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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A Palavra a Adriano Moreira

A Palavra a Adriano Moreira

Toda imperdível!

A propósito de Adriano Moreira, português que muito admiro, algures pelos finais dos anos 70 coube-me a honra de apresentar publicamente Adriano Moreira, aqui mesmo em Amarante, mais concretamente nas velhinhas instalações da Biblioteca/Museu Albano Sardoeira/Amadeo de Souza-Cardoso. A propósito de um Dia Mundial da Criança e de um concurso de desenho lançado para todas as crianças que frequentavam as escolas aqui do burgo. Eu fazia parte da organização... tinha para aí uns dezasseis anos e os mais velhos da organização, universitários já!, empurraram para a minha pessoa,novita, tão solene incumbência...



Nota - Agradecida pela partilha, Carlos Gomes!

sábado, 18 de dezembro de 2010

Eduardo Teixeira Pinto


Tranquilidade - Tâmega - Amarante
Fotografia de Eduardo Teixeira Pinto

Eduardo Teixeira Pinto

Já aqui falei, por diversas vezes, deste vulto maior português, ligado à arte da fotografia.
Amarante, incubadora de tantos homens e mulheres que se têm distinguido na pintura, na literatura, na política, incubou um Fotógrafo que aproximou e fundiu fotografia e poesia. Porque as suas fotografias são únicas e especiais e são plenas duma poesia que só pode emanar de uma enormíssima sensibilidade e riqueza interior.
Hoje é o lançamento do seu livro, na Casa da Calçada.
Muito embora doente, com a minha sinusite assanhada pela quebra brusca de temperatura que por aqui se fez sentir, não faltarei e este encontro com o meu vizinho Poeta/Fotógrafo por excelência.

domingo, 19 de julho de 2009

José Emanuel Queirós

José Emanuel Queirós

Na próxima terça-feira o Movimento de Cidadania para o Desenvolvimento do Tâmega vai ser recebido em Belém e, a propósito deste acontecimento, apanho boleia e presto homenagem a uma das pessoas mais lutadoras e persistentes que conheço - o meu irmão - e que agora apresento neste blogue.
E confesso que, apesar das divergências normais entre irmãos, este, o único que tenho, é das pessoas que mais admiro pela sua capacidade de trabalho, nomeadamente pela sua capacidade de trabalho em prol da comunidade local, e porque passados todos estes anos, e depois de ter levado porrada a torto e a direito do ps local, composto na maior parte dos casos por gente mais do que medíocre, não soçobrou, não desistiu, e continua a lutar pelos interesses da região, e particularmente de Amarante, com unhas e dentes e com uma garra e vigor que não esmoreceu, antes pelo contrário, fortaleceu-se com as convicções amadurecidas e com todo um trajecto de vida já feito e percorrido.

Quando eu crescer quero ser como ele!

E aqui o deixo, entrevistado para o Amarante TV, a propósito da barragem do Torrão, que tanto nos preocupa aqui na cidade.
Vai encontrar a entrevista do lado direito, neste momento é a quarta e não está visível. Mexa o rectângulo azul, à direita, para baixo. Clique na entrevista e delicie-se com as paisagens sempre belas do Tâmega, espraiado pelo vale onde foi edificada Amarante. E com o meu irmão, claro!
Não nos conformamos e continuamos a lutar contra a construção da barragem. Continuamos a erguer a voz.
Aqui deixo de novo as petições que estão na Internet. Leia e se concordar assine.

Por Amarante Sem Barragens

Salvar o Tâmega e a Vida no Ôlo

sábado, 11 de julho de 2009

Maria Eulália Macedo


Menina Lalinha
Fotografia de Elsa C.

Maria Eulália Macedo

Estava à espera desta reportagem do Amarante TV. Aliás, aguardava-a ansiosamente para poder partilhar um pouco mais desta personagem marcante, desta professora inesquecível que é Maria Eulália, a eterna Menina da minha rua.
Aqui deixo o link que permitirá aos meus leitores, mais curiosos, conhecerem um pouco mais esta personalidade amarantina, conhecerem um pouco mais da estatura desta Mulher.
Ao clicar na hiperligação abrirão a primeira página do Amarante TV e do lado direito encontrarão Eulália.
Vejam. Ouçam as suas palavras com atenção. Imaginem conversas de sala de aula, imaginem conversas de café e vejam lá se não amariam poder dizer, com orgulho "Fui aluna de Maria Eulália Macedo!"

