segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Memórias de Pascoaes

Mirante - Casa de Pascoaes - Gatão - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Memórias de Pascoaes

Memórias de Pascoaes, é certo, neste chão que foi dele um dia, nesta paisagem aberta e verde que lhe encheu o olhar, uma e outra vez, mas também memórias de um dia excelentemente passado entre amigos. Ah, dia bom em que nos esquecemos da Troika!...

domingo, 13 de novembro de 2011

A Palavra a Marinho Pinto


A Palavra a Marinho Pinto

"A senhora ministra da Justiça pode não gostar de mim e tem todo o direito, porque eu também não gosto dela"

Marinho Pinto

Amor com amor se paga, é certo. Mas... e depois?

O Euro Sobreviverá?

O Euro Sobreviverá?

Veremos. Mas que as perspectivas são pretas, lá isso são!
Leia aqui a opinião de Martin Wolf, Colunista do Financial Times.

GNR - 30 Anos

GNR - 30 Anos - Coliseu do Porto
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

GNR - 30 Anos

E como era imperdível... eheheh... não os perdi e fui ao Coliseu revisitar estes meninos que não via em palco há 25 anos.
Apesar do som estar particularmente mau, o concerto fez da noite uma noite excelentemente passada e pude comprovar que Rui Reininho continua a cantar com a sua voz de sempre, de que eu gosto particularmente, temas como Efectivamente, Morte ao Sol, Pronúncia do Norte, Dunas, Popless... e Quero veeer Portugaaal... na CEE... eheheh...
Até os comemos, não é Rui Reininho?
E sim, estamos pobretes... mas faremos tudo para continuar alegretes.
E aqui vos deixo uma Pronúncia do Norte... a nossa.

sábado, 12 de novembro de 2011

Primavera Árabe

Primavera Árabe

Liga Árabe suspende Síria e impõe sanções.

Aleluia! Aleluia! Aleluia!

Manifes de Hoje

Manifes de Hoje

180 mil na manif da Função Pública a quem deixo a minha solidariedade. Membros da PSP juntaram-se aos protestos e, pelos vistos, o policiamento foi forte.
Mais de 10 mil na manif dos militares onde se apela, para já, à calma.

E um dia isto acaba mal, até no país dos brandos costumes.

Portugal no Seu Pior




Portugal no Seu Pior

Sem comentários. Apenas agradecimentos ao Eugénio Queiróz.
Clique na imagem para ampliar.

Formação Creditada


Formação Creditada

O tema é interessantíssimo e haverá sessões no Porto e em Lisboa, entre outras.
Partilho a informação, a quem interessar.
A Lisboa Editora tem o prazer de apresentar o Curso de Formação Creditada História, Arte e Criatividade –Das Tecnologias à Aprendizagem em Contexto, destinado a professores de História do 3.º ciclo do Ensino Básico.
Resultante da parceria com o Centro de Formação João Soares, este curso creditado (0,6 créditos) terá a primeira edição já durante o mês de novembro, nos dias 19 e 26, no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.
As pré-inscrições estão abertas a partir de dia 14 de novembro, segunda-feira, e deverão ser efetuadas exclusivamente através da Linha de Apoio ao Professor (707 22 44 88), sendo limitadas às vagas existentes.
Para consultar o horário, os locais e o programa, clique aqui.

GNR - Bem Vindo ao Passado

GNR - Bem Vindo ao Passado


GNR - Popless

GNR - Popless

Estes meninos estarão hoje em concerto no Coliseu do Porto. Imperdível.

A Palavra à CGTP

A Palavra à CGTP

Porque estou de acordo com muito do que aqui é dito. E não, amanhã não vou à manif... mas apenas porque tenho outros compromissos assumidos anteriormente. De contrário, lá estaria!



