quarta-feira, 11 de junho de 2008

Não ao Novo Modelo de Gestão

Desconheço a autoria deste texto que me chegou via e-mail. Por ser importante para a conjuntura educativa actual posto-o subscrevendo o apelo ao boicote ao novo modelo de gestão.
Está nas nossas mãos. Aliás tudo está nas nossas mãos e caminharemos para onde quisermos. A ver vamos.

Caro Colega Professor:

Em termos legais, nada nos obriga a participar activamente na implementação da palhaçada que é a nova lei de gestão dos estabelecimentos do ensino básico e secundário.
Na Escola Secundária António Nobre, não há nem haverá listas candidatas ao Conselho Geral Transitório, previsto no artigo 60.º do Decreto-Lei n.º 75/2008 de 22 de Abril. De facto, souberam ler a lei, estes colegas do Porto: Não existe nenhum imperativo legal que obrigue qualquer docente a constituir ou integrar uma lista para o 'conselho geral Transitório' pelo que, quem não participar não estará sujeito a qualquer penalização.
Lembremo-nos que, nos termos do disposto no citado decreto-lei, a não criação deste órgão impede, na prática, a aplicação do novo modelo de gestão, pois seria o conselho geral Transitório a promover os procedimentos que levariam à selecção do futuro director.
Tal como vem acontecendo em várias escolas de todo o país - além da Secundária António Nobre - vários agrupamentos não estão a formar listas de docentes candidatos ao conselho geral Transitório.Como seria de esperar, os exemplos vão sendo conhecidos. Agora chegou ao conhecimento da Direcção do SPN que também nos agrupamentos de Vidago, no concelho de Chaves, e de Gualtar, em Braga, não foram apresentadas quaisquer candidaturas .
Quanto mais lentidão e dificuldades na implementação da nova lei de gestão não-democrática, forem referenciadas pelo ME, mais argumentos terão as forças sindicais para, à mesa de negociação, impor as tão necessárias alterações.
Não temos que participar activamente no enterro dos órgãos de gestão democrática que ao longo das últimas décadas, com o trabalho e o empenho de milhares de professores e professoras, souberam gerir as escolas por todo o país e orientar pedagogicamente a formação de gerações de estudantes, no pós-25 de Abril e até à actualidade.Também ao nível das Associações de Pais, - que era suposto formarem listas para o conselho geral -, se está a registar uma acentuada falta de participação o que fará com que os Pais, em muitos agrupamentos, não se façam representar nos conselhos gerais, ganhando consistência um cenário de fracasso na implementação da nova nomenclatura proposta para a gestão das escolas. Ainda estamos a tempo de obrigar o ME a rever o novo modelo de gestão das escolas !
Não colaboremos, nem participemos num processo de que discordamos !
Recusemos os directores impostos por uma minoria! Não ao regresso ao senhor Reitor ! Sim a uma gestão democrática e participada pelos docentes e por toda a comunidade educativa! Vamos defender a democracia nas escolas! Vamos praticar a cidadania que ensinamos aos nossos alunos!

… porque o país, um dia, ainda há-de agradecer aos professores.













Tendices - Festas do Junho - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Tendices

Já postei os tendeiros. Hoje posto as tendices.
Confesso que não sou cliente destas tralhas que me deixavam absolutamente fascinada em miúda. E confesso que esta foi a primeira vez que as fotografei aqui em Amarante. Habituada a fotografar as tendices estrangeiras jamais tinha fotografado as tendices locais e estas revelaram-se, através da minha lente, mais ou menos o que são em todo o mundo: coloridas, diversificadas, artesanais ou industriais, as mercadorias têm as mais variadas origens porque também aqui estamos num mundo global e não podemos escamotear esta questão. Se há produtos de origem tipicamente portuguesa, palpita-me que a maioria dos produtos é Made in China.
Durante o meu safari fotográfico devo dizer que não me cruzei com qualquer elemento da ASAE.
Ainda bem para as tendices. Ainda bem para os tendeiros.

terça-feira, 10 de junho de 2008


A Dança do Diabo - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

A Dança

É com redobrado prazer que continuo a postar, neste meu blogue, a poesia profunda e inteligente do "meu aluno" Maracujá. Neste caso posto esta Dança, de Vida, do Diabo, e outros temerários corações... É destes exemplos que eu constantemente me nutro, não perdendo a vontade de fazer mais e melhor. É com estes bons exemplos vindos "de baixo" que eu consigo suportar os maus exemplos vindos "de cima" e são eles que me ajudam a manter a chama da esperança acessa.
A Escola Pública está pelas ruas da amargura? Não me parece. Apesar da tutela, não me parece!
A Escola Pública será sempre aquilo que nós todos, no terreno, quisermos que ela seja. Apesar da tutela. Às vezes mesmo contra a tutela!
Resistiremos! Dançando!

