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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Estágios - CEF

Estágios - CEF

Os alunos da minha Direcção de Turma, CEF de Pastelaria/Panificação, estão a terminar as aulas às várias disciplinas e não faltará muito tempo para que ingressem em estágio, estágio este de um mês, imprescindível para a conclusão da sua formação e para a obtenção do diploma final, após a conclusão da PAF.
Ando na fase, trabalhosa, de pedinchar estágios pelos estabelecimentos locais ligados ao sector da pastelaria e panificação e a experiência acumulada já serve para retirar algumas conclusões.
Há estabelecimentos em que os patrões nos recebem de braços abertos e sorriso franco, assim como à possibilidade de providenciarem estágio aos miúdos e miúdas que já sabem fazer de tudo, diga-se de passagem, mas também há aqueles que se recusam a colaborar e nos negam essa possibilidade. Uns recusam a ideia logo à partida, o que eu agradeço porque não me fazem perder tempo, eu não tenho tempo a perder, outros engronham, metem os pés pelas mãos, atiram a recusa para as costas do pasteleiro, engronham, por eles sim, dariam todos os estágios com todo o gosto... engronham... mas o pasteleiro... e quando eu me disponho a falar com o pasteleiro, qual o problema de falar com ele entre as 2 e as 6 da manhã?, afinal não é o pasteleiro, mas é o próprio que não dá, que não quer... e a história ainda tem mais um pormenor perverso mas hoje não a esmiuçarei. Voltarei a ela, um dia destes, deixá-la-ei para segundas núpcias.
Aceito a recusa e o não. Muito embora o considere não solidário e incorrecto do ponto de vista social e de uma cidadania que se quer plena e cheia. Devemos ser uns para os outros num toma lá dá cá que só nos pode engrandecer enquanto seres humanos. E não deixo de realçar que se toda a gente assim procedesse, se toda a gente recusasse a possibilidade de dar estágios, sem qualquer encargo económico para as empresas, estes miúdos ficariam sem diploma, não concluindo, por isso, a sua formação, que os habilitará a ingressar no mercado de trabalho, no final de um ciclo de 2 anos, composto de disciplinas teóricas e, acima de tudo, práticas.
Depois não se queixem que este país forma só doutores. Porque não forma. E, acima de tudo, que não abram a boca para se queixarem a este nível aqueles que agora recusam estágios.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Feira das Profissões










Feira das Profissões - Parques EDT - Amarante

Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Feira das Profissões


Acabou hoje e foi, para nós, um êxito. Para trás deixámos uma excelente imagem e na Feira falou-se, em termos bem elogiosos, do Curso de Educação e Formação de Pastelaria/Panificação da EB 2/3 de Amarante.

Ao fim do dia os alunos estavam cansados, é certo, mas também estavam muito felizes.

Hoje foi dia de fabrico de mais folhados, bolos e de pão maravilhoso, pão normal, integral e mesmo pão com pequenas pepitas de chocolate... hum... huuuuumm...

Pelo meio estes futuros pasteleiros/padeiros ainda prepararam uma surpresa ao aniversariante de hoje e, em segredo que só partilharam comigo, confeccionaram-lhe um bolo de aniversário, recheado a chocolate negro.

Gosto de gente assim, delicada, atenciosa, decente.

Parabéns, alunos meus!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Feira das Profissões














Feira das Profissões - Parques EDT - Amarante

Fotografias de Anabela Matias de Magalhães


Feira das Profissões

Como é possível defender-se a extinção dos Cursos de Educação e Formação? E depois advogar que o país não tem oferta profissional? Pois estes cursos, sem serem considerados profissionais, vá lá saber-se porquê, é certo que dão uma preparação verdadeiramente profissional e preparam, de facto, os miúdos para uma possível futura entrada no mercado de trabalho.

Há cursos de CEF a funcionar mal? Há cursos de CEF a funcionar muito mal?

Pois exijam que funcionem bem e não façam a coisa por menos.
Eu sou a feliz DT destes meninos e meninas que hoje fazem sucesso na Feira das Profissões, distribuindo bolos acabadinhos de sair do forno entre sorrisos e mais sorrisos de excitação.

Hoje os meus alunos estão um pouco alvoroçados, o que é absolutamente natural e normal. E estão também orgulhosos de um percurso feito com esforço, com risos, com lágrimas, com carícias e com chás, muitos, dados para o bem deles... e eles sabem disso.
Hoje eles estão orgulhosos. Eu também estou orgulhosa deles.

Desejo-vos um resto de dia de excelente trabalho, alunos meus!

E vocês, leitores, são servidos de um pastel/bolo quentinho?

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Feira das Profissões






Feira das Profissões - 2º P - EB 2/3 de Amarante


Fotografias de Anabela Matias de Magalhães


Feira das Profissões



O meu dia passou-se à volta de coisas sérias porque o país real não pára e não deixa de trabalhar só porque deu a louca aos políticos nacionais... e aos dos arredores também.


Amanhã abre a Feira das Profissões e hoje foi dia de irmos uns quantos entre professores, alunos e funcionários, da EB 2/3 de Amarante, para os Parques ADT, montar o Stand com que nos faremos representar nesta mostra e através do qual divulgaremos a nossa oferta formativa para o próximo ano lectivo - Curso de Pastelaria/Panificação e Jardinagem/Espaços Verdes, ambos de Tipo II, ambos com equivalência ao 9º ano de escolaridade.


A padaria/pastelaria foi levada em peso para o pavilhão e lá ficaram o forno, as bancadas, a batedeira... e todos os apetrechos com que é feita a vida destes meninos e meninas dos CEF, quase quase em estágio nos estabelecimentos, doces e farinhentos, locais.


Estamos mesmo na entrada, junto ao bar, no sítio mais priviligiado de todo o pavilhão, por onde todos têm de passar. Estaremos por lá quinta e sexta-feira e aguardamos a vossa visita. Serviremos pão e bolos, sempre quentinhos e acabados de cozer in loco.


