quinta-feira, 10 de abril de 2008

Um Tributo aos Farmacêuticos que me rodeiam


Frascos de Farmácia - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Um Tributo aos Farmacêuticos que me Rodeiam

Confesso que estou em débito com os farmacêuticos que me rodeiam. Completamente em débito. Vai daí hoje dedicar-lhes-ei por inteiro este "post" sobre as mais marcantes aprendizagens que fiz ao longo da minha vida de convivência estreita com esta classe profissional que eu admiro profundamente.
Os farmacêuticos entraram na minha vida aos 14 anos aquando do meu namoro com o A., estudante de farmácia, à época, irmão da O. , igualmente estudante de Farmácia, filhos de uma farmacêutica que viria a tornar-se minha sogra, sobrinhos de farmacêutica por parte da família do meu sogro.
Para além destes, entraram desde logo uma porrada de estudantes de farmácia que se licenciariam sem problemas, uns anos mais tarde. E assim entraram o Z. T., a S., a A., o C. A., a Z. C., o R., o P. B., a C. e muitos outros, que eles eram muito unidos, facto decorrente, certamente, de serem poucos em número e de se conhecerem todos entre si.
Devo esclarecer que o A. ainda me tentou convencer a ir para Farmácia, e eu até era boa aluna a Química, mas escorpião como sou não alterei o rumo já escolhido. Queria ser professora de História, como a minha professora de História, Ermelinda Montenegro, de que falarei um dia neste blogue.
Já dediquei um "post" a cada um dos farmacêuticos que constituem o núcleo duro de farmacêuticos amigos cá de casa: Z. T. e S., A. e C. Af. que casaram entre si, sendo que só o A., deste grupo restrito, fugiu à regra, e foi casar-se com esta menina de letras.
Habituei-me a observá-los durante todos estes anos, que já são muitos, de convivência com esta classe tão peculiar, isolada que estou nos nossos encontros. E a observar-lhes as práticas.
Gente extraordinária na sua diversidade, portadora de uma enorme cultura geral, informada, culta, viajada, lúcida, muito trabalhadora e enérgica, poderosa na sua formação interior, sólida, generosa na partilha da informação e do saber, generosa na partilha das suas dúvidas, sempre na crista da onda da modernização.
E é sobre estes três últimos pontos que me interessa reflectir um pouco. Sempre observei fascinada a inteira partilha de informação que eles fazem entre si. Sempre observei fascinada a inteira partilha de dúvidas que eles fazem entre si. "Olha, e como é que fazes isto?" E lá trocam perspectivas, experiências e saberes. Esta generosidade e honestidade comportamental, esta constante procura de modernização sempre foram para mim um exemplo e, na minha profissão, tento seguir-lhes o rumo e o caminho, tento seguir o exemplo destes farmacêuticos tão importantes que se instalaram completamente na minha vida e com quem eu tenho aprendido muito ao longo de todos estes anos.
Resta-me só acrescentar que os farmacêuticos da minha vida não acabam aqui. O meu cunhado mais novo tem uma licenciatura a meio. A minha sobrinha mais velha já é mestrada em Farmácia. A minha filhota terminará este ano a sua licenciatura e seguirá as pisadas seguras do seu pai.
É caso para dizer que foi uma verdadeira epidemia esta, a dos farmacêuticos, que se instalou na minha vida. Neste caso uma excelente epidemia que veio para ficar e ficou mesmo.
Obrigada a todos pelo bom exemplo.

Nota - As fotografias que ilustram este "post" são de frascos de Farmácia que durante muitos e muitos anos estiveram associados às farmácias portuguesas. Obsoletos na sua primitiva função, foram por mim reciclados, servindo-me, agora, de frascos de especiarias.
Nilton sobre Maria de Lurdes Rodrigues

"A ministra da Educação não sabe tanto como pensa."

E não é que o rapaz tem razão?
E não é que esta verdade está à vista de todos?

quarta-feira, 9 de abril de 2008


Tosquia - Ouarzazate - Marrocos
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Tosquia II

Com as manifestações de hooligans à vista é claro que era imperativo ir à tosquia. Professora hooligan que se preze anda sempre com o cabelo tosquiado, pequenino, porque a bota tem que condizer com a perdigota! E por isso lá fui mais uma vez à tosquia, e lá me meti outra vez nas mãos dos meus barbeiros predilectos, aqueles que anualmente visito em Ouarzazate, e que já me perguntam à chegada "Comme d`habitude?". Sim, "Comme d`habitude", pente 4 para não variar, para que não me estranhem quando chegar a casa!
Continuo a preferir ser tosquiada por homens pelas razões que volto a recordar neste blogue.
Um tosquiador faz o que tem a fazer e pronto.
A tosquiadora pergunta sempre pela família, fala do tempo, das férias, conversa da Chiquitita e da Floribela fazendo conversa mole para a qual eu quase nunca tenho pachorra.
É, continuo a preferir ser tosquiada por um homem, porque os barbeiros são mais experientes no meu corte de cabelo, e por isso mais eficazes, e porque são bem mais silenciosos.
E pronto Rangel, aqui estou eu preparadinha para Segunda-Feira, desta vez no Porto, não ainda não é na capital, mas lá chegarei outra vez, não te preocupes!, pelas 17 horas, berrar mais uma vez a minha indignação pela balbúrdia que vai na 5 de Outubro e que infelizmente vem da 5 de Outubro.
A Asneirada É Tanta Que Até dói!

Faltas de professores para reuniões sindicais são justificadas

Por Margarida Davim

O Tribunal Central e Administrativo do Sul considera que os docentes podem participar em reuniões sindicais fora das escolas, dentro de um crédito anual de 15 horas para esse efeito, contrariando um despacho do secretário de Estado da Educação Valter Lemos
O Tribunal Central e Administrativo do Sul deu razão a duas professoras de Leiria que reclamaram na Justiça o direito de participar em reuniões sindicais fora das escolas, dentro de um crédito anual de 15 horas previsto na lei para esse efeito.
A acção – apoiada pela Federação Nacional de Professores (Fenprof) – foi interposta pelas docentes depois de Valter Lemos ter assinado um despacho, datado de 1 de Março de 2006, que levou algumas escolas a considerar injustificadas as faltas dadas pelos professores para participar em encontros dos sindicatos.
O tribunal de primeira instância acabou por dar razão ao Ministério da Educação (ME), levando as escolas a manter injustificadas as faltas.
Mas a decisão judicial conhecida esta quarta-feira leva a Fenprof a afirmar que «foi prematura» a decisão do ME de enviar o acórdão da primeira instância para todas as escolas do país.
«O Tribunal Central e Administrativo do Sul veio dar razão aos que estão do lado das regras democráticas e, por consequência, retirá-la ao Ministério da Educação», diz o sindicato em comunicado.
A Fenprof explica que «este acórdão confirma que os professores e educadores, dentro do crédito de horas a que têm direito, podem participar em reuniões sindicais, independentemente do local em que estas se realizem» e exige que a decisão do tribunal seja enviada pela Direcção Regional de Educação do Centro (DREC) a todas as escolas da região, «na medida em que a mesma direcção regional havia enviado às escolas o [acórdão] anterior, que ficou, assim, revogado».
Para a Fenprof, «esta é mais uma vitória dos professores» sobre uma «lamentável equipa ministerial que não olha a meios para atingir os seus fins».

