domingo, 4 de março de 2007

sábado, 3 de março de 2007

Eclipse Total da Lua


Eclipse Total da Lua
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Eclipse Total da Lua

Lá fui cumprir a minha obrigação. Hoje estava anormalmente calmo. Parece que o Instituto Português de Sangue mudou a sua forma de contactar e convidar os dadores e muitos não foram contactados atempadamente.
À saída enchi-me de coragem e fui espreitar "a minha rampa". Em três anos de colocação nesta escola, dinamizei um Clube de Jardinagem e em Área de Projecto também fizemos algum trabalho. Apesar do abandono a que "a minha rampa" foi votada, a verdade é que a maior parte das plantas e arbustos, plantados pelos meus alunos e por mim, lá se vão aguentando. Os lírios rebentam pujantes e são amarelos, roxos, brancos...os cedros estão a crescer, o azevinho está bonito, as violetas estão em flor, no meio de tanta folhagem a apodrecer...será que já não se faz recolha das folhas mortas? Será que já não se faz recolha selectiva de lixos na cantina? Será que ainda se faz compostagem? Fiquei com pena por não ter concluído o trabalho. Contingências de concursos nacionais. Já não sou professora da E.B 2/3 de Amarante.

Estou a "postar" no meu blog e de vez em quando espreito a lua. Hoje é dia de eclipse total e a lua praticamente desapareceu do meu horizonte.

Os professores também sofrem de eclipses. Não é só o Sol e a Lua!

Os professores também sofrem de eclipses!

quinta-feira, 1 de março de 2007

Peixe Invisível


Peixe Invisível - Nouakchott - Mauritânia
Fotografia de Artur Matias de Magalhães
Peixe Invisível

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Sangue

Sangue - Nouakchott - Mauritânia
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Sangue

Recebi hoje o meu usual e periódico convite para dar sangue, no próximo sábado, dia 3 de Março, na E. B. 2/3 de Amarante. Lá estarei.

Confesso que nunca me ocorrera ser dadora de sangue até que a minha filha Joana me falou no assunto. Não precisei pensar muito e não hesitei. Dar o que é meu, e é íntimo, o sangue que me corre nas veias, não é coisa muito difícil...e pode sempre salvar uma vida. É um slogan gasto de tão repetido, mas tão verdadeiro. A minha mãe, durante a sua prolongada doença, necessitou de inúmeras transfusões de sangue, sem as quais não sobreviveria tantos anos, e ainda com alguma qualidade de vida. Eu posso precisar...dar para receber...deixemo-nos de egoísmos e levantemos os rabos dos nossos confortáveis sofás!

"Dê sangue. Vai ver que não dói nada!"

O Instituto Português de Sangue agradece.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Trabalho


A Fazer o Pão - Ouarzazate - Marrocos
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Intromissão Reincidente


Intromissão Reincidente - Chefchaouen - Marrocos
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Para os meus alunos... passados, presentes e futuros...

Para os meus alunos...passados, presentes e futuros...

O que são, para mim, os meus alunos?
Os milhares de alunos que já tive ao longo da minha carreira profissional como docente, como professora? Alunos a quem leccionei História, História da Arte, Língua Portuguesa, Francês, Estudo Acompanhado, Área de Projecto, Formação Cívica, Mundo Actual, Cidadania e Mundo Actual, Ciências Sociais e Formação Cívica, O Homem e o Ambiente, Formação Complementar...
Uf! Uf! Em escolas primárias, à noite e, por vezes, por estradas de terra, como S. Simão, Carvalho de Rei, Mancelos, Lomba, Gatão, Paredes de Viadores, Fridão; na E.B da Lixa, de Toutosa, do Marco, de Amarante; em secundárias como a do Marco e a de Amarante; e na Escola de Artes e Ofícios Tradicionais de Amarante. Onde leccionei de manhã, à tarde e à noite. Onde leccionei matérias do quinto ao décimo segundo ano de escolaridade. A alunos portugueses, franceses, russos, ucranianos, brasileiros. Alunos ditos normais e ditos especiais. Com distrofia muscular, paralisia cerebral, alunos surdos, disléxicos, mudos. Alunos saudáveis e doentes. Alunos abusados física e psicologicamente. Ou não. Alunos que têm uma identidade: Glória, Miguel, Igor, Maria, Isabel, Francisco, Raquel, Mariana, Tiago, Sara, Cláudia, Helder, Filipe, Nelson, Carla, Moisés, Ana, Patrícia, Carina, Paula, Dolores, Joana, Sérgio, Ricardo, Hugo, Liliana, João, Óscar, Eva, Luís, Alice, Mónica....precisaria de outra vida para vos relembrar a todos! Alunos atentos, brincalhões, malandros, malcriados, responsáveis, egoístas, inseguros, extrovertidos, mentirosos, tímidos, alegres, sofridos, corajosos, problemáticos, honestos, irrequietos, solidários, responsáveis, interessados, provocadores...