http://www.amarante.tv/index_in.html

Nota - Lamento que o Amarante TV não tenha disponibilizado a intervenção final de Maria Eulália e que foi absolutamente marcante para quem esteve presente.
Aqui deixo a sugestão.

sábado, 4 de julho de 2009

Querida Eulália


Maria Eulália Macedo - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Querida Eulália

“Querida Eulália

Escrevi-te uma carta. Uma carta entreaberta. Uma carta de amor. Hoje não serei grave, porque não é dia de endurecer o rosto e a alegria é para os vivos, como disse o Almada, a coisa mais séria da vida! Hoje é um dia alegre, querida Eulália, porque se reeditam as tuas Histórias de poucas palavras, que não é um livro, mas uma prova de amor, a confissão poética de que o esquecimento, a morte e as trevas que tantas vezes escurecem os nossos corações não terão a última palavra. As tuas Histórias de poucas palavras não são apenas páginas impressas, amortalhadas numa capa bonita; não se trata de um livro como outros livros: fala do milagre de ser e existir no espaço e no tempo, fala do sabor das amoras, da alegria do mundo. Eu não li as tuas Histórias de poucas palavras, querida Eulália, eu vivi-as tão intensamente, que a tua mãe foi, por um momento, a minha mãe; depois foi o cheiro húmido da terra, a intimidade de um gesto condescendente com a morte, a vida inteira redimida numa palavra, algo mais puro ainda; depois foram os retratos, os antigos retratos que habitam o teu mundo, Eulália, esses fantasmas que habitam o meu mundo, como se tivéssemos vivido na mesma casa, na mesma casa desde sempre, porque a tua casa é antiga como o Marão, antiga como o mundo.
Escrevi-te uma carta, esta carta entreaberta. Uma carta de amor. Escrevi-a porque sei como são as manhãs transparentes de Fevereiro, porque também eu suspendo a respiração à hora da chegada do correio. Escrevi-a porque nasci num mundo de homens que cabe nas caixas que guardam os livros que herdaste da tua avó paterna; mas estas tuas Histórias de poucas palavras não cabem neste livro, como não cabem nos livros que herdaste da tua mãe; nelas existe um mundo de mulheres, de mulheres que são lugares recuados em que as mãos descobrem os filhos, esses lugares fundos, luminosos por dentro; essas mulheres que são como mesas para que os filhos cresçam em seu redor; que são casas em que há afectos, como brinquedos, espalhados pelo chão; as mulheres de Histórias de poucas palavras são isso e outra coisa, ou nem uma coisa nem outra, não têm nome ou chamam-se Maria Ondina, Olímpia, Maria Branca ou Lídia; podem ser as mulheres do Marão (de que não falam as Crónicas da Raça) ou as mulheres da tua Rua; podem ser as mulheres da minha rua, da minha infância, mulheres sem idade, carpindo as perdas, lambendo as feridas ou amadurecendo o útero na opacidade comovida da sua juventude.
Querida Eulália, escrevi-te esta carta porque conheço a tua terra como se nela tivesse nascido ou nela tivesse morrido, antes desta diáspora; conheço o teu Rio, comove-me sempre a tua Nossa Senhora da Ponte, com o seu sorriso de granito e o Filho nos braços. Também eu amo Pascoaes, Eulália: recordo-me do Poeta a enrolar um cigarro no escrupuloso labor dos dedos telúricos, recordo-me dos versos: “Quem és tu? De onde vens? Na tua fronte/ Paira o vago crepúsculo infinito/ Da distância... […] Há nas tuas palavras um abismo./ Ouvindo-as logo sinto uma vertigem,/ E, em sobressalto, chora e se lastima/ O que, em mim, é vedado, oculto e virgem./ A parte indefinida do meu ser/ Ama a sombra espectral em que desvairas.../ E nem, ao menos, posso compreender/ Esta força amorosa que me leva/ Para a tua loucura!”
Escrevi esta carta, querida Eulália, porque conheço o rumor dos dias, a lenta passagem das horas. Escrevi-a porque conheci a tua casa: o S. Jorge que guarda a entrada nas pausas da sua luta eterna contra a serpe; o granito por fora, as madeiras por dentro; os velhos livros, os retratos espectrais, o modo natural e orgânico como a casa cresce e se abre para um jardim, com flores e árvores de fruto numa certa desarrumação romântica. Escrevi esta carta de amor porque me comove a tua lucidez, o modo como arrastas a voz oracular, que se exprime em aforismos e se sobrepõe ao meu pensamento. Escrevi-a, querida Eulália, porque escuto a urze e conheço o silêncio das tardes de Outono, quando os pássaros não voam e as nuvens se deitam na cama dos rochedos mais altos.
Nas tuas Histórias de poucas palavras pulsa uma comovida humanidade, um amor raro pela terra, sem asfixia; um amor raro pelas pessoas, sem paternalismos ou maternalismos; um amor raro que habita quem acredita e inaugura nas suas palavras um emergente «Ciclo do Amor». Querida Eulália, não sei como dizer-te que sinto que guardas o futuro. Nasceste em Amarante; mas tu não pertences a Amarante, nem ao mundo, que o mundo é exíguo para pessoas com as tuas dimensões. Tu pertences, nas palavras de Sophia, à raça daqueles que “percorrem o labirinto/ Sem jamais perderem o fio de linho da palavra”. Tu pertences a Deus.
«Serás tu o Cristo, Maria Eulália?» “Não casei, não ganhei dinheiro, nem sei de sistemas políticos para salvar a humanidade”. O que é que te salva, Maria Eulália? O que é que move a tua mão escrevente. O poeta José Tolentino Mendonça disse que “o que move a mão escrevente é uma qualquer compaixão pela vida, nua, pobre, passada, inocente, esquecida, sussurrante, amante, quase nada. […] «E a ti, o que é que te salva?» Oh, os que não sabem que a mão escrevente é a mão que salva!”
Vou terminar esta carta, Eulália. Desculpa-me. O que poderia eu dizer sobre ti ou sobre as tuas Histórias de poucas palavras? O que sei eu? Tinhas meio século de vida quando eu vi pela primeira vez a luz; nasceste no Equinócio da Primavera, eu nasci no Equinócio de Outono, talvez por isso a tua juventude e a minha velhice nos torne tão próximos. Por estes dias, as tuas Histórias de poucas palavras salvaram-me: “Nunca mais temerei os anjos metálicos da angústia e da destruição, podem vir purificar-me os lábios com uma brasa de fogo e de insatisfação”. E sempre que me lembrar de ti, estremecerei com os versos de Herberto Helder: “Digamos que descobrimos amoras, a corrente oculta/ do gosto, o entusiasmo do mundo”.

