segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008


A Caminho de Professorzeca - Queima das Fitas - Porto
Fotografia de Não Sei Quem

Professorzecos

Pois foi assim, com este termo carinhoso, que a tutela se referiu a nós, professores, contestatários do tanto que vai mal no reino da educação. Nada de especial neste tratamento, até porque ele só revela que a tutela procura que haja coerência entre a sua actuação e a fundamentação teórica que lhe molda e condiciona os passos. Pensam, afirmam, actuam em conformidade. Está certo.
Não conseguem é fazer melhor do que isto.
E afinal, alguma novidade neste tratamento de professorzecos?
Não, de facto nenhuma, apesar dos sucessivos discursos de reformas travestidas de paixões. Paixões até assolapadas e mais do que assolapadas pela educação. Mas de facto, de facto, como foi que a tutela nos tratou durante anos a fio?
Vejamos o meu caso concreto.
Saída da faculdade, concorri aos famigerados mini-concursos, e obtive uma colocação em Paredes de Viadores que muito preocupou a minha mãe. Horário incompleto, nocturno, por vezes a sair perto da meia-noite, andando por montes e vales 60km, de segunda a sexta-feira, por estradas mal iluminadas e isoladas, num tempo sem telemóveis, conduzindo uma carcaça de Fiat 600 a cair aos pedaços, que não havia dinheiro para mais. Sorte!! Obrigada, Ministério da Educação! O tempo de serviço não me contará todo, mas paciência, pelo menos contará algum!!! O ordenado não o receberei todo, mas pelo menos receberei algum!! Obrigada, Ministério da Educação!!!
E eis que chega 31 de Agosto, tempo de despedimento. "Rua, e vamos lá a ver se te contratamos de novo". Assistência médica cessada, subsídio de desemprego nem vê-lo, aguardo calmamente por novos mini-concursos, uma palhaçada pegada com que o Ministério da Educação nos reduzia à nossa insignificância, nos remetia a todos à nossa condição de professorzecos, dando voltas ao quarteirão do Liceu D. Manuel, mendigando um qualquer horariozito num espectáculo deprimente de terceiro mundismo. Nem sei quantos anos andei nesta palhaçada, sucessivamente contratada, sucessivamente despedida, sem apelo nem agravo, mas foram muitos, demasiados, quase sempre aceitando horários incompletos, correspondendo a ordenados incompletos. A meio do meu percurso, por volta dos meus trinta anos, eis que me toca, finalmente, um horário completo na Escola Secundária do Marco de Canaveses. Tinha só um pequeno defeito. Tinha aulas de manhã, à tarde e à noite, e quatro níveis, nada que não conseguisse aguentar, apesar do cansaço de ter dias a entrar às nove menos quinze e sair pertinho da meia-noite. Nada que não conseguisse aguentar que isto de ser professorzeca exige malabarismos vários. Finalmente, quase aos 40 anos, consigo que o Ministério da Educação me faça o grande favor de me conceder uma vinculação à Função Pública. Obrigada!!! Obrigada!!! Finalmente alguma estabilidade profissional!!! Uf! Estava a ver que não conseguia!! Uf!! Ainda não é vínculo a uma escola, mas que diabo... Uf!!!
Reconheço a minha paciência e o meu masoquismo... tantos anos tratada como professorzeca e ainda tenho a lata de gostar disto!! Ainda tenho a lata de insistir!
É por estas e por outras que pelo facto da tutela me ter chamado de professorzeca isso não constituiu, para mim, novidade nem surpresa. Mais grave do que me chamarem de professorzeca foi o tratarem-me, anos a fio, abaixo de cão, justamente por quem me devia defender, apoiar, acarinhar e afinal se aproveitou do meu trabalho barato, descartável, se aproveitou do meu amor infinito pela sala de aula, pelo ensino.
Resta-me o sorriso final. Políticos leva-os o vento. Já ouvi o pregão das paixões, já senti sucessivas reformas e reformecas e eu continuo por cá. Resta-me o sorriso final. A tutela será outra, provavelmente até nem melhor... mas será outra, mais cedo ou mais tarde.
Políticos leva-os o vento. Nós permaneceremos por cá.
Resistiremos.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Bobby McFerrin - Don`t Worry, Be Happy

Here's a little song I wrote
You might want to sing it note-for-note
Don't worry, be happy
In every life we have some trouble
But when you worry, you make it double
Don't worry, be happy
Don't worry, be happy now

Ooo-oo-hoo-hoo-oo hoo-hoo-oo-oo-oo-oo-ooo
Don't worry
Woo-oo-woo-oo-woo-oo-ooo
Be happy
Woo-oo-oo-oo-ooo
Don't worry, be happy

Ooo-oo-hoo-hoo-oo hoo-hoo-oo-oo-oo-oo-ooo
Don't worry
Woo-oo-woo-oo-oo-oo-ooo
Be happy
Woo-oo-woo-oo-ooo
Don't worry, be happy

Ain't got no place to lay your head
Somebody came and took your bed
Don't worry, be happy
The landlord say your rent is late
He may have to litigate
Don't worry, (ha-ha ha-ha ha-ha) be happy (look at me,
I'm happy)

Ooo-oo-hoo-hoo-oo oo-oo-oo-oo-oo-oo-ooo
Don't worry
Oo-oo-oo-oo-oo-oo-ooo
Be happy
Oo-oo-oo-oo-ooo
(Here, I'll give you my phone number.
When you're worried, call me. I'll make you
happy.)

Ooo-oo-hoo-hoo-oo oo-oo-oo-oo-oo-oo-ooo
Don't worry
Woo-oo-oo-oo-oo-oo-oo
Be happy
Woo-oo-oo-oo-ooo

Ain't got no cash, ain't got no style
Ain't got no gal to make you smile
But don't worry, be happy
`Cause when you're worried, your face will frown
And that will bring everybody down
So don't worry, be happy
Don't worry, be happy now

Ooo-oo-hoo-oo-oo oo-oo-oo-oo-oo-oo-ooo
Don't worry
Oo-oo-oo-oo-oo-oo-ooo
Be happy
Woo-oo-oo-oo-ooo
Don't worry, be happy

Ooo-oo-oo-oo-oo oo-oo-oo-oo-oo-oo-ooo
Don't worry
Woo-oo-oo-oo-oo-oo-oo
Be happy
Woo-oo-oo-oo-ooo
Don't worry, be happy

Ooo-oo-hoo-oo-oo oo-oo-oo-oo-oo-oo-ooo
Don't worry, don't worry
Oo-oo-oo-oo-oo-oo-ooo
Don't do it, be happy
Oo-oo-oo-oo-ooo
Put a smile on your face
Don't bring everybody down like this

Ooo-oo-hoo-hoo-oo oo-oo-oo-oo-oo-oo-ooo
Don't worry
Ooo-oo-oo-oo-oo-oo-oo
It will soon pass, whatever it is
Ooo-oo-oo-oo-ooo
Don't worry, be happy