A Dança

Dança de vida
do Diabo e outros
temerários corações
em procura do Graal
ou de outros cálices
brilhantes e reluzentes
fálicos ou morais.
Vidas Diferentes
Céus e Deuses
Significado acima de tudo
Mas o que fazer quando o significado
é insignificante??
Quando as nossas acções rodopiam no caos
num vórtice erótico
numa corrente de nada??
Simples.
Continuar
pois a estrada para aí serpenteia!
Os meus actos importam
mas cairão no vaso negro do esquecimento
ou abrirão as portas da imortalidade??
Perdurarei na vasta escuridão
da solidão
não orgulhosamente só
mas olhando o céu estrelado
quando também ele perder o significado??
A vida não deveria ser aleatória
um passo de tango errante
ou uma valsa de montanhas brancas e enrugadas...
Mas não passa de uma dança
que entre passo e pirueta
beijos e abraços
nos enrola nos seus braços fraternais
no qual cumprimos o nosso papel.
Pois embora a memória perdure
também o tempo
mas este sem rival
orgulhosamente só.
Então quando o vinil
quente
humano
parar de tocar
e a derradeira estrela se apagar
que acabe a Dança
mas até lá
Dance-se...











Homo sapiens sapiens
Fotografias de Anabela e Artur Matias de Magalhães, Eugénio Queiroz e Helder Colmonero

Importa-se de Repetir?

"Hoje eu tenho que sublinhar, acima de tudo, a raça, o dia da raça, o dia de Portugal..."

Pois é verdade, o nosso Presidente da República saiu-se com esta pérola!!!
E pensar que ando eu a ensinar aos meus alunos que isto de raças nos humanos é um conceito ultrapassado, revogado pela ciência, que raças existem nos cães, que nós somos todos Homo sapiens sapiens, e agora levo com este exemplo vindo da mais alta individualidade da nação!
É caso para dizer que até aqui se vê o nosso atraso!
Que pérola!
E contra esta pérola posto fotografias da nossa diversidade na igualdade. Como protesto contra tão grotesca afirmação. Todos estes rostos, mais o meu, e o dos meus novos alunos, farão parte das minhas aulas de apresentação do próximo ano lectivo, em PowerPoint, claro, que eu sou a Miss dele! Porque de pequenino se torce o pepino! Para saborearmos e apreciarmos esta beleza de diversidade na igualdade.

Nota - As fotografias foram tiradas em Espanha, na Rússia, na Mauritânia, no Irão, em Portugal (Carvalho de Rei), na Jordânia e em Marrocos. E foi lindo de se ver!

segunda-feira, 9 de junho de 2008













Tendeiros nas Festas do Junho - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Tendeiros

Hoje posto uma série de fotografias tiradas aos tendeiros presentes durante as Festas do Junho. E posto-as só para comprovar que estamos num mundo gobal. Os tendeiros da minha infância eram todos, mas todos, portugueses. Pois hoje não é assim. Ele há negros do Senegal, marroquinos de Marrakech, índios dos Andes e o mais que calha, porque este mundo, para o bem e para o mal, está global e tem de ser feito de pontes, de contactos enriquecedores entre povos e culturas. Saibamos estar à altura de recebermos estes nossos irmãos, e saibamos recebê-los tal e qual como gostaríamos de ser recebidos por esse mundo fora. Nem mais, nem menos.
É evidente que subsistem os tendeiros portugueses e lá os encontrei misturados com outros povos, com outras populações. Não posso deixar de apreciar esta mistura. Porque gosto dela. Francamente, gosto dela!

Os Bombos Vistos pelo Sahel

Os Bombos Vistos pelo Sahel

Será que os ouviste aí em Sebha, no meio dessas noites de calor de esborrachar?
Como os ouviu a nossa menina do forcado na Noruega, a nossa Raquel... Sahel?
Falaremos sobre isto no msn.
Por agora aqui deixo este exercício estético que me continua a tirar do sério, a dar a volta ao miolo, com as suas curvas e contracurvas, a sua estética tão, mas tão peculiar!, que me remete para areia escaldante, que me remete para as dunas enormescas de Mursuq, que me remete para os lagos, os lagos belíssimos e inacreditáveis do deserto líbio. Falarei sobre eles um dia destes.
Por agora fico-me por aqui à escuta das tuas gargalhadas sexy que me chegam vindas de muito longe, soando a música nos meus ouvidos.
Obrigada pela tua contribuição enriquecedora. Pontes entre civilizações são precisas!
E estou tão cheia de saudades desse teu deserto, onde vives... e tão pelos cabelos com o meu país... que acho que vou ser a primeira quebrar a distância, e a reentrar no silêncio pacificador, tranquilizador e espampanante deste nosso Sahara. É que nem espero pelo teu casamento!
É como diz a outra " Me aguarda, vai! Me aguarda, Sahel!"

E a resposta às tuas questões é sim. Sim, é no Largo de S. Gonçalo que tu tão bem conheces. Sim, é em frente à igreja do mesmo nome que tu igualmente tão bem conheces.