Sempre teu,
José Rui Teixeira”

Nota - Com os meu agradecimentos à Elsa C. que me enviou esta belíssima carta entreaberta, lida ontem, em público, a Maria Eulália Macedo.
A cerimónia foi bela e bela é a homenageada!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Menina



Menina

A eterna Menina da minha rua, de seu nome Maria Eulália Macedo, vai presentear-nos, no próximo dia 3 de Julho, pelas 19 horas, com o seu livro "Histórias de Poucas Palavras", cuja apresentação estará a cargo do professor José Rui Teixeira, em cerimónia a realizar na Biblioteca Municipal de Amarante.
Já aqui falei sobre esta professora de Moral, que foi minha nos longínquos anos lectivos de 1973/74 e 1974/75, anos marcantes na História do meu país e igualmente marcantes na minha história pessoal, preenchida ao tempo com aulas de Ciclo Preparatório.
Tive a sorte de ter, ao longo de toda a minha vida estudantil, alguns professores muito bons e alguns outros excepcionais, em termos de preparação científica, pedagógica, humana, ética... e que me foram servindo de referência ao longo do meu crescimento e, posteriormente, ao longo da minha vida profissional. Alguns encontrei-os no Ciclo Preparatório, para onde me mudei com alívio, vinda directamente do espartilho do Colégio de S. Gonçalo.
Maria Eulália Macedo foi/é um exemplo de postura, de irreverência, de frontalidade, de criatividade, de honestidade, de franqueza, de brio, de decência, de educação, de partilha, de adaptação, de generosidade, de jovialidade, de paixão, em suma é um Exemplo de Vida. E presumo que isto não se tenha passado só comigo, que estas memórias sejam exclusividade minha, e que outros alunos a recordem assim - Exemplar.
A característica mais marcante de Maria Eulália Macedo, que eu retive e agora recordo, foi, sem dúvida, a sua extraordinária capacidade de nos amar a todos, sem distinção de classes sociais ou económicas, ela que nunca teve filhos de produção própria, mas que acolheu tantos, nos seus braços maternais, de produção alheia.
Maria Eulália Macedo, Lalinha ou Lala, será sempre, na Nossa Rua e na Nossa Terra, A Menina.
Termino este post, de agradecimento e de homenagem a Maria Eulália Macedo, pelo exemplo e pelos ensinamentos que me transmitiu a mim e a muitos milhares mais, com as palavras que enriquecem o seu convite e que, para todos os que têm o privilégio de a conhecer e de com ela privar, sabe serem dela.

