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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Bebedouros e Plásticos

Bebedouros - Exemplar Lisboeta do início do século XX
Fotografia retirada da net

Bebedouros e Plásticos

Quando eu era miúda, aqui pela terrinha e nas escolas daqui também, existiam fontanários e bebedouros a torto e a direito, espalhados pela então vila e seus espaços escolares. Acredito que assim era no resto do país e respectivas escolinhas.

Depois fizeram da água muitos negócios e desapareceu tudo: os fontanários foram bloqueados, vieram as tabuletas com o costumeiro "Impróprio para consumo" e os bebedouros foram-se estragando pelas escolas sem que uma alma caridosa tratasse destes assuntos.

Quando eu era miúda, tudo vinha em garrafas de vidro, das bebidas aos yogurtes, tudo vinha e tudo ia pois quem descarregava garrafas de vidro cheias carregava e levava outras, entretanto vazias, para serem reutilizado depois de lavadas. Tão simples... e a funcionar tão bem.

Não sei precisar quando acabaram com uma atitude de impecável cidadania. Sei que comigo já não contam para beber em plásticos pois bebo água del cano... et voilá, da torneira para o copo... simples, simples e sem a aldrabice do Volta!

E aqui deixo esta ideia à autarquia local. Invistam em água gratuita e fresca e espalhem bebedouros em pontos críticos e de maior necessidade e movimento pedestre. Garanto que fica mais barato, mais bonito e é mais ajuízado e útil do que andar a mexer em muros de alamedas, desmantelando-os, pondo os pedreiros que os fizeram às voltas nos seus túmulos, destruindo as meias laranjas que são nossas, e muito só nossas e que nós não damos a ninguém... a não ser a ideia, claro está!
Não se fala tanto em ambiente, em cidadania e mais não sei o quê?
E que tal metermos as mãos na massa?

terça-feira, 22 de outubro de 2024

Nota Importante Sobre a Contestação Contra as Obras na Alameda Teixeira de Pascoaes e Mercado Municipal de Amarante - PAN


Nota Importante Sobre a Contestação Contra as Obras na Alameda Teixeira de Pascoaes e Mercado Municipal de Amarante - PAN


Chegamos à Assembleia da República através do PAN

"Pela preservação do arvoredo e dos muros de granito junto ao Rio Tâmega e em redor do Mosteiro S. Gonçalo, em Amarante"

Obrigada em nome de muitos Amarantinos, e não só, que exigem ver a sua terra reconhecível aos seus olhos. 

Pelo respeito que devemos aos nossos antepassados e pelo que por eles nos foi legado, pelo rigor nos gastos do erário público... mais de 3 milhões de euros de empréstimos sufragados por todos os deputados municipais?! para desfazer o que está feito e bem feito?!... pela nossa segurança em caso de cheias mais extremas... assine a petição on-line clicando no link:

https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT122506

domingo, 7 de janeiro de 2024

Memórias - A Palavra a Helder Barros


Diversidade - Mauritânia
Fotografia de Artur Matias de Magalhães 

Memórias - A Palavra a Helder Barros

DOMINGO, 9 DE OUTUBRO DE 2011

Depoimento - A Palavra a Helder Barros

Hoje releio estes textos e mudando uma coisa aqui e outra ali não posso deixar de reparar que a coisa/música é vira o disco e toca a mesma.

Hoje já deixei de me arreliar com a m#&$@ da ADD... mas continuo com as minhas arreliações agora mais bravas que nunca!

Aí vai!