Vídeo surripiado na caixa de comentários do Ramiro Marques.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A Idade Não Perdoa


Museu Egípcio de Leiden - Holanda
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

A Idade Não Perdoa

A idade não perdoa e o cansaço também não.
Ontem à noite alinhavei um post chamado "9ª Aula - A Arte no Egito" muito convencida que estava a postar num dos blogues de que sou tratadora, neste caso no História - 7º Ano. Só que não estava. O estupor do post está aqui mesmo no Anabela Magalhães ainda em rascunho.
É caso para dizer que a idade não perdoa... e que isto já não é o que era quando o cansaço me leva a colocar a roupa suja no frigorífico, a fechar-lhe a porta, a voltar-lhe as costas e...
Ops! Eu fiz o que estou a pensar que fiz?

Previsões para 2013


Previsões para 2013

Li a notícia, sem espanto, no jornal de papel de hoje. Deixo-a aqui para que ninguém seja apanhado de surpresa já em 2012, e a seguir em 2013, porque a situação económica e financeira de muitos que integram a zona euro não deixará de se degradar mais e mais, até termos capacidade de inverter a linha descendente, a queda, em precipício aterrador.
Pior é sempre possível. E o avacalhamento da política, por mão dos seus representantes, parece não ter fim. E o destino miserável, das pessoas de que são feitos os países, também não.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Novas, Más, dos EUA

Novas, Más, dos EUA

Falência municipal declarada. O castelo de cartas cai?

Tomar café e Pagar com Acções do BCP

Tomar Café e Pagar com Acções do BCP

Como dizia o outro, é só fazer as contas. Precisa de 6... isto se o tomar ao preço a que eu o tomo.
Falta-me apenas saber se as aceitam... é que um dia destes... elas desaparecem.

Puro Gozo

Puro Gozo

Aqui.

A Dimensão do Roubo

A Dimensão do Roubo

Neste caso, aos professores.
Talvez por estas e por outras quem pode tenta escapar do inferno em que transformaram a Escola Pública. Veja aqui a quantidade enooorme de professores que se reformaram nos últimos tempos.
Sortudos!

Recorte surripiado ao Ricardo Montes.

Infografia - As Autarquias Uma a Uma

Infografia - As Autarquias Uma a Uma

Saiba quantos funcionários tem a sua autarquia aqui.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Insólito

Insólito

Eheheh... thanks, Luís!

Insólito


Insólito

Esta é uma pergunta que faço recorrentemente no meu blogue e para a qual tenho, confesso, pronta resposta.
É possível ver um vaca a voar? É, digo-vos eu, se isso acontecer nos céus de Portugal.
E é possível alguém ter uma entrevista de 5 horas e daí resultar uma página de ata pseudo desatada?
É, digo-vos eu, se isso acontecer nos céus de Portugal.

Onda Gigante na Nazaré

Onda Gigante na Nazaré

Entretanto, para algo realmente belo...



E a onda deste ano... com os meus agradecimentos ao Manuel Gonçalves.

Vergonha Vergonhosa


Vergonha Vergonhosa

A ser verdade esta notícia, é uma vergonha vergonhosa.
Ao que nós chegamos. Eu bem dizia que iríamos pagar caro o xicoespertismo exemplar dos nossos desgovernantes.
Vale tudo até arrancar olhos?
Bale!

Olha os Lindos!




Olha os Lindos!

Vai-se a ver e para eles é inconstitucional, daí conservarem as suas lautas e chorudas remunerações até ao finzinho dos deus mandatos de gestores públicos.
Já para nos irem ao bolso, os nossos políticos mandatados para nos governarem, não hesitam nem um segundo, quebrando as nossas expectativas sempre que lhes apetece.
Ahahah... este governo faz do people o que o anterior fazia... gato sapato.

Mais Más Novas

Mais Más Novas

Para Portugal e não só. Lamento. Ver aqui.
Também pode ver o panorama do afundamento das bolsas, de hoje, aqui e saber que as probabilidades da Europa entrar em recessão é agora de 70%... ora veja aqui.
Balham-nos os deuses todos!

