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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Nem Tudo o Que Parece É, Nem Tudo o Que É Parece

Janela - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Nem Tudo o Que Parece É, Nem Tudo o Que É Parece

Confesso que estes equívocos entre o parecer e o ser são uma das minhas preocupações e luto contra eles todos os dias. Não quer dizer que não caia, aqui e ali, na esparrela de emprenhar pelos ouvidos, ou mesmo pelos olhos, mas lá que o tento evitar a todo o custo, lá isso tento. É de tal modo uma preocupação para mim que, desde que abri este blogue, volta e meia, lá volto eu a esta temática - e assim foi aqui, aqui, aquiaqui...

Hoje volto a este parecer ser que não é. Nos dias que correm, é especialmente lamentável.
E é especialmente preocupante constatar que há pessoas a emprenhar pelos ouvidos, pelos olhos e mesmo pelos poros.

E só mais um acrescento - A notícia fala em migrantes. Ora a esmagadora maioria das pessoas que por estes dias tem chegado à Europa provindas da Síria não são migrantes. São refugiados.

Autor esclarece vídeo de migrantes a recusar ajuda da Cruz Vermelha

sexta-feira, 20 de junho de 2014

"As minhas calças estão a baixar as tuas notas?"

Figura Feminina com Tornozelos à Mostra - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

"As minhas calças estão a baixar as tuas notas?"

"Não poder usar leggings porque distrai os rapazes é dar-nos a impressão de que somos responsáveis pelo que os gajos fazem"

Subscrevo.

Inteire-se da discussão que envolve códigos de vestuário clicando aqui. A notícia gira à volta de casos passados nos EUA, alguns deles incrivelmente ridículos. Por cá, volta e meia a discussão também se faz e é ver extremistas, quantas vezes falsos moralistas!, a defenderem posições radicais com que eu não concordo minimamente. Bom senso precisa-se de ambos os lados das barricadas, digo eu. É claro que se é ridículo proibir alças de soutiens à mostra, ombros e calcanhares ao léu, calções ou mini-saias... também é clarinho para mim que as pessoas têm de adequar o seu vestuário ao local onde se encontram e não devem ir para uma escola, somente para dar um exemplo, com uma mini-saia que mais se assemelha a um cinto ou com o vestido transparente da Rihanna e muito menos como quem vai para a zona de nudistas da praia de Odeceixe... ou do Meco.
E ponto final.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Selfie

Selfie - Gafanhoto - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães
 
Selfie

Porque estão na moda... eheheh... este gafanhoto resolveu tirar o seu retrato... e foi vê-lo fazer magia.

domingo, 14 de agosto de 2011

Crise


Candeeiro/Luz - Restaurante Pena - Vila Caiz - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Crise

Definitivamente, até o Verão entrou em crise.
Mas que raio de tempo é este?

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Problemas de Expressão

Problemas de Expressão

Todos sabemos que a Língua Portuguesa, que eu amo, é deveras traiçoeira pelos múltiplos cambiantes que apresenta, pelos múltiplos significados e possibilidades de descodificação permitidos. Amo isto. Genuinamente.
Vem isto a propósito da expressão "emprenhar pelos ouvidos" que muitos poderão ler com um sentido que eu não lhe dou, nem lhe atribuo.
Confesso que é uma expressão de que gosto particularmente e que utilizo amiúde, assim como amo utilizar uma palavra aqui bem do Norte, carago, pois então! Amo-as pelas mesmíssimas razões - pela robustez e força que me transmitem e pela expressividade de palavras que não se ficam pelas meias tintas e vão directas ao assunto, expressando a primeira a opinião que se forma sem conhecimento directo sobre um dado assunto e quando digo directo quero dizer directo, vivenciado pelo próprio e a segunda porque... Carago!... e mais nem é preciso dizer.
Posto isto, eu já emprenhei pelos ouvidos?

Pois já, não há nada a fazer quanto a uns deslizes que eu por vezes cometo, apesar de toda a atenção e cuidado para me conter... e não emprenhar pelos ouvidos.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Cursos de Educação e Formação - CEF