sábado, 16 de fevereiro de 2008


Aniversário - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Aniversário

Hoje é dia de aniversário. O meu blogue, este blogue, faz hoje precisamente um ano de existência. Hoje fui confirmar a data da primeira postagem e surpresa... o meu palpite foi mesmo na mouche!!!
Relembro que o iniciei no âmbito de uma formação sobre Novas Tecnologias, orientada pelo Valente. Este, o segundo blogue aberto, o sobrevivente, foi precedido por uma experiência abortada que iniciei na formação sem ter a mínima ideia do que iria fazer com um blogue. Aliás, há um ano atrás nem era sequer frequentadora de blogues e estava completamente a leste deste mundo da blogosfera. Abri-o e escrevi a palavra olá. E mais nada. Não me saíu absolutamente mais nada. Já em casa tentei postar de novo... xiiii tinha-me esquecido da palavra passe. Vai daí abri o segundo que é este. Anotei tudo direitinho, código incluído, e atirei-me de cabeça para o precipício que é deparar-me com um espaço vazio, em branco/preto, que é preciso preencher todos os dias. Escrevi um texto sobre a morte da minha mãe que me andava a sufocar. Foi a minha primeira postagem. E depois andei a tactear. Depois de aprender a postar texto foi a vez de fazer experiências com as fotografias, ver tamanhos e formas. Seguiram-se as experiências com vídeos, o que também aprendi nas calmas, porque todos estes procedimentos no blogue têm uma característica comum que é a extrema facilidade com que se levam a bom porto. Introduzir hiperligações também não constituíu problema e o blogue foi crescendo e amadurecendo, espero eu, até hoje, dia em que ele completa um ano de idade e está na postagem 520. Já o interrompi, resultado duma crise existencial, que às vezes também tenho, mas não gosto mesmo de coisas interrompidas e vai daí retomei-o pouco tempo depois. Postar faz hoje parte das minhas rotinas diárias, como ir à escola, ir ao café ou sentar-me à mesa para comer. E descobri que postar nunca constituíu, para mim, um problema assim tão grande neste ano de escrita. E descobri também, quase a brincar, que era capaz de escrever, eu que nunca tinha escrito absolutamente nada em 45 anos de vida, e que nem durante a adolescência tive a pachorra de manter o costumeiro diário que toda a rapariga deveria ter naquele tempo.
Dúvidas sobre o blogue tenho muitas, sobre a qualidade dos textos escritos, sobre a pertinência dos temas abordados. Sei que me esforço por escrever um português escorreito e correcto, sem erros ortográficos nem faltas de acentos, mas a cada passo escapam-me gatinhos que numa posterior leitura descubro a miar aqui e ali. Mas também sei que se não faço melhor é porque não consigo, porque sei que cuido da imagem e da estética do dito, que procuro que seja sóbria e discreta, que cuido das mensagens escritas o melhor que posso e sei, e aceito isto como um facto.
Há textos de que gosto particularmente e outros nem tanto. Há textos que me continuam a provocar gargalhadas tal e qual como quando os escrevi. E outros que me fazem ficar com os olhos rasos de água. Afinal, este blogue é como a vida. Afinal este blogue é também ele a minha vida. Não toda, nem de longe nem de perto, mas muito do que eu sou está aqui e nem poderia ser doutra forma.
É que
"O meu blogue sou eu... mas eu não sou o meu blogue..."


Formação Contínua

A formação contínua é extremamente importante para um cada vez melhor desempenho profissional e ela será tanto mais importante quanto as novidades surgirem em maior quantidade, qualidade, e num cada vez menor espaço de tempo. A vida de um professor não foge a esta regra básica da necessidade imperiosa de fazer formação de forma sistemática para ajustar procedimentos, contactar com outras realidades, pensar novas formas de actuar, até de trocar experiências com outros colegas que vivem outras realidades. Por isso ontem foi dia de frequentar um workshop de História centrado na problemática da avaliação de competências, organizado pela Porto Editora, e orientado pela formadora Cristina Maia. Foi dia de sair das aulas a correr, almoçar engolindo a comida quase sem tempo para a mastigar e marchar para a Escola de Telões onde fui recebida pelo meu caríssimo colega de grupo, Jorge Silva, que me serviu de cicerone pela escola, ainda nova, que eu desconhecia.

Quanto à formação quero registar que valeu a pena até alterar a aula do meu CEF de Carpintaria para poder estar presente neste workshop com um carácter tão prático e donde saímos todos mais enriquecidos. Gosto particularmente deste tipo de formação onde não se perde tempo com subterfúgios e conversas quantas vezes de treta e se vai directo ao assunto sem rodeios. Gosto particularmente da formação que tem consequências na nossa vida profissional porque nos enriquece de facto, porque nos faz trilhar novos caminhos, tentar novas abordagens.
Foi o caso desta. Resta-me agradecer à Porto Editora e à minha colega Cristina Maia.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008


Pizinho - Amarante
Fotografia de Não Sei Quem

Aniversário - Pizinho Descascado

Hoje é dia de aniversário para um dos meus muitos cunhados com quem tenho a sensação de privar há vinte mil anos. De feitio aparentemente difícil, brusco, sério, muito reservado e circunspecto, muitas vezes aparentando estar zangado com o mundo, é capaz de pôr a fugir a sete pés qualquer um que dele se aproxime só com um olhar! Cultiva e volta a cultivar o seu Jardim da Oliveiras onde se passeiam, "Que remédio!", as suas três flores mais preciosas, de seu nome Pedro, Vera filha e Vera mãe, que ele cultiva com enorme dedicação e carinho apesar do feitio aparentemente muiiito difícil. Corta e apára a relva uma e outra vez, sem descuidos nem desleixos, e o mesmo faz com as suas flores que assim crescem aconchegadas.
Ah, e quase me esquecia dos dois grandes defeitos intrínsecos a este indivíduo - coitado, é benfiquista e, coitado, é loiro!!!
Pois este indivíduo, depois de descascado, revela-se um indivíduo tímido, correcto, leal, honesto, pacato, desejando que não o chateiem porque ele também nunca chateará ninguém, duma verticalidade a toda a prova, e com um sentido de humor francamente extraordinário, explodindo frequentemente numa gargalhada perante as palermices que me vão saíndo diariamente boca fora. Diz-me frequentemente a rir "Estás cada vez pior! Deve ser da idade!"
Pois este indivíduo faz hoje 44 anitos. Vai pois na minha peugada, com a certeza, porém, de que nunca me conseguirá alcançar.
Hoje haverá bolo de anos e velinhas para apagar na casa do Jardim das Oliveiras e por isso deixo aqui registados os meus mais sinceros parabéns duma cunhada que estará sempre por aqui para as curvas e para o que ele precisar.
E quanto ao riso vou ver se to continuo a provocar por mais 44 anos!!!
Beijocas grandes.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008


Dia dos Namorados

Ainda vou a tempo. Não de tecer grandes considerações sobre este dia tão especial para quem continua a namorar, mas ainda vou a tempo de provar que continua a ser possível o namoro depois do casamento. Ainda vou a tempo de postar as minhas rosas vermelhas do dia dos namorados. Já me fartei de gargalhar. Rosas vermelhas... dia dos namorados... hum....

Fadinha do Lar


Fadinha do Lar - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Fadinha do Lar

E já lá vai mais de um mês que por aqui ando disfarçada de fadinha do lar. Todos os dias as mesmas coisas, sempre iguais, sempre imutáveis. Fazer camas, arrumar loiças, limpar pós, limpar quartos de banho, passar a rouparia a ferro, arrumar a rouparia passada a ferro, pôr roupa a lavar, pôr roupa a secar, regar plantas, limpar pátios, limpar chão... bolas, serviço deprimente este. Mas estou satisfeita comigo mesma. A aguentar estoicamente, e a minha casa continua sem se ressentir da baixa da verdadeira fadinha do lar. E continuo a conseguir conciliar todas as actividades em que estou envolvida. Continuo a ser fadinha do lar, mulher do meu homem, mãe da minha filha, amiga dos meus amigos, jardineira na Barca, que já comecei a escapulir-me para lá aproveitando estes dias soalheiros de Inverno, professora dos meus alunos, professora a braços com reformas complicadas e ambientes deprimentes, e continuo a preparar as minhas apresentações em PowerPoint, a elaborar nas calmas o meu portfólio digital, continuo a ter tempo de postar aqui mesmo na blogosfera e agora é também tempo de corrigir testes que estou a ficar encharcada neles.
É por isso que continuo a sentir que sou como os meus sapatinhos - Versátil!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008


Casca de Banana - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Cair na Esparrela ou Escorregar na Casca de Banana

Hoje foi dia de cair na esparrela montada, por acaso, pela minha turma de CEF, do curso de electricidade de 2º ano. Turma exclusivamente composta por rapazes, convém que esclareça.
A aula decorria dentro da normalidade e eis que batem à porta. Eram três meninas do 9º ano que me pediram autorização para entregar um inquérito, realizado no âmbito de Área de Projecto, que versava a temática da Higiene Oral. Os inquéritos lá foram prontamente preenchidos e depois das alunas saírem começam os meus alunos a questionar-me sobre a temática. E isto e aquilo, e sobre os hábitos de higiene oral que todos devemos ter, "E o uso do fio dental, professora, é importante?" "Sim, devem usar diariamente." E estavamos nós nisto, e eis que um dos meus rapazes me pergunta com o ar mais cândido e inocente do mundo "E a professora, usa fio dental?" "Sim, todos os dias."- respondi eu prontamente. Estava eu a acabar a resposta e a aperceber-me que já não ia a tempo de salvar a situação. Caí na esparrela. E foi a gargalhada geral. Fum, fum, fum, contorciam-se eles em risadas. Fum, fum, fum. Longe, longe do segundo sentido da coisa, caí que nem um patinho. Longe do segundo sentido da coisa escorreguei na casca da banana que eles me atiraram para os pés. E lá tive eu de fazer uso da minha capacidade de encaixe, já bem exercitada e oleada ao longo da minha vida profissional. E confesso que me foi impossível conter o riso e acabei também a gargalhar pois felizmente a brincadeira ficou por ali mesmo, pela demonstração da perspicácia e do sentido de humor por parte daqueles electricistas malandros.
Sem dúvida, rapazes malandros, os meus electricistas!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008



