quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Tâmega - Um Paraíso Perdido?

 
Cianobactérias Loucas no Tâmega - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Tâmega - Um Paraíso Perdido?

A paisagem podia ser idílica... podia... água verde verdinha, vegetação luxuriante sombreando as margens de um rio, patinhos selvagens nadando livremente junto à penedia que outrora serviu lavadeiras muitas nas suas incursões ao rio, levando enormes alguidares nas cabeças pousados sobre rodilhas... e... e cianobactérias, que é o mesmo que dizer microrganismos unicelulares, procariontes e fotossintetizantes, também conhecidas pelo nome de algas azuis, que por estes dias proliferam loucas pelas águas de um rio determinante da identidade amarantina.
E o meu/teu/nosso rio continua assim... atolado delas/nelas... servindo de arma de arremesso entre gente alinhada à esquerda ou alinhada à direita... enfim, os dois lados dos partidos do chamado arco governativo.
Volto à carga - E se o rio, património de todos nós, habitantes planetários, servisse para nos unirmos na luta pela sua defesa?
Vai daí... eu voto Tâmega! E tu?

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Tâmega - Um Mimo de Rio

Os recortes foram feitos a imagens de vídeo captadas ontem
Imagens de Artur Freitas

Tâmega - Um Mimo de Rio

Lamento se hoje não faço um post fofinho cheio de flores. E também lamento, muito, que não me deixem fazê-lo.
Raio de rio... agora com eleições à porta a servir de arma de arremesso entre aqueles que já estiveram, que agora estão, que um dia hão-de estar. E se todos se unissem a uma só voz defendendo este mimo de rio agora putrefacto?
Quantos anos teremos nós, simples cidadãos, não desprovidos de visão e de olfacto, e não desprovidos de voz e de neurónios, de erguer a nossa indignação perante a inércia dos nossos governantes face a este problema que, ano após ano, se instala para nossa vergonha colectiva em tempos de governações mais à direita, mais ao centro, mais à esquerda?

E deixo-vos um mimo de rio eutrofizado... fenómeno muito bem documentado aqui no Tâmega, pelo menos desde 2008.

Em 2008.


Em 2009.







Em 2012.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Partilha - PPT - Reunião com Encarregados de Educação


Partilha - PPT - Reunião com Encarregados de Educação

Os meus leitores mais antigos sabem que eu fui alcunhada, em tempos que já lá vão, de Menina dos PowerPoints. Ora, fazendo justiça ao nome, é óbvio que tenho um guião que sigo, mais ou menos escrupulosamente, durante a primeira reunião com os encarregados de educação, cujo conteúdo é composto de regras a cumprir, colaborações a prestar, enfim, orientações e informações gerais que cada escola ou agrupamento definem como de abordagem obrigatória ou aconselhável.
É evidente que este PPT foi realizado por mim estando, por isso, adaptado à realidade do meu agrupamento. Este ano lectivo já mo pediram para o e-mail mas eu, empandeiretada da minha mão direita e a teclar com esforço com a esquerda, vou optar por partilhá-lo na minha página de recursos, sem qualquer codificação... o que quer dizer que podem alterar o que muito bem entenderem, ok? Para isso, façam o download do documento para uma pen, disco externo, ambiente de trabalho... abram o PPT e activem a edição. E pronto, podem alterar o que acharem por bem.
Pedia-vos somente um pequeno feedback da coisa, se tiverem tempo, se estiverem para aí virados, ok?
Grata desde já. E cliquem aqui.

domingo, 10 de setembro de 2017

Eleições Autárquicas - E o Meu Voto Vai...

Chega de Barragens no Tâmega! S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de diferentes Artures

Eleições Autárquicas - E o Meu Voto Vai...