O que são, para mim, os meus alunos?
São tudo o que me interessa a nível profissional. E são muito a nível afectivo. Deram-me uma grande plasticidade profissional, uma grande capacidade de adaptação e uma rápida capacidade de reacção. Ensinaram-me a ser mais tolerante e a compreender que todos nós erramos uma vez ou outra.
Obrigada a todos.
Continuo a aprender convosco... todos os dias.

E a rir! E isso não tem preço!

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Manifestação


Manifestação - Nouakchott - Mauritânia
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Para o Sahel


Home - Akakus - Sahara - Líbia
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Para o Sahel

Estava a ver as fotografias que postei no meu blogue e lembrei-me da minha viagem à Líbia.
Surpreendente. No mínimo surpreendente.
Preparada com dois anos de antecedência, adiada por causa do início da Guerra do Iraque, deu tempo para ir aceitando cada vez mais amigos, e amigos de amigos, que se foram juntando sem mesmo saberem o que íamos visitar, fazer ou acontecer. Apenas sabiam que, dos onze dias disponíveis, quatro seriam para viagens de ligação, e cinco seriam passados em pleno deserto.
Todos queriam ser surpreendidos. E foram, cada um à sua maneira. Para todos foi uma experiência extremamente enriquecedora. Não é todos os dias que dormimos num saco cama. Não é todos os dias que tomamos banho, em pleno deserto, por trás de uma duna ou de uma pequena árvore, com metade de uma garrafa de litro e meio de água e nos sentimos lavados até à alma. Não é todos os dias que jantamos à volta de uma fogueira, nosso único ponto de luz, no meio da escuridão. Não é todos os dias que adormecemos embalados por música tuaregue, tocada baixinho, mesmo para nos aconchegar. Não é todos os dias que adormecemos a olhar o céu, o incrível céu do deserto. Não é todos os dias que ouvimos cantar as dunas mesmo por baixo dos nossos pés. Não é todos os dias que saímos da tenda, a meio da noite, sem GPS, para resolvermos uma emergência, e nos perdemos em pleno deserto! Não foi Zé Mário? Não é todos os dias que nos encontramos sem frigorífico para assaltar. Não foi Zé Tó? Não é todos os dias que temos praticamente uma desconhecida a pedir-nos que a deixemos dormir na nossa tenda, no meio de nós, porque tem medo dos bichos. Não foi Raquel? Não é todos os dias que deitamos as mãos à cabeça e giramos sobre nós próprios, feitos umas baratas tontas e perguntamos atónitos "Meu Deus! Como é que eu vou conseguir explicar isto a alguém?!" Não foi Mel? Não é todos os dias que fazemos anos no deserto e dançamos com o pide-guide mais divertido e cheiroso do mundo. Não foi João? Não é todos os dias que observamos um crescimento interior acelerado, e bem direccionado, nos nossos filhos. Não é todos os dias que conhecemos um Abdul, um Sahel ou um Moufta. Salam Aleikum para todos vocês. Que a vida vos trate com generosidade.
Não é todos os dias que estancamos bruscamente perante O Ponto de Não Retorno.
A nossa vida está cheia deles mas, como os ver? Como ter consciência deles?

E jamais esquecerei a reacção da Júlia, abraçada a mim, em pleno deserto, a chorar convulsivamente e a agradecer-me por eu lhe ter mostrado o que ela nunca pensou ver.
A plenitude.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Home


Home - Akakus - Sahara - Líbia
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Home

Sem comentários.

Home


Home - Akakus - Sahara - Líbia
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Home

Sem comentários.

