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quinta-feira, 21 de março de 2019

Eu Livre

Auto-Retrato - França
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Eu Livre

A trepar paredes desde pequenina... mas sem perder a elegância. 
Neste caso, vestida de gobelins.  

Et Voilá!


Et Voilá!

Eis que estou de regresso! Fofinha.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Yes, We Can!


Yes, We Can!

Sorry, "meninas", se não vos dedico florzinhas no vosso Dia Internacional da Mulher. Não é que não goste delas, que fique bem claro! Mas a verdade é que nem este é um post fofinho.
Relembro apenas que sem luta não vamos lá. Ontem, hoje, amanhã, depois de amanhã e ainda lá muito muito ao fundo no futuro.

Nota - A prendinha só podia ser do meu querido Amigo e Verdadeiro Companheiro de Muitas Lutas Luís Costa. Gratíssima, sim?
Parece que é a minha cara... eheheh... diz ele...

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Adeus Inverno?

O Inverno no Verão do Norte - Praia dos Diamantes
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Adeus Inverno?

Ou as altas temperaturas que por aqui já se fazem sentir serão apenas um interregno?

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Arrisque

Auto-Retrato - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Arrisque

Arrisque o passo. Em frente. Para o lado. Até mesmo para trás. Arrisque o passo. Não admita que lhe tolham os passos e a caminhada. Caminhe. Erga a cabeça. Olhe em frente. Olhe ao redor. Sacuda o lixo do lombo. Caminhe. Caminhe sempre. Morra a caminhar. Tão bom seria...
Não corra o risco de ser um morto-vivo... ou será que fica melhor um vivo-morto?

"Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better"

Samuel Beckett

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

O Treino Personalizado ou a Importância de Ter um PT

Aluno e Professora trasformados em Professor e Aluna
Fotografias de Aaela Matias de Magalhães

O Treino Personalizado ou a Importância de Ter um PT

Não sei se em todas as idades tem a mesma importância, mas sei que contratar um personal training quando se tem quase 30 anos em cada perna, como é o meu caso, é coisa deveras ajuizada principalmente quando não se adquiriu o hábito de praticar exercício físico de forma regular... nem tão pouco de forma esporádica, nem de forma nenhuma... excepto andar a pé para cima e para baixo na cidade de relevo difícil.
Assim, depois de um ano de inactividade quase total, que se reflectiu de imediato na minha "maravilhosa" forma física perdida, eis que me decidi e contratei um  personal training, para me manter de rédea muito curta no ginásio... espaço que nunca foi da minha predilecção, confesso, até agora.
Depois de uma avaliação inicial e de uma consulta de nutrição, é ver-me agora a cumprir os exercícios que decorrem de forma planeada e acompanhada, supervisionados por quem sabe e para isso estudou.
Não falho um treino, a não ser por força muito maior, de resto os meus treinos são coisa que virou sagrada na minha vida, vida essa que já foi bastante mais sedentária e feita de horas a fio a trabalhar, sentada, teclando em frente a um computador. Agora... vamos com calma. A idade está a avançar e é preciso cuidar do corpo e da mente com especial carinho, esperando chegar a uma idade avançada em relativo bom estado de conservação e restauro.
O treino supervisionado, importante para que eu faça os exercícios correctamente evitando lesões, é sempre pensado/realizado à minha medida, motivador e os resultados, positivos e visíveis, foram obtidos muito rapidamente. As reavaliações fazem-se periodicamente e, mesmo sem os resultados delas, notoriamente, sinto-me muitíssimo melhor, muito mais tonificada, muito mais enérgica, muito mais flexível... até ao nível dos neurónios... não esquecer os importantes neurónios... e a aprendizagem ainda agora começou.

Bom, mas a cereja no topo de bolo do meu treino personalizado é mesmo este rapaz sempre sorridente que me acompanha os treinos... que um dia se sentou na minha sala de aulas, era ele pequenino... e que agora reencontrei passados tantos anos, já crescidote, encarregando-se de inverter os papeis pois agora o prof é ele e eu ando a toque de caixa seguindo as suas carinhosas, experientes e enérgicas orientações.
E é isto. Eu bem digo que a vida é um toma lá, dá cá!