Crónica de um testemunho solidário:

Anda a Minha Colega e Amiga, Professora Anabela Magalhães, bastante arreliada com a avaliação de desempenho docente... e tem motivos para isso!
Pois, mas eu sei e testemunho, que foi desde o inicio contra este modelo mal parido, lançado pelo desgoverno de Sócrates, e que pelos vistos, vai ser seguido pelo governo atual, numa prova inequívoca de que os políticos portugueses, não honram a sua palavra, o que além de um péssimo exemplo para os cidadãos, deveria ser penalizado criminalmente... mas adiante!
Poucos lutaram como ela, pela criação de um modelo que não fosse este monstro burocrático, sem quotas para a excelência e fonte das diatribes dos pequenos ditadores, e fieis seguidores, em que se transformaram muitos dos dirigentes das nossas escolas... dizia o meu falecido Pai que, se quisermos conhecer um Português, é dar-lhe um cargo de poder, por mais insignificante que este seja, e observar se o indivíduo não se transforma num pavão armado, que só sabe desmandar... e de que um dos maiores defeitos de Portugal, vem desta característica nefasta dos Portugueses!
Mas a Anabela lutou sempre de forma frontal e honesta, nunca compactuou com jogos de bastidores e pagou por isso... ainda te lembras daquele artigo 102! Só que em Portugal, quem é frontal paga, apreciam-se muito é os lambe botas... lembras-te do outro que dizia quem se meter com o ... paga! Era um alto dirigente político, grande exemplo de cidadania trauliteira e rasca!
Conheço o profissionalismo da Anabela e sei como isso incomodava alguns dos seus pares... alcunhas, como "Miss PowerPoint", "Professora Portátil"... até tinham piada, para quem as dizia por bem; mas para muitos, era só inveja, má formação e má fé!
Acompanhei a evolução meteórica da Anabela na sua incursão pelas novas tecnologias, desde aquela formação com o Valente... claro que te lembras!
Segui o seu blogue desde o inicio, com um Português objectivo, mas de grande nível, com uma objectividade e pertinência de temas, que levou a que entrasse de forma arrebatadora pela blogosfera; em blogues ligados à Educação e à História, sendo inúmeras vezes referenciada a nível nacional... Nacional!!!
Conhecia o seu trabalho de construção de Muros na Barca e conheço o seu trabalho de formiguinha proficiente, na construção de recursos educacionais próprios...
Mas, ainda por cima, esta colega gosta de partilhar tudo, mostra todos os seus recursos e até apareciam uns ressabiados a criticar essa sua forma de ser, de forma nojenta... estes tais que só criticam e nada constroem e partilham...
Sabia também que quando fosses avaliada, sim porque ela não tem medo da avaliação, a questão nunca foi essa; ias estar entre os melhores... conheço o seu desempenho em sala de aula, trabalho fora das aulas (muitas horas), conheço muitos alunos que passaram pelas tuas aulas e a forma como falam da Professora Anabela Magalhães, sim porque ela, apesar de nunca recusar turmas difíceis, por exemplo, turmas CEF, dos quais alguns colegas fogem como o Diabo da Cruz, consegue uma coisa que muitos não conseguem: ser implacável com a prossecução do seu objectivo de ensinar, mas mantendo uma ótima relação pedagógica com os seus alunos e um grande envolvimento com os professores da turma e encarregados de educação (o tal trabalho conjunto e transversal)... parece fácil, mas é muito esgotante!
Conheço o seu portefólio digital e as críticas mesquinhas que lhe faziam... os que não se quiseram atualizar, os que gostam de dar aulas lendo o book... interpretar um livro feito por outros, é muito mais cómodo do que construir recursos próprios... dá muito trabalho, não é Anabela!
E de facto, quem te conhecer deveria saber que não irias engolir esta farsa das quotas... lembras-te quando diziam que esta ADD era um novo paradigma educativo... mas depois reparte-se o bolo, para todos levarem o mesmo quinhão, mandando para as malvas todo o trabalho que foi realizado de forma séria e profissional, igualando tudo... não isso eu sei que tu não ias aguentar... a tua primeira reação conheço: risada!
Muito mais poderia dizer sobre o teu trabalho, mas a escrita não é o meu ponto forte... é meu dever de consciência e da minha honestidade intelectual, solidarizar-me contigo, contra esta vil farsa! Quem despoletou o foguetório, vai ter muitas canas para apanhar... é que em Portugal há muito pouca gente com a tua integridade pessoal e profissional e não estranhes, que eles achem o teu comportamento estranho, se é que me fiz entender... usa-se mais o chico espertismo e por isso estamos, como estamos... como a Grécia.