Querem experimentar os dotes, quase profissionais, dos meus alunos do Curso de Educação e Formação de Pastelaria/Panificação?

quinta-feira, 14 de abril de 2011

I Concurso de Pastelaria e Serviço de Mesa



I Concurso de Pastelaria e Serviço de Mesa

O dia de hoje foi grande em múltiplos aspectos. Grande porque se estendeu das sete da manhã às sete da tarde, somente com intervalo para almoço; grande porque foi um enormíssimo prazer acompanhar quatro dos meus alunos do CEF de Pastelaria/Panificação à EB 2/3 de Sobreira, em Recarei, onde integraram o grupo de alunos que se submeteram a este Primeiro Concurso Inter-Escolas, onde alunos de diferentes cursos puderam demonstrar o que aprenderam até aqui e o que valem profissionalmente falando; grande também pelo profissionalismo e simpatia com que fomos recebidos por todos, alunos e professores da EB 2/3 de Sobreira, com especial destaque para a professora Paula Barros que tudo fez para que este Concurso corresse na perfeição. Agradeço-lhe a simpatia e o profissionalismo. Eu integrei o júri que avaliou o desempenho dos alunos que frequentam o Curso de Serviço de Mesa. Durante a manhã decorreu a degustação de Flamejados e experimentei pratos apetitosos com nomes como "Peixe Gato com Legumes Salteados", "Camarões à Maria Stuart", "Filete de Peixe com Amêndoa", "Crepe Marialva" e outras iguarias que tais. Depois do almoço, excelentemente servido no exterior da Escola pelos Empregados de Mesa da EB de Sobreira, seguiu-se a prova de Coctails, ai meus deuses que eu só estou habituada a água!. Confesso que gostei francamente de umas quantas bebidas, mais ou menos alcoólicas, e nomes como "Green Chocolate", "Sol e Sombra", "Drink and Fly", "Cinderela", "Sweet Orange", "Ice Lemon" e "Blue Lagon" dizem-me agora muito e ainda sinto os seus sabores. Parabéns a todos os alunos que demonstraram um grande profissionalismo, aqui e ali temperado com uns nervinhos que, de quando em vez, irrompiam, mas sem comprometer as excelentes prestações. Parabéns a todos. Parabéns também aos meus companheiros de júri, todos rapazes, umas simpatias no meio dos quais me senti acarinhada e que comigo aguentaram estoicamente degustações atrás de degustações. E agora chegou a vez de falar das minhas meninas e do meu menino. Comigo e com o professor Aires foram a Maria Inês Queirós, a Márcia Carvalho, a Vanessa Silva e o Paulo Almeida. "Não se esqueça de pôr o nosso nome no blogue" disseram-me eles ao despedirem-se de mim ainda há pouco. É certo que eles não são uns miúdos quaisquer e têm nome próprio e apelido e distinguem-se de todos os outros até porque foram eles os escolhidos para participarem no Concurso de Pastelaria onde arrecadaram o segundo lugar. Sei que a prova da manhã lhes correu melhor do que a da tarde e também sei que eles amaram participar num concurso que já é um ensaio preparatório para a PAF, que todos eles terão de realizar, algures lá para Julho. O dia foi grande, é certo, e foi igualmente magnífico! Obrigada a todos os que o tornaram diferente. Obrigada alunos meus pela vossa excelente companhia. Foi um prazer acompanhar-vos.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Cursos de Educação e Formação - CEF

Cursos de Educação e Formação - CEF

Hoje volto aos meus CEF para esclarecer alguns pontos mal esclarecidos, ao que parece, sobre o que eu digo e o que eu escrevo sobre os meus alunos dos CEF.
A história conta-se em duas penadas.
Hora do lanche, sala de professores da EB 2/3 de Amarante. A minha Inês sobe as escadas e entrega-me uma cesta cheiinha de pão acabado de cozer com um aspecto de morrer e chorar por mais e um calor e cheirinho que foi subindo até às minhas narinas e me deixou com vontade de o abocanhar de imediato. Agradeci-lhe a gentileza e o cuidado, gentileza e cuidado previamente solicitados por mim a esta turma e respectivo professor de Padaria. Gosto destes mimos que nos aconchegam os dias e lembrei-me que seria agradável alargá-los aos meus colegas de lanche, um dia destes, de surpresa... e pronto, a surpresa surprendeu-nos hoje mesmo. Confesso que esta estratégia de aproximação é também uma forma consciente, da minha parte, de tentar quebrar alguns mitos urbanos associados a estes alunos.
Pousei o cesto no balcão e ofereci o pão aos presentes em nome dos meus alunos de Padaria/Pastelaria acompanhado de um sincero "Pena que o Ramiro Marques não esteja aqui para verificar, ao vivo, que os alunos de CEF não são todos uns cancros."
Confesso que esta expressão "cancro", utilizada pelo Ramiro há uns bons dois anos, em post sobre o assunto, me chocou pela generalização abusiva aos alunos dos CEF que, tal como todos os outros, são indivíduos merecedores do nosso respeito até prova em contrário. E o Ramiro sabe disto, deste meu desagrado. E sabe que eu sei que a sua experiência com alunos de CEF é igual a zero e que, para emitir a opinião que emitiu, teve de emprenhar pelos ouvidos.
Pelos ouvidos emprenhou também uma colega que estava na sala de professores, Olá A!, que me acusou, de imediato, de dourar a pílula acerca dos alunos dos CEF e dar deles uma imagem que está longe da realidade, o que eu contestei de imediato e à minha questão "Que experiência tens de alunos dos CEF?" a resposta foi zero de experiência, tal como eu esperava.
Há um mito urbano, muito difundido entre os professores que nunca leccionaram turmas de electricistas, carpinteiros, serralheiros, empregados de mesa, padeiros/pasteleiros, jardineiros e auxiliares de geriatria, como é o meu caso, de generalizarem tudo e meterem tudo no mesmo saco apoiando-se nuns "disseram-me" e nuns "ouvi dizer". Confesso que para mim isto vale o que vale e não vale muito porque se eu emprenhasse pelos ouvidos jamais teria visitado Marrocos já que, antes de o visitar pela primeira vez, no já muito longínquo ano de 1990, ouvi de viva voz por quem acabara quase de chegar que aquilo era muiiito perigoso e muiiiito porco e muiiito mal cheiroso e muiiito inseguro e patati e patatá.
Devo amar sítios muiiito perigosos, muiiito porcos, muiito mal cheirosos e muiito inseguros porque desde aí só falhei 1991 e 2010, com anos de 3 colheitas ao país assustador do Sul.
Posto isto vou fazer uns pontos da situação, clarificando o meu pensamento, construído sobre a minha própria experiência com alunos de CEF desde 2004, sem interrupção.
Ponto Um - As turmas dos CEF são, na generalidade, turmas bem mais complicadas e complexas do que as turmas ditas normais. Por vezes muitíssimo mais complicadas mesmo, e já me aconteceu trabalhar com uma que só não me levou a consultas de psiquiatria porque eu sou mentalmente muito resistente - faço referência a esta turma aqui, muito embora muito ao de leve.
Ponto dois - Por vezes, turmas complicadas e difíceis têm comportamentos exemplares, como este aqui, ou este aqui... e outras vezes não, como este aqui.
Ponto três - Também já me aconteceu ter uma turma de CEF que poderia ser uma vulgar turma de alunos de um 9º ano dito normal e da qual deixei rasto aqui.
Ponto quatro - Exijo-lhes trabalho, tal como a todos os meus outros alunos, que eu não gosto de discriminar ninguém, e desta exigência deixei testemunho aqui.
Ponto Cinco - Para aprofundarem o meu pensamento sobre os CEF, construído com base na minha experiência, podem clicar aqui.
Ponto seis - Cito-me a mim própria:
"Falo do que sei. Falo da minha realidade. Da minha realidade em salas com empregados de mesa, carpinteiros, electricistas, carpinteiros, jardineiros, padeiros e pasteleiros. Da minha realidade muito trabalhosa, para quem não queima o ano a passar-lhes filmes, da minha realidade sem manuais, com alunos, por vezes, muito difíceis, por vezes mesmo incrivelmente difíceis e outras vezes não.
A realidade dos outros não a vivenciei e por isso não a posso testemunhar.
Falo do que sei. E tenho dito."
Citação retirada daqui.
Ponto sete - É claro que podem sempre clicar na etiqueta "CEFs" e mergulhar em posts sobre esta realidade que já virou mito urbano em todas as salas de professores por onde eu passei desde 2004, sem excepção.