Fluxograma da Fé

Sem tempo para mais, porque hoje é dia de reunião de grupo e as reuniões do meu grupo têm obrigatoriamente prolongamento à volta de uma mesa, comendo um apetitoso jantar histórico para descontrair e despressurizar a moleirinha, posto somente um excelente fluxograma que me chegou via e-mail. Desconheço a autoria desta mensagem tão límpida e cristalina. Divulgo-a em jeito de provocação.
E mais não digo.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Maria Salomé


Maria Salomé - Grande Erg Oriental - Líbia
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Maria Salomé

Hoje vou falar desta personagem, que conheci através do Artur, e que é mais uma farmacêutica da "praga" de farmacêuticos que me saiu na rifa, e que me tocou aturar ao longo da minha vida. Estou naturalmente a brincar, porque estes farmacêuticos são tudo menos pragas. São gente muito, muito interessante, e muito interessada, são gente extraordinariamente organizada e com uma capacidade de trabalho rara, que partilham a informação e o modus operandi de cada um, aprendendo e progredindo uns com os outros numa partilha de tudo que sempre me deixou fascinada e inspirada. São características comuns a todos eles que nem sei se lhes foram incutidas na faculdade se o que é que foi que aconteceu mas que também não vem agora para o caso.
Ora esta farmacêutica, de seu nome Maria Salomé, minha especialíssima amiga, por quem eu nutro uma profunda admiração, está hoje de parabéns e é só mais uma a virar cinquentona. Verdade verdadinha ninguém lhe dá a idade que já tem e parece antes uma ganapa pouco mais do que adolescente. Pudera, esta "enormíssima" mulher, cheia de garra e genica, sempre pronta a agarrar a vida pelos cornos e a toureá-la na arena, tem afinal um metro e cinquenta de altura e nem digo o seu peso para não escandalizar ninguém com o seu peso pluma, peso este que não a impediu de tirar até o brevet de piloto de aviação, e agora é vê-la pelos ares conduzindo a sua máquina voadora.
Pois esta minha amiga, que faz hoje cinquenta anos, tem uma característica muito especial, para além da beleza, da inteligência, da sagacidade, da capacidade de trabalho, da bondade, da solidariedade, da perspicácia, da organização, da lucidez, da perseverança e nem sei mais do quê, porque ela é tudo isto e muito mais, pois esta minha amiga, dizia eu, tem uma característica que me fascina desde sempre e que a distingue de todas nós. A Maria Salomé é naturalmente chique e tem não sei o quê que faz com que ela possa vestir um "trapinho" e ofusque em elegância todo o mulherio à sua volta. Será que a ajuda o facto de ela ser parecida com a Júlia Roberts? Não sei, mas sei que é assim. E foi vê-la na Líbia, em pleno deserto, a passar por todas as provações que o restante mulherio passou... todas nós feitas num trapo, a bem dizer feitas num oito, completamente esbodegadas, e a Maria Salomé com o seu naturalmente bom ar de sempre. Um enigma. Uma incógnita.
Pois eu gosto tanto desta personagem, que entrou na minha vida via Artur, que a convidei há vinte e quatro anos para ser a madrinha da minha filha Joana. E como ela a abençou bem...
Por isso obrigada, Maria Salomé, pelo raro privilégio que me concedes ao seres minha amiga. E parabéns, neste dia tão especial para ti. Venham mais cinquenta. Não tenho dúvidas que saberás dar conta deles.
E pronto, lá terei eu de me vestir de preto, que com preto não me comprometo, meiinha na perna, tailleur no corpo, sapatito de tacão alto no pé... que sacrifício... mas o que é que eu não faço por esta mulher?

Muitos parabéns!

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Palhaçadas (e não me apetece dizer mais nada)

Educação: Escolas passam a definir prazos da avaliação de desempenho dos professores, mas processo mantém-se

10 de Fevereiro de 2008, 07:00

Lisboa, 10 Fev (Lusa) - "O Ministério da Educação decidiu alterar novamente os prazos para as escolas produzirem instrumentos de registo e para os professores definirem objectivos individuais para os anos lectivos de 2007 a 2009, no âmbito do processo de avaliação de desempenho.
Reconhecendo as dificuldades dos estabelecimentos de ensino no cumprimento daqueles prazos, o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, afirmou sábado à Lusa que não faz sentido "comprometer todo o processo por causa dos prazos intermédios".
De acordo com estes prazos, as escolas tinham até 25 de Fevereiro para aprovar os instrumentos de registo e de medida, e os docentes até 10 de Março para estabelecer os seus objectivos individuais para os anos lectivos 2007/08 e 2008/09, já que a avaliação de desempenho realiza-se de dois em dois anos, segundo o Estatuto da Carreira Docente (ECD).
Depois de uma reunião entre a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e os secretários de Estado Valter Lemos e Jorge Pedreira com o Conselho das Escolas, órgão consultivo do Ministério da Educação (ME), a tutela decidiu sábado que as escolas poderão fixar os seus próprios prazos.
"Mediante decisão fundamentada das direcções executivas, ouvidos os conselhos pedagógicos, fixar os seus próprios prazos para a realização daquela avaliação", referiu o Ministério da Educação.
"Desde que estes não ponham em causa o cumprimento das regras da avaliação, designadamente os direitos, os deveres e os períodos objecto de avaliação", acrescenta o ME, em comunicado divulgado sábado à noite.
A polémica em torno da avaliação de desempenho dos docentes começou a 10 de Janeiro, quando foi publicado o decreto regulamentar sobre esta matéria.
Este documento, estipulava que nos primeiros 20 dias úteis após a sua entrada em vigor as escolas deverão aprovar "os instrumentos de registo e os indicadores de medida" e passados dez dias os docentes deveriam definir os objectivos individuais.
No entanto, o mesmo diploma refere que aqueles instrumentos de registo, a aprovar pelos conselhos pedagógicos das escolas, terão em conta "as recomendações formuladas pelo conselho científico para a avaliação de professores".
O prazo terminava a 08 de Fevereiro, mas a 24 de Janeiro ainda não eram conhecidas as recomendações daquele órgão, que formalmente ainda não estava constituído.
A 24 de Janeiro, o Governo alterou pela primeira vez os prazos, decidindo que os mesmos começavam a contar a partir do momento em que fossem conhecidas as recomendações do Conselho Científico para a Avaliação de Professores (CCAP).
As recomendações acabaram por ser conhecidas no dia 25 à noite, definindo a tutela que os prazos começavam a contar a partir de 28 de Janeiro, segunda-feira.
No entanto, as recomendações "genéricas" do CCAP sobre os instrumentos da avaliação de desempenho só foram divulgadas porque o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, emitiu um despacho em que delegou competências na presidente do CCAP, enquanto o órgão não fosse formalmente constituído.
Apesar de entretanto já ter sido divulgado o despacho que define a constituição do CCAP e o seu modo de funcionamento, ainda estão para ser divulgados os nomes das 20 personalidades que o integram, que se vão juntar a Conceição Castro Ramos, ex-inspectora geral da Educação, já designada presidente do CCAP.
A Federação Nacional do Ensino e Investigação (Fenei) entregou uma providência cautelar a pedir a suspensão do processo de avaliação de desempenho, tendo em conta um conjunto de "irregularidades e ilegalidades".
De acordo com a federação, a providência cautelar foi aceite sexta-feira pelo Tribunal Administrativo de Lisboa, tendo o Governo dez dias úteis para a contestar.
A estrutura sindical alega que o despacho de Jorge Pedreira é ilegal, argumentando que o decreto que regulamenta a avaliação de desempenho dos professores e o próprio Estatuto da Carreira Docente estipulam que as recomendações têm de ser produzidos pelo CAAP enquanto órgão, e não pela sua presidente, individualmente.
"A presidente do Conselho Cientifico para a Avaliação dos Professores exerce transitoriamente as funções que por força do artigo [...] são atribuídas ao conselho, até à sua efectiva constituição", lê-se no despacho assinado por Jorge Pedreira a 24 de Janeiro.
Numa altura em que os sindicatos de docentes pediram a suspensão do processo de avaliação de desempenho docente, afirmando que as escolas não conseguiriam cumprir os prazos dada a ausência das recomendações do CCAP, o Governo afirmou não ser obrigatório que os estabelecimentos de ensino seguissem as orientações daquele órgão.
"Os conselhos pedagógicos podem produzir os seus instrumentos sem essas recomendações. Não é obrigatório que as recomendações existam. O decreto regulamentar diz «tendo em conta as recomendações que forem formuladas». Se não forem formuladas...", afirmou o secretário de Estado Adjunto e da Educação.
O processo de avaliação de desempenho dos professores contratados tem de estar concluído até ao final deste ano lectivo e o dos restantes, a grande maioria, até ao final do ano lectivo 2008/09."
MLS.
Lusa/Fim
Epidemias I