Diversidade e Deserto

Diversidade e Deserto

Os seres humanos são muito diferentes entre si. Felizmente não nascemos previamente formatados em matéria de religião, política, sentimentos, gostos, estéticas...daí a nossa beleza, a beleza de sermos únicos e irrepetíveis, de sermos diferentes.
Estava a pensar o quanto eu gosto do deserto. E a pensar como posso explicar este meu amor pelos espaços áridos em que a natureza está reduzida à sua essência: areia, vento, água, rocha, uma ou outra planta, um ou outro animal, o silêncio, o céu ora azul, ora tempestuoso e ameaçador, o céu da noite povoado de milhões de estrelas.
Monótono? Nunca!
Também ele é irrepetível e surpreendente, tal como cada um de nós.
Dentro dele sinto-me aconchegada, confortável, tranquila, em paz, feliz.
O supremo luxo da minha vida?
Um "quarto" com milhões de estrelas. Sim, sou muito exigente. E não me contento com quartos cinco estrelas, que por vezes experimento, e em que tenho sempre a sensação de desconforto, de não pertença. Cinco estrelas? Insuficiente, uma vez que posso ter milhões delas!

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Home


Home - Sahara Ocidental
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Aconchego


Aconchego - Sahara Ocidental
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Espelho


Espelho - Nouakchott - Mauritânia
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Entardecer


Entardecer - Nouakchott - Mauritânia
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Perda

Perda

O Helder comentou comigo que ultimamente me ouve dizer que estou velha, que estou cansada, e que isto não pode ser...não numa "rapariga tão jovem" quanto eu!
A minha mãe morreu há um mês e cinco dias. A verdade é que desde aí me sinto velha e cansada. E triste.
Tenho que fazer o meu luto interior.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Para a Patrícia

Para a Patrícia

Pequenina, aparência frágil, modesta, solidária, persistente, afectuosa, atenta, educada, sensível, determinada, generosa, perfeccionista, organizada, disciplinada, carinhosa, discreta, paciente, silenciosa. Assim é a minha mãe.

Lembrei-me hoje que me dizias frequentemente que, quando eu nasci, nunca tinhas visto um bebé tão feio. E que choravas sempre que me davas banho, sempre que davas banho a dois quilos e meio de gente. Tinhas medo de me estragar! De me estragar para sempre.
Sobrevivi... e correspondi como soube e como fui capaz.
Quando necessitaste, também eu te dei banho, limpei-te, hidratei-te, alimentei-te, aconcheguei-te. Como tu me fizeste há muitos anos atrás.
E fiz-te rir. Como tu me fizeste rir tantas vezes, já tão doente, e com um sentido de humor desconcertante.

E eu também chorei quando te vesti pela última vez com a roupa que querias e te penteei, como tu gostavas, e te ajeitei o cabelo com as minhas mãos. E observei-te em silêncio. Só tu e eu.
Tanto sofrimento sem um queixume, sem alarido. Tanto sofrimento silencioso, somente traída por uma ou outra lágrima furtiva que deixavas escapar pelo canto dos olhos, e que tantas vezes te limpei, pensando que te estavas a despedir silenciosamente de nós.

Dar para receber. Dar para receber. Não te preocupes, a Joana já aprendeu a lição.

Levei-te ao colo pela última vez num sábado de sol radioso e de céu azul, como tu tanto gostavas. Lembrei-me da outra vez em que peguei em ti ao colo e te levei à Aboboreira para veres a "minha" raposinha. Os teus olhos brilharam de excitação. Parecias uma criança!

Despedi-me de ti uma última vez. Desde Agosto que me despeço de ti como se fosse a última vez. Agora foi mesmo a sério. Já não aguentavas mais.

E eu continuo por aqui a lamber as minhas feridas pelos cantos da casa.

E amiúde ausento-me e monto acampamento no sopé de dunas gigantescas que subo de madrugada, em percursos que te deixam assustada.
Ouço o silêncio.
Observo as dunas que já vi brancas, amarelas, cor-de-rosa, laranja, castanhas, douradas, vermelhas. Grãos de areia que cantam debaixo dos meus pés.
Sinto-me perto de mim e de ti.
E tenho a certeza. Não somos nada e somos tudo... por breves momentos.

Pequenina, aparência frágil, modesta, solidária, persistente, afectuosa, atenta, educada, sensível, determinada, generosa, perfeccionista, organizada, disciplinada, carinhosa, discreta, paciente, silenciosa. Assim é a minha mãe.

Sobrevive na minha memória.
 
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