"O único remédio é amar. Amar as coisas e amar as pessoas, amar as cores, as mutações da hora, o ciclo das estações, amar o tempo de ser, de lembrar, de colher."

Maria Eulália Macedo
In Histórias de Poucas Palavras
Nota - E para quem tiver curiosidade em ler o que aqui ficou escrito no dia 4 de Agosto de 2008 é favor clicar aqui.
E sei, sei que a vou deixar comovida e em lágrimas quando amanhã lhe entregar este texto.
Acho até que lhe vou pedir para que o leia em casa, no recato do seu lar, sob pena de deixarmos uma biblioteca cheia de gente a olhar para nós, como já aconteceu anteriormente com um café, o Café do Largo, o Café-Bar, cujos habitantes quotidianos olhavam para nós entre o espantado, o incrédulo, o preocupado.
Malandrices. Minhas e Dela.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Áurea Lima





Áurea Lima

Conheci esta professora, farmacêutica e investigadora, num primeiro momento só de ouvir falar a minha filha J., estudante na CESPU à data. Talvez por ser professora sempre dei bastante atenção às palavras da J. sobre os professores que ia tendo e sempre procurei entender as suas críticas, positivas ou negativas, e também as suas preferências baseadas em múltiplos e diversos factores, que nós somos todos diferentes uns dos outros e, se uns agradam aqui, outros há que agradam acolá. Ou não.
Penso que não ouvi falar tanto de um nome em toda a vida estudantil universitária da minha filha como ouvi o nome Áurea, a professora marcante pela atitude, pela postura, pela simpatia, pela competência, pela exigência.
Tive o prazer de conhecer Áurea Lima numa aposta arriscada que fiz durante o ano lectivo passado.
A J. propôs-me aceitar a vinda de um grupo de colegas finalistas que no âmbito da cadeira leccionada por esta professora precisavam de uma turma para, em contexto real, apresentarem o trabalho desenvolvido enquanto eram avaliados pela professora da cadeira, Áurea Lima de seu nome.
Arrisquei. O tema era "Doenças Sexualmente Transmissíveis" e eu pensei logo nos meus alunos dos CEF de 2º ano, quase a completarem o 9º ano e provavelmente sem mais oportunidades futuras de aprenderem algo tão importante para as suas vidas.
Tudo combinado, recebi a professora e os seus alunos junto ao portão da ESA e fomos conversando até ao Auditório onde decorreu a apresentação do trabalho. Entretanto registei a juventude, a simpatia, a forma próxima como esta professora se relacionava com os seus alunos e vice-versa, sem que cada uma das partes confundisse o seu papel. Gostei de ver e registei o respeito mútuo.
As minhas três turmas de carpinteiros, serralheiros e electricistas, entretanto, portaram-se que foi uma beleza tendo surpreendido pela positiva os intervenientes - alunos e professora - vindos da CESPU.
Hoje relembro esta história porque a Áurea, esta senhora professora, farmacêutica e investigadora foi a primeira portuguesa distinguida no Congresso Internacional de Terapias Anticancro que decorreu em Paris, pelo trabalho científico relacionado com as variações genéticas que condicionam o tempo de vida dos doentes que sofrem de cancro de pulmão.
Por isso aqui lhe deixo os meus parabéns pelo seu trabalho como investigadora e pelo seu trabalho como professora, marcante na vida da minha filha J.
Nota - Para quem quiser saber um pouco mais sobre o trabalho de Áurea Lima é favor clicar na reportagem saída a 10 de Maio, na Pública.
E partilho igualmente o link para o post escrito à época em que a conheci.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Rania da Jordânia/Lalla de Marrocos