Hoje vou falar de uma epidemia, surgida no século passado, e que corre o risco de se tornar uma verdadeira praga neste nosso século XXI. Trata-se de uma epidemia que ataca o ser humano de forma bastante selectiva, e que ataca predominantemente o género feminino. Os efeitos desta doença são mais visíveis no Hemisfério Norte, muito embora este fenómeno tenha também bastante penetração nalguns países do Hemisfério Sul, como por exemplo no Brasil ou na Argentina. Prevejo mesmo que a contaminação será global à medida que mais países entrarem na economia de mercado, à medida que mais países conseguirem dar um melhor nível de vida às suas populações. É que esta epidemia está relacionada com um certo poder e riqueza material dos povos e o mais das vezes relaciona-se com muita pobreza mental, já que esta doença grassa nas sociedades ditas desenvolvidas, onde o parecer é globalmente mais importante do que o ser.
Desconheço completamente o agente infeccioso, desconheço completamente as causas de tão peculiar doença e por isso vou presumir. Os meus leitores perdoar-me-ão. Presumo tratar-se de uma virose, uma virose que ataca as células cerebrais no seu conjunto provocando um curto-circuito cerebral e que tem como efeito colateral, sendo mesmo a única manifestação visível da doença, o surgimento de duas mamas de silicone. Ainda há bem pouco tempo foi notícia por todo o Portugal a infecção de uma nova mulher, jovem, de seu nome Floribella. Não há hipótese, quando os neurónios entram em curto-circuito... lá está, mamas de silicone. Que por sua vez provocam outro curto-circuito cerebral fazendo com que as mulheres apresentem comportamentos estranhos e comecem a pavonear e a ostentar umas coisas ridículas e inestéticas, a maioria das vezes mais parecidas com umas bolas, de maior ou menor tamanho, a maior parte das vezes de grande ou mesmo enorme tamanho, confundindo estas mulheres quantidade com qualidade.
Ontem foi dia de discutir estes assuntos tão elevados em casa da minha sogra provocando as gargalhadas de quem lá estava com as minhas palermices. E se o saquito de silicone sai do sítio? Poder-se-à ficar com umas mamas de lado? Ou até quem sabe uma no sítio e outra de lado, para ser mais original? E não devem se esquisitas ao tacto? Sim, devem ter uma consistência fora do vulgar. E quanto à temperatura? Arre que devem ser frias... pois se não têm irrigação sanguínea!
Fiquei a pensar. Tanta consequência por causa de uma virose que ataca os neurónios provocando-lhes um curto-circuito cerebral que por sua vez se reflecte nas mamas! Safa!! Epidemia perigosa esta, que ataca o mulherio a partir de tenra idade, e faz com que adolescentes de dez, doze, catorze anos peçam de prenda de anos aos pais a manifestação visível desta estranhíssima doença. Este mundo está um lugar estranho.

PS - Propositadamente este post ficará sem a correspondente postagem iconográfica. Não me faltariam fotografias na Net sobre tão peculiar fenómeno, mas por uma questão de respeito para com as infectadas o post ficará assim. Singelo.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Efeito das Providências Cautelares sobre a Avaliação do Desempenho Docente

"O Tribunal Administrativo de Lisboa admitiu "liminarmente" a providência cautelar, com efeitos suspensivos, interposta pelo Sindicato Independente e Democrático dos Professores (Sindep), que apontava irregularidades cometidas pelo Ministério da Educação no âmbito da avaliação dos professores. A tutela tem 10 dias para contestar a decisão, que poderá mesmo congelar todo o processo. Em causa, como avançou o DN há uma semana, quando a providência cautelar foi entregue, está um despacho do secretário de Estado adjunto da Educação, Jorge Pedreira, em que este atribuiu à antiga inspectora-geral da Educação, Conceição Castro Ramos, competências para emitir recomendações em nome do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores (CCAP) - entidade a que esta vai presidir, mas que ainda não foi constituída. O decreto lei que regula a avaliação dos professores (2/2008) indica às escolas que sigam as recomendações do CCAP na adopção de uma série de "indicadores de registo" necessários ao processo de classificação. E a ausência dessas recomendações, por o conselho não existir, foi invocada pelos sindicatos para pedirem o adiamento do processo. Mas Conceição Castro Ramos, mandatada para o efeito pelo secretário de Estado, acabou por fazê-las. Agora, com a decisão do tribunal, que diz não "antever fundamento de rejeição" da providência cautelar, o Sindep considera que "todo o processo de avaliação" fica suspenso. "A intenção da lei é clara", disse ao DN Carlos Chagas, do sindicato: "As escolas eram obrigadas a seguir as recomendações antes de avançarem com o processo. E as recomendações que foram feitas são inválidas". Visão completamente oposta tem a tutela: "O Ministério da Educação tem um prazo para concretizar a oposição à providência cautelar e vai fazê-lo", disse ao DN Rui Nunes, assessor de imprensa da ministra Maria de Lurdes Rodrigues. "Mas, do ponto de vista do Ministério, a acção em causa não tem quaisquer efeitos suspensivos do processo de avaliação em si". O argumento do Executivo, aliás já defendido publicamente por Jorge Pedreira, é que, apesar de as regras dizerem que as escolas "devem" seguir as recomendações do CCAP, não há nada que as impeça de prosseguir com o processo de avaliação caso estas não existam. A providência cautelar interposta pelo Sindep foi a primeira de uma série de acções do género movidas pelos sindicatos. Esta semana, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) já entregou providências cautelares em Coimbra e no Porto e hoje vai fazê-lo no mesmo tribunal que aceitou a acção do Sindep. Apesar de o segundo período estar já em curso e dos atrasos no processo, o Ministério da Educação não abdica de que a avaliação bienal reflicta já este ano lectivo, admitindo apenas "trabalhar" com as escolas no sentido de identificar os aspectos que podem ser avaliados já este ano."

In DN Online

Biscoito da Teixeira - S. Gonçalo - Amarante - Portugal
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Gula

Hoje vou falar sobre um dos pecados capitais. Vou falar sobre a gula, o pecado capital, ou mesmo mortal, da minha preferência, e por causa do qual sou uma pecadora praticante.
A gula, assim como a ira, a cobiça, a inveja, o orgulho, a preguiça e a luxúria é um daqueles pecados que, uma vez cometidos, nos levam direitinhos ao inferno, àquela coisa muito quente, permanentemente em chamas, que consumirá e atormentará os pobres dos pecadores, para todo o sempre, após a sua morte. Uma chatice.
Devo esclarecer desde já que há alguns pecados mortais, entre os sete, que não aprecio de todo, e considero-os mesmo, mesmo muito, feios. É o caso da ira, da cobiça, da luxúria, da inveja. Mas já não é o caso dos restantes que cometidos e absorvidos em pequenas doses, aqui e ali, me dão um gozo desgraçado.
Sim, já sei. Perante a igreja católica sou uma mulher perdida. Mas assim continuo, assumidamente. Assim continuo, assumidamente, uma praticante devota do pecado da gula. Tenho mesmo de me confessar, sem penitência a seguir. Sou uma mulher gulosa. O que é que hei-de fazer? É que não resisto mesmo a uma doçaria e sou assim desde que me conheço.
É claro que com o tempo e a idade a avançar tive de tomar providências cautelares face à possibilidade de crescer para os lados e, vai daí, cortei o açucar em tudo o que são bebidas. Tomo café, chá, leite, refresco de limão tudo sem um grãozinho de açucar para depois poder comer uma boa fatia de pudim, um bolo de prata, um queque, um bolo de arroz, e até, pecado, pecado, pecado, para depois perder a cabeça com um mille feuille da Patisserie du Sud, de Ouarzazate, comido pela rua fora em atitude descomposta, lambendo os dedos, ai pecado!, comendo dois de seguida, ai pecado!, comendo e chorando por mais.
E vou confessar uma outra manifestação da minha gula que pratico desde miúda e em que sou especialista. Rapar as bacias onde se fez a massa dos bolos. A Joana, que felizmente para mim nunca gostou desta actividade divinal, aprendeu logo de pequenina a deixar-me as bacias generosamente cobertas com uma película de massa crúa em que eu me lambuzo com a ajuda de uma colher de pau, cometendo o pecado da gula, uma e outra vez, sem remorsos e sem penitências. E pensando melhor, com penitências. Está na hora de ir ao café tomar o dito, acompanhado por um queque acabadinho de sair do forno. E de comprar Biscoito da Teixeira, da dona Isaura, para ir triturando durante o fim-de-semana.
Delícia. Delícia, o pecado da gula.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008