Helder Barros

Obrigada pelas tuas palavras solidárias, Helder.
Tu acompanhaste a minha luta contra este modelo de avaliação de perto. Sabes bem que eu não concordo com ele. Mas não lhe tenho medo nem tenho medo das pessoas medíocres que, por vezes, o implementam no terreno, distorcendo-o, alterando-o, criando regras ilegais, furando e violando grosseiramente a Lei. Obrigada por esta mesma lei a ter aulas assistidas lá fui eu, sem problemas, para as aulas assistidas, avaliada com excelente nas duas aulas que leccionei aos meus CEF, os tais de quem muitos fogem como o diabo da cruz. Não, não fiz show, não pedi a ninguém para me preparar o show, a apresentação em PowerPoint que usei numa das aulas já está feita por mim e, pecado!, publicada  na internet há muitos anos, na minha página de recursos que estou a elaborar para os CEF e que estaria bem mais adiantada não fora fazerem-me perder tempo com burrices para as quais, sinceramente, estou cada vez mais sem paciência.
Procuro cumprir a Lei, apesar de, neste caso, nem concordar com ela. E não admito que a violem grosseiramente no que a mim me diz respeito.
Tenho um percurso profissional que não pode ser apagado, tenho uma dignidade que jamais deixarei abastardar enquanto me mantiver consciente de mim. Jamais. E isso dá-me muita serenidade no meio de um panorama verdadeiramente surreal e indigno.
Sei que provoco invejas e dores muitas de cotovelo e essas são algumas das medalhas que orgulhosamente carrego ao peito. Sei também que estou rodeada de gente com muita qualidade, que genuinamente me aprecia e aprecia o meu trabalho e que me ajuda a progredir, incentivando-me, dando-me uma palavra de alento na hora certa. Não é fácil trabalhar em Portugal. Não é fácil dar o litro por Portugal.
Posto isto continuo em luta contra o monstro criado por Maria de Lurdes Rodrigues e ainda vivo. Agora por dentro, revolvendo as suas tripas até ao tutano onde, de qualquer modo, já rebolo em gargalhadas sonoras e genuínas... mas que palhaçada de país! Mas que palhaços! 

Ah! E a história, ainda não contada, não tem nada a ver com as quotas definidas pelo Ministério da Educação. Nem tem sequer a ver com o ME, agora MEC. Tem a ver com indignidade, só isso. E com gente que quer ser mais papista que o papa e que consegue piorar o que já é de si tão mau que nos parecia ser impossível pior.
Pois pior é possível. Asseguro-te, Helder.

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Eu - Com Dedicatória a Todos os Meus Alunos

Noiva da Santa Amarantina em Fuga - Festa Amarantina


Eu - Com Dedicatória a Todos os Meus Alunos

Foram todos importantes para mim. Sem excepção. 

Cresci com vocês, escutei as vossas palavras, dei-vos muito do meu tempo pessoal, dei-vos muito do meu colo, muito muito para além do que o meu patrão me obrigava e apenas porque sim, porque me dou por inteiro a tudo o que abraço com determinação, contra ventos e marés, saltando muros, muralhas, poios até!

Em hora de balanço entre o deve e o haver ficais vós, (e muito pouco mais), os vossos abraços de carinho, os vossos sorrisos, as vossas gargalhadas, as vossas palavras de apoio e de estupefacção por esta professora estar com um processo disciplinar (quase) no fim da sua carreira profissional que eu sempre desejei sem mácula (nem uma falta injustificada eu permiti no meu registo biográfico) e que eu sempre pretendi exercer com dignidade, determinação, honestidade, humor, poder de encaixe, profissionalismo, carinho, amizade... e o mais que nem vou para aqui enunciar... nunca desejando sair da sala de aula, lugar onde continuo um peixinho dentro de água. 