Sahara Ocidental
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

À Deriva ou Já Encalhado?

Pois não é que afinal a Avaliação de Desempenho dos Professores é a brincar?
Mas que raio de mania esta dos professores levarem tudo tão a sério!
Avaliação de Insuficiente? Avaliação de Regular? No problem, para o ano repetimos tudo e para o ano é que é.
A sério. Juro, é a sério.

terça-feira, 8 de abril de 2008



Bombástico

A reunião entre Maria de Lurdes Rodrigues e a Plataforma de Sindicatos não deu em nada...
Não é bombástico?????!!!!
Eu ainda não consegui fechar a boca, tal o espanto!!!! Será que corro o risco de entrar assim na ESA amanhã de manhã????!!!!!

E assim sendo, lá vamos nós para o Porto. Dia 14 de Abril, os hooligans, depois de um dia de trabalho, todos vestidinhos de preto e eu até de cabelito a rigor, lá vão sair à rua em mais um exercício de cidadania plena que o governo não pode parar.
Isto está giro, e para final de ano não podia estar mais animado.

Mas lá que foi bombástico, lá isso foi!!!!
Eu ainda não consegui fechar a boca, tal o espanto!!!!
Será que corro o risco de entrar assim na ESA amanhã de manhã?
Ops, ainda vou parar à biblioteca!!!



Milú - A Expert do Gatafunho

Ontem chegou-me, via e-mail, este documento, ao que parece original, de uma das versões da Avaliação de Desempenho dos Professores feita pela Milú.

Eu só não percebi ainda se esta é a Versão Muito Simplex, se é a Versão Simplex, a Versão Mais ou Menos, a Versão Complex ou a Versão Muito Complex da dita avaliação.

Bem que o meu aluno Eduardito me anda farto de avisar que eu com os meus óculos de sol pareço mesmo uma ceguinha...

E estarei???!!!!
Assim Até Eu!!!

Estava o engenheiro Sócrates em campanha pelo Alentejo, quando se depara com um alentejano a descansar. Decide então impingir-lhe a lenga-lenga do seu discurso de campanha. Os dois ficam ali a trocar palavras, até que Sócrates lhe pergunta:
- Se tivesse que trabalhar para o PCP, quando horas por dia faria ?
- Para o PCP ? Nem uma.
O engenheiro todo contente - este ao menos não é comuna, pensava para si.
- E para o CDS-PP, quantas horas faria ?
- Bom, para esses talvez umas 3, 4 horas diárias.
- E para o PSD ?
- Ah, para esses já trabalhava umas 8, vá lá, 10 horas.
- E aqui para o meu PS ?
- Oh engenheiro, trabalharia as horas que fossem necessárias. 24 sem parar.
Sócrates ficou impressionado pela dedicação que o homem mostrava.
- Assim é que é, compadre. Esforço e empenho é o que precisamos. Diga-me já agora, qual é mesmo a sua profissão ?
- Sou coveiro.


Dia D

A Escola Portuguesa vai parar, no próximo dia 15 de Abril, para um exercício de reflexão ponderada sobre o que queremos nós, sobre o que querem realmente de nós alunos, pais, encarregados de educação, sociedade em geral e políticos de vai e vem, que nem sempre convergem e que nem sempre estão de acordo entre si.
Nós conhecemos o sistema de dentro para fora e de fora para dentro, conhecemos-lhe as maleitas melhor do que ninguém, por isso, vamos a isso. Com calma e dando o melhor de nós. Como sempre.







Beijing

Desconheço completamente a autoria desta sequência de desenhos que nos mostra "a verdade" por detrás do logótipo dos Jogos Olímpicos de Beijing. Sei que já circula há muito tempo na net, via e-mail, e sei que não perderá tão cedo a actualidade, agora que nos aproximamos, a passos largos, do início deste encontro mundial desportivo.
E o que dizer deste evento, nesta cidade, neste país e de todos os confrontos e distúrbios que ele tem provocado pelo mundo e que continuará a provocar? Já muitos analistas analisaram o caso e nem vou comentar os desenhos tão representativos de um país que a cada passo viola os Direitos Humanos em nome de um sistema político caduco, falido e anacrónico.
Vou só deixar aqui uma pergunta... o logótipo foi mesmo assim pensado???? É que se foi, foi uma jogada de mestre! É que se foi, foi uma jogada de génio!!!
E para terminar vou só tirar uma conclusão. À medida que mais parcelas da humanidade se apetrecharem com Conhecimento, Educação, Saber, Cultura, a manipulação pela classe económica/política dominante será menos efectiva, porque cada vez mais a "populaça" vai estar atenta aos sinais e será menos manipulável. Daí a importância da Escola como sítio de aprendizagens que devem ser efectivas e não de faz de conta. A Net, e a Blogosfera a ela associadas, darão contributos inestimáveis para este desiderato, porque verdadeiramente revolucionam e revolucionarão o contacto entre as pessoas, a partilha de conhecimentos e de informação, e estimularão o livre pensamento sem a censura do poder político.
Nota - É claro que as violações dos Direitos Humanos não se fica por aqui. O que dizer dos EUA com Guantánamo? O que dizer de Portugal com 2 milhões de pessoas a viverem no limiar da pobreza?
É melhor nem continuar a lista sob pena de ela me ocupar o blogue.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Árabe - العربية

O Sahel mandou-me este comentário em árabe para o meu blogue. Claro que me enviou outro traduzidinho em francês ou eu não perceberia nada! Mas essa tradução também nem interessa nem é para aqui chamada. Coloco aqui o seu comentário unicamente como exercício estético. E já não é pouco!

Arre, que este árabe é belo que se farta!

شكرا صديقتي العزيزة على الصورة الجميلة و التي تذكرني دائما بالايام الحلوة التي قضيتيها في وسط اصدقائك الليبين في ليبيا
..اتمنى ان تستمر الصداقة و المودة و المحبة بيننا رغم المسافات الشاسعة بينن
ا..اتمنى لك التوفيق و النجاح الباهر دائما صديقتي العزيزة انا بيللا.
Simplex Versão Complex

Com os meus agradecimentos ao Antero pelo excelente cartoon.
http://antero.wordpress.com/



“O grande problema da Educação é o Estado.”
Bispo D. Carlos Azevedo
Katie Melua - I Cried for You

A precisar urgentemente de música, posto hoje a voz, a imagem e a letra, belíssimas, deste video-clip de Katie Melua.

You're beautiful so silently
It lies beneath a shade of blue
It struck me so violently
When I looked at you

But others pass, the never pause
To feel that magic in your hand
To me you're like a wild rose
They never understand why

I cried for you
When the sky cried for you
And when you went
I became a hopeless drifter
But this life was not for you
Though I learned from you
That beauty need only be a whisper

I'll cross the sea for a different world
With your treasure, a secret for me to hold

In many years they may forget
This love of ours or that we met
They may not know
How much you meant to me

I cried for you
And the sky cried for you
And when you went
I became a hopeless drifter
But this life was not for you
Though I learned from you
That beauty need only be a whisper

Without you now I see
How fragile the world can be
And I know you've gone away
But in my heart you'll always stay

I cried for you
And the sky cried for you
And when you went
I became a hopeless drifter
But this life was not for you
Though I learned from you
That beauty need only be a whisper
That beauty need only be a whisper

Professores Contratados

Há professores que iniciaram a sua actividade lectiva, como contratados, há mais de 20 anos e a tutela tem o desplante de os manter ano após ano nessas condições. Como também fui uma docente tratada abaixo de cão pela tutela, e só vinculei à Função Pública perto dos 40 anos, sei muito bem o que é sentir esta instabilidade na pele.
A ministra quer excelência? Que tal começar por promover essa mesma excelência que apregoa?