Portfólio Digital
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Portfólio Digital

Como se não tivesse mais nada para fazer, resolvi meter-me numa nova empreitada ligada às novas tecnologias, e iniciei o meu portfólio digital. Às cegas, às escuras, pois nunca vi nenhum modelo, e a elaboração de portfólios não fez parte da minha formação, pedi ajuda ao Valente, meu valente formador no âmbito das TIC, que me enviou prontamente uns endereços com informação teórica sobre a coisa. Depois de ler obliquamente a informação, em inglês, em inglês, my god!, deitei mãos ao trabalho e iniciei o processo de realização do dito portfólio, num trabalho semelhante a uma trapezista de circo que faz o seu número sem rede. É como eu me sinto. Uma trapezista sem rede. Oriento-me pelo meu bom-senso e ponderação, e lá vou tacteando e pedindo a opinião ao Artur, ao Helder Barros, à Elsa Cerqueira, à minha sobrinha Bárbara, sobre a criança que tenho entre mãos há já quatro dias e que quero levar a bom porto. Por uma questão estética mantive a imagem que já é minha. Fundo preto, letras brancas e vermelhas, com um pouco de azul. Gostaria que o resultado final fosse sóbrio e elegante. Gostei bastante do que li sobre os portfólios. E depois agradou-me o conceito de coisa em constante transformação, nunca acabada, portanto. Lembrei-me dos meus muros e dos meus caminhos da Barca onde eu trabalho a cada ano que passa estando muito, muito longe do produto final. Mas eu sou perseverante e gosto de trabalhar. E, Senhora Ministra, relembro-a que sou hiperactiva, nada de me complicar mais o horário ou eu baixo os braços perante a manifesta falta de condições na escola para a realização de todo o trabalho em que estou envolvida.

Aqui deixo a hiperligação para o meu ainda embrião de portfólio digital.

http://anabelapmatias1.googlepages.com/home

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008


In http://lobi.blogs.sapo.pt/

Projectos de José Sócrates

Recebi ontem um e-mail que circula um pouco por todas as caixas de correio electrónico deste país e, quiçá, pelas caixas de correio electrónico um pouco por todo o mundo. O assunto tratado é de extrema gravidade e é emblemático, pela negativa, daquilo que eu penso sobre a importância de sermos coerentes no nosso discurso e na nossa prática. Para pedirmos aos outros competências, temos de ser competentes, para pedirmos aos outros rigor, temos de ser rigorosos, para pedirmos aos outros melhor, temos obrigação moral de fazer melhor. Pelos vistos não é o caso do nosso "Primeiro" que na sua actividade profissional desenhou umas "coisas" abaixo de pataqueiras, abaixo mesmo de merdosas, contribuindo para a degradação estética, ambiental e visual dos "sítios" onde deixou a sua marca em assinatura e em obra edificada.

É um assunto que me incomoda extraordinariamente, este da degradação estética do meu país, com "coisas" construídas sem rei nem roque, sem nexo e, quantas vezes, sem necessidade. É um espectáculo que me deixa com náuseas e com vontade de vomitar, que me deixa deveras deprimida, este de assistir à degradação visual e estética do meu país e que as pessoas pagam caro em degradação da qualidade de vida.
Sim, haverá sempre xicos-espertos e patos-bravos a aproveitarem-se da falta de cultura, da falta de instrução, da falta de conhecimentos, da pobreza de espírito e, por vezes, mas não necessariamente, da pobreza material que por este país grassa, lucrando com elas.
Que tenha sido esse o caso do nosso "Primeiro" incomoda-me sobremaneira. Porque o exemplo tem de vir de cima e tem de ser inatacável, impoluto, não-conspurcado pela choldrice que fede um pouco por tudo quanto é sítio neste país.

Sei que um dos exemplos a não seguir, a não repetir, em matéria de urbanismo e arquitectura, e apontado nas escolas da especialidade, é o exemplo da nossa vizinha cidade do Marco de Canaveses. Mas o exemplo podia ser retirado dos arrabaldes de Amarante, onde apenas o casco antigo tem qualidade e funciona como um todo edificado de forma coerente e lógica. Ou podia ser Cucujães. Não interessa. A doença espalhou-se por todo o país como uma peste, como uma praga, uma epidemia. E afinal apenas temos agora mais um paradigma, resultante da "habilidade" para o rabisco do nosso "Primeiro" que decerto fará furor pelas nossas faculdades como paradigma da contribuição emblemática e proactiva para o caos, para o manifestamente mau, o deprimente, o pataqueiro, o merdoso, em matéria de habitação, em matéria de edificação industrial.
Deixo aqui o "link" para quem quiser perder algum tempo. Deixo aqui o "link" para quem quiser abrir a boca de espanto perante a qualidade projectista de um engenheiro. Feito à pressa?

http://static.publico.clix.pt/docs/politica/projectossocrates/index.html

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

David Bowie - Modern Love

Hoje volto a postar Modern Love. O seu a seu dono. E o dono de Modern Love é David Bowie. Reconheço que actualmente estou muito mais ligada à sonoridade mais intimista e calma da versão já postada neste blogue de The Last Town Chorus. Quero, no entanto, deixar registado este Modern Love, que tantas vezes me embalou o corpo. Aliás, David Bowie embalou-me frequentemente o corpo, noite adentro nas discotecas cá do burgo. Noites boas, essas. Fiz o que tinha a fazer, num tempo em que a noite amarantina era extraordinariamente animada e agitada mas ainda relativamente pacífica e saudável. Foi bom. Foi mesmo muito bom.
Sem saudades. Fiz o que tinha a fazer.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008


Carnaval - Sahara - Marrocos
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Carnaval

Hoje foi Terça-Feira de Carnaval e eu quase deixava passar em falso esta data tão importante, sem lhe fazer uma referência aqui no blogue. Pois aqui vai qualquer coisita rápida.

O Carnaval, com origem a perder-se no tempo, talvez na Antiga Roma ou mesmo no Antigo Egipto, é uma festa de origem pagã que foi posteriormente incorporada pelo cristianismo. É uma data marcada pelos excessos, onde todas as folias são permitidas, antes do período triste da Quaresma em que todos os crentes são convidados a uma aproximação com Deus, à oração, ao recolhimento, à prática da esmola, à meditação, ao jejum e à penitência. Mas o dia de Carnaval é ainda um dia onde toda a loucura é permitida, onde se podem cometer todos os excessos no trajar, nas atitudes, nos comportamentos... mesmo à mesa e por norma, aqui na nossa região é dia de comer orelheira, a pecaminosa e perigosa carne de porco! Hoje, como sempre, não fugi a esta tradição e foi ver-me a atacar um maravilhoso cozido à portuguesa ao almoço. E também não fugi à tradição da máscara. Como passei a tarde a trabalhar na minha página web que albergará o meu porfólio digital e fiquei com os olhos em bico de tanto trabalhar no computador, não sei porquê lembrei-me do meu sobrinho Rodrigo, gosto de pensar que passei o dia de Carnaval mascarada de chinesa. Aliás cheguei ao pé dos meus e perguntei-lhes se não viam em mim uma verdadeira chinesa de olhos verdadeiramente em bico...