Ponto oito - Conclusões

- Há CEFs e CEFs, tal como eu sempre afirmei.
- A minha realidade é a minha realidade e a minha realidade pode não ser a do professor do lado, mesmo que com os mesmísssimos alunos. Muito menos poderá ser estendida e generalizada a todas as turmas de CEF que por este país abundam, como eu sempre afirmei.
- Por último... eles têm dias. Uns dias melhores, outros piores. Como eu sempre afirmei.

Mas a mim também me ocorre acontecer-me o mesmo...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Aula Assistida - Versão Dois - CEF


Museu Guggenheim -Bilbau - País Basco
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Aula Assistida - Versão Dois - CEF

Se a primeira foi uma aula mais teórica, esta foi uma aula eminentemente prática. A turma foi exactamente a mesma, o meu CEF de Pastelaria e Padaria, do qual sou Directora de Turma, e convém frisar que esta opção foi da minha exclusiva vontade e decorreu de uma escolha minha e só minha.
Já escrevi muitas vezes neste blogue sobre a minha paixão pelo desafio, seja ele de que tipo for, o que faz de mim uma pessoa assim para o destemida, a amar coisas excessivas e tarefas espinhosas.
É o caso dos meus queridos alunos de CEF. Rejeitados por muitos, dos que sempre puderam escolher níveis e horários, vieram parar às minhas mãos de professora de quadro de zona, um ano aqui e outro ali. Recebi-os de braços abertos e tarimbei com eles, mas como tarimbei com eles! acumulando uma experiência e um Saber Fazer que só se adquire passando pelas situações, algumas quase inacreditáveis, que eu já tive de vivenciar ao longo da minha vida profissional. No meu último ano de ESA só à minha conta tive cinco turmas destas e levei-as todas a bom porto, sem precisar de consultas de psiquiatria.
Ok! Eu sei que sou resistente.
Ora como manter a minha coerência entre o afirmado, escrito, praticado agora que esta miserável avaliação de desempenho mais do que doente aterrou, obrigatória, sobre a minha cabeça?
Pois, Anabela Maria, terás aulas assistidas na tua turma de CEF, para que a bota encaixe na perdigota e para que ninguém ouse sequer pensar seja o que for.
Gosto da transparência. Aliás não é por acaso que não uso cortinas nas minhas janelas transparentes por onde entra a luz, por vezes a rodos, dos raios de Sol que me aquecem a alma.
E assim foi. Hoje foi tempo de ter a segunda e última aula assistida duma avaliação de desempenho que não reconheço como aceitável, por muitas e variadas razões já expostas neste blogue. A aula decorreu de forma absolutamente normal, tal e qualmente como a esmagadora das aulas por mim leccionadas, com os alunos a trabalharem respeitosa e ordeiramente em pequenos grupos previamente definidos, com acesso à Internet nos seus PCs. Trabalharam afincadamente e de forma responsável, todos a saberem o que tinham que fazer, não houve idas a sites indevidos, não houve escapadelas ao Face nem ao HI5 e todos iniciaram já as suas apresentações em PowerPoint, sobre os países que compõem a CPLP, que serão posteriormente publicadas numa página web pessoal que todos aprenderão a construir no Google Sites, no âmbito de TIC.
Quem diz que os alunos de CEF não trabalham? Vão-me desculpar, mas os meus têm de ser retirados desse filme. E eu como professora também.