A Palavra a Santana Castilho

Fotografia de autoria desconhecida

A Palavra a Santana Castilho
O DESÍGNIO DE CRATO É CORTAR

Nuno Crato encheu de nada e de cortes três páginas deste jornal. Lê-lo a 31 de Outubro traveste-lhe a graça para Nuno Cortes. Quando não identifica medidas para cortar, responde que não sabe. Nuno Nada, tão-pouco destoava para sua nova graça. Que desgraça!

Tirando o desígnio de castrar, despedir e poupar, não há na entrevista a mais ligeira ideia consistente sobre Educação. Perguntado sobre como se vai cumprir a escolaridade obrigatória até aos 18 anos, responde com profundidade: “Está tudo em aberto”. Interrogado sobre a verdadeira grandeza da redução orçamental, riposta com rigor: “Depende do quadro que se leia”. Questionado sobre o número de professores estritamente necessário, que antes havia invocado, é preciso: “É um bocado menos do que temos hoje. Não consigo quantificar”. Solicitado a esclarecer o objectivo que propõe para um novo modelo de financiamento do ensino superior, que acabara de preconizar, repete-se: “Está tudo em aberto”. À insistência dos entrevistadores, que querem conhecer os critérios a incluir no tal modelo, responde filosoficamente: “Vamos pensar nisso”. Quando lhe perguntam se já começou a pagar as bolsas de estudo, é negativamente claro: “ Ainda não”. Quando lhe perguntam se tem ideia de quantos alunos perdem o direito à bolsa, é claro, negativamente: “Ainda não”.

“Estamos a estudar”, “estamos a ver”, “estamos a identificar”, “temos de ver” “temos que pensar” e “vamos ter de repensar” são fragmentos frásicos abundantes na entrevista, que ilustram a vacuidade predominante. Mas há passagens concretas, que patenteiam impreparação, ignorância e manipulação da realidade. Passo a fundamentar.

Comecemos pela impreparação. Nuno Crato confessa que era inconsciente, quando crítico do anterior poder. Para tentar estabelecer coerência entre o que dizia e o que agora faz, afirma-se fiel aos seus princípios de sempre e deixa implícito que os actos que pratica, que contradizem tais princípios, são ditados por uma realidade que desconhecia. É uma quadratura do círculo, donde emerge impreparação crassa. Vista do lado do crítico, o ministro fica sem crédito. Vista do lado do ministro, o crítico virou a casaca. A seriedade mínima conclui pela implosão recíproca.

Passemos à ignorância, com dois exemplos. No primeiro caso, é deprimente constatar o desconhecimento do ministro sobre a gestão do currículo do ensino básico. Nuno Crato assevera que poupou, com a supressão do Estudo Acompanhado, 15 milhões de euros no 2º ciclo e 17 no 3º. Afirma, preto no branco, que “ o Estudo Acompanhado era dado por dois professores no 2º ciclo”. Ora o que todos sabemos é que o Estudo Acompanhado continua a existir para o 2º ciclo e é acompanhado pelos mesmíssimos dois professores. Termos em que uma supressão que não existiu, senão na mente capta do ministro, não pode originar 15 milhões de poupança, senão nas virtuais contas deste economista, especialista em Matemática e arauto do rigor. No segundo caso, é embaraçoso ver Nuno Crato referir que a escolaridade obrigatória é de nove anos. Pena que um assessor não tenha tido a oportunidade de o esclarecer que já é de 12.

Vejamos agora a manipulação da realidade, também com dois, de vários exemplos possíveis:

1. Nuno Crato deixa cair, com ar dramático: «Quase metade (46,7 por cento) do pessoal da administração central está no Ministério da Educação. É um valor extraordinário. Isso significa que as reduções têm de ser, em grande parte, em pessoal e que têm de se reflectir na educação.» Mas não justifica seja o que for. A Educação tem cerca de dois milhões de utentes directos. Como se comparam estes números com os outros serviços públicos? Como se comparam estes números com dados internacionais? Como se enquadram estes números no que ele, como definidor das politicas educativas, quer do sistema? Sobre isso disse nada.