Mas o pior é colocar o pé fora dela... aqui a sexagenária... e nesta hora, em que cruzo Escola e Festa Amarantina, ocorrem-me as notícias dos pasquins que dizem... "sexagenária foi atropelada por uma viatura na passadeira..." e fico a pensar que aqui a je só se for atropelada por um ovni e terá de ser ao virar de uma esquina qualquer para os ETs me apanharem desprevenida.

Alunos, não deixem de ser felizes! Alunos, prometam-me que perseguirão os vossos sonhos com unhas e dentes... sem atropelarem seja quem for mas também não se deixando atropelar. Não se deixem atropelar. Não deixem que façam de vocês minhocas contorcionistas. Lutem pelos vossos direitos sem esquecer nunca os vossos deveres. 

E, Alunos, prometam-me que continuareis a brincar e a sorrir e a gargalhar até ao fim dos vossos dias, cumprindo, assim, com vigor e asseio, a vossa única passagem por esta casa comum por onde já se passearam todos os nossos/vossos antepassados sem nunca esquecerem que todos nós estamos só de passagem.

E fiquem bem, sim?

Nota - Foi tão bom reencontrar tantos... tão bom... e gostaria tanto de vos ter reencontrado a todos... e, olhem, ponham o som no máximo e abram as goelas acompanhando os Xutos a plenos pulmões! E aproveitem para exorcizar fantasmas... xôoooooooooooo!



segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Os Meus Muros e o Número Sessenta e Oito

Muros Meus - Carvalho de Rei - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Os Meus Muros e o Número Sessenta e Oito

Muito embora o muro presente nas várias fotografias seja sempre o mesmo, e seja o que dá suporte à terra do meu maior campo na Serra da Aboboreira, a verdade é que há uma distinção bem grande a fazer entre as duas primeiras fotografias e todas as que se lhes seguem - é que a parte do muro fotografada hoje de manhã, nas duas primeiras fotografias, foi acabada há mais de uma década e os musgos, os fetos, os líquenes e demais plantas e plantinhas tomaram conta do dito cujo por igual já não se distinguindo a parte que já lá estava, e que é sempre a das pedras grandes, da parte que foi por mim terminada, a das pedras mais pequenas que o fazem subir ao nível da terra do campo que ele sustenta. Consequentemente, nas cinco fotografias que se seguem a estas duas primeiras, nota-se muito bem o meu trabalho de força e de paciência para terminar o que não estava terminado. Afirmei um dia, neste blogue, que detesto coisas inacabadas e que terminarei estes muros, as minhas muralhas da China, um a um.

Este é gigantesco e não o terminarei tão cedo. Mas, nunca desistindo, porque parar é morrer, garanto-vos que está já acabada uma extensão de sessenta e oito passos, bem medidinhos, hoje, pela manhã.

Está a ser obra! E excelente para dias de confinamento.

domingo, 19 de abril de 2020

Família

Família - Serra da Aboboreira - Amarante
Fotografia sei lá eu de quem...

Família

O enorme penedo continua no mesmíssimo sítio, os muros de pedra granítica e solta aguentaram a passagem dos anos, a alfazema e as outras aromáticas, oferecidas por amigos de sempre, estão loucas de enormes, as rastejantes, que a minha sogra me ofereceu um dia, sobreviveram-lhe, enfim, as plantas já cresceram estupendamente no jardim impedindo a repetição desta fotografia sem espatifar a bela flora.
Além do mais, já não estamos cá todos porque acumulamos perdas familiares terríveis de gente que permanece e permanecerá nos nossos corações. Mas, em contrapartida, já somos mais e esta parte familiar já cresceu em número, multiplicando-se, nunca substituindo quem quer que seja que já não está entre nós, mas acrescentando sempre e sempre, a cada ano que passa.
Hoje, uma cunhada lembrou-me estes tempos de reuniões familiares alargadas que voltarão. Mais cedo ou mais tarde.
Cá vos esperarei. Com os possíveis. Que serão sempre muitos...