Nota - Parabéns alunos meus. Garanto-vos que se comportaram bem melhor do que muitos professores em formação prática.
Beijinhos!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Professora em Avaliação - Aula Assistida


Caminhada em Frente Sobre Areia - Praia da Amoreira - Portugal
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Professora em Avaliação - Aula Assistida

Foi hoje ao último tempo da manhã. A turma escolhida para a minha aula assistida foi a minha direcção de turma, uma turma de CEF, alunos por quem eu nutro um amor assolapado, pelo desafio colocado, ano após ano. Já as tive, às turmas, do piorio, assim-assim, com dias assim e dias assado, já as tive não diferentes das turmas ditas normais, enfim, já tive de tudo um pouco, mais heterogéneas e mais homogéneas
A deste ano não é uma turma particularmente difícil, tem evoluído positivamente desde o primeiro dia de aulas, já levaram chás de 90 minutos, dados por mim, e saíram a agradecer os ditos, porque, segundo eles, foram muito produtivos. Assim se cresce, assim se aprende a Ser e a Estar e esta aprendizagem é uma aprendizagem contínua, que não pára nunca e que é posta à prova em cada situação nova, quantas vezes inesperada, que nos aparece ao longo das nossas vidas, das vidas de cada um de nós, porque aqui não há ninguém especial.
A aula estava meticulosamente preparada, tal como todas as outras, da aula de apresentação até à aula de despedida, da primeira aula do 7º ano até à última aula do 9º.
É assim que eu trabalho, é assim que eu sei ser.
A planificação foi integralmente cumprida, tudo a bater certinho, competências específicas todas desenvolvidas sem falhas, objectivos integralmente cumpridos, conceitos novos explorados, as estratégias pedagógicas todas cumpridas, ou não fosse uma aula já testada em muitas outras turmas antes desta, turmas igualmente de CEF.
Toda a aula é da minha autoria, não esquecer que nós, professores dos CEF, trabalhamos sem rede, isto é, sem manuais, e não há ali copy-past, que eu abomino o dito, desde a estrutura do PowerPoint, ao design, às fotografias da minha autoria, aos textos por mim criados, às citações por mim escolhidas criteriosamente. E os alunos completamente controlados, ou eu não fosse a professora coronel! Mas sempre sempre de sorriso na cara e de gargalhada fácil.
Hoje não consegui deixar de me recordar do Manuel, o meu aluno bombeiro hiperactivo carpinteiro que um dia, depois da minha primeira aula do ano, leccionada em PowerPoint, me perguntou se todas as minhas aulas seriam assim e que à minha pergunta do porquê da questão me respondeu todo lampeiro "é que se forem eu nunca vou faltar às suas aulas".
Pois os meus alunos adoraram a aula. Disseram mesmo que foi a que mais gostaram até hoje. Sorte a minha, que foi uma das aulas avaliadas. Mas presumo que outras virão de que ainda gostarão mais... aguardem as aulas do módulo de Património... ai ai ai... tenho a certeza de que as vão amar, tanto quanto eu o amo e que acabarão o módulo sentindo um respeito imenso pelo Património Local.
Posto isto, como avalio a minha aula assistida, eu pondo-me do lado de lá, na pele da avaliadora?
Pois numa escala de zero a 20 teria de me dar 20 ... uma vez que não há 25.
Sim, eu sei, há quem confunda franqueza e honestidade com arrogância e petulância e mesmo com exibicionismo. Mas são os riscos que se correm. É a vida. E a vida assim vivida tem uma grande vantagem pois afastamos as pessoas lixo de nós, afastamos aquelas que não nos interessam de todo mas é que nem para companhia num carrocel, muito menos num circo, neste caso no circo da vida.
Posto isto, continuo contra a avaliação de desempenho doente? Mas é claro. A minha opinião sobre ela não mudou nem um milímetro. Burrocrática como o raio que a parta, prejudica o trabalho nas Escolas, retirando energias que deveriam ser canalizadas para os alunos.
Quando é a próxima greve? Quando é a próxima manif?
E sim, continuarei a zurzir contra ela, porque ela é mesmo doente de tão burrocrática.
E o que aprendi hoje, enquanto docente, enquanto ser humano, durante a minha aula assistida? Pois aprendi zero. Assim sendo para que é que ela me serviu? Para rigorosamente nada.
Entretanto consumi recursos ao país e perdi tempo a tirar fotocópias da planificação do módulo, da aula, da apresentação em PowerPoint utilizada e da ficha formativa distribuída por cada um deles. Porca miséria!

Nota 1 - Estava a pensar ir fazer uma permanente, quiçá pintar o cabelo de cenoura, fazer uma massagem de relaxamento, talvez pintar a unhata de vermelho e colocar nos pés uns tacões... mas... que sequilhe, não tive tempo, nem por ser dona do Aquacool e ter tudo isto de borla!

Nota 2 - Pena que não tenhas conseguido ir, Gabriel. Sei que terias gostado particularmente desta aula sobre Lusofonia pois o tema, sei-o bem, é bem caro para ti...

Nota 3 - Assim comprovo perante os meus pares, e os meus ímpares também, que o que me move contra este modelo de avaliação não é o não querer ser avaliada de todo. Porque uma coisa é ser avaliada seriamente, com um modelo simples, eficaz e escorreito, outra é ser avaliada por esta coisa engendrada por gente incompetente que não sabe o que anda a fazer. Avaliados e avaliadores a concorrerem às mesmas quotas?????!!!! Mas onde já se viu semelhante idiotice?

Nota 4 - Propositadamente deixada para o fim - Obrigada, alunos meus! Portaram-se como uns/umas cavalheiros(as)... eheheh

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Partilha


Escolinha de Ontem - Museu da Escola - Le Mans - França
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Partilha

Partilho o meu plano de aula assistida que acabei de disponibilizar aqui para quem o quiser consultar. Sempre assim fui, sempre assim serei. Não há Maria de Lurdes Rodrigues ou Isabel Alçada, ou Avaliação de Desempenho Doente, que me abastarde.
Chamo a atenção que é para uma aula dos Cursos de Educação e Formação, os famosos CEF que a esmagadora maioria dos professores mais antigos sempre rejeitou e sempre deles fugiu como quem foge do diabo ou como o diabo foge da cruz, aqueles cursos que muitos apelidam de malditos e mais não sei o quê, emprenhando, o mais das vezes, pelos ouvidos.
Falo do que sei. Falo da minha realidade. Da minha realidade em salas com empregados de mesa, carpinteiros, electricistas, carpinteiros, jardineiros, padeiros e pasteleiros. Da minha realidade muito trabalhosa, para quem não queima o ano a passar-lhes filmes, da minha realidade sem manuais, com alunos, por vezes, muito difíceis, por vezes mesmo incrivelmente difíceis e outras vezes não.
A realidade dos outros não a vivenciei e por isso não a posso testemunhar.
Falo do que sei. E tenho dito.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Recepção aos Alunos e Encarregados de Educação