2. Nuno Crato branqueia o quadro da Parque Escolar, qual copista do surrealismo. Revela-se um verdadeiro artista. Diz que a dotação do Orçamento de Estado de 2012 para aquele monstro é zero. E mostra como chega a este zero. Explica, com candura, que mandou “prolongar as obras por mais tempo, de forma a não concentrar todos os custos neste ano”. Esclarece, qual vestal, que 95 milhões de euros são receitas próprias da Parque Escolar, como se não soubéssemos todos que resultam da saloia engenharia financeira que obrigou, por decreto, as escolas a pagar-lhe rendas, que saem, obviamente, do Orçamento do Estado para 2012. E acrescenta que 80 milhões virão de endividamento ao Banco Europeu de Investimento, que não serão pagos pelo condomínio do meu prédio, digo eu. Brilhante. Em linha com o sofisma clássico: “Todo o cavalo raro é caro. Um cavalo barato é raro. Logo, um cavalo caro é barato!”
Se subsistissem dúvidas sobre o papel de Crato neste Governo, esta entrevista dissipou-as. Do que disse não se extrai uma única ideia estruturada sobre qualquer dos níveis de ensino que tutela. Crato é apenas um dos economistas do Governo que, da Economia, só aproveitam a contabilidade. Sobre as desreguladas e criminosas actividades especulativas, que são do domínio público, não se lhes ouve uma palavra. Mas são lestos a condenar o sector público. E fazem-no de modo a que os gastos com a educação, com a saúde e com a justiça, naturalmente não isentos de erros, sejam apontados como responsáveis únicos pela descida ao inferno das finanças e da economia nacionais.
Nota - Post inteiramente surripiado ao Luís Costa, do blogue DaNação.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Para Compreender a Dívida Pública

Para Compreender a Dívida Pública

Surripiado ao Paulo Guinote.

A Palavra a Medina Carreira... e Não Só

A Palavra a Medina Carreira... e Não Só

O tal que era um pessimista.
Vídeo surripiado ao Ramiro Marques.

Ao Que Nós Chegamos!

Ao Que Nós Chegamos!

Chegamos aqui. E aqui.
Thanks, Ana Cristina Leonardo!

Não Deixarás Saudades

Não Deixarás Saudades

Vai-se. Foi-se?

Anedota

 


Anedota

Vinda do Jardim da Madeira.
E não se pode prendê-lo?

Más Novas

Más Novas

A cada dia pior. Pelo caminho que leva, a Itália já está no papo dos mercados, esses malandros que hipnotizam os desgovernantes europeus e os paralizam. Entretanto a Europa está a entrar em estado de coma e pela Itália prevê-se mais uma morte, a deste, e para hoje. Morte política, evidentemente.
Atrevo-me a dizer que não deixará saudades.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

E Não Se Pode Prendê-lo?

E Não Se Pode Prendê-lo?

Ora leia aqui os avisos que foram feitos pelo FMI. Por cá também foram feitos, muitos, todos sem sucesso.
O desgovernante que eu agora não nomeio foi avisado até à exaustão, até foi parodiado vezes sem fim à custa da surdez e da cegueira que o tipo manifestava. Relembro um exemplo.
E agora? Não se pode prendê-lo?

Como Um Castelo de Cartas

Como Um Castelo de Cartas

Agora a França.

A Palavra a Rui Rio

 Palavra a Rui Rio

Porque o corte dos dois subsídios aos empregados públicos não é uma inevitabilidade e há alternativas bem mais equitativas. Leia aqui.