Pressione os surdos. Pressione os cegos. Assine a petição para obrigar a tutela a vincular os seus contratados.

http://www.petitiononline.com/20031999/petition-sign.html

domingo, 6 de abril de 2008


Caminho - Norte de Espanha
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

O Blogue do Maracujá

E foi assim que o Maracujá se resolveu, finalmente, a parir um blogue. Mais um na blogosfera! E deu-me a novidade em primeira mão, o que muito me honrou pela confiança que deposita e demonstra nesta sua professora de História, que lhe saiu na rifa no 7º ano... xiiiii faz já tanto tempo, não faz, Maracujá?
Aqui deixo a hiperligação para o seu blogue onde este fruto saboroso tem já os seus "posts" publicados, ilustrados com fotografias de DePrimeAbord.
O blogue promete. É um novo caminho que para ele se inicia agora... e o caminho faz-se caminhando.
Aconselho-o a todos os meus leitores, para ir vendo/lendo as novidades deste maracujá que frequenta o 9º ano de escolaridade.
Sim, a escola pública também se honra de promover a excelência!

Visite-o em http://osilenciodamusica.blogspot.com/

Maracujá


Vida - Sahara - Grande Duna de Merzouga - Marrocos
Fotografias de Artur Matias de Magalhães

Maracujá

Hoje emocionei-me ao ler o teu texto. Amaria tê-lo escrito, eu que já tanto falei de caminhos e percursos, de avanços e recuos, de paragens e de recomeços, de muros, nós, laços e lacinhos, em suma, da vida, neste blogue. De tal forma quero ficar coladinha a ele que tive a "lata" de me postar, e repara que sem cortes de cabeça!, em duas estradas alternativas, uma ascendente e cheia de dificuldades, que nos leva ao "topo do mundo" nem que seja por breves instantes, saboreando cada passo dado, cada dificuldade ultrapassada, e outra descendente, a mais fácil e, por isso mesmo, a menos interessante. A minha escolha já foi feita há muito. A tua também. Corre também tu, Maracujá, corre.
E espero que gostes das fotos associadas ao teu texto e que me perdoes o atrevimento. Mas é que não resisti.

A Estrada

Nasci.
Olhei para a frente e pressenti o destino.
Não havia retorno e nada era certo.
Acossado pela sua força segui sempre em frente.
Caminhei pela vida, abri a mente e segui a estrada.
O sol punha-se mas eu não.
E de noite quando a esfera prata sorria para mim, eu percebia porque era um caminhante.
De manhã, quando se via o primeiro raiar de luz ainda verde e fraco eu retomava a minha caminhada.
Falava comigo, via-me nos animais e sentia-me nas plantas.
Mas não parava... Com a segurança da experiência via a estrada que serpenteava até aos recantos mais profundos.
E eu por ela deambulava...
Era acompanhado pela brisa, intempestiva companheira mas de coração brando e justo.
Os montes que via depressa eram ultrapassados e as imponentes montanhas geladas, oásis de desafio, eram minhas velhas e sempre presentes conhecidas.
A natureza era a minha casa, amiga e confidente.
O tempo caminhava comigo e os meus cabelos com ele.
O sapientíssimo branco foi dele uma dádiva. Mas a minha capa continuava inquieta e o meu coração decidido.
Um dia parei e caí. Deixei de sentir, de olhar e de caminhar.
Ela deu-me a mão e levou-me para cima.
Confortou-me e devolveu-me a mim...
E fiz o que melhor sei fazer: Caminhar...

Maracujá

Luz - Chefchaouen - Rift - Marrocos
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Maria Carvalho

Hoje transcrevo, com autorização da autora, um belíssimo texto da Maria, minha aluna do 9º F, e para ela deixo só estas singelas palavras que ela vai entender:

Corre, Maria, corre!

A Angústia

Na austeridade da manhã sublime, ela corre.
Corre e sente a brisa suave na face, abraça o som do nada.
Agora, abranda. Abranda e pára.
A angústia apoderou-se da sua frágil alma. Perdeu o sentido correr. Porquê correr? Não tem destino ou objectivo.
A pouco e pouco é dominada pelo desespero. Tudo na vida perdeu o sentido. Não encontra razões para nada sem serem as razões criadas por si mesmas.
Um nó na garganta faz com que as lágrimas desçam pelos seus olhos. Ah, a angústia! Outra vez a maldita falta de razões.
Com a sua expressão quase catatónica, olha-se ao espelho e segue a sua lágrima até ao chão.
A música surge distante e aquela nota aguda é a facada no coração que destrói o seu estado catatónico e faz rasgar o sofrimento na sua cara.
A angústia cresce ao mesmo tempo que a satisfação aparece.
Aos poucos, a música embala-a e ela deixa-se seduzir pelo melodioso transe...
O amargo e doce lacrimejar da sua alma preencheu a falta de nexo da existência.
Ao fundo, está agora uma luz: um motivo para correr.
Por isso, corre.

Maria Carvalho
Esquema Simplifidado de Avaliação de Professores

Esta imagem tem muito mais piada em movimento frenético. Confesso a minha falta de competência para a colocar aqui tal como a recebi.
Ainda hoje tentarei superar esta dificuldade. Por ora aqui fica esta caricatura da Avaliação de Desempenho de Professores. Estática. Improdutiva.



sábado, 5 de abril de 2008


Azul - Chefchauen - Marrocos
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Azul

Parece que o FCP ganhou hoje qualquer coisita. Daqui de casa ouço o foguetório a estalar no céu sobre S. Gonçalo e o barulho das buzinadelas pelas ruas. Por isso aqui deixo uma singela homenagem em forma de fotografia azul e os parabéns aos portistas ferrenhos que conheço e que são muitos.
Muitos parabéns.

Abaixo-Assinado

Circula na net, via e-mail, este abaixo assinado em que se roga à srª ministra que se demita. Se estiverem de acordo assinem, reencaminhem para os vossos amigos, mesmo que não sejam professores, enfim, aumentem a pressão sobre estes nossos governantes que nos desgovernam há demasiado tempo.

http://www.petitiononline.com/demissao/petition-sign.html

Sahara - Marrocos
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Maracujá

Hoje é dia de mais um texto do meu Maracujá. Escolho sempre imagens de que gosto particularmente, e que acho adequadas, para ilustrar os seus textos tão profundos e poéticos, na esperança de que o meu Maracujá as aprecie. E o que lhe dizer, bem, bem no ouvido para ninguém me ouvir? Obrigada.
Obrigada por honrares o meu blogue com a tua escrita.