Cursos de Educação e Formação - CEF

Hoje volto aos meus CEF para esclarecer alguns pontos mal esclarecidos, ao que parece, sobre o que eu digo e o que eu escrevo sobre os meus alunos dos CEF.
A história conta-se em duas penadas.
Hora do lanche, sala de professores da EB 2/3 de Amarante. A minha Inês sobe as escadas e entrega-me uma cesta cheiinha de pão acabado de cozer com um aspecto de morrer e chorar por mais e um calor e cheirinho que foi subindo até às minhas narinas e me deixou com vontade de o abocanhar de imediato. Agradeci-lhe a gentileza e o cuidado, gentileza e cuidado previamente solicitados por mim a esta turma e respectivo professor de Padaria. Gosto destes mimos que nos aconchegam os dias e lembrei-me que seria agradável alargá-los aos meus colegas de lanche, um dia destes, de surpresa... e pronto, a surpresa surprendeu-nos hoje mesmo. Confesso que esta estratégia de aproximação é também uma forma consciente, da minha parte, de tentar quebrar alguns mitos urbanos associados a estes alunos.
Pousei o cesto no balcão e ofereci o pão aos presentes em nome dos meus alunos de Padaria/Pastelaria acompanhado de um sincero "Pena que o Ramiro Marques não esteja aqui para verificar, ao vivo, que os alunos de CEF não são todos uns cancros."
Confesso que esta expressão "cancro", utilizada pelo Ramiro há uns bons dois anos, em post sobre o assunto, me chocou pela generalização abusiva aos alunos dos CEF que, tal como todos os outros, são indivíduos merecedores do nosso respeito até prova em contrário. E o Ramiro sabe disto, deste meu desagrado. E sabe que eu sei que a sua experiência com alunos de CEF é igual a zero e que, para emitir a opinião que emitiu, teve de emprenhar pelos ouvidos.
Pelos ouvidos emprenhou também uma colega que estava na sala de professores, Olá A!, que me acusou, de imediato, de dourar a pílula acerca dos alunos dos CEF e dar deles uma imagem que está longe da realidade, o que eu contestei de imediato e à minha questão "Que experiência tens de alunos dos CEF?" a resposta foi zero de experiência, tal como eu esperava.
Há um mito urbano, muito difundido entre os professores que nunca leccionaram turmas de electricistas, carpinteiros, serralheiros, empregados de mesa, padeiros/pasteleiros, jardineiros e auxiliares de geriatria, como é o meu caso, de generalizarem tudo e meterem tudo no mesmo saco apoiando-se nuns "disseram-me" e nuns "ouvi dizer". Confesso que para mim isto vale o que vale e não vale muito porque se eu emprenhasse pelos ouvidos jamais teria visitado Marrocos já que, antes de o visitar pela primeira vez, no já muito longínquo ano de 1990, ouvi de viva voz por quem acabara quase de chegar que aquilo era muiiito perigoso e muiiiito porco e muiiito mal cheiroso e muiiito inseguro e patati e patatá.
Devo amar sítios muiiito perigosos, muiiito porcos, muiito mal cheirosos e muiito inseguros porque desde aí só falhei 1991 e 2010, com anos de 3 colheitas ao país assustador do Sul.
Posto isto vou fazer uns pontos da situação, clarificando o meu pensamento, construído sobre a minha própria experiência com alunos de CEF desde 2004, sem interrupção.
Ponto Um - As turmas dos CEF são, na generalidade, turmas bem mais complicadas e complexas do que as turmas ditas normais. Por vezes muitíssimo mais complicadas mesmo, e já me aconteceu trabalhar com uma que só não me levou a consultas de psiquiatria porque eu sou mentalmente muito resistente - faço referência a esta turma aqui, muito embora muito ao de leve.
Ponto dois - Por vezes, turmas complicadas e difíceis têm comportamentos exemplares, como este aqui, ou este aqui... e outras vezes não, como este aqui.
Ponto três - Também já me aconteceu ter uma turma de CEF que poderia ser uma vulgar turma de alunos de um 9º ano dito normal e da qual deixei rasto aqui.
Ponto quatro - Exijo-lhes trabalho, tal como a todos os meus outros alunos, que eu não gosto de discriminar ninguém, e desta exigência deixei testemunho aqui.
Ponto Cinco - Para aprofundarem o meu pensamento sobre os CEF, construído com base na minha experiência, podem clicar aqui.
Ponto seis - Cito-me a mim própria:
"Falo do que sei. Falo da minha realidade. Da minha realidade em salas com empregados de mesa, carpinteiros, electricistas, carpinteiros, jardineiros, padeiros e pasteleiros. Da minha realidade muito trabalhosa, para quem não queima o ano a passar-lhes filmes, da minha realidade sem manuais, com alunos, por vezes, muito difíceis, por vezes mesmo incrivelmente difíceis e outras vezes não.
A realidade dos outros não a vivenciei e por isso não a posso testemunhar.
Falo do que sei. E tenho dito."
Citação retirada daqui.
Ponto sete - É claro que podem sempre clicar na etiqueta "CEFs" e mergulhar em posts sobre esta realidade que já virou mito urbano em todas as salas de professores por onde eu passei desde 2004, sem excepção.

Ponto oito - Conclusões

- Há CEFs e CEFs, tal como eu sempre afirmei.
- A minha realidade é a minha realidade e a minha realidade pode não ser a do professor do lado, mesmo que com os mesmísssimos alunos. Muito menos poderá ser estendida e generalizada a todas as turmas de CEF que por este país abundam, como eu sempre afirmei.
- Por último... eles têm dias. Uns dias melhores, outros piores. Como eu sempre afirmei.

Mas a mim também me ocorre acontecer-me o mesmo...

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Defesa de Trabalho Exemplar e Defesa dos CEF

Defesa de Trabalho Exemplar e Defesa dos CEF

Estou na blogosfera desde Fevereiro de 2007, data em que dei à luz este Anabela Magalhães, e desde então acumulei uma aprendizagem que até aqui não tinha, já que não fazia parte desta comunidade super alargada de bloggers e de frequentadores de blogues que todos os dias povoam esta coisa maravilhosa que está ao alcance de um teclar.
O meu blogue insere-se dentro da blogosfera docente e penso que não estarei longe da verdade se afirmar que a esmagadora maioria dos que entram nesta minha casa virtual serão professores. É certo que o meu blogue vai para além da parte de mim que é a da profissional que desempenha a sua profissão e é certo que todas as exposições são arriscadas, principalmente as que veiculam ideias próprias, opiniões e gostos pessoais...
Por vezes alcanço até outros públicos, que não os meus leitores assíduos, aqueles que me seguem os passos há já muito tempo e que já sabem do que esta casa gasta.
Sei, por experiência própria que há dois temas, para além de muitos outros de que agora não falarei, que não se deverão tocar para não se ter chatices, opiniões menos agradáveis, ataques pessoais e outras coisas que tais.
Um é o do trabalho que se procura fazer de forma exemplar. Outro é o da defesa dos Cursos de Educação e Formação. Ambos polémicos, ambos a provocar reacções por vezes até de certa agressividade e má criação, isto para ser suave.
Vem isto a propósito de um certo post sobre trabalho e decisão sobre ele, que eu pedi ao Ramiro para expandir no seu blogue, por me parecer uma atitude digna, caso contrário tomaria outra, e por ser o contraponto de uma outra imensamente aplaudida na blogosfera e que vai no sentido absolutamente oposto.
A este propósito, vá lá, só tive um comentário um bocado desagradável no blogue do Ramiro, nada que me surpreenda, em que o comentador, como se estivesse na posse dos dados sobre a minha vida pessoal, que ninguém os tem todos excepto eu, faz juízos de valor, extrapolações e tira conclusões de forma absolutamente superficial e até mesmo levianas sobre a minha pessoa, sobre a minha conduta.
Vá lá! E até tive sorte. No caso da defesa dos CEF já me aconteceu pior, num tempo em que o Ramiro Marques permitia comentários a coberto do anonimato, de gente muito assumida e corajosa.
Este post não procurará encontrar explicações para estes dois fenómenos, muito embora eu tenha as minhas opiniões sobre tão delicados assuntos que provocam uma urticária danada a certas e determinadas pessoas.
Só para terminar, tenham a certeza que os continuarei a abordar, sempre que me apetecer, sempre que estiver para aí virada.

