domingo, 26 de agosto de 2007

Algures depois da Corunha - Mondoñedo









Costa entre Betanzos e Foz - Galiza - Espanha
Fotografias de Anabela e Artur Matias de Magalhães


Betanzos - Galiza - Espanha
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Algures depois da Corunha - Mondoñedo

Estou a postar duma cidadezinha medieval francesa chamada Sauveterre-de-Béarn, situada nos Pirenéus Atlânticos, e vou recuar para dia 19 de Agosto.

Depois de procurarmos em vão arranjar hotel na Corunha, na belíssima cidade de vidro onde eu não ia há uns bons dezoito anos, desistimos e aterrámos num hotel duas estrelas algures entre a Corunha e Betanzos. Cansados. Já eram 19 de Agosto.

Logo no início do dia fomos brindados por uma cidade de que nunca ouvi falar, de seu nome Betanzos, que se situa na ria do mesmo nome. Trata-se de uma cidade absolutamente a visitar com um casco histórico muito bem conservado e com interessantes igrejas góticas.

Continuamos para Norte e as praias são aqui agrestes, selvagens e praticamente desertas fazendo-me esquecer as praias do Norte de Portugal, apinhadas de gente, em Agosto.
A estrada, magnífica, bordeja a costa e os altos penhascos mergulham directamente no mar.
As praias, extraordinárias, sucedem-se, formando amplas baías com a montanha sempre presente, coberta de pinheiros, a acabar no mar.
As povoações, concentradas, são aqui bonitas e organizadas e tanto faz vê-las de perto como de longe. É assim que devem ser. Agradáveis de serem visitadas, agradáveis de serem vividas.
Uma nota final para a povoação de San Andrés deTeixido com um centro histórico bem arejado e limpo. E povoado. E por isso vivo e caloroso.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Padrón - Algures entreCorunha e Betanzos





Mirador de Ezaro - Costa da Morte - Galiza - Espanha
Fotografias de Artur Matias de Magalhães






Praias da Costa da Morte - Galiza - Espanha
Fotografias de Anabela e Artur Matias de Magalhães

Padrón - Algures entre Corunha e Betanzos

Continuo a postar de Oviedo. Decidi dividir os "posts" por dias de viagem porque depois será mais fácil optar por duas ou três fotografias para ilustrar cada um deles.

Dia 18 de Agosto foi dia de acordar em Padrón. Escusado será dizer que do jantar do dia anterior, já em Padrón, fizeram parte os famosos pimentos do mesmo nome, que eu adoro e aproveito para petiscar sempre que posso. Pela primeira vez comi os padrón em Padrón! E como eles estavam bons!
E foi dia de visitar, mais uma vez, Santiago de Compostela. Desta vez literalmente inundada de peregrinos que enchiam as ruas chegando à Praça do Obradoiro, à catedral, vindos de todos os lados e que enchiam a própria catedral ouvindo em recolhimento, espalhados e sentados até pelo chão, a missa que se celebrava em várias línguas. Impressionante. A catedral cheia a esbordar de gente de diferentes nacionalidades irmanadas por uma fé comum!
A catedral de Santiago é um mix de estilos que vai do românico ao barroco. À construção inicial, românica, de que faz parte o famoso Portal da Glória, foram sendo acrescentadas outras construções e até novas roupagens que transfigoraram completamente o edifício original. Mas é, de qualquer forma, uma obra arquitectónica imponente que recebe os peregrinos há centenas e centenas de anos.

Deixámos Santiago de Compostela e o barulho dos bordões a bater nas calçadas e de seguida atacámos a Costa da Morte, onde os povoados são pequenos e contidos, a costa é mais íngreme, escarpada e mais selvagem. Mais bonita, portanto.
E há mesmo pequenas ou extensas praias, em pequenas ou amplas baías, quase ou completamente despovoadas! Quase nem acredito... mas depois lembro-me do nome desta costa - Costa da Morte.
Pois, já percebi.
Aqui não se brinca com o mar...

Amarante - Padrón




Rias Bajas - Galiza - Espanha
Fotografias de Artur Matias de Magalhães

Real Mosteiro de Oia - Galiza - Espanha
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Amarante - Padrón

E estou eu a postar do Norte. Mais precisamente de Oviedo, nas Astúrias.

Mas principiemos pelo dia 17 de Agosto, dia todo ele dedicado às Rias Bajas e mais concretamente às três primeiras rias, que levam imenso tempo a percorrer, e a ver, pois é preciso contorná-las fazendo esses e erres, dando voltas e mais voltas para chegar quase ao ponto de partida, ali tao perto, mesmo em frente, do outro lado da ria!
A beleza natural das rias é elevada. Aqui uns trinta anos atrás as rias devem mesmo ter sido espectaculares. Hoje as construções ocupam tudo sem qualquer tipo de planeamento e são assim e assado, sem rei nem roque, infestando uma costa cuja beleza exigia mais. E com mais quero dizer melhor.
Assim é necessário abstrairmo-nos da paisagem construida pelo homem que tudo ocupa sem qualquer tipo de respeito pela natureza. Ou admirar as rias de longe e nunca, mas nunca, olhar de perto e em redor. Olhar ao longe porque a distância tudo dilui, até a fealdade. Neste caso a fealdade das casas com varandas e varandins, escadas e escadarias, telhados e telhadecos, viradas para aqui e para ali sem qualquer harmonia nem que seja a conseguida pelo contraste.
E que contraste com as paisagens que eu amo intocadas pela mão do homem!

