sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Arquitecto Rolando Torgo

Habitação - Arquitecto Rolando Torgo
Fotografia de João Navas
 
Arquitecto Rolando Torgo

O arquitecto Rolando Torgo, nascido e criado em Amarante, foi, é e continuará a ser, o meu arquitecto amarantino de eleição. Formado na chamada Escola do Porto foi, sinto-o, frequentemente incompreendido, tanto a nível pessoal como profissional. Dotado de uma personalidade serena, tranquila e doce, e possuidor de uma cultura profundamente humanista e invulgar, conseguiu, aqui e ali, praticar a sua excelente arquitectura... sim, Senhor Arquitecto, é certo que vocês precisam de bons clientes que vos deixem exercer a vossa profissão... que vos deixem voar...
A arquitectura deste arquitecto era/é rectilínia, descomplicada, ponderada, racional, afectuosa, aconchegada, aberta, limpa, asseada, respeitadora, minimalista, cheia e calorosa... tudo isto e muito mais fundido em casas maravilhosas e fáceis de onde nem apetece arredar pé.
Conversávamos muito por motivos profissionais mas também pessoais.... engraçado que, separados por idades tão díspares, ele podia ser meu pai, comungávamos de muitas ideias e de muitos gostos e, além do mais, tínhamos sempre sempre o amor à arquitectura a unir-nos... eu serei sempre uma amante de arquitectura... se não fosse professora... talvez arquitecta... quem sabe numa outra encarnação?

A fotografia que ilustra este post, de João Navas, igualmente arquitecto, é de uma habitação excelentemente esgalhada por este Amarantino que, tendo já partido, permanece na nossa rua, permanece em nós, permanece em mim.
E é um pequenino tributo a este arquitecto/pessoa de primeira água. Para que não caia no esquecimento.

1 comentário:

Lurdes Abreu disse...

Tive o grande privilégio de conhecer este grande Homem e Arquiteto, que aceitou fazer um projeto particular para uma pequena, mas maravilhosa, moradia familiar... Quem olhasse para ela, do lado norte ou nascente, só via as paredes exteriores, acima da cota, ficando com aquela perceção da "posição intrauterina", já que toda ela era virada para dentro e para o mar, permitindo um grande ambiente intimista, ideal ao relaxamento e até à meditação... Por isso, Anabela Magalhães, concordo plenamente consigo quando diz: " A arquitectura deste arquitecto era/é rectilínia, descomplicada, ponderada, racional, afectuosa, aconchegada, aberta, limpa, asseada, respeitadora, minimalista, cheia e calorosa... tudo isto e muito mais fundido em casas maravilhosas e fáceis de onde nem apetece arredar pé."

 
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