Aula Caótica

Aula Caótica

A aula é mesmo caótica e foi filmada por uns coisos, a quem chamam "estudantes", de uma escola de Sintra que colocaram as imagens no Youtube.
Surripiei a notícia aqui e visionei a reportagem aqui.
Por agora quero só chamar o MEEEEEEEEEECCCCCC...  e relembrar aos seus representantes que isto existe mas não devia existir. Para quando alterações no Estatuto do Aluno? Para quando um estatuto menos preocupado com a "compreensão" e mais com a actuação?
É que sempre me ensinaram que quanto mais nos agachamos mais se nos vê o rabo... e, francamente, os professores têm de poder exercer a sua autoridade sem medos. Para isso precisam do apoio teórico e prático do MEC e das direcções das escolas, tão simples quanto isto.
É assim tão difícil de entender?

domingo, 6 de novembro de 2011

Mensagem


Mensagem

Para destinatários ocultos. Ou talvez não. Pensando melhor, dedico esta mensagem a todos quantos forem capazes de enfiar a carapuça... sim, eu sei, hoje está frio...

Aliviar o Blogue

Aliviar o Blogue


Life of flowers from VOROBYOFF PRODUCTION on Vimeo.

Thanks, Carlos Afonso!

A Palavra a Rui Tavares


A Palavra a Rui Tavares

Para ler a notícia com mais conforto, clique sobre a imagem. Recorte surripiado ao Miguel Loureiro.

A Palavra a André Freire

A Palavra a André Freire


Catarse

Catarse

Hoje dou a palavra a uma professora, Maria Vieira, que se aposentou apesar da penalização provocada por uma reforma antecipada.
Confesso que apesar de amar muito o trabalho em sala de aula, de amar muito o trabalho com os alunos, não consigo deixar de ler este belo texto sem sentir uma ponta de inveja. Atendendo ao que se vai vendo e vivendo hoje na escola, confesso, gostaria de ser mais velha para fazer exactamente o mesmo que fez Maria Vieira. E confesso que o afirmo com tristeza.

Trouxe o texto do blogue A Educação do Meu Umbigo.