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

António Araújo


Praia de Nouakchott - Mauritânia
Fotografias de Artur Matias de Magalhães

António Araújo

Acabadinha de chegar do Porto cheguei a casa de espírito alimentado. Vim praticamente todo o caminho a escutar a TSF, no caso uma interessante reportagem sobre a Mauritânia, a propósito do último Lisboa-Dakar. Escutei, ou melhor, bebi, com toda a atenção, as informações que foram sendo passadas sobre a mítica prova que eu amaria fazer, sobre Nouadibou e Nouakchott, sobre a lixeira e as cabras nas ruas destas cidades, sobre o trânsito decrépito na capital, sobre a região de Attar e a célebre cidade de seu nome Chinguetti, Património Mundial da Humanidade, com as suas vastas bibliotecas de manuscritos guardados há centenas e centenas de anos, sobre o comboio mais pesado, mais lento e mais comprido do mundo e que chega a ter quase 3 Km de vagões, sobre os seus vinte mil turistas ao ano numa extensão quase do tamanho da França e quase toda de deserto, sobre a situação política após o último golpe de estado de há dois anos, sobre a esperança de vida que ronda os cinquenta anos por estas bandas, sobre o facto da Mauritânia ser um dos países mais pobres do mundo... e sobre o Parque Nacional do Banco de Arguim onde se encontra o biólogo português António Araújo. Já falei, algures neste blogue, deste indivíduo com quem mantenho contactos via e-mail há já uns dois anos ou talvez um pouco mais. Às vezes até contactos telefónicos para tirar uma ou outra dúvida.
Cheguei ao António através do meu amigo de infância, Frederico Silva, que trabalha na Embaixada de Portugal em Bissau e que mo recomendou como sendo uma pessoa espectacular. "Diz-lhe que és minha amiga! Olha que ele é impecável!"
Posteriormente comprovei que o mundo é mesmo muito pequeno quando, em conversa, descobri que o Paulo Fontoura e o Paulo Abreu, igualmente meus amigos de infância, também o conheceram algures ao longo dos seus percursos de vida em circunstâncias completamente diferentes - o primeiro em Lisboa, numa reunião entre biólogos ou uma coisa no género, o segundo na Guiné, mais concretamente em Buba.
Quanto a mim nunca vi o António, nem mesmo quando estive na Mauritânia. Nem mesmo quando o nosso jeep teve os problemas mecânicos que teve... não gosto de incomodar as pessoas com chatices desnecessárias que podem ser resolvidas... e ao contar-lhe as minhas peripécias lá me perguntou ele "Por que não me ligaste? Tinhas todos os meus contactos!!!"

Pois é António, eu chegarei ao Parque, aí pelo mês de Dezembro, talvez pela passagem de ano, para a comemorar, de forma diferente, no meio da passarada que aí se abriga dos rigores do Inverno europeu! E chegarei bem, espero que sem problemas mecânicos, pela "Estrada da Praia" que é um desejo/sonho ainda por cumprir.
Mas hoje tive o grande prazer de te ouvir a voz pela primeira vez claramente e sem ruídos telefónicos e vim encantada a escutar uma voz quente e calorosa que me cheirou a acolhimento em pleno deserto... melhor ainda, que me cheirou a acolhimento no deserto sem nunca perder de vista o mar!

E lá vou eu rumo ao Norte!

Férias

Férias

O Eugénio e a Paula talvez se tenham sentido compelidos a dar novas devido a algumas vibrações emanadas das perguntas que eu postei no blogue. Estão bem, como se pode verificar pela mensagem recebida terça à noite no meu telemóvel:
"24 e 40 tudo pronto para abandonar o comboio. Dentro de uma hora chegaremos a Irkutsk, Sibéria, para explorar o lago Baikal."
Ah, vida boa!
Quanto a mim, passei a manhã a pôr a escrita em dia com as beldades das minhas amigas Alice e Rosinha... bem... e a beldade do Artur! Uf! Férias! Finalmente férias!
E assim sendo fui, mais uma vez, à tosquia! Preparar os meus cabelitos para que não me importunem e embaracem nos tempos mais próximos. Não me chatearão!

Engraçado que hoje, enquanto folheava o guia de França, para grande surpresa minha, encontrei uma grande... e é que não fazia ideia da sua existência... acho que é a maior de toda a Europa... e achei-a linda!!!
Vou ter que a procurar... e encontrar... para a postar aqui no meu blogue e acabar com este maldito suspense...

Insónias

Insónias

Low - Breaker

Low - Breaker

http://www.chairkickers.com/

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Rosinha


Nós - Largo de S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de não sei quem