domingo, 12 de abril de 2020

Fadinha dos Muros

Muros - Aboboreira . Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Fadinha dos Muros

Oui, c'est moi.

sábado, 9 de novembro de 2019

O Muro de Berlim


Muro de Berlim - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Caiu há 30 anos. Hoje recordo-o, num mundo cada vez mais feito de muros que se erguem para nada. Ai se esta gente conhecesse a História! Não conhecerão uma Muralha da China que se vê do espaço e acabou transformada em atracção turística?
E por falar em História... hoje recordo a minha e de como é que ela se cruza com a do muro da vergonha e com o envio de um beijo enormesco à Emiliana Silva.

O Centro de Recursos de História, a Emiliana e o Muro de Berlim

Hoje foi dia de contar a história da relação entre o Centro de Recursos de História, a Emiliana e o Muro de Berlim aos meus alunos de 9º ano, história já contada em tempos que já lá vão, aqui mesmo neste blogue.
E hoje foi também dia de fazer um brilharete e deixar os meus alunos atónicos e perplexos... estava eu em plena Guerra Fria, bloco capitalista versus bloco comunista, parte do mundo liderada pelos EUA e a outra pela URSS, estava eu nos confrontos indirectos entre as duas superpotências mundiais através dos países feitos de povos "mexilhões"... atenção ao que se está a passar na Ucrânia... e falo-lhes da construção do Muro da Vergonha que é o mesmo que chamar-lhe Muro de Berlim, construção iniciada no ano do meu nascimento... e eis que sou capaz de os surpreender... "Ah! Por acaso tenho um bocado de Muro de Berlim no armário de História que vos posso mostrar"... agitação e excitação pela sala... eheheh... e eis que saco do dito cujo que um dia me veio parar às mãos expedido pela Emiliana, regressada a terras de Portugal vinda directamente de Berlim com um bocado do Muro da Vergonha na mala...

Obrigada, Emiliana! A tua acção no passado continua a fazer a diferença no presente.

"God Knows How I Adore Life... God Knows... não é, Emiliana?



God knows how I adore life
When the wind turns on the shores lies another day
I cannot ask for more

When the time bell blows my heart
And I have scored a better day
Well nobody made this war of mine

And the moments that I enjoy
A place of love and mystery
I'll be there anytime

Oh mysteries of love
Where war is no more
I'll be there anytime

When the time bell blows my heart
And I have scored a better day
Well nobody made this war of mine

And the moments that I enjoy
A place of love and mystery
I'll be there anytime

Mysteries of love
Where war is no more
I'll be there anytime

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Jardins Amarantinos - Sinta-se Convidado

Ervas Loucas - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Jardins Amarantinos - Sinta-se Convidado

São jardins loucos, selvagens, indomáveis, resistentes, pujantes e originais, os que amiúde despontam teimosamente por entre as pedras/calhaus dos passeios, das ruas, das quelhas, dos muros da minha cidade.
Mas, se os vier espreitar, acautele-se! É que estão tão mas tão viçosos e fortes que, a cada passo, vai de expulsar os transeuntes dos passeios obrigando-os, literalmente, a descer para a rua, para as ruas por onde, sim, eu sei que é original!, passam carros.
Dizem que são jardins ecológicos... e eu, confesso, olho para eles e só penso na minha Preciosa...

domingo, 4 de agosto de 2019

Embarcar para a Barca

Barca - Serra da Aboboreira - Amarante
Fotografias de Artur e Anabela Matias de Magalhães

Embarcar para a Barca

Embarcar para a Barca é coisa que faço desde o início dos anos 80. É óbvio que, entretanto, muita coisa mudou... o castanheiro à minha esquerda agigantou-se, os carvalhotos, ao fundo, são agora árvores adultas e frondosas, novos castanheiros foram plantados, os muros foram acarinhados e estão, lentamente, a ser acabados, o mato continua a não me dar tréguas, nos campos, nas bouças... os troncos das árvores servem-me agora de suporte para brincadeiras com o neto... e, claro está, eu fui à tosquia.