Catarse

"Hoje é o meu terceiro dia como aposentada.
Acordei à hora habitual e lembrei-me que, pelo menos hoje, os meus alunos não teriam tantas substituições; a sexta-feira era o único dia em que não tinham aulas comigo.
Até à última semana tinha com eles: 6 tempos de Língua Portuguesa, 3 de Língua Inglesa, 2 de Atividades de Apoio ao Estudo, 1 de Formação Cívica, 1 de Oficina de Leitura e Escrita e 2 de apoio a Língua Inglesa. Muitas horas, ao longo de um ano e dois meses… uma ligação profunda interrompida abruptamente. Sinto-lhes a falta e, de acordo com alguns emails recebidos, eles também sentem a minha, mesmo os mais complicados.
Então por que saí? Limite de idade? Incapacidade física comprovada? Reforma compulsiva?
Nada disso. Fui mesmo eu que pedi a aposentação antecipada. Tenho 57 anos e meio, 36 anos de serviço efetivo, todos na escola pública, sem licenças nem destacamentos. Saí com 24% de penalização e com a noção clara que ainda tinha muito para dar à profissão que segui por vocação, a que me dediquei em regime de exclusividade, seguindo o lema “I’m a teacher, I touch the future!”.
Então o que me levou a pedir a aposentação em Dezembro último? É preciso recuar uns anos, lembrar o ano em que começaram a transformar a profissão docente numa doença terminal.
Em 2005, cheguei de férias em setembro e tomei o primeiro contato com as grandes reformas da então Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. Surgiram as famosas OTEs- ocupação de tempos escolares, acabaram os chamados “feriados” e os meninos deixaram de poder libertar energias nos recreios quando um professor faltava e passaram a ficar na sala com outro professor, a fazer… . Eu, que nunca tinha problemas disciplinares (a partir de outubro de cada ano letivo estavam sempre resolvidos) passei por algumas situações bem desagradáveis. O mais curioso é que, lá no pequeno mundo onde me movia, quem faltava muito continuou e continua a fazê-lo, quem não faltava começou a ficar exausto e a adoecer. Infelizmente são vários os colegas que se encontram afastados por doença, principalmente a partir do ano passado. Até concordo com as OTEs, mas com professores específicos, com tarefas próprias e a crise não deixa…
Depois vieram mais pérolas: o Estatuto do Aluno com as célebres Provas de Recuperação (os atuais PITs –Plano Individual de Trabalho também não são muito diferentes ), as alterações ao Estatuto da Carreira Docente e a Avaliação de Desempenho Docente. Divulgou-se a mentira da ausência de avaliação e da progressão automática. Estávamos em 2007: exigiam a definição de objetivos individuais e eu defini apenas um: chegar à aposentação em pleno uso das minhas faculdades mentais. Não entreguei os ditos objetivos individuais, fui notificada por incumprimento. Até foi interessante. Nessa altura ainda sentia fôlego para estas lutas e até me davam algum gozo. Maior ainda foi o que me deu ver que as ameaças deram em nada, como seria de esperar.
Em 2008, criaram-se os professores titulares. Eu que sempre quis ser apenas professora, uma professora significativa mas nada mais do que isso, tornei-me titular. A escola partiu-se completamente. Ainda por cima, o mundo burocrático desabou sobre os ditos titulares. Sempre desempenhei cargos, não existe no meu registo biográfico um ano em que tivesse apenas dado aulas, mas ter de desempenhar dois e três cargos por ser titular e ter a redução máxima do art.º 79.º era muito pesado. Existiam muitos formulários, muitas siglas, muitas reuniões; escasseava o tempo para fazer o importante, para preparar aulas a sério e não de memória, para fazer avaliação diferenciada ou remediação ativa. Comecei a sentir-me deprimida. Não me deixavam cumprir a meu gosto o conteúdo funcional da minha profissão.
Ainda por cima os titulares eram prisioneiros, não podiam concorrer, eram “propriedade” dos quadros dos respetivos agrupamentos. Vi colegas serem ultrapassados por outros com menores qualificações. Conheço alguns que continuam a fazer muitos quilómetros por dia graças a serem titulares.
Depois chegou a Drª Isabel Alçada e pensei que as coisas podiam melhorar. Puro engano. Escreveu uma aventura suicida, envolta em sorrisos e mensagens pueris, como aquela de votos de bom ano letivo, que passou em todos os blogues. O novo modelo da Avaliação de Desempenho Docente, a reformulação do Estatuto do Aluno com os tais Planos Individuais de Trabalho, a requalificação das escolas que deixou ao país uma dívida incomensurável (para não falar das dificuldades das ditas para pagarem a conta da luz e outras) e, finalmente, a reorganização da rede com a criação dos Mega-agrupamentos.