Rosinha

E aqui fica, agora postada para a posteridade, outra personagem, desta vez amarantina, que eu amo.
Conheço a Rosinha não do tempo em que usávamos fraldas, até porque ela é um pouco mais novita do que eu, mas do tempo em que éramos todas "Meninas do Canito". Tal e qual como a Céu. Alguns dos episódios que postei para a Céu passaram-se mesmo com esta menina que de loira tem só o cabelo! Foi o caso das danças sincronizadas no balcão da saudosa Dona Loba em que uma data de rapazes e raparigas... eu, ela, o Joca e nem sei mais quem, gozámos a bom gozar executando danças pindéricas e pirosas do primeiro andar para a pista de dança!
Tive o prazer de assistir ao seu casamento e durante todos estes anos não houve festarola em minha casa onde ela não estivesse. E a Rosinha soube manter-se, durante todos estes anos, igual a si própria, e é hoje o que sempre foi: uma boa amiga, uma pessoa decente, respeitadora dos outros e que se preocupa genuinamente com eles, correcta, leal, meiga... eu diria até um doce!!
Não foi por acaso que foi com ela que recordei as fotografias tiradas nos cavalinhos da praia e não foi por acaso que foi com ela que apareci na radiotelevisão portuguesa, comprovativo de uma velhíssima amizade que fez arrancar gargalhadas ao seu filho João Pedro (que já teve direito a "post" neste blogue) quando, por acaso, no meu escritório, olhou para a estante dos livros e viu-nos, às duas, nestas figuretas que nos vão enriquecendo a vida de momentos únicos e saborosos!
Confesso que nem ia falar dela. Confesso que estava a fazer o meu post de hoje, que se chamava "Adaptação", quando iniciei uma conversa no messenger com o João Pedro que me disse "Até fui para um ciber no Algarve para ler o teu blogue!" o que me deixou a gargalhar no messenger com conversa daqui, conversa dali!
Vai daí lembrei-me de postar sobre esta minha amiga tão especial, professora de História, com quem eu trabalho amiúde na preparação de aulas, na preparação de apresentações em power point e com quem me encontro semanalmente no Café-Bar para falarmos de trabalho, disto e daquilo, e que já me pegou a mania dos queques, quentes e deliciosos, a acompanhar o café!
A minha vida ficaria infinitamente mais pobre sem ela...

Por isso, encontro para a bica... amanhã?

Citação



Peixe Invisível a Preto e Branco e a Cores - Nouakchott - Mauritânia
Fotografias de Artur Matias de Magalhães

Citação

"On peut voyager, non pour se fuir, chose impossible, mais pour se trouver."
Jean Grenier

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Céu Costa


Home - Sahara - Líbia
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Céu Costa

Acabadinha de chegar do Café-Bar, onde tomei café com algumas amigas, apeteceu-me postar sobre uma personagem que aterrou há já muitos anos aqui em Amarante vinda directamente de Baião.
Conheci a Céu estávamos nós a leccionar na Educação de Adultos e fazíamos parte de uma extensa equipa que leccionava à noite, por montes e vales, nas escolas primárias no nosso concelho e concelhos limítrofes. Éramos conhecidas depreciativamente pelo "amoroso" nome de "Meninas do Canito" sendo que o Canito era o nosso chefe. Mas nós até gozávamos com a situação e foram tempos de diversão e trabalho associados a uma juventude inquieta, onde eu, já casada e mãe de filha seria uma carta fora do baralho se não fosse como sou. Assim sendo, participei em todos os jantares, em todas as saídas nocturnas, em todas as idas à discoteca com números sincronizados no varandim da Dona Loba e tudo! Por isso o meu contacto com a Céu vem de longe, de outros carnavais! A Céu casou com o Paulo Costa, rapaz ajuizado natural de Amarante e o nosso contacto foi-se estreitando. Continua uma rapariga amorosa, leal, decente, pacata, um pouco tímida até... como cantava a Madalena Iglésias quando eu era miúda! Durante este último Inverno não nos vimos muito... ela e eu ocupadas com assuntos diversos e vidas não convergentes. Mas lembro-me frequentemente dela e de como ela tem uma faceta oposta à minha e tão parecida com uma da minha mãe... os medos!
Escandalizo-a frequentemente com os sítios para onde vou de férias e sei que a deixo preocupada... por isso é a ela que eu mando mensagens, quando estou no topo do mundo, em dunas enormescas onde me aquieto. Às vezes em árabe, o que a deixa tranquilizada e a rir por não perceber patavina do que lá está escrito mas por saber que estou bem.
Estava eu em Espanha, com a rapaziada de História, quando recebi uma mensagem familiar "Vais ao café?" Pois não podia...se estava em Espanha!! Estava eu em Moledo, com a Joana, quando recebi outra mensagem familiar "Vais ao café?" Pois não podia... se estava em Moledo!!!
Hoje foi dia de conversarmos ... blá, blá, blá... conversas de mulherio... e foi tempo de ela me informar que gosta muito deste blogue e que o segue cuidadosamente e que já leu todos os "posts", (heroína, que eles são já quase 300!) e que até já aconselhou este blogue à sua filha Mafalda, que tem agora 14 aninhos e está uma belíssima rapariga. Fiquei contente... fiquei mesmo feliz ainda por cima porque ela me disse a rir "Uma coisa é certa, quando passo pelo teu blogue fico sempre bem disposta!"
E riu-se de eu me postar sem cabeça!
E eu gostaria de lhe fazer o mesmo mas nem sei se tenho fotografias dela... de qualquer modo teria que ir procurar ao meu arquivo muito morto e agora não estou para aí virada.
Mas continuo a amar fazê-la rir e continuo a amar deixá-la perplexa a pensar que sou eu que desencaminho o Artur para sítios esquisitos e perigosos onde ele não iria sem mim. O que o deixa perplexo a ele!
É Céu, somos ambos cartas do mesmo baralho, de um baralho chamado Escorpião!
E este ano não te devo deixar em sobressaltos... vou para a civilização... o que me deixa em sobressaltos a mim!

Pink Martini - Hey Eugene

Pink Martini - Hey Eugene

Hey, Eugénio... onde estás?

Hey, Paula... onde estás?

Lembram-se de mim?



Quase...

Aqui está um texto que circula via e-mail e que eu subscrevo na íntegra.

"Ainda pior que a convicção do não, é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase !
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no Outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "bom dia", quase que sussurrados. Sobra cobardia e falta coragem até para ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor. Mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Para os erros há perdão, para os fracassos, chance, para os amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando... Fazendo que planeando... Vivendo que esperando...
Porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu."