E o meu voto vai... vai para o Tâmega!
Um orgulho poder estar ao pé desta gente que mexe o rabo e vem de Lisboa lutar pelo que nos molha os pés.
Quanto aos políticos locais, que disputam os diversos cargos em jogo nas próximas eleições autárquicas, parece que são todos contra a construção de mais barragens no Tâmega e que estão dispostos a lutar com unhas e dentes contra a sua construção... disseram-me.
O que me deixa deveras descansada... ou talvez não.


Aos Meus Alunos

Selfies - Baile de Finalistas - E. B. 2/3 de Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Aos Meus Alunos

O texto que agora escrevo é inteiramente dedicado aos meus alunos, aos alunos que foram meus um dia e que, há seis anos atrás, entraram na Sala de Aula de História, tão lindos e tão pequeninos, para me ouvirem falar de dunas gigantescas que constituem metáforas dos desafios que todos nós vamos tendo que ultrapassar ao longo das nossas vidas.

E eis que o grande dia chegou! Hoje, minhas lindas e meus lindos, chegaram ao cimo de uma duna gigantesca que vos demorou três anos lectivos inteirinhos a subir, e que vos deu uma trabalheira do catano! Eu disse-vos que ia ser assim. Mas também vos falei do prazer da subida difícil, da conquista saboreada passo a passo, da felicidade alcançada no topo da gigante quando se olha à volta e se descortinam novas dunas para trepar... sem fim...
Hoje, percorrendo o facebook senti um imenso orgulho por vos ter podido acompanhar muito de perto durante três anos, numa idade em que o crescimento é rápido, constante e se faz, quantas vezes! de pinotes de difícil digestão.
Hoje, depois desta etapa cumprida, desejo-vos toda a felicidade do mundo para a nova que agora se inicia. Uns/umas partirão para Braga, outros/as para Lisboa, outros/as para o Porto... e nós cá permaneceremos no burgo que é nosso... e que será para sempre vosso também. Não se esqueçam.

E beijo enorme para todas e para todos! 
Parti! Estais bem preparados. Sejam felizes.

sábado, 9 de setembro de 2017

Eutrofização do Tâmega

Eutrofização do Tâmega - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Eutrofização do Tâmega

O que é? O que é? O que é?

É o que acontece no Tâmega, quase todos os anos, no final de cada Verão, visível a olho nu até para um qualquer político cegueta e que o deixa desta cor gira.

Quem salva o Tâmega? Eles?! Eles que deviam comer este caldo verde às colheradas até este rio estar límpido e transparente?

Agrupamento de Escolas de Amarante - Segurança

Segurança - E. B. 2/3 de Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Agrupamento de Escolas de Amarante - Segurança

Quando pensamos no início de um novo ano lectivo, com tudo o que isso implica, ocorrem-nos de imediato imagens de trabalhos muitos à volta de papelada diversa e variada, seja ela física ou virtual, mas sempre feita de muitas actas, grelhas e mais grelhinhas, planificações assim e assado, testes de diagnóstico para trás e para a frente, documentos preenchidos mais ou menos rapidamente, análises de dados disto e daquilo, preparação da recepção aos alunos e respectivos encarregados de educação, formações recebidas e partilhadas... e eu sei lá mais o quê de trabalho burocrático, o pior!, onde, por vezes, alguns muitos se enredam, quantas vezes fazendo literalmente chover sobre aquilo que já está molhado.
Não é o caso do assunto que vos trago hoje. É que, para além das preocupações pedagógicas, administrativas, sociais, afectivas, emocionais... as instituições educativas, nas pessoas que as dirigem, devem zelar pela segurança de toda a comunidade educativa, constituída por alunos, professores, outros técnicos especializados, assistentes operacionais.
A sede do agrupamento onde trabalho está inserida num espaço verde amplo e arejado que, de quando em vez, precisa de uma tosquia para que este espaço verde não se volte contra nós.
Por isso, o Agrupamento de Escolas de Amarante continua a cuidar da segurança da comunidade educativa que lhe sopra a Vida. E fá-lo há mais de trinta anos.
Ora vamos lá! Um, dois, três... partida!

