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terça-feira, 21 de junho de 2011

Evidências

O Meu T0 em Roterdão - Holanda
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães


Evidências

Começa a tornar-se a palavra da moda nas conversas entre professores. Há escolas que as definiram e há escolas em que não se definiu nada de nada e, assim sendo, uma evidência pode ser aquilo que entendermos por bem ser relevante para a comprovação das práticas que afirmamos ter.
Por exemplo, a fotografia que hoje partilho com os meus leitores, através desta porta escancarada para o Mundo que é o meu blogue, é de um apartamento que foi por mim alugado em Roterdão, na Holanda, aquando duma viagem de carro daqui até esse país longínquo, que eu amo papar quilómetros e parar onde me dá a real gana pelo tempo que me apetecer.
Ora esta fotografia serve de evidência para múltiplas considerações sobre a minha pessoa. Não me encaixo bem no fast food da comida enlatada que me servem nas agências de viagem e também não me encaixo bem na "segurança" pré-definida por elas asseguradas. Gosto de descobrir por mim, parar aqui e ali segundo os meus apetites, experimentar coisas novas, viver hoje porque amanhã não sei não... e costumo dizer que sim à vivência de experiências novas e enriquecedoras.
Foi o que me aconteceu em Roterdão. Andei à procura de hotel para pernoitar e encontrando tudo lotado fui parar a esta zona da cidade, junto a um canal ladeado por frondosas árvores, num dos bairros mais árabes de toda a cidade de Roterdão. Acabei a alugar um apartamento, com a chave do dito na mão, por uma ou duas noites. Mal saía porta fora da "minha casa de Roterdão" sentia-me verdadeiramente "at home" tal a quantidade de mulherio árabe que por ali circulava.
E aqui se comprova que eu tenho uma mente aberta, não sou preconceituosa e não discrimino os meus iguais, características imprescindíveis a qualquer pessoa que se preze de o Ser, particularmente se a pessoa for docente... decente. Por aqui se comprova que eu tenho grande capacidade de adaptação a novas situações e de desenrasque também e que não me atrapalho facilmente perante os imprevistos que surgem amiúde, aqui e ali. Aluguei o T0 a uma holandesa num bairro árabe de Roterdão e senti-me como um peixinho dentro de água... e sim, tenho a certeza, nem toda a gente passaria por ali, nem toda a gente pararia por ali.
Esta é pois a minha evidência um. Partilho-a.
Ah! A sério que a fotografia não basta como evidência? Bem, posso sempre indicar a holandesa que me fez o contrato de arrendamento e que por certo comprovará tudo aquilo que acabo de escrever.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Transparência


Transparência - Leiden - Holanda
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Transparência

Hoje recordo impressões de viagens pela Europa e recordo, com especial gosto, a transparência dos holandeses. Não que ela esteja completamente erradicada de outros países europeus mas, na Holanda, a transparência assume uma dimensão absolutamente única e avassaladora.
A fotografia que uso para ilustrar este post foi tirada algures em Leiden, pequena cidade universitária holandesa, com um ambiente completamente descontraído e jovial, que os holandeses são os latinos daquela parte da Europa.
Foi aí que a tirei, é certo, mas podia ter sido tirada em qualquer outro sítio da Holanda pois, quer seja povoação pequena, quer seja cidade grande, a transparência das casas, das ruas até aos jardins das traseiras, está presente a torto e a direito e à mão de semear, para quem for sensível a esta coisa dos interiores.
A fotografia que agora posto foi a única fotografia que disparei violando aqueles interiores que não são meus. Por puro pudor, não vim com uma colecção absolutamente fabulosa de interiores reveladores de gostos sóbrios, práticos, simples, acolhedores. Interiores bem diferentes uns dos outros, mas todos, todos sem excepção, a despertar-me a vontade de entrar e de aí permanecer. O que, devo confessar, não me acontece com frequência.
Mas, se por puro pudor não registei mais interiores em fotografia, isso não me impediu de os registar dentro de mim, na minha memória preciosa que espero nunca me venha a pregar partidas de maior.
As casas holandesas são, no geral, pequenas, e o esquema típico de área social pode ser apreciado no exemplo da fotografia. Muitas habitações têm amplas janelas no rés-do-chão, sem cortinas, sem portadas e sem grades, numa transparência completa, absoluta e ao alcance dos nossos olhos. Quando têm estores, como no exemplo postado, têm-nos completamente recolhidos, deixando ver tudo o que há para ver na parte social da casa, através de rasgamentos enormes, frequentemente enfeitados com vasos de flores, de tulipas, de preferência.
Os interiores holandeses deixam percepcionar estantes de livros carregadas de ponta a ponta e a torto e a direito, muito pouco mobiliário, pouquíssimos objectos decorativos.
Registei e apreciei a transparência, a descontracção e o espírito prático dos latinos do Norte. Amei eles. E, nestes interiores transparentes, senti-me um peixinho dentro de água.
 
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