E sim, João Carvalho, vamos tentar chegar aos duzentos anos... saudáveis!

quinta-feira, 22 de março de 2018

Exaurida

Óculo - Praia de Nouakchott - Mauritânia
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Exaurida

Sou eu, por estes dias. Estou eu, por estes dias de trabalho louco à solta pela escola. Tão louco tão louco que nem tem sido possível escrever, seja o que for, neste blogue. Tenho 56 anos, 7 turmas de História abrangendo os três níveis que constituem o 3.º ciclo, uma direcção de turma que me acrescenta a toda a hora trabalho desnecessário, cento e muitos portefólios que foi preciso avaliar na plataforma moodle, cento e muitos testes que foi preciso corrigir multiplicados por dois, atribuição de níveis para decidir, reuniões aqui e ali a complicarem estas últimas semanas, níveis para lançar na plataforma da escolinha, actas para alinhavar... ufa ufa que eu já não tenho idade para isto.
E no meio de tudo isto penso nos meus colegas que, com dez, onze, quinze, vinte e ainda mais turmas não devem ter tempo nem para se coçar.
Asseguro-vos que não aguentaremos este ritmo por muito mais tempo.
Exaurida estou. Exaurida sou... sou eu, por estes dias...

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Trabalho - Partilha


Trabalho - Partilha

A história do meu trabalho em PPT, realizado a partir do ano lectivo de 2004/2005 e partilhado em página web - porque os meus alunos, à data, me solicitavam que assim o fizesse -, está contada na página que aloja praticamente todos os PowerPoint que entretanto fui realizando para o 7.º, 8.º  e 9.º anos de escolaridade e pode ser lida se clicarem aqui.
É evidente que este trabalho está agora bem diferente do realizado inicialmente porque volta e meia dou-lhes uma volta porque me apetece, porque o ME lança documentos assim e assado, porque regresso de férias com umas fotografias catitas captadas aqui e ali, que incorporo, também aqui e ali, nos diapositivos que, juntos, fazem um PowerPoint dos meus e que eu tento personalizar o mais possível.
Passados todos estes anos, confesso, ainda não desisti desta ferramenta que, apesar da idade - na verdade já tem mais de uma década! - continua da minha preferência porque de muita utilidade para as minhas aulas.
Esta apresentação em concreto, da qual extraí as imagens que ilustram este post, chamada B - A Evolução o Homem, abordo-a entremeada com amostras de sílex, réplicas de bifaces - um biface a cortar uma ponta de cabelo é sempre sucesso garantido numa qualquer sala de aula! -, pontas de seta e raspadores, pirite que os alunos fazem chocar com sílex produzindo pequenas faíscas a partir das quais se pode fazer o fogo, amostras de cordas feitas de tripas de animais, de raízes de silvas, de tiras de couro... e o mais que engendrei ao longo de anos a fio a leccionar esta disciplina que pode ser uma grandessíssima maçada ou uma disciplina bem atraente.
Vem isto a propósito da última "voltinha" dada a esta apresentação, a pretexto das aprendizagens essenciais, que entrarão em vigor para o próximo ano lectivo em todas as escolas nacionais conjuntamente com a flexibilização... penso eu de que... isto se o ME entretanto não decidir outra coisa!
Por agora ainda estão codificadas... está bem Márcia Fabiani? Um dia destes talvez as descodifique e as partilhe descodificadas... o que não invalidará que as ditas cujas continuarão a ter um pai e uma mãe que sou eu.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Espatifanço Meu

Chiuuuuuuuuuuu... S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Espatifanço Meu