Nota - A retirada do amianto, dependente da tutela, ainda vai ter de esperar. Um asco.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Ano Lectivo 2017/2018 - Desejos

Camélias do meu jardim - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Ano Lectivo 2017/2018 - Desejos

O ano lectivo 2017/2018 foi oficialmente aberto hoje, ao primeiro tempo da manhã... mesmo se hoje ainda não foi, para mim, o dia de todos os reencontros entre colegas, que ocorrem sempre aquando da primeira reunião geral... que ainda vai ter de esperar. Mas o pontapé de saída está já dado e o serviço, muito, próprio de um ano lectivo que agora se inicia, avizinha-se feito de muitas reuniões de trabalho preparando tudo convenientemente para recebermos os nossos alunos de braços abertos depois deste interregno muito mais do que merecido por todas as pessoas integram a comunidade educativa de cada escola não agrupada, de cada agrupamento existentes neste país.
Hoje é dia de exprimir desejos. E o meu desejo maior é que este ano lectivo que hoje começa nos seja leve. E quando digo leve... digo feliz, com tudo quanto isso implica - muito trabalho, muita dedicação, muita determinação, muita resiliência, muita paixão, muita curiosidade, muito entusiasmo, muita criatividade, muita paciência, muito arrojo... tudo predicados que devem estar presentes, nas doses necessárias e certas, na vida dos professores. E na vida dos alunos também.
Que possamos todos iniciar este ano com as expectativas em alta e que as consigamos manter em alta... independentemente das tropelias inventadas na 5 de Outubro.
Bom ano lectivo! Votos de bom trabalho a todos!

E a pensar nas minhas/nossas perdas que inevitavelmente se vão acumulando ao longo dos anos... To build a Home... tarefa de Uma Vida, tarefa de Muitas Vidas...

To build a Home

There is a house built out of stone
Wooden floors, walls and window sills
Tables and chairs worn by all of the dust
This is a place where I don't feel alone
This is a place where I feel at home

Cause, I built a home
For you
For me

Until it disappeared
From me
From you

And now, it's time to leave and turn to dust

Out in the garden where we planted the seeds
There is a tree as old as me
Branches were sewn by the color of green
Ground had arose and passed it's knees

By the cracks of the skin I climbed to the top
I climbed the tree to see the world
When the gusts came around to blow me down
I held on as tightly as you held onto me
I held on as tightly as you held onto me

Cause, I built a home
For you
For me

Until it disappeared
From me
From you

And now, it's time to leave and turn to dust

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Perda

Jardineiro - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Perda

Foi sendo meu vizinho ao longo dos anos... primeiro na margem esquerda do rio, eu a viver no sopé da encosta e ele pendurado em casa bela e discreta, lá mais para cima, quase quase no topo do mundo, amarantino, está bom de ver... depois foi tempo de nos mudarmos para esta rua que será para sempre minha e dele.
Rapaz sensível, calmo, ponderado, amigo do seu amigo, preocupado com o bem-estar dos que o rodeavam, sempre de sorriso fácil, voz doce e piada pronta, tomava conta da parte de baixo da nossa rua... enquanto eu tomava conta da alta.
Era meu Vizinho. Era meu Amigo. E deixou-nos a todos, por aqui, incomparavelmente mais pobres.

Nota - Raio de impreparação para a aceitação do óbvio - Somos Universo, certo?
Então, com Ele nos fundiremos... e isto é inevitável.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

João Justino Alves


João Justino Alves

Hoje recordo-o... sempre sempre cheio de projectos, de ideias fervilhando dentro da sua cabeça que exteriorizava em palavras medidas e  mergulhos em tintas que eram só dele e que soltavam fragrâncias de cheiros emanados de tubos de óleos que ele espatulava como ninguém. E recordo os risos, as piadas, os beijos e os abraços, os gestos carinhosos e largos, a postura única, a maravilhosa voz, as conversas sempre interessantes girando à volta de múltiplas formas, girando à volta de múltiplos espaços projectados no futuro, esperando materialização.
Há pessoas que deixam buracos. O João deixou um buracão. Ainda aberto.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Erasmus +