João Carlos Narciso disse...
Ninguém a obriga a ser uma «trabalhadora incansável». Por este artigo, dá a impressão que não tem vida própria, vivendo somente para o trabalho. Este é que é o erro. As pessoas têm vergonha de dizer que precisam de descansar, de ter momentos de lazer com a sua família, de parar, escutar o coração...Este é o testemunho das pessoas complexadas que só vêem o seu emprego à frente e que, por isso, nunca serão bons funcionários, mas sim funcionários dependentes de uma situação que lhes impuseram.Quanto aos cortes, são necessários. Sobretudo nos salários altos.
17 de Janeiro de 2011 14:51

Anabela Magalhães disse...
João Carlos
Este post foi um post. E foi um post sobre um assunto específico que foi uma decisão minha face à atitude que manterei perante o trabalho, que eu amo e que permanecerá intacta perante o assalto ao meu bolso. Como no dia 23 não posso chamar a polícia, rumarei ao meu sindicato para ver o que poderei fazer nem que seja em nome individual.Se há coisa de que não me envergonho é dos momentos de lazer, que os tenho como qualquer mortal. Adoro bombos, adoro tomar café com os meus amigos e conversar, adoro música, adoro ir a concertos, adoro viajar, adoro jardinar, adoro pintar fazer muros e caminhos de pedra, adoro andar a pé... tudo isto está espalhado pelo meu blogue... e até podia não estar...Mas este post não tratava de mais nada para além daquilo que eu quis tratar - a tomada de uma decisão face a um problema concreto que se me colocou pela efectivação do roubo perpetrado pelos desgovernantes que espatifam um país, que por acaso é o meu.E quanto aos cortes nos salários, estamos em completo desacordo. O mal não está nos salários, o mal está a montante no compadrio e na corrupção que grassa neste país e no facto do estado estar refém, essencialmente, de dois partidos políticos e dos seus acólitos acolitados à sombra protectora do pálio rosa ou laranja que proliferam que nem silvas em campos ao abandono.
17 de Janeiro de 2011 23:07

Vá lá! Desta vez tive sorte e a coisa não chegou ao nível desta outra, passada no já longínquo ano de 2008.

Anónimo says:
1 de Dezembro de 2008 01:32
Anabela Magalhães, se levasses umas nos cornos como alguns profs dos CEFs levam, não dizias tantos disparates

Anónimo says:
1 de Dezembro de 2008 11:58
Anabela Magalhães, será que lhes ensinas mesmo alguma coisa, ou és daquelas que diz que aquilo até não é assim tão mau? É que conheço alguns professores que estão na segunda categoria, mas são aqueles que lhes deixam fazer tudo o que eles querem e não lhes ensinam absolutamente nada. Assim são umas crianças adoráveis.Ou então os CEF's daí não são iguais aos do Porto.

Anónimo says:
1 de Dezembro de 2008 12:09
Umas perguntinhas à colega Anabela:
- Nas suas aulas os programas são cumpridos?
- Nas suas aulas os alunos aprofundam conteúdos?
- O seu horário contempla diversidade de níveis?
- Cumpre sempre os planos, elaborados de acordo com os objectivos programáticos?
- Exige trabalho quotidiano aos seus alunos que sofrem de resiliência ao trabalho e mesmo assim eles cumprem?
Obs. ainda não vi os seus powerpoints, mas estou curiosa, sabe porquê? Porque sei o que é ser uma boa professora.

Anabela Magalhães says:
1 de Dezembro de 2008 13:00
Ao anónimo da 1:32
Espero que não seja professor. Se é, considero tal facto assustador. Assustador porque revela uma baixeza de linguagem e carácter simplesmente aberrante ainda para mais quando tem de lidar com crianças em formação.
Quanto ao levar nos cornos, provavelmente estaria a ver-se ao espelho quando escreveu semelhante aberração.

Anabela Magalhães says:
1 de Dezembro de 2008 13:11
Ao anónimo das 11:58.
Nunca tive jeito para entreter. Que é aquilo que muitos fazem com os CEF`s passando-lhes filmes atrás de filmes sem qualquer sentido e fio condutor e potenciando assim a indisciplina. Os meus CEF`s dão-me muito trabalho, mas é um desafio de que gosto. Os meus alunos de Cef`s trabalham. Já o disse em comentário lá acima. O que é que não percebeu do que escrevi?Continuo a gostar de trabalhar para e com os meus alunos. No dia em que deixar de gostar disto, abandono a profissão. Estamos entendidos?
Já agora, repare que eu não me escondo no anonimato.E outra coisa. Eu fui a primeira a levantar a questão das diferenças entre os Cef`s de turma para turma, de escola para escola, de região para região. O que é que não percebeu do que escrevi?

E agora só em jeito de conclusão, escrito agorinha mesmo, dia 18 de Janeiro de 2011, para que os meus leitores tirem as conclusões que entenderem - É só para lembrar que escolhi uma turma de CEF para ter as minhas aulas observadas/avaliadas durante este ano lectivo.
Apenas por duas razões:
1 - Porque quem não deve, não teme.
2 - Porque a bota tem que estar de acordo com a perdigota.

Para quem quiser relembrar esta novela triste ela está toda precisamente aqui.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Sobre a Mal Parida ADD