É verdade, há já alguns anos que não me espatifava nas ruas de Amarante, que, estuporadas!, a cada passo nos pregam partidas mesmo a quem as conhece de ginjeira, mas, raios!, essa sorte foi interrompida de forma brusca um dia destes.
No fim do primeiro dia de reuniões, segunda-feira portanto!, com reuniões desde o primeiro tempo da manhã ao último turno da tarde, recusei uma boleia de carro para poder esticar as perninhas até casa e lá vim na converseta com duas colegas/vizinhas. Estava um frio de rachar e, não sei porque carga de água, o passeio e a estrada uniram-se para me tramar e eis que me desequilibro, tento por tudo não me espatifar no alcatrão da estrada... ai a minha mão ai a minha mãozinha!!! e não consigo! Ajoelhei-me ali mesmo batendo com os joelhos em cheio no chão... e não, não me converti ao islamismo... e depois estatelei-me meia enrolada, punhos a amortecerem-me a queda... ai a minha mão ai a minha mãozinha!, óculos a voar parecendo ter vontade própria e, companheiras!, deixai-me ficar aqui um bocadinho esparramada neste chão que também é meu.
Confesso, fiquei abalada até ao tutano e toca de zarpar para casa já minimamente recomposta do tombo... boa, parece que não parti nada, não torci coisa nenhuma... eheheh... nem tão pouco um neurónio!... e deito-me no sofá com um saco de gelo sobre cada um dos joelhos e as palmas das mãos pousadas em cima.
Depois de quase ter lambido este chão amarantino que também é meu... parece que caí assim a modos que em câmara lenta!... feito o balanço final, a coisa saldou-se em dois joelhos esfolados, inchados e negros, dois punhos doridos e a dona disto tudo um pouco abalada por uma queda que podia ter corrido mesmo muito mal... mas que não correu.
Entretanto o trabalho não para e acabará somente amanhã. Haja saúde, sim?

sábado, 16 de dezembro de 2017

Auto-Retrato com Bónus

Auto-Retrato - Casa da Granja - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Auto-Retrato com Bónus

Este auto-retrato foi captado hoje. E tem bónus. Porque é um auto-retrato com aluno e pai de aluno dentro.

Nota - Na verdade trata-se de um aluno a aproximar-se a passos largos daquele ano charneira que é o 12.º ano...

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Auto-Retrato

Auto-Retrato Fofinho - França
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Auto-Retrato Fofinho... bem... quase...

Eu podia limitar-me a fazer postagens fofinhas de chás e bolinhos tomados entre amigas, ou de cafés sem açúcar saboreados até à última gota e também entre amigos, ou de modas de malas e carteiras que também os sei fazer, ou de blusinhas xpto... que também gosto delas... ou até de sushi.. tão lindo mas que não me convence... podia, é certo, mas jamais seria a mesma coisa... eu e este blogue que da minha pessoa decorre.
Posto isto, este é dos posts mais fofinhos que os meus leitores por aqui encontrarão. Para captar este auto-retrato, por forma a que o meu reflexo ficasse imperceptível para se ver esta fabulosa imagem feminina que também sou eu, tive de me colocar estrategicamente no passeio. E disparar.
Esta sou eu. A trepar paredes desde que nasci.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

A Ana Leal de Amarante


A Ana Leal de Amarante

Sou euzinha, a acreditar na mensagem que este anónimo me deixou ficar no meu blogue Anabela Magalhães. Depois de apelidada de Miss PowerPoint, Menina das Páginas Web, Miss Vídeo e ainda Menina do Portefólio... entre muiiiiiitas outras coisas!!... eis que sou agora a Ana Leal Amarantina.
Na verdade, Ana já eu era e Amarantina sei que sou desde que nasci e, de facto, também me mantenho Leal relativamente à cidade que me viu nascer, em prédio debruçado sobre o rio Tâmega, na rua Cândido dos Reis.
A comparação, feita por este anónimo, que a quis deixar escrita em comentário num dos blogues de que sou única tratadora, só me pode deixar orgulhosa. Porque o 25 de Abril de 1974 teve como consequência a instauração de um regime democrático em Portugal, mais ou menos saudável não vou discutir isso agora, e, com ele, instaurou-se uma preciosidade chamada Liberdade de Expressão sendo, obviamente, desmantelada uma vergonha nacional chamada censura.
Isto aconteceu no longínquo ano de 1974, era eu uma criança pré-adolescente a estudar na Escola Preparatória Teixeira de Pascoaes.
Tantos anos passados... e não é que há gente por aí que ainda não interiorizou isto?