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Chuvita de Estrelas


Anoitecer - Barca - Serra da Aboboreira - Amarante- Portugal
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Chuvita de Estrelas

Lá fui assistir a mais uma impropriamente chamada "Chuva de Estrelas". É a segunda a que assisto, exactamente no mesmo sítio, ou seja, na Barca. E é a segunda vez que dou por mim a pensar que este fenómeno se deveria chamar de "Chuviscos de Estrelas" para que correspondesse mais fielmente ao fenómeno observado.
A coisa começou mal para mim nesta madrugada. Duas e meia arranquei eu para a Barca, mas eis que já me encontro a subir a Serra quando me ocorre um triste pensamento "Será que fechei mesmo a porta da garagem?" Não tenho este tipo de dúvidas frequentemente, mas quando tenho só há uma coisa a fazer - desfazê-las. E lá dou meia volta para chegar a casa e confirmar que, de facto, a porta estava fechada. Meia volta outra vez e de novo o mesmo percurso, desta vez até à Barca onde a Joana já dormia a sono solto. Três da manhã em ponto, investiguei o céu e vi imediatamente um meteoro. Explicado pelas poeiras cósmicas que são largadas pelos cometas este fenómeno impressionava sobremaneira os nossos antepassados, distantes que estavam da sua explicação científica. Lembro-me bem da minha avó Luzia me contar que, em miúda, viu as estrelas ficarem loucas no céu, num espectáculo que lhe pareceu aterrador!
Lá nos posicionámos na varanda, nuns pufs confortáveis que forneciam apoio e lá fomos perscrutando o céu mesmo por cima da nossa cabeça.
Recordei a "Chuva de Estrelas" de há uns anos, não me lembro quantos, quando combinamos e fomos em grupo para a Barca ver tão peculiar fenómeno: Paulo Fontoura, Paula Vaz, Cláudia Macário, Nininha Natal... e até o meu pai e a minha mãe, altas horas da madrugada, atacavam pão de cantos com manteiga que, pela madrugada dentro, nos pareceu delicioso. Sem pufs e sem casa, assistimos ao fenómeno em pleno Campo da Barca, num céu infinitamente mais bonito do que o de ontem, porque mais negro e contrastado. Lembrei-me de como seria bom assistir a isto de um qualquer deserto, sem interferência desta poluição luminosa que tudo dilui.
A "Chuva de Estrelas" foi, mais uma vez, uma "Chuvita de Estrelas", mas deu para conversar com a Joana, calmamente e sem interferências, sobre isto e sobre aquilo.
A noite começou azarada e acabou do mesmo modo. Já vinha na estrada a descer alegremente a serra ouvindo Dexys Midnight Runners quando vi um mocho estacionado no alcatrão. Já o tenho visto de outras vezes mas agora estava com a máquina fotográfica e vai daí toca a estacionar. Entretanto o mocho tinha, evidentemente, fugido. Lá vim até casa para descobrir que a minha Espace quase pegou fogo pois não baixei completamente o travão de mão e nem vi a luz, nem senti o carro a não andar nem coisíssima nenhuma!
Vai daí Espace na Renault!
Foi o que deu a "Chuvita de Estrelas"!
http://www.petitiononline.com/Dalila/petition.html

sábado, 11 de agosto de 2007

Dalila Rodrigues







Dalila Rodrigues


Não quero iniciar as minhas férias sem falar de um problema que me anda a incomodar sobremaneira e que é todo este caso surpreendente criado à volta de Dalila Rodrigues.

Tomei contacto com a situação que envolve Dalila Rodrigues através de um noticiário de um qualquer canal televisivo que sintonizei por acaso.

Já cheguei a uma idade em que não tenho muita pachorra para chover no molhado e assistir a novelas intermináveis à volta de pseudo notícias bombásticas que nunca o foram. Protejo-me o mais possível do lixo que nos entra pela casa dentro através da caixinha que mudou o mundo, mas é claro que tenho consciência de que, em plena sociedade da informação, é praticamente impossível mantermo-nos alheados da situação do país e do mundo... e nem isso seria desejável! Por isso aqui vai o meu "post" sobre Dalila Rodrigues.

Conheci Dalila Rodrigues no ano de 1999, leccionava eu na Escola Secundária do Marco de Canaveses, quando me inscrevi e frequentei um curso de História de Arte, com a duração de uma semana, ministrado por esta Senhora que à data era, para mim, uma perfeita desconhecida.

A primeira impressão, física, não podia ter sido melhor... uma Mulher belíssima, de longos cabelos compridos, muito elegante, mas duma elegância natural que sobressairia em qualquer lugar. Dalila Rodrigues revelar-se-ia ainda, durante aquela breve semana, uma Mulher gentil, simpática, muito entusiasmada e, acima de tudo, muito competente, que nos ia leccionando as matérias com um entusiasmo e paixão contagiantes. Uma Mulher viva, activa, determinada, que ama e se entrega por inteiro às actividades em que está envolvida.

Acompanho o percurso de Dalila Rodrigues desde então. Primeiro como directora do Museu Grão Vasco, em Viseu, que tive oportunidade de revisitar em 2006, já depois das obras de restauro, projectadas pelo arquitecto Eduardo Souto de Moura, que transformaram um museu decrépito num museu espantosamente bonito e humano. E, ultimamente, tenho-a acompanhado como directora do Museu Nacional de Arte Antiga onde ainda hoje faz um trabalho espantoso, competente e rigoroso! Um trabalho que tem os dias contados! É claro que é um acompanhamento feito à distância, à distância, mas com um enorme carinho e admiração da minha parte por esta Mulher que tenho orgulho de ter conhecido e de com ela ter privado durante uma breve, mas enriquecedora, semana.