Perdido

Olhava à volta e nada via.
Sentia-me escuro, negro...Pensamento de Carvão.
Só se pressentia a penumbra das almas e a putrefacção das árvores...
Ali tudo era cinzento, memória dos tempos prósperos.
Ouvia-se somente a música do silêncio.
Ela entoava, preenchia-nos e aí a mente, apaixonada, deixava-se levar...
O rio que outrora corria cheio de vitalidade sentia agora os amargos traços da velhice e aquelas correntes fortes e de uma rude gentileza que guiaram os heróis por tempos intermináveis estavam agora estagnadas. Eram só uma ligeira lembrança dos tempos áureos.
Tal como eu...
O sol não brilhava, a brisa não soprava... Desde há muito tempo.
As árvores murmuravam. Aquela voz enrugada pelas Primaveras entristecia com o passar dos tão curtos dias... Os seus rebentos estavam secos e a sua vida sem sentido. Como elas precisavam de um pastor.
O tempo, teimoso vizinho, insistia em passar e o presente deu lugar ao passado inatingível...
Mas, num dia a todos tão igual surgiu a luz no Oeste... Ela ofuscava, brilhava, queimava, era radiosa como a manhã, bela e perigosa como o Oceano... Ondulava até onde a mente permitia. E mais longe não ia!
Então no meio de todo o cinza e desespero nasceu algo belo, irreverente e ainda franzino. Um prelúdio de um futuro diferente.
A água voltou a correr e eu também!

Maracujá

Podridão Governamental - Sahara - Mauritânia
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Podridão

A cada dia que passa a podridão aumenta e o cheiro vai-se tornando fétido e nauseabundo. As moscas esvoaçam envolvendo o cadáver putrefacto.

A ministra da Educação (?) e os SEUS secretários de estado assobiam para o lado ocupadíssimos que andam pelas escolas desdobrando-se em chantagens e pressões inadmissíveis. Que avaliação de desempenho fazer sobre os pobres dos contratados? Who cares!!! Qualquer uma, que interessa? - versão muito complexa, complexa, aligeirada, muito aligeirada... que interessa? Ah e se as escolas precisarem de reforço de equipas de intervenção rápida para atacar o problema da insegurança nas escolas é fazer o favor de pedir que nós estalamos os dedos e aí estão elas formadinhas e novinhas em folha! Ah, e já agora, uma pinturita para o exterior, precisam? É que nós desencantamos verbas, mesmo que seja para maquilhar o cadáver putrefacto!!!

Que nojo, digo-vos eu, que não consigo evadir-me deste cheiro nauseabundo por muito que tente e que já me está a provocar vómitos.

Com os meus agradecimentos ao Ramiro Marques, aqui deixo transcrito um dos seus "posts" de hoje.

25% do crime juvenil é cometido na escola

O Expresso de hoje noticia que 25% do crime juvenil, cometido por jovens com idades entre os 12 e os 16 anos, ocorre nas escolas. Mais de um quarto dos crimes praticados por jovens, entre os 12 e os 16 anos, nos concelhos de Lisboa, Amadora, Loures e Odivelas, ocorrem em espaço escolar. A Direcção-Geral de Reinserção Social (DGRS) tem actualmente a seu cargo 94 casos de adolescentes - num universo total de 373 - a quem foram aplicadas, pelo tribunal, medidas tutelares educativas por terem cometido delitos dentro dos estabelecimentos de ensino que frequentavam.
Leia aqui a notícia toda. Ainda assim, a ministra da educação mantém o silêncio face às declarações do PGR que apontam para a existência de provas de que há crianças que levam armas para a escola. Valter Lemos considera que há uma campanha para denegrir a escola pública, dando a entender que, se não se noticiar os casos de violência escolar, tudo ficará bem na escola pública. É um típico argumento de avestruz.



Os Meus Heróis do 9º F - Escola Secundária de Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Desafio aos Meus Heróis do 9º F

Esta semana que agora finda foi tempo de lançar um desafio aos meus melhores alunos, aos meus alunos de 5, alguns deles alunos de 5 desde o primeiro período do 7º ano, que eu não tenho medo absolutamente nenhum de lhes atribuir a nota máxima se estou genuinamente convencida que essa é a nota que eles merecem.
E qual foi o desafio lançado?
Nada mais nada menos que a preparação e apresentação de uma aula de História, de um tema à escolha de entre os que faltam tratar até ao final do ano e, por uma vez, inverter os papéis - eles no papel da professora, eu no papel da aluna.
Na minha turma do 9º F a adesão foi extraordinária e entusiástica.
Os melhores alunos, Pi Pereira, Zé Pedro Carneiro e João Taveira aceitaram de uma assentada com um brilho e entusiasmo no olhar que eu guardei dentro de mim e aqui permanecerá. Ainda me colocaram a questão de ser uma aula de 45 ou de 90 minutos mas o Pi lançou-se logo de cabeça, aceitando o desafio mais complexo duma aula de 90 minutos e os outros, sorrindo, foram atrás. Lá escolheram os temas logo ali e foi tempo de os alertar para a diferença que existe entre apresentar um trabalho, e leccionar uma aula, esta última a exigir interactividade, mas eu sei que eles não terão qualquer dificuldade em lidar com este peculiar assunto, em ultrapassar este muro, em percorrer este caminho, em desapertar este laço ou nó que eu lhes coloquei pela frente.
E ainda rimos juntos. "Professora nesse dia vai ser nossa aluna, não vai?" Sim, claro, durante essas aulas relembrarei o meu papel de aluna. "Ah, então tenha cuidado com o comportamento... se se portar mal vai ao NAE!" Gargalhada geral.
Claro, estamos combinados. Se eu me portar mal, se eu desrespeitar os meus professores por um dia, se eu lhes perturbar as aulas, claro, têm o meu inteiro apoio, respeito e admiração por não me permitirem abandalhar as suas aulas. Lol.
Ah, vida boa. O melhor da minha escola continuam a ser os meus alunos, verdadeiros oásis no meio da crispação, desalento, desrespeito e autoritarismo reinante.
Professora titular?
A minha ministra que concorra a esses "troquitos" e a essa carreira com toda a burocracia anexa, que essa carreira não é para mim, que o que quero mesmo é continuar a ser o que sempre fui, por opção - PROFESSORA.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Isabel Fevereiro Para Quem Não Viu