Nota - E continuo a não gostar de anónimos.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Autorretrato de Professora - Uma grande parte de mim


Autorretrato de Professora - Uma grande parte de mim

Com os meus agradecimentos ao Telmo Bértolo que me acabou de enviar um recorte impecável!
A sério, até fiquei sensibilizada...

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Autorretrato de Professora - Uma grande parte de mim


Autorretrato de Professora - Uma grande parte de mim

Como não se consegue ler o recorte, ainda procurarei arranjar este autorretrato em formato papel, partilho o texto que escrevi a pedido do José Carlos Vasconcelos, aproveitando para lhe agradecer a confiança que em mim depositou. O texto, escrito há já algum tempo, saiu hoje, no Jornal de Letras e este recorte, que o comprova, foi-me enviado pelo Paulo Guinote a quem também agradeço duplamente, triplamente, eu sei lá! Ah... e agradeço ainda à Professora Maria do Carmo Cruz que teve a amabilidade de o ler em primeira mão com a missão de lhe encontrar falhas.
Confesso, olho para mim própria tão sorridente na fotografia e não posso deixar de sorrir...

Uma grande parte de mim

Nasci na segunda metade do século XX, no ano de 1961, em dia insólito e paradoxal, pois se, por um lado, a celebração da imensa alegria acompanhou a materialização exterior da minha vida, por outro lado, o facto de nascer em Dia de Fiéis Defuntos remeteu-me desde sempre para a melancólica memória dos outros que partiram deste mundo em circunstâncias muito diversas.
Nasci no centro histórico da vila de Amarante - num tempo em que a esmagadora maioria das mulheres dava à luz em casa, auxiliada por mulheres habilidosas que desempenhavam o papel de parteiras – em casa com portas, janelas e varandas abertas sobre uma paisagem que ainda hoje me acompanha os dias e que ainda hoje é um dos meus nortes – uma paisagem sólida, constituída pelo casario, pelas praças, ruas e vielas amarantinas, uma paisagem líquida, constituída pelas águas ora suaves ora tumultuosas de um rio que corta a urbe em duas metades distintas e que se chama Tâmega e uma paisagem humana ímpar, feita de vultos tão importantes quanto um Amadeo de Souza-Cardoso ou um Teixeira de Pascoaes, só para citar dois dos mais ilustres amarantinos de todos os tempos.
Os primeiros anos de escola cumpri-os em colégio religioso católico, de que guardo muitas memórias mas de que não guardo boas memórias. O ensino estava a cargo de professoras/freiras muito ríspidas, frias e duras que impunham um saber em voga que apelava unicamente à memorização de absurdos tais como as linhas dos caminhos-de-ferro de Portugal Continental e das suas Províncias Ultramarinas e que obtinham o “respeito” de todos os alunos através da violência física e psicológica e do medo que daí resultava.
Cumprida a 4.ª classe, ingressei na Escola Pública, mais concretamente na Escola Preparatória Teixeira de Pascoaes, onde contactei essencialmente com professoras, todas muito diferentes do que até aí conhecia, porque simpáticas, amáveis, algumas brilhantes mesmo e que não exerciam sobre os seus alunos qualquer espécie de violência. É deste tempo o desejo secreto de ser escritora… talvez uma nova Enid Blyton… ou, em alternativa, arqueóloga… profissão que talvez me levasse a destinos exóticos, vasculhando por exóticos artefactos…
Todos nós, ao olharmos retrospetivamente para o nosso percurso escolar, encontramos Professores que se mantêm como referências e faróis nossos pelo tempo que por cá andarmos. Desta fase, recordarei para sempre uma Maria Eulália Macedo, Professora de Moral, uma Maria José Pinto, Professora de Desenho, uma Francisca Sousa, Professora de Francês, uma Isabel Sardoeira, Professora de Matemática e de Ciências…
Prossegui os estudos, o 25 de Abril de 1974 marcou alterações brutais no país, também nas escolas… só para dar um exemplo, não mais tive de frequentar recreios unissexo, tal como até aí nos fora imposto. Entretanto, esqueci por completo os vagos desejos que tinha sentido um dia relativamente à minha vida profissional futura e estes anos ficarão marcados apenas por uma certeza – prosseguiria os estudos na área de Letras.
Só a frequência do ensino secundário haveria de determinar a minha atual condição profissional. Desta fase, recordo Professoras tão diferentes mas todas tão fabulosas quanto uma Filomena Morais, a minha apaixonada Professora de Português, uma Maria Emília Melo, professora de Filosofia e Psicologia, de um rigor e de um profissionalismo a toda a prova… ou uma Ermelinda Montenegro, minha excecional Professora de História… Esta última seria mesmo determinante para o crescimento em mim de uma vontade férrea, e até aí oculta, de ser Professora de História - é que eu queria crescer e ser assim amável e doce, educada e respeitadora, sabedora e firme, culta e partilhadora, criativa e capaz de aliciar os alunos para as descobertas dos enigmas colocados por esta disciplina fundamental para o entendimento da atualidade em que vivemos.