Soube então há dias que um qualquer director do Instituto dos Museus e Conservação, de que a História não guardará o nome a não ser por estar associado em má hora ao nome desta Senhora, encarregou-se de transmitir a Dalila Rodrigues que ela não será reconduzida no cargo que ainda ocupará até ao dia 1 de Setembro. Pecado cometido por Dalila Rodrigues e elogiado por este senhor... ser competente!

País que me envergonha este! E que dá sinais contraditórios aos seus cidadãos!

O Estado, por um lado, apregoa aos sete ventos que nós professores devemos contribuir para formarmos cidadãos competentes e com capacidade crítica... blá, blá, blá... mas por outro é este mesmo Estado que dá sinais contraditórios a um país amedrontado e cada vez mais pobre e que tem consciência de que, pelo sim pelo não, será melhor estar calado!

É suposto as pessoas terem cérebro e Dalila Rodrigues é uma Mulher que tem cérebro... e dentro do cérebro é suposto existirem neurónios... e o cérebro de Dalila Rodrigues tem neurónios ... onde é suposto formular-se o pensamento e... Grande pecado! Dalila Rodrigues pensa!

Interessa que Dalila Rodrigues tenha quadruplicado as receitas do Museu Nacional de Arte Antiga? Interessa que as entradas neste museu tenham mais do que duplicado? Interessa que Dalila Rodrigues tenha reorganizado as obras em reserva deste museu dando-as a conhecer ao grande público? Interessa que graças a Dalila Rodrigues exista agora um mecenas do Museu Nacional de Arte Antiga tão importante como o Millenniumbcp? Interessa que Dalila Rodrigues tenha posto este museu no mapa levando tantos portugueses a reconciliarem-se com ele? Interessa que Dalila Rodrigues seja uma pessoa séria e competente?

Pois não interessa. Na hora da verdade nada disto conta para o Estado!

Mas que raio de país é este que se dá ao luxo de eliminar as suas elites? Que raio de políticos são estes que nos governam? Que raio de funcionários do Estado são estes que se prestam a estes papéis?

E eu ia perguntar "Que raio de país de caca é este ?" mas acho que fica muito suave no meu blogue e não espelha a fúria interior em que me encontro e o meu desapontamento face a um país que eu amo e é o meu. Por isso reformulo a pergunta...

Mas que raio de país de merda é este que desperdiça os seus melhores talentos?

Paula Coutinho e Eugénio Queiróz


Dakla - Sahara Ocidental
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Paula Coutinho e Eugénio Queiroz

Conheci a Paula Coutinho no primeiro ano em que leccionei na Escola Secundária de Marco de Canavezes onde a Paula já estava efectiva. Em escolas grandes, é um bem precioso quando ao fim de um ano se deixa boas amizades... foi o caso da Paula. Professora de Geografia, era uma das minhas companheiras na sala de fumadores, muito embora ela o nunca tenha sido, gente muito mais divertida do que a que frequentava a sala de não-fumadores. Noite e dia demos ali boas gargalhadas à volta de uma mesa grande, rectangular, onde me juntava ao impagável João Lima, à Júlia (já aqui falei sobre ela e recordo só que foi aquela rapariga, professora de Filosofia, que desatou num choro convulsivo abraçada a mim, aquando da nossa estadia no deserto líbio), à Elisabete, ao João Coutinho, ao Alfredo, ao Nocas, à Paula Dias, à Rosário e ao Sérgio... e a tantos outros que partilharam comigo tantos e tantos intervalos e trabalhos vários. Escola boa, aonde eu haveria de regressar por mais dois anos lectivos, para consolidar algumas amizades.
Entretanto a Paula, solteira à época, casou com o Eugénio e um dia telefonou-me, algures pelos anos 90. Queria vir falar comigo sobre Marrocos, tão propagandeado por mim a tanta gente. Lá vieram, ela e o Eugénio, e falámos sobre Marrocos, país que eles não conheciam e para onde iam nesse Verão, os dois, de carro. Queriam dicas sobre o que fazer, o que ver, segurança, hotéis, restaurantes... o costume.
Adoraram Marrocos, ficaram mesmo viciados, tal como já nos acontecera alguns anos antes, e a partir daí contam-se pelos dedos de uma mão as vezes em que não fomos juntos a Marrocos... pelo menos uma vez ao ano, às vezes duas e, mais raramente, até três! E fomos à Jordânia juntos, e à Líbia, e à Mauritânia ... e este ano, se tudo tivesse corrido com normalidade na minha vida, hoje não estaria em S. Gonçalo a fazer este post! Estaria em Moscovo, com eles que partiram ontem de Lisboa, às cinco da tarde, para fazer o Transiberiano e finalmente entrar deserto de Gobi adentro, e que passarão por Pequim e acabarão as suas férias em Hong-Kong, mesmo no final de Agosto!
Mas este ano foi um ano completamente anormal para mim... e esta anormalidade entrou-me pelas férias dentro impedindo-me de planear e marcar uma viagem complicada que não se compadece com horas de nascimento de filhos de funcionários da farmácia. A criança, entretanto nasceu e está de boa saúde, mas o pai só regressa ao seu posto de trabalho no dia 15. E lá se foram umas férias que são complicadas de planear e de fazer.
Foi por isso que eu fiquei de pés e mãos atadas não podendo planear nada e restando-me agora partir para Norte, com o A., sem a miragem de encontrar um qualquer deserto à nossa espera, acolhedor e quente, onde nos possamos sentar no topo de uma duna e, em silêncio, contemplar, e ouvir, esse mesmo silêncio.
Pois é, A., vamos para o ruído do Norte!
Pois é, A., vamos sem destino para a "civilização"!
E Paula e Eugénio, se tiverem oportunidade de ler este post numa viagem tão atribulada, aqui vos deixo beijos enormescos e desejos públicos de que tudo corra bem.
Aguardo a vossa chegada, e as vossas histórias, para ouvir quase com o entusiasmo de quem nelas participou!!!