Haja alegria no trabalho!
The Last Town Chorus - Modern Love

I catch the paper boy
But things don't really change
I'm standing in the rain
But I never wave bye-bye
But I try, I try

There's no sign of life
It's just the power to charm
I'm lying in the rain
But I never wave bye-bye
But I try, I try

Never gonna fall for Modern love
It walks beside me
walks on by
It gets me to the church on time

Church on time terrifies me
makes me party
It puts my faith in god and man
God and man no confessions
no religion
It don't believe in modern love

It's not really worth
It's just the power to charm
Still lying in the rain
But I never wave bye-bye
But I try, I try

Never gonna fall for Modern love
It walks beside me
walks on by
It gets me to the church on time

Church on time terrifies me
makes me party
It puts my trust in god and man
God and man no confessions
no religion
It don't believe in modern love


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008



Sala de Professores - ESA - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

"Não se Fala Noutra Coisa na Sala de Professores"

Este é o título da reportagem saída na passada quinta-feira, na revista Visão, e que nos dá conta das contas que os professores vão fazendo aos anos que lhes faltam para atingirem e pedirem a sua reforma, um pouco por todas as escolas do país. Prevê-se mesmo uma sangria nos tempos mais próximos com as novas regras de aposentação que aí estão à espera de promulgação pelo Presidente da República. E os professores nem se importam muito de sair penalizados. Já não estão para aturar mais nada. Estão esgotados. Gente que já deu tanto de si ao ensino! Lamentável. Lamentável a posição extremamente deprimente em que o Estado colocou toda uma classe profissional. Se era este o fim pretendido tenho de lhes tirar o meu chapéu.
Só sublinho em jeito de conclusão que o Estado, democrático, não se anda a comportar como uma pessoa de bem.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Old Jerusalem - Her Scarf

Hoje apresento o projecto do músico português Francisco Silva, oriundo da nossa vizinha cidade do Porto, no activo desde 2002. Trata-se de um projecto de música que conjuga uma sonoridade alternativa e folk, muito interessante, e que tem como resultado final um som bastante calmo e tranquilizador. Aconselho os meus leitores a investigarem e a ouvirem um pouco mais Old Jerusalem, clicando na hiperligação.

http://www.myspace.com/oldj

sábado, 2 de fevereiro de 2008




Pinturas Rupestres - Akakus - Líbia
Fotografias de Artur Matias de Magalhães

Cenas Tristes

O texto que hoje transcrevo circula há um tempo na net. Desconheço a sua autoria. Desconheço se corresponde a factos realmente acontecidos mas também não é muito relevante para o caso. Traduz, de qualquer forma, uma realidade que infelizmente ainda persiste em todas as latitudes, em todos os povos, em todas as religiões, em todos os clubes. Provavelmente todos nós conhecemos pessoas capazes de actuar como esta mulher da história. Daí postar este texto no meu blogue reconhecendo que ele constitui um bom ponto de partida para nos interrogarmos sobre as nossas atitudes, erradas, de sobranceria, de ostentação, de racismo, de humilhação constante do outro, só porque ele é negro, cigano, muçulmano, pobre, deficiente, alto, gordo, deselegante, e tudo o mais que se afaste da nossa norma. É nossa obrigação procurar ver para além de. É nossa obrigação procurar ver para além dos preconceitos. E é nossa obrigação reagir.

"A seguinte cena aconteceu num voo da British Airways entre Johannesburgo(África do Sul) e Londres.
Uma mulher branca, aproximadamente de 50 anos, chegou ao seu lugar na classe económica e viu que estava ao lado de um passageiro negro. Visivelmente perturbada, chamou a assistente de bordo."Qual o problema, senhora"? perguntou a assistente. "Não está vendo? - respondeu a senhora - Vocês me colocaram ao lado de um negro. Não posso ficar aqui. Vocês têm de me arranjar outro lugar."Por favor, acalme-se - disse a hospedeira - "infelizmente, todos os lugares estão ocupados. Porém, vou ver se ainda temos algum disponível". A hospedeira afasta-se e volta alguns minutos depois."Senhora, como eu disse, não há nenhum outro lugar livre na classe económica. Temos apenas um lugar na primeira classe. Falei com o Comandante sobre este problema". E antes que a mulher fizesse algum comentário, a hospedeira continua:"Veja, não é comum que a nossa companhia permita a um passageiro da classe económica sentar-se na primeira classe. Porém, tendo em vista as circunstâncias, o comandante pensa que seria escandaloso obrigar um passageiro a viajar ao lado de uma pessoa desagradável e indigna ".E, dirigindo-se ao senhor negro, a comissária prosseguiu: "Portanto, senhor, caso queira, por favor, pegue a sua bagagem de mão, pois temos para o senhor um lugar na primeira classe..."
Todos os passageiros próximos, que, estupefactos, assistiam à cena, começaram a aplaudir, alguns de pé."

"O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons."

Martin Luther King

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Rufus Wainwrigth - Going to a Town

I'm going to a town that has already been burned down
I'm going to a place that is already been disgraced
I'm gonna see some folks who have already been letdown.
I'm so tired of America

I'm gonna make it up for all of the Sunday Times
I'm gonna make it up for all of the nursery rhymes
They never really seem to want to tell the truth
I'm so tired of you America

Making my own way home
Ain't gonna be alone
I got a life to lead America
I got a life to lead

Tell me do you really think you go to hell for having loved?
Tell me and not for thinking every thing that you've done is good
(I really need to know)
After soaking the body of Jesus Christ in blood

I'm so tired of America
(I really need to know)

I may just never see you again or might as well
You took advantage of a world that loved you well
I'm going to a town that has already been burned down
I'm so tired of you America

Making my own way home
Ain't gonna be alone
I got a life to lead America
I got a life to lead
I got a soul to feed
I got a dream to heed
And that's all I need

Making my own way home
Ain't gonna be alone
I'm going to a town that has already been burned down

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Amy Winehouse - Back to Black

Ontem, ao entrar no blogue do Helder Barros, fiquei boquiaberta com esta mulher de voz poderosíssima, completamente desconhecida para mim. Vai daí, investiguei-lhe os passos, e aquilo que já li, e vi, deixou-me preocupada e triste.
Mas como é que esta mulher, de talento excepcional para a música e dona deste vozeirão, se deixa enredar nas teias do álcool e das drogas?
Complicada a vida se não conseguimos dar a volta por cima por forma a superarmos os nossos traumas, os nossos problemas. Complicada a vida se perdemos o controlo sobre os nossos passos, se perdemos o controlo sobre nós próprios.
Esta jovem, nascida em 1983 e oriunda dos subúrbios de Londres, tem andado perdida. Perdida dentro de si própria.
Internada por diversas vezes em clínicas de reabilitação para tratar as suas dependências, Amy Winehouse não parece ainda ter encontrado o seu porto seguro e encontra-se a braços com uma vida descontrolada, errática, pelos consumos igualmente descontrolados de substâncias tão perigosas como as drogas duras.
Que a luta dela sirva para meditarmos e para decidirmos não enveredar por estes caminhos tortuosos, enganadores e destruidores.

http://www.amywinehouse.co.uk/

http://www.myspace.com/amywinehouse

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Ainda sobre a Avaliação de Desempenho

Um dia destes recebi do Helder Barros esta caricatura/sátira à Avaliação de Desempenho do pessoal docente. Dos professores portanto. Face à conjuntura actual posto-a hoje no meu blogue. A deriva que se vive hoje nas escolas com medidas e leis que dão uma no cravo e outra na ferradura e que "parecem" feitas à pressa e em cima do joelho, é preocupante.
E a forma como está a ser implementada a Avaliação de Desempenho tem sido mais do que preocupante, tem sido desastrosa. Se conseguirmos, vamos rindo. Porque o riso é uma excelente terapia.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Damien Rice - Elephant

A precisar de voltar a acompanhar Damien Rice, "para quando a recuperação total do meu pio?", aqui deixo uma música belíssima deste músico de excepção já postado neste blogue.
Estou a precisar de música. Estou a precisar de voltar a cantar. E pode ser "and she may cry like a baby".
Estou a precisar de cantar. Para quando a recuperação do meu pio?

this has got to die
i said this has got to stop
this has got to lie down
with someone else on top
you can keep me pinned
'cause it's easier to tease
but you can't paint an elephant
quite as good as she
and she may cry like a baby
and she may drive me crazy
'cause i am lately lonely

so why did ya have to lie
i take it i'm your crutch
the pillow in your pillowcase
is easier to touch
and when you think you've sinned
do you fall upon your knees?
or do you sit within your picture?
do you still forget the breeze?
and she may rise if i sing you down
and she may wisely cling to the ground
'cause i'm lately horny
so why would she take me thorny?

what's the point of this song or even singing?
if you've already gone, why am i clinging?
well i could throw her out
and i could live without
and i could do it all for you
i could be true
tell me if you want me to lie
'cause this has got to die
i said this has to stop
this has got to lie down, down
with someone else on top
you can both keep me pinned
'cause it's easier to tease
but ye can't make me happy
quite as good as me..
well,
you know that's a lie