Ingressei na Faculdade de Letras da UP e desse tempo recordo um humaníssimo Frei Geraldo e os competentíssimos Vítor de Oliveira Jorge e Luís Adão da Fonseca que estão entre os muito especiais.
Iniciei a minha atividade docente no ano de 1986, na Educação de Adultos, lecionando em duas escolas primárias distintas, à noite. E pela noite continuei a trabalhar com alunos frequentemente mais velhos do que eu e com experiências de vida riquíssimas mas que, por razões variadas, não tinham obtido o diploma conferido pelo antigo ensino preparatório e que ostentavam apenas o diploma de uma magra e claramente insuficiente 4.ª classe. A opção por este tipo de ensino, noturno e dirigido predominantemente a adultos, que poucos professores à época desejavam, foi minha. Porque, se por um lado aceitava horários anuais de 16 horas, incompletos, o que se refletia muito negativamente no meu tempo de serviço e implicava deslocações em viatura própria, por montes e vales, durante a noite, por outro lado, o facto de concorrer a esses horários, permitia-me dar um acompanhamento de inteira proximidade à miúda que entretanto me nascera e pela qual era responsável, já que era sua mãe.
Note-se que, no inverno, chegava mesmo a ser penoso alcançar escolas de difícil acesso devido às estradas complicadíssimas que era obrigada a percorrer, algumas servidas por estradão de terra batida.
A vida é feita de opções e, confesso, nunca me arrependi desta decisão, apesar das consequências negativas que se fizeram e farão sentir para sempre na minha vida profissional.
Entretanto, eis que chega o ano letivo de 1992/93, ano em que fui colocada, pela primeira vez, em horário misto, completo, na Escola Secundária do Marco de Canavezes. Passados tantos anos, continuava professora contratada, despedida impreterivelmente a cada 31 de Agosto, sem direito a subsídio de desemprego e a perder a ADSE, sem garantias de trabalho no ano seguinte… até voltar a ser contratada… com sorte, lá para finais de setembro.
E continuei nessa condição de professora contratada, impedida, na prática, de criar grandes vínculos às escolas por onde passei sempre de forma fugaz – nunca trabalhei dois anos letivos seguidos num mesmo estabelecimento de ensino – até que, em meados dessa década, vinculei à função pública, em Quadro de Zona Pedagógica – CAE Tâmega. O salto qualitativo fora enorme: tinha agora a estabilidade de um vínculo laboral, saboreado e experimentado pela primeira vez na minha vida profissional, iniciada na década anterior. Mas continuei a não ter uma escola a que pudesse chamar “minha” já que, dentro da zona pedagógica a que estava vinculada, podia ser colocada numa qualquer escola de uma qualquer terra, um ano aqui, outro acolá.
Esperei até ao ano letivo de 2009/2010 pelo tão desejado vínculo a uma escola ou a um agrupamento, enfim… tinha quase 50 anos de idade e, finalmente!, pela primeira vez na minha vida, conhecia a segurança e o prazer de saber onde estaria colocada no ano seguinte. Finalmente, e pela primeira vez na minha vida, conhecia o alívio de não ter de concorrer a concursos anuais, autênticas roletas russas na vida de quem abraça esta tão complexa profissão. E olhei para trás, fui recuando no tempo e achei verdadeiramente incrível a forma displicente, arrogante e desrespeitadora que é apanágio e característica ainda marcante de quem nos tutela e nos trata, literalmente, como carne para canhão, como coisas descartáveis, sem acautelar minimamente a nossa estabilidade emocional, económica… enfim, coisa só possível de tolerar por quem ama profundamente esta profissão de desgaste rápido mas não reconhecido.
Hoje, tal como ontem, sei que quem me segura a esta profissão, que eu livremente escolhi, são os Meus Alunos, pessoas especialíssimas que me chegam à sala de aula sendo miúdos e que saem dela uns homenzinhos e umas mulherzinhas. Poder acompanhar e amparar este crescimento continua a ser, para mim, um enorme desafio e um enorme privilégio.
Há duas circunstâncias, para além de todas as outras, que determinaram a pessoa que eu sou hoje – sou Amarantina e sou Professora. E nunca me esqueço de que, se exerço a profissão que amo, o devo aos meus conterrâneos mais novos que são o futuro da minha rua, da minha cidade, do meu país, do meu Mundo. Esta é a minha responsabilidade maior. E eles são a Inês, o Diogo, a Diana, o Pedro, a Laryssa, o Tomás, o António, a Maria, o João, a Rossio, o Francisco, o Hélder, a Joana, a Margarida, o Vasco, a Rosa, o Miguel, a Luana, a Marisa, a Ana, a Bárbara, o Luís, o José, o Manuel, o Rui, a Sofia, o Luciano, o Ricardo… e tantos outros que eu ficaria horas a relembrar… miúdos e miúdas todos diferentes, todos iguais, ora difíceis, ora fáceis, ora doces, ora rebeldes… que enchem a minha vida de alegria, de cor e de carinho e que me fazem não desistir desta profissão que abracei um dia de alma e de coração… apesar dos sucessivos disparates da tutela que nos desgastam até à exaustão.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Pode Uma Professora (Portuguesa) Ser Feliz?