domingo, 16 de junho de 2019

GRILAS E HORTELÃ-PIMENTA


GRILAS E HORTELÃ-PIMENTA 

A palavra a Costa Carvalho

*Aos meus filhos, netos e bisneto 

Estranha coisa era aquela de os fedelhos cheirarmos à hortelã-pimenta do Tâmega, rio de que a vila dizia sermos nascente e afluentes.
À torreira embriagadora do vinho novo que era o sol de Junho, rabiávamos pelos muros, como sardaniscas, fatiando-lhes o musgo para a cascata do S. João. Púnhamos os torrões com verdura a beberricar nas poças de água e descascávamo-nos, acabadinhos de voltar a nascer para um outro mundo: o nosso!
Tarzans trinca-espinhas, pinchávamos de galho para galho das árvores nossas amigas da brincadeira, caindo de braços e risos abertos no fresco lençol de água acabado de lavar com sabão azul de Marselha.
Éramos de uma aberrante felicidade, num mundo em guerra!
Mas também tínhamos as nossas desavenças, só por causa de fazermos pouco das nossas grilas. E eu não gostava nada. Tinha que intervir a Isabel Lavadeira:
- Oh! E o menino a ligar. É só para o atezanarem. Vai aparecer quem..
- Quem o quê, Isabel?
Revirando os olhos para o céu azul-ferrete, a lavadeira respondia, persignando-se:
- Santa inocência!
- É quem vai aparecer?
Finda a escaramuça, deitávamo-nos de papo para o ar, olhos fechados e bocas cosidas. Os meninos não pedíamos mais nada à vida.
E a Vida, toda enroscadinha nos meninos, connosco adormecia, também ela contente da vida.
Lá longe, os homens matavam-se uns aos outros!

domingo, 12 de maio de 2019

Amarante, Pelo Direito à Memória


Amarante, Pelo Direito à Memória

A partir do minuto 18, durante a festa do 6.º aniversário da construção do Hospital de Amarante, a Dr.ª Filipa Carneiro, Directora Clínica do CHTS, lê um excerto do texto Amarante, Pelo Direito à Memória, na presença do senhor presidente da Câmara, José Luís Gaspar.
É um texto forte. Sentido. Entendível por quem é Amarantino e também por quem não o é.
Hoje, recupero esse texto na totalidade, da autoria de Fernando Matos Rodrigues e de mim própria, relembrando a todos os meus leitores que o assunto que o motivou, o hipotético desmantelamento do muro de suporte da Alameda Teixeira de Pascoaes e amputação dessa mesma alameda, não está esquecido e será alvo de novo debate, no próximo dia 8 de Junho, desta vez muito específico sobre esta concreta agressão à identidade amarantina que está em gestação, motivada por um específico pedido do presidente da Câmara de Amarante a Eduardo de Souto Moura.
Darei novas.
Resta-me agradecer à Dr.ª Filipa Carneiro, Directora Clinica do CHTS, por ampliar as nossas palavras.

Amarante, pelo direito à memória!..

“Amarante corporiza-se-me, ganha forma e conteúdo. Multimoda, carregada de anos e feições, com artérias novas, pulsa ao ritmo da lenda, da história, dos costumes, das paisagens e dos homens”                                                                                                   
 in António Cardoso, 1979:12


Fernando Matos Rodrigues
(Antropólogo. Investigador no CICS.Nova_UM/ Director do Lahb)
Anabela Magalhães
(Licenciada História FLUP, Professora de História)