Pastor de Almas - Tecto do Baptistério de Florença - Itália
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Recepção aos Alunos e Encarregados de Educação

Hoje foi dia de recepção aos alunos na/da minha Escola. De manhã para a velha prata da casa que é o mesmo que dizer para os sextos, sétimos, oitavos e nonos e da parte de tarde para os pequenotes do quinto ano que fizeram a sua estreia lá pelo "enorme" recinto escolar.
Em tempos que já lá vão, muito, muito longínquos, leccionei 2º ciclo e cheguei mesmo a fazer especialização em Didáctica do Português para ficar mais habilitada e apetrechada para o futuro, alargando, assim, o leque de opções profissionais. Entretanto deixei de leccionar Português, coisa que não pratico faz tempo... apesar de me manter praticante/professora da nossa querida língua materna, através da História.
À época, nos primórdios da minha carreira, os alunos do 5º ano pareciam-me autênticas pulguinhas, de tão pequeninos e irrequietos. Hoje, quando os vi lá pela Escola, continuaram-me a parecer pulguinhas...
Mas adiante.
Hoje foi dia de conhecer os alunos da minha direcção de turma - um CEF de Padaria/Pastelaria... ai a minha linha ao longo do ano que vai ser ano de experimentar experiências...
Algumas caritas bem conhecidas do ano lectivo anterior, alguns que me cumprimentavam sempre que por mim passavam, apesar de eu não lhes leccionar coisa nenhuma, que por aqui a gente preza e estima a boa educação e gostamos dela que se farta.
A primeira impressão foi óptima. Rapazes e raparigas simpáticos(as) que por certo não se meterão em trabalhos para além daqueles que nós lhes daremos. E que serão muitos...
Receita para os levar a bom porto? Firmeza, sempre de sorriso na cara, e trabalho q.b. pelo lombo abaixo que estes alunos têm de estar sempre ocupados, sob pena de nos enredarmos a todos em problemas.
Na próxima segunda-feira será a doer.

sábado, 31 de julho de 2010

Quem Sabe Disto?

Quem Sabe Disto?

Eu não que estou de férias...

Ângela Bernardo Diz: Julho 31, 2010 at 7:02 am
Por falar em chumbos, por falar em Cef’s, hoje, tive um telefonema do meu subdirector, que estava à beira de um ataque de nervos por causa de um despacho enviado pela DRE que aguarda publicação e que vai mexer num artigo do 453/2004. Pois… Os professores deixam de ter os dois tempos para reuniões semanais, passam apenas a reunirem-se periodicamente (coisa vaga, né?), o director de curso deixa de ter aquelas horas para apenas acumular com o cargo de director de turma com os habituais dois tempos equiparados a lectivos e, pelo menos, um tempo da componente não lectiva. Se houver vários cursos da mesma tipologia e o total de alunos perfizer 25, juntam-se as turmas na componente comum… Quer isto dizer que, a escassos dias do fim do prazo do preenchimento da plataforma da dgrhe para indicação da componente lectiva, e com os colegas já em férias, há que refazer a distribuição de serviço e rezar para que não haja horários zero… Nem imaginam as horas que este despacho vai por fora… E já imaginaram o que é dar aulas a uma turma de CEF de 25 alunos??? Tudo feito na calada… Mail da DRE recebido na sexta-feira às 17.20… É ou não má fé? É por isso que não gosto do sorriso da ministra, prefiro o da Mona Lisa… Ah, já agora, sabem quem também assina o despacho? o Valtinho!!! O Lemos para os amigos…
Da caixa de comentários do Umbigo.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Jardins Temáticos - O Jardim de Cactos



Jardim de Cactos - E. B. 2/3 de Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Jardins Temáticos - O Jardim de Cactos

Hoje publico o trabalho de preparação para a PAF prática dos meus queridos jardineiros... que já voaram para longe de mim... deixando saudades...

A prova prática consistia na realização de um jardim temático, neste caso de serra, numa recriação da envolvente das serranias que nos rodeiam, nomeadamente a Serra do Marão.
Havia, pois, que treinar e captar o espírito e a essência de um jardim temático e o treino para esta prova consistiu na realização, parcial, do jardim de cactos que ilustra este post, fotografado por mim mesma numa tarde de calor de esborrachar.
O material usado pelos meus jardineiros, para além dos próprios cactos, foi plástico preto cortado a partir de sacos do lixo para estender por baixo das pedras e da areia para nos libertarmos, definitivamente, das ervas daninhas, calhaus rolados que eu tinha arranjado para a escola aquando da minha última estadia por lá ainda antes de efectivar, brita negra, areia fina e clarinha e uns troncos podados, belíssimos, povoados de extravagantes líquenes, das duas ameixoeiras que já ocupavam o espaço de intervenção e que foram previamente domadas em aulas de reposição de uns certos meninos que deram uns tirinhos às aulas, no início do ano lectivo, assunto rapidamente ultrapassado e sanado.
Os jardins de cactos são jardins de fácil manutenção, que exigem pouco dispêndio de verbas e, não menos importante, pouco dispêndio de água para regas, muito utilizados em paragens do Sul, que eu amo, presentes nos famosos Jardins Majorelle, de Yves Saint Laurent, e no enormesco Jardim de Cactos de César Manrique, na exótica ilha vulcânica de Lanzarote.
Com tempo e paciência até se podem arranjar cactos sem que se gaste um tostão, pedindo uma colaboração graciosa e quem não arranja uns cactitos catitas para um espaço escolar, que é de todos e para usufruto de todos?
Pois os jardineiros, sob orientação da professora de Jardinagem, M. R., de mim própria e ainda com a colaboração do nosso Coordenador A., acabaram por iniciar um jardim que se foi revelando belíssimo à medida que crescia.
E lá permanece intacto, mas inacabado, belíssimo de qualquer modo, de uma beleza sóbria e espampanante, a alegrar-nos o pátio central do pavilhão 4, junto à Sala de História.
Obrigada, Jardineiros Meus!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