Alunos em Acção - E B 2/3 de Amarante - Sala de TIC
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Pode Uma Professora (Portuguesa) Ser Feliz?

Não sendo tarefa nada fácil nos dias que correm, garanto a todos os meus leitores que é possível ser professora, portuguesa, feliz no ensino... e sim, até mesmo em Portugal!
A receita é "simples": ignoram-se, por um lado, os ataques orquestrados, cobardes, miseráveis, mesquinhos e indiscriminados a toda uma classe profissional que é fundamental para a educação, o progresso e o desenvolvimento de toda a população de um país... e desse país com ela; concentra-se, por outro lado, a energia positiva própria que se aponta e direcciona para os alunos, a sala de aula, o gosto que se tem pela profissão, que ainda não está esquecido, a preparação daquela específica aula... e elabora-se um quizizz - https://quizizz.com/admin/quiz/5a140912d41a5e100040e403 - através do qual se fazem umas rápidas revisões para o teste de avaliação... e sim, ainda há tempo para os alunos aprimorarem, com carinho, os seus portefólios digitais, construídos no Adobe Sparck e que já contêm tanto, mas tanto! trabalho realizado por cada um deles... e sim, fizeram já um curto vídeo relacionado com a matéria que estamos a abordar...e sim, estes impecáveis alunos, que mantêm na minha sala de aula um comportamento exemplar, estão a fazer uns maravilhosos prezi(s)... eh eh eh... também históricos... e sim, por último!, pode-se ser uma professora portuguesa feliz quando se tem uma maravilhosa Professora Ana Osório ao lado, que nos guia qual estrelinha luminosa sempre pronta a esclarecer qualquer dúvida, sempre pronta para dar aquele impulso que resulta de nos sabermos a caminhar amparados por excelentes pares... sabendo que há tantos, mas tantos!! ímpares à volta!
Energia negativa... xôooooooooooooooo!