Mohamed Belghazi e Museu Belghazi - Fèz - Marrocos
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

http://museebelghazi.marocoriental.com/

Mohamed Belghazi

Conheci Mohamed Belghazi nesta minha última incursão a Fèz, a Magnífica, devido a uma feliz coincidência. A senhora que trabalha na bilheteira do Museu Belghazi faltou ao trabalho e tocou-lhe a ele, director, conservador, e filho do dono deste museu, vender-nos os bilhetes de entrada.
O riad onde funciona este museu é um riad belíssimo, com o costumeiro pátio interior, a fonte de água central e um lindíssimo jardim com laranjeiras cravejadas de laranjas e de flores, que exalam um odor intenso que acentua a magia daquele lugar.
Mohamed Belghazi em breve se dirigiu a nós inquirindo-nos sobre a nossa nacionalidade.
Acho que o que quer que tenha clicado entre nós clicou nesse preciso instante.
Indivíduo culto, viajado, conhecedor dos Estados Unidos e de grande parte da Europa, viveu mesmo em França durante vários anos, onde fez o seu doutoramento em Crítica de Arte e, surpresa das surpresas, viveu em Portugal, durante mais de um ano, responsável que foi pela montagem do pavilhão de Marrocos na Expo de Lisboa.
E sentados à volta de uma mesa, apreciando um maravilhoso café no coração daquele riad, no coração da medieval Fèz, no coração da cidade herdeira da cultura hispano-mourisca, foi com surpresa, espanto e emoção, que o ouvimos falar das saudades que sentia de Portugal, onde gostou tanto de viver, nos, também para nós, saudosos anos 90. E falou emocionado e nostálgico do nosso país, e nós, sem pressa, fomos saboreando cada palavra de Mohamed Belghazi que nos remetia para uma visão exterior, aquela que é mais difícil de consciencializar, porque é um olhar de fora para dentro, sobre nós próprios, enquanto entidade colectiva. E falou-nos do acolhimento que teve, por parte dos portugueses, hospitaleiro, generoso e discreto, menos exuberante que o espanhol e por isso mesmo mais intimista. E falou-nos das regiões que percorreu, do Alentejo, do Algarve, do Minho. Falou-nos do Porto, de Lisboa, de Cascais, de Évora e de Sintra com paixão. Falou-nos da beleza, da beleza da ponte Vasco da Gama que ele ama esteticamente. Falou-nos de Saramago e de Fernando Pessoa, este último para ele um dos expoentes máximos da poesia. Falou-nos de Jorge Sampaio e de Mário Soares. Falou-nos dos amigos que fez e deixou por cá. Falou-nos da frescura do nosso peixe nos restaurantes da nossa costa. Falou-nos de um país bonito e limpo. Falou-nos da energia, da alegria, do dinamismo, do entusiasmo e do desenvolvimento que sentiu em nós, aquando da sua estadia por terras lusas. E perguntou-nos quem são os nossos governantes e qual é o partido que está no poder e eu lá tive que explicar que é um partido socialista que de socialista só tem o nome e que tem governado Portugal mais à direita que qualquer governo dito de direita.
E pensei como Mohamed Belghazi estranharia agora o nosso país sorumbático, irritado, espezinhado, espoliado, triste, amordaçado.
E pensei como Mohamed Belghazi se exprimia do mesmo modo nostálgico e cheio de saudades que eu uso ao falar de Marrocos. E rimos disso.
Trocámos a hospitalidade própria de dois povos irmãos. Mohamed Belghazi ofereceu-nos o seu riad, para lá pernoitarmos numa próxima investida a Fèz. Eu ofereci-lhe a minha casa de S. Gonçalo sempre que ele aqui quiser vir.
E pedi-lhe permissão para fazer este post e para publicar a sua fotografia neste blogue, a ele que já foi fotografado com tantas individualidades, com presidentes, primeiros-ministros, com reis e com príncipes, que eu vi as fotografias nas paredes daquele riad, e ele sorriu-me, um pouco acanhado, e disse que sim.
Por isso aqui deixo o registo da minha manhã passada em Fèz. Em Fèz, a Magnífica.
Resumiu-se a isto.
Resumiu-se a muito.
Regressarei.
ان شاء الله

Bicharada - Sahara - Marrocos
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Importa-se de repetir? II

O Relatório de Segurança, relativo ao ano de 2006/2007, indica que são apreendidas 7 armas por cada 10 dias escolares neste país de brandos costumes?!
Este relatório é conhecido pelo PGR?!
Este relatório é conhecido pela nossa queridíssima ministra da Educação?!
Segundo o nosso PGR há crianças de 6 anos que entram nas escolas deste país transportando armas?! Que são, nalguns casos, entregues a estas mesmas crianças pelos pais?!
O país ficou estupefacto perante a violência dos números?!
Eu fico é estupefacta perante a lata de quem ocupa os cargos que ocupa e que vem para a televisão alarmar as pessoas deste país como se não tivesse qualquer responsabilidade no caso.
Mas eu devo, provavelmente, ter ouvido mal...
Importa-se de repetir senhor PGR?
Importa-se de repetir?

E a ministra continua a assobiar para o lado?
E sim, as "escolas continuam com todas as condições de conforto...blá, blá, blá, blá,blá..." que até já mete nojo e dá vómitos.
Que até já me mete nojo e me dá vómitos.
SÓCRATES E A LIBERDADE