PAF

PAF

Eu e a Osório, um anjo moura de trabalho que comigo veio da ESA, andamos rotas de exaustas. A Osório ainda mais rota do que eu porque os seus alunos do Curso de Educação e Formação de Padaria/Pastelaria estiveram em exames desde a passada segunda-feira. Passo a explicar.
Na segunda-feira, pelas dez da manhã, os Padeiros/Pasteleiros e os meus Jardineiros fizeram exame teórico. Os alunos da Osório, com tempos para amassar, levedar e cozer pão e pastelaria diversa, iniciaram da parte da tarde as suas provas práticas que se prolongaram até hoje ao final da tarde, com diferentes grupos a serem examinados à vez. A Osório fazia parte do júri e vai daí não tem feito quase outra coisa que não seja estar na escola. Chegada a esta parte convém abrir um parêntesis para referir que a Osório tem filhos. Filhos pequenos. Que têm uma mãe que enraizou, por estes dias, na Escola, na Escola que nos devora até ao tutano.
Quanto aos meus jardineiros iniciaram ontem a preparação e o arranjo do jardim que lhes foi atribuído. Objectivo - recriar um ambiente de serra, com xisto e plantas "silvestres" como as giestas, as urzes, o alecrim aos molhos... por causa de ti choram os meus olhos!... e ainda uns pinheiros anões, lindos como o raio que os parta.
A PAF decorreu hoje, das 9:30 às 12:00 e todos terminaram a "provação" dentro do tempo regulamentar, com tempos para a limpeza e a rega final.
Todos estão de parabéns! Ao que sei todos os padeiros/pasteleiros e todos os jardineiros.
O caminho faz-se caminhando. Não há volta a dar. O caminho desta gente que hoje terminou, começou lá atrás no tempo. Muito trabalho foi feito. Pela equipa do ano passado, pela equipa deste ano.
Nem todos chegaram aqui,a este ponto onde agora nos encontramos e gente houve que ficou pelo caminho. Lamento. Lamento as perdas, algumas absolutamente necessárias para que o trabalho dos outros pudesse prosseguir.
Muito trabalho foi feito. Falo do que sei e conheço bem. Falo deste ano. Trabalhámos muito bem juntos -alunos/professores e professores/professores - e foi como se descêssemos o Paiva, fazendo rafting, todos a remar com vigor, na mesma direcção, nas zonas de rápidos e abrandando um pouco mais nas zonas de piscinas.
Tenho muitas fotografias que, infelizmente, só postarei amanhã devido a um problema técnico que agora não consigo resolver, dos resultados práticos dos exames destes moços e moças que foram avaliados também por membros exteriores à Escola que integraram o júri. Os processos querem-se sérios e há que preparar esta gente para aguentar situações de stresse.
Se lhes dificultamos a vida? Dificultamos. Agora, sim. Mas mais tarde eles vão agradecer e talvez fazer até marcha atrás em plena rua para nos cumprimentarem, com fez o Filipe, ou até mudarem de passeio e de sorriso aberto chaparem-nos dois beijinhos saborosos nas faces e dizerem-nos "Professora, só agora que já trabalho é que dou o devido valor à Escola".
Já me tem acontecido. E a eles também.
E mais vale tarde do que nunca.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Novas dos Meus Jardineiros


Canteiro - Estágio 2º J - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Novas dos Meus Jardineiros

Ufa, ufa! E eis que os meus jardineiros terminam hoje o estágio profissional, depois de deixarem atrás de si um rasto de simpatia, educação, responsabilidade e trabalho árduo.
"Para o ano mandam-nos mais?" Pois não, para o ano não haverá alunos de CEF de segundo ano de jardinagem... mas... daqui a dois anos... tudo faremos para enviar mais um grupinho limado q.b., ao fim de dois anos de formação sujeitos a uma prática docente decente que implica trabalho e rédea curta com carinho.
Hoje foi dia de voltar a almoçar com a turma, acompanhada pelo Coordenador dos Cursos de Educação e Formação lá da Escola ( Olá A! Obrigada pelo apoio!) e ainda, para acabar o estágio em beleza, com o monitor e restantes trabalhadores que acompanharam e ensinaram as minhas crianças e não se cansaram de tecer elogios a este grupo que deixará, por certo, saudades, no local onde cumpriram a sua formação prática.
Mais uma etapa vencida, provas até agora todas superadas, e resta-nos ainda muito trabalho de preparação para as PAF que se realizarão em meados de Julho. Não tenho dúvidas que os meus jardineiros lá as atacarão, de pedra e cal, com a mesma determinação com que cumpriram a formação que hoje finda.
Por isso aqui lhes deixo os meus parabéns pelo trabalho até agora desenvolvido.
E amanhã há mais. Amanhã temos encontro marcado na Escolinha.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Ainda os Meus Jardineiros


Jardineiros em Estágio no Paraíso
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Ainda os Meus Jardineiros

Hoje foi dia de os visitar, logo pela manhã, bem cedinho. Impunha-se uma visita da DT acompanhada de papeladas várias pois professora que se preze, especialmente DT, anda constantemente grelhada em grelhados para todos os gostos, assim e assado, frito e cozido.
Mas é que nem tive tempo de colocar os pés fora do meu carro e já estava a receber rasgados elogios aos moços e moças que estão a deixar atrás de si um rasto de enorme respeito. E foi assim com toda a gente com quem falei, todos a elogiaram o comportamento exemplar daqueles rapazes e raparigas que chegaram a bom porto e trabalham agora no paraíso.
Sim, porque o local onde agora estagiam estes jardineiros não podia ter sido melhor escolhido e é, por certo, um paraíso na terra feito de jardins frondosos e belos, com arbustos e árvores excêntricas e canteiros de flores com nomes como amores-perfeitos e cristas-de-galo.
Lamento que outros tenham ficado para trás. Mas é a vida. Quem não merece não merece e seria até de uma enormesca injustiça que quem não se esforça, quem não mostra responsabilidade, quem se está mais ou menos a marimbar para a Escola, tivesse agora acesso a este paraíso verde onde abundam flores de todas as formas, de todas as cores, de todos os odores. É a vida. Preciosa demais para ser desperdiçada, preciosa demais para ser encarada com uma atitude displicente, às vezes até desprezível.
Anda muita gente enganada por aí, dentro e fora das escolas. Anda muita gente a querer enganar-nos por aí. Mas a verdade verdadinha é que as oportunidades que nos são dadas o mais das vezes são-nos dadas uma vez e, ou as agarramos com unhas e dentes, ou ficamos a vê-las escoarem-se entre os nossos dedos, o mais das vezes para sempre.
Fiquem bem, jardineiros meus!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Jardineiros