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Lamb - Gabriel

Lamb - Gabriel

Um anjo impossível que atravessa religiões!!! Já falei dele neste blogue!
Amo ele! Porque ele não pertence a um povo, a uma religião... e é de quem o apanhar!!!



Lamb - Gabriel

i can fly
but I want his wings
i can shine even in the darkness
but I crave the light that he brings
revel in the songs that he sings
my angel gabriel
i can love
but I need his heart
i am strong even on my own
but from him I never want to part
he's been there since the very start
my angel gabriel
my angel gabriel
bless the day he came to be
angel's wings carried him to me
heavenly
i can fly
but I want his wings
i can shine even in the darkness
but I crave the light that he brings
revel in the songs that he sings
my angel gabriel
my angel gabriel
my angel gabriel

Rodrigo




Luta de Chinelos na Praia de Moledo - Portugal
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Rodrigo

O Rodrigo é mais um dos meus sobrinhos postiços. Filho do Miguel e da Cláudia, tem agora cinco anos. Já falei inúmeras vezes sobre ele, aqui neste blogue, e agora está na hora de escrever um "post" só para ele.

O Rodrigo é muito expressivo, muito perspicaz e inteligente e é dono de um sentido de humor que eu aprecio muito. E é assim desde pequenino. Se eu tivesse que o definir em três palavras diria que o Rodrigo é um grandessíssimo postal ilustrado!

Recordo-o muito pequenino, na primeira vez que foi comer a minha casa, a devorar um enorme cacho de uvas o que me deixou algo apreensiva e preocupada e me fez telefonar à Cláudia. É que o tipo não parava e dizia sempre que queria mais! Achamos por bem ficar por ali não fossem os seus pequeninos intestinos reagirem mal a tão lauta sobremesa.
E recordo-o, com cerca de dois anos, sentado ao meu lado, no sofá preto da minha sala, perna cruzada, imitando-me, a ver comigo o noticiário das oito. De vez enquanto olhava para ele de rabo de olho mas ele continuava impávido e sereno concentrado nas notícias, sem se mover, parecendo que acompanhava o noticiário com o interesse de quem já tem voto na matéria!

O Rodrigo é visita frequente da minha casa. Amiúde a Joana vai buscá-lo para jantar e lá vem ele todo contente.
As caras que ele me faz sempre que lhe digo um disparate são impossíveis de descrever... serão talvez um misto de cara de mauzão e riso, riso frequentemente impossível de disfarçar e impossível de suster... a querer fazer cara de mau lá rebenta ele numa gargalhada! Já o disse e repito: o Rodrigo é muito expressivo e as caras de zangado, perplexo, furioso, divertido e malandreco que só ele sabe fazer são absolutamente únicas!
Aqui em casa basta-me levantar os braços e atirar-lhe um "Vou-te apanhar!" para desencadear nele uma reacção que vai das gargalhadas descontroladas à fuga a sete pés tentando escapar a esta tia que já tinha idade para ter juízo! A cena continua a arrancar gargalhadas à Joana que observa frequentemente estes procedimentos abanando a cabeça de um lado para o outro! E esta cena faz-me desatar também numa risota pois às vezes basta só abrir e fechar as mãos em direcção ao Rodrigo, e rir-me com ar suspeito, enquanto pronuncio as palavras mágicas "Vou-te apanhar!"... e lá vai ele a correr e a rir descontroladamente!
As lutas simuladas entre nós também são uma constante, tal como o foram entre mim e a Joana, durante sua infância. As da praia, de chinelos na mão servindo de armas, são só uma variante que eu lhe ensinei, de um divertimento que já arrancou muitas gargalhadas à Joana e agora arranca ao Rodrigo.

Um dia pelo S. João, almoço de família muito alargada em casa da avó Olívia, teria ele uns três anos, zangou-se comigo. Havia um manjerico com uma quadra e eu inspirada num cabrito toca de inventar uma quadra dedicada ao Rodrigo..."Ó meu rico S. João... não sei mais o quê, não sei mais o quê...O Rodrigo é um panão"! Bem, fez-se silêncio à mesa, tudo a apreciar a cena... o Rodrigo faz cara de mau e lança-me um "A tia é maluquinha..." hesita, cara ainda mais embufada, estica o dedo na minha direcção e completa o raciocínio, furioso..."e pava!"

Estas férias a Joana ensinou-o a comer massa com pimento e tomate crus o que acabou por se revelar uma tarefa fácil. Disse-lhe que era massa à Portugal e que era o que os jogadores da nossa selecção comiam para ficarem poderosos e assim poderem ganhar os jogos. Eu usei o mesmo argumento para o convencer a comer sopa de legumes por passar, pela primeira vez na sua vida.
Mas também não é todos os dias que ele se pode dar ao luxo de comer uma belíssima sopa de vagem feita por esta tia. Descobriu que até tem piada trincar os legumes e saboreá-los "comme il faut!"