Em setembro de 2009, regressei de férias com a sensação de não ter reposto as energias, como já vinha sucedendo desde 2006. Mal entrei, informaram-me que tinha de ir apresentar-me noutra escola, a escola sede do Mega-agrupamento. Fiquei siderada. Então nós éramos Agrupamento TEIP e agora íamos ficar na dependência de uma escola secundária, sem a mínima experiência do que é ser agrupamento, até porque as secundárias eram não-agrupadas? A resposta foi afirmativa.
Ainda em choque, dirigi-me à nova Direção. Fui muito bem recebida. Na reunião geral ouvi falar de uma fusão não desejada, de um processo doloroso que teríamos de digerir, encarar como um desafio e transformar num caso de sucesso. A economia manda! Vamos a isso!
Ah, mas esta não era a única novidade: em 2009/10 eu seria Diretora de Turma, Coordenadora dos Diretores de Turma do 2.º ciclo, Gestora de Disciplina e Professora Relatora. Por último seria professora das áreas já referidas. A função de Relatora era a que mais me custava. Tentei escusar-me. Nada feito. Em nome da senioridade, de acordo com os critérios legais, tinha mesmo de ser eu.
Em dezembro deixei de ser Gestora de Disciplina, pois finalmente perceberam que a minha redução estava há muito ultrapassada. O resto continuou igual. Reuniões infindáveis, deslocações quase diárias entre escolas, às vezes três idas e vindas por dia. As reuniões de avaliação seriam também na escola sede, pois o programa informático estava lá sediado ( onde mais poderia estar?). Lá iríamos com os dossiers, todos ao monte a lançar níveis, faltas e observações. Isto não estava a acontecer!
Mas ainda aconteceu pior. A escola onde trabalhei desde 1987/88 tinha uma boa avaliação externa, estava cotada como das melhores a nível nacional, nos famosos rankings aparecia colocada bem acima das que não eram Territórios Educativos de Intervenção Prioritária. Tudo isto era fruto de muito, muito trabalho. Mas afinal comecei a ouvir que era tudo engano. Expressões veladas anunciavam que não era assim, frases em que ninguém era nomeado ( por razões éticas, dizia-se) afirmavam que a escola era um monte de dívidas e compadrios. Até a um sindicato chegaram estas informações. Foi talvez a gota de água. Comecei a ter perturbações de sono, dores de cabeça inexplicáveis, perdas de memória ( até do local onde estacionara o carro, ou, durante a noite, onde era a minha própria casa de banho, num T2 minúsculo). O médico avisou-me do perigo que corria, aumentou-me a medicação, quis que ficasse em casa. Não obedeci ao último conselho. Em vez disso, entreguei o meu pedido de aposentação antecipada em dezembro. Calculava sair em julho/agosto, de acordo com os prazos previstos.
Até ao fim do ano letivo desenvolvi todas as funções com o máximo profissionalismo, mas sem nunca me subjugar às fações que se foram criando, sem me calar sobre a paulatina destruição de tudo o que estava construído e fora avaliado positivamente, para ser substituído pelo que se considera agora um bom trabalho e não passa de um conjunto de números, grelhas, estatísticas e documentos. A minha escola descaracterizou-se completamente: os Serviços Administrativos estão desertos, as assistentes operacionais são deslocadas conforme as “necessidades”, ainda não há mediador/a social, os concursos arrastam-se, o número de professores ausentes continua alto…
Senti e sinto o Mega-agrupamento como uma anexação hitleriana. Conheci pessoas admiráveis, é certo, mas perdeu-se a articulação que existia dentro da própria escola; com o primeiro ciclo nem se fala.
A 10 de outubro, chegou a comunicação oficial da minha aposentação. Trabalhei conforme o previsto até ao fim do mês, fiz os primeiros testes, a reunião intercalar do conselho de turma, o preenchimento das 44 páginas de dados para estatística do modelo de Projeto Curricular de Turma, orientei as planificações da disciplina de Inglês e a grelha de propostas para o Plano Anual de Atividades do Agrupamento e a primeira grande atividade: um concurso de chapéus para celebrar o Halloween. Tudo direitinho.
No dia 31, entreguei os prémios do referido concurso, sorridente e vestida a preceito. Consegui suster as lágrimas na minha última aula, cantando Ghostbusters com os meus alunos.
Quando tocou saltaram das cadeiras num abraço em cacho, que me projetou contra a parede, fizeram-me prometer que os iria visitar. Passei o bloco à colega de História e Geografia de Portugal, pedindo-lhes que se concentrassem, pois até iam ter teste na aula seguinte.
Já tinha entregue as chaves do cacifo e o computador da equipa PTE que integrei desde início.
Saí de cena.
Não irei para o ensino privado, fui sempre escola pública. Não irei ocupar vagas ou postos de trabalho nesta ou noutra qualquer profissão, muito menos numa altura destas. Além disso, eu só sei educar e ensinar. Encontrarei uma ocupação válida. Partirei para uma coisa nova, ainda não sei bem o quê.
Empurraram-me para a aposentação, que a paguem muitos anos."

4 de novembro de 2011, Maria Amélia Ribeiro Vieira, professora aposentada
 
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