"EM CONSEQUÊNCIA DA REVOLUÇÃO DE 1974 , criou raízes entre nós a ideia de que qualquer forma de autoridade era fascista. Nem mais, nem menos. Um professor na escola exigia silêncio e cumprimento dos deveres? Fascista! Um engenheiro dava instruções precisas aos trabalhadores no estaleiro? Fascista! Um médico determinava procedimentos específicos no bloco operatório? Fascista! Até os pais que exerciam as suas funções educativas em casa eram tratados de fascistas. Pode parecer caricatura, mas essas tontices tiveram uma vida longa e inspiraram decisões, legislação e comportamentos públicos. Durante anos, sob a designação de diálogo democrático, a hesitação e o adiamento foram sendo cultivados, enquanto a autoridade ia sendo posta em causa. Na escola, muito especialmente, a autoridade do professor foi quase totalmente destruída.EM TRAÇO GROSSO, esta moda tinha como princípio a liberdade. Os denunciadores dos 'fascistas' faziam-no por causa da liberdade. Os demolidores da autoridade agiam em nome da liberdade. Sabemos que isso era aparência: muitos condenavam a autoridade dos outros, nunca a sua própria; ou defendiam a sua liberdade, jamais a dos outros. Mas enfim, a liberdade foi o santo e a senha da nova sociedade e das novas culturas. Como é costume com os excessos, toda a gente deixou de prestar atenção aos que, uma vez por outra, apareciam a defender a liberdade ou a denunciar formas abusivas de autoridade. A tal ponto que os candidatos a déspota começaram a sentir que era fácil atentar, aqui e ali, contra a liberdade: a capacidade de reacção da população estava no mais baixo.
POR ISSO SINTO INCÓMODO em vir discutir, em 2008, a questão da liberdade. Mas a verdade é que os últimos tempos têm revelado factos e tendências já mais do que simplesmente preocupantes. As causas desta evolução estão, umas, na vida internacional, outras na Europa, mas a maior parte residem no nosso país. Foram tomadas medidas e decisões que limitam injustificadamente a liberdade dos indivíduos. A expressão de opiniões e de crenças está hoje mais limitada do que há dez anos. A vigilância do Estado sobre os cidadãos é colossal e reforça-se. A acumulação, nas mãos do Estado, de informações sobre as pessoas e a vida privada cresce e organiza-se. O registo e o exame dos telefonemas, da correspondência e da navegação na Internet são legais e ilimitados. Por causa do fisco, do controlo pessoal e das despesas com a saúde, condiciona-se a vida de toda a população e tornam-se obrigatórios padrões de comportamento individual.
O CATÁLOGO É ENORME. De fora, chegam ameaças sem conta e que reduzem efectivamente as liberdades e os direitos dos indivíduos. A Al Qaeda, por exemplo, acaba de condicionar a vida de parte do continente africano, de uma organização europeia, de milhares de desportistas e de centenas de milhares de adeptos. Por causa das regulações do tráfego aéreo, as viagens de avião transformaram-se em rituais de humilhação e desconforto atentatórios da dignidade humana. Da União Europeia chegam, todos os dias, centenas de páginas de novas regulações e directivas que, sob a capa das melhores intenções do mundo, interferem com a vida privada e limitam as liberdades. Também da Europa nos veio esta extraordinária conspiração dos governos com o fim de evitar os referendos nacionais ao novo tratado da União.
MAS NEM É PRECISO IR LÁ FORA. A vida portuguesa oferece exemplos todos os dias. A nova lei de controlo do tráfego telefónico permite escutar e guardar os dados técnicos (origem e destino) de todos os telefonemas durante pelo menos um ano. Os novos modelos de bilhete de identidade e de carta de condução, com acumulação de dados pessoais e registos históricos, são meios intrusivos. A vídeovigilância, sem limites de situações, de espaços e de tempo, é um claro abuso. A repressão e as represálias exercidas sobre funcionários são já publicamente conhecidas e geralmente temidas. A politização dos serviços de informação e a sua dependência directa da Presidência do Conselho de Ministros revela as intenções e os apetites do Primeiro-ministro. A interdição de partidos com menos de 5.000 militantes inscritos e a necessidade de os partidos enviarem ao Estado a lista nominal dos seus membros é um acto de prepotência. A pesada mão do governo agiu na Caixa Geral de Depósitos e no Banco Comercial Português com intuitos evidentes de submeter essas empresas e de, através delas, condicionar os capitalistas, obrigando-os a gestos amistosos. A retirada dos nomes dos santos de centenas de escolas (e quem sabe se também, depois, de instituições, cidades e localidades) é um acto ridículo de fundamentalismo intolerante. As interferências do governo nos serviços de rádio e televisão, públicos ou privados, assim como na 'comunicação social' em geral, sucedem-se. A legislação sobre a segurança alimentar e a actuação da ASAE ultrapassaram todos os limites imagináveis dadecência e do respeito pelas pessoas. A lei contra o tabaco está destituída de qualquer equilíbrio e reduz a liberdade.
NÃO SEI SE SÓCRATES É FASCISTA. Não me parece, mas, sinceramente, não sei. De qualquer modo, o importante não está aí. O que ele não suporta é a independência dos outros, das pessoas, das organizações, das empresas ou das instituições. Não tolera ser contrariado, nem admite que se pense de modo diferente daquele que organizou com as suas poderosas agências de ntoxicação a que chama de comunicação. No seu ideal de vida, todos seriam submetidos ao Regime Disciplinar da Função Pública, revisto e reforçado pelo seu governo. O Primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas.
TEMOS DE RECONHECER: tão inquietante quanto esta tendência insaciável para o despotismo e a concentração de poder é a falta de reacção dos cidadãos. A passividade de tanta gente. Será anestesia? Resignação? Acordo? Só se for medo...

António Barreto, in Público

quinta-feira, 3 de abril de 2008


Liberdade de Voo - Layounne - Sahara Ocidental
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Encorajar o Voo é Preciso

Com os meus sinceros agradecimentos à Elsa Cerqueira por me ter enviado este belíssimo texto, publico-o atrevendo-me a fazer um acrescento/esclarecimento/concretização. Mais do que escolas, há salas de aula que são gaiolas e há salas de aula que são asas. E eu sei muito bem do que falo. Porque fui aluna e não me esqueci de nada. De nada.

“Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.
Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.”

Rubem Alves

9º G em Acção - Escola Secundária de Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

1 de Abril

A história que hoje conto passou-se no dia 1 de Abril passado.
Primeira aula de História do 3º período para a minha turma do 9º G, sim, aquela minha turma que fez um ranking de professores, agora que há rankings para tudo.
Chego à aula, os risos do costume, as boas vindas do costume, as perguntas do costume, se descansaram, se brincaram, se foi boa a Páscoa, se não arreliaram os pais, se tiveram saudades da escola e lá passo a informá-los que durante aquela aula de 45 minutos não vou dar matéria e que a aula será passada numa conversa entre nós. Gostaria de ter gravado as suas caritas. Surgem aqui e ali expressões de desconfiança, de incredulidade mesmo, que se vão acentuando à medida que eu insisto na ideia. Aqui chegados convém esclarecer que eles acham que eu sou mesmo viciada em trabalho. A dada altura pergunta-me um deles muito lampeiro com ar de desconfiado "Professora, isso é uma mentira do 1 de Abril?" Não resisti e dei uma gargalhada. E o resto da turma gargalhou a bom gargalhar. Eles não cabiam em si de contentes. É que eu não sou muito de lhes dar descanso, pressionada que estou por um programa desajustado em que o ministério ainda não se dignou mexer. Mas a verdade é que a aula foi aproveitada para fazer um balanço do percurso e evolução, de cada um deles, desde o 7º ano até ao momento. E foi muito bem aproveitada. Por uma aula não houve matéria para ninguém e dei por muito bem empregue o meu tempo pois estes espaços de "pausa" também são importantes e determinantes para o bem-estar dos alunos.
E não, decididamente não era uma mentira do 1 de Abril!


Muito Obrigada Ramiro Marques

Aqui deixo um excelente requerimento, transcrito do blogue do Ramiro Marques, que deverá ser utilizado por todos os professores avaliados por colegas avaliadores que concorrem para os mesmos lugares limitados, por quotas de Muito Bom e de Excelente e, por isso, com interesse nessa mesma avaliação.
Arre que esta avaliação de desempenho é mesmo uma palhaçada! E uma trapalhada!


Exmo(a). Senhor(a) Presidente do Conselho Executivo da ( Escola ou Agrupamento de Escolas)

Eu, ________________________________________________, _________ (estado civil), professor(a) de (nível e grupo de docência), residente em ______________________________ a exercer funções na Escola ___________________________________________, vem nos termos e para os efeitos constantes do disposto no nº 2 do artigo 48º do CPA requerer a V. Exª o seguinte:

1- A alínea a) do artigo 44º do Código do Procedimento Administrativo determina que constitui impedimento para qualquer titular de órgão ou agente da Administração Pública poder intervir em procedimento administrativo ou em acto ou contrato de direito público ou privado da Administração Pública, o facto de nele ter interesse, por si, como representante ou como gestor de negócios de outra pessoa;

2- Tanto o coordenador de departamento ao qual pertence o/a requerente, como os membros da Comissão Coordenadora da Avaliação de Desempenho têm interesse, por si e pelos restantes membros do Conselho Pedagógico, na atribuição das menções classificativas da avaliação de desempenho de Muito Bom e Excelente, cujas quotas dependem de despacho governamental;

3- O n.º 1 do art. 48º refere que o titular de órgão ou agente deve pedir dispensa de intervir no procedimento quando ocorra circunstância pela qual possa razoavelmente suspeitar-se da sua isenção ou da rectidão da sua conduta.

4- Como tal, com base no nº 2 do artigo 48º do Código do Procedimento Administrativo, vem o/a requerente solicitar a V. Exa. a oposição de suspeição relativamente aos seus avaliadores, e a concomitante dispensa da sua intervenção no processo de avaliação de desempenho.