Fichas de Avaliação do Desempenho

Disponíveis em

http://www.dgrhe.min-edu.pt/DOCENTES/FichasAvaliacaoDesempenho.htm

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

SNS - Sem Comentários

Violência Doméstica

Hoje deixo um alerta para um problema gravíssimo que as nossas sociedades contemporâneas não conseguiram ainda resolver e não conseguiram ainda erradicar do seu seio, apesar de toda a sofisticação alcançada, apesar de todo o progresso económico e cultural conseguido, até hoje, pela humanidade no seu conjunto. Hoje deixo um alerta para um problema gravíssimo que atravessa, sem distinção, gente de diferentes credos e religiões, de diferentes culturas, de diferentes etnias e nacionalidades, de diferentes filiações partidárias, de diferentes classes sociais e económicas, de diferentes faixas etárias. Esse problema chama-se Violência Doméstica.
O problema existe, é real, e é mais chocante quando acontece em sociedades que se querem/dizem compreensivas e tolerantes, quando acontece em sociedades ditas civilizadas e democráticas, quando acontece em sociedades que se dizem longe da barbárie. Só que a barbárie não é só apanágio dos analfabetos, dos pouco instruídos, dos pobres e miseráveis. A barbárie está dentro de nós. Basta olhar para dentro de portas, para aquilo que deveria ser sempre um porto de abrigo e que se transforma, quantas vezes, num "dormir com o inimigo".
Nunca é demais frisar que a mudança, de mentalidades e de práticas, está nas nossas mãos.

domingo, 27 de janeiro de 2008



Verinha - Salvador - Amarante
Fotografias de Vera Seara

Verinha

A Verinha está hoje de parabéns. Catorze anos acabadinhos de fazer já são razão mais do que suficiente. Mas a Verinha está de parabéns por uma outra razão. A Verinha, com a aproximação dos catorze anos, resolveu entrar para a blogosfera. Eu notei-lhe a vontade, a curiosidade, o apetite por este mundo tão interessante e criativo da blogosfera. E soube a novidade por ela. A Verinha pariu um blogue aos treze anos. E pariu um blogue inesperado pois através dele pude constatar uma escrita verdadeiramente surpreendente para uma adolescente de treze/catorze anos. Porque é uma escrita correcta e escorreita que joga sabiamente com as palavras e explora e trata os sentimentos mais nobres e mais profundos de uma forma muito madura, muito elaborada, muito complexa. E porque tratando-se de textos em prosa não podemos deixar de constatar tratar-se de uma prosa muito poética.
Aqui lhe deixo os meus parabéns. Públicos.
Razões de sobra para aqui deixar o endereço desta nova blogueira dizendo para terminar "Temos mulher!"

Plain White T`s - Hey There Delilah

hey there delilah
whats it like in new york city
im a thousand miles away
but girl tonight you look so pretty
yes you do
time square cant shine as bright as you
i swear its true

hey there delilah
dont you worry about the distance
im right there if you get lonely
give this song another listen
close your eyes
listen to my voice its my disguise
im by your side

oh its what you do to me
oh its what you do to me
oh its what you do to me
oh its what you do to me
what you do to me

hey there delilah
i know times are gettin hard
but just believe me girl
someday ill pay the bills with this guitar
we'll have it good
we'll have the life we knew we would
my word is good

hey there delilah
ive got so much left to say
if every simple song i wrote to you
would take your breath away
id write it all
even more in love with me youd fall
we'd have it all

oh its what you do to me
oh its what you do to me
oh its what you do to me
oh its what you do to me

a thousand miles seems pretty far
but they've got planes and trains and cars
id walk to you if i had no other way
our friends would all make fun of us
and we'll just laugh along because we know
that none of them have felt this way
delilah i can promise you
that by the time that we get through
the world will never ever be the same
and youre to blame

hey there delilah
you be good and dont you miss me
two more years and youll be done with school
and ill be makin history like i do
you know its all because of you
we can do whatever we want to
hey there delilah heres to you
this ones for you

oh its what you do to me
oh its what you do to me
oh its what you do to me
oh its what you do to me
what you do to me

sábado, 26 de janeiro de 2008

Recomendações

Ontem à noite, sim porque esta gente do Ministério da Educação trabalha até pela noite dentro, saíram finalmente algumas recomendações para a elaboração dos instrumentos de registo normalizados, observação de aulas ou, mais corriqueiramente, das fichas e grelhas que servirão para nos avaliar. Recomendações gerais e vagas, até porque o Conselho Científico para a Avaliação de Professores (CCAP) ainda não está constituído estando apenas ocupada a cadeira da presidência. É um órgão formado apenas por uma pessoa. É uma casa composta apenas por um telhado que levita. E que passou a batata quente para os Conselhos Pedagógicos das escolas ou agrupamentos.
É o que temos. Depois, depois logo se verá.

http://www.min-edu.pt/np3content/?newsId=1599&fileName=ccap_recomend_instrum_registo.pdf

Aula de História - ESA - S. Gonçalo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Professores são profissão em que portugueses mais confiam

Lusa 2008-01-25

"Segundo uma sondagem mundial realizada para o Fórum Económico Mundial, os professores são a profissão em que os portugueses mais confiam e também aquela a quem confiariam mais poder no país.
Os professores merecem a confiança de 42% dos portugueses, muito acima dos 24% que confiam nos líderes militares e da polícia, dos 20% que dão a sua confiança aos jornalistas e dos 18% que acreditam nos líderes religiosos. Os políticos são os que menos têm a confiança dos portugueses, com apenas 7%."

Enfim, boas notícias.

E agora pergunto eu, que sou uma relezita professoreca, com uma relezita licenciatura tirada numa relezita Faculdade de Letras e que jamais chegará à suprema categoria de Professora Titular... Para quando uma avaliação de desempenho que avalie os nossos governantes políticos?! Só para inquirir do nosso grau de satisfação?

Crianças - Bojador - Sahara Ocidental
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Estratégias

Ontem à noite evadi-me para longe daqui. Para as montanhas rochosas do Akakus, para as dunas colossais do deserto, para longe do ruído que por vezes estoura na minha cabeça. É uma estratégia minha. Uma estratégia consciente e deliberada que me permite ser mais feliz. Quando uma viagem me deprime de má, regresso a casa e começo a planear a próxima, só para me entusiasmar com o processo, só para arrumar definitivamente na minha cabeça o que me incomodou, o que me zangou, o que me entristeceu. Quando sou ultrapassada pelos acontecimentos sem conseguir ter mão neles e dar-lhes a volta, quando me sinto à mercê de não sei o quê, deito-me e durmo esperando ver as coisas de forma mais optimista ao acordar. Ou então evado-me mentalmente da choldrice, evado-me mentalmente para pessoas de quem gosto particularmente e, mais frequentemente, evado-me para lugares. Invariavelmente evado-me para o silêncio da Barca, para o silêncio do Sahara.
Foi o caso de ontem. Cansada duma semana em que o desânimo e a confusão se apoderou da escola e em que o que mais ouvi foi frases como "Se pudesse ia embora já hoje." " Até falei com o meu sogro para ver se me arranjava um emprego fora da escola." Já não aguento mais." "Vou sair penalizada mas não me importo." "Estive a fazer contas para a reforma. Já só tenho de trabalhar mais um ano.", confesso que cheguei ao fim da semana como se carregasse o mundo nas costas, cansada do ambiente docente, que nunca foi este e que sempre foi, até aqui, optimista e enérgico.
Ingressei na docência no longínquo ano de 1988 e desde aí não mais parei, não interrompi nunca a minha actividade e confesso que estou perplexa com o que se está a passar. Nunca vi ou senti nada assim.
Por isso aqui deixo os meus parabéns à tutela. Se a intenção é desmoralizar os professores, baralhar e tornar a dar, achincalhar, maltratar, estão a conseguir.

Eu por mim confesso que continuo recorrer às minhas estratégias pessoais para na segunda-feira me apresentar aos meus meninos enérgica, optimista, entusiasmada, feliz, esperançada no futuro. Por isso postei estes miúdos fotografados numa descida à praia, algures muito perto do cabo Bojador. Miúdos que ficaram guardados na minha memória pela alegria espontânea demonstrada, pela curiosidade em querer saber coisas sobre nós, pela calmaria que reinava naquela praia imensa e onde só estavam eles acompanhados do seu professor que sorria satisfeito apreciando a cena.