Excerto de Portefólio Corrigido e Digitalizado

Sobre a Mal Parida ADD

A situação que relato neste post, que não se passou durante este ano lectivo, é demonstrativa do mal estar que esta ADD veio provocar entre nós.
Fui inúmeras vezes gozada, em tempos que já lá vão, muito antes de ser parida a Mal Parida e muito antes deste aborto ter entrado em gestação, por corrigir os cadernos/portefólios dos alunos, de fio a pavio, assinalando erros e faltas de acentos, sumários mal passados e invenções diversas que a imaginação dos alunos não tem fim e esta professora gosta de lhes dar rédea curta no assassinato, mais ou menos frequente, da nossa maravilhosa Língua Portuguesa e nem os portefólios dos meus alunos de CEF escapam a esta inspecção.
Pois, de facto eu devia ser parva, mas quem me pagava tal serviço? Mas que mau exemplo estava eu a prestar à comunidade educativa, trabalhando feita louca, corrigindo páginas e mais páginas, todos os períodos a multiplicar por 100, 120, 150 alunos e o mais que já me calhou na rifa fruto do jogo/azar que sempre foram os horários por mim recebidos.
Ora agora, curiosamente, a conversa mudou.
Eu continuo a mesma, a atitude mantém-se, continuo a passarinhar-me com portefólios que corrijo na Escola ou trago para casa para executar um trabalho que me consome muitas e muitas horas da minha vida, mas que tem resultados práticos bem visíveis que eu já me dei ao trabalho de fazer um estudo estatístico da coisa e a coisa melhora depois de eles terem que corrigir 10 vezes cada erro, cinco vezes cada falta de acento, escrever cinco vezes cada sumário em falta ou inventado e o que mais apanho de estranho por aquelas páginas adiante.
Curioso é que entretanto a conversa mudou.
Agora é mais tipo "Aaaah! Vais ser avaliaaaada!"
Ao que respondo, invariavelmente, com um sorriso, ok! ok!, amarelo, estampado na cara... tipo...
"Olha que não. Vou apenas avaliar."
É que o caderno/portefólio vale 10% da avaliação dos meus alunos no final dos períodos e no final do ano e eu não ando a brincar às avaliações.
Não é a primeira vez que tentam fazer de mim parva. Mas aviso desde já que será tempo perdido.
Tenho dito.

Nota - Este post liga-se intimamenmte a este outro, escrito lá mais atrás quando eu era professora na ESA.

sábado, 12 de junho de 2010

Estilo Socratiés


Antes - Valado dos Frades
Fotografia de Hélio Matias

Depois - Valado dos Frades
Fotografia de Hélio Matias

Estilo Socratiés

A maluqueira que se apoderou deste país e desta gente, em variadíssimos domínios, é notória e gritante.
Um povo distingue-se por muitas e variadas razões, específicas, quantas vezes únicas. A arquitectura popular é uma delas e a cada passo deixa-me embasbacada, aqui e ali, por excelentes razões, confesso que mais ali do que aqui, apenas porque a vejo, frequentemente, mais acarinhada e sustentada ali, não porque a ache de maior qualidade.
A arquitectura que resulta da cultura de um povo, da sua adequação aos terrenos, da sua adaptação aos materiais circundantes e disponíveis, da adaptação ao clima, aquela que brota da alma e da necessidade de construção de um abrigo, é tão importante, para mim, como a mais bela catedral gótica e ambas me fazem parar, meditar, reflectir, interiorizar.
A falta de respeito, generalizada, que os portugueses demonstram pelo património que lhes foi legado pelos seus antepassados, é qualquer coisa de absolutamente nojento e asqueroso e que permanentemente me deixa de boca aberta perante crimes monstruosos de lesa património que são permitidos a torto e a direito neste país.
Foi o caso deste. Deste crime documentado pelo Hélio Matias, em Valado dos Frades, com fotografias separadas por apenas uns poucos meses, e publicadas aqui, no seu blogue..
Antes um lar português, distinto, castiço, popular, típico e onde a alma de um povo parece levitar envolvendo a construção, dando-lhe até um toque de não sei o quê de magia.
Depois uma coisa de estilo socratiés, plástica, sem sabor, sem especificidade, sem distinção, horrorosa e sem alma que lá caiba, e que lhe valha, e que a salve deste estilo muito desenvolvido e apurado, pelo nosso inginheiro, por terras interiores de Portugal.
E apenas aproveito este exemplo exemplar para voltar a um tema tão caro para mim e que é o do espatifanço generalizado do meu país, de Norte a Sul, com uns oásis aqui e ali, valha-nos alguns ajuizados ou isto estaria tudo perdido, nas mãos de uns patos bravos que não param perante nada, nem ninguém.
Lamento que assim seja. Se pudesse passaria a minha vida a recuperar casas antigas, transmutando-as, que gozo!, mas mantendo-lhes o Ser, numa atitude de respeito pela memória de um povo que, por acaso, é o meu.
O Ser de uma casa, legado pelos que nos antecederam no território, não se mata. Acarinha-se.
Um povo que assim desrespeita a memória e o legado dos seus antepassados não pode ser flor que se cheire. Um povo que assim actua merece o estilo socratiés. E merece o próprio.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A Propósito da Bruna da Playboy e da sua Deslocalização para o Arquivo Muito Morto

A Propósito da Bruna da Playboy e da Sua Deslocalização para o Arquivo, Presumo que Muito Morto

Hoje resolvi abordar este assunto, muito embora o assunto já tenha sido completamente dissecado pela imprensa nacional. O assunto Bruna, que abalou e dividiu o país, digamos que em "dos", também foi dissecado pelos amigos cá da "je", em conversas acaloradas no café.
As posições foram antagónicas. Por um lado tivemos os rapazes, em bloco, a advogar a contratação de uma Bruna por Escola para combater o abandono escolar, reconhecendo até que o ideal era mesmo não existir aluno privado do direito à sua Bruna.
Chegada a esta parte, vou-me abster de reproduzir aqui os epítetos reservados à vereadora de Mirandela, que apareceu a dar a cara pela medida tomada contra o ?"alarme social"? provocado por esta professora de música.
Quanto ao mulherio, o mulherio fez o que dele se espera e dividiu-se. Por um lado tivemos uma facção retrógrada e puritana, que não distingue vida privada e vida profissional e que acha que uma professora tem de se comportar sempre como se estivesse com os miúdos pela frente.
A outra facção, onde se incluem as marias-rapazes, e euzinha, pois então!, não se sentiu minimamente incomodada com o facto da Bruna ter aparecido nua na revista Playboy, já que isso resultou da sua livre e espontânea vontade. Esta facção defendeu ainda que o que a Bruna faz com o seu tempo livre só a ela diz respeito e não diz respeito a mais ninguém, muito menos diz respeito aos seus patrões, desde que ela não faça as fotografias rodeada dos seus alunos, desde que ela saiba distinguir os dois mundos. O que parece ser o caso.
Confesso que não comprei a Playboy. As fotografias que vi foram as que aparecerem na Internet e na imprensa escrita e achei que não primavam pelo bom gosto, pelo meu, pelo menos, que as achei pirosas como o raio que as parta. Mas, uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa.
A fotografia de nus, femininos e masculinos, é até um tema deveras interessante dentro das várias temáticas possíveis do imenso mundo artístico da fotografia. E o nu deveria ser encarado por todos com absoluta naturalidade. Não é assim que chegámos todos a este mundo?
E só faltaria que me enviassem para o tal de Arquivo Muito Morto, só porque decidi ser frequentadora da praia do Meco durante as próximas férias de Verão!
Arre! E eu ainda sou do tempo em que as mulheres dos pescadores das praias do Norte entravam água adentro todas vestidas da cabeça aos pés!
Com passinhos de lã retornamos a esse tempo?
Diacho! Eu não!