Espera Deferimento,______________________________,( ____/ ____/ 2008)

Comentário meu (do Ramiro)

Esta minuta de requerimento foi elaborada por um jurista especializado em direito administrativo. Tem pernas para andar. Há aspectos dos procedimentos do processo de avaliação de desempenho que violam normas do CPA. Com o sistema de quotas, não há dúvidas de que os avaliadores estão a competir uns contra os outros pelos mesmos lugares. Daí, a possibilidade de levantamento de oposição de suspeição.

Publicada por Ramiro Marques em 8:06






Oásis - Sala de Aula - Escola Secundária de Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Da Paixão à Histeria

A frase de Joaquim de Azevedo, presidente do Centro Regional da Universidade Católica do Porto e da Faculdade de Ciências da Educação, em que este constata que "A escola passou de paixão a histeria", foi utilizada pelos bispos portugueses durante a Assembleia Plenária, realizada em Fátima, para caracterizar o momento de crispação em que mergulhamos, contrapondo esta histeria à paixão pela Educação proclamada no consulado de António Guterres.

A frase é uma frase feliz e corresponde inteiramente à realidade actual.

E como chegamos aqui?

Com governantes inchados e cheios de si. Com governantes cegos e surdos, não porque o sejam de facto, mas porque se recusam a ver e a ouvir num desrespeito atroz por quem verdadeiramente é cego e surdo. Com governantes incapazes de fazerem uma crítica sobre o seu próprio pensamento e a sua acção. Com governantes incapazes de inflectirem percursos quando estes se revelam inadequados. Com governantes histéricos.
E a este respeito fiz há pouco uma experiência que não repetia desde os meus tempos de juventude, aquando dos discursos de Vasco Gonçalves, em que o meu divertimento de rapariga jovem era retirar o som à televisão e ficar a ver, divertida, aquele gesticular histérico e inflamado desse nosso peculiar governante. Pois um dia destes voltei a repetir a experiência com o nosso primeiro e o resultado foi surpreendente. Crispação, zanga, excesso, desdém, histerismo, foi o que senti com um dos últimos discursos a que pude assistir de José Sócrates na Assembleia da República. Um exagero. Um exagero.
Será que foi aí que ele levou um puxãozito de orelhas de Paixão Martins e daí a lagrimita e o seu lado agora mais "humano" que não engana ninguém?
Aqui lhe deixo um conselho. Não vá por aí. Deixe o caminho livre para os verdadeiros actores de profissão.

Nota - As fotografias que ilustram este "post" foram tiradas em contexto de sala de aula, durante uma sessão de trabalho dos alunos do 9º H em que estes prepararam os powerpoints para posterior apresentação à turma e à professora. A sala de aula é hoje em dia um verdadeiro oásis dentro duma estrutura que a tutela pretende subverter, aniquilar e desmantelar.
Resistiremos!

As salas de aula dos meus 9º anos continuam a ser um oásis e são cada vez mais os únicos sítios onde eu gosto verdadeiramente de estar.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Tiago Bettencourt - Canção Simples

Esta canção simples é inteiramente dedicada ao meu escorpião mor que vai ficar danado com esta falta de contenção... ou não.
Ou não. Lol

Sahel


Sahel e os Outros - Grande Erg Oriental - Líbia
Fotografia de Artur Matias de Magalhães

Sahel

O Sahel foi uma das primeiras pessoas a quem fiz referência neste blogue e por uma razão muito simples. O Sahel é uma pessoa importante na minha vida e, apesar de estar tão distante, numa cidadezinha no meio do deserto líbio chamada Sebha, a verdade verdadinha é que está mais próximo de mim do que muitos que comigo se cruzam todos os dias.
Foi o meu guia pelo deserto da Líbia e foi um caso, daqueles que me acontecem com frequência, de "amor à primeira vista". Amor fraterno, nada de confusões.
Hoje aproveitei para matar saudades dele através do Messenger. E para saber novas do meu querido Abdol, o meu pide-guide, e do meu queridíssimo Moufta, o meu motorista, que conduzia o seu Toyota como ninguém e dos quais também já falei em "posts" anteriores. E fiquei feliz por saber que está tudo bem com estes personagens tão distantes e simultaneamente tão próximos.
E lá trocamos as perguntas do costume "Quando voltas cá?"
"E tu, Sahel, quando voltas à tua casa de S. Gonçalo?
Quando voltas ao meu umbigo?"

E lá voltaram as saudades das gargalhadas sexy do Sahel, da calmaria e da espiritualidade do Akakus, da musicalidade das enormescas dunas de Mursuq onde eu seria completamente feliz, agora, sem políticas de Educação, sem ministras, sem secretários de estado e outros apêndices que tais, que estão a influenciar negativamente o meu trabalho.
Resta-me agradecer ao Sahel por um momento de evasão, mesmo se virtual.

Regressarei.

ان شاء الله

terça-feira, 1 de abril de 2008


Luz - Chefchaouen - Marrocos
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

(Anesthesia) Surgery

E aqui deixo outro excelente e profundo texto do meu Maracujá, aluno de 9º ano, que promete em termos de escrita. Não me admiraria nada saber novas dele, interessantes, num futuro não muito distante, vindas do mundo da cultura. Eu espero. Alimento muitas espectativas sobre este fruto.

"E aquelas duas portas negras abrem-se para a luz... A cura era visível mas tão distante...Deitei-me no duro leito da regeneração... A partir dali estava para além de mim...Estava impotente...Puseram-me a máscara do nada e caí em descanso... O corpo nada sentia mas a alma esta viva e acesa. Deu-se o primeiro corte... Enfrentei-o como uma criança que oscila entra o medo do longínquo desconhecido e a incontornável curiosidade... Ri-me de mim...Tudo era tão branco e limpo...O meu corpo era deles mas eu não. Eu, voava, via a precisão daquelas mãos que tudo controlavam e os olhos que até a rainha das águias que vive lá no alto, no alto do mundo a que só o pensamento alcança, invejaria...Sentia-me frio... A morte assustava-me...Aquela imensidão de nada, a profunda escuridão, a simples ideia da não-existência dava-me arrepios... Eu era alguém...Mas... Não sentia medo... Ela sorria-me, sem saber... Ali estava eu, nu de corpo e alma à mercê de um estranho, um anjo da vida de luvas brancas...Senti-me a voltar ao meu lar... Aquela viagem pelo tudo e pelo nada, em que o tempo não era obstáculo tinha acabado...Respirei..."

Maracujá
Resposta - Esclarecimento

O meu "post" de ontem, publicado no blogue do Ramiro Marques, http://www.professoresramiromarques.blogspot.com/, suscitou este comentário de um estimado colega meu.

Tino disse...