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Aniversário


Desejos de voltar a trepar pelo mundo...
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Aniversário

E pronto, já conto com 28 anos em cada perna, este ano com desejos de poder voltar a trepar em breve.
Entretanto deixo-vos com este maravilhoso vídeo e com a representação, através da dança, dos vários elementos que compõem a vida.
Fiquem bem.


segunda-feira, 31 de julho de 2017

Trabalhar em Florença - Agradecimentos


Florença - Itália
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Trabalhar em Florença - Agradecimentos

Confesso que nem em sonhos sonhei com esta possibilidade mas a verdade é que, um dia destes, partirei para esta belíssima cidade/museu ao ar livre, Florença de seu nome, para cumprir uma formação para professores no âmbito do programa Erasmus+, no meu caso, no âmbito das TIC.
Em todo o Agrupamento de Escolas de Amarante, nove professores aceitaram o desafio de partirem para o estrangeiro em trabalho, interrompendo as suas férias, por um período limitado de tempo, utilizando uma língua de trabalho que não é a materna, em cidades desconhecidas para alguns (Atenas e Florença) e que, para outros, são apenas conhecidas pelo prisma do turista e nada mais.
Claro que isto se deve ao trabalho de alguém. Tudo se deve sempre ao trabalho de alguém, que tem nome e que tem identidade.
Por isso, agradeço publicamente esta possibilidade a quem organizou a candidatura no meu Agrupamento, Professora Ana Baptista, a nossa excelentíssima Coordenadora de Projectos, que, não brincando em serviço, levou a nossa candidatura para um super honroso primeiro lugar a nível nacional.
Foi obra! E foi mérito dela. E porque nada em trabalho nos cai do céu aos trambolhões, aqui fica o meu público agradecimento a quem queimou as suas pestanas para que isto fosse possível.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Novas da Dona deste Blogue

Em Obras - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Novas da Dona deste Blogue

Tal como a casa desta rua, a dona deste blogue entrou em obras.
Boa tarde!

sábado, 1 de julho de 2017

Euzinha, a Mudar Portugal Desde 1986!

Auto-Retrato - S. gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Euzinha, a Mudar Portugal Desde 1986!

Sim, sou euzinha, a mudar Portugal desde 1986. E nos últimos anos, a brincar a brincar já mais de dez!, enxovalhada, roubada, vilipendiada, gozada e desrespeitada todos os dias da minha vida pelos políticos rasteirinhos que vão ocupando os cargos de poder em/de Portugal.
Ai que até me apetece dizer uma asneira...

"Há outros heróis que estão a mudar Portugal, são os professores"

terça-feira, 6 de junho de 2017

Anabela Magalhães - Um Caso Prático

Auto-Retrato - Serra da Aboboreira - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Anabela Magalhães - Um Caso Prático

Professora na Escola Pública desde os 24 anos, sem interrupções. Contratada quase até aos 40 anos. Vinculada a um agrupamento quase aos 50 e já com 55 anos de idade.
A que eu não nomeio neste blogue "reorganizou" a carreira dos professores e deu nisto: há mais dez anos atrás estava eu no 7.º escalão, quase a passar para o 8.º, numa carreira de dez escalões. Hoje, mais de dez anos passados, estou no 4.º escalão, numa carreira de dez escalões... o que quer dizer que sairei reformada aí a meio da carreira! Mas o que é isto?!
E para quê?! Para alimentar uma corrupção desatada, sem fim à vista?
Por isso, chega! Basta!
Chegou o tempo de dar aos nossos governantes agora da geringonça um enérgico não!
Há mais gente por aí assim completamente lixada?
 
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