E por uma questão de estratégia acabo o "post" remetendo-me para o mítico cabo Bojador, representativo da superação das dificuldades, das armadilhas dos ventos e das correntes, das calmarias enganadoras, dos escolhos, dos monstros domados e dominados, dos muros ultrapassados, dos nós desatados.
Porque teremos de superar os nossos cabos. Porque, inevitavelmente, teremos de chegar a porto seguro.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Abdol


Abdol Verde - Sahara - Líbia
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Abdol

Hoje volto a 2004, à minha viagem à Líbia, desta vez para falar de um personagem chamado Abdol.
Esclarecimentos prévios para quem desejar seguir o exemplo. A saber. Não se entra na Líbia como se entra em qualquer outro país. Não se viaja na Líbia como se viaja em qualquer outro país. Para além de não se entrar na Líbia sem o convite escrito de um líbio, também não se passeia na Líbia sem aquilo a que os líbios chamam de polícia turística, polícia esta dependente do estado, e que tem como nobre missão proteger a turistada, que por estas areias se aventura, de possíveis ataques terroristas, em paragens tão inóspitas e desprotegidas como o deserto do Sahara.
E depois de feitos estes prévios esclarecimentos passo ao Abdol propriamente dito e à sua nobre missão de vigilância de dezanove portugueses difíceis.
Vindos da Tunísia, e passado o primeiro controlo fronteiriço tunisino, eis-nos parados do lado líbio. Documentos para cá e para lá, toda a gente a testar os seus telemóveis que imediatamente ficaram sem pio, estamos nestes preparos e eis que nos entra, mini-bus adentro, um indivíduo desconhecido, pestilentemente perfumado a suor. Era o nosso polícia turístico, que bem se esforçaria por nos acompanhar em todos os passos por terras da república de Kadafi, tarefa para o qual foi previamente mandatado, mas que se revelaria assaz complicada com um grupo tão indisciplinado como o nosso que por vezes, nas localidades, se subdividia em grupos mais pequenos andando ao deus dará, dificultando-lhe a tarefa de nos vigiar e controlar, deixando-o tipo uma barata tonta sem saber a quem proteger.
Pois este pide-guide, Abdol de seu nome, prontamente rebaptizado por mim de pide-guide em "homenagem" à nossa polícia política do Estado Novo, revelar-se-ia uma mais-valia imprescindível durante os nossos dias e noites no Sahara. Solteiro, trinta e muitos anos, ex-professor, irmão de três professoras, abandonou a sua profissão por não aguentar as saudades da vida errante e livre no deserto e acabou por abraçar uma profissão que lhe permitia contactar quase diariamente com o que ele mais amava e que eram as dunas de areias multicolores e de formas curvilíneas e sensuais, o vento quente do deserto, as formas improváveis das rochas emergindo das areias, formando arcos, catedrais ou, como eles diziam, formando mesquitas.
A surpresa veio pouco tempo depois do Abdol se ter imiscuído no nosso grupo. O nosso pide-guide era um pide-guide musical que de todas as superfícies extraía música ao som das batucadas que fazia nas superfícies lisas dos jipes, nas superfícies lisas dos jericans de água e de gasóleo, nos tachos e panelas da nossa cozinha tuaregue ambulante.
Cantorias boas que nos acompanharam em todos aqueles dias, e principalmente em todas aquelas noites, passadas à volta duma fogueira, no silêncio rompido daquele deserto. E era um artista completo, o tipo, porque para além de nos dar música, cantava e dançava com um entusiasmo e vontade, entregando-se e perdendo-se completamente naquela alegria irracional de quem comunga inteiramente com o Sahara.

Saudades. Muitas saudades daquele silêncio espampanante do deserto cortado pela música simples, ritmada e enérgica do Abdol. Saudades de sentir a areia quente nos pés. Saudades de me deitar ao comprido sobre a areia comungando completamente com ela, absorvendo a sua energia, o seu calor. Saudades de ouvir as dunas da Líbia a cantar por baixo dos meus pés descalços. Saudades de sentir o vento quente na cara. Saudades da paz e da calmaria interior. Saudades do Mar da Tranquilidade, do Sahara. Saudades.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Nós, Laços e Lacinhos




Nós, Laços e Lacinhos
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Nós, Laços e Lacinhos

Assim como adoro muros, adoro nós, laços e lacinhos. E pelas mesmas razões. Porque os muros se podem contornar, trepar ou saltar, abrindo novos caminhos e percursos até aí, quantas vezes, impensáveis. Porque os nós, laços e lacinhos podem ser desatados e desapertados, abrindo igualmente novos caminhos e percursos até aí, quantas vezes, inexplorados.
E como é bom descobrir, percorrer, abrir e explorar novas perspectivas em todos os domínios das nossas curtas vidas.
De facto, depois do "post" de ontem, estava a precisar duma mensagem mais optimista!!!
E o que há de mais optimista que um nó desatado, um laço ou lacinho desapertado?
Pode até ser caso para perguntar "Há coisas fantásticas, não há?"
E pode até ser caso para responder "Pois há!"

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008


Roda Encostada- Feira Medieval EB 2/3 de Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

A Minha Pátria

Com a insatisfação, o desencanto, a saturação e a balbúrdia a instalar-se nas escolas, fruto de processos precipitados e anárquicos lançados e orquestrados pelo Ministério da Educação e que ainda agora estão no seu início, confesso que, cada vez mais, vejo a minha pátria como uma roda velha, encostada, que serve para muito pouco, se não entrar rapidamente nos eixos ou nos carris. Bem sei que há nichos de excelência neste país, mas o meu sector, o sector público da Educação, está a caminhar a passos largos para o caos completo e absoluto.
Já ninguém se entende nas escolas e a procissão ainda vai no adro. É toda uma classe docente que está no mesmo barco, e o barco anda à deriva.
Já entramos em avaliação mas estamos todos de pés e mãos atadas porque não há orientações dum dito Conselho Científico, que ainda não está constituído e, consequentemente, ainda não produziu qualquer orientação para que se dê início, na prática, a esse mesmo processo avaliativo já iniciado por lei no passado dia 10 de Janeiro. Confuso? A verdade é que, a partir daí, todo o processo de avaliação de desempenho está inquinado, e tudo o que vier a ser feito é um tiro no escuro. Mas os problemas não se ficam por aqui. Há problemas bem concretos, que nós sentimos na pele, nas escolas, e que criam constrangimentos enormes na implementação deste novo modelo de avaliação. E, sem querer ser exaustiva, vou dar só dois ou três exemplos. São os Coordenadores de Departamento que vão ter de avaliar os seus colegas sem que tenham para isso qualquer formação prévia dada pelo Ministério da Educação havendo mesmo, neste momento, casos caricatos de coordenadores que vão ter de assistir a aulas, e analisar planos de aulas de colegas, sem que eles próprios algum dia tenham tido uma aula assistida, ou tenham tido que planificar uma única aula durante os seus estágios pedagógicos. São Coordenadores de Departamento que mal sabem mexer num computador e que vão ter de avaliar colegas que usam as novas tecnologias nas suas aulas, com quadros interactivos, plataformas moodle, apresentações em power point, webquests, etc, etc, criando todos os constrangimentos que essa situação acarreta. São direcções de escolas, que gostam de mostrar trabalho e são subservientes relativamente à tutela, que nos pressionam para iniciarmos um processo, do qual desconhecemos as regras, lançando, assim, todo um corpo docente, na perplexidade e desorientação.
E como se não bastasse, somos obrigados, por lei, a fazer metade da nossa formação na nossa área específica, sob pena de ter insuficiente na avaliação. O caricato é que o Ministério da Educação não disponibiliza esta formação específica. Assim sendo, não há formação específica disponível, desde o ano lectivo anterior, em nenhum Centro de Formação deste país!!!
Ou seja, o estado exige, mas não cumpre a sua parte.
Por estas e por outras, e porque nem me apetece escrever mais sobre o assunto, sob pena de ficar eu própria deprimida, é com imensa pena que transcrevo, hoje, um texto de Guerra Junqueiro, do longínquo ano de 1896, e assumo que é com imensa pena que registo tantas analogias entre este texto e os dias que vivo em Portugal, em pleno século XXI.
Dois milhões de portugueses no limiar de pobreza!!!! Por favor, tirem-me deste filme!!!!

Obrigada, Elsa, por me teres disponibilizado este texto infelizmente tão actual.

Pátria - Guerra Junqueiro - 1896

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta (...)

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta ate à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados (?) na vida intima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro (...)

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do pais, e exercido ao acaso da herança, pelo primeiro que sai dum ventre - como da roda duma lotaria. A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas;

Dois partidos (...), sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes (...) vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se amalgamando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar (...)"
 
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