A zona da Alameda de Pascoaes, com a ponte antiga de Amarante, o largo do mosteiro, o lugar do mercado e a sua envolvente ao Tâmega, com os seus altos, fortes e robustos muros de um velho granito em redor do seu antigo mosteiro, são o traço pictórico que dão a esta antiga cidade um sentido artístico e cenográfico de profunda e rara beleza. Um lugar de memórias, de marcas fundas e sentidas, de momentos colectivos fundacionais, de heroísmos pátrios, de geografias físicas onde se inscrevem as marcas daqueles que construíram esta paisagem.
Cada um dos seus habitantes, naturais daqui ou dali, com as suas origens nesta terra ou noutra qualquer, vivendo aqui ou noutro lugar, com descendência amarantina ou não, encontram neste “topos” urbano um sentido de identidade comum, que lhes asseguram reconhecer-se nele e desta forma ser reconhecido por todos. O lugar fundado e construído abandona a fantasia da criação e transforma-se em território que liga, que protege, que dá sentido temporal e histórico a toda uma comunidade que nele procura a sua matriz identitária de referência cultural e simbólica. Estamos a falar de um lugar histórico, com dimensão espacial e temporal de longa duração, conjugando identidade e relação. Um lugar onde a magia e a história se cruzam e se ligam pelos braços de uma ponte sobre um rio, o Tâmega.
São os lugares de memória, no dizer de Pierre Nora, que se caracterizam por uma grande estabilidade sócio-espacial e paisagística, garante fundacional da memória colectiva, a imagem do que já fomos e daquilo que queremos ser. Estamos na presença de lugares que nos ensinam a apreender a nossa diferença, a nossa individualidade, que projectam a imagem do que somos desde os tempos da infância ao tempo do individuo que muda. A Cidade Histórica é consequência deste amplo e complexo processo, configurando os seus valores arquitectónicos e tipológicos numa rica diversidade de carácter cultural, económico, social e ambiental. Desta diversidade de carácter nasce um compromisso ético com as gerações futuras, porque entendemos o património como um recurso fundamental para a qualidade de vida.
O projecto de Eduardo Souto Moura para o centro da cidade de Amarante coloca-nos algumas dúvidas e levanta muitas contradições perante a possibilidade de uma radical transformação da paisagem e do ambiente urbano numa das zonas históricas do casco antigo da cidade de Amarante.
A primeira dúvida relaciona-se com a natureza e a função deste tipo de projectos e a sua validação na “renovação das cidades antigas”. Esta proposta insere-se na figura de modelo de “renovação/regeneração” de zonas degradadas e sem infra-estruturação pública. Zonas que se encontram degradadas do ponto de vista arquitectónico e urbanístico, desvalorizadas social e economicamente. O sítio da proposta de intervenção (Alameda de Pascoaes) não obedece a esta classificação, nem se encontra des-infraestruturado, nem abandonado. Aliás, é um dos lugares da cidade com mais consolidação urbana e arquitectónica, com mais vitalidade social e económica, portador de arquitectura classificada como histórica e monumental. Uma das zonas mais consolidadas e com mais estabilidade histórica e morfológica da cidade antiga. Onde se localiza o mercado da autoria do arquitecto Januário Godinho (1910-1990) classificado como monumento nacional.
O sítio da proposta de intervenção (Alameda de Pascoaes) não obedece a esta classificação, nem se encontra des-infraestruturado, nem abandonado. Aliás, é um dos lugares da cidade com mais consolidação urbana e arquitectónica, com mais vitalidade social e económica, portador de arquitectura classificada como histórica e monumental. Uma das zonas mais consolidadas e com mais estabilidade histórica e morfológica da cidade antiga. Onde se localiza o mercado da autoria do arquitecto Januário Godinho (1910-1990) classificado como monumento nacional.