احتفال رائع على ما يبدو!!!هل هو سنوي او شهري؟؟؟؟؟وهل يقام في الساحة المقابلة
للكنيسة؟؟؟ظ

domingo, 8 de junho de 2008






Festas de S. Gonçalo - Amarante - Portugal
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Aviões, Carrocel, Carrinhos e Companhia Lda

Estes são os divertimentos que me tiravam do sério quando eu era miúda. Recordo-me deles desde novita. Chegavam durante o mês de Maio e assentavam arraiais junto à Câmara Municipal. Estes, e mais as barraquinhas dos tiros, o Poço da Morte e sei lá bem mais o quê. Lembro-me de ir às novenas, com a minha avó Luzia, só eu e ela, não por que a novena me interessasse especialmente, mas porque a seguir a minha avó levava-me aos divertimentos e folias que eu adorava. Continuei a andar, todos os anos, sozinha, que o Artur sempre detestou estas coisas, ou empiloucrada nos meus amigos, mais tarde com a Joana pequenina, a acompanhar-lhe o crescimento. Foi um fartote destas coisas até à adolescência da Joana.
Confesso que agora é raro. Mas lá que ainda hoje gozo e guardo as memórias dos sustos e das gargalhadas, lá isso gozo e guardo.
E gosto de testemunhar que os sustos e as gargalhadas preenchem agora o imaginário doutras gerações de miúdos amarantinos, cumprindo uma tradição que, neste caso, ainda é o que era, e que mantém intacta a sua magia.

sábado, 7 de junho de 2008







Bombos de Santo André - Festas do Junho - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Interregno

Estas fotografias foram tiradas após a primeira investida sonora a cargo deste grupo de Zés Pereiras, de Freixo de Cima.
Havia agora que esticar as cordas, descansar os braços e as mãos, para que homens e instrumentos possam tocar alto e bom som, a uma só voz, a uma só batida, uma e outra vez.
Foi um momento de repouso, de interregno, de preparativos para que homens e bombos voltassem ao seu melhor estado, para de novo atacar o Largo, a multidão.

E pronto. Chega de bombos. Chega de bombadas.
Bombos de Santo André

Foi no meio destes artistas de Freixo de Cima que eu ontem fiz a minha reportagem fotográfica. Aqui os deixo com as bombadas únicas e primitivas que ecoam desde tempos imemoriais.

E estou eu a pensar... Xiii!!! Será que ainda vou ficar sob escuta??!!! É que ao uso que tenho dado ultimamente à palavra "bombada"... não sei não!!!

Festas do Junho - Amarante

Para ouvir é favor de colocar o som bem alto pois, apesar da qualidade das imagens e do som deixar muito a desejar, consegue percepcionar-se o entusiasmo das bombadas, aqui e ali misturadas com os famosos sinos de S. Gonçalo, que eu já postei neste blogue.
Ao observar estas crianças é caso para dizer "Que de pequenino se torce o pepino!"













Bombos de Santo André - Largo de S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Catra pum pum pum!

Hoje faço um interregno de alunos e educação. Voltarei proximamente ao tema.

Hoje quero falar da emoção que sempre sinto quando consigo colocar-me na primeira fila da roda que se forma, instantaneamente, em volta dos grupos de bombos, ou Zés Pereiras, que vão chegando ao Largo iniciando o despique que se prolonga noite dentro.
Deliro com os grupos de bombos, e este meu gosto acompanha-me desde tenra idade, desde que me lembro de os ver subir a Rua da Cadeia, a rua dos meus avós paternos. Gosto daqueles batimentos fortes e profundos, até violentos, e quando estive em S. Simão a leccionar à noite, a adultos, tive até o supremo prazer de experimentar tocar com o grupo local, e de sentir na pele a violência física que constitui esta actividade. Por isso aprecio ainda mais estes homens, e raras mulheres, aprecio os praticantes desta actividade popular, reconhecendo na pele o esforço que os faz ficar encharcados da cabeça aos pés logo nas primeiras bombadas. O ritmo é simples, primário, às vezes frenético e avassalador, não conhecendo muitas variantes, mas a cada batida vinda das profundezas daquelas peles esticadas estremeço da cabeça aos pés e aqueles batimentos misturam-se com os batimentos do meu coração. Por vezes salta um ou dois tocadores para o centro do círculo, agora transformado em arena, e é vê-los a tourearem-se num espectáculo único, violento, de ritmos cada vez mais acelerados parecendo, os tocadores, simplesmente possuídos pelo demo. A assistência aplaude satisfeita encorajando a entrega de corpo e alma à actividade. Os tocadores retribuem.
Ontem foi noite de andar em cima do acontecimento, de máquina fotográfica em punho, captando o Grupo de Bombos de Sto André, de Freixo de Cima, que resultou num colorido bonito de se ver. Partilho as minhas fotografias da melhor noite do cartaz das Festas de Junho ou Festas de S. Gonçalo e que todos os anos se repete à mesma hora, no mesmo local. Neste caso a tradição ainda é o que era.
Deitei-me por volta das três da manhã. Ainda se bombava forte e feio no Largo. A noite ainda era uma criança.
Acrescento - Zé, ouviste-os? Sentiste-os aí na gelada Noruega? Derreteram o gelo???!!!
 
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