Mulherio, mulherio... se assim fora o que faríamos com este exemplo de primeira dama?

domingo, 20 de dezembro de 2009

Ainda Vou a Tempo?

Ainda Vou a Tempo?

Ainda vou a tempo de alertar para os perigos desta época que passam, quantas vezes, por consumos super exagerados?
O espírito do Natal não é decididamente este dos sacos e mais sacos, embrulhos e mais embrulhos, exageros e mais exageros de consumos desenfreados.
Veja aqui o exagero posto a ridículo.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Strip-tease

Strip-tease

Veja aqui.
Para aliviar o blogue... e não, não estou nem adoentada!
Apenas gostei de ver.

Thanks, Paulo!

Nem tudo o que parece é, nem tudo o que é parece



Nem tudo o que parece é, nem tudo o que é parece

Prezada Professora Jones,

Gostaria de clarificar que não sou, nem nunca fui, "dançarina exótica".
Trabalho numa loja de ferramentas e contei à minha filha que, na semana passada, por causa do forte nevão, vendemos todas as pás de neve que tínhamos. Todas, menos uma - que estava escondida no depósito e que foi alvo de disputa entre os clientes.
Portanto, o desenho que a minha filha fez não me mostra a dançar em volta de um poste! Mostra-me a vender a última pá de neve que tínhamos na loja.
De agora em diante, passarei a verificar os trabalhos de casa dela mais cuidado.

Atenciosamente,
Mrs. Smith

Nota - Recebido por e-mail. Com os meus agradecimentos ao Rodrigo Oliveira.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Maitê Proença

Maitê Proença

Depois de toda a polémica causada ontem mesmo pelo infeliz episódio da Maitê Proença a pseudo gozar com os portugueses, a actriz gravou, de imediato, um pedido de desculpas que colocou no YouTube e em que se tenta retratar, desculpando-se com sentido de humor e brincadeiras assim e assado.
Por mim Maitê não deve aos portugueses nenhum pedido de desculpas, pelo menos não sinto que mas deva a mim.
Mas deve um pedido de desculpas a si própria, pela sua própria ignorância, pela falta de decoro e auto-estima, pela falta de compostura, pela cena lamentável da cuspidela nojenta na fonte.
De facto a decadência é difícil de digerir e há quem, neste processo, seja protagonista de cenas mais do que lamentáveis.
Este caso e esta personagem fez-me lembrar este outro caso sério aqui.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

"A Queda de Um Anjo"

"A Queda de Um Anjo"

Confesso que nunca achei a Maitê Proença propriamente um anjo... mas daí até a ver prestar-se a este papel rasca até dizer chega vai uma grande distância!
Que degradação ver a Maitê integrada num grupo de mulheres que mais parecem umas galinhas desmioladas parecendo ela a mais desmiolada das desmioladas!
E se quer gozar com Portugal que o faça de maneira elevada e não desta forma abjecta que só desabona a seu favor pela absoluta ignorância que demonstra. Ignorância e falta de respeito!
Mas o que se passa com esta gente?!
Depois chega cá e em entrevistas para as televisãoes nacionais é toda sorrisos... e sim, os portugueses são ma-ra-vilho-sos e sim, Portugal é um país fan-tás-tico e sim, venham ver a minha peça ao teatro num sei o quê!

Trouxe daqui. E agradeço à Em@ o seu envio por mail. E a todos os outros que entretanto me enviaram este vídeo que já circula pelo correio electrónico à velocidade da luz!

E entretanto Maitê respondeu já no Twitter que é chato mesmo o pessoau não ter sentido de humor! Chato, né Maitê?

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Nem Sempre o Que Parece É, Nem Sempre o Que É Parece


Christine em Acção - Aquacool - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Nem Sempre o Que Parece É, Nem Sempre o Que É Parece