Deste modo qualquer “renovação/regeneração” urbana nunca pode fazer deste belo e monumental sítio da cidade uma tábua rasa, como se o arquitecto fosse uma espécie de mão de deus a intervir num sítio aex novo. Lembramos a Carta Europeia do Património de 1975 na qual se estabeleceu como principio a conservação integrada da cidade, o que marca uma mudança na forma como se devem entender os processos de planeamento tendo em conta a conservação do património urbano. Estamos num dos locais mais espectaculares da cidade de Amarante, porque aqui se conjugam a paisagem, o rio, a arquitectura antiga e moderna, canónica e vernacular, o tempo e o espaço, a vontade e o coração dos amarantinos, que durante séculos, fabricaram este palimpsesto de grande complexidade e beleza cenográfica.
Nesta proposta de intervenção o arquitecto Souto de Moura não valoriza o sítio como património, nem dá sentido de monumento ao território da identidade e da diferença que aí foi construído, o muro. A intervenção vem simplificar, vem destruir património, vem limpar memórias, higienizar o espaço urbano para o devolver ao mosteiro na sua dimensão de ícone arquitectónico, o que não deixa de ser paradoxal e anacrónico. A destruição do muro, da sua monumentalidade, termina com a relação complexa que existe entre o alto e o baixo, a Alameda e o rio, a verticalidade e a dramaticidade, a cena e o número. O lugar perde a sua dramaticidade construtiva e domesticado e servil desce para o rio sem glória e sem chama.
Este projecto cria um novo espaço, uma nova identidade, uma nova morfologia, uma nova imagem de espaço urbano, uma nova relação com as cotas altas e baixas, uma relação mais geométrica e linear com o rio e com a outra cidade. Perdemos complexidade e poética, perdemos monumentalidade e drama, ganhamos uniformidade e funcionalidade, perspectiva e linearidade espacial. Com esta proposta o arquitecto uniformiza, banaliza e torna o lugar num não-lugar. Um não-lugar arquitectónico, porque repete a imagem e a cenografia de outros tantos lugares de matriz e concepção moderna, bem ao gosto da tradição do open space.
A destruição do lugar em benefício de outras cotas, de outros patamares, de outras ideologias de plano urbano, não contribuem para acrescentar mais-valias arquitectónicas à zona antiga de Amarante, a não ser a marca internacional Souto de Moura. O centro histórico de Amarante é muito mais que a simples marca de um arquitecto, por muito qualificado que ele o seja. Estamos perante uma proposta que destrói património, arrasa as marcas antropológicas e paisagísticas do lugar, desfigura a cenografia monumental da cidade baixa, introduz uma espécie de neurose contemporânea, que só conduz a uma prática política de perda, de simplificação e repetição de não-lugares. Construir de novo não significa nem pode implicar a eliminação das cidades antigas. Se assim for, estaremos a construir cidades vazias, sem referência e sem identidade, sem genealogia ambiental e sem uma arqueologia do habitat.
Mas o que está em causa não é só e exclusivamente a proposta do arquitecto, mas a decisão política que em nome de uma legitimidade legitimada, um presidente de câmara decide de forma exclusiva transformar e alterar de forma radical a imagem e a arquitectura de um lugar urbano classificado como património. Uma decisão unipessoal, porque não soube escutar todos aqueles que de uma forma ou de outra, estabelecem uma relação de uso e de apropriação com este sítio. O problema é essencialmente político, porque nasce de uma decisão política arbitrária que não soube ouvir e envolver a comunidade amarantina na discussão antes de passar para a decisão. O projecto aparece como facto consumado. A discussão pública aparece depois do projecto consumado, o que nos leva a concluir que é inapropriada e de mera cosmética.  

Ver aqui.
In Jornal Sol

(Ver a partir do minuto 5)

domingo, 14 de abril de 2019

Desintoxicação

Barca - Serra da Aboboreira - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Desintoxicação

A desintoxicação faz-se, por estes dias, em contacto íntimo com a Natureza.
Tem sido assim, na Barca, de corta relva nas mãos a dar cabo do canastro às ervas e aos silvados que se vão pondo loucos, cortando tudo rentinho à terra agora, para que não haja problemas de maior no Verão.
Amo o meu campo, a minha terra, os meus carvalhos, os meus castanheiros, os meus musgos, os meus muros, os meus caminhos...
 
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