Escola Europass - Florença - Itália
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Erasmus +

Confesso que foi a combinação perfeita. O curso, “There’s an App for That! Exploring the Best Apps for Teaching and Student Learning, que frequentei juntamente com mais duas colegas da minha escolinha durante uma semana de trabalho muitíssimo intenso e agradável na belíssima Florença, na Europass Teacher Academy, não podia ter sido mais proveitoso leccionado que foi por professor espanhol a dominar na perfeição a língua inglesa e que se fez entender perfeitamente junto dos seus alunos/professores de muitas e diferentes nacionalidades.
O ambiente em sala de aula foi sempre descontraído, as aplicações abordadas interessantíssimas, as risadas frequentes... sim... é verdade... eu andei a fazer de Branca de Neve perdida no meio da floresta... que cena!... os trabalhos foram sendo realizados diariamente, a bom ritmo, imediatamente publicados e disponibilizados para todos quantos frequentavam o curso, em grupo privado aberto pelo Mario Román Portillo, o nosso maravilhoso professor espanhol de inglês, especialista em Educational Apps.
Foi a minha primeira experiência num programa de Erasmus +, programa que cruza gente de muitas nacionalidades, de diferentes etnias e culturas, de distintas formações e sensibilidades. E amei.
E quero mais. E por agora é só isto.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Erasmus +


Escola Europass - Florença - Itália
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Erasmus +

Confesso que foi a combinação perfeita. O curso, “There’s an App for That! Exploring the Best Apps for Teaching and Student Learning, que frequentei juntamente com mais duas colegas da minha escolinha durante uma semana de trabalho muitíssimo intenso e agradável na belíssima Florença, na Europass Teacher Academy, não podia ter sido mais proveitoso leccionado que foi por professor espanhol a dominar na perfeição a língua inglesa e que se fez entender perfeitamente junto dos seus alunos/professores de muitas e diferentes nacionalidades.
O ambiente em sala de aula foi sempre descontraído, as aplicações abordadas interessantíssimas, as risadas frequentes... sim... é verdade... eu andei a fazer de Branca de Neve perdida no meio da floresta... que cena!... os trabalhos foram sendo realizados diariamente, a bom ritmo, imediatamente publicados e disponibilizados para todos quantos frequentavam o curso, em grupo privado aberto pelo Mario Román Portillo, o nosso maravilhoso professor espanhol de inglês, especialista em Educational Apps.
Foi a minha primeira experiência num programa de Erasmus +, programa que cruza gente de muitas nacionalidades, de diferentes etnias e culturas, de distintas formações e sensibilidades. E amei.
E quero mais. E por agora é só isto.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Amarante


Amarante

Não precisa de apresentações.



Fiu Criativo Makeover


Fiu Criativo Makeover

O trabalho da Fiu Criativo Makeover vê-se! Agora na Zankiou Weddings.
Muitos parabéns aos três criativos - Joana Magalhães, Ana Luís Alves e Hugo Fonseca que dão o corpo ao manifesto num dia deveras especial para qualquer noiva... e noivo!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A Palavra a Luís Costa

Tarsila do Amaral, "Os operários", 1933

A Palavra a Luís Costa

Este post foi integralmente surripiado ao Luís Costa. Pela sua importância, transcrevo-o.