Flores de Jardineiros - Quinta das Lágrimas - Coimbra
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Jardineiros

Os Jardineiros da minha Direcção de Turma já não estão em aulas e encontram-se agora a completar a sua formação, em contexto de trabalho, todos juntinhos, num sítio que eu cá sei e que é um organismo público.
Pois hoje foi dia de receber as primeiras informações sobre estes alunos, agora estagiários, que cresceram a olhos vistos durante este ano lectivo. Felizmente cresceram em altura, mas também em maturidade e em responsabilidade.
Na segunda-feira saíram do ninho, que é o mesmo que dizer saíram da Escola, e voaram rumo ao trabalho duro, mas feliz, num dia de sol a rodos e chilreios sem fim.
Até eu queria lá ter ficado com eles! Mas que sítio magnífico para trabalhar! Que privilégio!
Amparados pela Directora de Turma, euzinha, pela professora de Jardinagem e pelo Coordenador de nós todos, lá os levámos, deixando-os depois para trás, cumprindo assim a nossa função de lhes dar asas e de os deixar voar em direcção a uma vida que se quer digna, correcta, limpa, decente.
Pois hoje soube a boa nova e a boa nova é que todos estão contentíssimos com o grupo e já me foram transmitidos elogios rasgados que me deixaram babada e de sorriso de orelha a orelha.
Mas quem disse que os alunos de CEF são um bando de energúmenos? Quem afirma que os alunos dos CEF são uns delinquentes pegados?
Pois os meus não são. E tenho até alunos com posturas irrepreensíveis, irrepreensíveis numa turma de CEF ou num qualquer 9º G, H ou F.
Parabéns a todos! Com posturas destas deixam orgulhosos os vossos professores, deixam uma excelente imagem dos alunos da nossa Escola e abrem as portas aos próximos jardineiros que vos seguirão, por certo, na peugada.
Um dia destes tereis uma surpresa, alunos meus, quando eu vos aparecer pela frente com as caixas do almoço para convosco almoçar.
Faremos um pic-nic, embalados pelos chilreios espampanantes da passarada em plena Primavera.

domingo, 18 de abril de 2010

Título de Coronel e Pedido de Divórcio


Primavera - Pont du Gard - Sul de França
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Título de Coronel e Pedido de Divórcio

A história, verídica, que hoje conto, passou-se durante a semana que agora finda, com a minha direcção de turma.
Directora de turma que se preze tem sempre uns ralhetes e avisos à navegação dirigidos aos seus pupilos, neste caso uma turma dos Cursos de Educação e Formação.
Os primeiros momentos da aula são sempre por mim guardados para saber se as férias foram boas, se as festas correram pelo melhor, se aproveitaram para descansar, se os alunos se portaram bem e não deram cabo da cabeça aos pais, se há reclamações sobre as notas... enfim, o procedimento normal em qualquer turma, mesmo onde não exerça estas funções tão especiais. De seguida entra a directora de turma propriamente dita - Atenção às tuas notas, tens de subir as negativas; atenção à pontualidade, já melhoraram, na generalidade das disciplinas, mas ainda há gente que pode fazer melhor; atenção às faltas, não quero ninguém a faltar... já sabem que só têm permissão para faltar se estiverem a morrer; atenção que já no próximo mês de Maio entram em estágio e quando entrarem nas empresas estarão a representar a E B 2/3 de Amarante... quero comportamentos exemplares; atenção às senhas tiradas para o almoço que nem sempre foram coincidentes com as refeições consumidas... não sei se têm a noção que são refeições que a escola paga e que vão direitinhas para o caixote do lixo. Francamente, nem parece vosso não pensarem nestas coisas! Tanta gente a morrer à fome por este planeta e vocês a terem este comportamento verdadeiramente inadmissível.
E as chamadas de atenção continuaram, sucedendo-se umas às outras sem grandes interrupções, por vezes dirigidas ao conjunto da turma, por vezes com destinatários bem particulares.
Sim, perguntam vocês, mas o que têm a ver o título de coronel com um pedido de divórcio?
Pois estão ligados, porque os ganhei, aos dois, nesse dia.
A dada altura, o mais malandro da turma, por certo já cheio dos muitos ralhetes a ele dirigidos, resolve responder a cada um deles com um - "Sim, coronel! Sim, coronel!" - que deixou os restantes alunos da turma de sorriso rasgado de orelha a orelha. E, às tantas, um outro, excelente miúdo, trabalhador, sempre muitíssimo bem disposto e sorridente, resolve virar-se para mim e informar-me, com ar solene, - "Professora, quero o divórcio!"
É claro que as gargalhadas ficaram incontidas, tal o inesperado da coisa, e já combinámos - dar-lhes-ei o divórcio, a todos, amigável, lá para a segunda quinzena de Julho.
Até lá, jardineiros... aguentem-se com a "coronel"!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Almoço dos Profs dos CEFs



Profs dos CEFs - Restaurante Campismo - Amarante
Fotografias de Patrício

Almoço dos Profs dos CEFs

Bem sei que o nosso trabalho com os CEFs ainda não acabou completamente e há ainda uns rabitos de palha a esfolar na ESA, mas a verdade é que estamos por um fio do fim.
Sim, ainda falta uma ou outra reunião de avaliação... eu sei Otília..., falta a reunião final dos Directores de Turma com o Coordenador dos CEFs, França de seu nome, não sei se a renovação das matrículas estará já feita em todas as turmas, sei que faltam as matrículas dos novos alunos, que chegam à Escola daqui e dali, e a resolução de um ou outro problema para dizermos, alguns definitivamente, adeus a estas turmas tão complicadas, que nos saíram na rifa, no início deste ano lectivo.
Os docentes que leccionam CEFs na ESA procuram, ao longo do ano, estabelecer pontes e estreitar laços entre si por forma a ajudarem-se mutuamente na superação das dificuldades que surgem amiúde.
A intimidade criada entre nós é muito maior do que entre os professores dos outros conselhos de turma e outra coisa não seria de esperar, com reuniões semanais a torto e a direito, e um cuidado extremo em substituir colegas a faltar, sob pena de ser Agosto e nós a leccionarmos CEFs na ESA, com toda a tralha burocrática por resolver e despachar.
Hoje foi dia de almoço de confraternização para os profs dos CEFs. E dia de risota pegada relembrando algumas histórias que, à distância, ganharam um piadão que nos deixou a gargalhar, a torto e a direito, à volta daquela mesa virada para o Tâmega.
Valeu! Foi um prazer trabalhar com todos os que estiveram presentes no almoço.
E com muitos dos que não puderam estar também.
Resta-me partilhar as fotografias de alguns resistentes.
E constatar... incrível! Estamos todos bem!
Ou não estamos???!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

