticam, claro!

 
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