Fácil fácil dar a volta a uma criança... tem é que ser com jeito... jeito que também deve ser aplicado quando queremos dar a volta a um adulto... ou não será?

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Ainda Moledo do Minho



Praia de Moledo - Portugal
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Ainda Moledo do Minho

Os dias aqui escoam-se com toda a tranquilidade e sossego.
Ontem foi noite de partilhar uma excelente sardinhada em casa dos M. A casa, situada na aldeia de Moledo, era-me familiar, não só porque lhe recordava bem os pátios interiores da única vez que a visitei, ainda durante a construção, mas também porque é um espaço bem esgalhado do meu arquitecto amarantino preferido, o arquitecto Rolando Torgo. Casas práticas e confortáveis onde as famílias se instalam em três tempos e onde frequentemente temos a sensação de habitar casas de férias... casas que estão ao nosso dispor, casas que estão lá para nos servir e não o contrário!! Adoro o conceito, que também é meu, onde me sinto como peixinho dentro de água.
O Rodrigo continuou a dormir em casa da avó O., comigo e com a J., e ontem desligou mesmo o telemóvel na cara da mãe "Se me queres ver, vem tu cá a casa!
A manhã foi passada em longo passeio pela praia com a C. e o Rodrigo que chegou à toalha estafado. Descobri agora a forma de o cansar... é que ensinei-lhe a luta de chinelos e ele agora não quer outra coisa e pensa que eu tenho a idade dele!!! Até a J., a G. e a C. já foram convocadas para intermináveis lutas de chinelos que se arrastam pela praia de Moledo durante horas sem fim!
Oportunidade para observar, com agrado, as mulheres do Norte, tradicionalmente mais complicadas que as do Sul, dentro de calções minúsculos, esparramadas na areia.
Oportunidade para recordar a imagem inesquecível das mulheres da Póvoa do Varzim, vestidas de preto integral, a entrarem na água com as suas longas saias que se enchiam de ar, parecendo balões!
É, aquilo que foi ontem válido não o é hoje. As mentalidades alteram-se e isso é bom!
De resto a praia continua a ser uma praia típica do Norte, com barracas e famílias alargadas de filhos, pais e avós, mas as mulheres não são mais as mesmas e mudaram neste Portugal que era tão tradicionalista e retrógrado e que está agora mais desenvolto e livre.
Entretanto o tempo de praia, por ora, está a acabar e amanhã já escutarei os meus famosos sinos de S. Gonçalo. Em S. Gonçalo!

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Recolecção


Conchas e Algas - Praia de Moledo - Portugal
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Recolecção

Já se está a tornar um hábito: apesar de nos deitarmos cedo, não conseguimos acordar antes das 10 da manhã. Apesar de todos os projectos de ida para a praia antes das nove, feitos na noite anterior, a verdade é que nada funciona. Nem mesmo hoje, com um despertador que passou lá a noite, chamado Rodrigo, que frequentemente acorda às seis da manhã! A verdade é que só acordamos com o telefonema da Cláudia já muito perto das 10 horas.
Descanso bom e merecido, depois de um ano complicado e dum fim-de-semana esgotante.
O tempo continua bom e com um pouco de vento que ajuda a tolerar o sol.
A minha pele de sapo continua a não se ressentir do sol a rodos que sobre ela se abate. Gosto de sentir o sol a aquecer-me a pele e de a sentir ficar cada vez mais escura - adoro ser morena, muito embora às vezes, com o cansaço, me sinta um bocado "loirita"!!! E esta minha característica é outra das coisas que me liga profundamente ao Sul, ao sul das peles morenas e negras que eu amo!
Bom, mas por ora estou no Norte e devo dizer que as manhãs, em Moledo, são aproveitadas para caminhar na praia. Adoro caminhar pela praia e apanhar conchas e corais. Aqui só há conchas de mexilhões, de lapas e de búzios pequeninos. E há sargaço espalhado pela praia. O que me remete para as minhas memórias de infância.
A minha avó Luzia tinha uma caixinha cheia de beijinhos apanhados na praia que em miúda me deixava fascinada! E eu, desde que me lembro, apanho conchas, corais e mesmo pedras e algas esquisitas, que levo para casa, e que uso nas decorações dos lavatórios e banheiras e que frequentemente dou às minhas amigas e amigos quando estes precisam para o mesmo fim.
Eles conhecem esta minha faceta recolectora.
E não é só na praia que eu viro recolectora. Também na Aboboreira apanho pedras, pelos campos e pelos montes, que depois uso nos muros e nos caminhos da Barca. E apanho pinhas, que não uso, e que dou aos meus amigos. E no deserto apanho areia de todas as cores, em garrafas pequenas ou grandes, que transporto religiosamente até casa e que frequentemente ofereço aos meus amigos que nunca tiveram o privilégio de pisar as areias do Sahara!
Se eu acreditasse na reencarnação diria que, noutra vida muito longínqua, provavelmente no Paleolítico, fui certamente uma mulher recolectora. E que continuo com estas memórias gravadas algures nos meus genes que me impelem desde sempre para a recolha daquilo que a Natureza coloca ao meu dispor e que eu acho belo, belo!
E sou recolectora desde que me lembro!

terça-feira, 7 de agosto de 2007



Praia de Moledo - Portugal
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Moledo