Todos os professores serão QM

Na última década, apesar da intensa e constante atividade crítica desenvolvida na blogosfera, a classe docente só tem perdido direitos, autoridade, respeito, autonomia, capacidade reivindicativa… enfim, VOZ. Concomitantemente, tem somado cargas de trabalho, atividades não docentes e expropriações sucessivas das suas áreas pedagógicas mais íntimas. Há, de facto, um “plano” para transformar os professores em meros executores de ordens e atividades, em meros aplicadores de conhecimentos e competências.
Neste acelerado processo de imbecilização e silenciamento da classe docente, tem ganho crescente relevo a voz dos diretores (ou, para ser mais rigoroso, daquele que diz que os representa, através da ANDAEP) e dos pais e encarregados de educação (ou melhor, daqueles que dizem que os representam, através da CONFAP). Não sei se é por ignorância ou por encomenda, a verdade é que, ultimamente, sempre que fala o Senhor Andaep a comunicação social toma-o como representante da opinião/vontade dos professores, como aconteceu com o bitaite dos dois semestres (uma hipálage ética e profissional, que consiste em atribuir ao ”objeto” qualidades de quem o possui). Os professores?! A ANDAEP (ou melhor, Filinto Lima) agora fala pelos professores?! Talvez ainda nem sequer represente a voz da maioria dos diretores e já o tomam como representante dos professores? Depois, entrevistam uma ou duas caras larocas e… toma lá mais uma sinédoque (tomar uma ínfima parte pelo todo silencioso e alheado): “os encarregados de educação querem isto, estão de acordo com aquilo”.  Até dos manuais fala um e outros sem que se faça ouvir uma única voz de quem com eles trabalha. É obra de vampiros, não é, Zeca?
Humor à parte, a realidade afigura-se miseravelmente triste para os professores. Já não têm voz praticamente nenhuma no quotidiano escolar e estão a assistir à emersão de outras figuras que, no palco reivindicativo, comunicacional e político, lhes estão a usurpar o espaço e a dignidade. A comunicação social, qual arauto acéfalo e subserviente, acrescenta decibéis a esta decadente sequela. E é neste quadro de devastação que, paulatina e discretamente, se vai instalando a logística da municipalização. Para os professores (logo, para os alunos) não podia surgir em pior conjuntura. Por vezes, até chego a pensar que certos mimos só exibem determinados temas na praça do pelourinho para nos desviarem do que se passa na porta do cavalo.
O Estado jamais abrirá mão do controlo científico, axiológico e político da escola. A tendência e os sinais dados apontam precisamente para o inverso (a desconcentração funcional deixa a tutela política mais livre para outros controlos). Portanto, para os municípios (ou regiões) sobrará sempre, e só, a gestão dos recursos materiais e humanos (com um ou outro arbítrio pedagógico, para brincar). Numa primeira fase (sonsa) os recursos materiais assumir-se-ão como quase exclusivos e perpétuos. Os professores, cândida e obedientemente, acreditarão e deixarão comprar. Numa fase posterior, tão subtil e manhosa como a mamã, os professores serão paulatinamente adicionados ao carrinho de compras dos municípios. É isto que o rosto dos tempos e o modus operandi político nos permitem prever.
A escassíssima capacidade reivindicativa de uma classe afónica dissipar-se-á completamente. Se, no presente, já temos outros a opinar e a decidir por nós, então, quando esses dias chegarem… O que agora está concentrado praticamente num só interlocutor decisório (o Ministério da Educação) fragmentar-se-á, diluindo e silenciando a nossa já miserável capacidade reivindicativa. Com o tempo, cada caso será um caso particular de um determinado município, o que, inevitavelmente, conduzirá ao alheamento e à indiferença geral. Os professores sentir-se-ão cada vez mais isolados, mais compartimentados, mais indefesos, mais incapacitados de reagir coletivamente, enquanto corpo. Os próprios sindicatos terão muito mais dificuldades na sua ação. A precaridade e a subalternidade dos professores roçará a indigência.
Catastrofista? Quando, em 2008, fiz uma leitura desta índole, os meus colegas de escola riram-se na minha cara e chamaram-me pessimista. Todavia, a realidade trouxe-nos tudo mais cedo e pior do que eu previa. Nesse tempo vindouro, os professores saberão o que é pertencer ao QM (Quadro de Município).
 
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