Hoje vou tratar um estereótipo/preconceito que me incomoda solenemente e que ataca sobretudo gente tacanha.
Não é a primeira vez que trato este tema, sob múltiplas formas, seja sob a forma de um riad numa viela decadente, seja sob a forma de uns lábios marcados no pescoço do A., que por acaso são meus.
Hoje abordo um preconceito com que me deparo amiúde, colado à pele de inúmeras pessoas, por aqui pela província, desconhecendo eu se nas grandes cidades isto também se cola à pele desta gente triste.
O preconceito é - Tudo o que tem bom aspecto, seja em comércio ou serviços, é muito caro e inacessível, e o melhor é a gente nem entrar para ver se assim é ou não!
Pois nada mais falso. As generalizações continuam a ser estúpidas porque se é certo que por vezes assim é, a verdade é que é igualmente certo que por vezes assim não é. De todo.
Sei do que falo e falo do que sei, porque já tive de lidar de perto com este preconceito no meu dia a dia, enquanto possuidora da Duplo M, uma loja aberta ao público aqui em Amarante que, enquanto esteve aberta, teve que sobreviver a este passa palavra do "Lá é tudo caríssimo!" sem que a maioria das pessoas que assim passava a palavra soubesse o que estava a dizer.
E era?
Era, nalguns casos era, porque tive o atrevimento de trazer para Amarante marcas estrangeiras que tanto se vendiam aqui como em Nova Iorque, Paris ou Milão, e que são autênticas referências do Design a nível internacional, e nas quais eu não tinha qualquer interferência no preço de venda a público, sendo que os preços, por isso, eram os mesmos em Amarante, Nova Iorque ou Milão, com a agravante dos portugueses ganharem incomparavelmente menos que os nossos congéneres estrangeiros.
Mas só tinha estas marcas?
Não, nem pensar. Exactamente por ter a noção que nem todas as bolsas podiam aspirar a tais objectos, a tais peças de mobiliário, passei muitos dos meus fins-de-semana enfiada em feiras seleccionando, aqui e ali, objectos, mobiliário e artigos diversos, lindos de morrer, com óptimo aspecto e ainda melhor preço. Confesso que foi uma preocupação constante enquanto tive a Duplo M aberta.
E agora pergunto eu... e a esmagadora maioria da gente tacanha usufruiu desta minha preocupação?
Que nada! A maioria jamais colocou sequer um pé dentro da loja, pelo menos para poder ver como era, para depois poder contar como foi.
Vem isto a propósito duma conversa que a minha Fadinha do Lar teve comigo um dia destes.
Pois parece que a minha empregada doméstica se encontrou com uma amiga. E veio à baila o Aquacool. Pelos vistos o marido dessa senhora disse-lhe que lhe oferecia uma massagem e ela estava muito enrascada, não só pelo aspecto das instalações, muito chiques, dizia ela, mas porque, obviamente, de tão chiques tão chiques só podiam implicar a prática de preços proibitivos.
Respondeu-lhe a minha fadinha do lar que já tinha ido experimentar a cabeleireira, que as instalações eram muito sóbrias, bonitas e confortáveis, que a cabeleireira era competente e simpática e que, surpresa das surpresas, tinha pago menos do que na sua cabeleireira de sempre.
E qual foi o resultado desta conjugação feliz de instalações óptimas, pessoal competente e preços agradáveis?
Pois a minha Fadinha do Lar, uma pessoa chiquérrima que nem sei, mudou de cabeleireira.
De notar que não a condicionei nesta opção. Não é a minha forma de estar na vida. Apenas lhe disse o que digo a toda a gente, válido para o Aquacool ou para outro sítio qualquer, desde que não haja bilhete cobrado à entrada -"Vá lá e experimente. Consulte os preços que estão disponíveis no balcão. Se lhe agradar o serviço e quiser voltar, volte. Se não lhe agradar, e não gostar, corte a direito."
É assim que eu funciono. E não me parece que funcione mal.
É assim que a minha Fadinha do Lar funciona e também não me parece que funcione mal.
Mas, é claro, a minha Fadinha do Lar é tudo menos uma pessoa tacanha.

domingo, 22 de junho de 2008

Reputação



Reputação

Aqui está um tema que me apaixona desde a adolescência desde logo porque a minha visão sobre reputação não tem absolutamente nada a ver com a da maioria das pessoas.
Assim sendo, confesso neste blogue que a minha reputação, no sentido que a maioria das pessoas dá a esta palavra, está completamente estragada e arruinada desde esse longínquo período da minha adolescência. E apenas porque me decidi a pensar pela minha cabeça, desde tenra idade, e apenas porque me decidi a não desperdiçar a minha vida acumulando frustrações atrás de frustrações.
Pois não me conformei com o facto de ser rapariga e por esse facto não poder sair à noite, em tempo de férias, como os rapazes cá do burgo. E assim sendo, saí. O meu pai bem me proibia, mas quando eu o questionava ele só me sabia responder que era por eu ser rapariga e ter uma reputação a manter. Muito pouco. Nada que me convencesse. Bolas para a reputação! Ainda se ele me argumentasse que eu não cumpria com os meus deveres... mas não podia... eu cumpria-os religiosamente. Era boa aluna, estudava, não bebia, nunca apreciei confusões. Bolas! Só queria sair com os meus colegas e amigos durante as férias escolares!
A coisa agravou-se com o namoro já que o A. pelas 11 horas recolhia a casa. Nunca gostou da noite, nunca gostou de discotecas, nunca gostou de dançar.
E eu?
Pois eu adorava a noite, pois eu adorava dançar e ia lá ser uma frustrada pela vida fora!!
Vai daí saí sempre que me apeteceu, dancei até dizer chega, e ao fazer o que gostava estraguei completamente a minha "reputação".

Que gente esquisita que nós somos! Eu e o A. casámos!

Vem isto a propósito de uma situação passada um dia destes que me deixou a pensar.
Preguei um valente beijo no pescoço do A. com os meus lábios repletos de baton! Kakakakaka... ficou com eles impressos a caminho da farmácia!!! Eu gostei do que vi... mas eis que sou assaltada pelo problema da "reputação". Xiiiii! Que escândalo e rumores não se levantariam a propósito daqueles lábios pregados no seu pescoço!!! Reputação estragada e ainda por cima pela mulher!!!! E pela legítima! Ok. O rapaz não merece isto. Resolvi apagar tudo.
E dei comigo a pensar nesta situação.
E dei comigo a pensar "Que horror... se calhar estou a ficar amarantina!!!"
E decidi fazer este "post" para frisar que nem sempre tudo o que parece é. E que o seu oposto também pode ser verdadeiro. E que é preciso ter cuidado com o diz que disse, e o diz que foi.

É também contra isto que este blogue é feito.
Não constitui novidade para os meus leitores mais atentos.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

hugo.mon@clix.pt Alguém conhece este rato?

hugo.mon@clix.pt Alguém conhece este rato?

As minhas últimas postagens são dedicadas a este rato de esgoto que me entrou anonimamente no meu e-mail deixando-me uma mensagem que é um insulto à minha inteligência e à inteligência dos meus alunos.
Eu levo a actividade docente muito a sério. Com empenhamento, muito trabalho, muito prazer, bastante sentido de humor. Presumo que isto não seja novidade para ninguém que me conheça, mas que me conheça de facto. Eu e os meus alunos trabalhamos em equipe, jamais de costas voltadas. Eu não lhes abro as bocas à força para lhes impingir o que quer que seja. Gosto que eles gostem das minhas aulas. Gosto de os pôr a pensar. Gosto que eles me questionem e desafiem. Gosto de os questionar e desafiar.
Pois este rato enviou-me uma mensagem que me deixou de olhos rasos de água... por ver a facilidade e o desplante com que "alguém" se arroga do direito de arrasar um trabalho que não conhece. Foi o pior ataque que recebi até hoje. Porque pela calada da noite. Porque abaixo do nível do esgoto. Ataca-me pessoal e profissionalmente e não assina os seus textos. É triste. Foi preciso quase chegar aos 50 anos para receber pela primeira vez na minha vida uma mensagem anónima. É caso para dizer que perdi a virgindade... é caso para dizer que dadas as circunstâncias preferia continuar virgem.
Presumo que o rato, quase de certeza do sexo masculino e um amarantino no seu melhor, não teve a inteligência suficiente para alterar o seu endereço de correio electrónico.
Assim sendo, o endereço do rato é hugo.mon@clix.pt
Agradeço que se alguém reconhecer este indivíduo entre em contacto comigo. Quero poder olhá-lo nos olhos e com o olhar dizer-lhe que sei quem ele é. E que ele não passa de um rato. De esgoto.