Lá me decidi, finalmente, a aproveitar o apartamento da minha sogra, a dois passinhos da famosa praia de Moledo.
Cheguei ontem, ao fim da tarde, com a Joana, e vi o caso mal parado... sol, mas uma ventania que tudo levava pelo ar! É o Norte, carago, no seu melhor, pensei! E eu, desabituada que estou a vir para as praias do Norte, nem um mísero casaquito trouxe.
Fomos imediatamente buscar o meu sobrinho Rodrigo que está com a Cláudia e o Francisquinho, em casa dos avós Montenegro. É que ele já não se calou a partir do momento em que soube que tínhamos chegado... queria rever a prima e a tia predilectas... principalmente esta tia que, segundo ele, é a tia que ele mais adora "porque fazes muitas traquinices!" disse-me ele a rir, um dia destes.
Fizemos o jantar, que eu não estraguei, e jantamos em família: eu, a Joana, a Cláudia, o Rodrigo e o Francisquinho.
E hoje foi outro dia. Manhã boa boa, de praia. Sol a rodos, vento q.b. e oportunidade de mergulhar nas minhas memórias de infância, das férias de um mês passadas em família, com barraca alugada na Póvoa do Varzim, em Espinho ou na Praia dos Ingleses.
Pois em Moledo as famílias continuam a fazer férias à moda antiga com jogos de raquetas na praia, brincadeiras de crianças com forminhas, baldes e castelos construídos de areia que me remeteram para a minha infância.
Manhã boa, de praia, que vai continuar mais ao fim da tarde.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Fadinha do Lar à Vista


A minha fadinha do lar apareceu, vinda directamente do Posto Médico onde faz os curativos. Parece que a coisa está a evoluir devagar, mas bem, e já veio trabalhar, devagarinho, nada de correrias, que o braço esquerdo ainda está empandeiretado.
Disse-me que está cheia de estar em casa e que vai fazendo o serviço mais leve.
Por mim está muito bem... assim vou mais descansada... descansar!

domingo, 5 de agosto de 2007



Pôr-do-sol - Home - Barca - Carvalho de rei - Amarante
Fotografias de Artur Matias de Magalhães

Fim-de-Semana

Este foi sem dúvida um fim-de-semana diferente e não o devo repetir muitas vezes sob pena de cair para o lado de exaustão.
A minha fadinha do lar, atacada que foi por um cão, continua em convalescença e, por isso, nada de Dores para ninguém. Bem sei que me pirei daqui durante três dias e deixei a Joana a orientar a casa e o pai (coitados, os homens precisam sempre da orientação duma mulher!), mas a verdade é que o calor durante o último dia do passeio arrumou comigo e fez-me chegar a casa, na sexta-feira, muito cansada e apenas com tempo de tomar um duche e marchar para os anos da minha sobrinha Inês que fazia dezanove aninhos... uma beleza!
E no sábado foi dia de ficar com o João, agora quase com dois meses. Estava combinado entre mim e os meus cunhados... dia de aniversário da Mónica seria dia de farra ... para eles! A minha farra foi bem diferente com o aniversário da minha tia Julieta pelo meio, comemorado com jantarada na Barca! Setenta e seis anos é obra para esta irmã da minha mãe que sendo mais velha lhe sobreviveu e que era a sua irmã preferida.
E a minha farra prolongou-se pela noite dentro entre fraldas e biberões!!! Manhã cedo passei o embrulho ao Artur e dormi consolada até à uma hora.
O João continua a crescer a bom ritmo e agora palra e ri a torto e a direito e passa já muito mais tempo acordado. A Joana e o Artur passaram o tempo à volta dele adorando-o como se ele fosse o menino Jesus! É que ele está um amor de menino, lindo e simpático, e muito parecido com o João pai!
Claro que não houve caminhos nem muros da Barca que me tivessem posto a vista em cima durante todo o dia...
E o que vale é que me vou pirar de novo...

sábado, 4 de agosto de 2007

Reencontro com a História



Rio Minho Visto de Stª Tecla - Espanha
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Rapaziada - Mosteiro de Fiães - Minho - Portugal
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Rio Minho - Orense - Espanha
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães


Catedral e Praça Maior - Orense - Espanha
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães
Praça e Muralhas Romanas - Lugo - Espanha
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Sexto Reencontro com a História
Eis-me chegada do passeio à bacia do rio Minho que incluiu visitas a terras de Portugal e de Espanha. Este passeio é o sexto organizado pelo grupo de História da ESA e está inscrito no Plano Anual de Actividades da Escola Secundária de Amarante.
Devo dizer que é a primeira vez que participo nesta actividade já que nos outros anos me foi impossível ir. No ano passado estava já por esta altura em pleno deserto da Mauritânia...
Bom mas este ano estava disponível e lá fui eu mais a rapaziada de História - Miguel, Toninho, Zé Maria e Zé Rui - que se revelaram uma boa companhia na passeata histórica. Não houve igreja aberta que não tivéssemos cuscado e agora vou andar aqui às voltas com quase setecentas fotografias de edifícios românicos, góticos, renascentistas e barrocos que me vão dar um jeitão para as minhas apresentações em PowerPoint. E foi este o principal objectivo, cumprido, da minha participação nesta viagem a Lugo, Orense, Tui, Melgaço, Monção, Vila Nova de Cerveira e Caminha.
E eu devo mesmo ter cara de moça... não é que ao segundo dia o Zé Maria chamou-me moça e a partir dali era vê-los ó moça para trás, ó moça para a frente!!!!
Ah! E daí derivaram mesmo para menina e moça o que também é agradável!
 
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