Rania da Jordânia/Lalla de Marrocos

A rainha Rania esteve em Portugal, em visita oficial, para receber o prémio Norte-Sul, do Conselho da Europa, pelo trabalho desenvolvido em prol do respeito pelos direitos das mulheres e das crianças. Trata-se de uma importante mulher, que actua por dentro do mundo árabe. Não é a primeira vez que falo da rainha Rania neste blogue, e por certo não será a última.
A reportagem da SIC, que agora divulgo, faz referência ao glamour e à magia que esta mulher excepcional produz à volta da sua pessoa, pela sua beleza e elegância, que eu admiro, sendo certo que não são essas características, que são dela, as que mais me interessam.
Interessa-me a mulher lutadora por detrás duma aparência de quase fragilidade, a mulher lutadora que promove o respeito pelos direitos das mulheres e das crianças.




E aqui deixo Rania num outro vídeo, acompanhada de Lalla, que aproveito para apresentar, em primeira mão, neste blogue. Trata-se somente da rainha que já muito alterou o reino de Marrocos, desde que se casou com Sua Majestade, o rei Mohammed VI.
São, pois, apenas duas rainhas, apenas duas mulheres, em acção.
Continuo atenta a estes sinais, pequenos ou grandes, mais ou menos importantes, vindos bem do coração do mundo árabe, um mundo tão cheio de beleza, de contradições, de incoerências e de mistérios que continua a exercer um fascínio enorme sobre a minha pessoa.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Rania, Rainha da Jordânia

Rania, Rainha da Jordânia

Aprecio muito a acção desta mulher, Rania de seu nome, que actua em pleno coração do mundo árabe e extravasa da Jordânia para o mundo aproveitando alguns dos benefícios da globalização. Podia limitar-se a ser uma mera peça decorativa que ficaria sempre bem ao lado de qualquer rei, mas a verdade é que semelhante papel não se adequa minimamente a uma mulher que alia beleza e inteligência em doses absolutamente generosas. Vai daí resolveu aproveitar o canal democrático e mais do que popular do YouTube para lutar, ela própria, contra estereótipos "nossos" relativamente ao mundo árabe.
O meu conhecimento do mundo árabe é algum e, tal como Rania, garanto que as realidades são muito diversas de país para país e mesmo dentro do mesmo país, de região para região. Diversas são as realidades do ponto de vista económico, cultural, religioso, do papel das mulheres neste mundo que também se vai alterando a cada dia que passa. Mantenho-me particularmente atenta a este último ponto, registando pequenas ou grandes alterações neste mundo olhado, quantas vezes, com desconfiança, e onde eu gosto de me misturar, ao acaso, pelas ruas, em Aman, em Marrakech, em Nouakchott, em Layounne, em Tunes, em Trípoli... sempre consciente que as mudanças devem partir da necessidade sentida no seio destas sociedades já que as imposições dão, frequentemente, péssimos resultados.
A palavra à rainha Rania. Aos estereótipos e à sua/minha luta contra eles.



segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Lalinha, Lala, Maria Eulália Macedo


Rua da Cadeia - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Lalinha, Lala, Maria Eulália Macedo