Além do enorme trabalho que lhe deu fazer a aplicação em Power Point pense na eficácia educativa destas aulas interessantes e modernas.
Para isso, dê uma aula mais tradicional, com leitura de textos, comentários dos alunos e do professor, pequenas exposições orais, algumas questões solicitadas aos alunos por escrito, etc..
Noutra turma dê uma aula interessantíssima, com PowerPoint, videoprojector, ecran interactivo, etc..
No final das duas aulas faça uma ficha de avaliação dos conteúdos ministrados e tire a conclusão sobre a eficácia dos dois métodos.
Além do cansaço pelas muitas horas que gastou a preparar o PowerPoint, talvez descubra que com o manual, um texto de apoio e uma fichinha de avaliação formativa os alunos aprenderam o mesmo ou mais do que com a interessantíssima aula que deu com meios multimédia mais diversificados e modernos.
Isto penso eu que tenho repetidas vezes testado a eficácia de vários tipos de aula.
Mas possivelmente, apesar de todas as conclusões que tirar, terá mesmo de dar aulas aparentemente interessantes e de eficácia reduzida.
O sistema ou o regime não lhe pede que ensine. Pede-lhe que entretenha os alunos e que faça coisas vistosas mesmo que de eficácia reduzida.
Os alunos também estão mais interessados em que o tempo passe depressa do que em aprender.
E os seus avaliadores acharão que é melhor professora se usar uns powerpoints e outras coisas que tal.
31 de Março de 2008 21:32

E vamos lá então à resposta e ao esclarecimento.

Cada docente/educador tem a obrigação moral, inerente e decorrente do seu papel de docente/educador, de tentar aliciar os seus alunos com aulas mais apelativas do que as tradicionais aulas pelo livro que qualquer aluno lhe diz hoje achar uma seca. Os tempos são outros, bem diferentes daqueles em que eu frequentei a escola como aluna, e em que, de facto, só tínhamos o livro, com muito poucas imagens, para manusear. Hoje em dia os miúdos manuseiam e manipulam uma infinidade de tecnologias, que estão aí para ficar, e para se desmultiplicar, inexistentes na minha infância e adolescência. E, no entanto, ainda há professores que continuam a ler os livros nas salas de aula, ou a mandar ler os seus alunos e pouco passam daí, como faziam quando eu frequentei as aulas como aluna, e que continuam a assobiar para o lado perante as novas tecnologias omnipresentes. E até há professores que travestiram os livros em powerpoints sofisticados e se limitam a ler os powerpoints na sala de aula como se os seus alunos não soubessem ler.
Está errado. O embrulho é outro mas a porcaria é a mesma.
Feito este esclarecimento devo dizer-lhe o seguinte. A minha experiência já vem de longe. Iniciei a minha actividade como docente em 1989 e já experimentei muitas estratégias ao longo destes anos todos e já tirei as minhas conclusões. E as minhas conclusões não são iguais às suas. Felizmente. Se eu tivesse à minha frente, ano após ano, turmas constituídas por meninos e meninas mais interessados em passar o tempo do que em aprender, garanto-lhe que já tinha desistido há muito e já tinha mudado de profissão.
Só posso falar da minha experiência pessoal, não posso falar da sua que pelos vistos é outra. E a minha é esta. Já dei aulas de forma mais tradicional, utilizando o manual. E mesmo utilizando o manual já dei aulas de diferentes formas e o que lhe posso dizer é que os alunos não aprendem o mesmo.
Iniciei este projecto das aulas em powerpoint com as minhas três turmas de 7º ano que agora estão no 9º e o que lhe posso garantir é que nunca tive alunos tão empenhados, interessados e tão satisfeitos dentro das salas de aula. Diria até que nunca tive alunos tão felizes dentro da sala de aula. Por isso as aulas "aparentemente interessantes"e "modernas" e de "eficácia reduzida" de que fala não se aplicam no meu caso. As minhas aulas são mesmo interessantes e são mesmo modernas para generalidade dos meus alunos. Daí a felicidade, conforto e bem-estar que uma aula pode e deve proporcionar aos alunos. No meu caso uma aula de História. O que se reflecte nos resultados por eles obtidos. Não tenho qualquer tipo de dúvida acerca disto que afirmo. Eu consegui reduzir significativamente a percentagem de negativas que atribuo.
Esclareço-o entretanto que eu não fiz uma aplicação em powerpoint. Tenho-as todas feitas cobrindo todo o programa do 7º ao 8º ano de escolaridade. As de 9º são as que agora termino e para o próximo ano reinicio o trabalho com novas turmas de 7º ano e vou proceder ao"retoque" das apresentações, aqui e ali, que o trabalho não acaba nunca e pode ser sempre melhorado e modernizado. Pode vê-lo em http://anabelapmatias.googlepages.com/home muito embora o meu trabalho não esteja ainda todo publicado que o tempo não dá para tudo.
E digo-lhe que não iniciei este trabalho por causa da famigerada avaliação de desempenho. Não o iniciei para mostrar trabalho à minha coordenadora, ou seja lá a quem for, que no próximo ano lectivo observará as minhas aulas. Felizmente para mim, que estou de consciência tranquila a este respeito, entendo que a modernização constante é inerente à minha profissão e por isso iniciei-o bem antes de se falar de avaliação de professores, num tempo em que o trabalho se fazia unicamente "por amor à camisola".
E não me interessa o que o Ministério me pede ou deixa de pedir, os sinais de laxismo que me dá ou deixa de dar. Eu não entretenho alunos, nem me parece que seja isso que nos é pedido, e também não perco tempo com coisas vistosas e de eficácia reduzida. Aliás se me conhecesse saberia isto. Eu sei o que faço dentro duma sala de aulas e não desisto do meu papel, exigente, de docente. E também sei o que faço fora duma sala de aulas. Todos os meus alunos sabem disto. Todos os meus alunos sabem que sou exigente comigo e com eles. É o que eu chamo educar pelo exemplo. As minhas turmas de 9º ano tiveram a oportunidade de visitar comigo o Museu Amadeo de Souza-Cardoso e o seu comportamento, atitude e interesse demonstrados durante a visita foi elogiado pela nossa guia, Drª Cláudia Cerqueira, alto e bom som e comparado com o comportamento de outras turmas de 9º ano que deixaram uma péssima imagem naquele museu.
E deixe-me acrescentar que o "enorme trabalho" que tenho em fazer cada uma das apresentações continuaria sempre a tê-lo, independentemente dos resultados. Imagine que os resultados dos meus alunos se mantinham exactamente os mesmos. Garanto-lhe que só para ver os seus olhinhos brilhar de entusiasmo eu gastaria milhares de horas da minha vida a proporcionar-lhes esse brilho que eu tantas vezes já vi, dentro da minha sala de aulas. Confesso que sou mesmo fã desta ferramenta e confesso que praticamente eliminei das minhas aulas o "Está sossegado!", o "Está calado!, o "Está quieto!" Confesso que as minhas aulas decorrem, frquentemente, de forma que até a mim me surpreendem, com alunos que sabem exactamente o seu papel dentro da sala de aulas. E isto é muito interessante nos dias que correm.
O que me preocupa não é este tipo de trabalho. O que me preocupa é mesmo o trabalho burocrático e estéril que aí vem. Este é o tipo de trabalho que eu abomino exactamente por ser de "entretenimento" e por ser "vistoso" e de "eficácia reduzida".
Falo daquilo que sei e daquilo que conheço. E aquilo que sei e que conheço é a minha experiência, não é a minha teoria.
E só para terminar acrescento que todos os meus alunos sabem que adoro trabalhar com eles. Incluindo os meus alunos de Cef`s.
 
Creative Commons License This Creative Commons Works 2.5 Portugal License.