Posto isto passo a postar o lixo deste senhor. Hoje posto a primeira parte da novela de muito mau gosto.

14-05-2008

"Exª Professora Anabela Matias,

Prmeiro que tudo quero dizer-lhe que o seu trabalho relativo às apresentações Power Point sobre os conteúdos da disciplina de História é vergonhoso. Se é dessa forma que ensina os seus alunos, então, o melhor será demitir-se e dedicar-se a uma actividade como Coveira, pois assim não corremos o risco de prejudicar a formação de seres vivos. Então como professora de História é dessa forma que estrutura as suas aulas? Acha que é dessa forma que vai despertar o gosto pela disciplina? Como pretende com esses Power Point primários estimular a criatividade e espiríto crítico aos alunos? Mais, onde está a diversidade de recursos utilizados nas suas aulas? Pelo amor a Clio, pare com essa vergonha e deixe de contaminar o ensino da História, uma ciência de grande valor. Para não falar em muitos e graves erros científicos nessas apresentações.
E como se não bastasse, ainda, vem com um tom de superioridade informar que muitas famílias pedem que coloque um fundo branco nas suas apresentações. Como se não soubessemos as palavras passe para abrir essas apresentações? Em que mundo vive?
O que muitas familías pedem é que pare de publicar essas apresentações vergonhosas para que não estrague o ensino da História.

Sem mais,

obrigado.

(A minha resposta educada e paciente)

Hugo

Podia ter evitado o Exª.
Podia igualmente ter evitado o tom sobranceiro com que entrou em contacto comigo.
Podia ter evitado a crítica destrutiva.
Perante isto eu podia nem lhe responder, mas vou fazê-lo prestando-lhe alguns esclarecimentos sobre a minha actividade lectiva.

Ponto um

A partir das minhas apresentações em Powerpoint, ou de outras quaisquer apresentações, posso dar uma aula miserável ou excelente. O Hugo também o pode fazer, partindo do princípio de que é professor. E o mesmo pode acontecer com recurso a um texto, uma música, um esquema, um cartaz, uma fotografia, um gráfico ou o que quer que seja, já que não é o recurso ou recursos utilizados que determinam a qualidade da aula, mas sim a abordagem desses mesmos recursos/ferramentas.
Se pensa que eu vou para as minhas aulas ler os meus Powerpoints asseguro-lhe que está completamente enganado. Eu jamais li Powerpoints, jamais lerei Powerpoints.
Todos os meus alunos de 9º ano adquiriram já esta competência da leitura.

Considero pois abusiva a extrapolação que faz a partir das minhas apresentações em Powerpoint e considero-a superficial e medíocre. O Hugo jamais assistiu a uma aula minha, não pode pois avaliar e pronunciar-se sobre uma coisa que desconhece em absoluto.

Ponto dois

Quanto ao gosto pela disciplina eu não acho que o estimulo. Eu tenho a certeza que estimulo o gosto pela História e a certeza vem-me dos depoimentos dos meus alunos que são todos no mesmo sentido, sem excepção. "Achava a disciplina de História uma seca"; "História tornou-se mesmo a minha disciplina preferida"; "Adoro História"; "A professora dá umas aulas muito bonitas"; "Gosto das aulas de História porque elas são interactivas". São palavras dos principais actores do ensino/aprendizagem - são palavras dos meus alunos. Não são palavras minhas.
Tenho ainda a certeza que estimulo o gosto pela História pelos olhos a brilhar de entusiasmo que vejo, amiúde, dentro da sala de aula e pela colaboração e resposta entusiasmada que, por norma, obtenho junto dos meus alunos.
Tenho a certeza que estimulo o gosto pela História pelos trabalhos de pesquisa que os meus alunos a cada passo me apresentam, sobre este ou aquele tema do seu interesse, mesmo quando não correspondem a uma prévia solicitação minha.
Tenho ainda a certeza que estimulo o gosto pela História pelo facto de ter alunos de 9º ano a ler, com gosto, a História de Portugal do Matoso.
Tenho a certeza que estimulo este gosto quando eles me entram sala dentro e comentam comigo, entusiasmados, este ou aquele comentário sobre temas da História que viram e ouviram na televisão.

Considero pois abusiva a extrapolação que faz a partir das minhas apresentações em Powerpoint e considero-a superficial e medíocre. O Hugo jamais assistiu a uma aula minha, não pode pois avaliar e pronunciar-se sobre uma coisa que desconhece em absoluto.

Ponto três

Quanto à criatividade e ao espírito crítico garanto-lhe que ambos são bastante estimulados por mim na sala de aula e mesmo fora dela.
Assim os alunos são chamados a fazerem pesquisas na net recorrendo a computadores portáteis que eu requisito para o efeito, a fazerem pesquisas em manuais escolares e são chamados a prepararem as suas próprias apresentações; todos eles sabem que não podem copiar textos ou imagens e apropriarem-se deles/delas; todos eles sabem que os trabalhos apresentados têm de ser originais. Estes trabalhos e atendendo às circunstâncias ora são realizados individualmente, ora em pares, ora em grupos de quatro. O mesmo para os cartazes já elaborados. O mesmo para a exploração de uma fotografia, ou de uma letra duma música, ou de um gráfico, ou de uma caricatura... e essa exploração tanto pode ser escrita, como oral, individual ou resultante de um trabalho de pares, orientada por mim ou não, segundo as circunstâncias e as necessidades.

Considero pois abusiva a extrapolação que faz a partir das minhas apresentações em Powerpoint e considero-a superficial e medíocre. O Hugo jamais assistiu a uma aula minha, não pode pois avaliar e pronunciar-se sobre uma coisa que desconhece em absoluto.