F, o Carpinteiro


O Carpinteiro - ESA - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

F, o Carpinteiro

Estou perfeitamente em falta com este aluno ainda meu e que continuo a encontrar amiúde na ESA, muito embora já não dentro de uma qualquer sala de aula, que as aulas de CMA já terminaram há muito. De cada vez que o encontro na escola prometo-lhe o post, e ele lá me sorri, e lá vai aguardando o dia esperado.
O F habita a mágica Serra da Aboboreira e é daí que se desloca até entrar na ESA, logo pela manhã. Fá-lo com gosto. Com verdadeiro gosto. Foi na serra que o encontrei, num dia de Janeiro de nevão intenso, caminhando pela beira da estrada, acompanhado pelo seu pai, rodeado de branco até dizer chega, e recebi dele o seu sorriso generoso de sempre.
O F está integrado numa turma dos CEF e destacou-se, rapidamente, dentro do contexto da turma.
Impossível não olhar para ele com um imenso respeito e admiração devido às características que são dele.
O F é sensível, sabe escutar os outros, sente gosto em aprender, é responsável, solícito, prestável, honesto, meigo, trabalhador, nunca embarcando em palhaçadas dentro da sala de aula, esforçado, ajuizado e, acima de tudo, retenho o seu olhar brilhante e entusiasmado com que ele encara a vida e ainda a sua extraordinária e rara educação.
Ou seja, o F é um miúdo raro nos dias que vão correndo, é um miúdo raro nos dias feitos de atropelos que agora vivemos enquanto colectividade, em que o exemplo que nos chega de cima é o da mais completa bandalheira, do mais completo desrespeito pelas pessoas e instituições, é do chicoespertismo e o da aldrabice pegada.
Não podia adiar mais este post sobre o F, especialmente numa época tão conturbada da nossa vida profissional, económica e social, em que me parece tão complicado manter os Valores que me foram transmitidos pelos meus pais e pelos meus professores, porque os vejo quotidianamente feitos em frangalhos por quem os deveria acarinhar e alimentar, por quem deveria manter uma conduta exemplar. Compete-me agarrar nas tábuas de salvação possíveis e manter a esperança em dias melhores no futuro e faço isso privando de perto com pessoas como o F e absorvendo a esperança que sinto ao olhar para o seu rosto belo e permanentemente risonho.
Ontem o passado, hoje o futuro. Haja esperança. Melhores dias virão.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Direcção de Turma



Direcção de Turma

Hoje fui almoçar com os alunos da minha Direcção de Turma. Não todos, porque alguns tinham de ir almoçar a casa e outros nem se dignaram aparecer, mas a maioria lá estava sorridente e feliz.
Estamos agora em tempo de balanço final de um ano louco de trabalho, nomeadamente com estas meninas e meninos que se estendeu muito para além das horas consagradas ao cargo. Mesmo agora, e já de casa, os telefonemas sucedem-se para as mães e para os pais tentando tudo por tudo para que todos, sem excepção, cheguem a bom porto, no final deste ano lectivo. O que não é tarefa nada fácil.
Hoje a S entregou-me a prenda surpresa de sorriso estampado no rosto, aberto de orelha a orelha. "Abra lá, professora!" - dizia ela não cabendo em si de contente.
Pois elegeram-me carinhosamente a "Mais Chata" do ano de tal forma ficaram marcados com os meus sermões de missa cantada, que não pararam nem hoje durante o almoço. Suas cabeças de vento... a reposição de faltas... como estamos M? Como estamos R? Como estamos S? A? A Matemática? A Francês? A Educação Física?
Direcção de Turma difícil, a que me tocou na rifa no início deste ano lectivo.
Gostaria de lhes ter transmitido, a todos/as, o gosto pelo saber, que nunca ocupará lugar, a distinção entre o verdadeiramente importante e o acessório, o respeito pelos outros se queremos ser respeitados que a vida é um toma lá dá cá, a satisfação final do dever cumprido com esforço pessoal, a importância do cumprimento das regras, quando elas são justas e adequadas, que a vida não deve ser queimada numa balda, o respeito pelos mais velhos, conhecidos ou desconhecidos, a educação, fundamental no trato com os outros, o gosto pelo trabalho seja ele escolar ou de outro tipo qualquer, o cultivo da verdade e não da trapaça rasteira... gostaria... gostaria...
Sei que não tive êxito completo e que houve quem não se deixasse ajudar neste percurso, apesar de todas as tentativas, apesar dos bons conselhos, apesar do encaminhamento para técnicos especializados com que vamos contando na ESA, que valha-nos ao menos isso, não estamos a trabalhar absolutamente sem rede. Obrigada Mafalda! Obrigada Luísa! Obrigada Vera! E obrigada demais ajudantes com quem pude contar.
Mas também sei que para a maioria foi um ano de crescimento interior, válido e positivo, e que estão agora moças e moços mais responsáveis e calmos e isso deixa-me feliz e esperançada no vosso futuro.
Acabo com o Diploma que eles me entregaram hoje entre sorrisos malandros e o ramo de rosas cor de chá enfeitadas com uma borboleta. Sou chata, mas também sou verdadeira, dizem eles.
E assim sendo "A Mais Chata" ainda vos vigiará os dias até que tudo esteja terminado e vocês possam, finalmente, ir de férias, meus Empregados de Mesa DANADOS!
 
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