A meio da minha rua, numa casa enormesca que resistiu à destruição dos franceses em 1809, habitam duas meninas bastante idosas que, apesar de irmãs, são muito diferentes entre si.
Vejo-as desde miúda, ambas solteiras, de importante família local. Uma, de seu nome Lourdes, sempre com cara séria, quase zangada, a minha vida toda só lhe ouvi "Bom dia" ou quando muito "Boa tarde". Não a conheço a não ser de vista, muito embora a conheça desde sempre.
A outra menina, a Lalinha ou Lala para quem com ela priva, é um ser humano à parte. Culta, informada, jovial, criativa, pouco ortodoxa, espírito livre, recordo-a no Ciclo Preparatório, onde em boa hora foi minha professora de Religião e Moral. Parece que não cumpria o programa e como nós, ganapada feminina, ainda a estudar no tempo da outra senhora, a adorávamos! Fazíamos marcas nos aros das portas registando o nosso crescimento que seguíamos atentamente. Principalmente o das mais pequeninas da turma - a Formiga e a Edite. E a Lalinha falava-nos sobre menstruação e outros assuntos do nosso interesse, preparando-nos para a adolescência que já se adivinhava, para as mudanças corporais que já todas sentíamos nos corpos, por vezes desengonçados, que nem sempre cresciam harmoniosamente. Ali não havia tabus. Estávamos entre mulheres e as conversas eram entre mulheres. A Lalinha e as suas aulas de Moral, muito arrojadas para a época, onde todas as alunas podiam colocar as questões que entendessem para debate, estimulavam-nos ao livre pensamento, à reflexão, à argumentação, ao diálogo, ao conhecimento. Ajudaram-me a crescer e recordo-as sempre com muita ternura. As aulas de Religião e Moral da Lalinha eram um oásis naqueles tempos finais de ditadura.
Ainda hoje converso amiúde com esta minha ex-professora e faço-o com enorme prazer, frequentadoras que somos do mesmo café. E ainda hoje aprecio o seu sentido crítico, a sua lucidez, a sua adaptabilidade aos dias que correm, o seu sentido de humor. Ainda hoje gargalho com a Lalinha. E releio-a relembrando textos publicados em livros que já não fazem parte dos escaparates das livrarias. E constato que a minha rua não seria a mesma sem ela, sem a sua silhueta poética e esguia, movimentando-se em passo certo e sincopado, todos os dias, pela mesma hora, a caminho do café.
Por tudo isto devo-lhe agradecimentos públicos. Aqui ficam.
E deixo uma transcrição tirada do seu livro "As Moradas Terrenas".


As constantes da História

"Invento as aulas. Entro na sala e dirijo-me aos olhos mais atentos. E deles parto para a aventura da viagem que pode ser longa ou curta, mas sempre com ilhas de mistério! Nunca sigo o programa prévio e oficial. Vou no rumo dos astros e do sonho."

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Mohammed


Mohammed - Fez - Marrocos
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Mohammed

Hoje vou falar do Mohammed. Do extraordinário Mohammed que vive e trabalha na extraordinária cidade de Fez, em Marrocos.

Conheci o Mohamed faz muitos anos, por acaso, no interior da medina de Fez, quando qualquer coisa me despertou o interesse na sua minúscula loja. Por isso entrei. Eu e uma data de amigos que eu conduzia e guiava por terras de sua majestade, na altura ainda o rei Hassan II.
A loja do Mohamed, entre outras coisas, tinha uma boa colecção de tapetes marroquinos, nomeadamente kilims vermelhos, o tipo de tapete que eu mais aprecio de todos os tipos de tapetes produzidos em Marrocos.
Vasculhámos a loja e lá iniciámos o negócio. Aqui chegados tenho que esclarecer que um negócio em Marrocos, independentemente do valor em causa, pode dar para uma tarde inteira de discussão, isto se as partes estiverem para aí viradas e se estiverem inspiradas. Ora naquela tarde estávamos todos inspirados. E todos queriam comprar tapetes. Muitos tapetes.
O negócio decorria a bom ritmo entre gargalhadas e copos de chá de menta, de whisky berbere, como dizem os marroquinos, até que o Mohammed se vira para mim e me informa que está na hora das orações, que ele vai à mesquita rezar e volta já já, e pede que lhe tomemos conta da loja! E lá foi ele, o que nos fez olhar uns para os outros incrédulos e perplexos perante uma situação inédita em que um comerciante larga a sua mercadoria com os potenciais compradores e em que um comerciante abandona um negócio fabuloso! Surpreendente! Surpreendente a fé que o fez pôr em causa tamanho negócio. Surpreendente a calma, a serenidade e a tranquilidade espelhadas no seu rosto que se ia abrindo em sorrisos rasgados e francos durante toda aquela tarde irreal.
E assim continuou mesmo quando eu lhe propus comprar a djelabah que ele trazia vestida, depois de esgotadas todas as possibilidades de me arranjar uma parecida. E comprei-a. Despi o homem ali mesmo na loja, e enfiei-me dentro da djelabah mais cheirosa que vesti em toda a minha vida, enquanto os meus companheiros de viagem riam a bandeiras despregadas de tão insólita situação.
E, engraçado, durante muito tempo a djelabah do Mohammed continuou a cheirar-me a Mohammed, mesmo depois de lavada, aqui, em Amarante.
Agora, perdido o cheiro algures no tempo, a djelabah continua a fazer-me lembrar aquele homem curioso e enigmático que me deixou a pensar e a reequacionar os meus valores e a minha vida.
 
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