Ponto quatro

Quanto à diversidade de recursos utilizados em contexto de sala de aula "dentro" das apresentações em Powerpoint cabem: textos, fotografias, caricaturas, esquemas, gráficos, reconstituições, quadros comparativos com informação diversa, mapas, plantas, alçados, árvores genealógicas, selos, dinheiro, desenhos, autocolantes... Para além desta multiplicidade de recursos utilizo ainda, sempre que possível e sempre que considero pertinente para a consolidação dos conhecimentos, os documentários, que os há excelentes, e que abarcam uma grande parte da matéria. Utilizo ainda réplicas de obras de arte, nomeadamente escultura, compradas em variadíssimos museus que respeitam as dimensões e as proporções da obra original, que os meus alunos manuseiam, tendo eu sempre o cuidado de lhes chamar a atenção para o facto de estarem a manusear uma réplica. E mostro-lhes e eles manuseiam fósseis de trilobites e amonites, e etc, que possuo da minha colecção privada, alertando-os para a importância das fontes no deslindar do passado. E alerto-os até para o coleccionismo, hoje em dia tão descurado, e que nos pode fornecer tanta informação pertinente. É o caso dos selos a que eu recorro frequentemente, e que utilizo nas minhas apresentações... não sei se os viu, todos da minha colecção privada. E já os levei a Tongobriga, não sei se conhece, e faço a reconstituição do percurso das invasões francesas aqui mesmo em Amarante, e ainda este ano lectivo os levei a uma visita guiada ao museu local, Amadeo de Souza-Cardoso, um excelente museu, a nível nacional, de arte contemporânea. Apesar de quase todos os meus alunos serem aqui do concelho alguns, bastantes mais do que aquilo que eu gostaria, entraram neste museu pela primeira vez nas suas vidas. Até o informo que, dadas as dificuldades de coordenação entre todos, acabei por levar uma turma em plenas férias de Natal. E informo-o ainda que, sempre que possível, procuro fazer a ponte com a história local.

Considero pois abusiva a extrapolação que faz a partir das minhas apresentações em Powerpoint e considero-a superficial e medíocre. O Hugo jamais assistiu a uma aula minha, a uma saída minha e dos meus alunos para o "campo", não pode pois avaliar e pronunciar-se sobre uma coisa que desconhece em absoluto.

Ponto cinco

O Hugo confundiu tom familiar com tom de superioridade. O " a pedido de várias famílias" é uma expressão que se utiliza frequentemente nesta zona não sendo sequer uma expressão original minha, e é uma expressão carinhosa destinada aos meus alunos que de facto são a minha família alargada. As apresentações com fundo branco devem-se ao pedido de alguns, poucos, dos meus alunos que as pediram para poderem imprimir um ou outro diapositivo. Não é uma coisa de que eu goste, não é uma coisa que eu gosto que eles façam mas também não os vou impedir. Sejamos plurais e democráticos. Nem todos consultam o Matoso.
A página de recursos foi feita para eles e corresponde a um desejo meu e a pedidos insistentes deles que queriam ter acesso às apresentações. O facto de eu ter publicado as apresentações tem a ver com o facto de eu não ser invejosa.

Considero pois abusiva a extrapolação que faz a partir das expressões que eu utilizo na minha página, retiradas de um texto temporário que desaparecerá da página logo que eles me dêem o OK, e considero-a superficial e medíocre.

Ponto seis

Quanto ao facto das apresentações estarem codificadas bem sei, e tenho perfeita consciência disto, que qualquer pessoa, mais preparada que o simples utilizador normal, descodifica o código em três tempos. Mas atenção, qualquer pessoa que o faça está a cometer uma ilegalidade, pois as apresentações, boas ou más, péssimas ou excelentes são da minha inteira responsabilidade. As apresentações estão protegidas pelos Direitos de Autor e devem ser respeitadas.

Ponto sete

Tenho a humildade suficiente para aceitar que possam existir erros nas apresentações. Acho até quase impossível que não os haja. Apesar de me esforçar por fazer o melhor que posso e sei, não tenho a presunção de achar que tudo aquilo que faço não tem lacunas ou mesmo erros. Tenho plena consciência deste facto, até porque não tenho ninguém a fazer-me a correcção ortográfica e muito menos científica. Ora se eu a cada passo detecto erros ortográficos e científicos em livros dos senhores professores universitários, mesmo depois de sujeitos a revisões em cima de revisões, por que carga de água eu não os teria também??!! É verdade que evito e o meu esforço é para não os dar, mas confesso-lhe que só a partir das minhas férias, que ocorrerão no próximo mês de Agosto, é que começarei a rever todo o trabalho por mim desenvolvido e farei isso a partir das apresentações de 7º ano. E esta será a primeira revisão que farei. Até agora o meu trabalho não foi revisto nem uma única vez, não por não o desejar, mas sim por manifesta falta de tempo.
Por isso agradeço-lhe desde já que me indique os erros científicos que pôde observar nas minhas apresentações para que eu os possa corrigir sem demora.

Ponto oito

Quem assim critica deve desenvolver um trabalho espectacular com os seus alunos. Assim sendo, e dado que eu estou sempre aberta à mudança e a novas estratégias, ficar-lhe-ia agradecida que partilhasse comigo algumas delas.

Ponto nove

Quem assim critica deve ser autor de recursos espectaculares próprios e originais para uso em contexto de sala de aula.
Ficar-lhe-ia por isso agradecida que os partilhasse comigo, para eu poder progredir enquanto docente. É claro que respeitando sempre o seu trabalho e a sua autoria.

Sem mais
Agradeço a paciência pela leitura de tão longo texto e aguardo resposta

Anabela Matias de Magalhães

Nota final - Aproveito para lhe corrigir os erros ortográficos constantes no seu pequeno texto e aguardo a sua correcção em troca.

Primeiro e não prmeiro
Família e não familía

(No dia seguinte escrevi)

Caro Hugo

Ainda duas correcções aos seus erros ortográficos que dado o adiantado da hora me escaparam e que constam do infeliz e-mail que me enviou.

Assim deverá escrever Exma. e não Exª;
e deverá escrever espírito e não espiríto.

Parece-me notar na sua escrita uma tendência para não acertar com a acentuação das palavras esdrúxulas obrigatoriamente acentuadas na antepenúltima sílaba.

Ontem presumi que fosse professor. Hoje relendo o seu texto não acredito.

Atentamente

Anabela Matias de Magalhães

 
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